Um silêncio sepulcral tomou conta de todos os presentes. Molly correu e abraçou Hermione enquanto soluçava, contudo a castanha não respondeu ao gesto, seus braços ainda estavam colados ao corpo enquanto a corpulenta Weasley a apertava contra si.

-Não preciso de pena. -a voz fria e ligeiramente rouca quebrou o pesado silêncio e Molly se afastou preocupada. –Não vim aqui contar sobre Tom Riddle e sua doentia obsessão... Só quero que vocês não cometam os mesmos erros. - a mulher se afastou ligeiramente da Srª Weasley e encarou Sirius. –Não vá para o Ministério da Magia, Voldemort irá plantar uma recordação falsa e Harry irá até o departamento dos mistérios esperando te resgatar. -resumiu brevemente, depois se virou para Alvo. -O senhor, é melhor contar toda a verdade sobre a profecia para Harry, ele tem o direito de saber. Além disso, ele acabará descobrindo sozinho.

Hermione olhou para o relógio e puxou a corrente dourada que descansava no seu pescoço, uma pequena ampulheta simulava um pingente.

-Um giratempo?-Remo observou atento o artefato mágico.

-Quase. Fiz umas pequenas modificações para poder viajar anos, ao invés de simples horas. -murmurou pensativa enquanto girava a ampulheta levemente. -Mais uma observação... Eu não sei quais as conseqüências da minha vinda até este tempo, o que pode refletir na atual Hermione... Talvez ela tenha visões, ou... Bom, não tenho a menor ideia. -concluiu pesadamente. –Entreguem essa carta a ela quando seus pais morrerem. -pediu entregando um envelope para Molly. –Não vai demorar muito.

O comentário saiu sem nenhuma emoção e causou espanto nos presentes. A Hermione Granger que eles conheciam não seria tão fria ao comentar o falecimento dos pais.

-Bem... Acho que é um adeus. -a imagem da mulher começou a tremeluzir prestes a desaparecer quando Snape deu um passo adiante.

-Porque a minha presença era imprescindível?-recriminou friamente.

Um pequeno sorriso que não chegava aos olhos se interpôs no rosto feminino.

-Acho que afinal de contas sou um pouco egoísta Severo. - comentou antes de finalmente partir.

1-.

-Hermione?Mione?-Gina mordeu a superfície interna da boca angustiada. -Mi?

A ruiva se aproximou da cama da amiga e esperou que ela acordasse. A castanha bocejou e abriu os olhos pesadamente, a sua face estava pálida e os olhos mel líquido encontraram os cor de chocolate de Virgínea Weasley.

-Bom dia Gi. -cumprimentou a castanha sentando-se vagarosamente.

-Boa tarde. -consertou a menina divertida jogando o cabelo liso para o lado. -Estava ficando preocupada. Você perdeu o café e o almoço.

O comentário descuidado de Gina fez Hermione se levantar apressadamente.

-Porque você não me acordou?

Hermione lançou um olhar acusador à ruiva embora soubesse que a amiga não tinha culpa pelo seu surpreendente sono pesado.

-Mamãe disse para te deixar descansar.

Gina sorriu de relance para a amiga e voltou sua atenção para sua mala.

Hermione a observou divertida e já ia declarar sua ajuda quando sentiu uma pontada de dor na nuca. Uma breve escuridão cobriu seus olhos e em meio à densa névoa negra ouviu um grito estridente. Poucos segundos depois sua visão voltou.

-Você ouviu isso Gi?-indagou Hermione massageando a área posterior do pescoço.

-Hã?Do que precisamente você está falando?Dos garotos, né?Estão jogando xadrez lá embaixo... Como se ninguém soubesse que Rony irá vencer.

A castanha iria replicar sobre o grito, mas percebeu que Gina não ouvira nada, ela bufava exasperada a procura de alguma coisa no seu malão.

-Eu vou... Tomar banho. -anunciou à castanha recebendo um mero assentimento da ruiva.

2-.

