Lilly estava sentada numa poltrona próxima à lareira do Salão Comunal da Grifinória, olhando fixamente para o fogo, que crepitava alegremente. Esperava por James desde a noite anterior, mas ele desaparecera depois da discussão na hora do almoço.

Sentiu o cheiro inconfundível do perfume dele quando o retrato se abriu, e se voltou na direção da entrada da sala.

- Onde você estava?

- Na minha despedida - ele jogou a capa no chão, ao lado da poltrona onde ela estava sentada, e sentou-se na outra poltrona. Bagunçou os cabelos molhados, espirrando gotículas de água nela.

- Com quem? - Lilly pegou a capa e fez menção de inspecioná-la, atrás de um perfume ou fio de cabelo.

- Não tem cheiro dela aí. Eu não sou idiota, Lilly.

- Quem é ela?

- Não importa - ele tirou a gravata e a enrolou entre os dedos. Não queria falar sobre isso com Lilly. Não naquele momento.

- Claro que importa! Eu sou sua namorada!

- Era. Você terminou comigo ontem, lembra? Logo antes de virar a mão na minha cara.

- Jay... Foi sem querer.

- Você me deu um tapa na cara, em público, e agora vai me dizer que foi sem querer?

- Mas foi, amor!

- Não foi, Lilly. Não adianta mentir pra você mesma. A gente tinha um lance legal, eu te amo demais... Por que eu jogaria isso pro alto e passaria a noite de ontem com outra? Você era a garota de Hogwarts que eu sempre quis, lembra? Agora, com licença. Não dormi nada de noite e hoje tem festa... - ele forçou um bocejo e levantou da poltrona. - Boa noite, Evans.

Ela o fuzilou com os olhos, cheia de ciúme. James subiu as escadas e foi para o quarto. Tirou a camisa e deitou na cama, olhando para o teto, imaginando quando teria uma nova chance de ver Narcissa. Na verdade, não tinha a menor intenção de dormir. O pouco tempo que havia passado com a Black havia sido suficiente. Mas precisava ficar sozinho, e esse tinha sido o único recurso que lhe restou.

Sirius se mexeu na cama ao lado, assustando James. Pouco depois, ele acordou e olhou para o amigo.

- Onde você passou a noite, Prongs? - Sirius usava um tom zombeteiro, quase malicioso, que era o completo oposto do ciúme de Lilly.

- No quarto dos Black do hotel em Hogsmeade, com a sua querida prima.

- Por "querida prima" você não se refere à Bella, né?

- Não, Pad. Claro que não. Sabe, eu até gosto bastante de morenas malvadas e potencialmente perigosas, mas a Bella é a sua morena malvada potencialmente perigosa. Eu me contento com a irmã pouco deliciosa dela. Estava com a Narcissa. Me despedindo com ela.

Sirius riu e sentou-se na cama.

- Com a Cissy? Mas a Cissy...

- A Cissy é tudo! Ai, Merlin. Enlouqueço só de lembrar.

- Prongs, controle-se! - Sirius arregalou os olhos, com nojo. - Por favor!

James riu do amigo e levantou da cama. Estava cansado de ficar parado, e precisava andar um pouco, nem que fosse em círculos no quarto.

- E você, Pad? Em que camas passou ontem?

- Estava com duas amigas da Cissy. A Nathalie, sabe quem é? E aquela outra loura bonitinha, Carol, eu acho. Não sei o nome dela até agora. O que importa é que eu tava com as duas juntas, até umas cinco da manhã - James riu da cara que o outro fez ao se lembrar da noite anterior. - A Lilly sabe?

- Ela sabe que eu dormi com alguém. Só não sabe quem. E não vai ser você quem vai contar.

- Pode deixar, Prongs. Não falo nada. Você sabe demais, cara. Você sabe inclusive onde eu estou escondido.

- Se não soubesse... Você tá morando na minha casa, Pad!

