*N/A: Trechos baseado na música For the First Time (The Script)
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Pela Primeira Vez
Conto nº1802:
" Eu sei que esta não é a solução, mas me ajuda a buscar um novo começo?!
Eu amo você,
R."
"She's all laid up in bed with a broken heart
While I'm drinking jack all alone in my local bar.
And we don't know how, how we got into this mad situation
Only doing things out of frustration
Trying to make it work but man these times are hard "
Recomeçar. Eu gostaria que fosse tão simples como pronunciar. Mas a verdade é que é bem mais difícil do que eu esperava. Desde que eu havia me comprometido com o recomeço, desde que eu havia completado uma a uma das páginas daquele livro de contos que Belle nos dera de presente em homenagem ao nosso namoro anos atrás, nós tínhamos concordado em tentar mais uma vez.
Eu havia diminuído as noites na lanchonete, havia trocado o balcão daquele bar, por mais noites que pudéssemos passar juntas. E ela havia prometido que tentaria ser mais compreensiva, que me ajudaria a fazer nossa relação funcionar. E embora nós estivéssemos juntas naquele barco que era nossa vida, ainda, algumas vezes, era bastante difícil remar em sincronia.
- Querida...- Eu sussurrei, entrando em nosso quarto na pousada depois de mais uma tarde de trabalho.
Ela levantou os olhos de um livro, como sempre fazia e me encarou. Seus olhos azuis fixos a mim brilharam quando vi um sorriso surgindo em seu rosto. Suspirei aliviada, me lembrando do quanto eu era agradecida por aquele sorriso, o quanto ele havia me feito falta nos últimos tempos.
Fui me aproximando, tirando a bolsa tiracolo xadrez e deixando-a na poltrona ao lado.
- Você chegou cedo hoje! – Ela sorriu de canto, quando nos cumprimentamos com um selinho. Sentei no braço da poltrona onde ela estava e imediatamente seus braços envolveram minha cintura. Beijei o topo da cabeça da castanha.
- Eu disse que eu tentaria...não disse?! – Sussurrei baixinho, enquanto meu olhar se perdeu por alguns instantes no horizonte daquele quarto. Era o mesmo quarto de antes, o meu quarto na pousada da vovó, e foi inevitável não lembrar de alguns momentos nossos ali no início do nosso namoro.
- É você disse...e...e eu estou orgulhosa de você! – Belle me encarou e mais uma vez nossos lábios se encontraram. Seu beijo doce, suave, me fez arrepiar levemente e eu levei a mão ao rosto dela, acariciando sua pele aveludada levemente. -...quer dizer...isso tá funcionando, não tá?! – Os olhos azuis de Belle me encontraram e em sua testa haviam rugas de preocupação que me fez rir.
Ela me deu um soco de leve na perna ao perceber a risada.
-Ai! – Resmunguei, ainda rindo.
- Ruby...é sério...- Os lábios de Belle se curvaram em um bico, ela sempre fazia a mesma coisa quando ficava brava.
- Eu não sei, querida, eu...não sei...eu quero que funcione! – Confessei. – Eu quero isso mais que tudo!
- Então diga que estamos funcionando! Eu preciso saber! – Ela exclamou, suspirando. Eu sabia que Belle precisava das palavras muito mais do que eu. Acariciei as madeixas onduladas de seu cabelo castanho, sentindo o perfume doce de rosas que ela emanava.
- Vamos passar o final de semana na floresta! – Sussurrei próximo ao ouvido da castanha, dando um beijinho em sua orelha.
- Na floresta?! – Bell repetiu, arqueando uma das sobrancelhas. – Não é lua cheia...
- Por isso mesmo, vamos passar o final de semana na floresta?!
- Mas e a lanchonete? A pensão?! – Ela indagou, toda preocupada.
- Nós damos um jeito, eu pedimos ajuda para o Leroy para nos ajudar com a lanchonete...e...e..eu posso fechar a pousada por um final de semana.
- Você tem certeza?! – Seus olhos ainda me encaravam mostrando preocupação.
