Kent, Inglaterra.
Outubro de 1817.
Isabella Marie Swan estava pensando em suas coisas quando Edward Anthony Masen, conde de Billington, caiu, literalmente, em sua vida.
Ela ia caminhando, assobiando uma alegre melodia e tentando calcular mentalmente os benefícios anuais de East & West Sugar Company (da qual tinha algumas ações) quando, para sua maior surpresa, um homem caiu do céu e aterrissou a seus pés ou, para ser mais preciso, em cima de seus pés. Quando prestou um pouco mais de atenção, descobriu que não tinha caído do céu, mas sim de um enorme carvalho. Bella, cuja vida tinha sido bastante monótona durante o último ano, quase tinha preferido que tivesse caído do céu. Teria sido muito mais emocionante que o fato de que tivesse caído de uma árvore.
Tirou o pé esquerdo de debaixo do ombro do cavalheiro, arregaçou o vestido por cima dos tornozelos para não manchar a saia e se agachou.
-Senhor? - Perguntou. - Encontra-se bem?
Ele só grunhiu:
-Au.
-Minha mãe... - Murmurou ela. - Não quebrou nenhum osso, não é?
Ele não respondeu, só esvaziou todo o ar dos pulmões. Bella retrocedeu quando sentiu seu hálito.
-Por todos os Santos, - disse entre dentes. - Cheira como se tivesse bebido uma destilaria inteira.
-Uísque, - ele respondeu, arrastando as letras. - Um cavalheiro bebe uísque.
-Sim, mas nem tanto, - disse ela. - Só um bêbado bebe mais do que deseja.
Ele se levantou, com muita dificuldade, e meneou a cabeça para limpar-se.
-Exato - respondeu ele, agitando a mão no ar, embora logo fez uma careta quando comprovou que enjoava com o movimento. - Temo que estou um pouco bêbado.
Bella decidiu não fazer mais comentários sobre o assunto.
-Está seguro de que não está ferido?
Ele coçou o cabelo cor de bronze e piscou.
-Dói muito a cabeça.
-Suspeito que não seja só pela queda.
Ele tentou levantar-se, cambaleou e tornou a sentar-se.
-É - respondeu ela com um sorriso irônico. - Por isso sou uma solteirona. Mas não posso lhe curar as feridas se não souber onde estão.
-É muito eficaz - murmurou ele. - E como está tão certa de que estou feri... ferido?
Bella elevou o olhar para a árvore. O galho mais próximo que teria suportado seu peso estava a uns cinco metros.
-Se tiver caído de lá de cima, não pôde sair ileso. - Ele tornou a agitar a mão no ar para ignorar suas palavras e tentou levantar-se outra vez.
-Ah bom, os Masen são duros de cortar. Seria necessário mais que uma... Santo Deus! - gritou.
Bella fez um esforço para não soar petulante quando disse:
-Uma dor? Um puxão? Uma torção, possivelmente? - Ele entrecerrou os olhos verdes enquanto se apoiava no tronco da árvore.
-É uma mulher dura e cruel, senhorita seja lá qual nome, por desfrutar tanto de minha agonia.
Bella tossiu para camuflar uma gargalhada.
-Senhor Anônimo, devo protestar e assinalar que tentei lhe ajudar a curar as feridas, mas você insistiu que não estava ferido.
Ele franziu o cenho como um menino pequeno e sentou. - É lorde Anônimo, - murmurou.
-Está bem, milord - disse ela, pensando que Oxalá não o tivesse irritado muito. Um lorde tinha muito mais poder que a filha de um vigário e, se quisesse, poderia tornar sua vida impossível. Bella abandonou qualquer esperança de não manchar o vestido e sentou no chão. - Que tornozelo dói, milord?
Ele assinalou o direito e fez uma careta quando ela o segurou com as mãos. Depois de uns instantes de observação, ela o olhou e, com sua voz mais educada, disse:
-Vou ter que lhe tirar a bota, milord. Tenho sua permissão?
-Eu gostava mais quando tirava fogo pela boca - disse ele entre dentes.
Bella também gostava mais assim. Sorriu.
-Tem uma navalha?
Ele riu.
-Se acredita que vou lhe dar uma arma...
-Muito bem. Então, suponho que terei que estirar - inclinou a cabeça e fingiu analisar a situação. - Pode ser que doa um pouco quando ficar presa no tornozelo terrivelmente inchado, mas como você mesmo disse, vem de boa casta e um homem deveria poder suportar um pouco de dor.
-De que diabos está falando?
Bella começou a tirar a bota, embora não puxou muito forte, porque nunca poderia ser tão cruel. Enquanto puxava o suficiente para demonstrar que a bota não sairia de forma normal, conteve a respiração.
