NOTAS IMPORTANTES:

LEGENDA:

Deixá-la não era fácil, mesmo com toda a expectativa de aprender Alquimia =Narração normal.

- = Mudança de espaço ou de tempo, vocês entendem.

QUANDO A LETRA FOR MAIÚSCULA NA HISTÓRIA SIGNIFICA QUE ELA É IMPORTANTE.

As alterações de tonalidade na voz dos personagens serão marcadas por itálico.


Além da Irmandade

Por Shinji Itte

Capítulo II – Sacrifícios

"Meu corpo todo se foi, e eu nada senti. Porém, arrancaram-me o coração... Aí começou a minha dor"
Alphonse Elric

Alphonse observou a maçaneta girar lentamente. Estava sentado na beirada da cama, olhando fixamente para a porta. Queria dizer-lhe o que sentia, queria ser o homem com quem Winry tanto sonhava. Seria corajoso, como um homem, afinal, já havia lutado contra poderosos Homunculus, criaturas que beiravam a imortalidade, e saíra ileso. Mas a vibração em seus membros tensos, extasiados pela adrenalina, era muito diferente do calor e do sufocamento que sentia, um nó na garganta que queria engolir as palavras que estava prestes a dizer. Seu sangue fluía rápida e incessantemente, ele podia ver as veias de sua mão direita saltarem quando o sangue passava. Alphonse observou a sombra que se projetava por baixo da fresta quando a porta finalmente abriu.

No cômodo, a única lamparina, à óleo, tremeluzia, como um presságio. Sem levantar os olhos, Al começou:

- Winry... – A garota estava parada no batente, Alphonse observou-a, de baixo para cima. Seus pés pequenos, as pernas firmes, seu robe branco desabotoado, podia ver sua roupa de baixo, também branca e bem trabalhada. Seus longos cabelos presos, de forma que lembravam o penteado de Riza Hawkeye. Alphonse só teve tempo para ver que os belos olhos azuis de Winry estavam emoldurados por pequenas lágrimas peroladas, quando Winry correu em sua direção, cambaleante, e pulou nele, derrubando-o na cama. Winry sentiu o peitoral quente de Alphonse, sua camisa também estava desabotoada, e lá derramou mais lágrimas, soluçando.

Alphonse não entendia o que estava acontecendo, apenas a abraçou, mantendo-a contra seu peito, enquanto esperava até que se acalmasse.

- Al... – Winry dizia penosamente. – Eu não agüento mais. Desculpe-me, mas eu preciso de você agora.

- Winry – Alphonse abriu um grande sorriso.

- Al... Eu não consigo... Eu preciso lhe dizer...

- Apenas diga.

- Eu a... Eu... EU AMO O EDWARD. – E forçou o punho contra seu peito. – Eu achei que vir para cá e rever todas aquelas pessoas me faria bem, achei que me esqueceria dele se estivesse me divertindo aqui, mas não... Eu não consigo afastar meus pensamentos dele por um segundo sequer. Mesmo trabalhando ou conversando, eu não consegui esquecê-lo. Foi um erro vir até aqui, só fiz aumentar a distância entre nós. Por que ele teve de ir? O que há de tão importante nessa alquimia que o fez trocar uma vida comigo por uma vida vagando, atravessando desertos? Isso não é justo. Eu o amo. Ele deveria me amar também, e ficar comigo, e não me deixar até o dia de nossas mortes. Por quê? – Cerrava os dentes, raivosa. – Por quê precisa ser tão doloroso?

