Ele apostou com Chiharu que faria todos acreditarem em Papai Noel. Mas Sakura se torna um obstáculo nesse seu desafio. Como o mentiroso da turma vai se livrar dessa?
Disclaimer: Sakura Card Captors e todos os seus personagens pertencem à Clamp®, eu só os pego emprestado para me divertir e para tentar diverti-los (ainda mais hoje que é um dia especial: o aniversário da Tamy! Parabéns garota).
Etapa 2 – Descobrir o presente de Sakura
4 de dezembro
O despertador tocou por cinco minutos seguidos, mas o seu dono sequer parecia ouvi-lo. Em um ato quase que mecânico, o desligou e voltou a dormir. Três minutos depois, ouviu um grito da cozinha da casa, que o fez cair com tudo no chão. Sua mãe gritava para ele acordar, senão se atrasaria para o colégio.
Yamazaki levantou vagarosamente, sentindo sua cabeça doer. Com passos lentos, encaminhou-se ao banheiro para lavar o rosto e tentar acordar de uma vez. Viu seus olhos cheios de olheiras e a cara amassada, mas não se assustou. Havia ido dormir tão tarde que já esperava que acordasse daquele jeito.
Pensara quase a noite toda no presente de Sakura, mas por mais que se esforçasse, nada passava por sua cabeça. E as poucas idéias que tivera, ou eram simples demais, ou eram presentes que ela já havia ganhado. Conforme o tempo foi passando, a escolha só ia ficando mais difícil e ele, por fim, acabou deixando esse detalhe para o outro dia. Talvez na escola, com ela presente, ele pensasse em algo.
Tomou o seu café correndo e saiu em disparada para a escola. Era incrível como uma noite mal dormida de sono conseguia fazer uma pessoa sair totalmente da rotina. Ao chegar na escola, sentiu-se aliviado por ver que o sinal ainda não havia tocado. Sentou-se em sua carteira de uma vez, jogando o seu material no chão e tentando desesperadamente recuperar o fôlego. Mas não teve muito tempo para descansar. Chiharu já se encostava a sua mesa.
"Que milagre, Yamazaki. É a primeira vez que te vejo chegar atrasado".
"Pra tudo existe uma primeira vez, Chiharu. Além disso, não vejo nada demais em chegar atrasado".
"Pela a sua cara – e pelo humor – você deve ter dormido mal hoje. O que aconteceu, já está preocupado porque não conseguirá cumprir a aposta?".
Yamazaki levantou a sobrancelha e encarou a amiga com seriedade, o que não era muito comum de sua parte. Ela tinha um sorriso debochado no rosto, como se estivesse se deliciando com o seu desespero. Ele virou o rosto e, amarrando a cara, disse com tom de voz meio irritado:
"Se eu fosse você, não cantaria vitória antes da hora".
"Eu não estou cantando vitória, só estou averiguando os fatos. Até agora, eu não o vi tomar nenhuma atitude pra realizar o desafio, a não ser trabalhar que nem um louco lá na Twin Bells. A não ser que você tenha um plano...".
"Pode desistir, Chiharu, não vou lhe contar o que estou pensando em fazer".
"Ah Yamazaki, por favor, vai!" – ela fez um beicinho e juntou as mãos, como se pedisse algo – "Conta por que você está trabalhando na Twin Bells, estou tão curiosa".
"Não senhora, isso você só vai saber no dia 25. Antes disso, nada feito".
"Você saber ser malvado às vezes" – agora era a vez dela emburrar, virando a cara para Yamazaki, como ele havia feito a poucos momentos.
"Você também sabe. É por sua causa que eu me meti nessa encrenca".
"Você que disse que conseguia fazer as pessoas acreditarem em qualquer história que contasse. Eu só pedi para que provasse. Além disso, eu..." – ela não chegou a terminar a frase. Parou de falar e passou a olhar um ponto fixo no fundo da sala, e seus olhos apresentavam preocupação. Yamazaki olhou para a mesma direção, e o que viu o deixou bastante preocupado também. Sakura entrava na sala com a cabeça baixa, os olhos vermelhos como se tivesse chorado. Deu um "bom dia" desanimado para Tomoyo, que na mesma hora tentou saber o que estava acontecendo. Mas a garota não dizia nada, apenas deitou a cabeça na mesa e escondeu os olhos, dando a entender que voltava a chorar. Naoko, Rika e Tomoyo tentavam a todo custo saber o que estava acontecendo com ela, mas Sakura apenas dizia que estava bem, que não precisavam se preocupar, embora o próprio tom de voz mostrasse o contrário.
