CAPÍTULO – 1
O CÁRCERE DE UMA ESCOLHA
18 meses depois...
- Senhor Malfoy, visita para o senhor, é sua mãe! – Disse a secretária.
- Obrigado Jana! Mande – a entrar... – Respondeu Draco, que deu um sorriso ao olhar sua mãe entrar no escritório, "quem diria: Draco Malfoy vivendo e trabalhando como um trouxa", pensou. – É, a vida é mesmo cheia de surpresas... – murmurou para si mesmo. - Olá mamãe... – ele disse.
Já haviam passado dez anos depois que se formara em Hogwarts, ao longo desse tempo muitas coisas aconteceram: a derrota de Voldemort, a morte de seu pai Lúcio Malfoy, que havia deserdado Draco por ele não querer se juntar aos comensais, mas Draco também não se juntou aos do "bem", ele simplesmente ficou do lado dele próprio. Depois de ser deserdado e ficar sem dinheiro, passou por maus momentos, mas prometeu a si mesmo que jamais pediria ajuda ao seu pai. Draco veio para o mundo dos trouxas que aliás ele odiava, mas depois de descobrir como era fácil ganhar dinheiro, ele começou a gostar, aliás era isso que o motivava: dinheiro e poder. Prometeu a si mesmo que faria fortuna e quando voltasse ao mundo mágico seria mais poderoso que seu pai. Hoje ele é dono de uma grande companhia ao qual todos respeitavam. Era bizarro, mas as vezes ele se sentia um trouxa.
- Como vai meu filho? E como vão as coisas? – perguntou Narcisa em seu tom frio de costume.
- Indo muito bem – respondeu ao se virar e exibir um belo sorriso para a mãe.
Narcisa não pretendia se distrair da missão de fazer o filho voltar para o mundo mágico. Contudo, foi obrigada a reconhecer que aquele sorriso distrairia qualquer outra mulher. Como se não bastasse, com certeza também desarmaria e desorientaria alguma menos avisada.
Aos vinte e oito anos, Draco havia desenvolvido uma espécie de olhar fatal no que dizia respeito às mulheres. Exibia uma impressionante e arrebatadora sensualidade que não tinha antes. Ficara alto e atlético. Sem dúvida uma mistura poderosa.
- Bem, vim para saber se finalmente volta comigo! – disse Narcisa.
- Mamãe, eu já disse! Farei isso assim que terminar o que tenho pra fazer aqui. – respondeu.
- Draco, o crápula do seu pai já morreu, não tem mais que se preocupar, você não é mais um garoto, agora já é um homem feito... Medo! – provocou ela. – Com vinte e oito anos e está com medo!
- Eu não tenho medo de nada! – respondeu Draco indignado. O sorriso desaparecera por completo.
" É meu filho, você odeia mesmo isso, não? Sempre gostou de ter total controle sobre a própria vida, tanto quanto odiou cada momento em que se viu encurralado", pensou ela. Ninguém jamais havia conseguido convencê – lo a fazer algo que não quisesse.
Contudo, como mãe, Narcisa se viu obrigada a admitir a admiração que sentia pela tenacidade e vigor do filho. Draco era alguém cuja ousadia permitia realizar coisas que para outros não passavam de sonhos. Ele seguira os próprios instintos e realizara todos os objetivos que tivera. Pelo menos no campo profissional. Narcisa gostaria que seu filho tivesse mais sorte no amor do que ela, que vivera um casamento sem amor e sem carinho, com um homem perverso e cruel, tanto que quando ele morreu seu único sentimento foi o de alivio. Mas sem saber o porquê, Draco havia se tornado amargo com as mulheres em geral. Ele nunca quis explicar o que acontecera.
- Essa sua relutância se deve a alguma mulher em especial? – foi direta.
Draco sentiu uma surpresa intensa e profunda ao ouvir aquilo, mas ocultou bem o abalo que a pergunta lhe causou. Não podia dizer a mãe que encontrara a tal mulher ali mesmo em Londres. O problema era que ela era uma trouxa. Mesmo assim, ele não conseguia esquecê – la. Parecia uma obcessão que o perseguia durante o dia e se tornava um pesadelo a noite.
Estava perdendo a própria identidade. Não sabia que rumo dar a própria vida. Estava perdido desde que acordara naquela manhã e descobrira que ela havia sumido. Por mais que procurasse, não encontrara nenhuma pista da identidade da mulher que o afetara para sempre. Era como se ela jamais houvesse existido.
O fato porém, era que ela existia. Bastava fechar os olhos para que as lembranças lhe viessem a mente, em um turbilhão. O rosto. A paixão. O calor envolvente daquele corpo perfeito...
Como uma mulher podia exercer tanto poder sobre ele? Logo ele, Draco Malfoy, que poderia ter a mulher que quisesse a seus pés?
- Draco? – Narcisa chamou – Não me trate com indiferença. Não suporto quando fica quieto e me ignora.
- Não à estava ignorando, estava apenas pensando! – respondeu.
- Em voltar comigo, eu espero! – disse ela com certa impaciência.
Draco voltou a lembrar do passado, mas exatamente quando chegou no mundo trouxa, sem dinheiro, sem amigos, aliás coisa que ele nunca teve realmente, mas tinha uma determinação em vencer indescritível, e a mágica o ajudou muito também, com o passar do tempo muitas coisas mudaram, e ele também mudou, não se sabe se para melhor, afinal uma vez Malfoy, sempre Malfoy.
Draco olhou em volta, e pensou em tudo no que havia conquistado sozinho. Sua empresa era uma das mais importantes de toda a Europa, saia com lindas mulheres, obtivera respeito de gente importante...
Entretanto, tudo aquilo já o estava cansando. Não precisava mais fazer fortuna, pois investira em negócios que lhe rendiam o suficiente para parar de trabalhar pelo resto da vida, se assim desejasse.
Talvez agora fosse o momento de deixar o circuito do mundo dos negócios e alçar vôo diferente, dando mais asas a criatividade.
Talvez sua mãe estivesse certa e houvesse mesmo chegado a hora de voltar para casa, ao menos para achar um rumo na vida. A maneira como vivera no último ano o estava destruindo aos poucos e a situação não poderia continuar assim.
- Está bem, vamos para casa! – Draco respondeu finalmente.
