Enquanto Kaede e shippou riam da mais nova peripécia da pequena raposa, eu arrumava minhas coisas.
Estava anoitecendo e eu queria voltar para minha casa para estudar e ver minha família.
Sango e Miroku tinham saído há algum tempo para ajudar os camponeses com algum youkai problemático, fazia algumas horas.
Já Inuyasha, tinha acabado de entrar na casa de velha Kaede, ele olhou para a minha bolsa e depois olhou para mim, de um jeito estranho. Eu fiquei olhando de volta, esperando ele dizer alguma coisa, mas nada. Quando eu abaixei a cabeça de volta para a bagunça que estava minha enorme bolsa amarela, ele se jogou sentado no chão. Ele ficou parado no canto da casa, de mau humor.
- Inuyasha, não tem por que você ficar com essa cara feia. – Eu disse, irritada.
Ele me olhou de sobrancelha erguida. – Que cara feia?
- Eu vou voltar para minha casa, Inuyasha, preciso ver meus pais, e de nada adianta esse seu mau humor. Você não vai me impedir.
Ele me olhou por um momento, agora com ambas as sobrancelhas erguidas, e depois girou os olhos. – Aham, claro.
Eu, Kaede e Shippou ficamos olhando fixamente para ele, chocados, esperando a resposta atravessada, que não veio.
O hanyou suspirou irritado e saiu da cabana. Eu pude ouvir ele pisando forte do lado de fora, antes de pular para longe.
Eu olhei para trás, vendo Shippou e a velha Kaede tão confusos quanto eu.
- Isso não foi muito estranho.
- Muito, Kagome. – Disse a velha Kaede.
- Gente, mas é claro que Inuyasha vai estar estranho! - Disse Shippou, nervoso. – Hoje é a noite humana dele! Obvio que ele vai estar mais estranho que o normal.
"Noite humana."
Lua nova era a noite humana de Inuyasha.
"Me dê permissão novamente na próxima noite de lua nova."
Eu virei para frente bruscamente, tentando esconder o fato que eu tinha ficado vermelha de Kaede e Shippou.
"Permissão."
"Noite de lua nova."
Eu entendi com um pouco de atraso o que Inuyasha estava esperando na porta da cabana.
- Kagome?
- Kagome, você está bem? – Shippou tinha acabado de pular no meu ombro, estava colocando a mãozinha na minha testa. – Você está muito quente e vermelha! O que aconteceu com você.
- NADA. – Eu gritei nervosa demais.
Eu me levantei bruscamente, fazendo a raposinha cair sem querer, e agora eu simplesmente joguei tudo que tinha sobrado no chão dentro da minha bolsa.
- Acho que eu preciso mesmo ir pro meu tempo, gente! Estou me sentindo muito doente. Cof cof. – Eu forcei a tossida mais falsa da história das tossidas falsas, que ficou ainda mais ridícula pelo fato de eu estar rindo e gaguejando nervosamente. – TCHAU GENTE.
Eu saí correndo, desajeitadamente, da cabana, sem ouvir direito as despedidas do youkai e da sacerdotisa. Eu parecia uma tartaruga velha com uma bolsa tão pesada nas costas, e só consegui correr durante alguns minutos, apenas o suficiente para ficar longe da cabana e da minha vergonha.
Quando eu finalmente fiquei cansada demais pra continuar, e tive certeza que ninguém estava me olhando, eu me apoiei em uma árvore e joguei a bolsa no chão.
"O que eu faço? Dou permissão de novo?" Pensei, ofegante.
Eu olhei em volta, para a minha solidão e o verde a minha volta e pensei "Inuyasha deve ter ido embora já, ele nem está aqui para eu dar permissão ou não."
Suspiro.
Bem que ele podia aparecer para pegar essa maldita bolsa pesada.
- Hunf, você só me quer para fazer trabalho braçal, mulher. – Veio a voz mal humorada de cima de mim.
Eu olhei para cima, bem na hora que Inuyasha pulava do galho mais alto da árvore que eu estava encostada. Ele caiu no chão, bem na minha frente, e pegou a minha bolsa enorme com um movimento fluído do braço, jogando ela sobre um dos ombros.
- Hum, eu falei isso em voz alta?
- Você está falando sozinha faz um tempo.
Nós nos olhamos por um segundo, os dois parados de frente um para o outro, Inuyasha segurando a minha bolsa, e eu corada.
- De onde você saiu? Achei que você tivesse ido embora.
Ele bufou, com o mau humor usual. – Você não entendeu ainda, tonta? Eu nunca estou muito longe de você... E não me olhe com essa cara. – Ele acrescentou, quando me viu sorrir, envergonhada e feliz.
- Que cara? – Eu perguntei, começando a andar, disfarçando minha emoção com uma frase dura.
Ele me seguiu e nós andamos num silêncio confortável até o poço.
Enquanto seguíamos, a floresta ia ficando mais escura, e o céu se pintava com tons de laranja conforme sol se punha.
Finalmente, chegamos ao poço.
Inuyasha largou a minha bolsa de qualquer jeito no pé do poço e se virou para olhar para mim. – Te vejo em três dias, então?
