N/A: Eu me esqueci de avisar no primeiro caps.

Eu já tinha começado a postar essa fic nesse site em outra conta, mas perdi a senha quando formatei o pc. Então vou recomeçar a postar agora! ^^

Marcela, pode deixar que eu vou continuar a fic!

Espero que goste! *-*


CAPÍTULO II : Dez Boas Razões

Por Hayka_san

Sakura o fitou, espantada. Seu coração agitou-se diante da proposta inesperada.

- Casar com você? — repetiu, num tom acalorado. — Deixe de brincadeira, Naruto.

- Não é brincadeira. Estou falando sério. Pense bem: você precisa de um marido e, nas atuais circunstâncias, com quem, além de mim, poderia casar-se? — Ele sorriu de modo travesso.

Ao ver aquele sorriso, Saruka sentiu um arrepio de prazer. Baixou os olhos por um instante e sacudiu a cabeça antes de voltar a fitá-lo.

- Jurei riscar os homens da minha vida, e você sabe disso.

- Os amigos também? — Ele a fitou, os braços cruzados diante do peito. — Quero ajudá-la.

- Sei que está cheio de boas intenções e sinceramente agradeço. Mas... casamento? - Ela o fitou, desolada. Naruto a deixara comovida, mas sua proposta de casamento estava fora de cogitação. — Amigos trocam os pneus furados do nosso carro, emprestam dinheiro, avisam quando estamos com batom nos dentes e coisas assim, mas jamais se casam só porque esperamos um bebê.

- E por que não?

Pela forma como ele a fitava, Sakura percebeu que não estava brincando.

- Você é um homem divorciado e jurou que nenhuma outra mulher o fisgaria. Por que iria querer casar-se outra vez?

- Por quê? Deixe-me ver... — Naruto fingiu pensar e fitou-a de esguelha, fazendo uso de todo o seu charme.

- Não acho a menor graça.

- Não estou tentando ser engraçado. Quero lhe fazer uma proposta.

- Outra? Espero que essa não seja parecida com a anterior...

- Se eu lhe desse dez boas razões para nos casarmos, você mudaria de idéia e aceitaria ser minha mulher?

Sakura riu baixinho. Tinha certeza de que ele não encontraria uma única boa razão, muito menos dez.

- Está bem. Pode começar. Deseja estipular algum limite de tempo?

- Isso não é um jogo. É sério!

- Depende do ponto de vista. — Naruto ajeitou-se confortavelmente no sofá e aguardou. — Pode começar, se estiver pronto.

Naruto apoiou o ombro à soleira da porta, com ar pensativo.

- Você gosta de futebol, o que já é um bom começo. Minha ex-mulher não suportava. Apenas tolerava para me agradar.

- Você me prometeu "boas" razões, lembra-se?

- E que outro motivo seria melhor do que o futebol? Mas, se não é bom o suficiente, tenho outros nove. — Começou a caminhar diante dela. Até parar e dizer: — Estando casado, as devoradoras de homens finalmente me deixarão em paz. Além disso, poderemos dividir o mesmo prato nos restaurantes.

- Ora, não diga bobagens. Ninguém se casa para economizar em jantares. E não esqueça que somos vizinhos. O número de mulheres batendo à sua porta não justificaria uma ação tão drástica. — Sakura cruzou os braços e olhou para ele ternamente. — Precisarei de razões mais sérias.

- Está bem. Que tal assumir você e seu filho em retribuição à acolhida que sua família me deu quando eu era um rebelde sem causa, necessitando de disciplina e orientação? Ou que tal saber que, uma noite antes da morte de sua mãe, prometi a ela que cuidaria de você e falhei no que prometi, caso contrário você não se encontraria nessa situação?

Naruto era maravilhoso e sua preocupação com a palavra dada à sra. Haruno em seu leito de morte a comovia. Era reconfortante poder contar com alguém como ele. No entanto, precisava convencê-lo de que o amigo não era responsável por tudo que lhe acontecia.