Alphonse se calou. Engoliu em seco. Tudo estava claro agora, Winry nunca havia gostado dele. Era tudo uma ilusão, todo o carinho que ela demonstrava por ele, a proximidade, tudo aquilo só era dele por que não podia ser de quem ela amava de verdade. Alphonse não conseguia pensar, suas pupilas entravam e saiam de foco enquanto o choro leve de Winry diminuía em cima dele. Dos olhos, agora pesarosos, de Alphonse, brotaram as primeiras lágrimas. Ele não se lembrava quando fora a última vez que chorara. Certamente em sua infância, no dia da morte de sua mãe. A dor era tão sufocante que transbordava na forma daquelas pequenas pérolas. Sua mãe nunca mais voltaria, enquanto Winry estava deitada em cima dele, abraçando-o. Al sentia-se culpado, pois a nova dor parecia maior do que a daquele dia distante. Como poderia ele ter por Winry um sentimento maior do que por sua própria mãe? O que havia feito aquela garota, se não apenas criado sonhos e expectativas que ele nunca conseguiria alcançar? Franzia o cenho com esses pensamentos, e soluçou.

- Alphonse, você também está chorando. – percebeu Winry, soltando-se de seu abraço, encarando-o.

- Winry... Cale essa boca. Você não sabe o que é dor. A distância não significa absolutamente nada quando existe alguém que compartilha o seu amor...

- Winry... – "...você é mesquinha, não tem o direito de dizer isso, eu te odeio" – Todos os chingamentos possíveis passaram pela cabeça de Alphonse.

-Winry... eu estou aqui. Ele está lá, mas se vocês se amam, vão acabar juntos. Vocês... Vocês fazem um casal perfeito. Espere por ele, vale a pena, não é? Enquanto isso, eu estarei aqui. Seu... amigo. Não se preocupe, logo vamos voltar, não pode ser tão difícil assim agüentar mais um pouco, sabendo o que a espera, não é?

- Você está certo, Al, desculpe-me. É que... esse clima me deixa estranha, eu... eu senti falta dele. Senti falta de um abraço, de um beijo. Eu só me vejo o amando tanto e nunca recebendo de volta. Será que eu preciso dizer com todas as letras que ele é tudo para mim? Ele me disse que daria metade da vida dele, mas para mim isso é pouco. Eu já me entreguei demais, e não tenho nem a mim mesma para me agarrar agora.

- Winry, não se preocupe. Tudo se resolverá. Confie em mim.

- Tudo bem Alphonse. Obrigado.

- Tudo bem mesmo?

- Sim, eu estou melhor - Winry enxugara as lágrimas e abrira um sorriso, um tanto forçado. – Você deve estar cansado, pode ir tomar banho. Ficarei bem, prometo.

- Confio em você. – Longamente, deu-lhe um beijo na bochecha e saiu para o banheiro.

Então era isso? Alphonse estava cansado do trabalho na forja o dia inteiro, decidido a abrir seu coração e simplesmente ouvira da boca de Winry que não era ele o irmão escolhido. Alphonse não sabia de onde tirara forças para manter a pose de amigo por fora, enquanto se acabava em prantos por dentro. Alphonse tinha esperanças. Cada palavra em seu próprio discurso para acalmar a amiga tinha custado cada ilusão que um dia tivera com a amiga. Cada palavra era um tijolo que construía um muro intransponível entre os dois, enquanto do outro lado, a felicidade estava guardada para ela e seu irmão. Alphonse deixou seu corpo se derramar junto com a água fervente que caia em suas costas. Deslizou pela parede e sentou-se, derrotado, em lágrimas. Como a encararia novamente? Cada momento feliz com ela seria tão doloroso assim? Sempre olharia aqueles olhos azuis sabendo que não pertenciam a ele. E não poderia chorar, não poderia mostrar o que sentia. Por quê? Se Edward deveria estar com quem o amava, Winry também deveria. E Al a amava. Ele estava a acompanhando. Ele era merecedor dos sentimentos de Winry, e não Edward. Mas não seria tão simples. Se pudesse, renegaria seu amor. Desistiria de tê-la, só para vê-la feliz. Mas não conseguia. Não mais. Ele havia se entregado de verdade, não Winry. Seu caminho já não tinha mais volta, e o fio de sua vida já estava tão entrelaçado com o da moça e o do irmão que nem que tentasse conseguiria sair. Ao menos desse jeito poderia sofrer sozinho, poderia se sacrificar para o bem de Winry. Mas ela nunca o amaria de verdade, amando Edward.

