Capítulo 2
-Mestre... Por que os planos mudaram tão rapidamente?
-Caro, Kakuzu... Não percebeu a mudança na energia?
-Ah! Senhor, perdoe-me... Pela falta de atenção. –ele baixou o olhar, encabulado.
-Não precisa se desculpar, pela sua falta de treinamento, já encarreguei outro ninja de realizar essa missão!
-Mas... Senhor, eu... –fez uma pausa e mudou o discurso. -O que provocou a mudança de energia?
-Logo você saberá com detalhes. O que realmente importa nesse momento é que uma nova carta foi inserida no jogo e ela será decisiva para nossa vitória!
(...)
O dia amanheceu ensolarado, Luana e Helena já estavam acordadas e passeavam pelos jardins. A cada passo elas se maravilhavam ainda mais com aquele lugar, que fazia com que a lembrança da noite anterior ficasse cada vez mais fraca.
-Luana, não tem medo do que nos espera, sabe salvar o mundo não estava nos meus planos... - disse Helena com o olhar cheio de dúvidas.
- Helena, também não era minha meta para esse ano, porém, se fomos escolhidas é porque existe algum motivo especial... –ela sorriu amigavelmente para a outra. -Lembre-se você não está sozinha, juntas vamos superar qualquer obstáculo!
-Obrigada Lu! –estava se sentindo mais confiante.
-Bom, mas agora é melhor irmos tomar café.
As meninas voltaram para a casa onde estavam hospedadas. Logo que chegaram, viram os outros sentados em volta de uma mesa farta, vários conversavam, outros oravam pedindo que suas famílias estivessem a salvo e outros ainda discutiam sobre o futuro e qual seriam os seus poderes.
Após o café da manhã, todos estavam ansiosos pelo o que os esperava. Hoje seria o dia em os jovens descobririam a origem de seus poderes e como desperta-los.
Yuna veio até e lhes pediu educadamente:
- Venham comigo, imagino que será uma experiência única para vocês. – Ela sorriu e os conduziu até uma linda cachoeira.
Perto dos jardins a cachoeira completava a beleza daquele lugar. Formava-se entre outras figuras, um arco-íris ao cair de suas águas. Era mágico estar ali, como em um sonho. Tudo se encaixava perfeitamente. Ao chegarem perto da cachoeira, Yuna fala com a voz firme:
- Pronto, daqui vocês vão sozinhos.
- Por que não pode continuar nos acompanhando? – perguntou Amith, apreensiva.
- Não tenho permissão para passar daqui. Só os escolhidos podem atravessar essa cachoeira.
- E se acontecer alguma coisa? – Indagou Amith, com os olhos cheios de lágrimas.
- Não vai acontecer nada, aqui é totalmente seguro. – respondeu Yuna, acariciando o rosto de Amith.
- Já que você diz, eu confio em você. – disse Amith, com um sorriso. Ela virou-se para a cachoeira e, com um leve toque do dedo indicador, começou a abrir-se uma passagem por entre as águas.
- Essa é a entrada para a Caverna de Delfos, onde reside toda a história de Eternia. – explicou Yuna. – Agora entrem, e procurem a Oráculo, vocês não têm tempo a perder.
Os jovens por alguns minutos ficaram estáticos olhando uns para os outros. Yuna sentou-se embaixo de uma árvore, onde prometeu ficar até que eles voltassem.
Os primeiros a entrar foram Lucas e Thiago, seguidos pelos os outros. Quando todos estavam dentro da caverna, a passagem se fechou, o que deixou em pânico Amith.
- Não gosto de escuro, detesto lugares fechados. – falou Amith, encolhendo-se perto da entrada.
- Garota idiota, a Yuna não disse que é seguro, cresce por favor. – disse Helena, ríspida.
- Não fale assim com ela. – retrucou Gabriel, abraçando Amith.
- Vai defendê-la agora Don Juan? – disse Helena, irônica.
- Chega Helena! Tenha paciência com Amith, eu lhe peço. – falou Lucas, sério. – Não devemos ficar brigando sem motivos.
A voz firme de Lucas fez com que Helena parasse, Amith levantou-se apoiando em Gabriel, que a segurou com firmeza. O medo não tomara conta somente de Amith, porém, a menina sempre doce, de somente 16 anos, com os cabelos loiros muito longos e lisos, olhos azuis, a pele branca e estatura médio-baixa, era a que mais expunha seus sentimentos entre todos os escolhidos.
Podia-se ver mais a frente uma luz suave, o que os deixou menos preocupados, começaram então a seguir essa luz. Quando perceberam já estavam em uma espécie de corredor, iluminado por tochas de madeira. Na parede haviam desenhos rústicos, que contavam a história do povo de Eternia, representando seus costumes e sua forma de ver o mundo. Todos estavam muito assustados com aquilo, mas caminhavam em frente, com a esperança de encontrar a Oráculo, e esclarecer suas duvidas.
