Rose Weasley. Uma semana antes...
Sabe, devia ter um botão "Excluir Malfoy". Eu ia apertá-lo com gosto.
– Weasley, acordei bonzinho hoje – ele me disse com aquele tom de voz irritante. Estávamos parados entre as mesas do Salão Principal, olhando um para o outro. Ele cutucava as unhas, sempre relaxado. – Estava até pensando em deixar a Grifinória ganhar esse jogo, mas depois que você me lançou esse olhar, tudo o que me dá vontade é de...
– Não quero saber – eu disse passando por ele. – Boa sorte, você vai precisar.
– Eu já nasci com sorte. Mas eu seria muito mais sortudo se...
– Já disse que não quero saber – falei brava. Ele sabia que toda manhã antes de um jogo eu ficava estupidamente nervosa. Malfoy usufruía desse defeito e adorava me irritar mais ainda.
– Um dia vai me deixar terminar uma frase. Eu odeio quando você interrompe meus discursos.
– É porque nada do que vem de você pode me interessar. Ou ter uma conclusão que valha a pena ouvir. Com licença.
– Ah, garota nervosa! – eu o ouvi exclamar atrás de mim, aflito. – Some daqui logo então.
– Fala com a minha mão, colega. – Eu fiz o gesto e eu não ficaria surpresa se sentisse uma torrada atravessando o salão.
Sei que a palavra "odiar" é forte. Então tudo o que eu sentia pelo Malfoy era apenas uma falta de necessidade imensa. Ele era desnecessário, alguém que eu queria muito que sumisse. Pelo menos por duas semanas, já que não sou de abusar de sorte.
Passei por Albus antes de ir para o campo. Ele estava segurando a vassoura e sorriu quando eu apareci. Ainda continuou sorrindo, mesmo que eu não tivesse retribuído a expressão. Era por isso que eu gostava tanto dele. Eu podia estar no meu pior dia, mas Albus sempre sorria para mim. E não era o sorriso do tipo "vou chutar o seu traseiro em campo" que o Malfoy lançava sempre. Era do tipo: "e aí, preparada?" e ele estendeu a mão para que eu apertasse.
– Boa sorte, primo – falei, apertando-a. – Mas quero que Malfoy realmente quebre a perna.
– Vocês deviam ser mais amigáveis – falou Albus, cansado.
– Alguns não têm a mesma disposição que você.
– Scorpius é legal.
– Sim, bem, e eu sou uma veela.
Albus desistiu de discutir, e me desejou boa sorte antes de se afastar também, com o seu time da Sonserina. Disposta a vencer aquele jogo, mesmo contra meu melhor amigo-primo, acompanhei a Grifinória até o campo de Quadribol.
Eu tinha algumas técnicas planejadas, mas quando você só tem que defender goles e balaços nada mais importa a não ser o objetivo de agarrá-las, o segredo é a sua habilidade. Tenho certeza de que, por vários minutos, a Sonserina não conseguiu marcar nenhum gol. É, eu estava me saindo bem. A multidão gritava, meus outros colegas me elogiavam, e eu os elogiava de volta. A Grifinória estava ganhando em disparada de pontos, mas eu não tinha tempo de ver como o apanhador estava se saindo. Minha preocupação era Malfoy e eu estava pronta para deixá-lo estressado, rir da sua cara quando eu defender sua jogada que ele considerava espetacular.
Bem, mas acho que nem todos os conselhos do meu pai conseguiriam me preparar para o que Malfoy estava planejando especialmente para mim. Eu sabia que corria riscos de rachar meu crânio por causa dele. Algum contato visual com Malfoy fez-me notar que eu estava, definitivamente, ferrada. A última coisa que me lembro foi que eu estava para xingar: "filho da puta", e então, o balaço veio direto na minha cabeça.
Acordei sei lá que horas na ala hospitalar. Isso era tão Albus. Ignorei a dor que me atingia, apenas olhei ao redor da minha cama e vi meus melhores amigos. Eles estavam conversando sobre alguma coisa que não consegui entender. Albus foi o primeiro a notar que eu estava acordada.