- Belle! – Exclamei, fazendo uma careta.
- O queeeee? – A castanha pareceu não entender.
- Eu estou tentando, e você que está colocando pesares onde não precisa...
Belle fez uma careta, e eu roubei um beijo dela.
- Mas...
- Vamos?!
- Ok, vamos! – Apesar de colocar vários empecilho, quando concordou, Belle acabou sorrindo de um jeito meigo que me fez roubar ainda mais beijos dela. – Mas...- Ela voltou a falar alguns instantes depois, mas a encarei como se falasse "não começa". – Não, espera, você não sabe o que eu vou perguntar... – Belle se apressou logo a explicar. - ...o que vamos fazer na floresta?
Acabei rindo da preocupação dela desta vez, e levei mais um soquinho.
- Ruby, fala! – Ela insistiu com uma certa manhã e eu me levantei do braço da poltrona, parando de frente para onde ela estava sentada. Me inclinei levemente até que meus olhos verdes encontrassem aquela imensidão azul cintilante que eram os dela, e sussurrei.
- Surpresa!- Foi tudo o que eu disse.
- Eiii, espera! – Ela gritou, enquanto eu ia caminhando na direção do banheiro.
- Surpresa, Belle! – Repeti, antes de encostar a porta do banheiro, acabando com as esperanças dela.
- Não é justo! – Escutei Bell resmungar baixinho lá fora e podia até imaginar seus braços cruzados e mais uma vez aquela expressão emburrada que ela fazia. Esta imagem me fez rir, talvez nós estivéssemos conseguindo.
"She needs me now but I can't seem to find the time
I got a new job now in the unemployment line
And we don't know how, how we got into this mess is it a God's test
Someone help us cause we're doing our best
Trying to make it work but man these times are hard"
- Ruby…- Escutei o sussurro no meu ouvido quando já estávamos deitadas, eu estava exausta e por pouco não havia pegado no sono. Me virei levemente para encará-la, esbarrando levemente em seu corpo. Sorri ao ver seu cabelo ondulado desgrenhado, e passei a mão, ajeitando algumas madeixas.
- O que Bell? – Sussurrei, sentindo seus dedos descerem por cima da blusa regata que eu usava. Acabei sorrindo com o arrepio que o toque dela me causou e me mexi um pouco na cama. Belle diminuiu ainda mais o espaço entre nós. Eu encarava com surpresa, já fazia algum tempo que ela não tomava nenhuma iniciativa assim.
Ela foi aproximando a boca de meu rosto, beijando toda a maçã dele, depois meu queixo, até chegar em meus lábios. Eu não pude evitar, desci minha mão lentamente pelas costas de Belle, acariciando-a por cima do tecido de seda da camisola azul claro que ela usava. Ao perceber que eu retribuía as carícias, senti seus lábios roçando por meu rosto até irem em direção a minha orelha. Provocando um estremecimento ainda maior por meu corpo.
- Qual é a surpresa? – Escutei enfim ela sussurrar, mostrando as reais intenções.
Acabei rindo, eu havia me esquecido como era bom vê-la com esse tipo de expectativa que ela estava criando para o final de semana, como era bom preparar surpresas para ela.
- Sem revelações! – Sussurrei, beijando os lábios de Belle com vontade, mas quase no mesmo instante a percebi recuar.
- RUM! – Belle resmungou, cruzando os braços, e virando de costas para mim, se afastando no mesmo instante.
Continuei observando-a e pude perceber que ela contraia os lábios, segurando o riso. Me aproximei novamente e beijei seu rosto com carinho.
- Nós estamos funcionando! – Sussurrei em seu ouvido, e desta vez o sorriso de Belle ocupou toda a face dela. Belle não disse nada, mas puxou meu braço para abraçá-la, para que pudéssemos dormir juntas.
"But we're gonna start by
Drinking old cheap bottles of wine
Sit talking up all night
Saying things we haven't for a while, a while yeah"
Os dias até o final de semana pareceram voar. Apesar das insistentes perguntas de Belle a respeito de qualquer coisa que eu fazia, na tentativa de descobrir uma pista que fosse a respeito do nosso final de semana na floresta, eu consegui manter o segredo e a surpresa.
