Inversão
2º Capítulo – Quando o perseguido vira perseguidor
-Martins!!!
-Professora, o que houve?
-Aline, você está bem?
-Ah, sabe, podia ta melhor, se não fosse...
-Ele não te fez nada então?
-'Ele' quem? – "o que deu nela?".
-Seu amigo, o Salai, ele não te fez nada?? – Aline levantou a sobrancelha ao ouvir 'amigo'.
-Não, meu 'amigo' não fez nada – "E quando digo nada, é nada MESMO".
-Que alívio...
-Mas por que a pergunta professora??
Mais relaxada, enquanto recuperava o fôlego, a professora respondeu:
-Um grifinório me alertou de que, bem, de que minha atividade era uma loucura, e que você podia estar em perigo...
-Pode ficar tranqüila professora, eu sei me cuidar, não se preocupe...
-Que ótimo... Agora me conte, está progredindo com o Isaac? Essa atividade está me deixando louca... Cinco grifinórios apareceram misteriosamente na enfermaria... Nenhum deles consegue dizer o que aconteceu...
-Puxa, é mesmo?? Eu sinto muito professora... Eu e o Snake estamos nos dando muito bem... Sem problemas – "É, eu sei, muito bem e de mal a pior não são sinônimos... Mas o que mais eu podia dizer???".
-Não sabe o quanto me alegro por isso!!
-Ah! Professora, será que eu posso lhe pedir um favor?
-Claro, o quê?
Aline, vendo uns poucos alunos se aproximarem, falou baixo para que somente a professora ouvisse:
-Professora... posso faltar na sua aula amanhã?
-Faltar? Mas por quê?
-Eu quero assistir outra aula, se a senhora me der uma permissão, é um trabalho que estou fazendo...
-Ah, bem, eu não posso dar permissão para faltas assim Martins, acredito que está ciente disso...
-Estou, mas eu não estarei faltando exatamente sabe? Essa aula é indispensável para meu entrosamento, seria uma oportunidade fantástica para conhecer melhor meu amigo...
-Eu pensarei na sua proposta, Aline. Mas adianto que ainda que eu lhe dê permissão, precisará repor a aula.
Aline concordou com a cabeça, despediu-se da professora e seguiu para o salão comunal.
-May?
-Aline!!! Onde você tava? Fiquei preocupada!
-Preocupada? Por quê?
-Ouvi meu irmão conversando com a Wolfgang, o ouvi ameaçando-a, ele estava furioso, disse que você podia estar correndo perigo.
-Diego fez isso? Eu não acredito... Ele ameaçou a professora? – questionou, enfatizando o 'ameaçou'.
-Sim... só o vi agir assim uma vez, e foi quando tive meu primeiro namorado...
-Ai, não é a toa que ela estava desesperada então!
-Ela te procurou?
-Sim, vamos conversar no dormitório... Tenho algumas coisas pra te contar.
-O sonserino disse isso? – Mayara abraçava seu travesseiro, deitada na cama vizinha à de Aline, ouvindo atenta a novidade - Que idiota, você sempre se cuidou sozinha... Por que não lançou um feitiço nele??? Devia ter acabado com a raça dele!!!
-As coisas não funcionam assim! Eu estaria agindo como metade da Sonserina, não ficou sabendo dos grifinórios que eles mandaram pra enfermaria?
-Mas pensa bem Aline, ele pode ser um psicopata em potencial! Sonserinos são vis! Você estaria fazendo um favor à humanidade!
-Um psicopata em potencial? Ah, claro, tinha me esquecido que todos os homens que eu conheço são psicopatas maníacos ou assassinos em potencial pra você, né? – comentou rindo.
-Ei!!! Não é bem assim... Meu irmão não é um psicopata, nem maníaco muito menos assassino! Eu o conheço desde que nasci... Ele é meio ciumento, mas, definitivamente, não é perigoso.
-Ahan.
-'Ahan'? Line, ele é apaixonado por você, sabe disso.
-Isso é coisa da sua cabeça, Má...
-Você vai ser minha cunhadinha!!! Vai ser da família!!! To até imaginando a pequena Melissa e o adorável Arthur correndo à nossa volta enquanto fazemos um piquenique no parque, você, meu irmão e eu... Vocês dois sendo um casal de dar inveja.
-Pequena Melissa? Adorável Arthur? Sério Má, eu to ficando preocupada... O que você andou bebendo??
Antes que a amiga arremessasse o travesseiro contra ela, Aline pegou o seu e atirou-o contra a amiga, saindo da área de alcance logo em seguida.
-Vai fugir mesmo, Li? Que covardia!!!
-Eu, fugindo? Até parece, ganho de você de olhos fechados!
-Duvido!
Aline riu.
-Sabe que é perigoso duvidar de mim, mocinha!
-Perigoso por quê? Vai chamar meu irmão pra me dar uma bronca? – perguntou, com um sorrisinho malicioso brotando nos lábios.
