Beta1: Moony-Sensei
Beta2: Jann Candor


Disclaimer: A frase: "Segunda estrela à direita, e adiante até o amanhecer." é uma citação de Peter Pan, e é o caminho para Neverland!


Comme Il Faut
por Petitis Petals

2. Inícios

"Sirius!", o amontoado de cabelos, que se espetavam para todos os lados, ficou ainda mais rebelde quando James perguntou, euforicamente: "Você ouviu o que Peter disse?

Era um típico dia de inverno. O vento gelado soprava forte, causando arrepios em todos aqueles que se aventuravam pelas ruas. Para o mau humor de muitos, acordar cedo e enfrentar todo aquele frio, com suas mãos e narizes congelando, era necessário. Uma leve garoa caia, ajudando a derreter a neve que cobria boa parte da superfície das casas e ruas.

"Sim, James, eu ouvi", o mais alto dos quatro garotos se fez ouvir. "Só não entendo sua euforia, já que estamos falando do Seboso também."

James não disse nada. Olhava para o ar, perdido em pensamentos, maquinando alguma coisa. Os outros três o miraram, esperando alguma demonstração de vida. Peter riu nervosamente, começando a achar que havia feito algo errado. Sirius continuava emburrado. Remus estranhou James Potter ficar calado por tanto tempo, pousou uma mão sobre o ombro do amigo e perguntou:

"James, tudo bem?"

O garoto de óculos despertou com o toque, se virando radiante para Remus. Jogou-se contra ele, lhe dando um abraço com direito a batidinhas nas costas e tudo.

"Aluado! Você também ouviu, não? Peter vai estudar junto com Lily!"

James, Sirius, Remus e Peter eram amigos de infância. Conheceram-se no primeiro ano de escola e jamais se separaram. Lily não fazia parte do grupo, mas não era por falta de tentativas de James: havia anos que o garoto era apaixonado por ela, porém, de alguma forma, todas as suas tentativas de demonstrar isso eram mal interpretadas pela garota; "garoto detestável", era como costumava se referir a ele.

A verdade é que James e Sirius sempre tiveram uma idéia meio distorcida do que era humor, e por isso acabavam se metendo em encrencas, ou mesmo colocando outras pessoas em perigo por não verem maldade no que estavam fazendo. Tudo para eles era diversão.

"Ah, lá vem ela de novo", e Sirius rolava os olhos como se a simples visão do que estava por vir lhe causasse muito tédio. Era sempre a mesma coisa: toda vez que eles aprontavam na escola, Lily Evans aparecia para entregá-los à diretoria.

"Pontas, quer se acalmar?", e Remus riu. James continuou murmurando coisas com "Lily, ó Lily" no meio, seus olhos brilhando por trás da armação redonda.

"Onde você quer chegar com tudo isso, afinal?", Peter mexia as mãos, inquieto, querendo encerrar logo o assunto. Estava preocupado demais com quanto pior poderia ficar o humor de Sirius para se alegrar com a felicidade do outro amigo.

"Você...", apontou para Peter, assustando-o com o movimento repentino. "Vai passar longas tardes estudando com Lily, certo? Logo, me trará toda a informação possível!", revelou James, triunfante.

O menor dos quatro se encolheu, perguntando incerto: "Eu...?"

"Ora, Peter, sim!"

"Não seja medroso", Sirius completou. "Não é nada demais."

Ele engoliu toda saliva da boca, pensando sobre o assunto. Talvez conseguir algumas informações não fosse tão ruim assim, afinal, ele era até bom em prestar atenção nos outros.

"Tá legal", acabou por concordar. "Mas vou querer alguns chocolates por isso, hein", alguns dentinhos amarelos ficaram a mostra. James abriu outro enorme sorriso, passando o braço pelos ombros gordinhos.

"Esse é o nosso Peter!"

"Isso tudo me lembra que as aulas recomeçam segunda-feira", Sirius falou entediado, para variar – era constante isso nos últimos dias.

"Oras, o que também significa manhãs de diversão com o Ranhoso", o sorriso inocente de James era traído pelo brilho maroto de seus olhos. Importunar Severus era uma de suas atividades favoritas.

"Vocês deveriam parar com isso de uma vez por todas", o tom sensato com que falava fazia Remus soar como se fosse o pai dos outros garotos, embora sua aparência frágil dissesse exatamente o contrario. "É o último ano, por que não se esforçam um pouco?"

"E pra que, se somos brilhantes sem esforço algum?", modéstia, definitivamente, não era uma característica de Potter.

