Enjoy the Show – Primeiro Ato
Cena 2 – Think of me
Think of me. Think of me waking, silent and resigned...Imagine me, trying too hard to put you from my mind... Recall those days, look back on all those times, think of the things we'll never do...
There will never be a day when I won't think of you
O céu estava nanquim quando eles foram convidados a entrar no humilde teatro da Universidade. O aposento que agora eles viam pela primeira vez, sendo assombrados por sua magnitude era conhecido como o Teatro de Ouro. Rony que há poucos minutos reclamava de que fora agredido fisicamente e que isso tinha alguma coisa em comum com o zelador, uma vassoura e as chaves dos seus respectivos lares, sentiu sua voz se extinguir de sua garganta quando olhou a sua volta. O Lugar era completamente coberto por ouro ou algo realmente muito parecido. Era um teatro enorme, com quatro andares e incontáveis assentos forrados de veludo vermelho. O carpete era de um tom mais escuro que as cadeiras com desenhos de estilo clássico enquanto as paredes possuíam anjos pelados esculpidos. Sobre eles havia uma pintura de um céu azul com nuvens fofinhas e no centro um lustre enorme completamente trabalhado.
"Fecha essa boca RONALD!" Harry bateu nas costas do outro com força fazendo o ruivo urrar de dor.
Harry abafou o riso enquanto via Hermione ampará-lo. Ela encarou Harry com um olhar repreensivo, mas este só deu os ombros e logo depois deu uma olhada entre os alunos. Parecia estar procurando por alguém entre aquelas pessoas e ao perceber que não tinha ninguém para achar, parou. Os alunos agora tomavam seus lugares então correu para sentar-se perto de seus amigos, conseguindo a cadeira da ponta. Um homem alto e magro, de aparência extravagante com seu terno roxo apareceu de dentro das cortinas pesadas do palco. Ele já era idoso, possuía cabelos e barba prateados que iam até a cintura e equilibrava os óculos em forma de meia lua no seu nariz torto.
"Boas vindas àqueles que chegaram e àqueles que aqui regressaram. " falou o homem abrindo os dois braços como se pudesse colocar todos os universitários entre eles "Me chamo Alvo Percival Wulfrico Brian Dumbledore, mas podem referir-se a mim como seu diretor. A partir desta noite, daremos inicio a mais um ano letivo na Universidade Britânica de Hogwarts. Como todos aqui devem saber, ou pelo menos acho eu" ele olhava furtivamente para o terceiro andar sobre os óculos "nós só devemos dar inicio aos trotes após a minha autorização, senhores Fred e George."
Ron olhou para cima num estalo, assustando Hermione com seu movimento rápido. Os gêmeos Weasley tinham fama e seu irmão preferido estava sentado a poucos metros deles e dava para ver a ansiedade refletida nos olhos dos dois mesmo estando dois andares acima de Ron. Só por precaução, ele puxou o capuz do casaco para se proteger de um provável ataque aéreo.
"Eu não me agrado muito com essa parte da apresentação, mas como todo inicio do ano, temo que tenha que repassar aos espíritos livres algumas das regras de conduta da Universidade." ele deu um longo suspiro, colocando as mãos atrás das costas entrelaçando-as, caminhando pelo palco "É proibido o consumo de bebidas alcoólicas no campus sem a minha permissão." alguns alunos pareceram desestimulados exatamente como o esperado "Vocês estão livres para visitarem a cidade de Hogsmade aos fins de semana, porém caso tenham descumprido seus deveres daqui essa possibilidade estará riscada até segunda ordem."
Uma lista enorme de regras foi imposta uma por uma para eles, fazendo toda animação murchar. Harry pode perceber um incomodo na figura de Dumbledore, ele também não parecia gostar de dizer tudo aquilo. Ron estava escorregando da cadeira tamborilando os dedos perto do braço de Mione não notando o quanto rígida ela estava no momento. Harry que estava distraído apoiou seu rosto em uma das mãos e começou a procurar essa coisa que ele desconhecia entre as pessoas. Notou que os professores estavam divididos pelos camarotes ao lado do palco e que o recinto mais perto do chão era o único que possuía só um profissional, mas talvez fosse por caber somente ele ali pelo tamanho descomunal da criatura. Girou os olhos pelo salão e viu algumas meninas que pareciam se divertir enquanto fofocavam, dois universitários relativamente grandes e largos em comparação aos demais e notou por fim que Neville se sentara não muito longe dele, completamente perdido. Sem sucesso em encontrar o que tinha o impulso de procurar, voltou a olhar Dumbledore esperando que ele desse uma pista sobre o quê o moreno estava buscando.
"No momento, gostaria de esclarecer aos novos alunos sobre os times da UBH. São eles, Corvinal onde se preza a inteligência, Sonserina para os astuciosos, Grifinória representando a ousadia e Lufa-Lufa o trabalho em equipe. Devo ressaltar que aqui temos como meta a união e que não suportamos desavenças entre equipes de forma que levem a um futuro conflito." ele fez uma longa pausa e voltou a caminhar "O uso de uniforme não é obrigatório, mas quem desejar acessórios extras com as cores de sua equipe, favor comunicar a secretaria. Olívio Wood me informou que os testes para os times começarão a partir de amanhã, às cinco e meia, no ginásio. A equipe que se destacar nos campeonatos internos representará a Universidade no Campeonato Acadêmico Europeu."
