CAPÍTULO 1
Não importava o quanto meus amigos dissessem que fazer faculdade de novo era perda de tempo. Nem o quanto eles dissessem que Literatura Francesa não iria acrescentar nada à minha vida. Tampouco me incomodava ouvi-los dizendo que esse curso era para maricas. Eu simplesmente adorava a idéia de estudar algo que sempre me fascinou.
Estava tão ansioso para meu primeiro dia de aula que acabei acordando cedo demais e cheguei à universidade quase uma hora antes do horário. Mas pelo visto eu não tinha sido o único. Já havia bastante gente por lá, novatos na sua maioria, que tinham escolhido chegar mais cedo para se situar no enorme campus. Minha sorte era que eu não precisaria disso.
Apesar de ser meu primeiro dia nesse curso, eu já tinha estudado ali. Me formei em Administração há apenas um semestre e tinha sido criticado por muitos por não me dar um tempo para descansar. Mas aquele ali era o meu descanso. Literatura seria meu hobby. Apenas algo para mim, sem comprometimento profissional.
Conhecia aquele campus com a palma da minha mão, e muitos alunos também. Por isso sabia que a maioria dos que estavam ali eram calouros. E mesmo se não fosse calo velho naquela universidade, só seus rostos nervosos teriam denunciado que eles estavam perdidos ali.
Entre os novatos, houve uma em particular que me chamou bastante atenção. Não pelo nervosismo no semblante. Ela, apesar de ser nova ali, não parecia perdida nem apavorada. Trazia uma montanha de livros nos braços e andava apressada pelo estacionamento, sem olhar ao redor. Fiquei admirado por ver que alguém conseguia se equilibrar naqueles saltos finos e ainda carregar tanto peso. Até pensei em ajudar, mas ao vê-la de costas, seu quadril rebolando sensualmente, achei melhor apreciar a vista.
Percorri todo seu corpo, desde seus cabelos castanhos ondulados, passando pela curva da sua cintura fina, me detendo um pouco mais na sua bunda que eu tinha certeza que era durinha. Ela usava uma blusa básica branca, calças jeans coladas e sandálias de salto fino. Simples, mas extremamente sensual. Deveria ser uma perdição na cama.
Continuei observando-a até que ela entrou o prédio. Fiquei mais um tempo ali no estacionamento, que aos poucos foi enchendo e depois fui até a listagem das turmas para saber onde era a minha sala. Sabia que o setor de literatura ficava no prédio mais afastado do campus, por precisar de mais silêncio, mas só agora eu vi que minha sala seria no último andar do tal prédio. Mais distante impossível. Olhei para o relógio e percebi que, mesmo ainda faltando dez minutos para a aula começar, eu acabaria chegando atrasado se não me apressasse.
Quando entrei na sala, o professor tinha acabado de chegar, e me safei de levar uma bronca. Tive aula com ele no começo do meu outro curso. Que sorte a minha. Aula do professor carrasco logo na segunda feira tão cedo.
Conferi meu horário para verificar que matéria o Sr. Wyatt estaria ensinando e me surpreendi ao ver que seria a mesma que eu já tinha estudado: Metodologia da Pesquisa. Droga. Não tinha me matriculado nessa disciplina e agora precisava arrumar um jeito de sair dali.
Aproveitei que ele estava de costas para a turma, escrevendo seu nome no quadro, e me levantei, andando apressado para a porta. Mas o velho babão parecia ter olho nas costas porque falou comigo sem se virar, anotando agora o nome da disciplina.
- Onde pensa que vai Sr. Cullen?
Merda.
- Desculpe, professor Wyatt, mas eu entrei na sala errada. Ou melhor, eu não faço essa disciplina.
- Agora faz – ele falou, virando para me olhar pela primeira vez. – Ninguém sai da sala no meio da minha aula. Acho que o senhor lembra bem disso.
- Lembro sim, mas eu já paguei essa matéria no outro curso. Não preciso dela novamente.
- Levando em consideração que você quase reprovou da outra vez, acho que seria aconselhável fazer tudo de novo. Quem sabe agora melhore seu desempenho.
Alguém mais precisa de motivos para saber por que eu o odiava?
- Aprendi o que tinha que aprender – falei rispidamente. Sabia que estava sendo mal educado com ele, mas não me importava. Ele estava me fazendo passar vergonha na frente dos meus futuros colegas de sala e ia ter troco – Além do mais, o senhor não começou a aula ainda e se conselho fosse bom, não se dava, vendia. Sinto muito, mas não tenho saco para agüentar outro semestre de aulas suas. Passar bem, Sr. Wyatt.
Saí da sala bufando, mas orgulhoso por deixá-lo vermelho na frente de toda a turma. Não sei se por vergonha ou raiva. Tanto faz.
Desci os cinco andares quase correndo, querendo aumentar a distância daquele ser insuportável, e cheguei ao corredor principal do térreo rápido demais. Quase esbarrei numa pessoa quando saí do prédio, querendo chegar rápido do lado de fora e respirar ar puro.
O problema, ou melhor, a parte boa foi que eu não era qualquer pessoa. Quase tinha esbarrado na garota da regata branca.
- Desculpe – ela pediu e entrou no prédio, ainda com a pilha de livros e, mais uma vez, eu fiquei observando-a se afastar, acompanhando o movimento sensual do seu quadril.
