Preciosa – Parte 2
Sasuke sentiu o chackra da sua filha ao longe e sorriu. Até que enfim ela estava voltando da escola. Ele tinha passado a tarde toda treinando sozinho, mas os momentos de solidão que ele tanto gostava quando mais jovem já não eram mais tão prazerosos agora que ele tinha a sua filha.
Portanto, impaciente, ele resolveu dar a volta na casa e se deslocou do quintal nos fundos para a porta da frente para receber o que havia de mais precioso na vida dele.
Sarada estava a uns bons metros longe de Sasuke, mas mesmo assim ele conseguiu imediatamente detectar o machucado na testa e os óculos quebrados na mão dela. Ele com certeza não teria os visto de tão longe se não tivesse olhos de Uchiha e, ainda mais potentes, olhos de pai.
"Sarada!" Em menos de um segundo ele estava de frente para ela. Para o seu horror, o pequeno ferimento acima da sobrancelha dela era verdadeiro, assim como os óculos vermelhos que ela tanto gostava quebrados na mão dela.
O coração dele nunca bateu tão forte. Tudo o que ele enxergou foi vermelho. Aquilo não parecia ser um ferimento inocente de uma queda ou outro acidente – e mesmo se fosse ele iria se certificar de que o local em que ela tropeçou sumisse da face do planeta Terra, nem que ele que tivesse que destruí-lo com as suas próprias mãos.
Ninguém encostava um dedo sequer na sua filha.
"Sarada, o que aconteceu?" ele perguntou com os dentes cerrados, agachando-se na frente dela para averiguar melhor o machucado. Não era nada profundo, mas Sasuke sabia que havia sangrado. Alguém vai pagar muito caro por isso.
"Eu estou bem, papai. Não foi nada," ela respondeu. Não gostava de ver o seu pai nervoso daquele jeito.
"Nada? Você está machucada, Sarada! Me diga agora mesmo quem fez isso com você!" As suas palavras fizeram uma memória longínqua ser ativada na sua mente. Anos atrás, da Floresta da Morte, envolvendo uma outra Uchiha – que na época era Haruno. Se Sasuke ainda pudesse ser dominado pelo selo amaldiçoado nos dias atuais, o seu corpo já estaria tomado por ele e ele já teria tirado algumas muitas vidas.
"Não se preocupe, tio Sasuke! Eu já cuidei de tudo!"
Só naquele momento Sasuke percebeu a presença do filho irritante de Naruto ao lado de Sarada. Ele desviou os olhos – o kekkei genkai involuntariamente ativado – para o garoto. Boruto engoliu em seco. Bem que o meu pai falou que não era bom deixar o tio Sasuke com raiva.
"Foi você quem fez isso com a minha filha, Uzumaki?" Sasuke questionou e se levantou para olhar o garoto de cima para baixo. Boruto deu um passo para trás, assustado. "Responda!"
Sarada se colocou entre os dois e abraçou a cintura do pai. Ele tremia. "Não, papai! Ele não fez nada! Não foi ele que me machucou!"
"Então quem foi?" ele rugiu.
"U-uns garotos da escola –"
"Eu não estou falando com você, Boruto."
O menino se calou e abaixou a cabeça.
"Sarada." Ele se virou para a menina. "Fale. Agora."
Ele viu o rosto da sua filha ruborizar enquanto ela desviava os olhos. Estava encabulada. "Uns meninos bobos da escola estavam me chateando por causa dos meus óculos. Eles me empurraram, eu caí e quebrei isso." Ela levantou os óculos quebrados, fitando-os com tristeza. Eram os seus preferidos.
Sasuke fechou os olhos e respirou fundo. Ele seria jogado direto na pior cela possível da prisão, mas não se arrependeria nem um pouco de matar um bando de crianças.
"Quem são eles?" ele perguntou com os dentes trincados.
"Não importa, papai. Eles são bobos e chatos. Eu não quero nunca mais ver eles."
O desejo dela seria realizado. Sasuke os mandaria direto para o inferno.
"Sarada," ele se abaixou e a encarou direto nos olhos. "Me fale o nome deles."
"Papai, você não vai bater neles." Ela rolou os olhos, falando do mesmo jeito que a mãe, como se dissesse "papai, você está sendo tolo".
"Eles não vai sair impunes. Ninguém machuca a minha família." Nunca mais.
"O que significa impune, papai?"
"Significa que eles vão pagar pelo que fizeram com você."
"Não se preocupe, tio Sasuke!" Boruto interrompeu – agora mais seguro que o seu padrinho estava mais calmo – e apontou o polegar para o próprio peito. "Eu cuidei deles."