Harry olhou pro lado e viu Ron praticamente saltar da cadeira. Ele parecia extremamente elétrico perdido nos próprios delírios esportivos. Que Ron era um fanático por esportes Harry sempre soube, desde pequeno ouvia o amigo falar sobre Futebol, Basquete, Vôlei, mas o seu preferido sempre foi o Hóquei. Ele sabia o nome de todos os jogadores de times presentes e aposentados, seu preferido sempre foi o já obsoleto Chudley Cannons, mas Harry preferia engolir mil agulhas ao dizer isso em voz alta.
"Você sabe o que isso significa? Se eu for escolhido para o time, poderemos conhecer vários outros jogadores famosos! Talvez eu até consiga jogar com o Vitor Krum!!" sussurrou ao Harry.
Desde o ultimo campeonato internacional Ron não parava de falar nesse tal de Vitor, mas Potter nem se preocupou quando entendeu que era só um fanatismo exagerado do ruivo pelo jogador do time da Bulgária. Harry chegou a acompanhar o amigo várias vezes nas idas aos estádios e jogando com ele, que era até legal, menos quando Ron se irritava com a facilidade de Harry de sempre jogar perfeitamente. Aí o moreno sabia que era o momento de parar e pensar em fazer outra coisa.
Hermione não desviava o olhar do diretor e para repreender os dois fez um alto e sonoro "SHHH!". Harry encolheu os ombros e olhou instintivamente para frente. Seus olhos se alargaram, sua boca secou e ele esqueceu como se respirava quando localizou uns cabelos loiros claríssimos perfeitamente arrumados, cinco fileiras à sua frente. Seu corpo foi tomado por um sentimento de satisfação, tinha então achado o que procurava.
"Como um ultimo aviso, para aqueles ainda indecisos, disponibilizamos um mês para a escolha dos cursos. Claro, é necessário que tenha alcançando a qualificação necessária para cada matéria antes de escolhê-la." ele pareceu querer se lembrar de alguma coisa enquanto ajeitava os óculos "Oh sim, O clube de teatro fará seus testes na terça feira às seis horas da manhã antes do café, amanhã entregarão o roteiro para os interessados. O esperado é que eles saiam durante o horário de almoço do mesmo dia que foram feitos os testes. Para os que desejam participar dos outros clubes favor se inscreverem até esta sexta feira. Eu desejo a cada um de vocês, uma boa noite de descanso e um ótimo ano letivo. Podem se levantar agora."
Harry se colocou de pé rapidamente ainda tentando manter contato visual com aquele príncipe enquanto as outras pessoas também se levantavam inclusive seu precioso alvo. Potter ia se virar para o corredor com o intuito de acompanhá-lo quando levou um susto tremendo e caiu desengonçado sobre a cadeira que tinha acabado de sair. Na sua frente postava-se um velho imensamente gordo e careca, que por trás dos bigodes prateados de leão marinho o observava de muito perto com seus olhinhos verde-claros protuberantes. Harry piscou algumas vezes se perguntando COMO não tinha notado a presença de um senhor que sozinho poderia ocupar um cômodo inteiro exatamente do seu lado.
"Então os rumores são verdadeiros, o senhor Harry Potter está mesmo nesta Universidade!" disse ele de jeito pomposo enquanto com o dedo enrolava a ponta de seu bigode "Hohoho! Isso é muito interessante! Dizem que você consegue ser bom em tudo o que faz!"
Não demorou muito para todos se virarem e olharem em sua direção, revivendo a cena do trem. O senhor tratou de puxá-lo para debaixo de seus braços o apertando entre eles como se fundi-lo a si. Harry sentiu uma onda de constrangimento subir-lhe a cabeça e corar suas bochechas, olhou na direção onde estaria o príncipe e viu que esse o observava com quase a mesma intensidade do encontro na estação, mas dessa vez ele podia enxergar um ultraje nos olhos prata que não estavam ali antes.
"Eu me chamo Horácio Slughorn meu jovem, sou o representante do curso de Administração. Você por acaso já tomou a sua decisão sobre o que pretende fazer?"
"Ahm... Não sei ao certo" o príncipe isolado no canto oposto à Harry, falava algo para um outro estudante fazendo este lançar um olhar estupefato para Harry "eu acho que vou experimentar um pouco de cada curso antes de tomar minha decisão."
"Ora! Então se sinta a vontade para escolher Administração, porque decisões será o maior objetivo do nosso aprendizado" ele soltou o garoto para voltar a sua necessidade de enrolar o bigode nos dedos "Você será muito bem vindo, Harry."
O menino dos cabelos lisos castanho-escuro, de olhos igualmente escuros e pele bronzeada pareceu cochichar algo realmente engraçado para o delicado príncipe que não conteve a graciosa risada. O numero de pessoas em volta de Harry aumentou tampando sua visão privilegiada, então só conseguiu ver o loiro se retirar às pressas com seu amigo, antes de ser soterrado pela montanha de estudantes desesperados para falar com o grande e habilidoso Harry Potter. Slughorn não quis sair do lado dele nem um minuto sequer, ficou ali como se expusesse um diamante extremamente valioso, incomodando Harry.