Os travesseiros atravessaram o dormitório. No exato momento em que um deles voou para a porta, alguém entrou. O tiro foi certeiro: precisamente na cabeça de uma garota, conhecida como "A Implacável", ou simplesmente Camila. Mayara escondeu o rosto no travesseiro que estava prestes a arremessar. Aline levou a mão à boca, disfarçando o riso enquanto encarava o olhar impassível e levemente arrepiante da colega de quarto.
-A professora quer te ver, Martins. Ela está te esperando na sala dos professores.
-Ah, sim, obrigada. – a garota deu um passo ao lado para desimpedir a saída, e Aline, ignorando o olhar de "Não me abandone" de Mayara, deixou o quarto.
Pelas janelas, o azul claro do céu desbotava enquanto umas poucas nuvens cobriam, ocasionalmente, uma lua crescente fraca no céu ainda claro. Não era mais possível ver o Sol, uns poucos vestígios de sua presença sumiam com o brilho falho de um punhado de estrelas.
Aline, por costume, caminhou a passos rápidos, descendo as escadarias para sua pequena reunião com a Mestra de Transfiguração.
Acenou com a cabeça ao passar pelas gárgulas, bateu à porta e aguardou, até que uma voz ativa pediu que entrasse.
-Queria falar comigo, professora? – perguntou, observando o aposento. Havia uma mesa circular, na qual se encontrava a professora, cercada de cadeiras. Pelas paredes estavam brasões e adereços, bem como varinhas e espadas. "Rei Arthur e a Távola Redonda!! Hahaha".
-Sim, senta aí. Vou te dispensar da minha aula amanhã, tem autorização para assistir a aula da qual me falou.
-Certo... Muito obrigada professora! – Aline fez menção de se levantar, mas Wolfgang pediu que tornasse a sentar.
-Eu também queria te pedir um favor.
-Pode falar.
-Bem, eu preciso de uma assistente. Sei que você é jovem, e precisa de tempo para se divertir, mas, se possível...
-É sério professora?? – interrompeu, sem se dar ao trabalho de esconder sua ansiedade.
-Sim, você aceita?
-Claro! É incrível!
-Que ótimo! Bem, precisamos discutir sobre a sua remuneração e seus horários disponíveis...
-Remuneração?
-É, eu vou tomar seu tempo, basicamente eu estou te contratando.
-Vamos fazer diferente, professora? Que tal se você me ensinar algumas das coisas que sabe em troca do meu trabalho de assistente?
-Que tipo de coisas?
-Ah, encantamentos, feitiços, poções, essas coisas.
-Tem certeza?
-Sim!
-Por mim tudo bem.
-Legal! Quando começamos?
-Quando estiver melhor pra você...
-Amanhã então.
-Perfeito! Acho melhor você ir agora...
-Ok, até amanhã professora!
Os sonserinos quintanistas entraram na sala, misturados com alguns grifinórios. Snake entrou um tanto cansado, as aulas anteriores haviam sido tensas e sentia-se aliviado por esta ser a última aula de uma longa sexta-feira. Sua cabeça pesava, mas não chegava a doer, mas, assim que pousou o olhar na sala, a dor de cabeça realmente chegou:
-Não acredito – disse dirigindo-se a uma grifinória.
-Olá pra você também. Tudo bem? – Aline perguntou bem-humorada
-Claro que não, - disse, baixando a voz – você está aqui.
-Ah, certo, tinha esquecido que você não me suporta, mas não se preocupe, não vai ter que me aturar.
-Vai sair?
-Não.
-Boa tarde! - O professor Walter, um simpático velhinho, era o professor de Estudo da Feitiçaria.
Vários alunos responderam, mas não tão animados. Os alunos começaram a ocupar as carteiras, enquanto o professor aproximou-se de Aline e Snake.
-Olá, eu não me lembro da senhorita. – O professor dirigiu-se à Aline, mas antes que ela movimentasse os lábios, Snake respondeu:
-Creio que não será necessária uma apresentação, a senhorita aqui já está de saída, não?
-Perdão pela minha indelicadeza senhor, - a garota ignorou completamente o comentário de Snake e se dirigiu ao professor - eu sou Aline, aluna da professora Wolfgang. Será que o senhor me permitiria ficar para assistir sua aula?
-Oh sim, minha cara. Eu sou o professor Walter, de Estudo da Feitiçaria.
-Ei, professor! Ela não pode ficar, ela deveria estar com a turma dela.
-Eu fui liberada da minha aula professor, não se preocupe.
Com um sorriso, o velhinho se afastou.
-Ótimo, deu pra me perseguir agora, é?
-Sinto muito, mas não sei do que está falando.
-Ah não? Então o que está fazendo aqui?
-Vim assistir a aula, ajudaria muito se você não me atrapalhasse... Ah! Meu colega de aula acabou de chegar. – Aline sorriu – Oi Di!
Diego vinha em direção a eles, cumprimentou Aline com um sorriso e depois disse seco:
-Salai.
-Costa.
-O Isaac veio me dar boas vindas, mas agora que você chegou acho que podemos começar.
-Claro.
Sem tornar a se encarar, Snake, Aline e Diego ajeitaram-se em suas carteiras duplas, Diego sentou-se ao lado da garota e Snake sentou-se, meio a contragosto, ao lado de um sonserino numa carteira próxima.
