N/A: Ainda esperando reviews no primeiro capítulo, mas como esse já estava pronto e eu to só um pouquinho ansiosa pela aprovação do público, resolvi postar logo, até pra mostrar que eu não pretendo demorar décadas entre uma postagem e outra.

Enfim. Aqui está.


Castigo ou Destino?

Dessa vez Lily não precisou socá-lo ou chutá-lo para que Potter a largasse. Ele simplesmente a soltou na melhor parte do beijo, sorriu e sumiu pelo labirinto de estantes, deixando-a completamente... enlouquecida.

Quando a garota conseguiu recompor-se e chegar às estufas, já estava bem atrasada. James já estava lá, intencionalmente perto de Amos Diggory e junto dos outros marotos. O professor só a deixou entrar porque era monitora-chefe, mas ela perdeu cinco pontos pelo atraso.

- Anjinho, ta tudo bem? O que aconteceu? Está corada... – perguntou delicadamente o namorado da ruiva, que tentava fugir do olhar fulminante de Potter ao se concentrar na planta à sua frente.

- Ahn, eu só... corri muito. É isso.

- Hum, você anda muito estressada com essa coisa de monitoria e tanto estudo. Que tal relaxar um pouco comigo depois das aulas?

Lily sorriu com a ideia, imaginando-se abraçada ao namorado mais tarde na sala dos monitores, onde ninguém mais tinha acesso... a não ser James Potter. Estremeceu e derrubou um pouco de terra nas vestes.

- Não sei, preciso ver se não tem muito trabalho hoje. – mentiu. Não tinha muito mais do que a ronda costumeira pelo castelo, feita bem depois do jantar. Ela teria tempo de ficar com Amos se não se demorassem muito nas refeições. Mas ela não estava com cabeça para isso. As lembranças dos beijos de Potter ainda estavam muito nítidas, e ele encarando-a daquele jeito sedutor durante toda a aula não melhorava em nada as coisas. Merlin, ela estava traindo seu namorado! – e com ninguém menos que James Potter! Seria traição mesmo que os beijos tivessem sido forçados? Se pelo menos não tivesse sido tão bom...

- Ora, tenho certeza de que o Potter pode te cobrir hoje. Certo, Potter? – perguntou o rapaz ao outro, que se atrapalhou e deixou que a planta mordesse sua pá de jardinagem.

- O quê? Ah, não, infelizmente não. – ele frisou o advérbio - A McGonaggal não aprovaria de jeito nenhum. O trabalho dos monitores deve ser feito em conjunto, entende, amigão?

Lily quis matar James Potter naquele momento, mais do que em qualquer outro. Sem perceber, ela tinha cavado sua própria cova. Agora seria obrigada a passar a noite ao lado do Potter, e não podia contrariá-lo, ela mesma dispensara o namorado. Como voltar atrás agora?

- É verdade, você não pode renunciar aos seus deveres, anjinho. Mas não tem problema, amanhã temos um tempo vago, não é? – disse Amos, docemente, mas um pouco incomodado com o jeito que James se dirigira a ele.

- Hum-hum. – respondeu Lily, sem reação, só agora pensando em como seria a ronda noturna ao lado de James. Seria uma tortura.

A aula acabou. Lufa-Lufas foram para a aula de Trato das Critaturas Mágicas e Grifinórios voltaram para o castelo. Lily tentava andar rápido para James não alcançá-la, mas era inútil.

- Estou ansioso para o nosso encontro hoje à noite, Lily! – disse o rapaz sorridente ao seu lado.

- Não me chame assim! – esbravejou a garota, e parando numa esquina vazia, puxou o rapaz para o canto enquanto o restante da turma se dirigia para a sala de aula. – Escuta aqui. Ou você fica bem longe de mim, ou eu vou dificultar e muito a sua vida.

James cruzou os braços e sorriu, curioso.

- Hum, e como a senhorita Lily Evans pretende fazer isso?

Lily parou. Não tinha pensado muito bem nessa parte.

- Eu falo pra McGonaggal que você está me assediando, tirando minha concentração e atrapalhando o trabalho a que fomos designados, tenho certeza de que ela te tira o cargo de monitor-chefe!