"Nossa, o que aconteceu com a Sakura?" – Chiharu se mostrava preocupada. Yamazaki apenas encarava a amiga, enquanto pensava consigo mesmo:
'Ela deve estar com algum problema grave. Mas se ela continuar triste desse jeito, como eu vou descobrir o que dar para ela?'.
O professor entrou na sala, fazendo com que todos se sentassem imediatamente. Yamazaki e Chiharu olharam mais uma vez para Sakura, enquanto a mesma levantava a cabeça ao mesmo tempo em que enxugava algumas lágrimas, antes de voltar a prestar atenção na aula.
-------------------------------------------------------------------------------------------------
"Olha que bonito, Mayumi" – uma garotinha olhava com grande admiração para o grande ursinho de pelúcia que estava à mostra na vitrine da loja – "Queria tanto ter um desses".
"Por que você não pede a sua mãe de natal? Aposto como ela daria se você pedisse com jeitinho" – a garota Mayumi também olhava o urso admirada.
"Infelizmente, esse urso não está a venda, garotas" – um jovem aparecia atrás dela, com um grande sorriso acolhedor e simpático.
"Boa tarde, senhor Yamazaki" – as duas cumprimentaram o vendedor da Twin Bells, retribuindo o sorriso – "Como vai?".
"Eu estou bem, e vocês? Estou vendo que você quer muito esse urso, não é Akiko?".
"Eu quero, sim" – a garotinha Akiko respondeu com alegria, mas em seguida ficou triste – "Mas o senhor disse que não está vendendo".
"E realmente não está, mas isso não quer dizer que ele não possa ser seu" – ele se abaixou para ficar na altura delas – "Ele é o primeiro prêmio de um sorteio que faremos na semana do natal. Toda pessoa que compra alguma coisa aqui na loja ganha um cupom para participar".
"Isso quer dizer que, se comprarmos alguma coisa aqui, poderemos participar do sorteio e tentar ganhar o urso?" – Mayumi parecia animada.
"Exatamente".
"E o que estamos esperando, Akiko?" – Mayumi pegou a amiga pela mão – "Vamos comprar algo".
"Oba, eu vou ganhar o urso" – Akiko entrou animada na loja, seguida por sua amiga. Yamazaki sorriu com a alegria das garotas, mas depois voltou a ficar preocupado. Voltou para o balcão, onde a senhorita Maki finalizava a compra de um senhor. Assim que viu seu ajudante, viu que algo não estava bem:
"Yamazaki, algum problema?".
"O quê? Não, por que a pergunta?".
"Não sei, você me parece preocupado. Aconteceu algo?".
"Bom, de certa forma sim. É que eu estou com uma dúvida".
"Uma dúvida? É algo que eu possa ajudar?".
"Talvez" – ele sentou-se em um banquinho que havia por ali – "A senhorita é boa em dar presente?".
"Em dar presente? Depende da pessoa. Você não sabe que presente dar para alguém?".
"Mais ou menos isso. Preciso pensar num presente que darei a uma pessoa, mas esse presente tem que ser muito especial, algo que ela quer muito. Tipo o presente perfeito, entende?".
"Acho que sim. E pra quem você quer dar esse presente? É para a Chiharu?".
"Não, dessa vez não é para ela. O dela eu escolhi há muito tempo".
"Então para quem é?".
"Para a Sakura".
A senhorita Maki se espantou levemente, mas não deixou que sua surpresa transparecesse. Ela finalizou a compra de mais um cliente antes de voltar a falar com Yamazaki:
"Desculpe a pergunta, mas para que você quer dar um presente perfeito para a Sakura?".
"Bom, na verdade não é só pra ela, eu também darei um para a Naoko, Rika e Tomoyo. Ai, senhorita Maki, a história é tão complicada...".
"É, eu imagino que sim. E você já encontrou o presente das outras?".
"Já, mas ainda não comprei nenhum deles. Estava esperando decidir o da Sakura primeiro".
"Eu acho melhor você comprar os outros antes, afinal você não sabe quanto tempo vai levar para achar o da Kinomoto. Mas não acredito que o dela seja muito difícil de encontrar, Sakura parece se contentar com pouco...".
"Isso é verdade, mas o problema não é esse" – Yamazaki apoiou os dois cotovelos nos joelhos, e suspirou, cansado – "O problema é que ela já tem tudo! Não consigo pensar em algo em que ela não tenha".