Depois de ter sua ficha completa contendo desde seu tipo sangüíneo ao clássico "que tipo de garota te agrada", Harry se sentiu aliviado por estar dentro do ônibus indo para a sua futura moradia. Aquele automóvel poderia chacoalhar menos e parar de fazer o garoto bater a cabeça na janela quando percorriam as curvas, mas na concepção do moreno, seu dia estava feliz demais para se incomodar com isso. As pessoas começaram a sair sobrando somente ele e seu amigo que tentava manter seu suco gástrico dentro do estômago. Harry começava a olhar um pouco aflito para o numero da sua chave enquanto calculava a distância do prédio principal. Na etiqueta estava escrito: "Rua Felix Felicis, residência nº 70" e isso não mudava não importando quantas vezes ele olhava para o objeto. Passaram-se várias casas, uns dois parques e eles tiveram que subir uma ladeira para o numero 60 aparecer. Só quando Ron já estava com a cara verde-abacate o ônibus contornou um largo e parou.
Harry logo reconheceu o numero 70 enorme em dourado ao lado do portão, não perdeu tempo e se levantou servindo como apoio para Ron, saindo do ônibus. Assim que o ruivo se manteve de pé correu para a lata de lixo mais próxima e atendeu ao pedido clemente de seu esôfago. Potter abriu o portão feito de estacas de madeira escura e olhou a frente da sua casa que era um pouco maior que da dos Dursley e tudo que eles sonharam que fosse um dia. Tinha dois andares, uma varanda no segundo e era de cor azul-bebê. A porta era grande e branca localizada mais a direita combinando com a janela larga à esquerda coberta por uma cortina azul de um tecido muito leve. Um pequeno jardim e uma área coberta do lado direito que lembrava uma garagem. Sentiu uma euforia eletrizar seus nervos, clamando para que ele entrasse naquela residência.
"Harry! Olha isso aqui!" O garoto atendeu ao chamado e correu até o bilhete preso na porta da frente escrito com letras caprichadas.
Draco Malfoy deseja aos cavalheiros suas boas vindas a Universidade Britânica de Hogwarts, por favor, aproveitem o presente
Harry praticamente pulava de tanta ansiedade, queria descobrir tudo daquele lugar. Dormir num quarto confortável e só seu, tomar banho num chuveiro que tivesse água quente quando ele precisasse, assistir aos seus programas preferidos na televisão quando ele quisesse e comer qualquer coisa que estivesse à disposição. Com isso abriu a porta de uma vez empurrando Ron para dentro junto com ele.
Uma chuva de balões de tinta caiu sobre eles inutilizando imediatamente os óculos de Harry. Conforme iam andando para se proteger vários outros recipientes multicoloridos eram arremessados contra seus corpos não faltando um pedaço sequer sem ter sido redecorado. Eles estavam imóveis no chão quando o barulho de estouros parou e um toque polifônico soou no local, Harry ajoelhou com dificuldade perto da mesa e agarrou o celular trincando os dentes quando ouviu as risadas do outro lado da linha.
"Qual de vocês se chama Draco Malfoy?" Harry esfregava as mãos nos óculos mesmo estando sujas.
"Hahahahaha!! Porque deseja saber Potty? Hahahahahahaha!!" uma voz que parecia ser arrastada ecoou do outro lado da linha até as orelhas de Harry conseguindo deixá-lo mais furioso.
"Presumo que você seja o responsável por essa festinha aqui, Malfoy" disse ele com escárnio
"Hahahahahahaha Potty, Potty, Potty... meu querido e ingênuo Harry Potty... porque tanta pressa em acabar com a diversão? Vá até a cozinha e sirva-se do jantar que preparamos especialmente para você!"
Harry se pôs de pé acabando de limpar os óculos, viu uma cartolina na porta ao fim do mini-corredor enfeitada com um "Bon apetit" e marchou até ela furioso. Seu queixo caiu e ele só conseguiu ouvir as várias risadas do outro lado da linha. Todas as suas roupas inclusive as de Rony que estava nocauteado no chão da sala, estavam servidas numa travessa enorme coberta com macarrão, molho de tomate, almôndegas e uma garrafa de uma bebida verde tombada sobre elas.
"Lindo não? Eu até comeria se estivesse aí, pena que roupa de segunda mão não faz o meu estilo"
"MALFOY! ONDE VOCÊ ESTÁ SEU PORCO IMUNDO?!" Harry sentiu sua cabeça pegar fogo, queria estrangular esse garoto, esmurrar-lo, chutá-lo e arrancar todos os seus dentes.
"Ihhh... Ele ficou irritadinho... Que medo dele... Ai Ai... Você tem que aprender Pottinho... As pessoas não gostam de gente que se acha mais importante que todo mundo... Muito ousado de sua parte querer aparecer logo no primeiro dia que você passa aqui, mesmo sendo um calouro. Bem feito, é isso que acontece com gente metida."
"Quem é você para me chamar de metido? VOCÊ ME CONHECE POR ACASO?!" Harry apertava o punho com força elevando a voz.
"Porque você não retorna pra sala e se apresenta então? Tem uma câmera em cima da televisão filmando tudo o que aconteceu aí, vai lá e diga quem é."
Harry pisava forte no chão enquanto ia novamente para a sala e teve certa dificuldade em não acertar Rony com todo seu impulso de quebrar alguma coisa. Viu a câmera exatamente onde foi explicada, andou até ela posicionando-se exatamente à sua frente e encarou-a como um cão raivoso.
"E cuidado com a cabeça." Harry ouviu o outro desligar tarde demais para perceber que um balão muito maior do que os anteriores despencava do teto em sua direção e cobriu-o completamente com tinta roxa.