Alphonse desligou o chuveiro e se enxugou com a toalha branca. Voltou para o quarto sem camisa, com a toalha nas costas, e encontrou Winry já adormecida. Tinha um braço próximo ao rosto e estava enrolada nos lençóis. O brilho de suas lágrimas ainda pintava seu belo rosto. Alphonse jogou a toalha no cabideiro e deitou-se do lado direito da cama de casal. Apoiou a cabeça com o braço direito, e com o esquerdo, ajeitou a franja de Winry. Observou seu rosto adormecido, a centímetros do seu.

- Winry... – Disse, quase sussurando - És magnífica. Todo o sofrimento pelo qual me fazes passar se vai pela tua mera presença, mesmo dormindo. Winry... Eu te amo. E por te amar, sei que nunca poderei dizer-te essas palavras. Mas Winry... Eu não sei onde o nunca acaba. Eu entendo completamente, não é mesmo? Mas a minha escolha é sofrer, para que eu possa ver-te sorrir. Não desperdice meu sacrifício. – Com lágrimas pelo rosto, Alphonse se contorceu para conter o choro, e ficou mais perto de Winry.

Seu semblante adormecido era angelical, moldado por deuses. Uma criança, um ser perfeito. Alphonse colou seus lábios nos lábios de Winry, lentamente, tomando cuidado para não acordá-la. Aquele era o primeiro toque de Alphonse com os lábios de outra pessoa. Lábios proibidos. Lábios que, ele sabia, nunca seriam seus. Será por isso tão perfeitos? Tão gostosos? Alphonse afastou sua boca.

- Se eu tivesse uma chance... Faria com que isso fosse tão bom para você quanto é para mim.

Alphonse virou-se, dormiu de costas para Winry. A tentação de apenas observá-la em seu sono por toda a noite era grande, mas ele sabia que isso só iria machucá-lo ainda mais. Desligou seus pensamentos e adormeceu.

Ao seu lado, rolavam mais lágrimas silenciosas de uma garota confusa, que nunca estivera tão acordada quanto naqueles últimos minutos de olhos fechados.


Ling, Lan Fan e Edward retomaram a travessia do deserto ao amanhecer e no fim da tarde, chegaram finalmente em Xing, o império ao leste de Amestris, onde as montanhas tocam os céus e diz a lenda que homens invertem o curso das cachoeiras. Edward passou uma noite no castelo, como convidado de honra. Ficou deslumbrado com seu jantar de boas vindas, centenas de convidados da nobreza se reuniram para receber o viajante de terras distantes. Edward comeu, bebeu e dormiu como um verdadeiro rei. Seu quarto era maior do que a casa de Winry, e o luxo e a extravagância estavam estampados nas paredes, nos quadros com molduras de ouro puro, com toda a linhagem imperial retratada por artistas famosos.

Na manhã seguinte, Edward saiu empolgado, rumando em direção ao Mosteiro de Pu Ya. Uma biga imperial foi disponibilizada para seus serviços, e Edward acabou se acostumando com o estranho meio de transporte. O mosteiro era conhecido pois nele havia um frade que, era sabido, curava qualquer doença e até mesmo podia recuperar membros perdidos. Edward se interessou ainda mais quando o guia mencionou que, durante as consultas, uma estranha luz azul em forma de raios emanava de um pequeno anel que o frade tinha em seu indicador direito. Tinha esperanças que o método do monge utilizasse alquimia, e que, se assim fosse, ele o aceitasse como seu discípulo. Edward não tinha um Deus, mas faria de tudo para ser aceito.

Depois de uma curta viagem, Edward chegava aos Cinco Picos Antigos, e já podia avistar seu destino, escavado na rocha da mais alta montanha. Uma escadaria colossal contornava a montanha em círculos por 3 vezes, até o topo, uma minúscula porta de cor âmbar. Eram belos 1500 metros de subida, sem descanso, mas logo, Edward já batia à porta.

- Quem sois e o que desejas? – Uma voz do lado de dentro.

