2. "Você está estranho hoje"
Rony estava sentado muito ereto naquele sofá branco, naquela sala estranha. Ele tentava focar seu pensamento numa maneira de voltar à sua vida. Mas isso estava se mostrando extremamente difícil com aquelas duas crianças ali tão próximas à ele. Ele simplesmente não conseguia se concentrar com elas ali. Rose estava sentada numa poltrona encostada à parede, rabiscando um bloco de desenhos, que estava em seu colo. E o bebê – Rony não conseguia se lembrar o nome dele – estava deitado no carrinho ao lado do sofá em que ele estava sentado. Aquele bebê realmente se parecia com Rony. Tinha um tufo de cabelos ruivos, olhos azuis como os dele e algumas sardas já eram visíveis em seu rostinho. Rony o encarou, ele estava sorrindo, um sorriso sem dentes, enquanto mexia os bracinhos freneticamente.
Ele respirou fundo, fechando os olhos e pensando no absurdo que estava vivendo. E pra piorar, Dumbledore não lhe explicara o real propósito daquilo. Sim, porque dizer que aquela vida, era a vida que ele teria se tivesse feito um outra escolha, só conseguia soar ridículo pra Rony. Ele simplesmente, não sonhou com nada diferente do que ele tinha conquistado, então essa realidade alternativa, não fazia sentido pra ele. Será que Dumbledore esperava que ele se arrependesse de ter ido embora para a Nova Zelândia? Claro, porque se tornar um jogador de quadribol rico e famoso, era algo realmente muito triste. Pensou com ironia.
_ Papai_ a menina chamou da poltrona. Rony se virou pra ela_ Olha o meu desenho, tá bonito?
Ela levantou o bloco de desenhos para ele. Ali só havia um monte de rabiscos sem sentido.
_ Está lindo!_ mentiu. Rose sorriu contente_ Então, Rose, quantos anos você tem?_ ele perguntou. Precisava se situar naquele mundo. Saber o máximo que podia daquela realidade.
A menina o olhou um pouco confusa, mas depois levantou a mãozinha direita e mostrou quatro dedos de uma mão, indicando quantos anos tinha.
_ E o bebê?
Rose olhou para o bebêzinho, que agora puxava uma das pernas pra cima e tentava morder o próprio pé. Então, ela olhou de volta pra Rony e deu de ombros, logo voltou a rabiscar em seu bloco de desenhos.
Rony passou a mão pelos cabelos. É claro que ela não sabia, afinal, só tinha quatro anos. Desejou que Hermione acabasse logo o banho. Não queria mais ficar sozinho com aquelas crianças.
Ele se levantou e caminhou até a lareira. Havia muitas fotos sobre ela. Ele e Hermione. Ele e Hermione, grávida. Ele, Hermione e Rose, que estava bem menor. Ele, Hermione grávida e Rose. Ele, Hermione, Rose e o bebê nos braços dele. E uma, em particular, lhe chamou mais atenção que as outras. Ele vestido num smoking preto e Hermione, vestida de noiva. Estavam abraçados e ocasionalmente, se davam selinhos. Mas o mais incrível nessas fotos, Rony percebeu, é que ele parecia genuinamente feliz. Feliz como um homem que havia realizado todos os seus sonhos. Como se não lhe faltasse nada. Mas Rony não entendia.
_ E então, vamos?_ uma voz lhe chamou às suas costas e ele se virou. Hermione estava parada, na entrada da sala, trajando um vestido azul leve e um casaco branco. Os cabelos cacheados, presos num rabo de cavalo, que Rony achou muito charmoso.
_ Er... Vamos_ ele disse, balançando a cabeça.
Ela guiou o carrinho do bebê para a porta de saída da casa e Rony a seguiu. Ele se assustou, quando sentiu Rose segurar a mão dele. Rony olhou pra baixo e a menina estava sorrindo pra ele. Uma mão segurando firmemente a sua e a outra segurando o bloco de desenhos. Logo estavam na entrada da casa. Hermione trancou a porta.
_ Nós vamos aparatar?_ ele perguntou a Hermione, pensando nas crianças, principalmente no bebê. Eles eram muito pequenos pra aparatação acompanhada.
_ É claro que não_ Hermione respondeu, o olhando surpresa. Ela, então, lhe entregou uma chave_ Nós vamos de carro, como sempre fazemos quando temos que sair com as crianças.