O caldeirão fumegava quando a poção ficou finalmente pronta. Snape coletou uma generosa quantidade e a verteu num cálice aprovando a textura densa e escura e o cheiro adocicado. Estava perfeita como todas as porções preparadas pelas suas mãos.

O homem relanceou os olhos pela habitação suja e se deteve nas estantes cheias de poções etiquetadas. Estava cansado daquele local, dos calabouços úmidos e dos gritos no andar designado para as torturas, contudo era necessário para a Ordem o seu trabalho como espião, principalmente agora que era o único que podia ajudar Hermione Granger.

Snape pôs a taça no balcão à sua frente e bufou exausto pelos últimos acontecimentos. Sua ex-aluna estava reclusa como uma refém de Lord Voldemort, mas não era qualquer refém. O mestre de poções franziu a testa com raiva e nojo. Por algum motivo a insofrível grifinória despertou um lado de Tom Riddle que nunca existira, um lado mais animal e grotesco, um lado que transformava você-sabe-quem numa besta desumana preocupada apenas em saciar seus desejos e vontades.

Um sabor ácido subiu sua garganta ao relembrar a última vez que vira a sabe-tudo. Estava desfalecida entre as cobertas negras, o corpo cheio de hematomas coberto por uma fina camisola. Voldemort estava ao lado da jovem e acariciava os seus cabelos cobreados enquanto lhe dava ordens sobre um ataque a uma comunidade trouxa. Estremeceu quando relembrou os olhos de Hermione Granger. Olhos sem vida. Ela o encarara quando entrou no aposento de Voldemort, mas os olhos dourados, fixos em si, não pareciam o reconhecer.

PÁÀÀ!

Um pesado livro caiu da escrivaninha de Severo o fazendo acordar sobressaltado. O professor esfregou os olhos com irritação ao notar que dormira sobre seus pergaminhos e alongou os músculos dos braços preguiçosamente. De repente todos os desenlaces da noite anterior voltaram a sua mente e o sonho foi recordado com mais força. Sonhara com Hermione Granger. O homem resmungou para si mesmo e começou a acomodar suas anotações.

3-.

Poucos dias depois o trio de ouro voltou ao castelo. Hermione passava horas na biblioteca feliz com a possibilidade de aumentar suas qualificações e principalmente aliviada de poder evitar Molly Weasley. Os últimos dias em Grimmaud foram os mais estranhos para a menina. A Srª Weasley estava sempre a olhando aflita e preocupada e aquele olhar lhe alarmava já que era o mesmo que a bondosa senhora lançava a Harry. Hermione havia comentado seu desconforto para os amigos, mas eles apenas riram e Rony, inclusive, disse que ela estava ficando paranóica.

Talvez fosse realmente um exagero mais agora estava mais confortável sem os observadores olhos de Molly em si. A única coisa que continuava a lhe incomodar eram as irregulares dores de cabeça. Às vezes eram insuportáveis e recorrer às poções se mostrava ineficaz.

A garota voltou sua atenção para o pergaminho, era um relatório relativamente denso sobre a poção da verdade. Conseguir encher dois pergaminhos sobre ela havia sido um trabalho esgotador. Hermione sorriu animada ao terminá-lo e arrumou suas coisas para encontrar os amigos na sala comunal.

O percurso até seu Salão foi um dos mais tranqüilos, os corredores estavam desertos, porém o dever de casa a fez se lembrar do professor da dita matéria. Um estremecimento ligeiro cobriu seu corpo ao lembrar-se de Severo Snape. Ultimamente a presença do homem vinha lhe causando arrepios, e o pior é que não havia nenhum motivo para aquele tipo de reaçã sempre fora uma das defensoras do mestre de poções e achava uma injustiça o modo como ele era discriminado pela maioria dos membros da ordem por isso recriminava as atuais sensações do seu corpo em relação ao professor.

Se ao menos Snape fosse menos rígido com ela e, seus amigos, ou se talvez ele não tivesse aquela mirada gélida e negra ou se...

-Hermione?