- Rá! – deleitou-se ele – Duvido que você teria coragem de dizer pra Minerva que anda traindo o seu namorado comigo! – Lily protestou, mas ele continuou – O máximo que ela vai fazer é me dar uns puxões de orelha e me colocar em detenção, mas não vai me tirar o cargo. Isso é com o Dumbledore, e ele gosta muito de mim. Você vai ter que pensar em alguma coisa melhor pra me fazer ficar longe de você, ruivinha.

Lily grunhiu, contou até dez. Quis chorar, mas se conteve. Ela era forte. Podia encontrar algum meio de se livrar do Potter. Ela ia conseguir. Tinha que conseguir.

- Eu te odeio, Potter!

- Você me ama, Evans!

Por conseqüência desse desvio no caminho da sala de aula, James e Lily chegaram atrasados na aula de Adivinhação. A professora os recebeu com muito desgosto.

- Ora, vejam só. Os dois monitores-chefes desta escola chegando à minha aula atrasados. É o cúmulo! Uma falta de respeito!

- Desculpe professora, eu...

- Não preciso ouvir, srta Evans. Eu sei. Eu vi na minha bola de cristal que isso aconteceria.

James não pôde segurar o riso. Achava a aula de Adivinhação a maior piada, mas preferiu ter ficado quieto. A sala estava silenciosa e a professora o olhava como se decifrasse seus pensamentos.

- ... E é por isso que eu me preparei. Ah, sim, eu me preparei para isso. Sr. Potter, Srta. Evans. Tomem seus lugares e abram o livro na página 357. Estamos aprendendo a ler o futuro nas linhas da mão. Quando a aula terminar, quero que venham à minha mesa. Tenho um presentinho para vocês.

Morrendo de vergonha, Lily sentou-se na única mesa vazia com uma vela acesa no centro. James seguiu-a e sentou-se ao seu lado. Ela apenas o ignorou. Ele estava sem o livro e ela foi forçada a dividir o seu com ele. Foi uma aula muito tensa. Lily nunca tinha feito dupla com James em nenhum exercício prático e agora tinha que decifrar o futuro do rapaz pelas mãos dele.

- Isso é tão ridículo... – ela murmurou, lendo no livro todas as possíveis interpretações para cada linha da mão, dependendo do comprimento, da posição, do desenho... uma perda de tempo, segundo ela.

- Eu concordo. De que adianta prever o futuro se não se pode fazer nada para mudá-lo?

- Cale a boca e me dê sua mão. – ela mandou, pousando o livro na mesa. Respirou fundo e pegou a mão do rapaz. Um choque passou pelo seu corpo. A mão dele era quente e áspera na palma, um pouco calejada devido ao uso intenso da vassoura no quadribol. Tentando manter-se calma, passou o dedo indicador delicadamente por cada linha da mão dele. Ele riu.

- Haha, faz cócegas!

- Psiu! De acordo com isso aqui, você vai ser um grande bruxo...

- Isso eu já sou. – Lily o ignorou e continuou a leitura.

- ... Vai se casar...

- ... Com você, eu espero. – a garota o chutou por debaixo da mesa.

- ... Vai ter um filho e...

- Escrever um livro e plantar uma árvore?

Lily ficou séria. Olhou para a mão dele e em seguida para o livro diversas vezes. Bufou.

- O que foi? Aí realmente diz que você vai se casar comigo? – perguntou ele risonho, mas curioso.

- Não... Deve ter alguma coisa errada. Deixa pra lá.

- Não, me diz. O que tem aí?

Lily olhou naqueles olhos sedutores pela primeira vez sem tentar desviar.

- Aqui diz que você vai morrer cedo...

O rapaz não se deixou abalar, embora mais tarde fosse voltar a pensar nesse momento com alguma preocupação.

- Ah, não leve essas coisas tão a sério. De repente eu vou morrer cedo tipo, seis horas da manhã. Isso é cedo.

Lily sorriu, mas alguma coisa a estava incomodando. Por mais que odiasse James com todas as suas forças, a ideia da morte do garoto não lhe pareceu muito agradável. Ele era tão jovem, tão cheio de vida, tão divertido, tão bonito, tão...

