O som da música alta ecoava por todo o salão, pessoas dançando na pista, outras flertando no bar e outras sentadas nas mesas. Mas aquele som alto e aquelas pessoas bonitas não mudavam o pensamento de Sesshoumaru.

"Eu não te amo mais, lamento Sesshoumaru, já amo outro..."

A voz melódica de Kagome ecoava na cabeça do belo youkai, aquelas palavras iam e viam na cabeça dele, iam e viam, sem parar.

- Maldita... - os olhos de Sesshoumaru brilhavam de raiva. - MALDITA! - o homem gritou fazendo com que vários olhares se voltassem para o mesmo. Ele não ligava, qual era o problema? Que olhem. Num impulso ele se levantou e pegou um copo que um garçom trazia na bandeja e levava pelo salão.

- Não beba mais Sesshoumaru! Esse já é o sexto copo! - Uma voz lhe tirou de seus devaneios.

- Eu preciso esquecer Inuyasha... Preciso esquecer...

- E isso, por a caso, é desculpa para beber?

- Kagome acabou com a minha vida... Ela acabou comigo! - O youkai de belos olhos cor de âmbar, olhava fixamente para os olhos de mesma cor a sua frente, com uma raiva, de como se ali, naqueles olhos, estivesse ela.

- Esqueça a Kagome meu irmão, não vai adiantar de nada você ficar remoendo essa história. Outra mulher o ajudaria a tira - lá da cabeça, apaixone-se novamente Sesshoumaru.

- Nunca mais me apaixonarei de novo Inuyasha, escute bem o que eu estou dizendo. Quando aparecer outra mulher em minha vida, não vai ser para amá-la, vai ser para brincar com ela. - Um belo sorriso maroto surgiu na face bem desenhada de Sesshoumaru.

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A brisa leve, entrando suavemente pela janela, fazia com que o vapor do café em suas mãos chegasse estonteante as suas narinas. Era tão agradável ficar assim, sentado olhando para o nada, com a brisa da manhã em sua face, apenas saboreando o café preto. Pena que esse momento nunca durava muito.

- Rin! Aonde você vai com tanta pressa? - questionou o velho tirando os olhos da xícara a sua mão e os elevando a garota apoiada a porta.

- Estou atrasada tio Myuga... A Mizuzu-san vai me comer viva quando eu chegar à loja!- desabafou a menina com a face sofrida tentando terminar de calçar o tênis.

- Sempre atrasada né Rin! – reprimiu o velho com uma cara aborrecida, apesar de estar com uma leve vontade de rir.

- Ah! Tio! Não fale assim. – ela fez um biquinho divertido de criança ofendia. - Melhor eu ir logo se não ela vai realmente me matar se eu me atrasar mais um pouco. Beijo Tiozinho! Cuida-se hein... – e ela saiu afobada pela porta sem realmente dar o beijo pronunciado no tio.

- Vai com cuidado minha menina! E cuidado com o degrau! - gritou Myuga num tom de aviso que com certeza não deu para a Rin ouvir. Mas pelo menos, dessa vez, ela enxergou o degrau.

O dia estava particularmente muito agradável, ao olhar para cima se via um céu vivo e azul, poucas nuvens havia nele, mas não dava para Rin apreciar muito a sua beleza, pois a pressa falava mais alto. Ela corria afobada por uma rua de paralelepípedos cheia de casinhas pequeninas, de todas as cores, o seu objetivo encontrava-se um pouquinho distante, mas a distancia ia diminuindo gradativamente conforme ela corria. Tanto que alguns minutos depois ela avistou o seu destino, uma casinha pequena como as outras, mas pintada de um verde berrante bem no finalzinho da rua.

- Mizuzu-san! Mil perdões pelo atraso, eu juro que isso não vai mais acontecer! - ela adentrou rapidamente na loja, tentando, sem vitória, recuperar o fôlego.

- Você está dizendo isso desde que começou a trabalha aqui, menina! - reprimiu a mulher com a face franzida e um tom de poucos amigos. Estava de braços cruzados, parada em frente a um grande balcão que dava de um lado a outro da pequena loja. Mizuzu já era uma mulher de meia-idade, com olhos e cabelos negros, já dava para perceber alguns fios brancos amarrados naquele frouxo coque. Ela vestia uma simples blusa de moletom amarela, com uma causa marrom do mesmo material e calçava uma sandália rasteira combinando com a calça.

Rin sorriu completamente sem graça com o comentário da patroa.

- Ai menina... O que eu faço com você hein?! - Mizuzu deu uma pausa analisando a menina de pele alva e longos cabelos cor de chocolate, que a ela pode perceber como estavam brilhantes naquela manhã. Ela sempre achou Rin uma menina linda, só achava que ela precisava de um pouquinho mais de cuidado. E que devia parar de usar aqueles trapos que ela chama de vestido, o qual hoje era de um azul clarinho, e aqueles tênis quase furados. Mas isso não vinha ao caso.

- Mas deixa isso pra lá, pois acabou de chegar um cliente. - anunciou Mizuzu ao ver a porta se abrindo logo atrás de Rin - Eu vou atender o cliente e você vai terminar de arrumar as flores que acabaram de chegar, estão lá nos fundos. - indicou com um aceno a porta dos fundos e caminhou calmamente até o cliente.

- Sim senh... - Rin parou bruscamente ao virar e visualizar quem era o cliente "Minha nossa! Quem é esse homem? Que... Que coisa mais linda!" Pensou animadamente, correndo para de trás do balcão de madeira, pintado de branco, para poder dar uma melhor 'visualizada' no homem.

- Muito bom dia Senhor. - cumprimentou Mizuzu educadamente.

- Bom dia. - retribui o homem sem emoção tanto na face, quanto na voz. - Eu quero um buquê de rosas brancas, você tem?

- Mas é claro que tenho! Bom... Perdoe-me a intromissão, mas o buquê é para que tipo de ocasião? - perguntou simpática mesmo estranhando a frieza do rapaz. – Sabe... É para fazer o arranjo de acordo com o que necessita senhor.

- É para levar ao templo, nada demais. – respondeu com o mesmo tom.

- Ah sim! Riiin-chan!

"Ai ai ai... Ela 'tá me chamando... Ela 'tá me chamando! Ah! Alguém me salva! Eu não vou lá não! Nem pensar... Ai ai ai o que aquele homem lindo vai achar de mim se me ver... Olha a roupa que eu estou... Olha a minha cara... Ai ai ai eu sou muito feia!" lamentava-se a garota, segurando com força as próprias bochechas, ao ouvir os gritos da patroa vindo da frente da loja. Rin já se encontrava na parte de trás da mesma, pois não tinha aguentado ficar olhando aquele homem maravilhoso, ainda mais do jeito que estava.

- Riiiin-chan! Hum... Cadê essa menina hein...?

"Não, não... Eu não posso ir lá!" ela continuava a brigar internamente e caminhou ainda mais para o fundo da pequena saleta, a qual era um depósito pouco iluminado e cheio de caixotes com flores. A qual ela deu a grande sorte de esbarrar com a ponta do pé em um.

- Nossa, me desculpe Senhor, mas terei que buscar eu mesma. Com licença. - a mulher foi em direção à parte da direita do balcão onde havia grandes prateleiras contendo vários tipos de flores "Cadê aquela garota! Ah hoje eu mato ela! EU MATO!".

- Está aqui Senhor... - estendeu a mão entregando um lindo buquê para o homem, nele havia 30 rosas brancas, como o homem havia pedido, estavam amarradas em um brilhante papel prateado.

- Tome! - o homem estendeu para Mizuzu uma nota de dinheiro, com a mesma indiferença de minutos atrás.

- Ah, sim... – ela pegou a nota e caminhou de volta ao balcão, mexeu na caixa registradora e pegou algumas notas. - Está aqui o seu troco e obrigado pela preferen... - distraidamente ela estendeu a mão com algumas notas no ar e parou bruscamente.

O homem já havia saído sem dizer nenhuma palavra.

- Nossa! Que homem sem educação... Mas o que não tem de educado tem de bonito e generoso! - concluiu com os olhos brilhando admirando as notas que havia em sua mão.

- Olá Mizuzu-san! - cumprimentou Rin saindo da parte de trás da loja depois de ter se certificado que o homem bonitão já tinha ido embora.

- Agora você aparece né garota! ONDE VOCÊ ESTAVA?

- Ué! Eu estava lá nos fundos arrumando as flores que acabaram de chegar, como você mandou. - respondeu com a voz mais inocente que pode fazer.

