Disclaimer: Eu não sou a J.K. Rowling, bla, bla, bla, e nada aqui a não ser o plot e a escrita me pertencem.

N/A: Bem, aqui está o capitulo um ^^ Acho que não demorou muito para vir, até porque já estava escrito. Adorei todas a reviews e respondi a todas das pessoas que tinham cadastro no site, obrigada meninas ^^ Quanto ao próximo capitulo, eu sinceramente não sei se vem rápido ou não, sendo que não está completamente escrito e eu ainda tenho de reformular umas coisas que acho que não ficaram muito bem.

Beijinhos, e quero reviews: quer gostem, quer não gostem, qualquer coisa :**


Capítulo 1

St. Mungus era o melhor hospital bruxo de Londres. Por fora, uma boutique velha e abandonada. Por dentro, um enorme hospital, de paredes de azulejos brancos e esverdeados, esquadrões de medibruxos a andar de um lado para o outro e, pelas paredes, quadros de curandeiros famosos e, no geral, irritantes.

No quarto número 23, um quarto totalmente branco, ocupado apenas por uma cama e algumas estantes cheias de frascos coloridos, era onde estava Lily: pálida como papel, os cabelos longos e ruivos desalinhados.

A porta de madeira pintada abriu-se com um estalido, por onde entrou uma mulher baixa, com uma bata verde e um homem de altura mediana e cabelo e olhos castanhos-claros, com um ar abatido.

- Ela está estável agora, mas continua desacordada. – Explicou a mulher. – E não se esqueça que só o deixei vê-la porque o senhor parece realmente muito abatido e preocupado: a Srª Potter não pode receber visitas.

- A senhora já me disse isso, milhões de vezes, Mrs. Connor e eu percebi à primeira. E também já lhe agradeci por isso. – O homem respondeu de forma educada.

- Então, eu presumo que não seja Mr. Potter, sendo que ele infelizmente faleceu no ataque a Godric Hollow, então o senhor é o quê à Srª Potter? – Perguntou a mulher, sem sequer disfarçar a curiosidade: com certeza a sua mente maldosa já inventara imensas histórias de infidelidade entre a ruiva e o homem preocupado.

- Lily é minha amiga, desde os tempos de Hogwarts. Tal como James. – Ele parecia calmo, embora falar em James, o seu melhor amigo, fosse doloroso. Mas agora a única coisa que podia fazer era apoiar Lily na sua recuperação – tanto física quanto psicológica. – Sou Remus Lupin, já agora. Penso que já ouviu falar de mim, sendo um dos principais activistas a favor dos direitos dos lobisomens.

A mulher pareceu olhá-lo de alto a baixo, concerteza tentando ver se o reconhecia de algum lado. Por fim pareceu lembrar-se – talvez de algum dos O Profeta Diário antigos que só deitara uma vista de olhos e atirara para o lixo em seguida, num dos dias de maior trabalho. De qualquer forma, sorriu.

- Bem, vou deixá-lo a sós com a Srª Potter, então. Com licença e, se houver qualquer problema é só chamar. - A mulher deixou o aposento, silenciosamente, deixando Remus a olhar com ar abatido para Lily.

Ele queria que a sua amiga, que tanto lhe ajudara e tanto fizera por ele, acordasse o mais rápido possível. Mas sabia que, quando Lily acordasse, era provável que ficasse com alguns problemas psicológicos devido à situação traumática e à perda do marido e do filho. Ainda mais, ele sabia que era provável que ela não aguentasse: ela era uma pessoa corajosa, lutadora e, externamente, bastante forte, mas também era sensível e deixava-se abater muito facilmente. Sem James ou o filho para a levantarem, ela cairia sucessivas vezes, cada vez mais fundo.

- A Srª Potter já acordou, como lhe disse na carta que lhe mandei. Mas ela está muito confusa e ainda vai ter de ficar no hospital alguns dias, a recuperar, sendo que o seu ferimento no abdómen ainda não está totalmente cicatrizado e nós queremos ver se ela teve algumas sequelas. – A curandeira não parava de falar, desde que Remus entrara e o acompanhara pelos corredores do hospital, instantes depois de ele ter recebido a carta com a notícia esplendorosa que Lily tinha acordado.

Tinha passado uma semana desde que ele a visitara e nove dias desde que ela fora encontrada debaixo dos escombros da sua casa em Godric's Hollow e fora internada em estado grave no Saint Mungus. Mas, apesar do alívio que sentia pela saúde da amiga já estar quase restabelecida, agora é que os problemas iam começar, na sua própria opinião.