- Ruby...vamos?! – Ela perguntou do hall de entrada da pousada, que estaria fechada para clientes este final de semana.
- Pera...só falta mais uma coisa...- Gritei da cozinha.
- O que...?- Escutei os passos dela na direção da cozinha.
- Não, não...não se atreva! – Censurei e quando levantei os olhos ela estava voltando para a porta. Acabamos trocando um olhar e sorrisos cúmplices, quase como antigamente.
Coloquei a mochila nas costas, andando na direção dela.
- Pronto...podemos ir?
Belle concordou com a cabeça ansiosamente.
Estacionei o carro nas proximidades da floresta e começamos a caminhar, adentrando no meio de toda aquela mata. A noite já havia caído e as criaturas da noite, como corujas, grilos, e morcegos começavam a aparecer. Cada vez que adentrávamos mais mata adentro, mais eu sentia Belle se aproximar de mim, até ela agarrar firmemente em meu braço quando um morcego passou por ela.
- AHH-AAAHH! – Ela se abaixou, e eu acabei rindo.
- Ruby! – Belle se levantou, arrumando o cabelo e respirando fundo.
- Isso não é nada romântico. – A castanha fez uma careta, andando mais atenta.
- Espere...- Sorri com segundas intenções.
Quando sussurrei isso, vi uma pontinha de esperança nascer em Belle novamente. Caminhamos por mais quarenta minutos até Belle começar a resmungar que estava cansada de andar. Parei, repentinamente.
- Eu não sei fazer isso direito...ok...vou precisar da sua ajuda! – A encarei, e Belle concordou com a cabeça. Vi seus olhos percorrerem todo o arredor, talvez ela estivesse esperando balões em forma de corações, ou sei lá, mas não existia nada disso. E foi a partir daí que comecei a ficar com medo do que Belle estava esperando para aquela noite.
Mesmo assim, tentei não transparecer, e logo o barulho de água corrente anunciou que nosso destino havia chegado. Ela me encarou, e eu disse.
- Chegamos! – Eu mantinha um sorriso largo, e Belle parecia ainda desconfiada.
- Quais são suas intenções, Ruby?! – A castanha arqueou a sobrancelha novamente, talvez eu nunca a tivera visto tão desconfiada.
- Recomeçar! – Falei a verdade, mas fui recebida com alguns tapinhas de Belle.
- Sua tarada! – Ela resmungou, mas percebi que Bell ria, se divertia, e isso me fez relaxar. Soltei a mochila na grama, abraçando-a de costas. Beijei a nuca dela, desejando sentir sua pele arrepiada.
- Tarada? Quem foi que tentou me bulinar outro dia afim de alguma dica do que seria a surpresa?...- Indaguei, brincando com Bell, porém, voltei falando sem brincadeiras em seguida. - Embora, eu confesse, que está noite você está incrível...e...eu não tenho como negar o quanto você me provoca, ...calma...não é por ai que vamos recomeçar! – Sussurrei no ouvido dela e estendi uma das mais para pegar a alça na mochila enquanto que a outra permaneci abraçando Belle por trás até nós nos encaminharmos para onde eu queria. Sentamos próximas as roxas, era a melhor vista possível da cachoeira. Fiquei por alguns instantes observando-a encarar a natureza. Eu tinha ali as duas coisas que mais amava no mundo. Minha floresta, que era e sempre seria a minha casa, e a minha mulher. Tirei da mochila uma garrafa de vinho, e isto logo chamou a atenção de Belle.
- Uaaaau! Nós merecemos vinho esta noite é?! – Ela brincou.
- Nós merecemos todas as noites vinho! – Pisquei para ela, enquanto sacava a rolha da garrafa. – Mas...como você tem uma namorada não domesticada...ela acabou esquecendo os copos...- Acabei confessando, isso realmente não estava programado, e vi Belle rindo.