O professor Walter já havia começado a explicação sobre a origem dos feitiços, citando os feitiços mais potentes e alguns consagrados feiticeiros do mundo mágico.
-Alguém saberia dizer como é criado o nome de um feitiço?
Aline levantou a mão timidamente:
-Senhorita Aline.
-Se não me engano, na maioria dos casos se usa a palavra essencial do feitiço, a ação que o consiste.
-Muito bem! O feitiço... – o professor continuou.
-Mas a palavra é desnecessária – interrompeu-o Snake, atraindo a atenção de todos, com exceção de Aline – quando se aprende a utilizar o feitiço sem proferi-lo não é mais necessário seu nome.
-No entanto, não é possível conjurar um feitiço sem ter idéia do que ele faz. Essa é a utilidade do nome – a garota rebateu sem sequer encará-lo.
-Automaticamente associamos o feitiço ao nome que lhe é dado... Então creio que ambas as opiniões estão certas... – comentou o professor – Muito bem senhores e senhoritas, por mais interessante que essa aula esteja, creio que terei de interrompê-la, e que por mais que vocês preferissem passar mais tempo aprendendo, o fim de semana chegou, inevitavelmente – brincou o professor - Senhorita Aline, obrigado pela sua agradável presença e, por favor, volte quando desejar.
-Eu que lhe agradeço professor, adorei sua aula. Tenha um bom fim de semana. – Aline pegou o pergaminho, a pena e o tinteiro que estava utilizando e guardou-os numa mochila transversal.
-Quer que eu carregue pra você? – ofereceu-se Diego.
-Ah, sim, obrigada.
Diego pegou as mochilas e Aline o seguiu até a porta.
-Di, eu... – Aline viu alguns sonserinos descendo as escadas, dentre eles estava Snake.
"Ali está meu psicopata!! Ops, quero dizer, meu 'amigo'... Preciso ir atrás dele!" – Di, eu tenho uns assuntos pra resolver...
-Ahn.. ok, vou deixar suas coisas com a minha irmã. Mas... aonde você vai?
-Falar com a Wolfgang, ela queria conversar algumas coisas comigo...
-Quer que eu vá junto?
-Foi mal Diego, mas são coisas particulares.
-Ah, claro, até mais tarde então.
Snake seguia o fluxo de alunos que se dirigiam ao salão principal, mas ao avistar Aline, desviou-se do seu trajeto.
-Você é impertinente mesmo!!! Por que não me deixa em paz de uma vez por todas e esquece esse negócio de entrosamento?
-Você acha que eu estou te perseguindo, é isso?
-Claro que sim, você entrou na MINHA aula, isso não é perseguição?
-Eu acho que você se confundiu... Eu não fui pra entrar na SUA aula... eu fui pra assistir a aula com meu amigo, se você estava lá, isso é problema seu... E eu estou te perseguindo? Eu estava caminhando tranquilamente até você aparecer, tem certeza que sou que estou perseguindo? – e sem esperar resposta, continuou - Se você realmente acredita que eu fui à aula de Estudo da Feitiçaria por sua causa, sinto desapontá-lo, mas o mundo não gira ao seu redor não... Agora com licença, eu preciso ir...
-Ei! Não ouse me dar as costas! Estou falando com você, preste atenção!
-Ou o quê? Vai me mandar pra enfermaria como alguns dos seus amiguinhos fariam?
O garoto moveu os lábios para responder, mas fechou-os novamente e continuou encarando-a. Com isso, Aline voltou a lhe dar as costas e recomeçou a andar.
"Merda! Não bastam as coisas que tenho a fazer, a Wolfgang ainda me arranja essa garota agora!".
N/A:
Em primeiro lugar: parabéns mestre!!!
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Agradeço a todos que leram o primeiro capítulo, e que acabaram de ler este agora, também aos que leram, deixaram reviews e recomendaram. Muitíssimo Obrigada!!!
Espero que estejam gostando da história, prometo que nos próximos caps vai ficar mais interessante... Talvez esse segundo cap pareça ter fugido da idéia, mas já adianto que ele é só uma porta pra o que está por vir. E ta, eu sei que provocar alguém não parece um plano muito inteligente, mas do jeito que eu sou orgulhosa, acho que faria isso mesmo XD.
Respondendo as Reviews:
Snake: P
É o melhor jeito que tem pra eu te homenagear, já que você mora em outro estado, né? Fico muito muito feliz que você esteja gostando!!! Viu só? Escrevi mais que um parágrafo, não precisa chorar não, hehehe.
Lika Darkmoon: Que bom que você está gostando, espero que esse capítulo não te decepcione, meu jeito de escrever mudou um pouco do primeiro cap pra esse, espero que continue acompanhando!!
Nikinha: Desculpe pela demora!!! Eu sei como é ficar ansiosa e o filho da mãe do autor parar de escrever
Vou tentar ser mais rápida no próximo, ok?
Bruno: Ahh, o Snake sempre tem aquele arzinho de 'eu sei que sou o melhor', hehehehe, mas isso não funciona muito bem com a garota (que tão estressadinha quanto eu). Bom, vamos ver no que vai dar...
Beijos a todos!
