Capítulo 2 – Fall to pieces.

- Jess? – Disse ele ainda não acreditando que eu estava ali.

Eu assenti. Todo o andar estava nos observando, em silêncio.

- O que... você está fazendo aqui? – Ele continuou.

Levantei minhas sobrancelhas, que pergunta ridícula.

- O mesmo que você. – Respondi.

- Como você veio para aqui? Cadê o resto da sua tripulação?

A imagem de todos eles sumindo veio à minha mente. Kuma acertando todos eles, sem saber aonde iriam parar. No final só tinha sobrado eu e Luffy, e mesmo assim eu fui tocada pela pata do Kuma, e eu acho que Luffy também. Pesadas lagrimas vieram no meu rosto, e eu preferi apoiar minha cabeça nos meus joelhos novamente em vez de responder. Besteira. Respirei fundo, e consegui dizer um baixo e tremido "Kuma". Ele assentiu, entendendo. Então ele conhecia Kuma, claro.

- Você foi mandada direto pra cá por ele? – Perguntou ele de repente, me assustando.

- Fui. – Respirei fundo duas vezes. – E você Ace. O que esta fazendo aqui?

Antes que ele pudesse responder, um bando de vozes explodiu na sala, rindo e falando coisas que eu não conseguia entender. No meio daquela confusão, ouvi uns gritando "Esse mané foi capturado pelo Barba Negra!" "Vai ser executado daqui à 5 dias, kiakiakiakia*!" . Meu corpo ficou rígido, eu não conseguia sentir mais nada, nem ouvir mais nada. Executado? Ace iria morrer? C... Como assim. Olhei para ele com a boca aberta, e senti algumas lagrimas rolarem pelo meu rosto.

- Não chore, sou eu que vou ser executado, não você. – Disse ele tentando me consolar.

Ha, ele que vai morrer, e esta ME consolando.

- NÃO! – Gritei. – Você... você NÃO pode morrer! E como é que eu fico? Você acha que eu vou agüentar ver você morrer?

Eu sei que é meio egoísta dizer 'e como é que eu fico' porque ele que vai ficar de um jeito, morto por sinal. MAS EU ESTAVA DESESPERADA! Ele não disse nada, e ficou fitando o chão. Eu fiquei mais ou menos meio minuto o encarando, e depois pus a cabeça entre as pernas.

- Ei, Jess. Não fica assim, por favor. Olha, mesmo eu... morrendo, não acabe com sua vida, por favor. Você sabe que eu a amo demais para pensar em algo de ruim te acontecendo. Quando eu... bem, por favor, continue sua vida, por mim. – Percebi que seus olhos se enchiam d'água, mas ele sacudiu a cabeça para espanta-las, ele estava sofrendo tanto quanto eu. Pela primeira vez eu vi que suas mãos estavam presas em correntes, que deviam ser de kairoseki, que estavam presas na parede, e seus pés também. Ele estava totalmente imobilizado, e eu só estava com uma algema de kairoseki, eu podia andar livremente pela minha cela. De repente, eu ouvi um ruído do lado dele, e virei minha cabeça no mesmo tempo. Havia mais alguém com ele ali, que estava também preso à parede. Apertei os olhos, forçando a vista, e levei um susto quando vi quem estava do seu lado. Jinbei, o shichibukai. Eu o já tinha visto num dos jornais da Nami. O que ele estava fazendo ali? Parecia estar bem machucado.

- Jess, este é o Jinbei, um amigo meu. – Acho que ele tinha percebido que eu estava encarando o seu amigo.

- Oh, claro. Prazer Sr. Jinbei. – Disse abaixando minha cabeça, fazendo uma breve reverencia.

- Com todo o prazer Senhorita Jess, me desculpe por não poder me curvar, já que estou preso.

- Não, tudo bem.

Alguém disse 'Eca' em algum lugar, e foi o bastante para os presos saírem do seu silencio. Acho que todo aquele dialogo, o estavam enjoando, pelo o que um deles disse 'Estou ficando enjoado aqui'.

De repente um preso que estava na mesma cela que a minha chegou mais perto, ele aparentava ser o 'líder'.

- Essa aqui é sua namoradinha, Punhos de Fogo? – Disse ironicamente.

Acho que Ace entendeu as intenções dele (eu não, como seu lerda ¬¬'), tanto que logo depois disse entre dentes.

- Não se atreva a encostar um dedo sequer nela! – Vi que suas mãos estavam em punhos.

- Ui, e o que você vai fazer? Jogar fogo em mim? – Todos os presos riram. – Eu acho que não, com essa linda algema de kairoseki, haha.

Eu fuzilei aquele cara, meu corpo todo começou a tremer, e eu senti uma tremenda vontade de socá-lo, mas preferi ficar na minha. Desde que ele não fizesse nada comigo, eu iria ficar quieta e sem chamar atenção. Ouvi um rosnado baixo vir da garganta de Ace. Parecia que os outros se divertiam com isso. De repente, o que me fez pular de susto, o mesmo cara que havia desafiado o Ace, pulou em cima de mim, tentando me beijar.

- Sai, sai daqui! – Gritei, fechando os olhos e a boca.

Ele havia prendido meu pescoço no chão com a corrente entre suas algemas, estava difícil de me mexer sem me machucar. Eu estava sufocando. Aquele cara, não tinha noção do que estava fazendo. Ouvi alguém puxando as correntes com uma força admiriravel, do outro lado da sala. Devia ser o Ace, eu também podia sentir uma áurea assassina em torno dele, mas não estava me ligando a detalhes. Eu não estava conseguindo respirar, minha cabeça girava e zunia. Minhas pernas balançavam eufóricas, tentando me livrar dali.

- PARE! VOCÊ ESTA Á MATANDO! – Gritou alguém, que eu acho ser Ace.

O cara que estava em cima de mim percebeu que estava me sufocando, mas de repente quando eu abri os meus olhos, pude ver que os deles estavam gostando disso. Ele queria que eu apagasse. Não deu para pensar muito nisso, meus olhos giraram nas órbitas e então tudo ficou escuro.

* risada ridícula de um preso.