Dedicado a germana e Mocho Azul ..


O avião elevou-se por entre as brancas nuvens. O sol brilhava no céu, e a luz banhou o rosto de Edward. A observava com os olhos semicerrados.

- Muito bem, menina Swan - aceitou suavemente. – Me pegou.

Bella pestanejou. A sua ira e a sua aversão lhe atiçavam os sentidos. Tinha muita vontade de brigar com ele, e de ganhar.

- Você não gosta do Harry - disse a jovem diretamente. - Ou gosta?

- Porque diz isso? - os seus olhos brilharam.

- Tenho contato com o meu tio - sorriu. - Mantém-me informada - a sua pulsação aumentou um pouco quando ela percebeu que ele parecia divertir-se com aquela medição de forças. Aquilo significava que não levava a sua ira a sério.

- O que é que o seu tio lhe contou de mim? - perguntou com um sorriso duro.

- Bom - sorriu com malícia.- Ora vejamos, disse-me que é o administrador principal da Swan Oriente...

- É verdade - assentiu friamente. - E então?

- Bem... Isso faz de você uma pessoa muito poderosa dentro da empresa...

- Gosto do poder - semicerrou os seus olhos amarelos. - Há pessoas que não. E, além disso, tenho gosto do meu trabalho, e exerço com cuidado o meu... Poder, menina Swan.

- Tenho certeza que você o exerce com uma habilidade maligna!

Ele riu suavemente, mas os seus olhos brilharam quando descobriu ódio nos dela.

- Ora, obrigado! Sinto-me lisonjeado!

- As pessoas ambiciosas gozam sempre com o poder - replicou Bella. - Isso é outra coisa que sei de você. É muito ambicioso.

- Isso é verdade.

- Harry disse que é insensível quando se trata de conseguir o que quer - continuou Bella.

- É capaz dele ter razão - murmurou ele. - Todos temos os nossos motivos pessoais, não é? Até Harry.

- E quais são os seus, senhor Cullen? - perguntou em voz baixa.

- Bom - murmurou ele com olhos trocistas, - Tive uma infância muito dura e isso me empurrou para grandes alturas.

- Que história tão triste! - ironizou com a pulsação acelerada. - Perdoe-me por não chorar, mas as alturas já constituem uma recompensa suficiente para si.

Ele riu e estudou o rosto dela.

- Sim, eu também penso assim!

- Harry contou-me alguma coisa sobre suas ambições futuras - continuou ela.

Estava muito perto de Bella, esboçando um sorriso duro e divertido pela sua hostilidade.

- Quer que lhe conte as suspeitas do meu tio sobre si? - perguntou Bella.

- Sou todo ouvidos, menina Swan - afirmou ele.

- Bom, ele disse que você quer controlar a Investimentos Swan, deserdá-lo e casar com a esposa perfeita para fundar uma dinastia.

- Disse isso? - murmurou Edward com um tom de quem acha graça.

- Sim - garantiu. - E também disse que quer fazer tudo isso antes de fazer trinta e cinco anos. Que idade tem, senhor Cullen?

- Trinta e três - murmurou com cinismo.

- Faltam dois anos para o momento decisivo - assinalou ela em jeito de troça. - Ora, ora. Não terá calculado mal, senhor Cullen?

- Não - olhou-a nos olhos. - Eu nunca calculo mal.

- Que astuto! - sussurrou sem alento. – Me diga como vai conseguir! Gostava de conhecer o seu plano de ação! Afinal de contas, tem que movimentar-se bastante depressa para conseguir tudo em dois anos, não acha?

- Claro que vou conseguir - declarou ele suavemente. - Afinal, tenho apenas que fazer as jogadas corretas no momento adequado.

- Terá que aproveitar as oportunidades.

- Tenho experiência disso.

- Aposto que sim - sorriu com tensão. - Mas talvez essas oportunidades não sejam suas. Talvez pertençam a mais alguém. Como você as aproveitará?

- Vou lhe contar um segredo - inclinou-se para ela. - As oportunidades pertencem a quem as agarra.

- Ah, sim? - inquiriu com o coração acelerado.

