A Lei da Sexualidade por Rakina

Tradução: Rebecca Mae
Beta-reading da tradução: Hanna Snape


Capítulo Segundo : Hogwarts tem um Sistema de Alarme

Conforme o tempo passava em Hogwarts, os efeitos práticos do que haviam aprendido na Aula de Educação Sexual haviam ficado mais óbvios. Casais com uma inclinação ao romance seriam perseguidos por medidas de jurisprudência individualista: tanto fazia se eram atrás dos arbustos, ou no topo das árvores, na Torre de Astronomia ou mesmo no Corujal – o qual era uma área afastada do castelo, mas não conduzia a nenhuma atividade romântica, as pessoas mais sensíveis pensavam assim, devido ao cheiro das cacas de coruja. O desespero às vezes conduz as pessoas a escolhas pouco inteligentes.

Monitores pareciam ter uma misteriosa destreza para encontrar transgressores em par que apenas um, estavam tirando pontos de suas respectivas casas de forma rígida e guiando-os direto para sua Sala Comunal.

Se os casais eram pegos pelo pessoal da escola, era pior: as punições eram mais severas, e o sermão que recebiam tendia a ser tedioso ao extremo e freqüentemente recebiam detenções também.

Um destino muito pior que os supracitados aguardava amorosos estudantes se esgueirando pelo Castelo, procurando por privacidade, até conseguir evitar monitores, funcionários, fantasmas e até mesmo as notórias habilidades de se mover furtivamente do Sr. Filch e sua gata pulguenta - porque parecia que privacidade para um romance era o que não havia em Hogwarts. Eis que era este o destino.

Uma noite, em seu quinto ano, Harry estava terminando a redação de História da Magia, quando o buraco do retrato se abriu e um par de criaturas estranhas entrou. Aparentemente um garoto e uma garota, cobertos de uma substância azul brilhante dos pés à cabeça. Os cabelos unidos em tiras jogadas em desalinho pelo rosto da garota; o garoto alto se curvando enquanto andava, os dois eram uma visão triste, de fato. Harry os observou atravessar a Sala Comunal até ele, deixando uma trilha do que quer que fosse aquela coisa espessa azul e lodosa por trás deles, como um par de caracóis sem casca.

"Harry… que coisa desastrosa!"

Era Ron... então aquilo significava que a garota provavelmente era Hermione. Seu cabelo estava do tamanho de sempre, mas não estava mais armado: os fios foram forçado a ficarem de volume normal por conta da espessa substância com jeito de tinta, caindo em cortinas pesadas, que lembravam Harry estranhamente das mechas gordurosas de Snape.

"Ron? É você e Hermione?"

"Sim, sou eu, Harry." Ela concordou. "E eu não estou encostando um dedo em Ron nem com uma vara de um metro a partir de agora"

Agora que sabia que as duas patéticas figuras eram seus dois melhores amigos, estava tendo problemas em se manter sério. Corajosamente, conseguiu não cair da gargalhada.

"O que aconteceu?" perguntou, antes de perder sua batalha interna e cair num ataque de risos.

Nenhum de seus amigos principiou a falar. Ele podia sentir os olhares cheios de gosma azul repreendendo-o, ele não estava conseguindo controlar a vontade de rir. A capacidade de seus amigos de apreciar o lado cômico da situação era severamente limitado, ao que parecia.

"Não é engraçado, Harry!" Hermione exclamou, "Essa coisa é desconfortável – bem dolorida na verdade."

Isso interrompeu as risadinhas de Harry, até conseguiu parecer preocupado, mas por um tempo realmente curto.

"É melhor vocês irem tomar banho então!" aconselhou.

"É mesmo?" Hermione disse, sua voz despejando sarcasmo, "Eu nunca teria pensado nisso sozinha!" e saiu em direção ao dormitório das meninas, ainda deixando pelo caminho uma impressionante quantidade de meleca azul.

Ron deu de ombros para Harry e disse, "Conto depois, cara" antes de ir ao banheiro masculino.