- Exatamente por isso. Só você e os outros dois Marauders sabem. Não contei nem pra Bella, você sabe disso.

- A propósito, eu também sei o que você e a Bella têm.

- Prongs, pára com isso! Daqui a pouco você vai me chantagear e nem tem motivo pra isso!

- Algo pra arrancar de você eu sempre vou ter. Nem que seja uma chance com a Bella.

- Você não faria isso.

- Será?

Sirius balançou a cabeça, com ar de reprovação, levantou da cama, pegou uma roupa no malão e foi tomar banho. James trocou de roupa e voltou para a Sala Comunal, onde Lilly ainda estava sentada, agora lendo um livro de História da Magia. Saiu da Torre e foi para o campo de quadribol. Queria se despedir de seu lugar preferido em toda a escola.

Pegou sua Nimbus 1900 no armário de vassouras. "A melhor vassoura do mercado", de acordo com o guia "Qual vassoura?". Não que isso importasse. Quando se era o melhor apanhador do mundo, mesmo a pior vassoura voava maravilhosamente.

Sentiu o vento quente do verão bagunçar os seus cabelos quando levantou vôo. Voar, para James Potter, era comparável a usar drogas: era um vício, algo que o tornava uma pessoa completa e sem a qual ele não podia viver. Era também um jeito de se sentir livre, e esquecer das preocupações.

Olhou para baixo, para ver quanto já tinha subido, e pôde ver alguém se aproximando do campo. Os cabelos louros muito claros eram inconfundíveis. Sem hesitar, mergulhou, numa descida quase horizontal, e pisou no chão a um passo dela.

- O que você faz aqui?

- Gosto de ver você voar - ela sorriu. - Bom dia, Jay. Onde está a Cenoura?

- Estudando. Irritada demais comigo.

- Já decidiram se o namoro acabou?

- Eu já tinha decidido isso quando te chamei pra ficar comigo ontem.

- Entendo - Narcissa olhou para ele, com certa súplica nos olhos azuis. Adoraria que ele a pedisse para ficar com ele para o resto da vida. Mas sabia que James a desejava, enquanto era Lilly quem ele amava. - Mas você já contou pra ela essa decisão?

- Na verdade não. A situação está bastante cômoda pra mim, Cissy. Posso ter ela de volta quando quiser.

- Isso se ela não descobrir o que você pretende, é claro.

- E por que ela descobriria?

Narcissa puxou James para si e o beijou com desejo, de uma forma que o fez lembrar da noite anterior.

- Não sei. Talvez, ela costume olhar pela janela.

- Cissy... Se a Lilly descobrir isso, eu vou perder a namorada e você não vai me ter nunca mais.

- Legal. Eu já te tive uma vez. Tenho pena é de quem não teve nunca.

- Então, por elas, continue a sua vida, enquanto eu continuo com a minha. Temos um acordo?

- Imagino que sim. Um último beijo?

- Cissy, não podemos ser vistos...

- Deixa de ser idiota, Jay! Quando você vai ter essa chance de novo? - Narcissa puxou o rapaz pela gravata e o beijou novamente, dessa vez com ainda mais fulgor. James não pensou por um segundo sequer antes de corresponder. Queria aquela garota. Queria muito.

- O que está acontecendo aqui?

James e Narcissa se afastaram, assustados, e olharam para o monitor sonserino que falava com eles.

- Ora, ora... James Potter. Não é uma grande surpresa brigar com você por causa de seu comportamento inadequado, não é mesmo? - O monitor, Anthony Nott, falava com o típico ar de desdém de um sonserino. - Mas você, Cissy, com esse grifinório amante de trouxas?

- Acho que sou eu quem tem que se preocupar com quem eu beijo ou deixo de beijar, Nott.