Ele gritou e Bella desejou que Oxalá não tivesse tentado lhe dar uma lição, porque acabou com o rosto cheio de seu fôlego fedendo a uísque.
-Quanto bebeu? - Perguntou enquanto tentava respirar.
-Não o suficiente - ele grunhiu. - Ainda não inventaram uma bebida forte o suficiente para...
-Venha já, - interrompeu Bella. - Não sou tão má.
Para sua surpresa, ele riu.
-Querida - disse, em um tom que deixou claro que se dedicava a ser um Don Juan, - você é o menor dos males que me aconteceu nos últimos meses.
Bella sentiu um estranho comichão na nuca diante daquela tosca adulação. Agradeceu que o chapéu lhe cobrisse o rosto ruborizado e se centrou no tornozelo.
-Mudou de ideia a respeito da navalha?
A resposta foi lhe entregar a navalha sem pigarrear.
-Sempre soube que havia um motivo para levar uma, embora nunca o tenha descoberto até hoje.
A navalha estava um pouco cega e, após algumas tentativas, Bella teve que apertar os dentes pelo esforço que era cortar a bota. Levantou o olhar um segundo.
-Se o machucar...
-Au!
-Me diga - terminou de dizer. - Sinto muito.
-É surpreendente - ele comentou com a voz carregada de ironia - o pouco arrependimento que percebo na sua voz.
Ela conteve outra gargalhada na garganta.
-Pelo amor de Deus - disse ele entre dentes, - ria. Até o Senhor sabe que minha vida é uma piada.
Bella, cuja vida também tinha caído na melancolia desde que seu pai viúvo tinha anunciado sua intenção de casar-se com a maior intrometida de Bellfield, sentiu-se identificada com ele. Não sabia o que podia ter levado esse bonito e rico lorde a sair e embebedar-se daquela maneira, mas, fosse o que fosse, dava pena.
Deixou de cortar a bota um segundo, olhou-o com os olhos cor de chocolate e disse:
-Meu nome é Isabella Marie Swan.
Ele suavizou o olhar.
-Muito obrigado por compartilhar esse dado tão importante comigo, senhorita Swan. Não estou acostumado a permitir que mulheres estranhas me cortem a bota.
-Tampouco eu com homens caindo de árvores. Homens estranhos - acrescentou com ênfase.
-Ah, sim, deveria me apresentar, - inclinou a cabeça de forma que Bella recordou que estava bastante ébrio. - Edward Anthony Masen, para servi-la, senhorita Swan. Conde de Billington - acrescentou, - ao seu serviço.
Bella o olhou sem piscar. Billington? Era um dos solteiros mais desejados do país. Tanto que até ela tinha ouvido falar dele, e Bella não aparecia na lista de garotas casadouras de ninguém. Dizia-se que era um Don Juan contumaz. Tinha ouvido falar dele nas reuniões do povoado, embora, como garota solteira, não tinha acesso a essas fofocas.
Pensava que sua reputação teria que ser muito escura se fazia coisas que não se podiam nem comentar diante dela.
Também tinha ouvido que era incrivelmente rico, inclusive mais que o recém marido de sua irmã Angela, o conde de Macclesfield.
Bella não podia dar fé disso, posto que não tivesse visto seus livros de contabilidade e nunca se dedicou a especular sobre assuntos financeiros sem provas. Entretanto, sabia que a mansão dos Billington era enorme e antiga.
E estava a uns vinte quilômetros.
-O que faz em Bellfield? - perguntou.
-Visitando os lugares prediletos da minha infância.
Bella moveu a cabeça para as copas que tinham em cima.
-Sua árvore preferida?
-Estava acostumado a subir aí com Macclesfield.
Bella terminou de cortar a bota e soltou a navalha.
-Com Ben? Perguntou.
Edward olhou-a desconfiado e um tanto protetor.
-Conhece-o pelo nome de batismo? Faz pouco tempo que se casou.
-Sim. Com minha irmã.
-Vá, o mundo é um lenço - murmurou ele. - É um prazer conhecê-la.
-Possivelmente não pensava o mesmo dentro de uns segundos atrás - respondeu ela. Com suavidade, tirou-lhe o pé inchado da bota.
Edward olhou a bota destroçada com expressão de pena.
-Imagino que o tornozelo é mais importante - disse, pensativo, embora não soou como se o dissesse a sério.
Bella estudou o tornozelo com mãos peritas.
-Parece-me que não quebrou nenhum osso, mas fez uma boa entorse.
-Parece uma perita nestas coisas.