- Eu acho que terei que cuidar melhor da minha totó...- Belle riu, e eu acabei fazendo uma careta.
- Totó? Eu já recebi apelidos melhores...- Virei um gole no gargalo da garrafa.
- Ahhhh é, senhorita Ruby? Quem andou te apelidando melhor? – A castanha cruzou os braços.
Sorri para ela com malícia, propositalmente para provocá-la, e quando eu sabia estar prestes a levar mais um soco, estiquei a garrafa de vinho a ela.
- Você não presta...- Belle resmungou, mas bebeu alguns goles da bebida, enquanto eu procurava por mais coisas na mochila.
- O que mais tem ai? – Ela perguntou, e eu parei um instante para observá-la. Nunca imaginaria vê-la tomar vinho no gargalo, sentada nas rochas no meio da madrugada.
- Hmm...umas coisas ai que eu contrabandeei pra você...
- O quee? – Belle indagou animada e eu acabei rindo ao ver suas bochechas coradas. Me perguntei se aquilo era pelo entusiasmo ou pelo vinho. Provavelmente a segunda opção.
Estiquei o saquinho de papel para ela. A castanha rapidamente puxou da minha mão e quase sem acreditar, exclamou ao tirar um dos bolinhos dali de dentro.
- Muffins de amora! – Ela disse cheia de entusiasmo, e me devolvendo a garrafa de vinho. – Há quanto tempo que eu não via um desses...
Acabei sorrindo pela felicidade dela.
- Fui eu que fiz...
- Aww eu vou experimentar agora mesmo e...- Belle parou de falar ao dar a primeira mordida, o que me preocupou.
- Bell...que foi?...você não gostou?...- Indaguei com preocupação.
Ela engoliu em seco o pedaço que tinha na boca.
- Er...eu acho que você trocou, amor,...trocou o açúcar pelo sal...porque essa é a amora mais salgada que eu já comi na minha vida! – Belle gargalhou da minha cara, e eu fiquei meio sem reação. Ok, eu não era a melhor coisa na cozinha mas...
Ao perceber que eu havia sido pega de surpresa, pois contava mesmo que os bolinhos dessem certo, Belle se aproximou, sentando em meu colo, toda cheia de carinhos.
- Eiii...amor...calma...o que vale é a intenção e...
- Estes eram para dar certo...- Confessei, visivelmente chateada.
Recebi os beijinhos de Belle em meu rosto que tentava fazer com que eu me sentisse melhor.
- Eu tenho vinho e você...quem precisa de mais? – Escutei seu sussurro malicioso em meu ouvido, fazendo com que meu corpo inteiro se arrepiasse.
Nossos olhos se encontraram e acabamos caindo na gargalhada juntas.
- Ok, essa é a pior noite romântica do mundo...eu realmente não sei fazer isso...
- Não...não...espera...essa é a melhor noite romântica do mundo!
- Ahn? – Não havia entendido, quer dizer, tinha sido um desastre, da longa caminhada aos bolinhos salgados.
- Eu tenho você comigo! É a melhor noite do mundo. – Belle sorriu, e rimos mais uma vez juntas.
"Smiling but we're close to tears
Even after all these years
We just now got the feeling that we're meeting
For the first time"
- Não amor, não...nunca. Sabe por que eu nunca desistiria de você? Porque há anos atrás...nessa mesma floresta, nesta mesma cachoeira...eu vi você vir atrás de mim, mesmo depois de saber toda a verdade, e não só isso, de ter me visto...como...como aquele monst-...- Parei de falar quando os lábios de Belle encontraram os meus em um beijo.
Logo em seguida ela sussurrou sem afastar a boca da minha.
- Nunca diga isso. Você é Ruby...a minha Ruby...- Seus dedos acompanharam a linha da minha sobrancelha, enquanto Belle encarava profundamente meus olhos. -...você é a minha lobinha, minha doce lobinha, péssima na cozinha...- Ela riu, e eu acabei rindo também, entre as lágrimas. -...mas é a minha Ruby! E se a lua faz parte de você, ela faz parte de mim também...- Belle segurou minha mão, beijando com delicadeza meu pulso.