- Eu estava te gritando que nem uma doida... Quase que eu perco o cliente! - disse Mizuzu com uma cara de dar medo em qualquer um.

- Nossa Mizuzu-san... Nem escutei. - lamentou com o mesmo tom inocente evitando o olhar da patroa, porque, definitivamente, aquilo dava medo.

- Run... Sei sei - sem paciência a mulher gesticulou com as mãos no ar como se quisesse espantar alguma mosca. - Fique ai no balcão enquanto eu vou lá trás terminar de arrumar aquela bagunça! - anunciou mudando incrivelmente de humor e saiu caminhando calmamente até a porta que dava para o depósito.

- Ok! – concordou a menina com um leve aceno de cabeça. "Ufaaa! Ainda bem que ela não suspeitou... mas 'péra ai... ela falou tão calmamente agora... uh! Como essa mulher me dá medo" ela fez uma cara estranha como se visse uma coisa extremamente assustadora em cima do balcão.

- Búúú!

- Haaaaaa! - Rin deu um pulo para trás. - Ah! Seu Idiota! Mas que susto Miroku! Nunca mais faça isso 'tá ouvindo! Ou eu parto a sua cara em duas! - ameaçou colocando a mão do lado esquerdo do peito, o coração tinha dado um salto com aquele susto.

- Uh! O que foi? 'Tá devendo é? - perguntou Miroku com a sua melhor cara de debochado, ele era um rapaz bonito e tinha a mesma idade da sua amiga Rin, 17 anos, tinha os cabelos pretos, um pouco ondulados, presos em um pequeno rabo de cavalo, os olhos eram pretos também, os quais brilhavam quando visualizava Rin. Estava usando uma regata branca com um macacão jeans por cima, que pareciam já ter sido usado muitas vezes, era pobre, porém muito trabalhador, ele ajudava a sua mãe com as despesas trabalhando como pedreiro, eles moravam no mesmo bairro e eram amigos desde que se entendiam como gente, e isso já faz bastante tempo. Para falar a verdade, ele sempre fora apaixonado pela Rin. Digamos que ele era um pouco pervertido, para não dizer tarado, mas apesar de tudo, tinha um bom coração, e sempre a respeitou e fazia de tudo para protegê-la.

- Run... Devo, não nego e pago quando puder! - retrucou Rin virando de costas e cruzando os braços. - Não seu bobo! Eu só estava aqui distraída, pensando... - confessou voltando a ficar de frente para o garoto e descruzando os braços.

- Pensando? Em algo assustador porque pela cara que você tava... Hummm já sei! Era em mim né? - perguntou com um sorriso maroto. - Aff... Acho que acabei de me chamar de assustador não foi? - conclui com a mão atrás da cabeça e com o sorriso sem graça.

Rin continuou em silencio fuzilando o garoto como olhar, de vez em quando ele era tão lerdo.

- 'Tá... Não precisa responder... - falou Miroku dando um sorrisinho sem graça e recuando uns passos - Ah! Mas confessa vai, eu sei que você pensa sempre em mim. - continuou com os olhos brilhando e voltando a posição que estava.

- Só não te dou uma resposta à altura... - começou a morena levantando o dedo indicador em ameaça. - Porque eu tenho que trabalhar! - terminou abaixando o dedo.

- Ah! Eu sei que você me ama! - afirmou Miroku com um ar pensativo e olhando para o teto.

- Miroku... Acho que estão chamando você! - mentiu apontando para o lado de fora da loja.

- Estão? Onde? - perguntou desesperado correndo para a janela para verificar.

- Lá na sua casa... Que tal você ir lá dá uma olhada! - continuou Rin com cara de debochada.

- Como é que você ouviu? - perguntou surpreso.

- Eu sou uma Youkai. Ou você não sabia disso?! - falou a garota colocando as mãos na cintura teatralmente.

- AH! MENTIRA?! Nós somos amigos há tantos anos e você não me conta uma coisa dessas? - exclamou com a mesma cara de surpreso.

"Kami-sama... eu pensava que ele não batia muito bem da cabeça... mas agora... tenho a minha prova" pensou Rin olhando com cara de pena para Miroku. - Tchau Miroku! - falou decidida.

- Hum... Você tava me zuando né Senhorita. – concluiu Miroku ao analisar a mentirinha da amiga. - 'Tá bom né... Se é assim. Tchau! - saiu decepcionado pela porta da loja, logo após de Rin lançar-lhe um olhar não muito amigável.

- hehehe, coitadinho dele, apesar de tudo ele é meu amigo!

oooOOOoooOOOoooOOOooo

- De novo com pressa, menina? - perguntou Myuga em tom preocupado.

- Ai! Eu estou atrasada de novo Tio! E ainda tenho que passar no templo Seika para deixar umas flores pro Papai e para a Mamãe. - falou Rin tentando fazer uma voz alegre, mas a tristeza dava para ser percebida no olhar, apesar de tanto tempo, essa época do ano ainda trazia lembranças dolorosas para ela. "Quanta saudade de vocês..." pensou olhando para a janela – Ai ai ai eu estou muito atrasada! - concluiu ao olhar para o relógio da sala que ficava logo ao lado da janela. - Tenho que ir Tio! Tchauzinho! - despediu-se saindo mais uma vez afobada pela porta.

- Que Kami-sama te proteja minha menina! E cuidado com o de...

PLOFT

E Myuga foi interrompido pelo som de Rin se estabacando de cara no chão. Pois é... Dessa vez ela não enxergou o degrau.

-... Degrau! - Myuga terminou a frase parado na porta de casa, ele se levantou instantaneamente e foi rápido para a porta com medo de ela ter se machucado.

- Eu estava distraída. - concluiu um pouco sem graça, levantando rápido e afastando a sujeira da roupa.

- Sei... Sei... Vai logo então menina. - falou o velho rindo discretamente.

- Ok! Fui! - despediu-se novamente, saindo correndo.

E ela não sabe o que esse dia guarda para ela.

O dia continuava lindo como o anterior, o céu estava com um azul bem vivo, e dessa vez não havia nenhuma nuvem, o sol entrava pelas janelinhas das casas, sem nenhum problema, aquecendo agradavelmente os moradores. O dia estava perfeito para qualquer ocasião, sem nem muito calor, nem frio, estava um clima perfeito. Mas Rin não percebia isso, pois ela precisava chegar a tempo no trabalho e ainda conseguir colocar as flores, as quais ela pegou na loja da Mizuzu no dia anterior, para os seus pais.

- Calma que eu estou chegando... Eu estou quase chegando... Calma que eu chego. - ela continuava correndo e murmurando para si.

De tanto que ela corria as casas mais pareciam vultos. Por isso poucos minutos depois ela avistou o seu primeiro destino, o templo Seika, o qual era um grande casarão, com o estilo tradicional japonês, era charmoso, seus grandes portões estavam abertos, como sempre, e dava para admirar o lindo jardim em que ali jazia. Ela continuava a correr, estava chegando cada vez mais perto, mais perto... E quando ela estava a poucos metros dos portões de entrada, ela vê um vulto saindo com bastante pressa de lá e não conseguiu parar.

POOOOW

- SUA DOIDA, MOLAMBENTE! O QUE PENSA QUE ESTA FAZENDO? – questionou, aos berros, o homem de cabelos prateados sentado de bunda no chão. Levantou bruscamente e começou a passar as mãos nas suas roupas para ver se nada estava errado.

- Ai! Mil perdões! Mil per... - Rin ficou paralisada ao ver quem era aquele homem "Ai caramba! É aquele homem lindo de ontem na loja! Ai Kami-sama que vergonha! Meu Kami, mas que olhos! Ai ai ai Por favor, alguém me enterra! ALGUEM ME ENTERRA!" pensou com o rosto queimando, pois estava totalmente vermelha. Seguindo o homem em seus movimentos se levantou do chão.

- Humf... Hei sujinha! Você está bem? - perguntou o homem friamente olhando para o rosto da menina, pois ele percebeu que rosto da morena estava totalmente vermelho e ela estava com uma cara bem engraçada.

- Err... Err... A... Acho que... Que eu estou sim! - "Espera ai! Ele me chamou de sujinha? Ele deve 'tá perdendo a noção do perigo né! Deixa eu voar no pescoço dele... que ele vai ver quem vai ser sujinho aqui." pensou soltando faíscas pelos olhos

- Pela sua cara não parece! - retrucou o homem mais uma vez friamente e analisando a garota de cima a baixo, com uma cara não muito agradável.