Harry terminou sua redação e guardou seus livros. Queria saber o que havia acontecido e ainda não conseguia conter os risos, quando se lembrava da entrada triunfal na Sala Comunal e quando via os dejetos azuis pelo carpete. Abaixou-se para examinar a sujeira e ficou impressionado em descobrir que ela sumira. Quem sabe a meleca azul sumia sozinha ou quem sabe os elfos haviam limpado enquanto ele se distraíra terminando a redação de Binn. De qualquer forma, não havia meleca azul nenhuma no elegante carpete de Gryffindor.

Por volta de dez minutos depois, Ron voltou à Sala Comunal. Ele parecia que tinha se esfregado com uma escova de lavar roupas: sua pele estava rosa-choque e Harry achou que as escova de lavar roupa devia ser bem dura, afinal, para ter aquele efeito. Visões da estupidez de uma escova de lavar roupas vieram à mente de Harry e até pensou em perguntar a Ron se ele havia usado uma, e onde ele havia conseguido uma, mas vendo seu estado abatido, pensou melhor. Ao invés, Harry apenas ergueu as sobrancelhas, quando o ruivo se sentou na cadeira oposta.

"Essa deve ter sido uma das experiências mais desconfortáveis da minha vida, parceiro!"

"Oh?" Harry incitou.

"Eu tive de usar uma água muito quente, ou a coisa não saía. Então tive que usar dois vidros de xampu e muito sabonete também, fora a esfregação. Acho que perdi duas camadas da minha pele, estou me sentindo uma lagosta fervida!"

"Ouch!" Harry demonstrou solidariedade. "Mas como você se cobriu com essa coisa, de qualquer forma? E o que é isso? Tinta talvez?"

"Eu não sei o que é," disse uma voz vinda de trás de Harry e ele viu Hermione atrás dele, ainda parecendo furiosa. "Mas o que quer que seja, não deveria ser permitido. É gosmento e gruda como cola. Leva a vida pra sair e dói também." A pele dela estava tão rosada e furiosa quanto a de Ron e Harry perdeu a habilidade de achar qualquer graça na situação.

"Foi o Pirraça?" Harry perguntou.

"Não, foi uma espécie de azaração ou feitiço ou alguma coisa assim, só apareceu, do ar!" Hermione disse enquanto sentava-se no sofá, perto de Harry.

"Mas por que aconteceu?" ele perguntou. "Fred e George não machucariam você, Hermione, mesmo que achassem engraçado cobrir Ron nessa coisa." Ao menos, Harry esperava que não.

Ron e Hermione compartilharam olhares e, se possível, coraram. Bom, eles estavam cor de rosa, de qualquer forma. Harry continuou a olhá-los de forma interrogativa, vendo sua irritação da falta de resposta, mas queria saber como os dois se cobriram em tal dificuldade. Enfim, Hermione falou novamente; Ron, ao que parece, não tinha palavras para o assunto.

"Ron e eu saímos para uma caminhada," ela começou, mas parou com incerteza. Era bastante incomum ver Hermione perder as palavras.

"Sim? Parece uma estranha conseqüência de sair para uma caminhada, mesmo falando de Hogwarts!" Harry sugeriu. Ele realmente precisava saber por que eles haviam terminado como um par de monstros do lago Nerse.

"Bom, aconteceu de nós acabarmos na estátua da Bruxa de Um Olho Só..."

"Aconteceu de vocês acabarem lá? Isso é um pouco fora do comum, não é?"

"Harry! Você não está fazendo isso nenhum pouco mais fácil!" Hermione explodiu, estava definitivamente espinhosa no tocante do problema. "Fique quieto e me deixe explicar!"

Harry revirou os olhos e desejou que ela simplesmente falasse, o que quer que fosse aquilo tudo. Era muito estranho Hermione desviando do assunto e usando tantos eufemismos como aquilo. Seria hora de ir dormir antes que ela chegasse ao fim da questão.

"Como eu dizia," continuou com um olhar amedrontador para suprimir quaisquer interrupções posteriores. "Estávamos detrás da estátua e Ron, bem... Ron queria me dar um abraço…"

Ela parou novamente, aparentemente achando a situação toda muito confusa. Harry ergueu as sobrancelhas, não querendo interromper para apressá-la. Até que, enfim, ela pareceu hábil para continuar.