A luz da câmera foi de verde à vermelha dando início ao seu acesso de raiva. Ele jogou a câmera pela janela, gritou vários palavrões e chutou tudo que estivesse ao seu alcance antes de cair exausto no chão encarando o teto com ódio. Por estragar o dia mais feliz de sua vida, Draco Malfoy foi a primeira pessoa que Harry decidira odiar por toda a eternidade.
Malfoy levantou a taça de cristal triangular já vazia e pediu mais uma rodada de seu Merry Martini, enquanto se divertia já afetado pela vodka. Estava na casa de seu melhor amigo, conhecido como Blaise Zabini, que resolvera dar uma festa na sua residência depois do discurso cansativo e chato de Dumbledore. Logicamente, só pessoas inteligentes e com muito poder aquisitivo foram convidadas, e igualmente lógico o motivo principal da festa: ver Harry James Potter ser humilhado com balões de tinta em tela grande.
"Um brinde à Blaise Zabini pela disponibilização das tintas e bexigas!" Draco balançava o liquido verde no copo recém adquirido, brindando com as pessoas perto dele e tomando um gole logo em seguida.
"Um brinde à Draco Malfoy pela idéia genial!" O garoto bronzeado levantou seu copo e sorriu antes de virar o liquido.
As bochechas de Draco já estavam avermelhadas e doídas de tanto rir da cena. Passou a mão pelos cabelos loiros perfeitamente arrumados para depois repousá-la na cintura de Pansy Parkinson que se aninhava em seu colo. Ele estava sentado em uma das poltronas infláveis transparentes perto da piscina dividindo-a com Blaise que colecionava taças vazia no canto da mesa. Crabbe e Goyle não saíam de perto da mesa de aperitivos e Theodore Nott surgia de dentro da piscina brincando de marco-polo com mais cinco garotas de biquíni.
"Hahahahaha" ria Malfoy "você ainda não me disse Zabini, como conseguiu os balões e as tintas?"
Zabini sorriu torto segurando a taça brilhante na mão e chamou uma das garotas que praticamente o comia com seus olhares já fazia uma meia hora.
"Eu peguei no ateliê depois de surrupiar as chaves do Filch quando ele não estava olhando." o garoto não trocou uma palavra com a menina antes de começar a enfiar a língua no fundo da sua garganta "Você pode devolver para mim amanhã? Como retribuição de eu ter deixado você dormir aqui hoje? ...Por favor?"
Zabini não deixou Malfoy responder, se virou para a menina recomeçando a beijá-la como se praticamente comece a cara dela. Pansy na hora olhou para o loiro insinuando que eles fizessem o mesmo. Draco girou os olhos, não que a Parkinson não fosse suficientemente bonita para ele, mas ele já tinha noção de que se desse corda para ela no momento, teria que agüentar suas crises de ciúme depois. Pansy possuía o corpo magro sem muitas curvas, tinha o cabelo de um tom loiro mais puxado para o mel que ia até seus ombros, uma franja cobria um pouco dos olhos castanhos. Uma completa sem sal na opinião de Draco.
"Me concede essa dança?" Pôs-se na sua frente, uma menina loira que o olhava fingindo timidez.
Era Daphne Greengrass, um novo membro na lista de pessoas que poderiam ser vistas perto de Draco Malfoy. A garota era exatamente como uma Barbie, tinha longos cabelos loiros que iam até a cintura moldados em cachos perfeitos, fazendo-a parecer uma fofa nuvem dourada. Seus olhos eram verdes meio amarelados e suas maçãs do rosto rosadas. Draco tirou uma Pansy incrédula de seu colo para aceitar o convite da outra loira.
"Pensei que você estivesse comigo, Dray" Draco se virou olhando-a com desprezo.
"E quem é você para me chamar assim?" ele riu forçadamente para depois adquirir um tom de zombaria "você chegou realmente a acreditar que tinha alguma coisa entre nós? Pel'amor de deus Parkinson, até uma barata é mais interessante que você."
Ele deu a costas à garota e acompanhou Daphne até a pista de dança que tocava uma música lenta. Ela passou as mãos pelo pescoço dele e aproveitou para se aproximar mais, Draco segurou em sua cintura juntando mais os corpos deixando os dois se roçarem conforme a batida. Assim, Antes da segunda música ambos já estavam se beijando intensamente ignorando completamente o resto das pessoas dali.
Inclusive uma furiosa Pansy Parkinson.
Ron socou a porta do banheiro com força, fazia horas que Potter tinha entrado para sua terceira tentativa de retirar a cor arroxeada dos cabelos desde que o sol raiara.
"Essa droga não quer sair!" resmungou Harry revoltado.
"Não é você que está com um cabelo mais colorido que uma parada gay! SAI HARRY! É A MINHA VEZ!"
Harry abriu a porta com a toalha em volta da cintura, claramente irritado. Ron não deu à mínima, começou a rir dele cujo cabelo tomava um tom arroxeado que misturava com seus cabelos castanhos naturais.
"Olha para você antes de rir de mim!" Harry soltou a risada "pelo menos eu não pareço um pavão multicolorido!"
Ron tinha o cabelo tingido com todas as cores possíveis da tabela de tons, ele empurrou o garoto e entrou para sua quarta tentativa sem sucesso. Tinham tentado tirar toda a noite passada até de madrugada alternando entre eles, mas a tinta era mais insistente que eles esperavam. Enquanto um tomava banho, o outro arrumava a bagunça, com isso algumas roupas conseguiram secar esclarecendo porque não estavam tão desesperados. Harry decidiu esconder o cabelo com um boné enquanto Ron amarrou um pano na cabeça, porém o pseudo-ruivo estava totalmente despreparado e se não fosse por Harry, ele preferiria ter ficado em casa.