- Mil desculpas! - pediu a garota fazendo uma pequena reverencia ao ficar ainda mais vermelha ao constatar que ele a estava observando.

- Ah! Não importa. Tenho mais o que fazer. - anunciou o homem passando por Rin, indo pelo caminho de onde ela tinha acabado de vir.

- Espera! - Rin pediu inutilmente, pois ele já estava a uma grande distancia dela, ele era bem rápido. - Qual o seu nome? - ela murmurou para si mesma com tom de cansada. - Humf, que homem mais grosso! - concluiu depois de ter observado ele ir até um carro preto e entrar. Saiu bufando e correndo para dentro do templo ao lembrar que estava terrivelmente atrasada.

Ao passar do dia, Rin não conseguiu fazer praticamente nada, o trabalho não rendia e ela parecia que não escutava uma palavra do que a Mizuzu falava, pois sua mente só se ligava em uma coisa, o encontrão perto do templo com um homem lindo e ignorante.

- Aiii será que hoje ele vai vir comprar flores também? - Rin falou esperançosa com as paredes, apoiada com os cotovelos no balcão, as mãos nos dois lados do rosto e olhando fixamente para a porta. "Deixa de ser boba Rin..." ela pensava com raiva, desapoiando-se do balcão e colocando as mãos na cintura. "Ele nunca iria olhar pra você! Olhe bem pra si!" Continuava pensando e apontando para o corpo. - Toda suja... Com esses trapos! Até ele concordou com você... Te chamou de sujinha! - ela falava consigo mesma, tirando as mãos da cintura e frisando a palavra 'sujinha'. – Você nunca teve um namorado na vida, sabe nem o que é beijar. Até parece que aqueles olhos maravilhosos iriam olhar pra você com algum tipo de interesse... Mas falando em olhos... Que cor tinha aqueles ein? Castanho claro? Não... Não... Aquilo parecia âmbar...

- RIN! - entrou um garoto todo apressado dentro da loja de flores, quase derrubando um vaso que estava ao lado da porta.

- Miroku? Que escândalo é esse? Se a Mizuzu-san tiver ouvido isso ela vai pega a gente de jeito!- alertou Rin sendo completamente tirada de seus devaneios, apontando nervosamente para a porta que dava para o depósito, indicando que a patroa estava lá - Mas o que houve? - perguntou já com um tom de preocupação ao ver a cara do amigo.

- É que... o siu tiu non tá bheum...- Miroku falou todo embolado tentando inutilmente recuperar o fôlego.

- Miroku respira... Porque eu não entendi nada! - confessou a menina com uma enorme gota na cabeça.

- 'Tá! - Miroku parou e começou a respirar devagar. - É que o seu tio não está passando bem! - continuou depois de alguns segundos, ele tentou dar a notícia na voz mais calma que podia fazer, para não assustá-la, o que não adiantou muito.

- O QUE? Mas o que ele tem Miroku? - gritou a garota histericamente, dando um baque desnecessário no balcão.

- Não sei o que está acontecendo Rin, eu só sei que a vizinha me mandou te chamar o mais rápido possível!

- Ai Kami-sama! - exclamou Rin se escorando no balcão, muitas informações começaram a ferver no seu cérebro. - O que está acontecendo com meu tio? – questionou com tom triste, mas para si mesma do que para o garoto parado a sua frente e instantaneamente ela retomou suas forças. - Vamos Miroku! - e saiu apressadamente da loja com Miroku em seus calcanhares.

- Mas e a Mizuzu-san? - perguntou Miroku parando na porta da loja.

- Não temos tempo para explicações Miroku... Ela vai entender... Vai entender. - falou Rin com a voz um pouco tremula e com os olhos marejados parando um pouco à frente do garoto. - Apresse-se Miroku! - ordenou retornando ao tom de voz firme e voltando a correr.

Eles correram o mais rápido que puderam. Rin nunca tinha feito o trajeto de volta para casa com tanta rapidez. Eles pararam bruscamente ao chegarem a frente de uma casinha branca, um pouco suja pelo tempo, que se localizava quase no final da rua, era a casa de Rin. Ao entrarem na casa, eles não encontraram ninguém na sala, então, foram diretamente para o quarto de Myuga. O quarto era com poucos luxos como toda a casa, era pequeno com apenas uma cama, um criado-mudo e um armário, todos igualmente de madeira, as paredes eram cinza como o resto do interior da casa, tornando o lugar um pouco fúnebre. Ao entrar no quarto Rin encontrou seu tio desacordado deitado em sua cama, com a sua vizinha ao lado, uma mulher não tão bonita, mas que tinha brilhantes cabelos vermelhos, sentada em uma cadeira ao lado.

- Como ele está Kyoko-san? – perguntou Rin com a voz fraca.

- Ah! Rin-chan, por enquanto bem. A dor melhorou e ele fechou os olhos para descansar, mas ao que parece, ele ainda está sentindo dor, pois não tira a mão do coração.

- Dor? O que ele estava sentindo? – perguntou Rin preocupada.

- Eu não sei dizer ao certo o que é Rin-chan... Ele sentia uma dor muito forte no peito. Acho que vocês deveriam levá-lo ao hospital! – explicou Kyoko quase sussurrando para não acordá-lo.

- Hospital? Mas como? Não temos dinheiro nem pra comprar comida suficiente. – falou Rin quase num sussurro.

- Tem o posto de saúde que fica aqui perto Rin... – disse Miroku participando da conversa.

- Hoje o posto não abre, quer dizer, faz um bom tempo que ele não abre né! – lembrou Kyoko.

- É, tinha me esquecido disso! – lamentou o garoto.

- Ai Kami-sama! O que eu faço? – questionou a morena colocando a mão na cabeça.

- Ri... Rin...

- Tio!

- Rin minha menina! - falou o velho com bastante dificuldade.

- Tio! O que o senhor tem? Diga-me, por favor!

- Perdoe-me minha menina, por não ter lhe contado antes.

- Me contado? O que o senhor está escondendo de mim? – perguntou com a voz ligeiramente alterada, já se desesperando com a possível notícia.

- Eu fui ao médico porque...

- O senhor foi ao médico! – exclamou interrompendo seu tio – e não me fala nada?

- Xiuuu... Deixa-o terminar Rin-chan. - pediu Miroku.

- há 'tá desculpe, mas o que ele disse Tio? – questionou voltando ao seu tom de preocupação

- Ele disse que a minha hipertensão estava em um alto grau de risco.

- O QUE? – exclamou a morena desesperada – Mas como isso? Como o senhor nunca me contou nada?

- Acalme-se Rin! – pediu Miroku chegando mais perto da garota e afagando os seus cabelos.

- Perdoe-me minha menina... Por não ter contado antes.

- Há quanto tempo o senhor sabe disso? – questionou enxugando uma lágrima que acabara de cair.

- Mais ou menos uns 2 meses.

- 2 MESES? 2 meses e o senhor nunca me contou nada? Nós podíamos ter feito alguma coisa! O senhor tinha que ter me contado isso! Eu dava um jeito, arranjava mais empregos, seja o que for agente compraria os seus remédios, pagaríamos um tratamento! EU FARIA ALGUMA COISA! – gritou Rin desesperada apoiando-se na janela.

- Para que? Eu já estou velho, e essa doença já tem me acompanhado a tantos anos, nunca tive problemas graves com ela, há um tempo atrás ele havia até suspendido os remédios, eu estava sem sintomas nenhum, tudo havia voltado ao normal. Mas de uns tempos pra cá, eu venho sentido muita falta de ar e resolvi ir até ele, infelizmente ela já havia chegado a um grau muito elevado. – desabafou não contendo as lágrimas ao ver o desespero da sua sobrinha.

- Mas ela poderia ser tratada, nós poderíamos comprar os medicamentos, poderíamos controlar essa doença tio! – gritou desesperadamente sem saber o que fazer e abraçando fortemente o seu amado tio. – Você é a única coisa que eu tenho... A única...

- Eu sei minha menina... Você não sabe o quanto isso também me dói. Eu fui um velho idiota e teimoso, eu achava que isso tudo iria passar naturalmente, que era só eu tomar o chá que a Kyoko-san havia me indicado e pronto... Tudo estava resolvido...

- Tio! Como o senhor foi pensar uma besteira dessas? Você precisava do tratamento.