- Eu amo você. – A abracei mais forte em meu corpo. – Amo como nunca imaginei ser capaz de amar.
- Está vendo?! Se você ama, não pode ser um monstro. Nunca. O amor é o sentimento mais lindo que existe.
Acabei sorrindo meio boba por aquele ligeiro jeitinho tão característico de Belle, que me fazia amá-la tanto. Ela fazia tudo parecer tão simples, tão fácil.
"She's in line at the dole with her head held high
While I just lost my job I didn't lose my pride
And we both know how, how we're going make it work when it hurts
When you pick yourself up you get kicked to the dirt
Trying to make it work but man these times are hard"
Nossos olhos haviam se encontrado mais uma vez. Eu sabia que não seria fácil, mas eu sabia também que Belle era tudo o que eu queria, o que eu precisava e o que eu tinha. Não havia dúvida do quanto eu era encantada por aquela beleza, interior e exterior de Belle.
Me surpreendendo, ela puxou a garrafa de vinho da minha mão, rindo e virou mais alguns goles.
- Eii...não vai acabar com isso sozinha! – A abracei forte, enquanto a castanha virava mais um gole. Enchi seu rosto de beijos, mordendo levemente a maçã do rosto dela.
"But we're gonna start by
Drinking old cheap bottles of wine
Sit talking up all night
Doing things we haven't for a while, a while yeah"
- Alguém ta ficando vermelha de tão quente que tá…- Sussurrei no ouvido de Belle, ao sentir seu rosto macio fervendo. - Nos encaramos, e Belle deu uma gargalhada exagerada.
- Você era melhor nas cantadas no começo do nosso namoro, Ruby...- Belle confessou com tamanha sinceridade, que eu até parei por um instante de brincar e a observei, rindo.
- Como é que é? – Tentei pegar a garrafa de vinho, que já estava quase no final, da sua mão. – E alguém é fraca pra vinho...
- Ei, sai! – Ela puxou a garrafa pro próprio corpo.
- Ahhhh não...a gente já não tem bolinhos, e você quer o vinho todo pra você? – Sussurrei em brincadeira, passando a ponta dos meus dedos pela lateral do corpo de Belle, que ainda continuava em meu colo. – Só um golinho...amor...- Sussurrei na nuca de Bell desta vez.
Ela estremeceu logo na sequência, inquieta em meu colo e fazendo que não com a cabeça algumas vezes.
- A culpa de não termos bolinhos foi sua, então o vinho é meu! – Mais uma vez ela se remexeu, e segurei na cintura, fazendo-a parar por um instante, na primeira vez eu duvidara que ela tinha segundas intenções, mas já estava começando a achar que aquilo era intencional.
- A garrafa é sua...mas por favor, você para de me provocar assim...ou eu...- Confessei em sussurro, e Belle foi se virando para me encarar. Quando nossos olhos se encontraram, parei de falar.
- Ou você?! – Percebi um sorriso malicioso no canto da boca dela.
"Smiling but we're close to tears
Even after all these years
We just now got the feeling that we're meeting
For the first time"
Embora ela tivesse perguntado, e ainda estivesse rindo, me perdi nos pensamentos por alguns instantes, observando-a. Minha mão escorregou por suas costas, mas a garota me interrompeu, falando mais uma vez.
- Você o que, Ruby?! Eu vou sozinha?! – Belle disse, se levantando, parecendo impaciente, mas ainda com o sorriso espevitado no rosto.
- Como é? – A encarei, perguntando o que eu havia perdido.
- Eu vou sozinha nadar...na cachoeira! – Ela apontou em direção a cachoeira, arriscando a ir pelas pedras. Me levantei rapidamente, segurando em sua cintura por trás, antes que ela fosse para a cachoeira, ou pior caísse no meio do caminho.
- Você não vai nadar agora...tá frio...Belle...
- Eu não sinto friooooo! – Ela abriu os braços falando em alto e bom som, como se estivéssemos em uma cena do Titanic, ou algo assim. Acabei rindo mais uma vez. Fazia tempo não nos divertíamos e riamos tanto juntas. Ela de repente se virou de frente para mim, mantendo nossos corpos juntos.
