Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, são criação única e exclusiva do mestre Kuramada.


Isso é o que importa.

By Dama 9


Capitulo 2 – Uma Vida Normal.

Japão, Três anos depois...

Thouma remexia-se inquieto na cama, mais uma vez seus sonhos eram tomados por imagens da luta entre os Deuses no santuário. Lembrava-se de ver Ártemis atirar uma flecha na direção de Athena e a única reação que ele conseguiu ter foi proteger a Deusa da Justiça.

O senso de justiça fora mais forte, por mais que amasse a sua deusa, na hora apenas seguira o que seu coração gritava para fazer.

Ártemis e Apolo não tinham motivos para destruir a Terra, a jovem deusa salvara sua vida, porém Apolo selara o seu destino, obrigando-o a enfrentar os seus iguais numa guerra estúpida e sem sentido.

Era um cavaleiro de Athena, nem que morresse e renascesse mil vezes, ainda sim daria sua vida por ela mesmo que significasse perder aquela que tanto amava, mas porque agora isso parecia tão difícil de aceitar.

-Acalma teu coração;uma melodiosa voz sussurrou em seus ouvidos, fazendo-o aos poucos parar de remexer-se. Amo você e é só isso que importa; a voz continuou, ao mesmo tempo que a imagem de uma jovem de cabelos loiro-esverdeados surgiu, sentando-se na beira da cama e afagando as melenas vermelhas.

-Ártemis; Thouma sussurrou em meio a um leve ressonar, enquanto jazia perdido em meio a doces sonhos. –Também te amo; ele respondeu, aconchegando-se mais entre a coberta e os travesseiros e voltando a cair em sono profundo.

Uma lagrima solitária caiu dos orbes da jovem, ao mesmo tempo que ela deixava sobre o criado mudo, uma pequena corrente dourada com um pingente em forma de rosa vermelha, o mesmo que ele havia perdido em meio a batalha contra Seiya e também a única lembrança que tinha dos dias de infância com a irmã mais velha.

Ártemis levantou-se da cama, procurando não fazer barulho, caminhou até a janela do quarto, abrindo com vagar as cortinas e deixando que o brilho da lua invadisse o ambiente, que irônico, era lua crescente; ela pensou com um sorriso nos lábios.

Abriu as portas da janela que davam na pequena sacada, deixando que o cheiro da noite invadisse suas narinas, permitiu que orbes ficassem momentaneamente fechados aproveitando aquele momento de calmaria.

Ao abri-los os mesmos jaziam com um brilho mais intenso do que antes. Ultrapassou a soleira da porta desaparecendo em meio à noite.

-Ártemis; Thouma chamou levantando-se da cama num pulo, a tempo de ver uma imagem dissolvendo-se.

Correu até a janela como se pudesse impedir que ela se desfizesse, porem a surpresa foi maior ao reconhecer entre os pequenos fragmentos de estrelas aquela que sempre povoava seus pensamentos e sonhos mais secretos, mas nada pode fazer para impedi-la de partir... De novo.

Thouma voltou-se em direção da cama, franzindo o cenho ao ver em cima do criado uma pequena jóia brilhando como se refletisse a lua que invadia de maneira tímida o quarto.

Caminhou até lá, podendo constatar que era o pingente que pensara ter perdido com a destruição do outro templo, mas ele estava ali, perfeito como sempre fora.

-Ártemis; Thouma sussurrou, colocando a pequena preciosidade em volta do pescoço e o guardando dentro da camisa, deitando-se novamente.

-o-o-o-o-

A mansão Kido jazia agitada logo pela manhã, como sempre isso acontecia porque era justamente mais uma segunda-feira, onde toda a rotina agitada perdurava pelos próximos cinco dias.

-SEIYA, SAI DESSE BANHEIRO OU CONGELO A ÁGUA; Hyoga berrou batendo na porta do banheiro, enquanto o cavaleiro de pégaso cantarolava terrivelmente uma musica qualquer enquanto interditava o banheiro.

-Hyoga, usa o do primeiro andar; Shun falou aproximando-se e novamente tentando apartar um possível desentendimento entre os amigos.

-Não acredito que esse idiota interditou o banheiro de novo; Ikki falou saindo de seu quarto visivelmente irritado por causa dos gritos de Hyoga.

-EU AVISEI; Hyoga berrou com um sorriso maldoso nos lábios elevando seu cosmo.

-AHHHHHHHHH! –eles ouviram o grito do cavaleiro que acabara de ser acertado na cabeça por um iceberg dentro do banheiro e com o impacto escorregara dentro do Box caindo com tudo no chão.

-He! He! He! Bem feito, eu avisei; Hyoga respondeu ao olhar indagador dos amigos, devido ao seu meio sorriso triunfal. –Agora sim eu vou usar o banheiro do primeiro andar; ele falou, voltando-se para Shun que o fitava incrédulo.