- Lily! – Ele exclamou, um sorriso alegre espalhando-se no rosto e fazendo-o parecer uns dez anos mais novo e infinitamente mais belo, mal entrou no quarto pequeno em que ela estava.

- Remus. – Ela também sorriu, reconhecendo-o imediatamente, mas o sorriso não era tão aliviado nem tão aberto quanto o dele, mas mais sorumbático e triste.

Ela encontrava-se acompanhada por uma curandeira auxiliar, que lhe dava uma poção azul-turquesa à boca e, quando ele entrou, quase empurrou a pobre mulher e, com uma gota azul no canto da boca, abraçou e beijou as faces do amigo mal ele se aproximou da cama. Sentia-se estranhamente aliviada por o ver, embora aquela dor insuportável no fundo do peito não tivesse cessado, nem parecia prestes a cessar.

Remus limpou-lhe os lábios com as mãos macias e masculinas e, depois do aparato inicial, sentou-se ao lado dela na cama, observando a curandeira auxiliar acabar de lhe administrar todas as poções. E, só quando ela deixou o quarto, ele desfez o sorriso cortês e olhou com um ar pesaroso para a ruiva.

- Agora, diz-me: como estás, realmente? – A pergunta foi acompanhada com um afago terno pelas bochechas pálidas da mulher, enquanto a outra mão agarrava a mão feminina com uma delicadeza pouco masculina.

- Não te consigo esconder nada, pois não, Remus? Engraçado que tu eras quem eu mais tolerava nos tempos de Hogwarts – de vocês os quatro, claro – mas de quem mais me afastei nestes últimos dois anos. Não compreendo porque não nos visitavas tão frequentemente quanto Sirius, e, admito, cheguei a pensar que tu poderias estar farto de nós ou, ainda pior, teres sido"levado" pelas Trevas. – Os olhos esmeraldinos estavam aquosos devido Às lágrimas que teimavam em aparecer, a voz rouca devido ao pouco uso.

- Por Mérlin, Lily! Eu nunca na vida iria ficar farto de vocês. Tu, o James – pronunciou o nome do amigo tristemente – o Peter e o Sirius eram a minha família, desde que a minha mãe morrera. Eu só não aguentava aquele pesar, aquela tristeza que pairava naquela casa desde que Dumbledore anunciara que o Harry podia ser o bebé da Profecia. – Admitiu, os olhos também já marejados. – E eu nunca vos seria capaz de trair, Lily. – Pelo comentário mordaz, tão pouco típico do pacífico e calmo Remus, ela foi capaz de compreender eu ele, tal como toda a gente, pensava que Sirius era o Fiel do Segredo da casa: que ele era o traidor e, neste momento, ele já devia estar em Azkaban.

- Remus, olha para mim. – Pediu, agarrando com firmeza as mãos dele. – O Sirius não era o Fiel do Segredo. Peter era. E foi ele que nos traiu. É isso que tu tens de dizer aos Aurores, logo que saias daqui. Não pretendo que ele seja preso por um crime que não seria capaz e cometer, nunca. Atraiçoar os amigos é tão pouco típico dele, Remus: pensei que tu serias o único a acreditar que ele está inocente.

- O Peter? – Ele estava boquiaberto com a notícia. Desde que descobrira que James e Harry tinham morrido sentira-se atraiçoado por Sirius, que pensava ser o Fiel. Agora que essa constatação mostrava-se falsa, sentia-se bastante mais aliviado e envergonhado por ter duvidado do carácter do amigo.

Lily explicou-lhe tudo no resto do tempo em que ele passara ali. Só cedera às lágrimas quando ele se foi embora e em nenhuma vez mostrara-se fragilizada ou doente, tirando a palidez apática. Tentava mostrar-se forte, mas Remus sabia que, por dentro, ela estava a definhar e, quando tivesse alta, a dor iria atacar brutalmente; a dor da perda de duas das suas partes mais importantes: o marido e o filho, que amava com tanta intensidade.

E apenas essa ideia fazia-o querer ir correr para casa e esconder-se debaixo dos lençóis.

- Tem cuidado, tu ainda não podes fazer muitos esforços. – Avisou Remus, ajudando-a a sentar no sofá de cabedal branco.

Lily acabara de sair do hospital, com a alta assinada pela curandeira responsável e, sendo que a sua casa fora destruída, Remus levara-a para casa dele, que tinha um quarto a mais e que ele arranjara com cuidado para ela poder vir viver com ele, sob os protestos da ruiva, claro.

Ela encontrava-se melhor, embora por vezes ficasse distante e apática e estivesse bastante pálida, com os longos e outrora brilhantes cabelos ruivos baços e sem vida. O seu ventre agora tinha uma cicatriz fina e cor-de-rosa a destoar da pele branca e o seu coração tinha a maior das cicatrizes, esta em carne viva.

