A batida na porta quebrou-lhe a concentração; este problema com os norte-coreanos estava colocando seus nervos em frangalhos. Mycroft tirou os óculos de leitura com um suspiro exausto, esfregando a ponte do nariz.

-Entre. – Anthea entrou no escritório com uma bandeja de chá.

-Senhor, faça uma pausa. O senhor está ruminando esta questão há quase nove horas sem intervalo. – Mycroft fechou os arquivos em que estava trabalhando e afastou-os para dar espaço ao tabuleiro.

-Você tem razão, minha cara. Preciso clarear minha mente. – ele olhou o relógio sobre a lareira: passava das duas da manhã. – Obrigado, Anthea. – a assistente acenou com a cabeça e retirou-se, trancando a porta atrás de si.

Mycroft serviu-se de chá e adicionou três torrões de açúcar e apenas uma gota de leite; fez tudo com movimentos elegantes e precisos, como um ritual muitas vezes ensaiado. Enquanto sua mente consciente concentrava-se em preparar o chá, seu subconsciente trabalhava em seus problemas, calculando incessantemente. Ele depositou a pequena colher de prata sobre o pires e levou a xícara aos lábios, provando a mistura forte, quente e doce. Algo em sua mente encaixou-se, sob os efeitos benéficos do Earl Grey.

-Oh! – ele exclamou, os olhos argutos brilhando, alcançando o interfone. – Anthea, traga o arquivo vermelho Fox-Trote Sessenta e Sete. – ele hesitou por um momento. – E um prato de biscoitos.