- Meus pais o acolheram porque gostavam de você, e porque sabiam que precisava apenas de um pouco de disciplina. Estavam certos. — Sakura pousou a mão sobre o ventre. — Tenho certeza de que ma mãe não pretendia elègê-lo meu guardião.

- Então por que será que me sinto responsável? Jamais me perdoarei. Não estava em casa na noite em que você foi me procurar logo, após o funeral.

- Foi quando liguei para Sasuke, precisando desesperadamente de alguém com quem conversar. — Sakura surpreendeu-se com a expressão sombria de Naruto. O que ele faria se soubesse que Sasuke andava lhe deixando recados? — Complexo de culpa não é um bom motivo para alguém se casar. Vamos analisar a coisa por outro ângulo. O que eu ganharia com esse casamento?

— Que tal um sobrenome para seu filho?
Sakura fitou-o diretamente nos olhos e adivinhou o que o perturbava. A mãe de Naruto não era casada com o pai dele. Na escola, o amigo costumava envolver-se em brigas porque os outros garotos o chamavam de "bastardo", um nome sujo e ofensivo. Naruto tentava lhe dizer que, se ela insistisse em ser mãe solteira, seu filho passaria pelos mesmos problemas. Sakura sentiu uma profunda dor no coração.

- Isso é golpe baixo, Naruto.

- Pode ser, mas é verdade.

- Você está sendo antiquado. Hoje em dias as mulheres já não têm tantos problemas em criar filhos sozinhas.

- Posso parecer antiquado, mas sei o que significa ser diferente dos outros garotos. E isso jamais mudará.

— Vamos parar com isso. Cansei desse jogo.
Sakura levantou-se e fez menção de afastar-se. Naruto a impediu segurando-lhe o braço.

- Você precisa avaliar seriamente a situação. Eu lhe dei uma série de bons motivos para que aceite minha proposta. Esperava que entendesse que o casamento seria uma solução bastante prática para o problema.

- Mas não vi um só motivo que fosse bom para você. E não me venha com desculpas bobas, como desejar livrar-se do assédio das garotas, do complexo de culpa e outras mais.

Naruto suspirou e soltou-lhe o braço.

—Como você mesma disse, estou ficando velho e antiquado. E os velhos não gostam de viver sozinhos.

O solteirão Uzumaki Naruto cansado de viver só? Jamais lhe ocorrera que o amigo se sentisse sozinho, e o fato de ele ter partilhado aquela preocupação aquecia-lhe o peito.

- Não chamei você de velho, apenas de antiquado.

- Dá na mesma.

- Está bem. Está ficando velho e quer alguém que partilhe a cadeira de balanço com você. Mas por que eu? Lembre que em breve haverá também um bebê. Viver numa casa cheia de fraldas e de mamadeiras não o faz tremer de pavor?

- Somos amigos sinceros. E isso é mais do que a maioria dos casais costuma ter. Sabe o que mais? Será a vida que sempre desejei. Nosso casamento será perfeito.

- Mas não é essa exatamente a vida que eu sempre desejei. No fundo do coração, ainda espero viver um grande amor, amor verdadeiro, e romance, muito romance.

- Mas você não afirmou que riscou os homens da sua vida?

- Não para sempre. — Sakura foi para a cozinha e continuou a empacotar seus pertences. Subiu numa cadeira para tirar os quadros da parede.

— Ficou louca? Saia já dessa cadeira. — Naruto pegou-a pelo cotovelo e ajudou-a a descer. — Deixe que eu faço isso. - Pegou os quadros que estavam no alto e não esqueceu o relógio de parede, presente da mãe. — Está se agarrando a uma ilusão. Não existe amor verdadeiro.

Doía muito rejeitá-lo, e Sakura abaixou a cabeça. As lágrimas toldaram-lhe a visão e ela tentou reprimi-las.