"Tudo o que fizemos foi dar um abracinho, honestamente! Bem, talvez nós tenhamos nos beijado rapidamente e talvez Ron tenha esbarrado na minha... errr... um pouco... talvez ele tenha esbarrado de uma forma não tão inocente assim..." ela tinha os olhos baixos e estava definitivamente corada. Se fosse inverno, Harry teria podido esquentar seu corpo nas bochechas dela, como se fosse uma lareira.

"Oh," foi tudo o que Harry disse, embora ainda estivesse tentando descobrir o que ela queria dizer com 'tocou minha errrr'. "E então?"

"Bem, esse lodo azul caiu do céu!" Ron explodiu. "De repente! Do vazio! Não tivemos uma chance – ficamos cobertos dos pés a cabeça. É completamente nojento e Hermione tem razão, dói também. Arde, como se tivesse alguma coisa ácida ou coisa assim. Eu aposto qualquer coisa como é uma mistureba suja do Professor Snape: é cruel o suficiente!"

"Oh."

"Isso é tudo que você vai dizer hoje a noite?" Ron parecia afrontado de que Harry não estivesse tomando seu partido, ou fazendo juras de morte a alguém.

"Bom, vocês foram avisados, lembram? Lá na aula de Educação Sexual do terceiro ano! Hogwarts tem de prevenir vocês de fazerem qualquer coisa inapropriada."

"Inapropriada!" A voz de Ron subiu uma oitava acima e assim sua raiva. "Eu só dei um abraço gentil, dificilmente mais que amigável..."

Harry revirou os olhos duvidosamente. Sabia que Ron poderia ser levado pelo momento às vezes – pelas emoções. Hermione tinha a dádiva de parecer acuada, seus olhos baixos e Harry tinha certeza que ela sabia que havia cruzado um limite e possivelmente merecera o que havia acontecido.

"Bom, isso vai impedi-los de tentar ir além do que deveriam, de qualquer forma." Harry disse, soando razoável.

"Você parece a minha avó!" Ron gritou. Ainda parecia afrontado.

Harry deu de ombros. "Não há nada que possamos fazer a respeito, Ron. Você vai ter apenas que aprender a controlar seus impulsos quando estiver perto de Hermione, só isso. Talvez você precise passar mais tempo no chuveiro," sugeriu com um sorriso travesso.

Ron começou a andar pela sala comunal, parecendo distante da felicidade.

Hermione ainda estava envergonhada. Harry se perguntou se deveria mudar de assunto agora, mas ela começou a falar de novo.

"Bom, é óbvio que temos que nos manter dentro de um contato máximo, não é?" perguntou amargamente. "'Hogwarts tem um sistema de alarme' McGonagall disse. Mas é um pouco mais que isso, não é? Eu vou fazer uma manchete e colocar no quadro de avisos, odiaria ver outra pessoa desse jeito – realmente dói, Harry!"

"Uma manchete? O que no mundo você poderia colocar? Não tente se enfiar na calcinha da sua namorada, você vai ficar grudado!" Harry se derrubou em gargalhadas quando percebeu o que havia dito.

Hermione parecia afrontada agora. "Não há razão para crueza!"

"Ou talvez: Atividade sexual em Hogwarts, uma experiência molhada e... Azul!"

"Cale a boca!" ela gritou. "Pensei que você seria mais sensível quanto a isso, Harry, mas vejo que você está determinado a agir como um adolescente!"

Comentário que nada tinha de errado, considerando os quinze anos de Harry e ele se ajoelhou ao lado do sofá, massageando as costelas quando as gargalhadas começaram a doer.

Hermione se levantou e voltou para o dormitório feminino. "Honestamente!"


Nota da tradutora: Agradeço muito aos leitores que andam acompanhando nosso trabalho! Meus beijos especiais para: Tachel, Bela-chan, Maaya e Polarres.

Rebecca.