_ De carro?_ Rony arregalou os olhos. Então ele olhou para uma Land Rover preta parada à frente da casa e depois para a chave em sua mão.
Hermione caminhou pelo jardim, empurrando o carrinho de bebê até o carro e Rony a seguiu, nervoso.
_ Eu vou atrás com as crianças_ ela ia dizendo, enquanto abria a porta de trás e Rose pulava pra dentro do automóvel. A menina sentou em uma das duas cadeirinhas próprias para crianças, que ficava no banco de trás. Hermione logo começou a arrumá-la ali, colocando o cinto de segurança. Instantes depois, ela fazia a mesma coisa com o bebê, na cadeirinha ao lado da de Rose. Assim que acabou, ela se voltou para Rony. Ele estava parado olhando para o carro. Rony tinha certeza de que estava meio pálido.
_ Algum problema, Rony?_ ela perguntou. Mas Rony apenas continuou parado, sem responder.
Hermione bufou de impaciência, então ela empurrou o carrinho de bebê até a parte de trás do carro e o colocou no porta-malas. Quando voltou e emparelhou com Rony, ela soltou outro bufo de impaciência.
Ele ainda estava parado encarando o carro, com a chave na mão. Ela esperava que ele dirigisse? Nessa realidade, ele sabia dirigir?
_ Você não vai entrar?_ ela perguntou, o olhando de um jeito estranho.
_ Hum... Por que você não dirige?_ Rony perguntou, depois que encontrou sua voz. Desejou que Hermione soubesse dirigir.
_ Você quer que eu dirija?_ os olhos dela se arregalaram de surpresa. Então ela sorriu_ Você nunca me deixa dirigir, nunca deixa ninguém dirigir o seu carro.
_ Ah, mas eu confio em você_ ele disse, com um sorriso nervoso. Ele lhe passou as chaves do carro_ Pega.
Hermione pegou as chaves e parecia simplesmente encantada. Logo ela correu para o outro lado do carro.
_ Você vai atrás com as crianças então_ ela disse, enquanto entrava no carro, no lado do motorista e Rony concordou com um aceno de cabeça.
Em silêncio, Rony prestou bastante atenção no caminho. Já que estava naquela realidade, teria que saber coisas básicas, como o lugar onde sua irmã e Harry moravam. Ao seu lado no carro, Rose continuava a rabiscar o bloco de desenhos, enquanto o bebê dormia tranqüilo. Ele notou Hermione lhe lançando alguns olhares estranhos, pelo retrovisor.
Cerca de vinte minutos depois, eles estacionaram em frente uma casa grande e branca. Muito parecida com a que ele morava naquela realidade, só que maior. Hermione saltou do carro e se apressou a tirar Rose da cadeirinha.
_ Você pode pegar o Hugo, por favor_ ela pediu, enquanto liberava o cinto de segurança da menina.
Hugo. Isso, o nome do bebê era Hugo.
_ Ok_ Rony respondeu, contente dela ter dito o nome do menino.
Se sentindo desconfortável, Rony tirou o bebê da cadeirinha e pegou uma bolsa, com as coisas dele, que estava no banco traseiro. Hugo acordou, enquanto estava em seus braços e deu um sorriso desdentado pra ele. Rony sorriu também, gostando da reação do bebê à ele.
_ Cuidado com ele, Rony. Até parece que nunca segurou um bebê na vida antes_ Hermione disse lhe lançando um olhar preocupado. Rony tinha noção de que segurava Hugo de uma maneira esquisita. Mas ele não sabia como se fazia. Ele realmente nunca tinha segurado um bebê antes.
Ele então seguiu Hermione até a porta da frente da casa. Rony respirou fundo, quando Hermione bateu na porta. Mais algumas coisas para aprender agora. Fingir que tudo estava normal, e que ele se lembrava de ter vivido os últimos anos com aquelas pessoas. Então Gina abriu a porta.
Sua irmã estava mais bonita ainda. Seus cabelos ruivos estavam mais compridos do que o da Gina de sua outra vida e ela estava bronzeada. Ele não pôde se impedir de sorrir pra ela.
_ Oi, Mione. Mano_ ela disse afastando a porta pra que entrassem_ Rose, meu amor_ a menina pulou em cima de Gina, que a carregou. Com Rose nos braços, Gina se inclinou pra beijar a testa de Hugo, nos braços de Rony.