- Perdoe-me, eu não pensei que chegaria a esse ponto... - e a abraçou forte. Rin desabou a chorar, pensando na atitude do seu tio, ele havia feito isso apenas para conter asdespesas. - Miroku! – chamou Myuga desvinculando do forte abraço da sobrinha.

- Sim Myuga-san! – respondeu enxugando uma lágrima que caia sobre a sua face ao presenciar essa cena.

- Tem como me fazer um favor?

- Claro!

- Chame aqui o Monge Hitsumu!

- O Monge do templo Seika?

- Sim! Diga que sou eu que o chamo... Ele virá rapidamente.

- Entendi Myuga-san. – afirmou saindo apressadamente pela porta.

- O monge? Mas por quê?

- Preciso conversar com ele minha menina...

- Co-conversar com o monge? Mas... Mas... Não me diga que você está pensando besteiras? – ela perguntou um pouco descontrolada, entendendo a atitude do tio. Ele apenas a olhava com ternura.

Alguns minutos se passaram, e Rin não queria de jeito algum sair do lado de seu tio. Ela sentia que se saísse dali algo poderia acontecer a ele. Ela deveria ficara ali, cuidando dele.

- Myuga-san, ele está aqui! – anunciou Miroku entrando no quarto.

- Ah sim... Mande-o entrar – falou tentando com dificuldade sentar-se na cama – Rin, deixe-nos a sós, por favor.

- Não! Eu quero ficar aqui com você!

- Mas é só por uns instantes, é particular...

- Tio... 'tá Tudo bem! – ela tentou protestar, mas aceitou contrariada retirando-se do quarto depois de ver o velho monge Hitsumu passar pela porta. Rin foi seguida por Kyoko a qual fechou a porta atrás de si, deixando os dois sozinhos.

- Hitsumu, meu amigo!

- Myuga... Como você está? – perguntou tristemente o idoso monge, com brilhantes cabelos grisalhos e olhos azuis, vestido com elegantes vestes negras e compridas, na qual não dava para enxergar os sapatos.

- Não muito bem... Acho que já está na hora de fazer as minhas malas. – Myuga deu um leve sorriso sem graça. O monge apenas olhou com tristeza para o velho. – Bom uma coisa eu não tinha pensado Hitsumu... E a Rin?

- O que tem ela?

- Como a minha menina vai ficar? Eu descobri que a Mizuzu-san irá fechar a loja daqui a algumas semanas, não se fala em outra coisa por aqui!

- É verdade Myuga. Fiquei sabendo disso.

- Era sobre isso que eu queria falar com você, meu amigo, por favor, ampare a minha menina, arranje uma casa em que ela possa trabalhar, porque ela não terá condições de sustentar essa casa sozinha. Ajude-a!

- Não pense besteiras Myuga... – reprimiu o monge. – Mas se for para tranquilizá-lo... Pode deixar meu amigo, eu farei o possível para ajudá-la.

- Obrigada Hitsumu, agora ficarei traquilo... Chame a Rin, por favor!

- Mas é claro... Que Kami-sama esteja com você .– abençoou levando a mão a testa do velho e levantando-se logo em seguida.

- Hitsumu!

- Sim?!

- Agradeço por tudo meu amigo! – disse com um leve sorriso.

- Eu que agradeço! – falou sorridente e saindo do quarto – Rin?!

- Oi?

- Myuga a está chamando!

- Obrigada! – agradeceu caminhando até a porta do quarto – Sim Tio?

- Sente-se aqui minha menina. – pediu o velho dando leves palminhas no espaço no colchão ao seu lado.

- Tio... Está tudo bem? – perguntou sentando ao seu lado.

- Sim, com você ao meu lado tudo fica bem. Saiba de uma coisa Rin, eu te amo muito, e aja o que houver, eu sempre irei te proteger... De tudo!

- Também te amo muito tiozinho, eu nuca tive a oportunidade de agradecer, mas... Obrigada por tudo que o senhor já fez por mim! – agradeceu não contendo as lágrimas. Ele acariciou a sua face e abriu um grande sorriso, mas a sua feição mudou repentinamente.

- AAAH! – gritou Myuga levando a mão ao lado esquerdo do peito.

- Tio! O que houve?

- AAAAAAAAAH!

- Ai Kami-sama! MIROKUU! HITSUMU-SAMA! AJUDEM-ME!

Miroku entrou correndo no quarto com Hitsumu e Kyoko logo atrás.

- Chamem uma ambulância! RÁPIDO!- gritou Rin desesperada.

- NÃO!

- Como não Tio... Temos que chamar uma ambulância e levá-lo para o hospital, não temos escolha!

- Não! Eu quero morrer aqui... Na minha casa... Na minha cama!

- Mas Tiozinho... Tiozinho! TIO!– gritou desesperada vendo Myuga tombando para o lado. – TIOOOOO! – gritou chorando desesperadamente e sacudindo seu tio.

- Rin... Já é tarde demais. – falou Miroku puxando-a para perto de si.

- NÃO! Solte-me! Eu vou acordá-lo! TIOOO! – gritou desvencilhando das mãos do amigo, não desistindo de tentar 'acordar' o seu tio.

- Rin... Ele se foi! - anunciou Miroku puxando-a novamente e lhe abraçando.

- Por que Miroku... Por quê? – perguntou agachando ao chão ao lado da cama abraçando Miroku, suas pernas já não tinham mais forças.

- Rin me... Perdoe-me... Por ser... Ser UM INUTIL, e não ter feito nada para ajudá-la. – pediu Miroku comovido, chorando na mesma intensidade, sentindo a mesma dor que a amiga.

- Você não é inútil Miroku... Jamais repita isso. Você é o melhor amigo que uma pessoa possa ter. - desabafou saindo do abraço e encarando Miroku com os olhos vermelhos. - Obrigada. - agradeceu levantando do chão e caminhou, parando a beira da porta.

-Eu o amo Tio... - falou olhando o carinhosamente o homem deitado na cama.- Espero que você saiba o quanto foi importante pra mim. - continuou com os olhos novamente cheios de lágrimas. Desabafando como se o seu tio ainda estivesse ali. Podendo ouvir tudo que ela dizia.

- Aonde você vai Rin? - perguntou Miroku tristemente, vendo-a virar e caminhar para o corredor.

- Pensar Miroku... Eu não consigo ficar mais aqui. - falou Rin de costas para o amigo, saindo correndo logo em seguida.

O sol brilhava como nunca, como se aquele brilho fosse do seu tio, iluminando a tudo e a todos lá de cima. A cada passo que ela dava uma trilha de lagrimas caia, não podia crer no que o destino acabou de fazer com ela. Por que aquilo estava acontecendo novamente? Enquanto mais se questionava, mais corria... Enquanto mais corria sua tristeza aumentava. Ela corria sem rumo. Parecia estar em transe, parecia que ela não pertencia aquele mundo. Na verdade não tinha mais nada que a prendesse aquilo, ela havia há poucos minutos, perdido a única coisa que lhe restava de valioso. Não que seus amigos não valessem nada, mas Myuga era a sua família, a única parte que tinha sobrado dela. E agora? Agora ela estava sozinha. Completamente sozinha. Depois de alguns metros Rin não avistou um paralelepípedo solto e tropeçou nele caindo de cara no chão.

- POR QUÊ?... POR QUÊ? – gritava, chorando, dando socos no chão.

- Menina o que houve? - perguntou uma voz serena e masculina.

- ME DEIXE EM PAZ! - gritou a menina ainda com a cara virada para o chão. - Me deixe em paz. - completou num sussurro.

A voz não se pronunciou. Rin continuava deitada no chão com o rosto escondido em seus braços.

- Por que você não vai embora? – perguntou depois de levantar um pouco a cabeça e avistar dois pés com brilhosos sapatos pretos a sua frente.

- Porque não deixo meus amigos...

- Amigos? Mas você não sabe nem o meu no... - ela não conseguiu terminar a frase, pois foi interrompida pelo rapaz.

- Por isso não seja... Prazer, meu nome é Inuyasha. Qual é o seu? - perguntou um jovem e belo meio-youkai de cabelos prateados e grandes olhos âmbar, estendendo a mão para ajudar a menina a levantar.

- Pra - Prazer... O meu é Rin. – falou a menina aceitando a mão dele para levantar.

- Me acompanha até a praça? É que bem... Eu não sou daqui... – falou percebendo que a garota estava triste, então ele tinha que fazer alguma coisa. Coçou um pouco a cabeça atrás com um sorriso maroto, o que a fez lembrar o seu amigo Miroku.