-Resgato todo tipo de animais feridos - respondeu ela com as sobrancelhas arqueadas. - Cães, gatos, pássaros...
-Homens - terminou ele.
-Não, - respondeu ela com descaramento. - Você é o primeiro. Embora imagino que não deve ser tão distinto a um cão.
-Se vêem as suas presas, senhorita Swan.
-Seriamente? - Perguntou ela ao mesmo tempo em que levava as mãos ao rosto. - Terei que me lembrar de tirar isso.
Edward se pôs a rir.
-Senhorita Swan, você é um tesouro.
-É o que eu sempre digo a todo mundo - respondeu ela encolhendo de ombros e com um sorriso irônico, - mas parece que ninguém acredita. Bom, temo que vai ter que usar bengala por alguns dias. Certamente, uma semana. Tem alguma?
-Aqui?
-Não, refiro-me em sua casa, mas... - Deixou as palavras no ar enquanto olhava ao seu redor. Viu um pau comprido a uns metros e se levantou.
-Isto lhe servirá - disse, quando o recolheu e o ofereceu. - Necessita ajuda para ficar de pé?
Ele desenhou um selvagem sorriso quando se aproximou dela.
-Qualquer desculpa para estar em seus braços, querida senhorita Swan.
Bella sabia que deveria ter se ofendido, mas o conde estava se esforçando muito em ser encantador e, embora custasse reconhecer, estava conseguindo. E facilmente.
Bella supôs que por isso era um Don Juan com tanto êxito. Colocou-se atrás dele e o segurou por debaixo dos braços.
-Advirto-lhe que não sou muito delicada.
-Por que não me surpreende?
-No três. Está preparado?
-Creio que isso depende de...
-Um, dois... três! - Com um grunhido e um puxão, Bella levantou o conde. Não foi nada fácil. Pesava vinte e cinco quilogramas mais que ela e, ainda por cima, estava ébrio. Os joelhos do conde falharam e ela esteve a ponto de amaldiçoar em voz alta quando teve que segurá-lo com suas pernas. Então o conde começou a cambalear para o outro lado, e Bella teve que se colocar diante dele para evitar que caísse.
-Este é um grande momento - murmurou ele quando teve seu peito junto ao dela.
-Lorde Billington, devo insistir que utilize a bengala.
-Contra você? - Parecia intrigado por aquela petição.
-Para andar! - Exclamou ela.
Ele fez uma careta diante do ruído agudo e meneou a cabeça. - É algo muito estranho - murmurou, - mas sinto a urgente necessidade de beijá-la.
Pela primeira vez, Bella não soube o que dizer. Ele mordeu o lábio inferior de forma pensativa.
-Acho que devo fazê-lo.
Aquilo bastou para fazê-la reagir; saltou para o lado e o conde caiu no chão outra vez.
-Pelo amor de Deus, mulher! - gritou ele. - Por que fez isso?
-Ia me beijar.
Ele esfregou a cabeça, onde tinha golpeado o tronco de uma árvore.
-Tão terrível era a ideia?
Bella piscou.
-Exatamente terrível, não.
-Por favor, não diga que era repulsiva - resmungou. - Não poderia suportá-lo.
Ela exalou e lhe ofereceu uma conciliadora mão.
-Sinto muito por tê-lo soltado, milord.
-Uma vez mais, seu rosto é a viva imagem do arrependimento.
Bella conteve o impulso de golpear o chão com os pés.
-Desta vez dizia de verdade. Aceita minhas desculpas?
Ele arqueou as sobrancelhas e disse:
-Parece que, se não o fizer, vai me fazer bater.
-OH, vamos - disse ela entre dentes. - Tento me desculpar.
-E eu tento aceitar suas desculpas.
Levantou o braço e aceitou a mão enluvada. Ela o ajudou a levantar-se e, quando o conde se estabilizou com a ajuda do pau, Bella se separou dele.
-O acompanharei a Bellfield - disse ela. - Não está muito longe. Poderá chegar a sua casa de lá?
-Deixei a carruagem no Bee and Thistle - respondeu ele.
Ela esclareceu a garganta.
-Agradeceria que se comportasse com amabilidade e discrição. Posso ser solteira, mas devo proteger minha reputação.
Ele a olhou de esguelha.
-Temo que há quem me considera um canalha.
-Sei.
-Sua reputação ficou danificada assim que caí em cima de você.
-Por todos os Santos, você caiu de uma árvore!
-Sim, claro, mas você me tocou o tornozelo com as mãos.
-Foi pelo mais nobre dos motivos.
-Francamente, pareceu-me que beijá-la também parecia bastante nobre, mas você não pensava o mesmo.
Ela apertou os lábios.