Conseguiram pegar o ônibus das oito depois de correr ladeira a baixo. Encarando os primeiros olhares do dia e seus cochichos. Uma ou duas garotas esticaram-se para encarar o roxo que escapava do boné de Harry e pareceram comentar alguma coisa entre elas, sons de teclados de celulares foram ouvidos e depois silencio. A cena se repetiu com todas as pessoas que entravam no ônibus.
Quando chegaram ao prédio principal ouviram o burburinho irritante disparar, seguindo eles sem dar trégua. Alguns maus educados apontavam e quando alguém puxou o pano da cabeça de Rony, este entrou em pânico e correu para se esconder. Harry decidiu ignorar, por mais irritantes que fossem os comentários de seus colegas. Puxou da mochila o horário das aulas amassado e viu que tinha que estar na aula experimental de botânica em cinco minutos. Assim que entrou num extenso corredor vazio reconheceu a voz nervosa de Neville e os dois marmanjos que tinha visto no teatro.
"O que vocês querem?" ele se pôs entre os grandalhões e seu amigo, se perguntando pela primeira vez se aquilo era realmente a coisa mais inteligente a se fazer.
"Haha" riu um deles parecendo uma mula fanha "Olha quem está aqui, é o Potty."
"Ele acha que pode com a gente"o outro cuspiu no chão.
"Porque você não vai embora e para de se intrometer em assuntos que não são seus?" disse o primeiro estalando os dedos.
"Crabbe! Goyle!" a voz esganiçada fez os dois ficarem instáveis e... Amedrontados? "Malfoy disse para vocês esperarem por ele no prédio de administração!"
Malfoy. Aquele nome fez as orelhas de Harry se esticarem atentas e seus instintos assassinos aflorarem em sua pele. Ao ver toda reação do garoto, Neville agarrou o braço deste desesperadamente não o deixando avançar na garota que tinha indiretamente salvado suas peles.
"Você conhece o Malfoy?" perguntou ele trincando os dentes.
Harry não fazia a mínima idéia de quem era Draco Malfoy. Ele podia ser o tamanho que fosse, mas iria decididamente pagar pelo que tinha causado a ele, nem que Harry tivesse que escalá-lo por isso. O garoto conseguira ser ainda pior do que Duda, ainda mais baixo, mais vil. Como se de alguma forma tivesse aprimorado todos os defeitos do seu primo. Potter esperava alguém com uma aparência parecida, Outro porco rosado que fala mais do que pode fazer.
"eu não me chamo 'você', me chamo Pansy Parkinson e não preciso perder tempo discutindo com trouxas" disse ela jogando os cabelos loiros para trás do ombro "nem eu, nem ele."
"Diga a ele então que eu..." o sinal do primeiro tempo tocou interrompendo Harry, a garota ignorou os dois e girou os calcanhares sendo seguida por Crabbe e Goyle, deixando Harry ainda mais possesso e Neville aliviado.
A aula experimental do curso de botânica foi para Harry a coisa mais inútil do planeta. Para quê ele iria querer entender a filosofia por trás da botânica se a imagem de um porco gordo e loiro não saia da sua cabeça? Gordo ele tinha que ser, ou então loiro, assim justificaria a semelhança no perfil de Duda. Os noventa minutos se arrastaram deixando Harry ainda mais ansioso para invadir o prédio de administração e deixar Malfoy roxo à sua maneira. Neville estava tremendo de tão nervoso quando viu a rigidez do maxilar do moreno, ele mal conseguia escrever de tanto que tremia e só conseguiu respirar de novo quando Harry saiu pela porta.
Com os passos largos e a raiva chicoteando no seu interior, Harry rumou para a área de administração. Sentiu seu sangue correr pelas veias à medida que se aproximava do local. Cruzou com algumas pessoas e trombou com uma distraída que foi ao chão, instantaneamente ele se abaixou e sentiu seu sangue congelar ao perceber quem era. O garoto loiro dos olhos prata que tinha chamado sua atenção no dia anterior, o príncipe.
"Ahm... Eu... Me desculpe, não estava prestando atenção" Harry posicionou-se mais perto do garoto que passava a mão pelos cabelos loiros de palha "bateu em algum lugar?"
O príncipe levantou os olhos para encarar Harry sem dizer uma única palavra. Parecia irritado e Harry se sentiu atordoado por isso, amaldiçoou internamente Malfoy por fazer logo aquele loiro o olhar daquele jeito. Os dois se olharam durante um tempo deixando Harry desconfortável, já que seu príncipe não parecia tão contente em revê-lo como ele estava.
"Quer... Alguma ajuda?"
O loiro começou a recolher suas coisas com pressa e Harry não conseguiu não ajudá-lo. Estavam espalhados pelo chão vários livros e alguns objetos soltos como um spray de tinta entre outros. Quando ele viu uma bexiga vermelha vazia a pegou e estendeu para o garoto.
"Isso aqui é seu?"
Ele não respondeu, só soltou um 'hunf' indignado que fez os sentimentos de Potter se estilhaçarem. O loiro se levantou e recomeçou o seu caminho inicial. Harry enfiou a bexiga no bolso deixando escapar algumas palavras ofensivas destinadas a Malfoy. Animou-se ao ver que ia entrar exatamente pela mesma porta que o seu príncipe atravessara, sorriu para si mesmo à sua primeira descoberta, ele cursava administração.