Rony olhou ao redor, estranhando tudo. A enorme sala estava cheia. Ele se perguntou se aquele almoço era pra comemorar alguma coisa em especial. "Devia ter perguntado a Hermione". Ele pôde ver seus irmãos, crianças correndo e rindo, pessoas conhecidas e desconhecias, e sentados em duas poltronas no canto, seus pais. Rony sentiu um alívio sem explicação, quando bateu os olhos na figura ruiva e meio careca de seu pai. Ele estava bem, estava vivo, bem ali na sua frente. Rony nem sequer pensava na briga que teve com ele, na sua outra vida. O que importava é que ele estava bem. Automaticamente, ele caminhou até o pai.
_ Oi, pai_ ele disse, o encarando. Sentiu um vontade enorme de abraçá-lo. "Que estranho!" Pensou. Seu pai levantou da poltrona, sorrindo e lhe deu um tapinha nas costas.
_ Vocês demoraram, filho_ e então Arthur olhou para Hugo, que imediatamente estendeu os bracinhos para o avô. Rony passou o bebê pra ele_ E como vai um dos meus campeões?
Rony encarou os dois por um tempo e então se voltou para sua mãe, ainda sentada em sua poltrona.
_ Mãe!_ ele disse e sem pensar, se inclinou para beijá-la na testa. Na sua outra realidade, ela era a única com quem tinha algum contato.
_ Oi, meu filho_ ela disse e então se voltou para Arthur, que já estava sentado a seu lado. Os dois paparicavam Hugo agora.
Rony então, foi cumprimentado pelos presentes, enquanto Hermione se aproximava de seus pais, e tentou disfarçar o nervosismo. Ele caminhou para o sofá mais próximo e se sentou ao lado de Carlinhos.
_ Você está bem, Rony?_ Carlinhos perguntou, lhe dando uma boa olhada_ Está pálido.
_ Estou bem_ ele respondeu, tentando sorrir. Ele acenou para a uma mulher que ele não conhecia que estava sentada ao lado de Carlinhos. "Será que é a namorada dele?". Rony pensou. Então ele se voltou para o sofá a sua frente, onde estavam sentados Jorge e Angelina Johnson. Estavam de mãos dadas.
Rony piscou algumas vezes. Até onde ele sabia, Angelina era namorada de Fred, não de Jorge. Ou será que aquele ali com ela, era Fred? Não. Rony dificilmente confundia seus irmãos gêmeos. Então, ele tinha certeza que aquele segurando a mão de Angelina, era Jorge. Que coisa estranha.
Ele então, se voltou para uma das janelas, e viu Fred encostado, conversando com Gui e Lupin. Rony franziu a testa.
_ E aí, cara?_ uma voz falou próximo a ele e ele viu Harry Potter, se aproximando com um sorriso. Aparentemente, nessa realidade, eles ainda eram amigos. Rony se levantou e cumprimentou Harry. Ele também estava bronzeado_ Você tá pálido.
Rony deu um sorriso sem graça ao amigo. Logo Hermione estava junto deles e abraçando Harry. Rony estranhou a maneira como ele se sentiu incomodado nesse momento.
_ Você e Gina estão com uma cor maravilhosa_ Hermione disse, quando se afastaram.
_ E você e Rony deveriam ter ido com a gente_ Harry falou_ Teria sido divertido.
_ Imagina, Harry, era a segunda lua de mel de vocês.
_ Bom, poderíamos ter tido uma segunda lua de mel dupla_ Harry riu. Rony se perguntou pra onde ele e Gina teriam ido pra ganhar aquele bronzeado. Na Inglaterra nunca tinha sol suficiente pra isso.
_ De qualquer maneira, não estou em forma o suficiente para usar um biquíni_ Hermione comentou, seu tom era de desagrado.
Rony a encarou, então a olhou da cabeça aos pés. Ela parecia completamente em forma pra ele.
_ Você está louca. Você está ótima_ ele disse, a olhando com descrença. Um instante depois, ele simplesmente não acreditou que tivesse dito aquilo. Hermione sorriu e envolveu seu braço no dele.
_ Você diz isso, porque é meu marido.
_ Não seja boba_ Rony continuou. Ele sentia suas bochechas corando.
_ Hum, o corpo da Grace Collins que é ótimo_ ela disse, desviando o olhar. Rony se perguntou quem raios era Grace Collins e o que ela teria a ver com a conversa.
Então, ele notou Hermione e Harry olhando para uma jovem alta e morena, parada em frente uma porta. Ela conversava com Gina, que ainda tinha Rose nos braços.