- Sim - murmurou sem sorrir. - O mundo em que vivemos está apenas a um passo da selva. Há predadores... E há presas. Os predadores são os que se apoderam das oportunidades e das presas... Bem, ficam em frangalhos, menina Swan. Ficam lançadas ao sol para que os abutres se alimentem com elas – os seus olhos brilharam. – É triste, sem dúvida. Os mansos não são abençoados e todos tremem quando um predador começa a caçar com um dedo – acariciou-lhe o pescoço fazendo-a tremer. – Pergunto-me... O que é você, menina Swan? Predador ou presa?

Kagome olhou para o seu rosto implacável e teve medo.

- Eu sei o que sou - continuou ele. - Porque todos fogem quando eu passo. Anteriormente, eu costumava me incomodar muito, sério, não imagina quanto... Mas agora penso nesses abutres e continuo a ser um predador...

Kagome estava quase a tremer, o seu coração batia acelerado. Sentia medo e emoção, e compreendeu que não lhe poderia ganhar... Naquela noite, porque estava sob muita tensão.

- É uma história interessante, senhor Cullen – anunciou, – Mas tenho os olhos pra fechar. Acho que vou dormir um pouco.

- Cansada, menina Swan? - debochou. - Pensei que quisesse falar durante todo o vôo!

- Parece que o cansaço me venceu...

- Decepcionou-me - observou-a com uma expressão dura e os olhos brilhantes.

O coração de Bella bateu ainda mais pelo mistério daquela voz.

- Se importa de apagar a luz, por favor? - perguntou ela sem alento.

- Claro que não - murmurou.

Estendeu uma mão e apagou-a. Bella fixou-se nos seus dedos compridos. Voltou-se, cobrindo-se com a manta, e tentou reclinar o assento. Franziu o sobrolho enquanto procurava o botão.

- Permita-me... - ofereceu-se Edward. Reclinou-se sobre ela; o seu poderoso peito pressionou-a e a sua boca ficou a poucos centímetros da dela.

- Estou bem. Eu... - balbuciou com a pulsação acelerada.

O assento reclinou-se devagar e ele observou-a serenamente. Por um suposto acidente, o homem puxou a manta, que caiu no chão.

Bella estremeceu. Sentia-se quase nua, ali reclinada, frente ao poderoso corpo de Edward. Nenhum homem a tinha olhado daquela forma antes, e Bella sabia muito bem no que é que ele estava pensando.

Alarmada, tentou apanhar a manta. Respirava com irregularidade e contemplava-o enquanto ele se inclinava sobre ela.

- O que procura? - inquiriu Edward a uns centímetros da sua boca. - A sua manta?

Bella corou e os seus olhos castanhos pareceram aumentar quando percebeu que ele era muito perigoso.

- Tome - Edward apanhou a manta e estendeu-a sobre o corpo trêmulo de Bella. Os dedos compridos dele roçaram-lhe o pescoço e ela estremeceu de irritação. Tirou sua mão e o olhou com fúria. – Deixa eu te cobrir e te desejar uma boa-noite. Vai precisar de todo o descanso que puder!

- Muito obrigada! - replicou-lhe. - Boa-noite!

Virou-lhe as costas. Estava sem alento por causa da ira. Ficou na escuridão do interior do avião, consciente de que ele tinha voltado a ganhar a partida.

Harry tinha razão em temer Inuyasha. Céus, ela também tinha medo dele.

Doía-lhe a cabeça. As lágrimas quentes reuniram-se nos seus olhos e não as secou. O seu rosto estava escondido pela escuridão do avião. Pensou que, graças a Deus, o seu pai tinha sobrevivido, e perguntou-se quantos anos mais poderia suportar, com Bella como herdeira e Harry desesperado por dominar a empresa.

Compreendeu que a sua dor era também culpa. Sabia tudo sobre a sua culpa. O seu pai tentou sempre que odiasse Harry; desde que era criança; o seu tio, por sua vez, fez tudo o possível para que odiasse Charlie. Culpa e mais culpa. Culpa por ter fugido deles. Culpa porque não estava ali para deter Harry. Culpa por não estar ao lado do seu pai quando a morte lhe enviou um aviso.

Cansada de chorar, Kagome adormeceu, enquanto o avião sobrevoava o Médio Oriente, por um céu cor de sangue.