Ela não tinha a certeza se esta última alguma vez cicatrizaria.

- Remus, eu já te disse que não estou inválida. E também já te disse que eu podia pagar por um alojamento temporário num hotel ou pensão com as minhas economias e que depois comprava uma casa para mim, tu não precisavas de te incomodar. – Ela reclamou, virando-se para o homem com uma falsa cara de poucos amigos.

- Eu sei que não és inválida, Lily, mas enquanto não puderes trabalhar é sinal que ainda tens de estar em repouso, certo? Então, prepara-te para seres apaparicada durante dois meses. E nada de reclamações: tu ficas aqui enquanto estiveres em repouso e não tiveres casa: eu já limpei a tralha do quarto a mais e tudo! – Ele retorquiu, abrindo pela primeira vez em alguns dias um sorriso. Ele iria ficar muito feliz por ter Lily em casa dele.

E Lily ficava feliz por saber que tinha alguém como ele para contar. E ficava feliz por estar, finalmente, numa casa normal, sem curandeiras e auxiliares à sua volta a administrar-lhe poções coloridas de meia em meia hora. O apartamento tipicamente muggle de Remus era, embora pequeno, bastante acolhedor, com as paredes imaculadamente brancas e janelas de um tamanho considerável que enchiam a casa de luz.

A sala era aconchegante, com o grande sofá de cabedal branco, as duas poltronas iguais e uma mesinha de madeira no centro, por cima de um tapete redondo e com um aspecto puído. As paredes estavam praticamente despidas, sem qualquer quadro e as mesas em toda a casa eram simplesmente funcionais, sem quaisquer bibelôs ou coisinhas por cima, tal como nas estantes de madeira clara.

A cozinha tinha bastantes aparelhos muggle, como um frigorifico, um fogão e um microondas brancos e limpos. Os balcões eram de mármore e os armários eram de madeira, tal como a pequena mesa no centro da anafada cozinha.

O quarto onde Remus dormia era o que tinha mais coisas, cheio de estantes cheias de livros e outras coisas que ela nem sabia para que servia. Estava levemente desarrumado, com alguma roupa espalhada pelo chão mas, tirando isso, até estava organizado, com a cama feita e o edredão azul-escuro asseado.

O quarto onde ela iria dormir era bastante simples, com as paredes pintadas de amarelo-claro sem quaisquer quadros a decorar e apenas com um roupeiro de madeira que até era grande, uma cama de casal no centro do quarto impecavelmente arrumada e uma mesa-de-cabeceira de cada lado da mesma. Teria de partilhar o banheiro claro com Remus, mas era melhor do que uma pensão, sem sombra de dúvidas.

Mas, contrastando com a aparência serena que mantinha de dia, à noite, ao deitar-se na cama fria, nos lençóis imaculados, as lágrimas jorravam impiedosamente, a vontade de ter o corpo magro e pequeno do seu filho nos braços destruindo os seus alicerces, a saudade dos abraços fortes, da voz masculina e dos beijos apaixonados do marido enterrando-a cada vez mais fundo.

Sim, as noites eram as piores.

- Estou cada vez mais preocupado com ela, Sirius. – Confessou Remus, a voz baixa para não acordar Lily, que ainda estava adormecida. – Esta noite acordei com ela a gritar, com pesadelos e notava-se que tinha estado a chorar: a almofada estava encharcada!

- Tem calma, Remus, isso é normal: ela perdeu o marido, ela perdeu o filho. Ela perdeu as pessoas que mais amava. Nós perdemos um grande amigo, um irmão, e um sobrinho, e também nos dois, também nos custa. Mas ela, ela está provavelmente pior que nós, ainda mais tendo de estar em repouso durante estes dois meses e meio que se seguem. – Sirius olhava para Remus com a mesma aparência desleixada de sempre mas com a voz rouca levemente embargada e, sobretudo, sincera.

O lobisomem assentiu, bebendo um gole da chávena de café – forte e sem açúcar, como ele gostava -, pousando-a no pires de porcelana logo em seguida. Olhou para o homem à sua frente que, na adolescência, fora tantas vezes demasiado inconsequente e fanfarrão mas que, naquele momento em que os seus olhos acinzentados olhavam para o líquido escuro distraídos, parecia muito mais velho do que era.

- Tu tens razão, eu não estou a pensar de forma racional. – Ele passou a mão pelos fios de cabelo castanho, despenteando-os de uma forma demasiado familiar para eles – o que lhes fez trocar, quase que imediatamente, um olhar pesaroso e cheio de saudades.