A garota era simplesmente deslumbrante. Seus cabelos pretos criavam um contraste com sua pele branca e seus olhos azuis. E ela tinha um corpo... Rony se recompôs. Aquela provavelmente era a tal Grace. É, Hermione estava certíssima, ela era realmente ótima, pra dizer o mínimo.
_ Ela não é tão bonita assim_ Harry disse, mas Rony notou que seus olhos estavam vidrados na garota, e sua boca entreaberta.
_ Por isso você tá olhando pra ela desse jeito?_ Rony zombou.
_ Hã?_ Harry se virou pra ele balançando a cabeça, parecia completamente atordoado. Então suas bochechas ficaram vermelhas_ Eu estava olhando pra minha esposa, Rony.
Rony riu. Depois Harry também riu e lhe deu um pequeno soco no braço. Era estranha aquela descontração com Harry, já que na outra realidade, eles não se falavam. Mas Rony percebeu, que de alguma maneira, ele sentiu falta daquilo, de brincar com o amigo como antes. Ele se voltou sorrindo para Hermione, que continuava olhando para a garota com ar pensativo.
_ Papai, o Alvo puxou o meu cabelo_ uma vozinha disse próxima à eles. E os três olharam para baixo, onde um menino moreno tentava chamar a atenção de Harry, puxando a barra de sua camisa_ Oi, tio Rony, tia Hermione_ Ele deu um sorriso rápido para Rony e Hermione, depois voltou a ter um expressão ofendida.
_ Só porque você me empurrou no chão_ um outro garotinho, menor e que devia ter a idade de Rose, ia dizendo, enquanto se aproximava. Ele parecia tão ofendido quanto o menino maior.
Rony piscou algumas vezes. Eles eram filhos de Harry? Filhos de sua irmã? Bom, o menino mais novo era uma miniatura de Harry. O cabelo, os olhos, tudo nele era igual ao pai. O outro, era um mistura do amigo e de Gina.
_ É que você é um imbecil_ o maior disse, zangado.
_ Ei, James, não xingue o seu irmão. E onde você aprendeu a falar assim?_ Harry repreendeu.
_ O tio Rony chamou o tio Fred de imbecil uma vez_ o menino explicou inocentemente.
Rony sentiu suas bochechas corarem. Ele olhou pra Harry, sem graça. Hermione olhava para ele de maneira reprovadora. Ótimo, agora ele seria repreendido por algo que ele não imaginava que teria feito nessa vida.
_ Quantas vezes eu tenho que dizer pra você não xingar perto das crianças, Ronald?_ ela perguntou, acusadoramente.
_ Imbecil não é palavrão_ Rony se defendeu.
_ Rony!_ ela lhe lançou um olhar assassino.
_ Mas é feio, muito feio_ ele emendou desviando o olhar dela, e olhando para o garoto. "James, foi o que Harry disse, né?"
_ Certo!_ Harry falou e se abaixou, pra ficar do tamanho dos filhos_ Não é porque vocês ouviram alguém falar, que vocês têm que repetir. E por que estavam brigando?
_ O Alvo quer brincar comigo, Louis e Alex_ James reclamou, como se aquilo fosse uma afronta. Rony se perguntou quem eram Louis e Alex.
_ E qual é o problema?_ Harry perguntou, sem entender.
_ Nós não queremos_ James respondeu dando de ombros.
_ Por que não?_ Hermione perguntou.
_ Porque ele é chato_ o menino respondeu como se fosse óbvio.
_ James, não chame seu irmão de chato.
_ Mas ele é, pai...
_ Você que é chato, seu otário_ Alvo retrucou, fazendo um careta para o irmão.
_ Alvo!_ Harry repreendeu.
_ O que foi? O tio Rony diz isso o tempo todo_ Alvo se justificou, laçando um sorriso a Rony.
Rony sentiu seu rosto mais quente ainda. Hermione lhe deu um tapa atrás da cabeça, e Harry levantou o olhar pra ele. Depois se voltou para os filhos.
_ Não liguem para o que o tio Rony diz.
_ Diga ao Alvo para ir brincar com as meninas, papai_ James pediu.
_ Eu não quero brincar com as meninas.
_ Vocês vão brincar juntos_ Harry decidiu_ E é melhor não reclamarem, ou eu chamo a mãe de vocês.
Os dois garotos se entreolharam assustados. Rony imaginou que Gina deveria colocá-los na linha. Então, Harry levantou, ignorando as súplicas dos filhos.