—Acredito no verdadeiro amor. Meus pais se amavam de verdade e não me contentarei com menos. Obrigada, Naruto. Provavelmente algum dia lamentarei por ter sido tão tola, mas tenho de recusar sua proposta.

Ele endireitou os ombros e suspirou.

- Bem, a oferta continua em pé. Se mudar de idéia, é só dizer.

- Lamento, mas não mudarei de idéia. No entanto, agradeço. Agora, se não se importa, tenho muito o que fazer. A corretora prometeu verificar meus documentos e em poucos dias saberei quando poderei me mudar.

Naruto empilhou as coisas que tirara dos armários.

- Bem, a decisão é sua.

- Acredite, será melhor para nós dois.

Ele sacudiu a cabeça e Sakura anteviu uma discussão, mas enganou-se.

— Vejo-a mais .tarde. — Foi tudo o que ele disse antes de ir embora.

Sakura observou-o afastar-se, assaltada por uma repentina solidão. Sentou-se numa cadeira e lá ficou, o olhar perdido no vazio. Uzumaki Naruto acabara de pedi-la em casamento, e falava sério. E não apenas isso; saíra dali magoado por ter sido rejeitado. Sua bondade a comovia e deixava um emaranhado de emoções apertando-lhe o peito e a garganta.

Estava grávida, desempregada e... Louca. Que mulher, em seu lugar, recusaria a proposta de um homem maravilhoso como ele?

Mas, se aquela era a coisa certa a fazer, por que se sentia tão mal, tão infeliz?


No dia seguinte, Naruto mal disfarçava o mau humor. No treino, nada dava certo, e ele chegou a perder a paciência com os rapazes, que, tensos, não acertavam um só chute.

Mais tarde, sentou-se em sua sala, tentando descobrir a causa de tanta frustração. Não demorou muito para se dar conta de que o problema era com ele, não com os garotos.

No fundo, Sakura o deixara transtornado. Não conseguira pregar o olho a noite inteira. Jamais se conformaria com o fato de ela querer se mudar. E de ter recusado a proposta de casamento. Afinal, seria a melhor solução.

Não entendeu por que desejara tanto que ela dissesse sim até olhar ao redor. Em todo canto havia lembranças da ajuda que os Harunos lhe haviam dado. Se não fosse por eles, nunca desfrutaria da posição que tinha atualmente.

No armário com portas de vidro encontravam-se os troféus que ganhara como jogador profissional. Uma antiga fotografia do time, tirada num banquete comemorativo, mostrava o sr. Haruno entregando-lhe o prêmio de melhor atleta do ano. Embora pouco depois ele tivesse sofrido um ataque cardíaco e em seguida falecido, Naruto nunca o decepcionara. Era mais um motivo para proteger Sakura.

Talvez seu ego estivesse ferido pela rejeição. Mas, após pensar bastante, ele concluiu que não era o caso. Olhando novamente para a parede, avistou a fotografia da formatura. Sakura insistira muito para convencê-lo a participar da cerimônia, que para ele não passava de perda de tempo. Ela lhe perguntara por que não gostava de mostrar quanto era inteligente. Ele a respeitava por isso. Infelizmente, acabara se casando com uma mulher que não tinha valores diferentes.

O ferimento no joelho, que encerrara sua carreira profissional como futebolista, também acabara com seu casamento. Nesse caso, o ditado que diz que coisas ruins nunca vêm sozinhas não podia ser mais verdadeiro. Foi uma época de muitas surpresas. A primeira: não sentiu falta de Hinata quando se separaram, na verdade, ela fora mais uma boa amiga, do que uma boa esposa. A segunda: era mais feliz sem ela. Terceira: não a amara.

Mas sentiria a falta de Sakura quando a amiga mudasse. Gostava de tê-la por perto; gostava dela, simplesmente. Cada vez mais se convencia de que, casados, teriam uma vida maravilhosa, e sentia-se frustrado por não conseguir fazê-la pensar da mesma forma.