– Você parece bem – comentou. Não sabia dizer se estava falando sério.
– Quem ganhou o jogo?
– A Grifinória – sorriu Lily. – Acho que vocês iriam vencer mesmo se a Sonserina estivesse disparando de pontos.
– James agarrou o pomo então, é?
– Não, depois que o Malfoy te acertou, a Sonserina foi desclassificada. Estava na cara que ele fez de propósito.
Fiz um esforço para me levantar. Albus agarrou meu ombro e me fez deitar de novo.
– Onde é que você pensa que vai? – ele perguntou exasperado.
– Eu tenho que matá-lo – falei.
– Espere até você se recuperar então – disse Mandy definitivamente.
– Além disso, ele já teve o que merecia – contou Lily. – Foi expulso do time, não vai mais jogar quadribol e vai cumprir detenções durante um mês.
Por causa disso consegui passar a tarde inteira na ala hospitalar sem muitas reclamações. Albus trouxe alguns livros para mim, e antes que ele fosse embora eu pedi com um sorriso tranqüilo:
– Diga ao Malfoy para ele ter pesadelos com o dia em que eu sair daqui.
– Rose, ele nunca acertaria você de propósito.
Mesmo que parecesse tão certo disso eu o ignorei, então não sei se Albus passou o meu recado, mas a primeira coisa que fiz depois que tive permissão para sair da ala hospitalar foi me encontrar com o Malfoy para trocar algumas palavrinhas com ele. Não é difícil saber onde ele está num domingo à tarde. Agarrando uma garota ou dormindo na sala comunal da Sonserina.
Estava acontecendo a primeira opção. Ele e aquela garota do quinto ano, Eve Taylor, estavam se agarrando como se fossem chicletes em cabelo crespo. Poupei minha educação para momentos mais propícios, portanto o chamei enquanto andava pelo corredor:
– Certo, Malfoy, eu não costumo ser uma garota vingativa, mas você não me deixa outra escolha.
Malfoy parou de beijá-la, mas não de segurá-la. Só virou seu rosto para mim.
– Não tem modos, Weasley? – ele perguntou naquela sua habitual voz arrastada. – Ou você não sabe o que isso significa? Ocupado, sem tempo para escutar sua voz de gralha. Com muito tempo pra beijar essa garota.
Eve me olhava com visível desprezo, como se eu fosse me arrepender de ter nascido quando fiz Malfoy parar de beijá-la.
– Vocês vão ter muito tempo depois, mas o negócio tem que ser resolvido agora – falei. – É isso, Malfoy, você quase me matou. E sabe o que acontece quando alguém quase me mata?
– Essa pessoa se arrepende demais por não ter conseguido?
Eve riu. Eu me irritei.
– O que você fez é imperdoável – gritei.
– Não estou pedindo seu perdão, você parece ótima agora – ele disse me olhando. – Não é como se você não pudesse mais jogar quadribol.
– Own, tadinho. Deve estar sendo horrível para você – disse ironicamente.
– Não, na verdade. Eu tenho distrações.
Quando eles voltaram a se beijar eu decidi que não agüentaria ficar ali ou poderia socá-lo. Mandy, minha melhor amiga, dizia que eu devia controlar meus estresses.
– Conte até dez – ela costumava me dizer. – Sempre dá certo, confie em mim.
Mas só com ela mesma que dava certo. Ela costumava ser alvo de muitas piadas por ter problemas com peso e comer demais. Toda vez que alguém falava algo do tipo: "Está ocupando espaço, Maria Balofa!", Mandy fechava seus olhos e contava até dez em voz alta – o que isso só fazia as piadas aumentarem – e então ela sorria e seguia em frente pelo corredor como se não desse a mínima. Acho que era por isso que eu queria muito ser como ela. "Você não pode ter vontade de gritar com todo mundo que irrita a gente."