-Refiro-me exatamente a esse tipo de comentários frívolos. Sei que não deveria, mas me preocupa o que as pessoas pensem de mim, e tenho que viver aqui o resto de minha vida.
-Seriamente? - perguntou ele. - Que pena.
-Não é gracioso.
-Não pretendia sê-lo.
Ela suspirou com impaciência.
-Tente comportar-se quando chegarmos a Bellfield. Por favor...
Ele se apoiou no pau e realizou uma educada reverência.
-Tento não decepcionar nunca uma dama.
-Quer ficar quieto! - exclamou ela enquanto o agarrava pelo cotovelo e o levantava. - Voltará a cair.
-Vá, senhorita Swan, acredito que está começando a preocupar-se comigo.
Sua resposta foi um grunhido pouco feminino. Com os punhos fechados, começou a caminhar para o povoado. Edward a seguiu coxeando e sem deixar de sorrir. Entretanto, ela caminhava muito mais depressa que ele e a distância entre eles aumentou até que se viu obrigado a gritar seu nome.
Bella se virou.
Edward lhe ofereceu o que esperava que fosse um atraente sorriso.
-Temo que não posso manter seu ritmo - alargou as mãos a modo de súplica e perdeu o equilíbrio.
Bella correu para seu lado para ajudá-lo a levantar-se.
-É um desastre ambulante - disse ela enquanto o segurava por um cotovelo.
-Um desastre capengante - corrigiu ele. - E não posso... - Levou a mão livre à boca para sufocar um ébrio arroto. - Não posso mancar depressa.
Ela suspirou.
-Venha. Pode apoiar-se em meu ombro. Juntos, devemos ser capazes de chegar ao povoado.
Edward sorriu e a rodeou com o braço. Era miúda, mas tenaz, de modo que decidiu sondar as águas e apoiar-se um pouco mais nela.
Bella se esticou e soltou outro sonoro suspiro.
Dirigiram-se devagar para o povoado. Edward se apoiava cada vez mais nela, mas não sabia se sua incompetência se devia à entorse ou à embriaguez. Notava-a cálida, forte e suave a seu lado, tudo de uma vez, e não se importava muito como tinha terminado naquela situação; estava decidido a desfrutá-la enquanto durasse. Cada passo pressionava mais o seio de Bella contra suas costelas e descobriu que era uma sensação da mais agradável.
-Faz um dia precioso, não lhe parece? - Perguntou ele quando se disse que possivelmente teria que conversar.
-Sim - concordou Bella, que caminhava a tropicões sob o peso do conde. - Mas está ficando tarde. Seria possível que fosse um pouco mais depressa?
Edward agitou a mão em um gesto exagerado e disse:
-Nem sequer eu sou tão canalha de fingir uma claudicação só para desfrutar dos cuidados de uma bela dama.
-Quer deixar de mover o braço! Vamos perder o equilíbrio.
Edward não sabia por que, possivelmente só era porque ainda estava ébrio, mas gostava de como falava deles em primeira pessoa do plural. Havia algo nessa senhorita Swan que o fazia alegrar-se de tê-la ao lado.
E não porque acreditava que pudesse ser uma inimizade temível, mas sim porque parecia leal sensata e justa. E tinha um senso de humor muito retorcido. O tipo de pessoa que um homem iria querer a seu lado quando necessitava apoio.
Virou o rosto para ela.
-Cheira bem - disse.
-O quê? - Gritou ela.
E, mais, importuná-la era muito divertido. Havia combinado de acrescentá-lo à lista de qualidades? Sempre era bom se rodear de pessoas da quais pode rir. Adquiriu uma expressão inocente.
-Você. Que cheira bem - repetiu.
-Um cavalheiro não diz essas coisas a uma dama - respondeu ela com melindre.
-Estou bêbado - respondeu ele enquanto se encolhia os ombros sem arrependimento. - Não sei o que digo.
Ela entrecerrou os olhos cheios de suspeita.
-Tenho a sensação de que sabe exatamente o que diz.
-Senhorita Swan, está me acusando de tentar seduzi-la?
Parecia-lhe impossível, mas ela se ruborizou ainda um pouco mais. Edward se disse que Oxalá se pudesse ver a cor de seu cabelo, que estava escondido debaixo daquele horrível chapéu. Tinha as sobrancelhas castanhas, e destacavam ainda mais com o rosto rubro.
-Deixe de deturpar minhas palavras.
-Mas se você mesma as deturpa de maravilha, senhorita Swan -quando ela não respondeu, Edward acrescentou: - Era um elogio.
Ela acelerou o passo e o arrastou pelo caminho de terra.