Foi só ver o rosto pomposo e feliz de Slughorn ao percebê-lo em sua porta, que Harry se lembrou, oh merda... Dava para ficar pior?
Durante os noventa minutos que esteve naquela sala, ele não tinha retirado os olhos do seu príncipe por nem um segundo e anotava mentalmente cada movimento que era feito pelo garoto dos olhos prata. Esperava uma brecha ou um pequeno detalhe, qualquer coisa que o ajudasse a pedir desculpas adequadamente sem o irritá-lo mais ainda. Ainda com a insistência de Slughorn de lhe perguntar as respostas a cada minuto, ele não se distraiu. Sua concentração era tão vidrada que ele se esqueceu completamente de Malfoy e só lembrou assim que se sentou na grama de um dos parques da universidade, acompanhando Ron e Hermione no horário de almoço.
Hermione parecia exausta, segurava várias anotações e já fazia alguns deveres enquanto comia um misto quente, já Ron fazia embaixadinhas com uma pedra contando quantas ele conseguia fazer sem que o objeto caísse no chão e por último estava Harry deitado sobre a grama encarando o céu azul que imediatamente o lembrou do teatro que o lembrou de seu príncipe e sua risada graciosa.
"Harry? Harry? HAAAAAAAAAARRY!! PARA DE ALTISTAR E VEM JOGAR COMIGO AQUI!"
"Agora não Ron."
Potter tirou do bolso a bexiga vermelha e começou a encará-la. Hermione ao perceber o nível de desligamento do amigo tirou o material do colo e roubou-lhe a bexiga fazendo-o levantar imediatamente.
"Harry, você pode me dizer por que está tão estranho?"
"Hermione, me devolve e eu não estou estranho. Anda, me dá isso aí" ele esticou o braço querendo pegar a bola murcha vermelha de volta, mas a garota não deixou.
"Você está deitado na grama, encarando uma bexiga vermelha como se fosse à coisa mais bonita do mundo!"
"E daí?"
"É uma bexiga! Porque você ficaria, porque qualquer pessoa normal ficaria morrendo de amores por uma BEXIGA?!"
"É Harry, você só fica assim quando encara qualquer coisa que seja de comer" Ron sentou-se ao lado de Hermione, cansado de brincar.
"... Eu não faço isso." a frase soou mais como uma pergunta.
"Ah faz sim" concordou Hermione "o que está te deixando assim?"
Harry parou para raciocinar e passar mentalmente tudo o que tinha acontecido até o dado momento. Não achou nada de anormal, continuava o mesmo a única diferença era... Ah, o príncipe.
"Eu conheci alguém" disse ele simplesmente.
Ron deu um sorriso sacana que Harry não entendeu e Hermione piscou algumas vezes antes de retornar a conversa.
"Quem?"
"Eu não sei exatamente, não cheguei a falar com essa pessoa" ele viu Ron se levantar e sentar do seu lado apoiando-se nele.
"Eu acho que sei o que está acontecendo com ele" a voz de Ron saíra estranhamente malandra.
"O que? Não vejo nada de anormal comigo." Harry se sentia um completo idiota.
"Você deve estar gostando de alguém" relatou Hermione levantando entregando a bexiga para Harry "desse alguém. Como é essa pessoa?"
"Ele é muito bonito, parece um príncipe." disse ele pegando a bexiga de volta.
No mesmo momento Ron deu um salto e o encarou chocado. Harry continuava sem entender e a se sentir um imbecil. As reações de seus amigos não estavam normais, deixando-o ainda mais confuso.
"O que é?"
"Você disse: ele, bonito e príncipe na mesma frase. Tem certeza do que está dizendo?"
"Como assim? Ron, o que eu disse de errado?"
"Você não quis dizer: Ela é muito bonita, parece uma princesa?" Hermione colocou a mão sobre o ombro de Harry fazendo-o olhar para ela.
"Harry, essa pessoa é um homem ou uma mulher? É isso que ele está te perguntando."
Harry parou novamente, tecnicamente o seu príncipe era um... homem? Não, ele não se adequava a um ser do sexo masculino. Ele era gracioso, belo e delicado como um príncipe, mas ele também não era uma mulher. Disso Potter tinha certeza... mas porque ele ficava daquele jeito só de vê-lo no corredor?
"Ele é um príncipe."
"Você quer dizer um homem?" Hermione negava com a cabeça por instinto.
"Não, um príncipe."
"... Harry, um príncipe é um homem. Se fosse mulher seria princesa."
"CARA VOCÊ TÁ GOSTANDO DE OUTRO CARA?!" explodiu Ronald que chacoalhava o amigo desesperado.
"Não!" gritou Harry se soltando dele "Eu não disse que estava gostando dele."
"Você está gostando sim!" dessa vez foi Ron que arrancou a bexiga das mãos de Harry "CARA! COMO VOCÊ PODE GOSTAR DE OUTRO CARA?!"
"Eu não me liguei desse detalhe, só isso." ele deu os ombros "Eu não gosto dele, eu já disse. Estamos no primeiro dia de aula, lembram? Eu não posso me apaixonar por uma pessoa que eu mal conheço! Eu só o acho... Atraente."
"Ele continua sendo um cara?"
"... É" Harry respondeu um pouco irritado.
"NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃO! ELE É UM CARA! UM CARA!" Ronald se contorcia na grama.
