CAPÍTULO SEGUNDO
ou "Ora, transfigure uma cama pra você!"
Minerva deixou o banheiro com o rosto queimando e a cara fechada. Muito nervosa, tirou a capa e se pôs a desfazer o coque apertado. Quando Albus apareceu, metido em um roupão violeta muito felpudo, ela estava de pé na frente do espelho, penteando os cabelos em silêncio.
– Oh, puxa!
Ela se voltou ao homem, levantando uma das sobrancelhas quase que desdenhosamente. Entendia a surpresa, é claro, mas resolveu fazer que não. Albus não a via de cabelos soltos desde o tempo em que ela não passava de uma aluna da Grifinória, há mais de 40 anos. Interrompendo o enlevo do velho mago, ela, muito séria e sem dizer nada, meteu-se novamente no banheiro, levando consigo uma camisola e um robe e trancando a porta atrás de si. Ele estava, então, sozinho no quarto. Olhou em volta, sorrindo. Adorava a decoração! Era tão... tão Minerva! Mas os cabelos negros, longuíssimos, em ondas, seguiram povoando seus pensamentos.
Quando Minerva voltou, o encontrou em vestes de dormir (uma espécie de camisola masculina um tanto quanto fora de moda), em sua cama, com as pernas cruzadas e um exemplar de O Morro dos Ventos Uivantes nas mãos. Seu exemplar. De sua estante. Recostado em seu travesseiro. Os olhos irritantemente cintilantes por trás dos oclinhos de meia lua.
Ela cruzou os braços e franziu o cenho.
– Está no meu lugar.
– Oh, perdoe-me. Prefere ficar do lado direito? – Ele saltou imediatamente para o outro lado da cama.
– Não, Albus. Eu prefiro dormir sozinha.
Ele piscou, com inocência.
– E onde sugere que eu durma, minha cara?
– Ora, transfigure uma cama pra você!
– Bem, eu certamente poderia. Mas aqui é tão mais agradável... – ele inclinou a cabeça ligeiramente, fazendo olhos de filhotinho abandonado.
Muito encantador. Mas não o suficiente.
– Saia – ela ordenou, direta, no mesmo tom firme que usava com os alunos mais difíceis. E a ele não restou opção senão obedecer, cabisbaixo. Aquele era o quarto dela, afinal. E ela claramente estava zangada ainda. Era melhor não irritá-la mais, podia ser perigoso. Ele teve de segurar o sorrisinho que de repente quis brotar em seus lábios. Simplesmente tratou de deixar o livro e os óculos de lado... A poltrona de leitura onde Minerva costumava passar boas horas das noites insones deu uma boa cama. Pequena, é verdade, mas confortável o suficiente. Conjurou um travesseiro e surrupiou uma manta... dentro de alguns poucos minutos já estavam ambos deitados, em silêncio, cada qual em sua própria cama.
– Boa noite, Minerva.
Ela levou uns momentos para responder, mas o fez no tom quase carinhoso de sempre.
– Boa noite, Albus.
E isso foi o suficiente para ele fechar os olhos sorrindo.
Aquela foi uma noite particularmente estranha para Minerva. Não era só ter um hóspede. O fato de ser Dumbledore tornava tudo muito mais complicado. Era esquisito. Ele era, de longe, seu melhor amigo. A presença dele a fazia se sentir tão mais segura, tão mais... protegida! Era como se, estando perto dele, nada pudesse dar tão errado assim. Mas não eram tão íntimos a ponto de... a ponto de dividir o quarto, por exemplo! Até então, ela nunca o tinha visto usando roupas de dormir ou... nu em uma banheira. Conhecia muitos de seus hábitos, mas não todos. E ela gostaria de conhecer, mas ao mesmo tempo tinha medo. Porque além de fazê-la se sentir segura, ele também a fazia se sentir muito insegura. Como que acuada, entre a razão e o coração, e isso era sempre perigoso. Ela tentava... não ser tola. Só... não ser tola. Simples assim. E ela achava já ter pegado o jeito, mas... com ele assim tão perto, será que conseguiria conter todo sentimento impróprio e vontade secreta que lhe brotasse? Será que conseguiria não agir como uma ridícula mulher apaixonada? Achava já não ter idade para bobagens como essas, mas, infortunadamente, seu próprio coração discordava.
Ela adormeceu pensando sobre não poder se deixar levar... sobre não poder, em nenhuma hipótese, baixar a guarda... não com ele tão perto! Não sem nenhum lugar para onde correr e se esconder. Se ele ficaria ali, então Minerva teria que ser mais forte do que nunca.