"Você já tentou perguntar a ela?".
Yamazaki mergulhou em alguns pensamentos. Com as outras meninas a estratégia havia funcionado, todas meio que deixaram escapar o que mais queriam de Natal. A única que ainda ofereceu um pouco de resistência fora Naoko, mas isso a senhora Yanagisawa havia dado um jeito. A estratégia havia dado tão certo que ele chegou a tentar com Sakura naquele mesmo dia, mas com ela as coisas foram um pouco diferentes...
-------------------------------------------------------------------------------------------------
Era aula de educação física, mas os alunos não pareciam muito dispostos a jogar alguma coisa. Além do enorme frio que estavam sentindo, todos estavam muito preocupados com o estado de Sakura. Geralmente a primeira a se exercitar nas aulas, naquele dia a garota estava sentada em uma arquibancada da quadra, com a cabeça baixa e os olhos ainda vermelhos. A manhã já havia passado, mas ninguém conseguira fazê-la falar o que estava acontecendo. Tomoyo já estava em um estado de desespero, ligando para todos que conhecia em uma tentativa de saber o misterioso ocorrido. Até a professora estava preocupada, mas toda vez que perguntava se ela estava bem, a garota apenas dizia que estava com cólicas. De forma que chegou uma hora em que ela ficou sozinha nas arquibancadas, e os outros foram jogar basquete, para ver se conseguiam se aquecer.
Yamazaki viu que ninguém mais rodeava Sakura, e ela estava sozinha. Não achava certo tentar arrancar algo dela justo naquele momento, mas talvez o assunto "natal" a fizesse melhorar um pouco, afinal ela adorava a época, desde muito pequena. Assim que acabou a vez de seu time jogar, ele foi se aproximando devagar da garota, até que se sentou ao seu lado. Ela não percebeu sua presença, então ele resolveu se pronunciar;
"Espero que esteja melhor, Sakura".
"Hã... ah, olá Yamazaki" – ela tentou esboçar um sorriso, mas não teve muito sucesso – "Já jogou?".
"Já, a minha equipe perdeu" – ele deu um riso sem graça – "Faltou um pivô de qualidade no time, já que você não quis jogar hoje...".
"Não estou me sentindo muito bem para jogar, mas prometo que na próxima vez eu jogo no seu time. Pode ser?".
"Claro. Se você estiver melhor, adorarei ter você no meu time. Sabe, você faz falta nas aulas".
"Você é muito gentil, Yamazaki. Muito obrigada".
"Mas parece que a minha gentileza não foi o suficiente para te fazer melhorar, não é mesmo?".
Ela abaixou a cabeça e virou o rosto, como se quisesse esconder. Yamazaki resolveu não falar mais naquele assunto e tentar o que realmente queria fazer.
"Bem, não vou mais te encher com isso; se você não quer falar, não precisa. Ainda mais nessa época. Não é bom atormentarmos as pessoas...".
"Nessa época? O que quer dizer com isso?".
"Ora Sakura, é dezembro! Logo estaremos de férias, e o natal está chegando".
"É verdade, eu até já tinha me esquecido que é época de natal. Você já sabe o que vai fazer nesse dia?".
"Eu sei" – ele sorriu com muita satisfação – "E você, já sabe o que vai fazer?".
"Eu tinha alguns planos, mas pelo jeito eles não vão se realizar" – ela deu um suspiro de cansaço – "Parece que eu vou ter que arranjar novos programas".
"E os presentes? Já comprou?".
"Combinei com a Tomoyo de irmos hoje comprar, mas acho que vou ter que cancelar" – a expressão dela ficou mais triste, mas sua cabeça estava tão baixa que Yamazaki nem percebeu.
"Eu acho que você deveria ir" – ele falava com tom de voz gentil, tentando animar a garota – "Vai ser bom para você se animar. E quem sabe você não ache algo para você mesma?".
"Eu não quero nada nesse natal" – ela respondeu, tentando abafar um soluço.
"Como assim, nada?" – Yamazaki olhou para a garota, meio desesperado, aquilo não era uma boa notícia – "Não é possível, Sakura! Todo mundo quer algo de natal".
A garota nada respondeu. Apenas se levantou e saiu correndo dali, aos prantos. Todos viram a cena e, na hora, pararam o que estavam fazendo para tentar saber o que estava acontecendo. Tomoyo saiu atrás de Sakura, enquanto os outros foram sondar Yamazaki:
"O que aconteceu?" – a professora parecia confusa – "Por que a Kinomoto saiu chorando?".
