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Memória I: Frustrado
Dono: James Potter
Música: Anthrax – Any Place But Here
Caçando aquele fio de prata, fazendo luzes na escuridão, e então, estamos aqui...
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Eu já não estava agüentando mais... Quem agüenta? Todo mundo precisa de uma válvula de escape... Que se dane meu cargo de monitor-chefe, eu preciso descarregar minha raiva e apenas alguns socos e azarações em uma parede qualquer não teriam muito efeito sobre o que eu sentia...
Estava eu no salão comunal da grifinória, sentado, preenchendo alguns papéis e vendo Lily Evans preencher os relatórios da monitoria. Ah, como isso é chato e, ao mesmo tempo, deslumbrante. Tudo o que inclua Lily Evans é atraente.
- Hey, Lily... – chamei sorrindo um de meus melhores sorrisos.
- O que foi, James? – ela perguntou sem desviar o olhar dos relatórios e eu sorri. Agora ela me chamava pelo nome, mesmo sendo apenas por causa da monitoria. Bendito seja Merlin!
- Eu estava pensando... – me enrolei um pouco nas palavras até sair o seguinte – Será que você, sei lá, poderia dar uma volta comigo em Hogsmead? – ela ia falar alguma coisa do tipo de "já fica comigo cuidando dos alunos mais novos", mas eu a interrompi – Sozinhos de preferência? –
Ela olhou para os relatórios e, pela primeira vez naquela noite, ela me encarou. Ele me olhou, parecendo ponderar. Isso me deu esperanças... Mordeu o canto direito do lábio inferior de um jeito que eu considerei muito tentador. Muito mesmo. Tudo isso em poucos segundos, e eu já tremendo, esperando pela resposta. Merlin, só ela me deixa assim! Se ela aceitasse, talvez eu parasse de tremer. Quem sabe, né?
- Não, James. – ela falou desviando o olhar para os relatórios e eu suspirei. Ah, céus, por que é sempre assim? Eu arrisquei um olhar para ela e tenho certeza que ela estava me olhando, mas desviou o olhar a tempo. Merda de vida, merda de reflexos da ruiva.
Olhei através da janela, o céu estava escuro e um nevoeiro cobria a floresta proibida, deixando-a ainda mais assombrosa do que costumava ser. E foi olhando para a janela, e foi olhando para a janela que algo aconteceu em mim. Uma irritação começou a me dominar. Era como se uma voz em minha cabeça ficasse repetindo todos os foras que ela, Lily Evans, já havia me dado. Os "nãos" se acumulavam em minha mente. As centenas de faces rubras de raiva e irritação, os berros desenfreados e contínuos me acusando das mais diversas coisas...
E, ao mesmo tempo, estava silencioso. E isso me irritou. Eu queria gritar apenas para quebrar aquele silêncio.
Levantei da cadeira, quase a derrubando, assustando a ruiva ao meu lado, sem dizer uma palavra eu contornei a mesa e fui até a porta, os passos firmes. Ouvi Lily perguntar para onde eu ia.
- Espairecer. Longe daqui. – murmurei abrindo a porta e, após cruzar a saída, a fechei, acho que com mais violência do que queria.
Corri pelos corredores, sem um rumo certo, sem ver para onde ia, sem notar aonde poderia parar. Acho que os meus próprios pés me levaram à ele. Aquele que seria o alvo onde descontaria as minhas frustrações. Aquele que serviria como o meu escape. Como eu disse, todos precisam de um, certo?
- Hey, Snivellus! – gritei o mais alto que pude, os quadros reclamando comigo, me mandando para lugares não muito bonitos nem adequados para meus ouvidos puros. Ta, não tão puros assim.
- Potter? – ele perguntou com um sorriso de escárnio. – Qual o motivo da sua vinda? –
- Queria ver se já comprou o xampu para seus cabelos... Eles estão sedosos ou sebosos? – sorri com arrogância. – Posso te emprestar o meu, já que estamos no sétimo andar... – eu alarguei o sorriso – O que te tirou do ninho das cascavéis? -
Ele levou a mão ao bolso das vestes e eu estalei a língua em negativa.