_ Vão brincar, meninos_ ele disse aos garotos, então se voltou pra Rony_ Dá pra você parar de xingar na frente dos meus filhos, sua besta.
_ Pai, você chamou o tio Rony de besta_ James comentou_ Eu posso chamar o Alvo assim?
_ Não_ Harry respondeu rápido_ Eu vou chamar a mãe de vocês, hein...
Harry mal acabou de falar e os dois meninos saíram correndo.
_ Rony, você é um paspalho mesmo_ Harry continuou. Rony não entendeu porque não se sentia chateado com os adjetivos que Harry estava lhe dando. Na verdade, ele estava achando aquilo divertido. Era como no passado da sua outra vida. Ele e Harry brincando um com o outro.
_ Aposto que seus filhos não ouviram esse tipo de coisa só de mim. Você também tem um vocabulário farto, Harry_ Rony acusou, rindo. Harry riu também.
_ Harry, você não tem jeito nenhum com crianças, meu Deus_ Hermione comentou.
_ É claro que eu tenho jeito com crianças, eu tenho três filhos_ Harry respondeu.
_ Três?_ Rony verbalizou o seu susto. Ele deu um sorriso sem graça, quando Harry e Hermione, lhe lançaram olhares confusos. Logo, eles o ignoraram. Dois não era suficiente? E com certeza, Alvo e James valiam por vários.
_ O que eu estou querendo dizer, é que sempre que Alvo e James brigam, você empurra a situação pra cima da Gina_ Hermione falou. Rony notou que ela estava lhe dando olhares estranhos. Então, ela se voltou totalmente pra Harry_ Você sempre se safa dizendo que vai chamar ela...
_ Bom, ela lida melhor com a situação_ Harry deu de ombros, então ele sorriu, quando Gina e a tal Grace se aproximaram. Rose não estava mais com elas. Rony se viu procurando a menina com os olhos e então a localizou sentada no colo de Molly.
_ Mione, me ajuda a colocar a mesa? Grace e Angelina vão ajudar também. Vamos almoçar no quintal.
_ Claro!_ Hermione respondeu. Rony notou que ela lançava olhares incomodados a Grace.
Mas qual era o problema de Hermione com a tal Grace? Tá, que a garota era maravilhosa, linda, sexy, exuberante... Mas isso não explicava porque Hermione parecia tão desconfortável na presença dela. Provavelmente, havia um motivo, que obviamente ele não sabia qual era. Precisava se informar sobre aquela realidade urgentemente.
As três mulheres entraram por um corredor, acompanhadas de Angelina, e Rony se lembrou de algo.
_ Hum, Fred não se importa de Jorge e Angelina parecerem um casal?_ Rony perguntou a Harry. O amigo que estava distraído, o olhou de uma maneira estranha.
_ Por que ele se incomodaria? Jorge e Angelina são um casal_ Harry explicou. Ele continuava lhe olhando daquele jeito estranho.
Rony arregalou os olhos. Desde quando? Angelina era namorada de Fred, não de Jorge, pelo menos até onde ele sabia.
_ Você está bem, Rony?
_ Er... Estou_ ele respondeu rápido.
_ Você tá mais estranho que o normal.
_ Estranho? Por que você acha isso?
_ Bom, primeiro quando você chegou, você olhou para a casa como se nunca tivesse estado aqui antes. Olhou pra todo mundo como se não visse o pessoal há um tempão. E você pareceu estranhar as crianças. E agora fala como se não soubesse que Jorge e Angelina estão casados há anos.
Rony piscou algumas vezes. E ele que achou que estava disfarçando bem o seu desconforto. Mas pelo jeito, Harry o conhecia bem demais. O suficiente pra saber que alguma coisa estava errada com ele. Mas o que ele poderia dizer? Que ele foi teletransportado pra uma outra realidade? Que na verdade, aquela vida não era a dele? Não, de jeito nenhum. O que ele ia conseguir com isso, era que Harry o achasse louco. E no momento, ele já tinha problemas demais.
_ Eu acho que só não dormi bem essa noite_ ele disfarçou, tentando sorrir.
Harry continuou o encarando por alguns instantes, até que um barulho alto, chamou sua atenção. Aquele barulho, era um telefone?
_ Já volto_ Harry falou e então caminhou até uma mesinha ao lado de uma das poltronas. Ele pegou o aparelho e o levou até o ouvido_ Alô?