Um arrepio percorreu meu corpo, e a puxei para ainda mais perto. Seus lábios encontraram os meus e nos beijamos. As mãos de Belle apressadamente foram tirando a jaqueta reforçada que eu usava para me proteger do frio. Me encolhi, percebendo a diferença de temperatura do meu corpo para a floresta. Belle correu as mãos por meus braços e corpo e sussurrou em meu ouvido.
- Não se preocupe, eu vou te esquentar...- Ela sussurrou de um jeito sexy em meu ouvido, mais uma vez provocando ainda mais meu desejo, e foi me empurrando em direção a uma das árvores que beiravam a cachoeira.
"Oh these times are hard
Yeah they're making us crazy
Don't give up on me baby."
Belle foi despindo uma a uma das minhas peças, conforme suas mãos exploravam cada extensão de meu corpo que era descoberta pela peça de roupa tirada. Embora fosse extremamente frio a madrugada na floresta, posso dizer que quando senti sua boca descer por meu pescoço em direção ao colo dos meus seios não existiu mais frio. Cravei minhas mãos na cintura de Belle, e mordisquei seu pescoço, tentando abafar o gemido que me foi inevitável. Eu precisava de Belle, precisava sentir seu corpo arrepiado, sua pele quente...
Retirei o casaco dela, em seguida a blusa, despindo-a e deixando a amostra a pele pálida de Belle. A trouxe novamente para meu corpo, e de fato, seu corpo fervia ainda mais do que o meu. Minhas mãos contornaram suas omoplatas, escorrendo-as para sua cintura e lombar. Eu queria senti-la por inteiro, a queria para mim, mas Belle roçou o corpo pelo meu, me provocando mais uma vez, e mostrando que não me deixaria continuar antes dela fazer o que desejasse.
- Você é minha...só minha...- Seus olhos se prenderam aos meus.
- Só sua...- Repeti sorrindo. – Toda sua!
Maliciosamente Belle encaixou a coxa entre minhas pernas, fazendo com que eu gemesse mais uma vez, enquanto sua boca seguiu o caminho pelo resto do meu corpo, fazendo com que eu me entregasse inteiramente a ela.
"Oh these times are hard
Yeah they're making us crazy
Don't give up on me baby."
Os primeiros raios de sol foram surgindo. Com dificuldade, os abri, podia sentir a grama embaixo do meu corpo e o solo desconfortável. Me sentei, colocando o casaco e observando Belle, que resmungava, ainda deitada.
- Dói...- Ela disse baixinho, e acabei rindo.
Beijei seu rosto, e rocei meu nariz pelo contorno de sua orelha ao sussurrar.
- Viu? Quem mandou virar uma garrafa de vinho? – Brinquei com ela, mas mau-humorada, Belle abriu os olhos com dificuldade, me encarando.
- É pra eu me sentir melhor?! – A castanha resmungou, e foi inevitável eu não rir. Belle de ressaca talvez fosse tão engraçado quanto ela bêbada. Ok, ao menos pra mim.
Peguei o outro casaco, colocando-o ao redor do corpo dela.
- Minha cabeça...ta pesada...- Ela foi se sentando, e pude perceber que ela sentira uma leve vertigem pela forma como tinha dificuldade em manter os olhos abertos. – Eu estraguei a noite romântica na floresta, não foi?!
Fiz que não com a cabeça sorrindo, em minha mente os flashes de Belle me fazendo delirar, nossa noite de amor, o encaixe de seu corpo no meu e nossas danças,...mãos, abraços, beijos, chupões e arranhões, ainda fazia com que eu me arrepiasse, com que eu desejasse repetir a dose. Ainda permanecia em minha mente, como se tivesse acabado de acontecer.
- Você, com certeza, não estragou nada! – Afirmei, e Belle me encarou duvidosa.
- Não?! – Sua voz soou um pouco mais rouca que antes e surpresa.