Foi um sono inquieto. Mexeu-se e acordou de vez em quando para ouvir o zumbido constante dos motores do avião. Acordaram-nos para tomar o pequeno-almoço.

Bella foi ao banheiro, lavou o rosto e penteou o cabelo comprido.

E o vôo continuou. A luz do dia entrou pelas janelas do aviã permanecia em silêncio ao lado de Edward. Não se arriscaria a falar com ele outra vez até recarregar as baterias.

Assim, permaneceram em silêncio, a ler. Ele, um livro de história econômica e política; Bella, um romance de famílias poderosas. No livro, o pai de um dos protagonistas morria de ataque cardíaco. Bella baixou o livro e ficou pálida. As lágrimas vieram-lhe aos olhos. As aeromoças orientais, moviam-se no interior, recolhendo os copos e os tabuleiros.

- Já chegamos - disse de repente Edward fechando o seu livro.

Bella ergueu-se; estavam a descer por entre as nuvens. Olhou pela janela com o coração acelerado, à procura da colônia.

Ali estava. Os arranha-céus brancos brilhavam no amanhecer. As águas azuis do porto estavam salpicadas de tons dourados e podiam ver-se os barcos ancorados no porto, entre a península Kowloon e as colinas da ilha.

- Quando poderei ver o meu pai?

- Esta manhã - respondeu ele friamente. - Eu próprio a levarei lá.

- Não é preciso. Eu apanho um táxi - voltou-se para ele com um sorriso hostil. - A casa de meu pai fica na Baía Repulse, longe da cidade. Não quero incomodar você.

- Em absoluto - replicou ele. - Sou dono da casa vizinha de seu pai.

Reinou um silêncio tenso. Ela olhou- nos olhos e viu deboche neles. O seu coração acelerava-se ao perceber como aquele homem era perigoso para a família.

- Junto à do meu pai? - repetiu com voz mais firme.

- Uhum. Mesmo ao lado - um sorriso duro desenhou-se na sua boca. - Ora, menina Swan, ficou muito pálida. Espero que não seja nada de mal.

- Nada, claro que não - replicou. Olhou pela janela outra vez; o seu coração batia com fúria e ira. "A casa vizinha!", repetiu em silêncio alarmada.

O avião dirigiu-se à terra. A pista estava iluminada com tons brancos azulados e dourados. Um segundo depois, aterraram.

- Tem um carro à nossa espera - anunciou Edward quando saíram.

- Ah, muito bem! - Bella caminhou atrás dele. Estava desalinhada, cansada e cheia de ressentimento porque Edward parecia tão imaculado e fresco como sempre.

Quando saíram do aeroporto, sentiu de imediato o ambiente de umidade. O carro, que era conduzido por um motorista, tinha ar condicionado. Viajaram pelas ruas de Tsimshatsui e depois pelo túnel da ilha de Hong Kong. Bella quase não olhou para as ruas conhecidas. Estava muito ocupada a tentar assimilar que tinha regressado à sua casa depois de dois anos. Continuaram pelo caminho até Baía Repulse. O carro atravessou a entrada cinzenta em direção a um pátio com uma fonte. Edward ajudou-a a sair do carro.

- Vou buscar a sua mala.

A porta abriu-se e saiu uma bonita oriental, vestida com um cheong-sam branco até às coxas. Os seus olhos negros brilhavam intensamente.

- Olá Nightingale - cumprimentou Bella com um sorriso

- Menina Bella - a mulher aproximou-se com passos curtos e sorriu-lhe com alegria. - Tem havido tantos problemas desde que se foi embora!

- Alguma notícia do hospital? - perguntou Bella e abraçou-a

- O mesmo. O senhor Charlie está bem e vai ficar melhor em pouco tempo.

- Se Deus quiser - murmurou Kagome.

Nightingale era a amah do seu pai, a sua governanta, há cinco anos. Era mais nova que Kagome. Trabalhava muito, era leal e mantinha a casa limpíssima. Era considerada parte da família.

Inuyasha apareceu junto delas.

- Aqui está a sua mala. Vou deixá-la para que descanse e troque de roupa. As visitas são ás onze. Venho buscá-la às dez e meia.