"E daí? Eu não amo ele, só estou... Interessado."
"Quando você conseguiu aquilo ali?" Hermione apontou para a bexiga.
"Quando eu trombei com ele no corredor."
"E depois? O que aconteceu?"
"Eu fui para a aula experimental do curso de administração."
"Só isso?"
"Eu meio que fiquei o observando durante a aula."
"O tempo todo?"
"... É."
"Vocês se conheceram no corredor?"
"Não... Ontem eu o encontrei na estação e vi no teatro."
Hermione pareceu ponderar enquanto Ron ainda girava na grama teimando em não acreditar. Harry ficou nervoso por um tempo, ela parecia que ia dar uma noticia muito ruim ou extraordinária sobre o fato.
"Você talvez goste dele, já parou para pensar nisso?"
Harry mal tinha percebido que o seu príncipe era de fato um homem, então era lógico que ele não fazia a menor idéia que poderia estar gostando do loiro, sem ao menos saber o nome dele. Ele mandou Rony calar a boca enquanto pensava. Tudo bem, desde o começo sentiu algo diferente entre eles e talvez tivesse sido um pouco obsessivo ao vigiá-lo por noventa minutos inteiros, mas isso não queria dizer que de fato ele estava gostando do príncipe. Sua cabeça podia ficar completamente vazia, seu sangue correr mais rápido, sua boca secar e seu coração aumentar de velocidade, mas isso é normal quando se está perto de pessoas atraentes.
No final decidiu deixar em aberto a questão e para tranqüilizar Ron, disse que não era nada sério demais, talvez tivesse se sentindo assim só porque o príncipe sendo tão majestoso fazia ele se sentir sem-graça perto de sua presença. Resolveu então acompanhar Hermione numa aula experimental de medicina, combinando com Rony de se encontrarem na frente do ginásio às cinco horas para tentarem uma vaga no time da Grifinória.
Uma infeliz escolha. Medicina era insuportável, principalmente sendo lecionada pelo professor Severus Snape. Ele tinha cabelos oleosos pretos que cobriam suas orelhas por completo. Um nariz ridiculamente grande e torto e uma cara de poucos amigos. Sua voz era irritante, assim como o jeito dele de escolher as palavras. Parecia um grande morcego enquanto andava pela sala, irritando Harry ainda mais com suas críticas sem nexo sobre os trabalhos dos alunos. Hermione parecia teimar em responder todas suas perguntas mesmo que se este não tivesse a escolhido. Harry começou a desejar a aula de administração de volta, com seu príncipe delicado que tinha a mania de arrumar os cabelos loiríssimos.
Após sair daquele inferno, Harry checou o horário. Sua próxima aula seria Economia, perto do prédio de administração, ele podia até encontrar seu príncipe de novo e se animou com isso. Não o encontrou nem na entrada nem na saída, frustrado foi para o ginásio se encontrar com Rony.
"O que aconteceu?"
"Huh? Nada" não teria paciência para agüentar outra crise de Rony por causa de seu príncipe.
"Bem, então, vamos nos inscrever?"
"... sim" não estava tão animado quanto pensava que estaria.
Não até ver o príncipe entrando no ginásio.
A seleção do time da Grifinória foi feita por Olívio Wood, o capitão do time. Ele já era um veterano, mas não tratou mal os calouros ao contrário do que tantos imaginaram. No final, Ron conseguiu o posto de goleiro e Harry como um dos atacantes. Eles iriam fazer um teste com os escolhidos quando Marcus Flint, o capitão do time da Sonserina entrou no campo provocando Wood. Olívio deixou escapar o fato que Marcus era repetente deixando-o ainda mais irritado, no momento uma mulher de cabelos grisalhos e olhos amarelos como um falcão surgiu do nada separando os dois, todos a chamavam de Madame Hooch. Ela propôs uma partida para a avaliação do desempenho entre as duas equipes e sem pensar duas vezes ambos aceitaram.
"Nós somos um time e mais, somos um time de grifinórios. Nosso objetivo vai além de rixas esportivas..."
"Apesar disso ser um dos maiores motivos de porque temos que colocar aqueles sonserinos para correr." responderam Fred e George de uma vez que também estavam no time.
Olívio ignorou o comentário e repassou as formações para o resto do time, Rony pareceu ficar nervoso enquanto Harry estava muito empolgado pela idéia de ser assistido pelo príncipe.
Você talvez goste dele, já parou para pensar nisso?
Antes que Harry se aprofundasse ainda mais na pergunta eles foram obrigados a entrar em campo. Empunhados com seus tacos de Hóquei, o time usava roupas vermelhas, com capacetes dourados. A proteção da boca incomodava um pouco e Harry teve um pouco de dificuldade em usar o óculos com o capacete juntos, mas ele parou de se importar com isso quando ouviu seu nome ser gritado de uma arquibancada entupida de gente.
"Não era uma partida teste?" perguntou a Rony perturbado.
"Acho que todo mundo ficou sabendo, é horário livre agora, eu acho."
Os olhos verdes correram cabeça por cabeça, não via em lugar nenhum seu príncipe. Então o time da Sonserina entrou em campo, eles usavam vestimentas verdes e capacetes prateados. Faltava um jogador, observou Harry, mas este só entrou depois, com seu nome gritado pela arquibancada sonserina. Harry sentiu seu sangue ferver, eles gritavam em coro:
Malfoy! Malfoy! Malfoy! Malfoy! Malfoy!