- Não quando você beija desse jeito em pleno campo de quadribol. Isso é motivo para detenção, sabe? Mas como eu tenho certeza de que você vai saber me chantagear muito bem assim que chegarmos ao meu dormitório... Vinte pontos a menos para a Grifinória e dez a menos para a Sonserina. Sem protestos, Potter. Homens devem saber se controlar. Agora, venha comigo, Black - ele puxou Narcissa pelo braço e a levou para o castelo. James voltou para a vassoura e levantou vôo novamente.

Anoiteceu. Todos os alunos do sétimo ano estavam, vestidos com suas melhores roupas de gala, reunidos no saguão de entrada de Hogwarts, esperando a chegada das carruagens puxadas por testrálios para ir para Hogsmeade, onde aconteceria a festa de formatura. James estava conversando com Sirius, Remus e Peter, e olhando fixamente para Lilly.

- Ela está simplesmente linda - ele não resistiu à tentação de comentar, quando ela passou por eles, indo em direção à primeira carruagem.

- Estaria linda para você, se você não tivesse passado a noite com outra - ela sibilou em resposta.

- Oras, Lil, era a minha Despedida! Eu teria passado ela com você, se você não tivesse dado um ataque! Mas eu não vou discutir isso e estragar a minha noite - dizendo isso, James entrou na carruagem vazia antes dela, acompanhado pelos outros três Marauders. - Até a festa, ruivinha!

A carruagem os levou até Hogsmeade, e eles seguiram o professor que os recebeu até o hotel, em cujo salão de festas aconteceria a "Formatura da Turma de 1977 da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts".

- Um nome pomposo para definir orgia - Sirius brincou, quando eles entraram na recepção do hotel. - Porque é o que vai sair daqui.

- Acho melhor eu garantir a minha própria garota.

- Prongs, a Cissy veio com o Malfoy.

- Tudo bem. A Andy tá aí.

- Prongs! Você não vai pegar a Andy!

- Ah não? - James assumia uma postura desafiadora.

- Não. Minhas primas são propriedade minha. Só te deixo ficar com a Cissy porque ela é loura e mais nova, e eu prefiro as morenas mais velhas.

- Ou será que o que você prefere é uma morena mais velha específica, Padfoot?

- Moony... A Bella é só um parâmetro. Mas eu aceito qualquer uma que seja metade do que ela é.

- Então você podia aceitar a Cissy. Porque ela é boa por natureza, e melhorada por mim.

- Que ela é boa por natureza eu sei. Todos os Black são.

- Modéstia, Pad! Você não é a Bella!

- Existem coisas que são de família. Ser convencido e bom de cama são dois exemplos. Vou falar com a Andy. Vejo vocês na cerimônia.

Sirius se afastou dos amigos e foi se misturar ao grupo de sonserinos, entre os quais estava Andromeda.

- Todos os formandos aqui, por favor - a Prof. McGonnagall os chamou e, lentamente, todos se reuniram em volta dela. - Dentro de alguns minutos, os senhores vão entrar naquele salão para o penúltimo evento relacionado à sua vida acadêmica. Eu gostaria de lembrar-lhes de que, do outro lado daquela porta, estão os pais dos senhores, para não falar no próprio Ministro da Magia. Assim sendo, nas palavras do Prof. Dumbledore, "controlem seus hormônios por apenas uma hora" - ela pareceu incomodada em dizer isso - e não nos envergonhem. Dividam-se pelas Casas, na ordem das mesas do Salão Principal. Homens à esquerda, mulheres à direita, filas em ordem de altura. Agora!

Assim que todos os alunos estavam devidamente arrumados, a professora abriu a porta e os alunos foram conduzidos para dentro do Salão de Festas. Subiram num palco e, após um longo discurso do Prof. Dumbledore, e outro maior ainda do Ministro da Magia, receberam seus diplomas.

- Não vou lhes prender aqui nem mais um segundo, para não privá-los de nada da festa divina que está preparada no andar de baixo. Divirtam-se com juízo e boa noite para todos!