Tão forte foi que sonhou com ele.
E que sonho doce! Podia sentir seu cheiro, e ele sorria aquele sorriso terno, os olhos brilhantes como estrelas... estava ali, tão perto, do outro lado do tabuleiro de xadrez, e sorria, sorria muito... então não havia mais tabuleiro, caminhavam pelos jardins, como costumavam fazer na primavera. Albus falava sobre tudo e sobre nada, e então chegava mais perto, tomava sua mão lhe beijava os dedos. Ela podia sentir as cócegas feitas na pele pela respiração quente do homem. Podia sentir o macio da sua barba. O sol estava tão claro! Tão brilhante! Então ela resolver dizer algo, algo muito sério, algo muito difícil... estava assustada e feliz, era tão importante, e... então... acordou.
E quando acordou, já era de manhã.
Ela estava deitada de bruços sobre um peito quente... Saltou assustada! Pelas barbas de Merlin! O que diabos...?!
– Dumbledore!
Ele se espreguiçou, resmungando qualquer coisa sem sentido.
– DUMBLEDORE!
Assustado, abriu os olhos. Duas contas azuis-do-céu.
– O que faz na minha cama? – ela perguntou entre-dentes, o fuzilando com os olhos.
– Eu... ahm... mudei pra cá durante a noite... – ele se encolheu – não tinha cobertores o suficiente.
Minerva fechou os olhos e contou até três, respirando bem fundo. As bochechas em brasa.
– Porque não conjurou ou transfigurou qualquer coisa?
– Eu estava com muito sono pra pensar nisso – ele disse, com inocência – E frio.
Ela simplesmente bufou e pulou da cama, para sumir logo depois, batendo a porta do banheiro com muita força.
Dumbledore mordiscou o lábio, perguntando-se se não tinha se atrevido além da conta. Mas, enfim, adormecer sentindo o calor dela valia alguns resmungos e algumas caras feias. Talvez várias. Pensando bem, com certeza valia várias. Ele sorriu, bocejou, e voltou a fechar os olhos, se ajeitando novamente. O dia seria longo. Tinha de dar um pulo em Grimmauld Place, muito a fazer, e queria estar de volta antes da última aula de Minerva, a garantir que quando ela voltasse aos aposentos, ele já estivesse lá... como se nunca tivesse ido a lugar algum.
N/A: Queridos e queridas, espero que estejam gostando. Como podem ver, nosso velho diretor pode ser bem espaçoso, quando quer :P Até quando será que Minerva vai aguentar tamanho atrevimento, hein?
.
.
.
Pearll:Epa! Entra na fila, guria, que eu vi primeiro! hahahahaha, obrigada e pode deixar! Estou trabalhando na continuação agora mesmo! :D
Deia Silva:Aaawn, que bom que você gostou, guria! hahaha, fiquei contente com seu comentário. Já estava mais que na hora de te dedicar algo, e quem tem que agrecer sou eu, por acompanhar e estar sempre comentando. É uma motivação e tanto! ^^ Tomara que você goste do resto da história também, hihi, logo vamos ver! :D
Pam:Obrigada e continue acompanhando, viu? ^^
Moorish:Ah, obrigada, guria! Aqui está o próximo, vamos ver o que acha desse ;D
Mellie Erdmann:Nem fale, muito folgado esse sujeito barbudo, já disse pra Minerva que se ele estiver incomodando muito por lá, no meu quarto tem vaga, e parece que a Pearll teve a mesma idéia, mas sei não, viu? Minerva resmunga, resmunga, mas no fundo acho que ela bem que gosta, hahahaha. :P
SonnySantler: Ah, sabe como é, Minerva é toda recatada, eu bem que estava planejando manter essa história comportada, a não expor nossa querida professora... maaaaass...a Pearll pediu, você pediu... agora estou bastante tentada, huhu, provável que saia pelo menosum "capítulo secreto" com gostinho de limão.
Andy Malfoy:Aaah, obrigada! ^^ Aqui tem mais, e o próximo capítulo já tá no forno!
CSCrouch: Ahá! Estou te convertendo, pode dizer! ahahahaha, também babo nas suas, guria, e cadê você escrevendo, hein? Bem, quanto a essa minha fic, posso prometer o próximo capítulo para logo, enquanto isso, fique com esse e depois me diga o que achou dele, beleza? :D