O ultimo integrante tomou sua posição, ironicamente à frente de Harry que trincou os dentes e se amaldiçoou por não conseguir enxergar o rosto do maldito já que estava coberto pelo capacete.
"Malfoy." disse com desdém.
"Potter." respondeu ele igualmente desdenhoso.
"Cuidado, você não está mais tão seguro como antes. Coisas podem acontecer."
"Seria muito interessante ver você tentar, Potter. Pena que eu não tenho uma câmera aqui, não vou poder filmar o seu fracasso pela segunda vez."
"Nunca haverá uma segunda vez."
A partida iniciou. Foi um jogo acirrado, mas Ron estava tão elétrico que não deixou nenhuma das jogadas dos Sonserinos passarem por ele. Harry deslizava como uma pluma, marcando um gol atrás do outro. Queria vencer para se vingar de Malfoy e para mostrar para seu príncipe o que ele conseguia fazer, só por ele estar o observando.
O jogo estava indo muito bem para os grifinórios, em pouco tempo Malfoy não parecia estar mais tão confiante e Harry tirou proveito disso, marcando sete pontos. Marcus Flint chegou a fingir ter sofrido uma falta, mas madame Hooch não acreditou e o jogo continuou ótimo.
É... Talvez eu goste mesmo dele
Harry cruzou o campo e marcou o ultimo ponto antes do apito final. Grifinória venceu Sonserina e sua vitória era comemorada pela arquibancada. Sem o capacete, Harry olhou a sua volta. Não viu o príncipe, resolveu olhar para a outra arquibancada, mas ele também não estava lá. Foi atingido bruscamente no ombro pelo sonserino que mais odiava.
"Foi mal, não vi a barata na frente."
Harry não se conteve e pulou no pescoço de Draco que começou a esmurrar seu rosto sem proteção. A coisa tinha começado a ficar feia. Entre tapas e socos, Harry estava em desvantagem já que bater num capacete doía mais nele do que no outro. Madame Hooch tentou interferir, mas não deu certo, ambos estavam se matando quando foram separados pelos outros membros da equipe. Malfoy ainda tentava chutar Potter que por sua vez tentava escapar de Fred e George.
"Me largue!" gritou Malfoy para o garoto que o segurava "Eu disse me largue Crabbe!"
Harry reconheceu o brutamonte que acabara de largar Malfoy como sendo um dos que implicavam com Neville mais cedo. Harry já ia soltar outro comentário ácido quando viu o outro retirar o capacete e congelou.
Draco Malfoy, o garoto que jurou odiar para sempre estava finalmente à sua frente mostrando seu rosto. Um belo rosto com proporções aristocráticas, os belos olhos cor de prata, a pele de pergaminho e os cabelos... os malditos cabelos loiros de palha. Ele era o garoto que ele esteve pensando o dia todo! DRACO MALFOY ERA O SEU PRINCIPE!
Tudo fazia sentido, a risada, a aula de administração, a irritação, porque ele não estava na arquibancada, o spray de tinta... A BEXIGA!! Como ele não tinha percebido antes? Aquela bexiga podia ter sobrado depois que eles fizeram... Harry sentiu seu sangue ferver, o odiava. Odiava Draco naquele momento mais do que nunca! Ele tinha sido enganado! Tinha sido iludido por ele! Tinha admitido...
É... Talvez eu goste mesmo dele
Harry se soltou de Fred e George e pulou no garoto, estava descontrolado. Queria esmurrá-lo, fazê-lo cuspir sangue, esganá-lo, quebrar seu nariz, deixar seus olhos roxos, qualquer coisa para se vingar dele. Depois de tudo, ele tinha admitido, sim. Ele já tinha admitido e isso que o enchia de mais ódio. Ódio, sim, ele tinha jurado odiar-lo para sempre.
Aquilo teria volta, a partir daquele dia, Harry Potter declarava guerra!
N/A: Não tenho muito do que falar desse capítulo tirando a parte que ele é longo. O dobro de páginas do anterior. Não é bem o que eu programava, mas eu percebi depois que cortei uma parte do primeiro capítulo que não deveria ter cortado. Por isso este aqui ficou bem longo.
(weeee) Reviews! (*w*), eu amei todas elas. Muitíssimo obrigada S., Dora, Márcia, Lucy e Perséfone. Muitíssimo obrigada pelo apoio.
A Isadora fez uma capa para mim, muito, muuuuuuuuuuuuuuito fofa e eu pretendo colocar aqui quando der (valeu Isadora!).
A música usada no começo se chama Think of Me e foi retirada de um musical chamado "O Fantasma da Ópera". Eu tentei colocar como o Harry pensando no Draco, por isso escolhi essa música (inicialmente seria outra, mas resolvi trocar quando vi o corpo final). A tradução seria mais ou menos assim:
"Pense em mim, quando acordava silenciosa e resignada... Imagine me esforçando para afastá-lo de meus pensamentos... Lembre daqueles dias, relembre aquela época, pense nas coisas que nunca faremos...
Nunca haverá um dia em que eu não pense em você"
Prometo atualizar no próximo final de semana. Daqui a pouco vocês entenderão o motivo do título e das músicas no começo, peço que sejam um pouco pacientes.
Desculpem-me se o texto estiver meio corrido, é que estou realmente exausta e sem uma beta, por isso não prometo um texto completamente perfeito, me desculpem.
Um bom final de semana para todos, reviews são sempre (muito) bem vindas e me ajudam a escrever mais.
Beijos, Aiki.