Já dei duras lições nos caras que zoavam com Mandy. Algumas ameaças na medida certa os deixavam assustados e eles nem se arriscavam a dizer um "a" na minha frente. Mandy não gostava muito dos meus métodos, ela alegava que podia se virar sozinha e que ameaças não davam certo. Mas não fazer nada enquanto todos riem de você é veneno para o seu orgulho, eu não podia aceitar aquilo.
Eu costumo ser uma garota calma com as pessoas boas. É só pisar no meu calo que minha paciência se esgota. Malfoy era, digamos, o mestre em pisar nos meus calos.
Mas nos dias que se passaram não teve coisa melhor do que ver o branquelo pagando a detenção. Limpar as poeiras das estantes da biblioteca de Hogwarts só não era pior do que dar banho na Lula Gigante na manhã de Natal. Eu já gostava de ir a biblioteca por vontade própria mas ver Malfoy fazendo aquele trabalho sujo foi um estímulo maior para continuar visitando.
– Vejo que está sem distrações agora – eu comentei, rindo, quando passei perto dele. Limpava com um pano molhado uma parte da estante dos livros. O zelador poderia muito bem usar magia, mas ele gostava de saber que um aluno como Malfoy trabalhava naquilo sem auxílio algum. Era um castigo justo.
– Você que pensa – assoviou me olhando de trás. – Já ouviu falar que quando não se tem muita escolha, temos que contentar com o que está na nossa frente?
Soltei uma risada forçada.
– Você me mata de rir, colega. Ei, aposto que essa é a primeira vez que conhece a biblioteca de Hogwarts.
– Provavelmente – ele deu de ombros. Depois seus lábios desenharam um sorriso. – E você está passando muito mais tempo aqui do que uma pessoa normal, sabe, estou começando a achar que é só pelo seu prazer de me ver.
– É realmente por causa disso. Nada me deixa mais satisfeita do que te ver pagando essa detenção ridícula.
Malfoy se abaixou para pegar outro pano, já que o anterior estava sujo. Quando ele ficou em pé novamente, achei que ia dizer mais alguma coisa idiota, mas ao em vez disso ele desabotoou o primeiro botão da camisa. Depois o segundo. E o terceiro. Demorou um tempinho para que eu assimilasse a idéia de que Malfoy ia tirar... É, ele tirou. Arrancou a camisa branca do corpo e jogou numa cadeira.
– Oh, por favor – girei os olhos. – O que mais você espera? Que eu diga que você é gostoso? – Porque, não, eu nunca ia admitir aquilo.
– Só deixando seu prazer mais interessante, ruiva – ele deu uma daquelas piscadinhas de um olho, ainda sorrindo, e sem mais delongas, ficou de costas para voltar a limpar.
Eu esperava ver ele pagando aquela detenção totalmente deprimido, sufocado na poeira, os olhos inchados de tão vermelhos. Mas não, Malfoy parecia estar se divertindo muito como se o fato de que eu estava ali só para ver ele fosse motivo para aproveitar todos os minutos daquela detenção.
Ao pensar nisso eu decidi ir embora. Um porque eu não achava mais motivo para ficar rindo da cara dele já que ele estava gostando, dois porque eu lembrei que não suportava ficar num mesmo lugar com ele, e três porque ver Malfoy sem camisa sempre é uma visão extremamente perturbadora. Eu não recomendo a ninguém.
Você ficaria pensando nisso o dia inteiro. Merda.
N/A: Esses são acontecimentos antes dessa aposta de tentarem se suportar por causa do Al. A gente vai chegar lá, ok? O primeiro capítulo, na visão da Rose, mostra o quanto ela realmente não o suporta (e com motivo! Malfoy deve parecer uma pessoa chata na visão dela, mas vocês verão quem ele realmente é no próximo, já que será da visão dele. Será mesmo que Scorpius jogaria aquele balaço de propósito na Rose? Ninguém assim seria amigo de Albus, mas falta Rose descobrir isso!) AHAUHAUHA Ai ai. Vamos ver o que vai dar com esses dois.
Muito obrigada a todos: Biazinha, Natasha Weasley, larryrocha, whoisyourlover, Pollita, B e Sophie Stevens pelos primeiros comentários!