- Meu nome é Edward, preciso ver o frade Kyun.

A porta se abriu rapidamente.

- Ora, por quê não disse antes, qual é a emergência, entre, meu garoto, ainda consegue andar?

- Erm, sim, não estou doente – Disse, parando na metade do hall de entrada.

- Mas então? – Perguntou o monge alto e esguio, com feições que lhe lembravam um gato siamês.

- Quero aprender os poderes do frade.

- Ah, sua arte não pode ser aprendida, meu rapaz. É um dom que nasce apenas com os enviados do próprio Buddha.

- Ainda assim, posso vê-lo?

- Devo alertá-lo mais uma vez, meu jovem, sua busca é inútil. Vou levá-lo até ele, e ouvirá suas próprias palavras.

Edward foi levado a uma sala circular, onde uma clarabóia fazia um foco de luz ao centro da sala sem janelas. O primeiro monge anunciou o visitante, e logo, o frade o deixou entrar, sozinho.

Edward ajoelhou-se, em reverência, dizendo que humildemente gostaria de ver os grandes poderes do frade.

O frade, ainda nas sombras, perguntou:

- O que inspira esse seu desejo?

- Um dia, fui alquimista, moldava o mundo à minha volta, fazia grandes feitos com meus poderes. Agora, preciso retomá-los. Fiz uma escolha de deixá-los para salvar vidas mas conto com o senhor para obter o conhecimento novamente.

- Ah, um alquimista. Você nunca entenderá a minha arte.

- Não, eu faria qualquer coisa, por favor, senhor, me aceite como seu discípulo.

- Qualquer coisa?

- Sim.

- O aprendizado é longo, e só depende de você. Mesmo assim, não sairá daqui em menos de alguns anos. Renegará sua família, seus amigos, para se jogar em uma busca espiritual aqui nestas montanhas. Está disposto a realizar esse sacrifício?

Edward pensou em Winry, mas não tinha outra escolha.

- Sim senhor, estou disposto.

- E me obedecerá em tudo o que eu disser? Promete usar os poderes que conseguir apenas para o bem?

- Sim, senhor.

- Acho que devemos então selar nosso juramento.

A clarabóia se fechou e a sala entrou em um completo negrume. Lentamente, nas paredes, os candelabros pendurados, antes não visíveis, agora se destacavam na escuridão. Chamas azuis cresciam e começavam a brilhar. As chamas pulavam de um candelabro para o outro, e Edward observava deslumbrado a dança daquelas luzes. A sala ficou clara, e Edward conseguiu ver centenas de flores dispostas em vasos, outras que cresciam pelas paredes, e por fim, deparou-se com Kyun ao centro. Era um ermitão com uma idade bastante avançada, mas mesmo com os curtos cabelos brancos, aparentava ser bem mais jovem, seu corpo era bastante desenvolvido. Kyun fez as chamas se concentrarem em uma única orbe azul, que segurou em sua mão esquerda, estendendo-a ao seu novo e deslumbrado pupilo. Edward foi até ele e apertou a mão livre do velho, a orbe se moldou em forma de uma corrente, pequena, e se entrelaçou entre as mãos atadas dos dois. Alí, apertou-se cada vez mais, até ser absorvida na pele dos dois, deixando uma tatuagem acinzentada.

Edward sentiu um imenso poder invadir seu corpo, uma vivacidade indescritível tomou conta dele, o toque do frade parecia ter curado qualquer cansaço anterior, inspirado seu estudo, ele ficara boquiaberto, enquanto Kyun apenas sorria, dizendo:

- Está feito.

- O que aconteceu?

- Selamos sua promessa.

- O que foi aquele fogo azul? Como eu faço aquilo?

- Ah, um passo de cada vez, cada um no seu tempo certo. Basicamente, aquele fogo sou eu, é você e não é nada ao mesmo tempo.

Edward encarou o velho desconfiado.

- Edward-kun, o que é a vida?

Edward pensava em uma resposta, quando as luzes do local foram acesas.