Harry tinha um telefone? Por que raios, Harry teria um telefone? Rony se perguntou. Bruxos não precisavam daquilo, não fazia sentido... Então, Rony pensou em Meg. Meg tinha um telefone. Rony nunca entendeu bem pra que ela queria um telefone, mas a garota sempre dizia que era muito prático...
Então uma luz acendeu em sua cabeça. Meg tinha um telefone. Ele poderia ligar pra ela, poderia pedir a ajuda dela pra resolver sua situação, talvez, ela soubesse de algum meio e... Rony bufou. Droga! Ele não lembrava o número do telefone dela. Ela havia lhe dado uma vez, mas ele nunca se interessou em memorizar direito. Pra ele, nunca fez muito sentido saber isso. Agora, ele se arrependia. E de qualquer forma, de que iria adiantar? Naquela realidade, ele nunca havia ido para a Nova Zelândia, portanto, ele nunca havia conhecido Meg. Mil vezes droga!
_ Você tem um telefone_ ele comentou, assim que Harry se aproximou dele novamente.
_ Sim, e você também_ Harry disse, o olhando confuso_ Você tem certeza de que está bem, Rony?
_ Muito bem!_ Rony respondeu, sorrindo nervoso. Harry tinha um telefone. E ele também. A pergunta agora era; por que ele tinha um telefone? Seu eu nesse mundo, estava cada vez mais estranho pra ele.
_ Bom, era o Simas_ Harry lhe disse, o olhando como se esperasse que ele fosse começar a dançar ou alguma coisa do tipo_ Queria saber se tá tudo certo pra amanhã.
_ Amanhã?_ Rony estava confuso. O que tinha amanhã?
_ É, o acampamento de pais e filhos. Vamos levar James, Alvo e Rose. Você esqueceu?
_ Não, claro que não_ Rony disfarçou_ Acampamento de pais e filhos_ ele disse baixo.
_ Cara, você tá mesmo estranho hoje_ Harry concluiu, balançando a cabeça. Nesse momento, a tal Grace apareceu no corredor, avisando que a mesa já estava posta, e chamando todos para almoçar. Rony notou que ela lhe lançou um rápido olhar. Foi esquisito. Não esquisito como Hermione e Harry o haviam olhado, mas ainda assim era esquisito.
Ele se arrastou atrás de Harry e do resto de sua família e amigos, pensando que tinha muito que aprender e entender sobre sua nova vida, tirando o fato dele estar casado com Hermione e dos dois terem filhos. Disso ele já estava ciente. Mas tinham muito mais coisas; Harry e Gina estavam casados e tinham três filhos - um, Rony ainda não conhecia. Estranhamente, Angelina estava casada com Jorge e não com Fred. Havia essa tal Grace de quem Hermione, aparentemente não gostava e Rony queria descobrir por quê. A casa estava cheia de crianças, que Rony achava serem filhos de seus irmãos. Ele tinha um carro que ele não sabia dirigir. E no dia seguinte, ele teria um acampamento para ir. E essas eram só algumas coisas. Ele desconfiava que tinha muito mais para descobrir. Afinal, aquele era só seu primeiro dia naquela nova realidade.
Com um suspiro, Rony chegou a conclusão de que aquele seria um dia bem longo.
N/A: Bom, o Alex de quem o James falou, é filho do Jorge e da Angelina. Eu sei que o nome real do filho deles é Fred em homenagem ao gêmeo que morreu, mas isso não daria certo na história. Primeiro, porque na fic, Fred está vivo e segundo, porque não faria sentido o Jorge dar a seu filho o nome do irmão, depois vocês vão entender o motivo. Tirando isso, eu não mudei o nome de nenhum outro personagem. Enfim, espero que gostem. Ah, e eu resolvi deixar o nome do James como na versão em inglês. Acho estranho chamar ele de Tiago.
N/A 2: Paula, que bom que você gostou desse primeiro capítulo. A mudança do Rony foi realmente necessária para o andamento da fic. Obrigada, Paula. Lelezuda, eu ri com a sua review. Achei o seu nome de usuário engraçado (rsrsrs). Obrigada pelo comentário. Bela Black Weasley, obrigada por marcar presença nessa fic também. Significa muito. Obrigada, Bela. Vane Black, amiga, você não é folgada nada. Você pode! Obrigada por comentar, amiga, e fico feliz que você esteja gostando.^^
Até a próxima, gente.
Bjks!!!
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