Gina correu ao encontro da amiga, o cabelo vermelho sangue estava grudado na testa suada e os olhos castanhos brilhavam excitados, ao seu lado vinha Rony cabisbaixo. Ambos seguravam uma vassoura na mão.

-E então?Como foi o treino?-Hermione procurou identificar as feições do amigo ruivo.

-Ambos passamos!-Gina a abraçou alegre. -Você está falando com a nova artilheira da grifinória. -anunciou a caçula das Weasley estufando o peito com orgulho.

- Então porque essa cara azeda Rony?-soltou aliviada com a notícia.

-Não sou nem mesmo o goleiro oficial. -resmungou o rapaz enquanto entrava no Salão acompanhado pelas garotas. -Entrei na reserva.

Rony sentou pesadamente numa poltrona em frente à lareira.

-Mais você faz parte do time Rony, ano que vem o Ted Formier não vai mais está aqui e a vaga vai ser sua. - animou Gina lhe lançando um sorriso encorajador.

-Parte do time. -bufou o rapaz. -Vou treinar, porém não vou participar de nenhum jogo!

Hermione observou, entediada, o monólogo de Rony. Não entendia porque um simples jogo cheio de regras complicadas era tão importante para o mundo bruxo.

-E onde está Harry?

Hermione interrompeu o amigo ao se dirigir à Gina.

Um tom rosado cobriu o rosto sardento da Weasley quando ela respondeu:

-Foi ao escritório de Dumbledore. Logo apôs o treino McGonagall apareceu e o levou ao diretor.

Hermione assentiu pensativa olhando surpresa para o rosto rosado de Virgínea. Pensara que o namoro da ruiva com Dino Thomas tivesse servido para diminuir os sentimentos que a sua amiga nutria por Harry. Pelo jeito,no entanto,estivera enganada.

4-.

Quando Harry entrou no salão comunal tinha o rosto abatido e muito pálido. Hermione se levantou aflita pelo estado do amigo.

-Pelo amor de Deus, Harry!-Hermione abraçou o rapaz. -O que Dumbledore te disse pra te deixar nesse estado?

Os dois amigos se sentaram ao lado de Gina e Rony.

-Não foi nada muito importante.

Harry havia encostado a cabeça no sofá claramente melancólico e casmurro.

-Vamos Harry. -encorajou Rony em sussurros. -Você pode contar para nós. Sabemos que é algo sério e relacionado a você-sabe-quem.

-Não Rony. Eu não posso dizer nada a vocês.

Rony olhou Hermione em busca de ajuda, entretanto seus olhos perpassaram a irmã e sorriu em entendimento.

-Vai Gina. Dá o fora daqui para que Harry possa nos contar o que o diretor queria com ele.

Rony empurrou a irmã levemente em direção as escadas para o dormitório feminino, a obrigando a se afastar.

-Rony, você é um idiota- censurou Hermione ao notar o olhar magoado de Gina.

-Agora você pode falar Harry. -Rony ignorou o comentário da amiga. - A intrometida da minha irmã já não está aqui.

Harry abriu os olhos que até aquele momento estiveram fechados.

-Você não devia tê-la tratado assim Rony. -Harry se levantou frustrado e passou a mão pelo cabelo. -Eu não vou contar a vocês. Pelo menos não agora. -terminou a sentença com um pouco mais de suavidade.

-Mas nós somos seus amigos!

Rony também se levantou um pouco irritado pela negativa de Harry em lhe dar respostas.

-Sim. -assentiu o garoto que sobreviveu. -MAS ISSO NÃO QUER DIZER QUE TENHO QUE DAR SATISFAÇÃO DE TUDO O QUE FAÇO PARA VOCÊS!-Harry encarou o amigo por mais alguns segundos antes de subir ao seu dormitório.

A explosão de Harry chamou atenção de todos os grifinórios que se encontravam no salão e esses logo começaram a murmurar com a sua saída.

-O que deu nele?-sussurrou Rony para a amiga.