- Agora me deixe ler o seu destino, Evans.

Lily acordou de seus devaneios e quando viu sua pequena e branca mão já tinha sido envolvida pelas dele grandes e quentes.

- Vejamos... Aqui diz que você vai terminar com o Diggory, ser uma excelente bruxa, se casar comigo e teremos um filho lindo.

Lily puxou a mão e bateu o livro na cabeça dele com força.

- Por um momento esqueci que você é um idiota. – disse ela, cruzando os braços. Seus dedos formigavam devido ao contato com os dedos dele.

- Mas é verdade, eu juro que vi tudo isso aqui. Palavra de maroto.

O sinal soou e todos deixaram a sala. Lily terminava de guardar suas coisas e James já estava na porta quando a professora os chamou.

- Não pensem que me esqueci. Venham cá, os dois.

Os dois monitores-chefes se dirigiram até a mesa da professora de Adivinhação e sentaram-se em pufes à sua frente.

- Como sabem, eu sou uma perita em Adivinhação. Posso ler o passado, o presente e o futuro de qualquer um. Com vocês não foi diferente. Hoje de manhã enquanto fazia minhas consultas diárias à bola de cristal, tive uma revelação sobre o destino de vocês. E previ que se atrasariam.

- Sim, a senhora já disse isso. – falou Lily, impaciente. Desse jeito ia chegar atrasada na próxima aula também. A professora lançou-lhe um olhar fulminante por tê-la interrompido, mas continuou.

- E portanto eu preparei um trabalho extra para os dois. Em dupla.

- Trabalho extra? Tipo uma detenção? – questionou James, inconformado.

- Sim, Sr. Potter. "Tipo" uma detenção. Mas tenho certeza de que quando terminarem este trabalho, pensarão muito diferente um do outro do que pensam agora. Vão aprender a conviver, aceitar suas diferenças, e a gostar um do outro.

Lily revoltou-se e James sorriu, já fazendo planos mentalmente.

- Me desculpe, mas a senhora não pode fazer isso! Eu nunca vou gostar do Potter.

- Não reclame, senhorita Evans. O destino quis assim. Sou apenas uma intermediária. E tenho certeza de que daqui algum tempo você vai mudar de ideia.

- Ta, e que trabalho é esse? – perguntou James, curioso. Tudo o que fosse lhe fazer passar mais tempo com Lily lhe soava muito bem.

- O objetivo central é segredo. Vocês dois só vão descobrir depois que passarem bastante tempo juntos. E eu repito, bastante tempo juntos. A tarefa de vocês é conhecer melhor um ao outro.

- Como é? E por quanto tempo vamos ter que "ficar juntos"? – questionou Lily, não gostando nada da ideia.

- Até vocês descobrirem qual é o objetivo secreto desse trabalho. E, para garantir que vocês passem mesmo muito tempo juntos, vou lhes dar umas tarefas de vez em quando para realizarem juntos. Entenderam?

- Eu não entendi, mas já gostei! – declarou James. Lily deu um murro no seu braço, mas ele nem sentiu.

- Isso é loucura. Por que temos que fazer isso? Esse castigo perpétuo que é ficar junto do Potter? Só por que nos atrasamos uma vez? E se eu não quiser fazer isso?

- Eu já disse que o objetivo central é segredo! – sibilou a professora, impaciente. – E se um dos dois não quiser colaborar... vou ser forçada a reprová-los. E ninguém consegue uma boa carreira se for reprovado em alguma disciplina, mesmo que seja apenas Adivinhação. Considere como um trabalho valendo nota, Srta. Evans. Agora saiam daqui. Já me cansei de vocês.

Lily revirou os olhos, indignada, apanhou suas coisas e se dirigiu para a saída, irritada, sendo seguida por um James muito alegre.

- Ainda hoje vocês receberão uma tarefa que devem cumprir...

- ...Juntos, já entendi!

E com isso, Lily fechou a porta num estrondo. Ao longo daquele dia, James a seguiria para onde quer que ela fosse, para desespero da garota.

Sozinha em sua sala, a professora de Adivinhação sorria para sua bola de cristal.

- Esses dois não entendem nada de destino... Mas vão descobrir... Ah, vão.