-O que ta acontecendo aqui? –Thouma perguntou com uma cara de quem não havia conseguido conciliar o sono durante o resto da noite, enquanto saia do seu quarto.

-Adivinha? -Ikki respondeu balançando a cabeça. –Vai se trocar logo, temos que tomar café antes de sair; ele completou voltando-se para o ex-cavaleiro.

-o-o-o-o-

Depois do pequeno incidente que ocorrera com Seiya no banheiro, todos já estavam se reunindo na mesa para o café. Desde que Saori mudara-se definitivamente para o santuário, os garotos passaram a morar na mansão Kido, mas vez ou outra recebiam a Deusa que ia visitá-los, saber da fundação e visitar o orfanato, mas de uns tempos para cá Saori mal vinha para o Japão, permanecendo integralmente no santuário.

Depois do fim das batalhas e aparentemente sem nenhum vestígio do cosmo dos deuses gêmeos, cada um procurou dar um sentido diferente para a própria vida.

Shun fora designado por Saori para administrar os negócios da fundação exercendo tal atividade meio período por dia, já que a noite fazia faculdade, fazendo curso de Administração.

Hyoga passara a trabalhar na assistência social do orfanato e inconscientemente aproveitando a oportunidade para ficar mais perto de Eiri.

Shyriu voltara para Rozan viver com Shunrei e o mestre Ancião, mas vez ou outra vinha até o Japão visitar os amigos junto com a noiva.

Ikki apesar de ainda ter como lema 'ser um eterno lobo solitário', passara a ser um pouco mais sociável e vivia com os amigos na mansão, optando até por fazer faculdade junto com Shun e Thouma.

Seiya resolvera permanecer no Japão para ficar perto da irmã e de Minu, mas vez ou outra ia até a Grécia visitar Marin com Thouma.

-Cadê o Thouma? –Shun perguntou, estranhando a falta do cavaleiro.

-Eu é que sei; Seiya respondeu emburrado, olhando para Hyoga que ainda ria da cara dele.

-Estou aqui; o jovem de orbes verdes falou com um sorriso sem graça, entrando na cozinha já vestido para sair.

-Andem logo, se não eu não irei espera-los; Ikki falou, voltando-se especificamente para Seiya.

-Hei; ele reclamou, enquanto enfiava um monte de pão na boca.

-Nojento; Hyoga resmungou.

-Fres-co; Seiya rebateu, ignorando o olhar entrecortado do Cisne, enquanto levava aos lábios uma xícara de café. –Arg! Ta frio; ele reclamou, mas estreitou os orbes ao ver Hyoga com um meio sorriso de satisfação tomando o café.

-Parem com isso e andem logo, se não vão se atrasar; Shun os cortou antes que mais uma briga começasse. Deixando os outros surpresos devido à impaciência do cavaleiro, que nos últimos dias havia se mostrado mais maduro do que o próprio irmão mais velho, porem não menos irritadiço.

-Terminei; Ikki falou, levantando-se. –Já estou indo, vejo vocês à noite; ele completou.

-Hei! Não vai esperar a gente? –Seiya perguntou assustado com a possibilidade de perder a carona.

-Você tem cinco minutos se não vai a pé; o cavaleiro de Fênix respondeu sem ao menos se virar.

-o-o-o-o-

Mais uma vez sonhara com ela, ou seria saudade demais ou estava ficando louco. A única coisa que se lembrava era te ter acordado nos braços da irmã, encontrando o santuário de Athena reerguido e os cavaleiros vivos, mas nem um sinal dela.

Passado algum tempo, perguntara a Saori o que aconteceu e ela simplesmente lhe respondera que os deuses haviam dado uma trégua e Ártemis fora embora após a aparente morte de Apolo, nada mais, deixando-o completamente às cegas, sem saber do paradeiro da Deusa ou de qualquer um que poderia guiá-lo até ela.

Os corredores da faculdade iam passando sem que ao menos prestasse atenção onde estava. Ikki já havia ido para sua sala e Seiya, bem... Esse sem comentários, mal pisara no prédio e ele já sairá correndo atrás de uma cantina alegando não ter tomado café direito por culpa de Hyoga.

Forçando um pouco a mente a prestar atenção naquilo que estava fazendo, Thouma mal teve tempo de parar ao dobrar um corredor e bater de frente com alguém, apenas ouvindo o barulho de alguns cadernos chocando-se com o chão.

-Desculpe; ele falou imediatamente se abaixando para pegar os cadernos da jovem que caíram.

-Tudo bem, eu também estava distraída; a jovem respondeu, uma voz calma e serena, que por um momento fê-lo parar, sentindo um arrepio cruzar suas costas, fazendo-o engolir em seco.

-Aqui esta; Thouma falou levantando-se e entregando os cadernos para a jovem, mas mais uma vez ficou sem reação ao deparar-se com a jovem de longos cabelos loiro-esverdeados presos numa trança quase infantil e os orbes verdes com um brilho intenso que fez seu coração disparar.