- Estarei pronta - disse Bella com firmeza e olhar hostil.

Deixou a mala e regressou ao carro. Ela contemplou-o com ódio, a estudar o seu poderoso corpo, tão alto e bem vestido. Meteu-se no carro e desapareceu.

- O senhor Edward é muito atraente... - suspirou Nightingale ao seu lado.

- Não acho - replicou Bella. Entrou no corredor fresco da casa.

- Todas as mulheres o desejam - continuou Nightingale.

- Não eu. - Bella dirigiu-se à escada e tentou ignorar a adoração que a oriental sentia pelo detestável Edward.

- O senhor Charlie diz que o senhor Edward é o filho que nunca teve.

Bella ficou gelada na escada. O seu coração parou e voltou-se lentamente para ela.

- O meu pai disse isso?

- Todos os dias, desde que a menina partiu.

- Que Edward é o filho que nunca teve?

- Claro.

Bella ficou calada durante um bom bocado com o rosto pálido. Era óbvio que Edward poderia ser o presidente da administração a uma velocidade vertiginosa.

Com esforço, Bella tentou esquecer-se de Edward e foi para o seu antigo quarto. Ligou o ar condicionado, abriu a mala e colocou tudo no guarda-roupa. Estavam no inicio de Julho e o calor era muito úmido. Tomou uma ducha e colocou um vestido fresco para o Verão. Quando Edward chegou para buscá-la, ela já estava pronta.

Ele também tinha tomado banho, o seu cabelo ruivo ainda estava úmido. Usava um terno diferente, de corte impecável, de um tecido muito fino, e um relógio de prata com corrente sobre o colete formal. Bella pensou que era a imagem viva do presidente da administração.

- Ora, ora, sim, está pronta para mim - comentou suavemente observando a sua figura com insolência.

- Obrigada, senhor Cullen - corou. - Vamos? - ela passou junto dele e sentiu um formigueiro no seu interior.

- Já se adaptou? - perguntou ele com deboche, quando caminhavam para o carro que estava estacionado à frente da casa.

- Ah, sim, claro - respondeu ela odiando-o quando lhe abriu a porta. - Estou habituada às viagens longas de Hong-Kong à Europa, como você.

- Sim - olhou-a com sarcasmo. - É muito inteligente! Olhe, agora também me encarrego de todos os assuntos internacionais. Já desde algum tempo.

- Sim? - os seus olhos castanhos lançaram faíscas de ódio. - É um homem muito ativo! Voa de um lado para o outro para a Investimentos Swan. Nova Iorque. Londres, Paris... Munique?

- Não esqueça o Japão - acrescentou ele.

Bella apertou os lábios e entrou no carro. Edward sentou-se ao seu lado e o motorista pôs o carro em andamento.

- Tive uma conversa muito interessante com Nightingale - comentou Kagome. - Disse-me que o meu pai gosta muito de você.

- Eu também gosto muito dele.

- Também me disse que para ele você é o filho que nunca teve.

- Como as mulheres gostam de mexericar! - Resmungou Edward.

- Toda a gente faz mexericos em Hong-Kong. Sabia disto? Sim, suponho que sim. Morro de vontade por descobrir o que as pessoas dirão de...

Reinou um breve silêncio. O mar apareceu à sua esquerda, e a costa rochosa à direita. O ambiente vibrava com uma sensação de ameaça.

- Não pretende me intrigar com esses rumores, não é, menina Swan? - perguntou ele com voz dura. - Não ia gostar nada de saber que gosta de armar escândalos. Principalmente, sobre mim.

- Claro que não, senhor Cullen - o seu coração sofreu um aperto.

- Fico feliz em saber - sussurrou com uma expressão muito séria. - Porque se o fizer, me veria obrigado a me vingar, e você não ia gostar disso. As coisas poderiam ficar negras.

- Estava querendo dizer que saberei de coisas sobre você através de rumores. Não digo que eu o fizesse pessoalmente...

- Claro que não! Você não vai querer me provocar mais do que já fez. Não é, menina Swan?

Bella ficou calada e observou-o, hipnotizada pela ameaça patente no duro rosto de Edward.