A hora do almoço que se seguiu foi tranqüila e divertida. A Sra. Potter fizera frango assado com batatas e todos se empanturraram até sentirem-se cansados demais para continuarem conversando.

"Acho que devemos ir, já está ficando tarde", Remus dirigiu-se a Peter.

"Ah, mas...", Peter lançou um olhar esperançoso para a cozinha. "É que, bem, a Sra. Potter ainda não serviu os biscoitos de chocolate que vi sobre o armário e..."

"Rabicho! Não abuse da hospitalidade da Sra. Potter. Já não basta ela e o Sr. Potter terem que alimentar esse marmanjo durante boa parte das férias?", e Remus olhou para Sirius, porém, mesmo que tentasse, não havia repreensão em seus olhos. Sirius era um dos pontos fracos de Remus Lupin.

Os quatros garotos saíram em direção ao portão da residência dos Potter, comentando sobre o tempo. A tarde havia ficado mais amena, raios tímidos brincavam de vez em quando entre as nuvens cinzentas, e muitas pessoas aproveitavam para apreciar o finalzinho do domingo. Godric's Hollow era sempre assim.

Depois de despedirem-se de James, os outros três garotos ganharam as ruas da cidade. Cumprimentaram a Sra. Lovegood ao passar por uma rua, e seguiram falando sobre o novo período letivo. Peter logo se apressou em seguir para casa, comentando que talvez conseguisse comer o que havia sobrado do almoço de sua mãe.

Os outros dois marotos seguiram serenamente, apenas apreciando o ar friozinho e gostoso que sacudia seus casacos. Remus não estava realmente incomodado com a situação, mas geralmente Sirius não apreciava o silêncio. Ele estaria falando sobre algum comentário bobo de Peter no almoço, ou simplesmente puxando algum assunto.

O castanho olhava de soslaio para Sirius, tentando entender essa estranha fase do amigo. Ele estava constantemente mal humorado ou então calado. E Sirius Black nunca ficava calado.

"Sirius, o que há?"

"Nada, nada...", o moreno respondeu com descaso, olhando no sentido oposto.

Remus parou e voltou dois passos, sentou-se em um banco que haviam passado, e tirou as mãos dos bolsos, repousando-as sobre as coxas. Sirius parou de andar, notando a falta da presença ao seu lado.

Olhou para trás e viu Remus sentado olhando despreocupadamente para alguns pássaros que teimavam em tentar procurar comida sob o amontoado de neve. Por que nada podia ser deixado de lado para Remus Lupin?

Sirius sentou-se ao lado do amigo.

"O que foi?"

"Nada, pensei em apreciar um pouco a vista", Remus não olhou para o outro garoto, continuou observando os pássaros.

"Ora, não se faça de bobo, vá logo para onde quer chegar", Sirius estava começando a se irritar. Não era porque queria, era algo meio automático.

"Bom, é exatamente isso que quero que você faça", Remus virou-se e olhou o amigo nos olhos, como se conseguisse enxergar tudo dentro dele. Sirius vacilou. "Você tem estado diferente ultimamente. Mais calado..."

"Não tem nada de errado, Aluado. Ao menos não mais do que o 'normal'", ele suspirou pesado. "É só tudo, sabe."

Remus sabia. Desde pequeno Sirius sempre tivera problemas com sua família. Os Black tinham a merecida fama de serem corruptos e conseguirem o que queriam pelos meios mais sujos possíveis. Alguns poucos membros se negavam a essa conduta e eram devidamente rejeitados pelos outros.

Sirius era um desses membros. Devido a isso, fugira de casa e morava agora com sua prima Andrômeda - outra renegada - e seu marido.

"Logo vamos terminar a escola e você vai poder se manter sozinho, tirar dos ombros o fardo dos Black."

Qualquer um poderia dizer que Remus estava apenas falando palavras vazias, aquilo que se espera ser dito em situações como essa, mas que na realidade não significam nada. Porém, a bondade em seus olhos e o tom sincero de sua voz eram o suficiente para que Sirius sentisse que o amigo realmente se preocupava. Mais do que o necessário, até.

Sirius apenas acenou afirmativamente com a cabeça, olhando para o local onde antes estavam os pássaros. Não queria preocupar Remus e agradeceu mentalmente pelo amigo ter se convencido com sua explicação. Contudo, a verdade era que havia algo mais.

No entanto, nem mesmo o próprio Sirius sabia o que era. Algo parecia estar mudando dentro dele... Algo novo e estranho parecia estar nascendo.