- Na-na-ni-na-não, senhor Snivellus Snape. – eu fechei o rosto – Não quero que tente me atacar assim. Só uma cobra faria isso... Ah, é claro, esqueci que estou lidando com uma. –
Ele tentou me estuporar, o jato de luz vermelha cintilando perto de mim, que me esquivei jogando o corpo para o lado. Fácil.
- Estupefaça! – falei fazendo o movimento com a varinha. Quase o acertei. – Hum... Está mais rápido e um pouco mais certeiro. Continue treinando com seus amigos Death Eaters e você vai ser um mestre da varinha, Snivellus! Nem vai precisar sujar um caldeirão com seu ranho! – gritei, provocando-o.
Mais dois feitiços para tentar me estuporar. Esses foram mais certeiros. Não apenas os feitiços, mas também o efeito de minhas provocações.
- Cala a boca, Potter! – falou – A Lily te deu outro fora, não é? – eu recuei um passo – Hm... Interessante, Potter. O que você vê quando me ataca? Tenta atacá-la enquanto me ataca porque não pode fazê-lo pessoalmente? Você vê a imagem dela em mim? –
Eu o encarei. E ri. Ri muito alto. Muito, muito alto mesmo.
- Haha, se eu, há! Se eu a vejo em você, Snape? Hahaha! – eu segurei a barriga. – Céus, como você é engraçado. Não fale besteiras, precisarão te internar se continuar assim! - dois feitiços ricochetearam na parede e acertaram o chão.
Usando um Expelliarmus digno do Remus, o mestre do desarmamento, lancei a varinha de Snape longe e, no instante seguinte, ele estava de cabeça para baixo com o rosto parecendo pele de dragão. Dois em um, perfeito! Eu sorri um sorriso bem largo.
- Ainda não está bom o suficiente, Snivellus... Sua pele continua escamosa e muito oleosa. - comecei a me aproximar. Cerrei os punhos. Seria um soco só. Só um, e então o soltaria.
Quanto mais eu me aproximava, mais ele se balançava, tentando se soltar do feitiço. Quando eu estava a um palmo dele, uma voz conhecida chegou aos meus ouvidos.
- James Potter! O que pensa que está fazendo? – eu vi uma ruiva completamente vermelha atrás de mim.
- Oh, olá, monitora Lily Evans. – eu sorri – Eu estava brincando com um pouco com o meu amigo Snape, não é Snivellus? – perguntei sorrindo para ele.
Ela desfez ambas as azarações que lancei ao sonserino e ele saiu dali resmungando, pegou a varinha e foi embora. Ela apontou a varinha para mim, com uma incredulidade estampada no rosto.
- Por que, James? – ela perguntou, parecendo decepcionada.
- Por nada. – falei alto. Eu estava frustrado. Frustração misturada com tristeza e raiva resulta nas palavras seguintes. – Como você gosta de dizer, eu estava me divertindo como o arrogante, idiota e egocêntrico que sou, azarando qualquer um que cruze o meu caminho! Só por isso, Lily! – minha face deveria estar transparecendo a minha dor. Ela não gritou comigo. Ela me olhou com... Pena. Eu dei as costas. – Quer saber, Lily? Reporte a Dumbledore o que eu fiz. Eu estou deixando a monitoria. – ela abaixou a varinha, pude sentir, e então eu parti pelos corredores escuros.
O motivo pelo qual falei isso vocês devem saber. Eu não agüentaria ficar a noite toda ao lado dela, quase todos os dias, somente conversando sobre a monitoria. Isso só iria me deixar mais frustrado.
E então tudo evanesceu em preto... Cá estamos ao redor da penseira mais uma vez.
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Notas do Autor: A primeira memória. Não tenho muito a dizer, apenas deixei os personagens conversarem e agirem na minha maquete mental de Hogwarts. Nem todas as memórias serão assim, como eu disse, podem ter diversos sentimentos, chegando a misturar alguns deles. Nessa aqui, James é o narrador. As duas próximas memórias serão de Sirius (Divagar Devagar) e Remus (Lupin(o) e Vance). Bem, por enquanto é só!
PS: Escrita, editada e postada hoje. Me apontem os erros que acharem e ficarei feliz em corrigir.
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