- Porque quando surge uma provocação entre um homem e uma mulher, trata-se de uma briga pela supremacia - continuou ele. - Só há uma forma de terminar com isso – o seu olhar desceu até os seus seios e observou-os subir e descer, com a respiração agitada. – Você me compreende?

- Oh, sim! - replicou ela com os olhos faiscantes. – Você está dizendo que me enfrentaria da forma mais óbvia possível se alguma vez o irritar. É isso?

- Garota esperta - murmurou ele. - Bom, é uma ameaça inútil, não é? Porque tenho a certeza de que daqui por diante não me vai irritar. Não é?

Bella podia sentir que o seu corpo estava especialmente vivo; vibrava com pulsações que nunca tinha experimentado. Voltou-se para o outro lado e compreendeu que estava a vencê-la uma vez mais. Pensou que ele tinha razão: se houvesse uma briga entre eles, Edward sairia vencedor.

Desceram até à Baía Repulse e depois subiram por uma estrada sinuosa até ao cimo, de onde se podia ver o Distrito Central, era o coração do dinheiro e do poder de Hong-Kong, com os seus arranha-céus brancos na neblina solarenga e o calor úmido.

Não tardaram a entrar no estacionamento do hospital.

- O seu pai está à nossa espera - disse Edward quando saiu do carro. - Vai parecer que está muito bem, mas deve ter cuidado. Não faça nem diga nada que o altere.

- Não precisa de me dizer isso - replicou ela com desdém.

Entrou no hospital e estremeceu com o cheiro a anti-séptico que emanava dos corredores brancos. O médico acompanhou-os aos quartos particulares.

- Não fiquem com ele muito tempo. Dez minutos no máximo, não quero que se altere.

Levaram-nos para uma sala com paredes de vidro. Por trás de um balcão havia várias enfermeiras.

- Tem uma visita, senhor Swan - anunciou o médico e abriu a porta.

Charlie levantou a vista e sorriu.

- Bella! - estendeu os braços.

- Olá, pai! - sussurrou a jovem. Caminhou em direção a ele e tentou não se alarmar com a sua aparência. Abraçou-o e beijou-o.

Parecia ter envelhecido vinte anos. Tinha o peito enfaixado e fios nos seus pulsos e peito para registar as palpitações na misteriosa máquina que estava atrás dele, na qual cintilavam as pulsações em números vermelhos.

- Bella... Graças a Deus que estás em casa – pegou-lhe numa mão com força. – Edward trouxe você de volta para mim. Sabia que ele conseguiria. Sabia que ele compreenderia de imediato que já é hora de...

- Tenta não falar muito - aconselhou-lhe Edward. - Precisa descansar.

- Agora já posso fazê-lo - sussurrou Charlie. - Não é, Edward? Agora que está encarregado, agora que a trouxe para casa

Kagome franziu o sobrolho e olhou para Edward. " Agora que está encarregado, agora que a trouxe para casa? De que raios estão falando?", perguntou-se.

- Posso confiar sempre em você, não é Edward? - continuou Charlie e pegou também na mão de Edward.

- Sempre - replicou Edward com a sua voz profunda e controlada.

Nesse momento Bella compreendeu como estavam unidos, o muito que Charlie confiava em Edward. Ficou comovida e impressionada. Edward tinha declarado a ela que só atuava por ambição. Nesse sentido, aquela sensação só poderia acabar em traição.

Charlie olhou para Bella.

- Vai ficar, não é? Fará de Hong-Kong a sua casa outra vez, não Londres. Está muito longe.

Bella desviou o olhar para a janela; as águas do porto estavam azuis, e a ilha Lantau sobressaía entre uma leve neblina. Verde, exótica, misteriosa, fazia-a recordar a sua mãe Renée, e a sua trágica morte nas costas desertas da ilha. Uma dor profunda invadiu-a; as lágrimas assomaram-se aos seus olhos e olhou para o seu pai.

- Claro que ficarei - repôs. - Nunca mais lhe deixarei - acrescentou com paixão.

Charlie suspirou e descontraiu-se.

- Se ficar, vai precisar de um trabalho... Edward, há alguma vaga na Swan?

- Como minha secretária - declarou ele e ela olhou-o de repente.

- Não quero ser sua secretária! - exclamou ela com ira e hostilidade.