Remus e James notaram os sinais da confusão interna do amigo logo de cara. Peter só sabia que era bom não mexer muito com o mais alto. E assim estava se seguindo, não havia nada mais que James ou Remus pudessem fazer, além de conversar com ele.

Ver Sirius mais rabugento do que nunca o preocupara de tal maneira, que fora difícil para Remus pegar no sono aquela noite. Ele ficou elaborando situações e formas de fazer o amigo esquecer os problemas, volta e meia se perdendo em lembranças, a maioria delas, de um Sirius sorridente. Fazia tempo que o amigo não sorria verdadeiramente.

No dia seguinte falaria com James e bolariam algo para levantar o astral do amigo. Estava pensando até em não ralhar muito com eles, quando provocassem Severus no primeiro dia de aula. Bom, talvez não muito.

Sorriu com o pensamento. Não ver Sirius Black sorrir fazia muito mal, decidiu por fim, antes de pegar no sono.

o0oo0oo0o

"Venha, é por aqui..."

Draco seguia por uma parte de campo aberto, em direção a um enorme galpão ladeado por árvores. O sol havia se posto e as primeiras estrelas já piscavam timidamente no céu. Harry não entendeu o que o outro garoto faria ali, e ficou ainda mais confuso ao vê-lo passar direto pelo local, sem fazer menção de entrar.

"As árvores e o galpão servem para demarcar os limites da minha fazenda deste lado, mas ainda tem mais um pedaço de terreno antes de acabar realmente...", Draco ia explicando, sem diminuir o passo. "Qual é o seu problema? Ande logo!"

"Ah, nada como um pedido simpático", o moreno revirou os olhos e apressou o passo também, tentando alcançar o loiro que já havia contornado o galpão e sumido de vista.

Assim que cruzou o conjunto de árvores, Harry parou boquiaberto. Poucos metros à frente, o terreno acabava em um gigantesco penhasco, além dele, havia apenas o mar.

"Ninguém nunca vem deste lado", Draco abriu o braço não machucado, como se pudesse abranger toda paisagem com aquele gesto. "Lars vive mexendo no celeiro, mas nunca olha aqui atrás, é por isso que sempre brincamos aqui."

Logo após se conhecerem no hospital, os dois garotos descobriram que gostavam muito de uma pessoa em comum: Holly Swank. Holly, gentil como sempre, convidara Harry para comer bolo por ser tão legal com Draco. O loiro achou graça, contudo não comentou. No começo foi estranho, mas logo a espontaneidade do moreno abriu uma brecha até Malfoy. Acabaram por passar a tarde falando sobre comidas que gostavam, tombos que já haviam levado... Coisas corriqueiras assim, que acabaram por aproximar os dois.

"Brincamos?", Harry ergueu uma sobrancelha, intrigado. "Pensei que você tivesse dito que não tinha amigos nesta cidade." Draco abriu um meio sorriso, havia um ar maroto em seus olhos, e se dirigiu a uma imensa árvore que - só então Harry percebeu – tinha um buraco na base. O garoto loiro abaixou-se e tirou algumas coisas do seu "armário". Harry se aproximou e sentou-se em uma pedra próxima, seu rosto transparecendo a curiosidade típica de uma criança.

Draco virou-se de costas, arrumou os cabelos um pouco para cada lado e colocou bonitos óculos de armação quadrada e grossa, nitidamente femininos. Virou-se novamente.

"Olá, meu nome é Tamires", uma voz suave e feminina se fez ouvir quando Draco falou, e então acenou com a mão para Harry, como se tivessem acabado de se encontrar. "Sabe, Draco teima em me chamar de Tammy, mas eu prefiro Tamyt."

Descrever o que quer que o moreno estivesse pensando era impossível, em seu rosto uma mescla de espanto e divertimento. Draco sentiu-se encorajado pela óbvia confusão do outro garoto e continuou sua encenação.

"Eu também sei concertar coisas eletrônicas", acrescentou a voz feminina. "Mas os garotos nunca acreditam em mim", a voz era queixosa.

"Como não, minha jovem?", e tão rápido quanto um piscar de olhos, os óculos já não emolduravam mais o rosto de Draco, e um velho chapéu de pirata amassava seus cabelos, fazendo longos fios loiro-prateados caírem por sobre seus olhos.

"Pois saiba que eu jamais subestimo os conhecimentos de uma dama", e desembainhando uma espada – que na verdade era um cabo de vassoura – fez um movimento de ataque, como se quisesse afastar algum monstro invisível. "O coração de uma jovem é sábio e deve ser sempre protegido, nunca menosprezado."