Quando o diretor disse isso, todas as luzes se apagaram e os alunos e convidados se dirigiram à porta. Quem fazia parte do seleto grupo de menores de 25 anos que poderia participar da festa desceu as escadas, para o salão inferior, enquanto os demais desaparataram dali.

- Quem são os objetivos da noite, Prongs?

- Não sei pra vocês, caras, mas eu quero a Evans. Não perdi um ano namorando pra não dormir com ela na formatura. E os de vocês?

- Não tenho nomes - Sirius disse, já secando uma garota que passou por eles. - Mas eu quero o maior número de sonserinas possível. Moony?

- Quero uma sonserina específica.

- A Andy, claro - Sirius zombou. - Divirta-se com ela. Asseguro que, se você conseguir alguma coisa, ela vai fazer muito bem. Eu que ensinei.

- Ah, Padfoot, cala a boca!

Eles riram e se separaram. Os Marauders iam à caça.

James passou na frente de um espelho e bagunçou os cabelos, fazendo com que todas as garotas que viram isso ficassem de sobreaviso: um James Potter de cabelos bagunçados era um James Potter atrás de alguém com quem passar a noite. E todas elas queriam ser escolhidas.

Para a frustração delas, ele andou diretamente até onde Lilly estava e a virou de frente para ele, beijando-a antes que ela percebesse o que estava acontecendo.

- Eu amo você, Lil. Tão difícil entender isso?

- É difícil sim. Você me traiu, Jay! Quando aceitei sair com você, te fiz jurar que isso não ia acontecer, lembra?

- E não ia, Lil! Meus planos pra ontem envolviam você, e só você. Tudo o que aconteceu depois da briga foi totalmente sem querer.

- Com quem você estava?

- Isso faz diferença?

- Eu quero saber. Tenho esse direito!

- Ninguém melhor que você.

- Quem?

- Narcissa Black.

- O que você estava fazendo com aquela AFOGADA? - Lilly gritou a última palavra, o que fez com que todos olhassem diretamente para eles dois.

- Quer uma descrição muito detalhada, ou só com os detalhes mais picantes e as coisas que eu nunca fiz com você? - James mantinha a voz calma e o ar de zombaria, como se nada o atingisse.

- Jay! - Lilly parecia quase chorando.

- Por Merlin, Lil, deixe de ser ciumenta! Por que você perguntou, afinal?

- Eu precisava saber qual a chance de eu ser trocada por ela de uma vez por todas.

- Ah, Lil, você acha que eu te trocaria por alguém?

- Claro que sim! Jay, eu não quero discutir isso com você. Se você prefere aquela loura aguada - ela apontou para Narcissa, que estava do outro lado do salão, abraçada a Lucius Malfoy - divirta-se com ela. E ME ESQUEÇA!

Lilly deu as costas para ele e saiu do salão, pisando duro. Chovia do lado de fora, mas ela não se preocupou com isso e foi se sentar no meio-fio da calçada em frente ao hotel.

James, por seu lado, decidiu que Lilly não valia a humilhação de ir atrás dela e levar outro fora. Por isso, decidiu restabelecer seus objetivos, no maior estilo Sirius Black: não importa quem, mas tem que ser sonserina.

Olhou à sua volta, para todas aquelas garotas. Já havia se acostumado aos rostos delas, àqueles sorrisos falsos e derretidos que elas lhe lançavam quando ele passava, à forma que elas tinham de dizer, sem palavras, que queriam ele. Tão comuns, tão vulgares... Nenhuma, nem de longe, era Narcissa. E ele já tinha experimentado quase todas para dizer isso.

Queria a Black naquela noite, mais pelo fato de ela estar com Lucius Malfoy do que por desejá-la de verdade, e não mediria esforços para ganhá-la.

Passou as mãos pelos cabelos, num ato instintivo, e sorriu ao ver o olhar que uma das melhores amigas de Lilly lhe lançou. "Mulheres não prestam", pensou, "e eu adoro esse fato". Teria alguém a quem recorrer se não desse certo com sua segunda opção.