Uma batida à porta interrompeu-lhe os pensamentos.

— Entre. Está aberto.

Konohamaru, moreno e de olhos expressivos, dezessete anos, entrou na sala e entregou a Naruto um pedaço de papel.

- Havia apenas isso para você na secretaria — avisou o rapaz, e sua expressão dizia que temia ser massacrado por causa disso. Naruto sentiu-se mal por ter descontado suas frustrações nos garotos.

- Obrigado, Konohamaru-kun. — O garoto assentiu e voltou-se para deixá-lo. — Foi uma excelente corrida. Continue assim e na certa quebrará o recorde escolar.

—Assim espero! — disse ele, com um sorriso inseguro.

— Como se saiu na prova de Matemática?

— Bem... Ino-san garantiu que vou ter minha nota amanhã. Espero que seja boa. Tchau.

Depois que o garoto saiu, Naruto leu o recado. Era de umas das corretoras imobiliárias locais. Discou o número e uma voz feminina atendeu.

— Sayto Kimi.

Ele recostou-se à cadeira.

- Aqui é Uzumaki Naruto. Recebi seu recado. Suponho que seja sobre minha inquilina, Haruno Sakura.

- Isso mesmo, Uzumaki-san. Ela pretende alugar um dos nossos apartamentos e indicou seu nome como referência.

— Certo.

Naquele momento, uma idéia lhe ocorreu. Naruto

não estava muito seguro dela; sentia apenas que poderia ser uma saída. De qualquer maneira, se Sakura não tivesse para onde ir, ficaria na casa de hóspedes.

— Há quanto tempo a srta. Haruno é sua inquilina?

— Não muito... — disse isso com um toque de reprovação na voz.

— É mesmo?

Ele pôde perceber uma centena de dúvidas na pergunta.

- Deseja que eu seja mais específico? Ela está comigo há uns oito meses.

- E já lhe causou algum problema? — O tom era suspeito.

Naruto devia aquilo aos Harunos. Prometera à sra. Haruno que cuidaria de Sakura e seria mais fácil fazer isso se ela seguisse morando na casa de hóspedes. Detestava ser desleal com a amiga, mas não tinha escolha. Ela era teimosa demais.

- Eu não diria problemas... — falou, com alguma hesitação. — Sabia que ela está grávida?

- Sim, ela nos informou. Isso não seria obstáculo porque o condomínio aceita crianças. Há mais alguma coisa que devamos saber a respeito da srta. Haruno? - Naruto estremeceu, mas era preciso.

- Sabe que ela está desempregada?

- Não. No formulário que preencheu, ela nos informa ser professora na Escola Distrital de Konoha.

- E é, mas somente até o final do semestre.

- Sabe se há algum outro emprego à vista?

- Não que eu saiba.

- Mais alguma coisa?

- Não. Acho que já disse tudo.

- Obrigada. O senhor nos ajudou muito.

- É minha obrigação, srta. Sayto.

Naruto desligou o telefone sentindo-se um verdadeiro crápula, mas fizera aquilo pelo bem de Sakura. Ela ficaria melhor na casa de hóspedes.

No entanto, por mais que tentasse convencer-se disso, estava surpreso com a própria atitude. Ainda assim, a culpa que sentia era um preço pequeno a pagar. No fundo do coração, não lamentava tê-la sabotado.


Sakura carregou outra caixa para o quarto, e depois voltou para a cozinha. Notou a luz vermelha da secretária eletrônica piscando. Apertou o botão e ouviu uma voz masculina dizer:

- Sakura? E Sasuke. Se estiver aí, por favor, atenda. E urgente. Não a culpo por não quer falar comigo, mas precisamos conversar seriamente. Uma vez que não retorna minhas ligações, irei até aí. Até mais.

- Que maravilha! O que mais pode me acontecer hoje? — resmungou ela.