"O que você aprontou dessa vez, Yamazaki?" – Chiharu pegava o garoto pelo colarinho, tentando arrancar uma confissão dele.
"Eu não sei, estávamos conversando sobre presentes de natal e ela de repente saiu chorando!" – Yamazaki parecia extremamente perdido.
"Você tem certeza de que vocês falaram só sobre isso?" – a professora tentava entender o que estava acontecendo – "Você não disse nenhuma grosseria a ela?".
"Claro que não!" – o garoto pareceu ofendido – "Eu nunca faria uma coisa dessas com alguém, muito menos com uma amiga minha".
"A Sakura está assim o dia inteiro, professora" – Rika tentou ameniza a situação – "Ela deve ter se sentido mal, só isso".
"Bom, eu espero que ela melhore, me dói ver uma garota tão alegre como ela desse jeito" – a professora suspirou – "Mas agora já aconteceu, não podemos fazer nada. Muito bem, pessoal, todos voltando à quadra, a aula ainda não acabou".
Yamazaki bufou, mostrando sua impaciência, e voltou à aula, tentando esquecer o ocorrido.
-------------------------------------------------------------------------------------------------
"Agora eu entendo" – a senhorita Maki sentou-se ao lado de Yamazaki, assim que ele terminou de contar o que tinha acontecido – "E ninguém soube o que a Sakura tem?".
"Acho que Tomoyo descobriu, mas ela não falou nada o dia todo" – Yamazaki suspirou – "E eu acabei não descobrindo o que ela quer".
"Bom, enquanto Sakura estiver assim, acho melhor você nem tentar falar com ela" – a mulher se levantou, vendo que Akiko e Mayumi estavam finalizando suas compras – "Acharam o que queriam, meninas?".
"Achamos, senhorita Maki" – Akiko despejou diversas canetas coloridas no balcão, assim como Mayumi – "Nós vamos poder participar da promoção do urso?".
"Claro que sim. Basta preencher esse cupom aqui" – a moça entregou um pedaço de papel para cada uma, e enquanto as duas preenchiam, ela voltou a falar com Yamazaki – "Mas voltando ao assunto... por que você não pede uma opinião para outra pessoa, Takashi?".
"Eu não posso. Ninguém pode saber o que eu estou fazendo".
"Ué, por que não?".
"Pode-se dizer que eu quero fazer uma surpresa".
"Eu entendo. Bom, se é assim, acho que você vai ter que descobrir por outros meios. Se eu fosse você, já ia comprando os outros presentes enquanto não pensa em nada. Mas não se preocupe, Yamazaki. Ainda estamos no começo do mês, até o natal você pensará em algo. Ah, terminaram, meninas?".
Enquanto a senhorita Maki finalizava a compra das duas garotinhas, Yamazaki abaixou a cabeça, desanimado. Com Sakura feliz, o presente já era muito difícil de se encontrar. Com ela triste daquele jeito então, a missão se tornava quase impossível.
Continua
Nota da autora: e aí, o que acharam do segundo capítulo, ou melhor dizendo, da segunda etapa do plano do Yamazaki? O coitado está vendo que convencer as meninas de que Papai Noel existe vai ser meio complicado... afinal, o que ele está planejando fazer? Por que esse presente tem que ser tão perfeito assim? Seja lá o que for, o mentiroso da turma vai ter que ralar pra cumprir seu desafio e vencer a aposta. E com essa tristeza da Sakura então... agora sim ele terá problemas. Será que alguém chuta o que está acontecendo com ela?
Bom, mudando de assunto agora, eu queria pedir para aqueles que tem orkut entrar na minha comunidade de "Os Senhores da Natureza". Lá estou pensando em colocar prévias dos próximos capítulos (além de colocar no site, claro), e também criar um tópico para vocês colocaram suas opiniões: o que acham da fic, o que queriam que acontecesse, o que acham que vai acontecer, falar sobre os personagens, dar sugestões, etc. Mas para eu poder fazer isso, preciso que vocês entrem lá, né? Por favor!!!!!!!!!!!!! Vocês farão uma autora muito feliz!
Bom, hoje eu não tenho muito que dizer. Agradeço a todos que estão lendo, muito obrigada mesmo. Tamy, parabéns mais uma vez pelo seu aniversário. Tudo de bom, viu?
Beijos, pessoal. E não se esqueçam de mandar reviews!