Porque, mais do que a dor de não ter o seu melhor amigo lá, para eles, como estava sempre e como nunca voltaria a estar, eles sentiam saudades do grande homem que fora James. Sentiam saudades da sua displicência inalterável, do elo que os unia e que nunca deveria ter-se quebrado, da sua voz ligeiramente rouca, dos seus ataques de riso incontroláveis e barulhentos. Eles sentiam saudades de James. E esse seria o sentimento que teriam de suportar para sempre.

- Bom-dia, Remus. – Uma voz sonolenta irrompeu pela cozinha, tal como a dona da mesma: descabelada, a bocejar, com olheiras fundas e a apertar o robe por cima da t-shirt velha de Remus que usava para dormir.

- Bom-dia. – Ele respondeu – Dormiste bem? – Ele levantou-se da cadeira, tirando uma chávena do armário e enchendo-a de café, entregando-a depois a ela.

- Bom-dia, minha querida Lily – Cumprimentou Sirius, fazendo-a quase dar um salto de susto.

- Ai, Sirius! Será que podes não assustar as pessoas logo de manhã? E sim, dormi bem, Remus, obrigada. – Ela sentou-se na cadeira vazia e bebeu um gole do seu café, ainda olhando repreensivamente para Sirius.

- Eu não quis assustar ninguém, Lily: tu só não reparaste que eu estava aqui. – Disse ele, com um tom brincalhão. – Já agora, bela roupa de dormir, Lily querida.

- Sirius! – Ela reclamou, as faces ruborizadas. De qualquer forma, ela já estava habituada às brincadeiras tão pouco maduras do amigo – uma coisa no qual ele era tão parecido com James.

James. Ela suspirou e, embora tenha mantido o sorriso brincalhão, uma permanente sombra nos seus olhos esmeraldinos mostravam que não estava tudo tão bem como parecia. Que ela não estava tão bem quanto parecia. E, embora brincasse com eles, no seu íntimo continuava despedaçada, ainda a tentar colar os cacos.

Cacos esses que pareciam nunca vir um dia a colar. Nem com a cola mais forte.

Nessa noite, Remus dormia descansado, as cobertas em cima dele, a respiração regular, as cortinas semi-abertas deixando ver o céu escuro, sem lua, mas salpicado com pequenas estrelas, mas cuja luz não conseguia chegar ao quarto tipicamente masculino.

De repente, um grito rompeu o silêncio. Um grito de dor, de sofrimento, vindo exactamente do quarto ao lado. Remus acordou atordoado, os olhos sonolentos, os cabelos despenteados, mas de imediato levantou-se, saindo a correr do próprio quarto, ignorando o facto de estar apenas de roupa interior e ignorando os chinelos, alinhados ao lado da cama.

Ele entrou no quarto de Lily a correr, indo logo ajoelhar-se na cama, onde ela estava sentada, os olhos molhados de lágrimas, e abraçando-a, tentando-a confortar o melhor possível, deixando-a chorar no seu peito e nos seus ombros, enquanto fazia um leve carinho nas suas bochechas.

- James…ele foi-se embora. – Ela balbuciava, a sua dor presente na voz entrecortada pelos soluços, e em cada lágrima que escorria dos seus olhos. – E o Harry…também me deixou. Eu…estou sozinha. Sozinha.

- Shh. Calma, tem calma. Tu não estás sozinha. Tu tens-me a mim e ao Sirius. Nós tomamos conta de ti, querida. Nós amamos-te, Lily, não da mesma maneira que o James te amava, mas amamos-te. – Ele sussurrou-lhe essas palavras doces ao seu ouvido, acalmando-a o melhor que podia. Acabou por deitar-se na cama dela, com a ruiva ao seu colo, abraçando-a, reconfortando-a.

Apercebeu-se, algum tempo depois, que ela dormia nos seus braços, abraçando a sua cintura, a cabeça apoiada no seu peito. Sorriu tristemente, continuando a afagar-lhe os cabelos vermelhos. Ele amava-a, como dissera e, também como dissera, podia não ser da mesma maneira que James, mas era um amor profundo derivado da forte amizade que eles partilhavam. Tanto que ele queria dizer-lhe que aqueles últimos dias tinham sido um pesadelo, que tudo voltaria ao normal em breve. Tanto que ele queria que, ao embalá-la, tal como fizera agora, mandasse embora ,toda a sua dor, toda a sua tristeza. Mas nada disso era verdade.

Mas tanto que ele queria que fosse.

E, sem se aperceber no meio daqueles pensamentos tristes e desejos infundados, adormeceu, caindo num sono profundo e, felizmente, sem sonhos.