Espera um instante. Ela era novata e estava entrando no prédio de Literatura. A probabilidade de ela ser da minha turma era muito grande e eu quase fiz meu caminho de volta para a sala. Quase. Infelizmente minha saída tempestuosa não me permitiria voltar lá. Mas não tinha importância. Se ela fosse da minha turma, eu teria muitas oportunidades de vê-la novamente.
Fiquei sentado em um dos bancos apenas apreciando a paisagem do campus que sempre me fascinara. E ali a paz era tão grande que eu quase dormi.
Voltei para a sala no segundo horário, após me certificar que o dito cujo não estava mais lá, e sentei em uma das cadeiras do fundão.
Assim que ocupei meu lugar, uma garota que sentava à minha frente, se voltou para mim.
- Oi. – Se seu sorriso fosse maior, rasgaria seu rosto magro.
- Olá.
- Meu nome é Jéssica Stanley.
- Edward Cullen – me apresentei apertando brevemente sua mão estendida.
- Foi muito corajoso falar daquele jeito com o professor.
- Foi?
- Claro. Eu tenho uma amiga que já estudou com ele e ela me disse que não deveria jamais enfrentar o Sr. Wyatt, até porque ele poderia tornar a minha vida um inferno e eu não ia querer isso para mim. Sabe, eu gosto muito de ler e... – Minha nossa, que garota para falar.
Parei de ouvir nas três primeiras palavras e olhei ao redor procurando outro lugar para sentar. De forma alguma iria aturar essa garota por todo o semestre. Havia uma única cadeira disponível na primeira fila e já ia levantar quando a porta da sala abriu. E ali estava ela. A aluna novata, agora sem os livros, carregando apenas uma pasta preta e um único livro que parecia ser um dicionário de tão grosso.
Mas ela não se direcionou à única cadeira vaga. Ao invés disso, andou determinada até a mesa dos professores e colocou ali seu material. Não seria possível, seria? Ela era... Nova demais. Minha professora? Meu Deus. Isso seria minha perdição.
Mas sim, ela era. Isabella Swan, conforme ela escreveu no quadro com letra caprichosa, ensinaria Francês para uma turma que se dividia entre inveja e adoração. Claro que eu fazia parte dos que a adoravam. E Jéssica se roía de inveja na minha frente. Isso porque toda a tribo masculina da sala só tinha olhos para a nossa nova professorinha, sexy demais para o seu próprio bem.
Me mantive atento a todos os seus movimentos e em dado momento, quando ela mexeu nos cabelos, eu vi o pedaço de uma tatuagem nas suas costas, perto do ombro direito, mas não consegui identificar o que era.
Na saída da aula eu deixei que todos saíssem, fingindo que procurava alguma coisa dentro do caderno. Quando estávamos sozinhos eu levantei e me aproximei da sua mesa, onde ela terminava de juntar seu material, e ergueu o rosto quando parei ao seu lado.
- Ah... Olá. Edward, certo?
- Sim.
- Não vai perder o horário do almoço ficando aqui? – ela perguntou, voltando a atenção para a tela do notebook.
- Só queria ver uma coisa – falei já afastando seus cabelos do ombro e puxando um pouco a alça da sua regata para o lado, expondo a alça do sutiã branco e a tatuagem azul de uma borboleta.
A tatuagem tinha um brilho diferente que me deixou com vontade de tocá-la e foi o que fiz. Mesmo sabendo que não tinha intimidade alguma com minha professora, não resisti e passei o polegar por cima da imagem, sentindo os pêlos do local arrepiando.
- O q-que você está fazendo?
- Fiquei curioso – respondi simplesmente, ainda tocando sua pele macia – É muito bonita.
- Obrigada.
- Bella? – a voz vinha da porta e nós dois olhamos para lá.
- Jake!
Jake? Mas quem diabos era esse cara? E porque ele a chamara de Bella como se tivesse tanta intimidade?
- Está tudo bem aqui? – ele perguntou, entrando e me encarando com o olhar furioso.
- Sim. Esse é Edward, meu aluno. Ele já está de saída.
Eu não estava não. Minha mão permanecia no seu ombro e, ao ver que o homem olhava naquela direção, ela se afastou discretamente, interrompendo o contado.
- Sou Jacob Black, o namorado dela – ele se apresentou, estendendo uma mão para mim.
Não queria cumprimentá-lo, mas consegui ser educado com um pouco de esforço. Não tinha gostado nem um pouco da forma como ele tinha falado, como se Isabella fosse posse dele. E tudo bem que ele era bem maior que eu, mas tinha certeza que conseguiria enfrentá-lo se quisesse.
Mas eu não queria. Era meu primeiro dia de aula e uma briga com um professor já tinha sido suficiente por hoje. E se ela tinha namorado... Bem, eu não costumava roubar namoradas de ninguém. Não de propósito.
Me despedi educadamente dos dois e saí da sala, mas não sem antes ouvi-lo sussurrando:
- Eu já disse que não gosto quando você sai com essas roupas. Ainda mais para vir dar aula. O que vão pensar de você?
- Isso é só da minha conta, Jake – ela respondeu, um pouco alto demais e eu me afastei sorrindo.
Coitado do Jake. Não era bom o suficiente para se garantir ao lado de uma mulher como ela. Precisava ficar tentando controlá-la para marcar território. Como se isso adiantasse.