- Existem alguns preceitos básicos que você precisa aprender, Edward-kun. Nosso mundo é composto de matéria, átomos que assumem três estados físicos, de acordo com a velocidade de vibração de suas partículas. Porém, Edward-kun, a matéria visível, palpável, é meramente a matéria física. Por trás da vida, existe Prana, a matéria espiritual, o fluido vital, uma forma de energia que segue basicamente as mesmas regras da matéria física. Não é possível criar Prana, tampouco destruí-la, ela apenas se conserva e se transforma. A Prana está no ar, na terra, em você, em mim, e naquele fogo azul. A única coisa que difere uma estátua de um ser vivo é a capacidade de catalisar e absorver a Prana existente no ambiente. Somente aos seres vivos foi dada, por Buddha, a capacidade de acumular essa energia, a um ponto que surge a vida.

- Então a vida é um acúmulo de energia?

- É bem mais complexo do que isso, na verdade, mas por hora, é o que você precisa saber. Nossa mente é a responsável por absorver Prana. O que é felicidade, Edward-kun? É Prana sendo absorvida para dentro de seu corpo. Há felicidade absoluta? Não. Quando algo de ruim nos acontece, paramos de absorver energia. Na hora da morte, estaremos liberando Prana, e com ela, se vai nossa vida. Mas podemos tentar nos alegrar e dessa forma, absorver mais energia.

- Isso ainda não explica o fogo.

- O fogo, Edward-kun, é um elemento repleto de energia, o maior acúmulo depois dos seres vivos. Aos humanos, Buddha foi ainda mais generoso. Com a maestria de nossas mentes, é possível manipular a absorção ou a liberação de Prana. É assim que curo os tantos doentes que vêm a este local. O fogo é apenas o acúmulo de um certo nível de Prana, assim, posso criá-lo e manipulá-lo liberando minha própria energia.

- Se é assim, você poderia acumular outra vez a energia de quem já se foi?

- Edward-kun, este poder cabe somente ao grande Buddha. Um corpo que ultrapassa o limite mínimo de Prana já deixa de ser um ser vivo, ou seja, perde a capacidade de acumular energia. No entanto, mantendo um nível sempre alto de energia, pode-se viver por muitos anos.

- Kyun-sama, quantos anos o senhor tem?

- Posso lhe dizer, Edward-san, que já vi a glória de 5 gerações da família real. Mas preciso alertá-lo que uma vida eterna é impossível, este não deve ser o motivo de sua busca, não ambicione tal sofrimento para si. Existo meramente por precisar existir.

- Meu pai... Van Hoenheim... Ele viveu por mais de 400 anos, mas para isso, usou a vida de outras pessoas, sua Prana. Ele era uma pedra filosofal viva. Quando alguém absorve energia, as outras pessoas ao redor perdem sua energia?

- Não, Edward-san. Há energia suficiente para sustentar dez vezes a vida existente na Terra. Pedras Filosofais são repugnantes, itens fracos e sem sentido. Com o nível certo de prática, podemos acumular Prana em pedras raras, em amuletos que chamamos de Waidan. Este, Edward-kun, é o meu Waidan.

O velho retirou um anel incrustado com uma grande pedra transparente lapidada esfericamente. Dentro, era possível ver um pequeno ponto azul brilhante, ao centro.

- Eu guardo uma grande quantidade de energia nesse anel, Edward-san. Assim, consigo curar os doentes e viver em paz. No entanto, apenas compreendendo as regras deste universo é possível dominar tal poder.

- Kyun-sama... Por favor, me ensine.

- Garoto, essa é uma busca que você deve fazer. Concentre-se na natureza. Ela lhe dirá o caminho. Quando as flores desabrocharem ao seu toque, estará preparado. Agora desculpe-me, mas preciso me retirar.

- Mestre, como posso fazer isso?

- Ora, peça a elas.

- Mas Mestre... Qual é a linguagem das flores?

- Amor. – Terminou o velho observando cansadamente seu mais novo e energético pupilo. – Venha, servirei o jantar.