Hermione deu de ombros e mordeu o lábio inferior com preocupação. Tinha certeza que logo Harry iria compartir as informações da reunião com Dumbledore e ela tinha o pressentimento que tudo iria mudar quando isso acontecesse.

5-.

-Profe... -um gemido trêmulo impediu o fim da frase. -Por favor.

O tom de súplica serviu apenas para aumentar o sorriso de Severo Snape. Ele gostava quando a aluna estava assim, submissa. Gostava da idéia de ser o único capaz transformar o tom firme da garota em um trêmulo gaguejar.

-Sim... Srtª Granger?-inquiriu próximo a sua orelha, tão próximo que seu longo e reto nariz aristocrático tocava ligeiramente o lóbulo rosado.

Outro gemido sufocado foi emitido quando Snape se afastou para contemplá-la. Ao erguer o rosto da curva do seu pescoço, aumentara a pressão entre os seus quadris. O gemido arrancou mais um sorriso do professor de poções.

-O quê?-Snape se moveu lentamente provocando uma leve e torturante ficção. -Ora, você costuma ser mais articulada senhorita.

As mãos de Hermione lutaram contra as cordas que pressionavam seu pulso.

Um leve franzido cobriu a testa do homem ao notar a tentativa da grifinória em se livrar das cordas.

-Será que eu vou ter de apertar ainda mais o seu pulso senhorita? –Snape sorriu quando um imediato não frustrado saiu da boca rosada. -Muito bem... Agora onde paramos?

Hermione mordeu o lábio quando sentiu a mão gelada de Snape percorrer lentamente o inexistente espaço entre seus dois corpos até chegarem à sua vulva, ela se contorceu e levantou o quadril recebendo um resmungo do mestre de poções.

-Senhorita Granger. -advertiu Snape trêmulo.

Hermione sorriu ao sentir os músculos de Snape se tensarem, mas logo suspirou frustrada quando o homem se ajoelhou entre suas pernas negando qualquer contanto entre os corpos.

-O que você quer Granger?-Snape pousou suas mãos no seu membro duro com um sorriso torcido e irônico. -Isso?

Snape acariciou seu pênis num suave movimento ascendente.

-Sim, professor. -conseguiu articular.

Severo se encaixou novamente entre as pernas da garota e com o auxilio da mão direcionou o contato do seu membro contra o clitóris. -Aqui?-sussurrou estimulando o conjunto de nervos.

Hermione mordeu as cobertas sufocando um grito.

Snape soltou um suspiro frustrado contra as cobertas ao abrir os olhos. Mais um sonho, entre as dezenas que já tivera com a monitora da grifinória. Ele se levantou agradecendo o chão gelado sob os seus pés e se encaminhou ao banheiro do aposento para um banho gelado. Enquanto a água recorria seu corpo xingou o estúpido é aquele momento havia dado a desculpa de que os sonhos com a amiga de Potter eram reflexos dos últimos acontecimentos. Estivera tão preocupado com os relatos assombrosos do futuro que naturalmente havia sonhado com a garota, afinal ela ou o seu "eu do futuro" havia sido a emissora de tais acontecimentos. Chegara até mesmo o cogitar está sofrendo algum efeito da viagem do futuro, porém essa idéia estava definitivamente descartada depois do último sonho. Era impossível, nem no futuro mais grotesco, ele teria algum tipo de relação sexual com uma aluna 20 anos mais nova, principalmente Hermione Granger.

Se a garota tivesse com a aparência adulta poderia se justificar por uma mera atração, contudo não era uma mulher de 28 anos que gemia nos seus braços, e sim uma mulher de 17 ou 16 anos. Mulher não, se recriminou. Uma criança.

Snape fechou a torneira com força e apoiou a testa contra o ladrilho da parede.

-Maldita Granger.

NOTA DA AUTORA:
Oi! Quatro horas da manhã, mas enfim terminei esse capítulo. Sei que não ficou tão inspirado mais é um importante delineador da história!E quanto a cena do sonho... Espero melhorar na hora de descrever cenas nesse estilo.

Queria agradecer todos que estão lendo e, por favor, comentem!