Sasuke voltou a sua atenção para o filho de Naruto. Se ele não estivesse fumegando de raiva teria percebido o quão parecido com o pai aquele garoto era – inclusive no quesito irritante – especialmente naquele momento.
"Do que você está falando?"
"Eu dei uma boa surra neles, é claro! Eu vi que eles estavam enchendo o saco da Sarada-chan e resolvi usar o meu talento Uzumaki neles para que eles nunca mais mexam com ela! Eu até acho que quebrei o nariz de um deles. E eu trouxe a Sarada-chan atém em casa para ter certeza que eles não iam incomodar ela mais." Ele sorriu um sorriso largo e orgulhoso para Sasuke. "Então, não precisa se preocupar, tio Sasuke! Já está tudo resolvido!"
Foi só então que Sasuke notou que o rosto do menino também estava machucado. Vários hematomas no rosto, algumas manchas de sangue, o cabelo bagunçado e sujo.
Ele tinha lutado pela sua filha.
"Ele está falando a verdade, Sarada?"
"Está, papai."
Ele voltou para Boruto. "Você tem certeza que bateu bem neles?"
"Papai!" Sarada exclamou, indignada.
"É claro!"
"Bateu em cada um deles?"
"Com muita força."
"Acha que eles aprenderam a lição?"
"Eles seriam muito burros se voltassem a mexer com a Sarada-chan enquanto eu estiver por perto."
Sasuke esperava que o menino tivesse razão. Afinal, os garotos que agrediram Sarada tiveram a coragem – que poucos nesse mundo tinham – de sequer pensar em incomodar a filha de Uchiha Sasuke e Haruno Sakura. Eles realmente tinham que ser muito estúpidos.
"Escute aqui vocês dois," Sasuke recomeçou, olhando sério para as duas crianças. "Se eles forem imbecis o suficiente para pensar em mexer com você de novo, Sarada, que quero que você venha até a mim e me fale imediatamente, está bem?" Ele se certificaria de que eles sairiam com muito mais do que um nariz quebrado.
Ela rolou os olhos. "Papai, eu sei me virar sozinha." Ela provavelmente ouviu aquilo da mãe.
"Eu não me importo com isso. Eu quero resolver as coisas se tiver uma próxima vez."
"Ei, tio Sasuke, você pode me chamar? Foi bem legal brigar com aqueles caras."
Sasuke encarou o menino. "Não."
Boruto fez uma cara de decepção. "Por quê? Eu sou muito mais forte que eles! Eles não tiveram nenhuma chance contra mim – a Sarada-chan está de prova!"
Sarada olhou com um falso desprezo para ele. "Você só conseguiu porque os pegou de surpresa."
"O quê? É lógico que não! Eu teria derrotado aqueles idiotas mesmo se tivesse mandado um aviso de que quebraria a cara deles uma semana antes!"
"Boruto, você não é tão bom quanto pensa que é. Pare com essa sua mania de querer ser o melhor porque você não é."
"Eu sou o melhor, sim! O meu pai disse que quando eu crescer eu vou ser tão forte quanto ele!"
"O seu pai estava errado!"
"O meu pai é o Hokage! Ele sempre está certo!"
"Então ele estava bêbado quando te disse isso!"
"O meu pai não bebe!"
"Bebe sim!"
"Não bebe!"
"Bebe sim –"
"Já chega!" Sasuke os interrompeu com uma voz autoritária. Os dois pararam imediatamente. Não seriam loucos de negar as ordens de Uchiha Sasuke. "Entrem os dois para casa. Agora."
"Por que eu tenho que entrar? Eu tenho que ir para a minha própria casa," Boruto resmungou enquanto Sasuke os conduzia para dentro.
"Eu vou te levar depois. Sarada, vá trocar essa roupa suja," ele mandou quando chegaram. Ela jogou a bolsa no sofá da sala – o que com toda certeza iria lhe render uma repreensão da mãe – e foi para o seu quarto. "Boruto, sente-se e me espere."
O Uzumaki deu de ombros e se esparramou no sofá. Ele não teve nenhuma vergonha de pegar o controla de televisão e liga-la.
De braços cruzados, Sasuke aguardou a sua filha trocar de roupa do lado de fora do quarto dela. Quando ela saiu, limpa, ele se agachou de novo na frente dela e pegou na pequena mão da sua filha.
"Você está bem?" ele perguntou, agora que estava mais tranquilo.
Ela assentiu. "Eles só me empurraram, papai. Eu não me machuquei."