O caminho até a praça foi em completo silêncio, ouvia-se apenas o som dos soluços de Rin.

Apesar de ouvir e sentir o choro da menina, Inuyasha não ousava fazer nenhuma pergunta.

Ela não entendia exatamente o porquê de estar acompanhando aquele meio-youkai tão fino e bonito, que acabara de conhecer, pois aquela camisa social preta e aquele terno grafite davam um ar de fina elegância a ele.

- Sente-se. – pediu gentilmente apontando-lhe o banco da praça.

- Sim. – concordou a menina, sentando logo em seguida.

- Perdoe-me a curiosidade, mas... Por que você estava chorando daquele jeito? - perguntou o hanyou sentando e encarando a menina.

- Meu tio ele... Acabou de... Falecer. - ela voltou a chorar e não se contendo, abraçou o hanyou ao seu lado, que ficou sem reação pelo ato da menina, ficando extremamente corado.

- Err, Tu-Tudo bem... Apesar de ter te conhecido há alguns minutos... Pode me considerar seu amigo e conte comigo... - falou o rapaz tomando coragem e retribuindo o abraço.

- Obrigada... – falou escondendo-se no peito do meio-youkai, agarrando um pouco a sua blusa e continuando a chorar. "Que cheiro bom..." pensou a menina se afundando um pouco mais no peitoral definido do hanyou.

Ficaram ali um bom tempo abraçados. Um hanyou tentando consolar uma humana. Não falaram nada durante esse tempo. Talvez não houvesse palavras o suficiente para abafar a dor de uma perda.

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Inuyasha estava passando por aquele local sem nenhum compromisso, estava saindo do templo Seika depois de ter feito suas rotineiras orações semanais, ele sempre visitava o templo uma vez por semana. Sempre fora religioso, ele e toda sua família, até o seu irmão, Sesshoumaru, apesar de tudo, visitava o templo sempre que podia. Mas a sua rota de volta para o carro foi completamente desfeita ao avistar um corpo estendido no chão. Estaria morto? Não. Parecia que respirava. Estava se mexendo. Estaria machucado? Era melhor ir verificar. Andou apressadamente e se deparou com um belo corpo alvo estendido ao chão. Era Rin. Agora me diga uma coisa... Esse encontro... Seria uma mera coincidência ou um ato do destino? Não havia resposta para aquilo.

O sol que já estava se escondendo no horizonte, fazendo um belo espetáculo de cores no céu de Tókio. Rin finalmente saiu daquele longo abraço, levantou-se e se pos a caminhar sendo seguida pelo seu novo amigo. Caminharam até o finalzinho da praça, dali podia-se ter uma visão amplificada daquele jogo de luzes do pôr do sol.

- Cuida de mim Tiozinho. - pediu a menina olhando para o sol. Ela se virou ao sentir a presença ao seu lado e encarou Inuyasha. Com aquela luz do sol se pondo ela pode ter uma bela visão do rosto do meio-youkai. Ele tinha feições tão perfeitas, tão limpinhas, sem marcas. Seu nariz era reto e imponente, sua boca, nela podia-se ver sempre um sorriso desenhado e os olhos... Aqueles olhos. "Esses olhos... Eu... Já os vi antes, é cor de âmbar certo? Isso cor de âmbar... Iguais aos dele. Do homem da floricultura, do encontrão perto do templo. Será ele? Não. Eu o reconheceria a 100 metros longe de mim. São parecidos, mas... não são os mesmos. É não são. Esses olhos têm um brilho diferente... um brilho... carinhoso. E os daquele homem? que brilho tinha? Eram tão... exóticos. Mas o brilho era de... de... ai! não sei dizer. Mas será que são parentes?"

Inuyasha a observava em silêncio. Encarava a menina com a mesma intensidade, analisando-a. Aquele corpo esguio e alvo o tinham encantado desde o momento que o virá estendido no chão de paralelepípedos. Aqueles cabelos de tom de chocolate dançavam graciosamente com aquela brisa de fim de tarde, eles brincavam com os olhos dela. Os escondiam e depois faziam com que eles aparecessem, fazendo-os brilhar. "Que olhos..." Era só o que ele pensava. Pois ele não tinha o que dizer, não encontrava palavras certas. Não entendia porque os humanos eram tão sentimentalistas. Só sabia de uma coisa... Eles eram especiais. Isso ele sabia, sabia não, tinha certeza. Aprendera com seu pai e com a convivência com a sua mãe. E essa garota, parecia ser especial. Por quê?

- Vamos... É melhor você voltar para casa, já está tarde. - anunciou o meio-youkai despertando-se do transe que aquela garota o causava. Fazendo com que ela também 'despertasse'.

A menina apenas fez um sinal de afirmativo com a cabeça. Fizeram o caminho de volta para a casa, ele a seguia lentamente, ela estava com um pouco de vergonha de mostrar onde morava. Pois seu novo amigo estava vestido muito formalmente, elegante, que dava até gosto de olhar, não parecia ser uma pessoa pobre como ela. Ao chegarem perto de onde morava a menina, ela apenas olhava-o de canto de olho para ver qual seria a sua reação. Para a sua surpresa a reação de seu novo amigo continuava a mesma: Serena. Depois de caminharem mais um pouco, a menina parou e olhou de frente para o rapaz.

- Eu moro aqui... – anunciou um pouco ruborizada, apontando para uma pequena casinha branca de esquina.

- Ah! Certo... – disse com a mesma face serena analisando atentamente a casa em que ela apontava. - Então até mais... E... Espero que nos encontremos de novo. - confessou fazendo uma pequena reverencia e indo embora.

- Sim! Também espero. - falou a menina com a voz fraca, olhando-o indo embora.

Rin nem entrou na casa, foi direto para o templo Seika organizar as coisas para o velório do seu tio com o senhor Hitsumu. Foi uma noite muito triste e cansativa. Ela acabou dormindo por lá mesmo, alegando não ter coragem de entrar em casa.

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No dia seguinte, foi realizado o velório, muitas pessoas compareceram, amigos e toda a vizinhança, o velho Myuga era uma pessoa muita querida. Cada vez que Rin olhava o seu tio, ali deitado, não conseguia se controlar, as lágrimas saiam de seus olhos sem seu consentimento, era muita dor para o seu coração. Mas ao olhar para o lado, uma cena a surpreende, um meio-youkai belo e elegante estava parado ao seu lado olhando-a com ternura.

- Inu... Inuyasha-sama... O que faz aqui?

- Bom... Na verdade eu realmente não sei. – confessou fazendo uma leve careta - Só sabia que precisa te ver, estranho não?

- É... Um pouco... – concluiu imitando a careta de Inuyasha. - Mas como você soube que eu estaria aqui?

- Eu fui até a sua casa, mas ninguém atendeu, então, um garoto chamado... Errr... Miroto... Mirotu... Sei lá...

- Miroku!

- Isso! Ele mesmo! Ele falou que você estaria aqui. – falou com um sorriso maroto e coçando atrás da cabeça.

- Humm... – apenas gemeu em resposta, voltando a olhar, comovida, para o caixão um pouco à frente.

- Como você está se sentindo? – perguntou ao perceber o olhar triste da morena lançado ao caixão.

- Triste. – confessou olhando altiva para onde se encontrava seu tio.

- Não fique assim... Estarei aqui para o que precisar. – consolou colocando a mão direita sobre o ombro esquerdo dela.

- Por que você é tão gentil comigo? – perguntou olhando pela primeira vez naquele dia para os olhos dourados. - Na maioria das vezes, as pessoas apenas me ignoram. - desabafou parando de encará-lo e olhando novamente para o seu tio.

De repente Inuyasha parou. Ficou sem nenhuma reação com o comentário dela. E muitas perguntas vieram em sua mente: "Por que eu estou sendo tão gentil com uma mulher que acabei de conhecer? Por que ela mexeu tanto comigo? Eu... Não sou assim." Ele tentava entender o porquê desses sentimentos. Inuyasha não sabia o porquê daquilo tudo, realmente isso lhe balançou um pouco.

Então, o velório continuou e todas as cerimônias foram feitas. Inuyasha ficou até o final ao lado de Rin, consolando-a, ela já não tinha mais forças nem para sustentar o próprio corpo. Eram muitas emoções para uma pessoa. Ao final todos foram embora, jogando ao tumulo uma rosa vermelha para o velho Myuga, ele deixaria muitas saudades, não só para Rin, mas para todos que o amavam.