Harry segurava a barriga de tanto rir. Era verdade que acabara de conhecer o garoto, no entanto, jamais imaginara que aquele menino mimado e cheio de manias pudesse esconder um lado tão divertido quanto esse. Sentiu-se completamente comum e sem graça diante daquela pessoa que lhe parecia agora tão cheia de mistérios; no entanto, também sentiu uma espécie de felicidade, pela possibilidade de ter alguém tão incrível como amigo.

"Ah, bem, esse foi o Johnny", Draco voltara a ser ele mesmo e estava aliviado por o riso do moreno ser apenas de divertimento, não de deboche. Embora tivesse se divertindo com as expressões de Harry, temia que o outro resolvesse tirar sarro dele, ou mesmo fosse embora, com medo de ficar perto de alguém maluco. "Ele é um galanteador, sabe, é por isso que nunca arranja uma garota que fique com ele por muito tempo... O que foi?"

Harry não estava mais rindo. Levantou-se e foi sentar ao lado de Draco, ambos olhando para além do penhasco, o mar refletindo o brilho das estrelas que salpicavam sua imensidão azul. Depois de um momento, em que cada um perdeu-se em seus próprios pensamentos, Harry quebrou o silêncio:

"Quantos mais ainda existem?", a pergunta veio acompanhada de um bocejo, já devia passar das dez da noite, e isso era consideravelmente tarde para uma criança acostumada com as normas rígidas da Sra. Weasley. Se ela desconfiasse que havia ficado acordado até tão tarde, nunca mais permitiria que passasse a noite fora de sua casa.

"Quantos o quê?"

"Dos seus amigos. Eles são incríveis, eu gostaria de conhecer outros."

Talvez por culpa da simplicidade de seus sentimentos, um não compreendeu a grandeza do que disse, tampouco o outro compreendeu a profundidade do que foi dito.

Draco cruzou os braços atrás da cabeça e deitou-se na grama. Bocejou. Harry continuava a encará-lo, esperando a resposta para sua pergunta.

O garoto loiro apontou para um ponto indefinido no céu.

"Vê aquela estrela?"

"Não", Harry riu-se e deitou também. "Qual?"

"Aquela. A segunda à direita."

Harry até tentou achar a estrela, mas então percebeu que não havia uma resposta precisa para sua pergunta. Porque não é de coisas exatas, como números e fórmulas, que se constrói o mundo das fantasias: é com imaginação, pura e viva.

"Ah, sim, agora vejo."

"Pois bem, 'segunda estrela à direita, e adiante até o amanhecer', esse é o caminho para o lugar onde eles moram. Existem muitos outros como eles lá, tantos que é impossível conhecer todos."

"Gostaria de poder visitá-los também."

"Qualquer um pode, desde que saiba o caminho. Por que não tenta?", e Draco bocejou novamente.

Mas a distância até o amanhecer era muito longe. Talvez houvesse um atalho, ou então, um meio de fazer a viagem parecer menos longa, pensou Harry, fechando os olhos e adormecendo logo em seguida.

"Bem, talvez pessoas como você não consigam", Draco virou-se para o lado, buscando o motivo para o constante silêncio do outro, e então sorriu.

O garoto levantou-se e foi até onde estavam suas coisas, guardou-as de volta dentro da árvore, menos o chapéu de pirata, que ajeitou sobre a cabeça de Harry, antes de deitar-se ou seu lado novamente.

"Ou talvez, cheguem lá bem mais depressa."

o0oo0oo0o


N/A's: Segundo capítulo on (Não diga? u.u) e dentro do prazo!

Ann: É um milagre, né :X

Aplísia: Que isso, é o fruto do nosso esforço (?) u.u

Ann: É verdade... xD Se bem que esse capítulo fluiu de uma forma... que nem tivemos tanto esforço, né?

Aplísia: Pois é, quando vi... PIOK! E estava pronto :D Acho que quer dizer que estamos pegando o jeito... xD/

Ann: Hahaha, pois é, pois é... PIOK! Ah, temos que agradecer as meninas que deixaram review sem e-mail!

(Lê: Lendo o próprio Harry Potter? Brumas de Avalon? (#derretem e escorrem pela cadeira#) Assim nosso ego vai inflar demais! xD Obrigada por ler e comentar!; Nina: Haha, que bom! Obrigadinha por comentar! (#olhos brilhando#) Esperamos que continue com a gente!)

E beijos também para todos os que leram e não deixaram review, nós os amamos mesmo assim! xD (#Ann esconde o olhar maligno#)

Próximo capítulo on daqui um mês! ... Ou assim esperamos! XD