Depois ouviu a segunda mensagem.

—Srta. Haruno? É Sayto Kimi. Liguei para informá-la de que o apartamento que visitou já foi alugado, e que infelizmente não temos outro vago. Telefone se tiver alguma dúvida.

Sakura bateu com o punho fechado sobre o balcão de cerâmica. Precisava mudar-se logo, ajeitar a nova casa e encontrar um berçário para o bebê antes que ficasse muito pesada para fazer tudo isso.

Quanto a Sasuke, não desejava vê-lo agora. Nem nunca mais.

Olhou para a cozinha, para as caixas empilhadas e para as paredes vazias.

— O que farei agora?

A resposta veio imediatamente. Faria o que sempre fazia: iria procurar seu amigo, e, não importando o que decidisse, Naruto a apoiaria.

Era do apoio dele que mais sentiria falta quando se mudasse. Gostava de falar com Naruto, estar em sua companhia... Também, quem não gostaria de estar ao lado daquele homem charmoso? Era mais do que isso, porém. Do contrário, não seriam tão chegados. Ela calçou os sapatos e saiu de casa, determinada a conversar com Naruto.

Eram seis horas e o dia ainda estava claro, apesar do tempo frio. Mais um mês e o calor chegaria. E o bebê estaria bem maior. Sempre ouvira dizer que o verão era a pior época para alguém dar à luz. Mas estaria em férias, e recomeçaria a trabalhar somente em agosto. Lamentava não poder continuar a lecionar na atual escola, mas esperava ser contratada por alguma escola particular e para isso planejava enviar currículos nos próximos dias.

Chegou à porta de Naruto e tocou a campainha.

Enquanto esperava, ajeitou o camisão florido que usava sobre a legging.

Então ele surgiu, provocando um impacto tão forte que foi impossível ignorá-lo. Essa sensação antiga e deliciosa acontecia cada vez com mais freqüência, mas Sakura creditava-a aos hormônios. A gravidez fazia misérias no corpo da mulher. Ainda bem que em três meses, quando seus níveis hormonais se estabilizassem, essa sensação desapareceria.

— O que está havendo? — indagou Naruto, meio assustado.

— O que o faz pensar que esteja havendo algo?
Ele arqueou as sobrancelhas, numa expressão de incredulidade.

- Presumi que estivesse. Você está tão estranha...- Fazia sentido. Ela também se sentia estranha.

- Vim conversar com você. Posso entrar?

- Claro!

Sakura olhou em torno. Adorava aquela casa. Naruto contratara um profissional para decorá-la, mas seu toque pessoal era notório no chão de tábuas do hall, nas portas de carvalho entalhadas, nos tapetes as-tecas da sala de estar. Havia um ar masculino no lugar, especialmente pela falta de enfeites e de vasos com flores.

- Já jantou? — perguntou ele.

- Não. Você teria uma prato extra para mim?

- Sim, e para mais um batalhão de homens famintos. — Abriu um sorriso irresistível.

- Ainda bem, porque atualmente estou comendo por dois.

Sakura seguiu-o até a cozinha e sentou-se numa das banquetas do balcão que fazia a separação entre a copa e a sala de jantar. Naruto abriu o freezer e tirou duas embalagens.

- Peito de frango empanado e purê de batatas. Gosta? — Sorriu ao vê-la acenar que sim e se pôs a ler as instruções. Em seguida, colocou as embalagens no microondas. — O que quer conversar comigo?

- Alugaram o apartamento para outra pessoa.

- Que pena... — disse ele, sem voltar-se.

- Não era o único da cidade, mas prédios com apartamentos de dois quartos que aceitam crianças, que têm playground e segurança não são fáceis de encontrar.

Naruto finalmente voltou-se para fitá-la.

- O que pretende fazer agora?