Inuyasha se ofereceu para levar Rin, Miroku, a sua mãe Naomi e Hitsumu em sua elegante BMW prata até em casa, já que moravam respectivamente perto. Miroku não gostou muito da idéia, mas aceitou a carona.

Ao chegarem ao bairro, Inuyasha deixou Miroku e Naomi em frente a sua casa, e seguiu com Hitsumu e Rin. Um pouco mais a frente ficava o templo Seika.

- Muito obrigado pela carona Inuyasha-san. – agradeceu o monge.

- Não foi nada Hitsumu-sama.

- Rin, querida, poderia me acompanhar até a entrada, por favor? – pediu Hitsumu.

- Claro Hitsumu-sama. - respondeu saltando do carro e seguindo Hitsumu.

- Rin-chan... – começou, parando em frente à entrada. - Amanhã, passe aqui o mais cedo que puder, quero ter uma conversa muito séria com você.

- Com toda certeza estarei aqui... Mas é sobre o que?

- Amanhã menina... Amanhã. – finalizou encerrando a conversa e entrando no templo.

"O que será?" Pensou a menina ainda parada na porta, vendo o velho monge entrar no templo.

- RIN! VAMOS? – gritou o jovem de dentro carro.

- Ah! Claro! – afirmou dando uma pequena corrida até o carro. – Desculpe!

- Não foi nada... Só que de repente você parou...

- É... Estava pensando. - concluiu com um pequeno sorriso.

Então seguiram até a casa de Rin. Na verdade era um pouco perigoso ficar andando no carro de um youkai que ela mal havia conhecido, mas Inuyasha lhe passava certa confiança, ela não sabia o porquê.

Então chegaram ao seu destino, e pararam em frente à casa de Rin, Inuyasha saiu do carro e foi abrir a porta do carona.

- Senhorita?! - falou estendendo a mão

- Quanta gentileza. – agradeceu com um tom divertido e estendendo a mão para Inuyasha. Saiu do carro e caminhou até a frente da casa. Ela parou e ficou contemplando a entrada. Ficou ali por um bom tempo.

- Rin... – chamou Inuyasha num sussurro.

Ela levou a mão até a própria face, enxugando uma lágrima.

- Rin... – continuou num tom mais alto, caminhando até onde a menina estava parada.

- Oi?! - respondeu virando-se para o meio-youkai – Ah! Perdão Inuyasha! Eu o fiz ficar ai esse tempo todo, perdão!

- Não! Não peça perdão, eu entendo o que você está passando, não precisa ficar assim. – explicou puxando a menina para um abraço. – Não fique assim, tudo vai ficar bem, eu prometo.

- Muito obrigada Inuyasha, você tem me ajudado tanto... – desabafou correspondendo ao abraço, com os olhos marejados.

- Obrigado a você Rin! – falou afastando-a de seu corpo para poder olhá-la. – Você tem me ajudado muito em tão pouco tempo, a minha vida está um pouco difícil, você tem me ajudado bastante.

- Ai ai ai! É verdade Inuyasha-sama, por nós termos nos conhecido numa situação como essa, não tivemos nenhuma chance de conversar sobre nossas vidas. Mas faremos uma coisa, amanhã você passa aqui em minha casa às 6 horas da tarde, e conversaremos melhor... Que tal?

- Por mim está ótimo! – concordou empolgado.

- Então até amanhã, e obrigada por ter vindo Inuyasha-sama. – agradeceu fazendo uma leve reverencia.

- Até amanhã Rin-chan. – se despediu sorrindo e caminhando até o carro. – Ah! ... Não precisa usar o sama. – falou divertido parando em frente ao carro.

- Ah... Pode deixar Inuyasha... Inuyasha-kun?! – perguntou apreensiva.

- Assim está bom... Até amanhã. – se despediu mais uma vez e entrou no carro.

-Até! – retribuiu acenando para o meio-youkai, "Nossa como será a vida dele?" e virou para subir os degraus, parou novamente em frente à porta – É... Amanhã será um dia longo Tiozinho... - e entrou na casa.

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No dia seguinte exatamente às 6 horas da manhã Rin foi ao templo Seika, falar com o Monge Hitsumu, como haviam combinado. Ela foi entrando no templo, como não vira ninguém, achou que seria melhor ver se tinha alguém dentro do casarão.

- Hitsumu-sama! – chamou Rin, a qual estava trajando um simples e surrado vestido preto, que era de mangas e chegava um pouco à cima dos joelhos. Ela avistou uma porta de mogno, a qual ela sabia que era a sala do monge. Deparou-se com uma pequena salinha, que parecia ser um tipo de escritório, não era muito grande e era bem simples, havia apenas uma mesa, com uma cadeira enorme atrás, muito bonita por sinal, com duas pequenas cadeiras a frente, todos feitos de mogno, atrás da mesa havia uma linda arca, com varias imagens de Buda, nas paredes havia alguns quadros de paisagens - Está ai Hitsumu-sama?!

- Sim, estou aqui menina! – anunciou saindo de uma porta que havia no finalzinho da sala, que parecia dar para outra saleta.

- Bom dia Hitsumu-sama! – cumprimentou fazendo uma pequena reverencia

- Bom dia Rin-chan! – cumprimentou imitando o movimento da menina.

- Bom Hitsumu-sama, qual é o assunto? Estou muito curiosa...

- Sente-se menina. - indicou-lhe uma das pequenas cadeiras e caminhou para sentar na cadeira do outro lado da mesa.

- Sim!

- Vou direto ao assunto... Antes de falecer, o Myuga-san pediu para que eu arranjasse uma casa para você trabalhar...

- Uma casa? Para trabalhar? Mas eu já trabalho na lo... Ah! A loja... – conclui num tom desanimado – ela está falindo, havia me esquecido disso.

- Pois é Rin-chan, teremos que arranjar um lugar para você trabalhar e morar.

- Morar? Mas eu tenho a minha casinha. - falou em tom manhoso.

- Rin-chan... Você sabe muito bem que não terá condições de sustentar aquela casa sozinha, sim, ela não é alugada, mas há muitas despesas e também eu não ficaria tranquilo se você ficasse lá sozinha.

- Mas... Mas... O que eu farei Hitsumu-sama? Aonde eu arranjarei um emprego em que eu possa morar? - questionou em tom apavorado levando a mão à boca e tampando-a.

- Não se preocupe menina, eu já resolvi isso para você.

- Já resolveu? Como assim? – perguntou fazendo cara de confusa.

- Só um estante. - pediu levantando-se e caminhando até a outra sala de onde tinha saído, abriu a porta e fez um gesto com a mão, Rin começou a ouvir alguns paços de uma pessoa caminhando, então, ela viu sair daquela porta um homem de lindos cabelos prateados, que estavam amarrados num charmoso rabo-de-cavalo, ele tinha lindos olhos cor de âmbar, que ela cismou que já os tinha visto antes, mas não a pessoa e sim aqueles olhos... "Mas dá onde eu já vi esses olhos?". Ele parecia ser forte, mas não era tão novo assim, devia ter uns 45 anos ou menos... "Mas espera ai... ele é um youkai? Sim, sim ele é um youkai". Ele trajava um lindo terno azul-marinho, camisa social branca com uma gravata cinza, muito bem passados, e usava uns sapatos pretos que brilhavam como diamantes. "Noooossa como brilham..." deslumbrou encantada com a impecável roupa que aquele youkai usava e olhando para os seus sapatos, pensou um pouco revoltada "por que os meus não brilham assim?".

- Rin... Esse aqui é o Oyakata Inu Taisho.

- Oyakata Inu Taisho? Taisho?... Já ouvi isso antes. – falou baixinho consigo mesma, tentando descobrir de onde já havia escutado esse nome.

- Sim, sou eu... Talvez você deva ter ouvido relacionado a cosméticos não? – falou num tom que parecia estar se divertindo com a situação da menina. Estendeu a mão para ela, a garota retribuiu e ele deu um delicado beijo em sua mão, fazendo com que ela corasse violentamente – Prazer em conhecê-la. – cumprimentou se recompondo e olhando-a nos olhos, fazendo com que a mesma corasse ainda mais.

- Pra...Prazer, em conhecê-lo também Taisho-sama. – respondeu um pouco menos corada. "Pois é... são aqueles cosméticos que vi da Mizuzu-san, que ela tanto prezava... 'São caríssimos Rin-chan, ai de você se mexer neles... ' ela sempre falava isso" pensava com uma cara divertida.