-Desconcerta-me, milord.
Edward sorriu enquanto pensava quão estupendo era desconcertar à senhorita Isabella Marie Swan. Ficou calado uns minutos e, logo, quando entraram uma curva, perguntou:
-Estamos perto?
-Creio que devemos estar na metade. - Bella olhou para o horizonte e viu como o sol ia caindo.
-Está ficando tarde. Papai me cortará a cabeça.
-Juro sobre a tumba de meu pai... - Edward tentava parecer sério, mas veio um soluço.
Bella se virou para ele tão depressa que golpeou o nariz em seu ombro.
-De que fala, milord?
-Tentava... hic... Jurar-lhe que não... hic... trato de retê-la de forma deliberada.
Ela arqueou a comissura dos lábios.
-Não sei por que acredito - disse, - mas o faço.
-Possivelmente porque meu tornozelo parece uma pêra passada - riu ele.
-Não - respondeu ela muito pensativa. - Acho que é muito melhor pessoa do que quer que outros pensem.
Ele se burlou dizendo:
-Estou muito longe de ser... hic... boa pessoa.
-Seguro que, em Natais, dobra o salário de seus empregados.
Para maior irritação de Edward, ruborizou-se.
-Viu! - Exclamou ela, triunfante. - O faz!
-Fomenta a lealdade - murmurou ele.
-Lhes dá dinheiro para que possam comprar algum presente para a família - acrescentou ela com suavidade. Ele grunhiu e se virou.
-Um entardecer muito bonito, não acha, senhorita Swan?
-A mudança de assunto foi um pouco brusca - respondeu ela com um sorriso cúmplice. - Mas sim, é muito bonito.
-É incrível a quantidade de cores que aparecem durante o entardecer - continuou ele. - Há tons laranjas, rosas e pêssegos. Ah... E um toque de cor açafrão lá - assinalou para o sudoeste. - E o mais surpreendente é que amanhã será totalmente distinto.
-É artista? - Perguntou Bella.
-Não - respondeu ele. - Eu gosto do entardecer.
-Bellfield está atrás daquela curva - disse ela.
-Já?
-Parece decepcionado.
-Creio que não quero ir para casa - respondeu ele.
Suspirou e pensou no que lhe esperava lá. Um montão de pedras que formavam Masen Abbey. Um montão de pedras cuja manutenção custava uma fortuna. Uma fortuna que lhe escaparia entre os dedos em menos de um mês graças ao intrometido de seu pai.
Qualquer um diria que a rigidez de Carlisle Masen para administrar o dinheiro desapareceria com sua morte, mas não; tinha encontrado uma forma de seguir asfixiando seu filho da tumba.
Edward amaldiçoou em voz baixa enquanto pensava na idoneidade da imagem. Realmente tinha a sensação de que o estavam asfixiando.
Dentro de exatamente quinze dias cumpriria os trinta anos. Dentro de exatamente quinze dias, toda sua herança desapareceria. A menos que...
A senhorita Swan tossiu e tirou uma bolinha de pó do olho. Edward a observou com um interesse renovado.
Ao menos que... Pensou muito devagar porque não queria que seu cérebro, ainda um pouco aturdido, passasse por cima de nenhum detalhe importante. Ao menos que, em algum momento desses quinze dias, conseguisse casar-se.
A senhorita Swan o levou para a rua principal de Bellfield e assinalou para o sul.
-O Bee and Thistle fica justo ali. Não vejo seu coche. Deixou-o na parte de atrás?
Edward pensou que tinha uma voz bonita. Tinha uma voz bonita, um cérebro bonito, um engenho bonito e, embora ainda não sabia de que cor era o cabelo, tinha as sobrancelhas muito bonitas. E a sensação de estar junto a ela era maravilhosa.
Pigarreou.
-Senhorita Swan...
-Não me diga que deixou o coche em outro lugar.
-Senhorita Swan, tenho que lhe dizer uma coisa muito importante.
-O tornozelo piorou? Sabia que apoiar o peso sobre ele era uma má ideia, mas não sabia de que outra forma trazê-lo para o povoado. Um pouco de gelo haveria...
-Senhorita Swan! - Exclamou Edward.
Conseguiu que fechasse a boca.
-Acredita que poderia aceitar...? - Tossiu e, de repente, desejou estar mais sóbrio porque tinha a sensação de que, quando não estava bêbado, tinha um vocabulário mais amplo.
-Lorde Billington? - Perguntou ela com preocupação.
No final, Edward acabou soltando-a de repente.
-Acredita que poderia aceitar casar-se comigo?
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E aí, o que acharam? Espero que a fic seja do gosto de vocês;
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