- Ainda não sei... Quando fui ver o apartamento, a srta. Sayto agiu como se já fosse meu. Disse até que a documentação seria mera formalidade. Mas hoje pareceu fria e distante. Ela falou com você?

- Sim, ela me ligou.

- E o que disse?

- Perguntou há quanto tempo era minha inquilina e falou que sabia sobre o bebê.

- Sim, eu a coloquei a par da situação. A criança não pareceu ser um problema.

- Não leve para o lado pessoal. Os apartamentos costumam ter mais de um interessado. Aposto que um casal foi o escolhido.

- Por que está dizendo isso?

- É óbvio. Duas rendas e sem filhos.

Sakura pensou um pouco e concluiu que alugar o apartamento a um casal sem filhos seria menos arriscado do que a uma mulher solteira e grávida.

- É. Talvez tenha sido isso.

- Pode apostar que sim. Quer tomar algo?

- Um copo de vinho branco.

- Você deve estar brincando! Nada de álcool para jovenzinhas grávidas.

- Sei disso. Apenas disse que queria. Há algo aí que eu possa tomar?

Naruto se virou e olhou dentro da geladeira.

- Leite, suco de maçã, soda limonada e água mineral.

- Suco, por favor.

A preocupação de Naruto com sua saúde era tocante. Sem se dar conta, Sakura começou a imaginar como seria ser casada com ele. Jantariam juntos todas as noites, conversariam sobre os acontecimentos do dia e jamais se sentiriam sozinhos.

Seria maravilhoso ter alguém com quem partilhar as tristezas e as alegrias... Os movimentos do bebê, as visitas mensais ao médico, as palpitações, o medo do parto... Mas iludia-se ao pensar assim.

Algum dia encontraria um homem que a faria delirar e, então, teria todo o amor com que sempre sonhara. Era apenas uma questão de tempo.

Naruto serviu-lhe um copo de suco de maçã e fitou-a.

- Sabe que não precisa sair daqui, não sabe?

- Sim eu sei, mas não é justo envolvê-lo em meus problemas.

- Justo ou não, já estou envolvido.

Sakura pousou a mão no braço do amigo. Ficou surpresa com o próprio gesto e com a sensação que o toque despertou em seu íntimo.

O brilho intenso nos olhos claros a fez pensar que ele sentira o mesmo. Olhou para o braço musculoso. Engraçado... nunca notara como Naruto era bronzeado, e como seus pulsos eram fortes. Seriam os hormônios novamente, fazendo com que ficasse mais observadora? Ou era ele que a intrigava? Afastou-se e baixou os olhos por um instante antes de tornar a fitá-lo.

— Já decidi que vou mudar. Não podemos falar em outra coisa?

Ele assentiu.

— Desde que prometa não se precipitar. Sabe bem que terá uma casa para morar durante o tempo que desejar. Só não saia por aí fazendo bobagens.

- Fazer bobagens? Eu? Como pode dizer uma coisa dessas? Só porque estou grávida...

- Aquele canalha aproveitou sua dor para tirar vantagens. — Naruto levantou-se, e os olhos azuis irradiavam fúria.

- Sasuke não foi o único culpado.

- Se ao menos tivesse tido a decência de respeitá-la... Kami -Sama, você tinha acabado de enterrar sua mãe!

- Não esqueça que eu o procurei.

- Por que está defendendo aquele canalha?

- Não estou. Tento apenas ser justa. — Sakura manteve os olhos fixos no copo de suco.

- Alguma coisa me diz que você está escondendo algo... Não quer me dizer o que é?

- Como pode me conhecer tão bem? — perguntou ela, fitando-o bem dentro dos olhos. — Sasuke tem me ligado e isso está me preocupando.

- E o que ele quer agora?

- Não sei... Não retornei nenhuma das ligações. Mas hoje encontrei outro recado na secretária eletrônica...

- O que dizia?

- Que ele precisava conversar comigo e que viria aqui esta noite.

Continua...


Então?

Me digam o que estão achando!

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