- Bom, agora que já foram feitas as apresentações, vamos ao que nos interessa. – anunciou o monge sentando-se novamente e indicando as duas cadeiras a sua frente para os outros dois. – Como eu estava dizendo Rin-chan eu já resolvi esse problema para você, eu conversei ontem de noite por telefone com o Taisho-sama... – falou dando um breve sorriso para Oyakata que retribuiu - E ele concordou em contratá-la para trabalhar em sua mansão.

- Mansão! – exclamou arregalando os olhos.

- Sim... Sim... Mansão menina. – confirmou o youkai num tom divertido.

- Uauuu eu nunca vi uma mansão na minha vida e imagina morar em uma. - falou com as mãos sobre as bochechas, como se estivesse imaginando algo extraordinário.

- Rin! Menos! – reprovou Hitsumu olhando de beirada para Oyakata, tentando alertar a menina para não falar mais besteiras.

- Ah! Perdão Taisho-sama. - falou levantando e fazendo várias reverencias.

- Não precisa menina. Você não fez nada de mais. – acalmou-a sorrindo.

- Obrigada! – agradeceu sentando novamente, meio sem graça.

- Continuando... Ele vai contratá-la e você irá morar lá. Não é mesmo Taisho-sama?

- Absolutamente Hitsumu-sama. – confirmou mexendo a cabeça em sinal positivo.

- Mas... Então, eu vou ter mesmo que sair daqui do bairro? – perguntou em tom triste, ao imaginar em deixar as pessoas e o bairro que tanto amava.

- Nós já conversamos sobre isso Rin-chan, eu já te expliquei todos os problemas.

- Mas eu não queria abandonar todos vocês.

- Mas você não irá abandoná-los... – falou o Oyakata interrompendo a menina – Você poderá vir visitá-los quando você quiser.– falou em tom carinhoso.

- Está vendo... Você poderá vir sempre. – concluiu o velho monge sorrindo.

- Está certo. – concordou em tom triste. – Mas quando que eu irei começar? – perguntou num tom um pouco mais animado e virando-se para olhar Oyakata.

- Hoje mesmo se possível.

- HOJE? – exclamaram juntos, Rin e Hitsumu, surpresos.

- Sim... – falou altivo – não me disse que era um assunto urgente Hitsumu-sama?! Então, agiremos rápido.

Logo após esse susto, Hitsumu mandou que Rin fosse rapidamente arrumar as suas coisas, para poder acompanhar Oyakata para o seu novo trabalho. Ela rapidamente fez como foi mandado. Não resistiu e passou na casa de Miroku para contar as novidades, ele ficou transtornado com a notícia, mas Rin explicou-lhe toda a situação e prometeu que viria visitá-lo o mais breve possível. Ele concordou, vencido. Despediu-se da maioria das pessoas. E seguiu um pouco triste com Oyakata em seu elegante Áudio A3 azul marinho.

- E então Rin-chan, como está? – perguntou virando-se para a garota no carona, logo após de parar no sinal vermelho.

- Bem Taisho-sama! - respondeu animadamente com um largo sorriso.

- Ah! Por favor, não me chame de Taisho-sama, pode me chamar apenas de Oyakata.

- Sério? - perguntou a garota empolgada, agarrando um pouco mais a sua malinha que se encontrava em seu colo.

- Sério. – respondeu o youkai gentilmente, voltando a sua atenção para a rua.

"Nossa que senhor legal! Será que ele é dono de uma empresa mesmo? Ai ai ai... e como será a mansão? Ai que curiosidade!" .

Algum tempo depois eles chegaram a um imponente bairro de Tókio, com muitos casarões e mansões belas, por cada uma que passava, Rin abria mais a boca, não se continha e sempre dava um gritinho de emoção. Oyakata sorria a cada reação da menina. "Ela é realmente encantadora... como o Hitsumu-sama disse". Um minuto após de entrarem naquele luxuoso bairro, o carro parou enfrente a um grande portão de ferro.

- Chegamos Rin-chan. – anunciou o youkai, pegando um pequeno aparelhinho no porta-luvas. Logo após de apertar o botão do aparelho o portão se abriu, fazendo com que Rin abrisse ainda mais a boca.

- Você abriu o portão com isso? – perguntou curiosa.

- Isso mesmo. – respondeu com um sorriso.

- Nossa! – continuou deslumbrada, olhando fixamente para o aparelho em suas mãos, pois Oyakata acabara de lhe entregar. Mas sua atenção foi desviada depois que o carro voltou a andar. Ela olhou para frente e se deparou com a entrada da bela mansão. Ela era totalmente integrada com a natureza, a sua frente havia um enorme jardim, com variados tipos de árvores e flores, algumas que ela conhecia muito bem, por causa da experiência na lojinha da Mizuzu. O jardim era enorme, o qual Rin podia jurar que tinha o tamanho do seu bairro. Ela pode perceber que havia jardim também em volta da casa, pois havia passagens pelos lados na qual parecia ter mais coisa quando se andasse para os fundos. Mas ao bater o olho na figura da mansão, Rin escancarou ainda mais a boca, ela era amarela o qual reluzia ainda mais com aquele brilho intenso do sol da manhã. O que dava a ela um ar bem mais alegre na opinião da morena. Nela jaziam enormes janelas brancas de vidro, umas mais em baixo, outras na parte de cima, a porta da frente era enorme e branca, com alguns desenhos trabalhados na madeira na qual Rin não enxergou de longe.

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- Kanna! Kanna! – uma mulher gritava aparentemente irritada.

- Oh! Kagura... Você já chegou?

- Ai que pergunta mais idiota... Você não está me vendo? - respondeu malcriadamente a bela youkai morena de olhos vermelhos, que trajava um belo vestido azul marinho, simples, mas que lhe caia muito bem, com sapatos Chanel pretos.

- Err... Estou sim... Err... Vai comer aqui? – perguntou a empregada, de cabelos brancos que chegavam até em baixo dos quadris, apesar da aparência jovial ela era mais velha que Kagura.

- Não, mais tarde... Porque agora eu e você vamos conversar sobre uma coisa muito importante. – anunciou friamente. – Eu quero lhe fazer um pedido.

- O que você quiser menina.

- Preciso que me faça uma dessas bruxarias que você sabe. Para agarrar um homem. – disse a bela youkai, sentando elegantemente em seu imponente sofá marrom.

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- Hoje Sesshoumaru estará de volta. Inuyasha prometeu que iria trazê-lo. - Comentou a bela morena, com lindos olhos arroxeados servindo-se de uma xícara de café. – Já sabe o que me prometeu querida Kagura.

- Não se preocupe Tia Izayoi eu me lembro muito bem. – respondeu a linda youkai parando ao ouvir um barulho de carro, vindo do lado de fora da bela mansão.

- Acho que Oyakata já voltou. – disse a bela humana animadamente, pela chegada do marido.

- Sim Izayoi-sama, é o patrão. – anunciou Ayame olhando pela janela. – Ah! Mas, quem será aquela que vem com ele? Run... Ela está bem esfarrapada. - concluiu a empregada de cabelos coral, saindo rapidamente até a porta de entrada para abri-la para o patrão.

- Bom dia Ayame! – cumprimentou Oyakata parado a porta, fazendo um sinal para que Rin entrasse primeiro.

- UauuL! – exclamou a menina adentrando apressadamente, olhando tudo a sua volta, logo de primeira, ela pode visualizar a imponente escada reta, que dava para o segundo andar da mansão, com trabalhados corrimãos de madeira brancos, as paredes do hall eram pintadas em leves tons amarelados. Ao lado direito da escada, jazia uma porta de vidro que levava para a sala de estar, no lado esquerdo havia também outra grande porta de vidro que levava para um corredor com algumas portas bem trabalhadas e pintadas em um leve tom de gelo, mas ela não sabia o que havia através delas, pois estavam fechadas. Seguindo pelo lado direito, passando direto pela porta de vidro, podia se ver um outro corredor com mais algumas portas. "Mas quanta porta tem isso aqui!". Rin estava totalmente deslumbrada com aquilo tudo, ela olhava para o teto, para o chão, para as paredes, para as mobílias, para os quadros, para os enfeites. "Nossa! Acho que estou meio tonta". Concluiu depois de dar um leve rodopio olhando para o lustre de cristal que havia acima da sua cabeça. Mas uma coisa ela sabia, o requinte naquela mansão, estava preso em cada detalhe.