Após terem andado por algum tempo naquele corredor, os jovens escolhidos se depararam com uma porta de pedra, alta, lacrada e repleta de símbolos.
- Parecem instruções. – exclamou Cadu, com a voz tomando um ar apreensivo.
- E como será que traduzimos isso? – indagou Thiago.
-Talvez não é para traduzirmos, talvez tenhamos que apenas tocar, todos juntos. – disse Mariana, com o olhar fixo nas inscrições.
- Isso seria fácil de mais. – disse Bruno, segurando firme a mão de Luana.
-Tudo nesse lugar e resultado na nossa energia em conjunto, por isso que a Yuna nos pede para sempre ficarmos unidos. – falou Mariana, com um sorriso nos lábios. – Vamos Tentar não custa nada.
Assim que os jovens coloram juntos, suas mãos naquela porta, as inscrições começaram a brilhar e como em um passe de mágica ela começou se abrir. Logo que a porta se abriu por completo, os doze entraram na sala que iluminou-se instantaneamente. Dentro podia–se observar mais desenhos, porém, esses eram diferentes, não eram rústicos e sem vida, pareciam feitos de ouro de tão belos que eram. Retratavam guerras e ninjas com poderes extraordinários, que podiam controlar os elementos, manipular a magia antiga.
Era difícil não se deslumbrar com a beleza do lugar. Ele era composto por uma urna no centro, uma espécie de trono e na parede uma espada. A urna também possuía vários símbolos em toda a sua dimensão, porém com formas diferentes. O trono era simples, mas imponente e a espada, era a clássica dos samurais (também conhecida como espada ninja), uma arma branca de um só gume, levemente curvada, com lâmina estreita e cumprida.
Os doze escolhidos dispersaram-se pela sala, maravilhados com o que viam. Porém, logo pararam e olharam uns para outros apreensivos, até que Bruno disse:
-Acho que deveríamos ter encontrado a Oráculo aqui. – abaixando a cabeça.
-Talvez ela saíu. – disse Dulce, tentando forçar um sorriso. – Que tal esperarmos um pouco?
- Não seja tola Dulce, parece que não vem ninguém aqui há muito tempo! – falou Aleck, com a voz serena.
- Então como vamos falar com a Oráculo? Despertar nossos poderes? Como vamos salvar Eternia? – pergunta Dulce, preocupada com a hipótese de não poder ajudar aquele lugar tão incrível e cheio de mistérios.
Antes mesmo que alguém pudesse responder as perguntas de Dulce, uma energia avassaladora percorria a sala, todos começaram a ficar envoltos por essa luz, que os fez retornarem ao passado. Lembranças fragmentadas que como num quebra cabeça foram sendo montadas à medida que a luz percorria cada um dos escolhidos.
A dor e a destruição causada pelas guerras passadas, agora pareciam parte daqueles jovens, a imagem de guerreiros lutando bravamente ao lado do povo de Eternia, não parecia algo alheio as suas vidas e sim uma lembrança, triste e irreparável, uma ferida cicatrizada pelo tempo, porém, que ainda trazia dor. Tudo pareceu se encaixar perfeitamente, agora eles podiam sentir a magia antiga pulsando em seu peito, querendo se libertar. Eles não só estavam em Eternia, eles agora faziam parte de Eternia.
A energia dissipou-se rapidamente assim como veio ao encontro dos escolhidos. Agora que já conheciam o seu passado, sabiam que não era a primeira vez em Eternia, suas almas já haviam lutando antes. A energia não só os fez lembrar do passado, mais também os deu coragem, sabedoria e persistência para enfrentarem os perigos que ainda viriam. Thiago se levanta e procura Camila que ainda estava caída no chão e desacordada.
- Acorde Querida! Acorde por favor. – disse Thiago, aflito.
- Acalme-se meu amor, eu estou bem. – disse Camila, com a voz serena. – E os outros?
- Ainda não sei, acho melhor ajudá-los...- disse Thiago, que após uma pausa, volta falar com Camila. - Eu te amo, minha menina.
- Eu Também.. – disse Camila, deslumbrada com as palavras de Thiago.
Logo, todos se levantaram, olharam e perguntaram uns aos outros se aquilo podia ser verdade ou era tudo um sonho. As luzes da sala começaram a se apagar, era a hora ir. Os jovens corriam pelo corredor, na direção de onde vieram. Parecia que o lugar sabia que já havia cumprido sua missão. Após correrem algum tempo, a passagem que havia se fechado quando chegaram estava aberta, o que os deixou aliviados. Assim que saíram a luz do sol os incomodou, mas, Yuna estava lá, auxiliando-lhes.
Logo mais segredos serão revelados... espero que tenham gostado do capítulo!
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