Eu só balancei a cabeça, incapaz de dizer nada.
Ele deu um suspiro, e se preparou para ir embora. – Até então.
- Calma!
Ele parou na posição que estava e me olhou.
- Eu.. Eu quero te dar permissão Inu, é só que eu estou morrendo de vergonha. – Eu quase gritei as palavras, falando muito rápido. Eu me senti ficando vermelha, e rapidamente escondi minhas mãos, que tremiam.
- Eu não vou te forçar a nada, Kagome. Tudo a seu tempo. – Ele disse, procurando meus olhos.
- Sim, eu sei que não. – Eu disse, com um risinho aliviado.
Nós nos olhamos.
Eu tive certeza.
Eu estendi minha mão para ele.
Ele me pegou pela mão e me puxou para o lado. Por um momento, eu achei que nós fossemos fazer ali mesmo, na grama, do lado do poço.
Mas Inuyasha tinha outros planos em mente.
- Chegamos. – Inuyasha disse.
Nós estávamos olhando para o grande lago, com a cachoeira que ficava perto do poço.
Inuyasha olhou para cima, rapidamente, conferindo o céu, agora quase escuro, me pegou no colo e, em um pulo, chegamos na base da pequena montanha que dava no lago.
Ele me colocou no chão e perguntou. – O que achou?
Eu olhei para o lago e depois para ele, com uma risadinha. – Eu não sei o que eu acho! – Eu escondi de novo as minhas mãos, que tremiam.
Ele deu um suspiro paciente. – Bem, espero que depois você ache que foi uma boa ideia.
Ele andou em direção ao lago, e já começando a tirar a roupa.
- O que você está fazendo? – Perguntei, morrendo de vergonha.
Ele olhou para mim e deu uma risada, já sem camisa. – Você sabe que é melhor nós fazermos isso pelados, né?
- Claro que sei. – Disse, baixinho, me sentindo idiota.
Ele deu uma risada curta, deixando os quimonos caírem no chão. – Então, qual a dúvida? - Perguntou, depois virou de costas e tirou a calça, a última peça de roupa, e entrou, nu, na água do lago.
Eu só fiquei olhando, mexendo na barra da minha camisa, vendo o hanyou nu entrar mais e mais na água do lago.
O sol se pôs, e o Inuyasha de cabelos prateados submergiu na água. Quando ele levantou de novo, foi o Inuyasha humano quem surgiu.
Ele me olhou, com olhos escuros e cabelos negros, molhado, nu, e de repente, eu senti que estava na noite mais romântica da minha vida.
Inuyasha tinha pedido para eu esperar até a próxima lua nova para que eu pudesse ter minha primeira vez com ele humano!
Além disso, algo estranho estava acontecendo com a água. Eu nunca tinha reparado, mas aquele lago não era um lago comum. A água brilhava na noite. Brilhava como se alguém tivesse colocado uma lanterna no chão do lago e tivesse ligado com o sol se pôs. Brilhava num tom de azul turquesa forte, que deixava uma luz fraca ao redor.
O azul, eu reparei, fazia os olhos de Inuyasha ficarem num belo tom de azul também.
- Vira de costas! – Eu disse, saindo do meu transe, e ele, respeitosamente, virou.
Sem mais hesitar, eu tirei os meus sapatos, as meias, a minha blusa, a minha saia, o meu sutiã e a minha calcinha, prendi o meu cabelo, e entrei na água.
"ai que frio!" Pensei. Ainda bem que a noite estava quente!
- Inu, a água tá fria! – Eu disse, mas ele havia mergulhado na água e eu não tinha a mínima ideia de onde ele tinha ido.
Eu continuei entrando, meio trêmula, mas corajosa, molhando meus ombros e os meus braços com a água, tentado me acostumar.
Quando a água estava na altura do meu umbigo, eu chamei de novo. – Inu?
Eu ouvi um barulho de água atrás de mim, e logo em seguida senti braços me envolvendo.
"Bu." Eu ouvi, bem baixinho no meu ouvido. Inuyasha tinha emergido da água, bem atrás de mim e me abraçado por trás.
Eu ri, apoiando as mãos nos braços dele, que estavam na minha cintura. – Que susto! – Eu disse, rindo. – O que você está fazendo? Seu bobo.
- Eu meio que tive a impressão que você não queria que eu te visse nua. – Ele sussurrou de novo, no meu ouvido. – Sabe, a ideia de vir para a água, é, em parte, para que eu não veja nada que você não queira.
Dito isso, eu peguei coragem e nós abaixamos juntos dentro da água, agora submersos até a altura dos ombros, e eu esqueci do frio.
- Vêm mais para o fundo. – Inuyasha disse. – Dá pé mais para lá.
Nós nadamos de mãos dadas, até um ponto mais no fundo do lago, em que Inuyasha conseguia ficar de pé com facilidade, e eu tinha que ficar me equilibrando nas pontas dos pés.
- Inu! – Eu reclamei.
Ele me pegou pela cintura de novo, me apoiando, e tirando meus pés do chão, e me beijou.
Por que eu estava tão nervosa antes?