- Você precisa de trabalho e eu de uma secretária - semicerrou os olhos.

- Não.

- Mas porque não? – Charlie estava pasmado. - Devia aceitar o trabalho. É a única forma de nos garantir que... - a máquina por trás dele começou a zumbir quando o seu coração se acelerou dramaticamente.

- Encoste-se, pai! - obrigou-a, alarmada pelo piscar dos números vermelhos.

- Aceite o trabalho - insistiu Edward em voz baixa.

... examinou-o.

- Bella, por favor! - Charlie apertava-lhe a mão.

- Têm que sair já - o médico abriu a porta e entrou com as enfermeiras.

- O que está acontecendo? - Bella levantou-se. - É outro ataque?

- Aceite o trabalho - disse-lhe Edward suavemente e também se levantou.

- Quero que você trabalhe com ele - murmurou Charlie. - Quero que o conheça. É um homem bom e forte. Pode salvar a todos!

- Eu aceito o trabalho - replicou ela automaticamente.

- Está contratada - disse-lhe Edward. Depois agarrou-lhe num pulso e arrastou-a até à porta, enquanto as enfermeiras cuidavam de Charlie.

- Edward é o indicado! - gritou Charlie quando eles saíram. - Escute, Bella! A Harry, não! A Harry, não...!

Edward puxou-a e fechou a porta. Levou-a pelos corredores a toda a brida. Então Bella compreendeu tudo.

Charlie queria casá-la com aquele homem. Ele tinha planeado tudo, e Edward ia garantir-lhe que acontecesse. Juntos, tinham preparado o seu casamento.

"Nunca!" disse para si violentamente. Nunca se casaria com aquele tubarão sinistro que fingia ser atento, leal e trabalhador. Talvez tivesse conseguido enganar o seu pai, mas a ela não. A ira invadiu-a quando pensou na maneira como a tinha ido buscar a Londres: com tanta frieza, confiança e segurança.

Se Harry não a tivesse advertido desde o início que Edward era perigoso, e que desejava apoderar-se da Investimentos Swan, teria respondido à sua atração sexual, à sua aparência grandiosa, ao seu engenho astuto e frio.

Até a inteligente e conhecedora Sue ficou impressionada com Ewdard, quando lhe falou de amor.

Olhou-o com ódio. Caminhava ao seu lado com uma expressão dura, e Bella observou o canalha sem piedade que queria casar com ela para poder satisfazer as suas ambições e possuir a Swan. Que pensasse duas vezes, sussurrou para o seu interior.

Quando saíram do hospital, Bella perguntou com tensão.

- Alguma notícia do meu tio?

- Ah... o amado tio. Me perguntava quando iria mencionar nele!

- É meu tio e gosto dele - disse ela com um sorriso tenso e o coração acelerado pela ira.

- Suponho que ele continua morando em Tai Hnag, hein?

Edward abriu-lhe a porta do carro e examinou-a com os olhos semicerrados.

- Claro.

- Está trabalhando esta semana? - ela manteve o olhar baixo para esconder a fúria que brilhava nos seus olhos.

- Não, está suspenso, dadas as circunstâncias.

- Vou telefonar pra ele assim que chegar a casa - anunciou Kagome e entrou no carro.

Edward sentou-se ao seu lado e fechou a porta. O motorista acelerou, passando por edifícios coloniais, prados verdes e fontes brilhantes.

- Como é que está o caso da acusação por agressão? - perguntou Bella - É óbvio que não posso incomodar o meu pai com isso, mas tem que se fazer alguma coisa.

- Não se preocupe. Deixe isso comigo. Eu vou tratar do assunto.

- Ficaria agradecida, senhor Cullen, se me deixasse ocupar-me das relações familiares como eu achar conveniente.

Reinou um silêncio tenso. Os olhos de Edward possuíam um brilho ameaçador.

- Como quiser - aceitou com frieza. - Enquanto isso, espero você no meu escritório na segunda-feira de manhã. Assim terá três dias para você se adaptar. Pode ser às nove em ponto?

- Às nove em ponto - concordou Bella.

Quando o olhou nos olhos sentiu muito medo, porque sabia que ele era mais forte.