- Vamos Rin-chan é por aqui... – anunciou Oyakata ignorando a cara de nojo que a sua empregada fazia ao olhar para Rin e indicando o lado direito do hall, para que entrassem na sala de estar.

- Oyakata! E essa menina tão sujinha quem é? - perguntou Izayoi, levantando-se da poltrona e fazendo cara de confusa.

- Uma pobre menina que acaba de ficar órfã e que veio morar conosco nessa casa.

- Morar aqui? – perguntou Izayoi cada vez mais confusa.

- Que surpresa Titio. – comentou Kagura fazendo cara de que pouco se importava e analisando Rin dos pés a cabeça.

- Não entendi Oyakata... Por que não me disse nada? – perguntou Izayoi um pouco indignada.

- Porque eu acabei de decidir isso querida.

- Mas Oyakata... – insistiu Izayoi.

- Não tem 'mas' Izayoi... Lamento.

- Oyakata... Onde essa menina irá ficar? – perguntou Izayoi já demonstrando irritação.

- Não sei... – disse simplesmente e se virou para Rin – Eu vou te deixar com a Kaede, Rin-chan, ela com certeza ira lhe tratar melhor. – disse olhando de canto de olho para Izayoi.

- Olha só Oyakata-kun... Cá entre nós err... Os outros não vão? – finalmente Rin se pronunciou.

- Não se preocupe, os outros vão tratá-la bem. – disse dando um terno sorriso para a menina – Bom... Nos vemos mais tarde Rin-chan, tenho que ir para o escritório.

- Tudo bem Oyakata-kun... Então... Obrigada por tudo. – disse a menina segurando a mão do youkai. Ele retribuiu com um sorriso, fazendo com que Kagura sussurrasse algo inaudível para Izayoi.

- Assim que puder vá ao escritório Izayoi, temos que conversar. – anunciou se retirando em seguida.

Um silêncio reinou na sala. Izayoi olhava para Rin, que olhava para Kagura, que olhava para Izayoi, que olhava para Ayame...

- Já chega! – anunciou Rin – Não aguento mais... O que foi? Eu to gorda é? Pareço uma bruxa? Que foi... Num 'tá gostando não? – perguntou Rin debochada, mostrando grande irritação, fazendo com que Izayoi levasse a mão à boca assustada pela atitude da menina.

- Que modos são esses menina? – perguntou Izayoi mostrando também irritação.

- São os modos que a senhora está me obrigando a ter! Não pedi pra ninguém me trazer não 'tá? Foi o Hitsumu-sama... O monge lá do templo! E já que eu não sou bem recebida, eu vou voltar agora mesmo lá pro meu bairro! Eu não queria vir pra cá mesmo! – discutia a menina na sua boa e velha falta de educação.

- Deveria ter se negado então! – se intrometeu Kagura, indo para perto de Rin.

- Eu sei... Não pude minha filha! – gritou Rin na cara da youkai, fazendo com que ela recuasse com cara de nojo para perto de Izayoi. – Mas ainda tem tempo. Quer saber... Eu vou agora mesmo falar lá com o Oyakata-kun e mandar ele me levar agora mesmo pra minha casa. Já que ninguém gostou de mim! – gritou mais uma vez virando de costas e caminhando duro para o hall.

- Espere! – gritou Izayoi andando rapidamente para a porta e parando a menina – Não incomode meu marido! Não pode se comportar como na sua casa! – continuava a mulher em seu melhor tom autoritário.

- Ah! Desculpe, mas eu não sei me comportar de outra maneira! – exclamou a garota cruzando os braços em sinal de indignação.

- Titia... Acalma-se, eu recomendo muita imprudência e calma com essa... Essa... Molambenta! – debochou a youkai se pondo ao lado da tia, segurando levemente seus ombros. – Quem sabe as razões que o Tio Oyakata teve para trazê-la para cá.

- Já disse que foi o monge Hitsumu-sama que falou para eu vir trabalhar de empregada aqui nessa casa. – repetiu a garota com impaciência.

- E você acha que pode ser empregada numa casa como esta? – debochou Ayame se intrometendo na conversa.

- Ah! É claro! Se me ensinarem eu aprendo tudinho! – confessou Rin num tom animado.

- Bom... Err... Ayame! Peça a Kaede que venha aqui. - mandou Izayoi ignorando o que a menina falou. "É melhor eu parar de discutir com essa menina, ou o Oyakata vai acabar ouvindo...".

- Sim Izayoi-sama. – a empregada fez uma leve reverencia e se retirou.

- Bom Titia, eu tenho mais o que fazer. – anunciou Kagura dando dois beijinhos em sua tia e pegou a sua bolsa na mesinha. Caminhou até a porta e parou. – E não se esqueça... Muita paciência com essa MOLAMBENTA!

Rin fez cara de profundo ódio, mas nada falou. As duas continuaram na sala de estar em completo silêncio, até que ouviram passos vindos do corredor.

- Chamou senhora? – perguntou uma velha e simpática senhora de longos cabelos brancos, vestida em um uniforme azul de empregada.

- Kaede leve essa menina a um dos quartos de empregada, providencie um uniforme, que ela tome um banho e o coloque. Você começa a trabalhar hoje nesta casa. – anunciou direcionando a ultima frase para a menina de cabelos cor de chocolate. - Por ordem do Oyakata.

- Mas eu já tomei banho antes de vir pra cá.

- Não importa! Tome de novo! E saiba que aqui quem dá as ordens sou eu! – mandou Izayoi já perdendo a calma. – E faça o que eu disse Kaede!

- Vamos menina. – pediu Kaede puxando Rin pelo braço, antes que ela revidasse pelo o que Izayoi tinha falado.

- Mas... – gemeu Rin tentando se retirar dos braços de Kaede.

- E nada de favoritismo Kaede, aqui todas as empregadas são iguais! – e elas saíram da sala.

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- O que quer me dizer?

- Sente-se, por favor, Izayoi. – pediu indicando umas das imponentes cadeiras de mogno que havia no escritório bem à frente de uma linda mesa de vidro com os pés de madeira, logo atrás de onde estava sentado Oyakata havia uma linda estante de mogno com muitos livros.

- Tem que ser gentil com essa menina meu amor... Nada de botá-la com uniforme... Nada de tratá-la como uma empregada. – pedia Oyakata carinhosamente.

- Mas Oyakata...

- Isso será uma obra de caridade, como prometi ao Hitsumu-sama.

- Isso é para ela aprender a ficar no lugar dela, para que não passe dos limites.

- Eu não quero que ela seja uma empregada... Não entende?

- Então o que ela vai ser?

- Será como alguém da família. – disse o youkai abrindo um belo sorriso. Fazendo com que Izayoi arregalasse os olhos com aquela revelação.

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- Nossa! Que chique! O que é isso?

- Um banheiro menina. – respondeu a empregada com um terno sorriso.

- Nossa... Lá onde eu moro, err... Morava... Num tem nada assim sabia. Aqui dá até gosto da gente se molhar. – se empolgou a menina no seu jeitinho de criança.

- Ai ai... Menina... Mas vamos, tome logo seu banho. – mandou a velha em tom risonho.

- Mas espera... Qual o seu nome mesmo?

- Kaede.

- Aé Kaede! Você não é igual aquelas né? Que me olham como se eu fosse doente?! Run... Mas deixa eu tomar banho que elas vão ver só! – disse a menina pegando a barra do vestido e levantando para tirá-lo.

To be continued...

Coment's da Autora

Primeiramente queria muito agradecer aos comentários da syssa-chan, Belle Lune's, LuuH-Chan, Inoue-kun, sandramonte, .anny Kiryuu ' e Graziela Leon

Obrigada mesmo a todas vocês pela força e pelo incentivo!

Tá ai um capítulo ENOOOOOORME, em agradecimento. (L)

O capitulo foi enorme e provavelmente todos serão mais ou menos no mesmo tamanho

Daqui pra frente eu vou tentar dividi-los, mas não dá pra fazer muito isso por que aja capitulo né?! oO IOUEIUE'

Pois é... Muitos acontecimentos drásticos na vida de Rin.

A morte do tio, a saída da sua casa, o novo emprego e moradia.

E parece que ela não agradou a todos na mansão Taisho não é mesmo?

Um mundo diferente e completamente novo para ela.

Será que ela vai aguentar tanta pressão de uma vez?

Espero a opinião de vocês o/

E até o próximo Capítulo :D Beijooos :*