-Obrigada Thouma; a jovem respondeu com um sorriso gentil e um olhar enigmático. –Com licença, mas preciso ir; ela completou passando por ele sem esperar resposta.

-De nada; Thouma respondeu mecanicamente, vendo-a se afastar, balançou a cabeça de forma confusa. –"Foi impressão minha, ou ela me chamou pelo nome?"; ele se perguntou. –"Não, deve ser impressão, devo estar ficando louco"; o jovem concluiu, voltando a procurar por sua sala.

Finalmente, depois de andar tanto chegara a sala do curso de engenharia mecânica, chegava a ser irônico, mas não faria mal algum projetar algumas asas que não fossem de cera; Thouma pensou com um meio sorriso, entrando na sala.

Fazia exatamente um mês que estava ali, mas o tempo para si passava chato, sem graça e monótono.

Procurou uma mesa que fosse a mais afastada possível do professor, sentou-se na penúltima cadeira num canto afastado da sala, novamente as imagens do sonho vinham-lhe a mente, balançou a cabeça nervosamente, não acreditava que estava comparando Ártemis, a sua Ártemis com a jovem que esbarrara no corredor.

Thouma parou por um momento os pensamentos, com um olhar assustado ouvindo a palavra 'sua' ecoar de forma assustadora em sua mente. Desde quando as coisas eram assim? Sabia que eram de mundos diferentes, ela era uma deusa e ele um ex-cavaleiro.

Ela nunca deixaria os Deuses por um mero mortal, embora uma voz bem no fundo de sua consciência lhe gritasse, dizendo que estava errado. Sem perceber acabou pegando no sono, com a cabeça apoiada na mão sobre a mesa.

-Thouma; uma voz ecoou em sua mente e ele já sabia a quem pertencia.

-Ártemis; ele chamou, vendo a imagem da jovem diante de si de maneira embaçada.

-Thouma; alguém o chamou, porem a voz era completamente diferente, fazendo-o franzir o cenho e remexer-se na cadeira. -Hei cara, acorda; a voz insistia em despertá-lo dos belos sonhos que tinha.

-Que é? –Thouma perguntou com certa irritação abrindo os olhos.

-O professor já ta na sala, se te pega dormindo vai ter problemas; o garoto a sua direita falou, fazendo-o despertar completamente assustado. Thouma apenas assentiu e voltou-se para frente.

-Como vocês sabem, o curso de engenharia teve muitas vagas extras nesse semestre, por isso não estranhem que até o final do mês a sala fique completamente cheia; o professor falou.

-Alunos novos; alguém murmurou animado.

-Isso mesmo e aproveitando que o assunto é esse. Hoje teremos mais um aluno que ingressará no curso, por favor, entre; o professor pediu.

A sala toda permanecia em completo silencio vendo a porta de correr abrir-se revelando a pessoa que menos o cavaleiro esperava.

-Poderia se apresentar para a turma, senhorita? – o professor pediu.

-Sim; Ártemis respondeu com a voz doce fazendo alguns garotos da sala suspirarem e o ex-cavaleiro sentir uma leve veinha saltar na testa, sabia muito bem o que aqueles infames estavam pensando e não conseguia acreditar que estava sentindo ciúmes disso. –Me chamo Diana, morava na Grécia, mas me mudei para cá há pouco tempo para estudar; ela falou.

Thouma parecia petrificado, não conseguia acreditar, só poderia ser uma grande coincidência a semelhança entre as duas era incrível; ele pensou estupefato.

-Sente-se ali, senhorita; o professor indicou uma cadeira atrás do cavaleiro que permanecia com o olhar confuso.

Ártemis apenas assentiu e caminhou até lá, passando por um Thouma completamente petrificado. Deixando no canto da mesa do rapaz um pequeno pedaço de papel.

As Deusas do Destino parecem sorrir.

Como dizia Harmonia, há sempre uma forma de mudar o destino, basta apenas cortar os velhos laços.

Ele completou, observando intrigado o pequeno papel, quando sentiu os pelos do braço se arrepiarem com uma leve manifestação de cosmo atrás de si. Agora sim tinha certeza de que era ela.

Continua...


(1): A menção as asas de cera é referente ao mito do Labirinto do Minotauro, construído por Dédalo a mando do rei Minos, porem ele e o filho acabaram sendo presos no labirinto e Ícaro projetou as asas de cera. Ambos alçaram vôo, mas Dédalo avisou ao filho que não se aproximasse do sol, pois a cera derreteria, mas maravilhado com a visão que tinha e mediante a possibilidade de fazer algo que nem mesmo alguns deuses podiam "Voar", ele se aproximou do sol. Conclusão, as asas derreteram e ele caiu no meio do mar, morrendo em seguida.