- Nem um pouco! –Acabei rindo novamente.
- Então por que você ri? OMG, o que foi que eu fiz? – Ela ficou ainda mais preocupada.
- Eii relaxa...ok?!...- Massageei levemente seus ombros. – Vamos...você precisa tomar um pouco de água e...
- Ruby...o que eu fiz? – Ela repetiu, ainda preocupada. Me levantei, ajudando-a, para irmos até a cachoeira. Não a respondi, o que fez com que, quando chegamos a margem, ela indagasse novamente. -...Ruby...
A encarei, ela não precisava terminar a frase, eu sabia o que indagaria. Molhei minha mão no riacho onde desembocava a cachoeira e passei-a pelo rosto de Belle.
- Bebe um pouco de água...
A castanha continuava me encarando, não convencida.
Suspirei, e me aproximei dela, sussurrando mais uma vez.
- Bebe e eu te conto...
O acordo pareceu justo, pois Belle se abaixou e tomou algumas goladas de água utilizando a uma das mãos como concha. Logo ela se levantou, voltando a me encarar.
- Ok...vamos lá...- Estiquei a mão na direção de Belle.
- Vamos? Aonde?- Mas ela confiou, esticou a mão em minha direção e eu dei um beijo nas costas da mão de Belle, seguindo com ela.
Quando encostei as costas de Belle em uma árvore, encarando-a nos olhos, me mantendo próxima, ela ainda parecia confusa.
- Ruby...
- Você quer saber, não quer?! – Sussurrei. Desfazendo o laço que havia na gola da blusa dela.
Ela concordou com a cabeça. E eu aproximei meus lábios de sua nuca, beijando-os, enquanto sussurrava.
- Você...me fez ter a noite mais cheias de risada...- Minhas mãos seguiram para desabotoar a blusa dela, mas não ousei a tirar, apenas escorreguei lentamente minha mão para dentro, explorando sua barriga, cintura. Percebendo-a contrair o abdome levemente e sua respiração se ofegar, conforme eu ia subindo minha mão em direção aos seus seios que estufavam em minha direção, desejando ainda mais do toque. -...a noite mais sincera...- A escutei gemer baixinho, quando brinquei com o biquinho de seu seio, já eriçado, e aquilo foi como música para os meus ouvidos. Precisei de controle, para continuar ali, e não tê-la de uma vez. Desci minha boca por seu pescoço, passando levemente a ponta da minha língua por ele. -...e a melhor noite da minha vida! – Continuei a sussurrar, enquanto cada vez mais me deliciava com a voz rouca e ofegante de Belle que tentava me chamar. Encaixei meu corpo no dela, permanecendo com uma das pernas entre as de Belle, e movimentando-a levemente. Por vezes meus olhos encontravam seu rosto, admirando, apreciando cada vez que Bell comprimia os lábios ou fechava os olhos na tentativa de se controlar. Meus dedos contornaram o botão de sua calça, e sorri com malicia para ela, mas também com cumplicidade, com o amor que ela me fazia sentir. A desabotoei, deslizando meus dedos pelo pano úmido de sua calcinha. Podia sentir como ela fervia, como estava cheia de desejo.
- Ruby! – Ela gemeu meu nome com dificuldade.
Estremeci mais, e desta vez adentrei os dedos em sua intimidade. Fui gradativamente aumentando os movimentos, até sentir seu corpo inteiro tremer em espasmos. A abracei, mantendo-a ali em meu corpo, mantendo aquele calor.
- Foi isso que você fez. Você me fez ser sua, Belle. Eu amo você. – Sussurrei em seu ouvido. – Seja minha, só minha mulher, para sempre?
Foram dois dias e meio, duas noites, um final de semana que passamos juntas. Era pouco, se comparado aos anos que havíamos vivido. Não posso dizer que foi o suficiente para concertar todos os nossos problemas, todas as dificuldades que vínhamos enfrentado. Mas foi essencial para reestabelecermos nossa cumplicidade, para enxergarmos que havia amor ainda. Para não desistirmos uma da outra.