Se dirigiu diretamente ao lugar onde Narcissa estava e, sem dar a mínima para a expressão enojada de Lucius, chamou-a para dançar.

Ela aceitou a mão que ele oferecia, e James a levou para o centro da pista de dança, o lugar exato para onde convergiam todos os holofotes e todos os olhares. Era uma música lenta.

Narcissa abraçou James e deitou a cabeça no ombro dele, sentindo o perfume do rapaz. Aquele cheiro a havia encantado desde quando ele passou uns dias na casa dela, quando Sirius ainda morava com os Black. Ela nunca esperou poder senti-lo dessa forma, ainda mais em público.

- A Cenoura não ficou muito feliz, não é mesmo?

- Nem um pouco, Cissy. Mas eu não me importo com isso. Quero você hoje.

- Não era o que parecia.

- Não vou perder meu precioso tempo com a Lilly quando tenho outras garotas melhores aqui. E você está entre elas, antes que você pergunte isso.

- Não vou perguntar isso. Eu sei que sou melhor que a Cenoura. E te avisei disso antes de a gente começar, lembra?

- Perfeitamente bem. Eu não esqueço de nada, Cissy.

A música acabou e ela se despediu, colando brevemente seus lábios aos dele, num rápido e quase imperceptível selinho. Afastaram-se, sorrindo, e foram cada um para seu lado.

Lucius se aproveitou da cena deprimente que Narcissa estava protagonizando para se esgueirar para fora do hotel, atrás de Lilly. Ela era uma sangue-ruim, mas, ainda assim, ele tinha um assunto muito importante a tratar com ela.

- Posso sentar aqui?

- O que você quer, Malfoy? Achei que fizesse parte do seu código de conduta passar longe de gente como eu. Agora você quer sentar do meu lado?

- Bom... A partir do momento em que minha namorada dormiu com o seu namorado ontem... Acho que temos algo em comum, não é mesmo?

- Não, não temos. Eu nunca teria algo em comum com um idiota como você.

- Lilly, Lilly... - ele tocou o rosto dela com uma mão, mas ela desviou dele, recusando o carinho. - Eu não sou um Malfoy qualquer...

- Não. Você é um Malfoy ainda pior que os outros.

- O que você está fazendo aqui na chuva, afinal? - Lucius conjurou um guarda-chuva e colocou-o sobre Lilly, mas ela afastou a mão dele. - Pode parar de ser orgulhosa, por favor? Estou tentando ser legal com você.

- E eu ainda não entendi a razão disso.

- Eu poderia jurar que vocês trouxas crescem ouvindo que não se olham os dentes de cavalo dado. Prefere pegar uma gripe a aceitar minha gentileza? Então tudo bem. Vou voltar para a festa.

- Não! Fica aqui, Malfoy. Ou, pelo menos, deixa o guarda-chuva.

Lucius riu e se aproximou um pouco mais dela.

- Você é bem bonitinha pra uma trouxa...

- E você é bem chato pra um puro-sangue "perfeito".

- Não vai parar de hostilidade nunca?

- Quando você morrer, talvez.

- Você é irremediável, Evans.

- Não pretendo te agradar.

Lucius olhou nos olhos dela, fuzilando-a. Puxou-a pela nuca, fazendo-a escorregar no chão ensopado, e a beijou violentamente. Lilly lutava para se afastar daquele homem, mas ele era imensamente mais forte que ela, e já começava a tentar deitá-la no chão. Foi quando ouviu alguém chamar o nome dele.

- Lucius?

James viu Narcissa se aproximar do bar e foi atrás dela.

- O que você quer, Jay? Um escândalo?

- Seria interessante. Um bom estímulo para continuar nessa festa até o fim... Mas eu só quero você, Cissy.

- Não vai me ter hoje, Jay. Sou do Lucius.