"A questão não é se eles te machucaram ou não. Eles não deviam nem pensar em te tocar." Ele afastou o cabelo do rosto dela para colocar um curativo na ferida da testa. "Você não vai me dizer quem são?"
"Você só vai ir atrás dele e se meter em confusão," ela murmurou. "Eu não quero que você se encrenque por minha causa."
"Sarada, eu faço qualquer coisa por sua causa. Nunca se esqueça disso."
Ela abraçou o pescoço do pai e Sasuke retribui o abraço imediatamente. "Eu fiquei com medo, papai. Eles eram maiores do que eu e malvados e ficavam rindo de mim e falaram que eu era quatro olhos e que eu nunca conseguiria lutar com esses óculos e que eu não devia ser sua filha nem da mamãe se eu era tão fraca que eu precisava usar óculos..."
A calma de Sasuke se desfez. Ele teve que apertar Sarada contra si para se impedir de soltá-la e atravessar a sua katana na garganta de cada um deles.
"Eles são estúpidos, Sarada," ele tentou remendar. "Não escute o que eles dizem. Você não é fraca. Eu aposto que eles nunca aprenderiam o jutsu de fogo dos Uchiha em menos de uma semana como você fez. Eles só estão com inveja."
"Foi o que o Boruto disse." Ela fungou e soluçou. Ele iria matar aqueles desgraçados que fizeram a sua filha chorar. "Ele disse que eles estavam com inveja de mim."
"Ele estava certo. Você é melhor do que qualquer um naquela academia."
Ela se afastou dele para limpar o rosto molhado. Sasuke a ajudou, passando os dedos nas bochechas dela. "Você acha que eu vou ser forte igual você e a mamãe, papai?"
"Eu não acho. Eu tenho certeza."
Ela sorriu. Nada era mais efetivo para acalmar o coração de Sasuke.
Ele pegou-a no colo e a levou de volta para sala – onde Boruto estava entretido em um desenho animado que Sasuke sabia que Sarada também gostava.
"Ei, garoto. Venha até aqui," ele ordenou depois de recolocar Sarada no chão e instrui-la que fosse se sentar no sofá.
"Por quê?"
"Apenas venha."
Relutante, Boruto seguiu Sasuke até o banheiro. Lá, o Uchiha pegou o seu afilhado pelas axilas e o sentou na pia, de costas para o espelho, abriu o armário embaixo para pegar o kit de primeiros socorros que Sakura mantinha ali.
Silenciosamente Sasuke limpou os machucados do rosto e nas mãos do menino. Não era nada preocupante, ele concluiu, mas seria melhor entrega-lo em melhores condições aos pais dele. Afinal, ele tinha ficado daquele jeito pela sua filha. Era o mínimo que Sasuke podia fazer.
"Está ferido em mais algum lugar?" Sasuke perguntou depois que quase dois minutos de silêncio se passaram.
"Pfff. Eles praticamente nem me arranharam."
Sasuke balançou a cabeça. Aquele menino era mesmo filho de Naruto.
"Eu posso ir para casa agora? Eu estou com muita fome."
"Não. Espere Sakura chegar. Eu quero que ela dê uma olhada nesses seus machucados."
"Mas a minha mãe não gosta que eu chegue tarde em casa. Se ela brigar comigo eu vou falar que a culpa é toda sua!"
"Eu vou mandar uma ave para ela explicando a situação."
"Tudo bem." Ele desceu da bancada com um pulo. Ele já tinha atravessado a porta do banheiro e estava no meio do corredor quando Sasuke o chamou. "O que foi?"
Sasuke fitou o garoto por alguns instantes. Ele não parecia nem um pouco afetado por ter brigado com um grupo de outros meninos. Estava tão feliz e irritante como sempre, como se nada tivesse acontecido.
Ele pigarreou e desviou os olhos. "Você fez bem. Eu agradeço."
Boruto deu de ombros, como se receber um agradecimento de Uchiha Sasuke não fosse nada demais. "De nada."
"Mas eu quero que você tenha cuidado da próxima vez. Você poderia ter se ferido gravemente."
"Bem, eu não tinha mais o que fazer. Eu não me arrependo de ter brigado com aqueles idiotas. Eu não iria deixar eles machucarem Sara."
Sasuke sentiu uma quentura no seu peito. Aquilo era... orgulho? Pelo filho de Naruto?
Ele se remexeu. "Tome cuidado se isso acontecer de novo."
"Pode deixar, tio Sasuke! Você pode fazer alguma coisa para eu comer agora? Eu estou realmente com muita fome."
Xxxxxx
A.N.: E as ideias não param de fluir...