- Você não iria dormir com aquele homem um dia depois de passar a noite comigo, iria?

- Não sei. Acho que não.

- Imaginei que essa fosse ser a resposta. Falando nisso, por onde ele anda?

- Não sei. Não o vejo desde que você me levou pra dançar.

- Isso não te preocupa?

- Não. Prefiro ficar aqui com você.

- Cissy... Você não disse que é do Lucius hoje?

- Não se ele arranjar outra pra passar a noite com ele. O que provavelmente já aconteceu. Quer ir lá para o quarto, Jay?

- Não. Prefiro deixar ele para o Sirius e a Bella. Aposto que eles vão precisar. Nós podíamos ir lá pra fora, e depois eu aparato com você para algum lugar... Minha casa, talvez... Acho que ela deve estar vazia hoje. Meus pais vão passar o fim de semana fora.

- É uma idéia. Entrar na Mansão dos Potter... Quem foi o último Black a fazer isso?

- Sua avó, eu acho. Quando meu pai ainda aceitava as suas idéias loucas.

- Não fale assim delas, Jay - Narcissa sorriu. - Vamos sair daqui ou não?

James virou o copo de fire whisky que havia acabado de receber do barman e puxou Narcissa pela mão para fora do hotel. Foi quando viu Lucius e Lilly, sentados no meio-fio, se beijando. Narcissa não se conteve e gritou:

- Lucius!

O louro se afastou da ruiva e olhou para Narcissa, ameaçadoramente. Se levantou num salto e postou-se à frente dela.

- O que foi? Você pode dormir com esse aí e eu não posso beijar a namorada dele? Direitos iguais, minha querida.

- Não quando se trata da minha namorada - James interveio.

- E quem é você pra falar comigo nesse tom, Potter? Você não passa de um amante de trouxas, escória como essa sua namoradinha.

- Mas beijar essa escória você pode, não é?

- Claro. Ela é mulher. Nenhuma escapa de mim, Potter.

James, instintivamente, deu um soco exatamente no nariz de Lucius, e pôde sentir o osso quebrar sob seus dedos. O louro revidou, e, antes que as duas mulheres pudessem entender o que estava acontecendo, os dois já estavam se esmurrando.

O erro de Lucius foi se esquecer de que James Potter era jogador de quadribol e, portanto, infinitamente mais forte que o outro. Por isso, não demorou muito para que o louro se rendesse. James parou, hesitante. Não fazia parte de sua índole acreditar num Malfoy.

- Eu tenho a decência de não agredir um inimigo pelas costas, Potter - Malfoy rosnou, ao notar a hesitação de James. - E sou um bruxo nobre demais para cair numa luta trouxa como essa. Quer duelar comigo, tudo bem, duelamos. Mas não vou continuar isso .

- Da próxima vez, não comece, filhote de trasgo.

- Dobre essa sua língua suja ao falar da minha família, Potter. Você vem comigo, Cissy?

- Não - Lucius a olhou, chocado. - Não vou. Você beijou essa sangue-ruim, Lucius! Não espere que eu durma com você depois disso!

Lucius aparatou dali e Narcissa voltou para dentro do salão. James olhou para Lilly.

- Você me defendeu.

- Sempre vou te defender. Eu amo você.

- Mas a Narcissa...

- Eu amo você . Não a Narcissa.

James abraçou a namorada. Ficaram assim, abraçados, durante algum tempo. A chuva caía sobre eles, mas nenhum dos dois se importava. Lilly ergueu a cabeça e colou os lábios aos dele, beijando-o com um desejo quase desconhecido do Potter. Ele a encostou à parede do hotel e correu a mão direita pelo corpo dela, fazendo Lilly tentar se afastar dele.

- Aqui não, Jay. Vão nos ver.

- Posso te levar pra minha casa, então?

- Ela está vazia?

- Sim. - Lilly sorriu.

- Se é assim... Eu queria mesmo conhecer o seu quarto...