Título: Hurt

Beta: Piper Winchester

Advertências:Trata-se de Wincest. Contém cenas de sexo entre homens. Morte. Universo Alternativo

Descrição: Sam tem 21 anos, estudante de direito, mora com Dean seu irmão e também o homem por quem ele esconde um amor incondicional. Mas a morte insiste em andar do seu lado.


II

Sam entrou pela porta da frente seguido por Dean que a fechara ao entrar. O moreno dera uma olhada no irmão mais velho, notando como este parecia bonito naquele terno negro desleixado, afrouxando delicadamente a gravata vermelha em seu pescoço alvo. Mesmo que seu coração estivesse doendo pela morte de Jess, Sammy não conseguia parar de olhá-lo.

O mais novo foi até a cozinha, pegando uma garrafa de água e acomodou-se no sofá, ligando a televisão em qualquer canal apenas para fazer barulho. Dean o observava encostado ao batente da porta da cozinha com as mãos nos bolsos e o olhar preocupado.

- Sam, você... – O loiro começara, mas não sabia bem o que dizer, porque ele parecia abalado com grandes marcas escuras ao redor dos olhos devido ao choro e as noites sem dormir direito. Por essa razão que Dean não tinha muito que comentar, mas isso não o impedira. – Você está bem?

- Dean eu não quero conversar agora. – Sam respondera assim que Dean sentara-se ao seu lado no sofá, com aquela sensação engraçada de suas mãos dadas durante o velório, embora soubesse que ele não ligava muito para isso.

O mais velho baixou os olhos e respirou fundo, lembrando-se de como o enterro dos pais fora doloroso para ambos. E agora a história se repetia com Jess.

- Sammy, eu entendo que tenho sido grosso ultimamente. – Sam passou a encará-lo, notando como sua voz parecia mais rouca que o normal. – Mas estou preocupado e é meu dever cuidar de você.

Aquelas palavras causaram uma pontada de raiva no coração de Sammy, significavam que para Dean tratá-lo com gentileza alguém precisava morrer? O moreno tentara engolir o choro, mas uma lágrima escorrera por sua bochecha, deixando um rastro úmido pela pele. Seu maior desejo era poder abraçar seu irmão e chorar até não querer mais, contudo, o mais novo sabia que quase no mesmo instante daquele abraço, ele seria afastado pelas mãos do loiro.

- Não precisa se preocupar comigo. – Disse com a voz mais tranquila que conseguira, porque não era a hora de arrumar briga com Dean. – Eu vou sobreviver.

- Sei que vai, você é forte Sammy. – Dean comentou com sinceridade, esboçando um sorriso suave ao notar que aquela era uma das poucas vezes que conversavam sem discutir. – A morte dos nossos pais ainda dói muito, e eu sei como é isso. E agora você... Você perdeu a Jess e isso me preocupa.

Sam sentiu um aperto no coração seguido por uma vontade insana de dizer tudo o que sentia por ele, aquele amor absurdo e proibido. Por muito tempo, o mais novo tentou esquecer essa sensação, jogá-la no lugar mais remoto de sua mente e nunca mais tocá-la de novo, porém, tornou-se difícil até o jovem ter certeza absoluta que amava seu irmão bem mais do que amor fraterno.

Mas Dean era o tipo machão que se gabava de todas as garotas que levara para casa, mesmo com Sam implorando para que ele tivesse algum juízo, não adiantava muito. E a relação deles começara a ficar violenta quando o mais velho o pegara aos beijos com o filho de Bobby, Alex.

- Dean, está tudo bem. – Sam se levantou de forma mecânica, caminhando em direção às escadas com a intenção de ir se deitar, mas Dean o segurou pelo braço, fazendo-o se virar para olhá-lo.

- Não está tudo bem, Sam. – O loiro não agüentava ver seu irmãozinho sofrendo e ainda por cima tentando lidar com tudo o que sentia sozinho, empurrando-o para longe. – Por favor, eu quero ajudar você.

Sammy sentira um arrepio quando a mão forte de Dean apertara seu braço e sua voz rouca lhe pedira com toda a sinceridade para que deixasse ajudá-lo. O moreno tentara resistir, mas não conseguira se dando conta do que acontecera apenas quando seu rosto se aconchegara num pescoço quente e braços acolhedores lhe envolveram.

O mais novo chorou alto, finalmente deixando que todas as lágrimas saíssem dolorosamente de seus olhos, manchando a camisa branca que Dean usava enquanto o loiro afagava seus cabelos protetoramente, murmurando algo que Sam não entendera bem, mas parecia muito com "está tudo bem".

Sam tentava se controlar ao máximo para não levantar o rosto úmido de lágrimas e beijar aqueles lábios rosados, porque sabia que Dean seria capaz de bater nele se tentasse qualquer coisa do tipo.

- Eu vou te levar até o quarto. – Dean disse baixo, subindo as escadas com o mais novo até o cômodo que um dia fora dele. – Tome um banho e tente descansar um pouco, vou fazer um chá pra você.

A noite tinha apenas começado, o sol ainda nem tinha se posto completamente, mas a ideia de dormir parecia tentadora. O moreno acompanhou Dean até o quarto, deixando que ele o ajudasse atirar o paletó, largando-o de qualquer jeito sobre uma cadeira.

- Eu volto já. – Dean falara, deixando que Sam se ajeitasse no quarto.

Sam decidira tomar um banho quente antes de qualquer coisa, não se importando em largar as roupas que usara jogadas pelo quarto. Não era muito organizado, e mesmo se fosse, não estava se importando muito para isso.

Assim que terminara o banho, Sam vestira sua calça de moletom cinza e uma camiseta branca, puxando a ponta do edredom da cama até metade do colchão, preparando-se para deitar.

- Pronto. – O moreno se virou, observando o loiro entrar no quarto com uma xícara branca e fumegante, parando a certa distância da cama para que ele se acomodasse embaixo dos edredons, deixando o chá em cima do criado mudo.

Sam decidira não deitar, ficando sentado com as pernas cruzadas em forma de lótus na cama, apanhando a xícara quente. Era chá de camomila, pensou rapidamente ao sentir aquele cheiro adocicado.

- Obrigado, Dean. – Agradecera, bebendo todo o chá praticamente de uma vez. A bebida quentinha causara uma sensação de aconchego em seu interior, deixando-o um pouco melhor do que antes.

- Você estava precisando disso. – Dean sorrira satisfeito por ver seu irmão aparentemente mais calmo. – Agora durma um pouco. – Dera um tapinha amigável no ombro de Sam.

O moreno observou Dean girar os calcanhares e não hesitara em segurá-lo pela mão. – Dean... Posso te pedir uma coisa, eu juro que não peço mais nada. – Sam o olhava com aquele maldito olhar de cãozinho abandonado.

- O que? – Dean perguntou curioso, embora tivesse medo do que Sam estava querendo.

- Deita aqui comigo só até eu pegar no sono? – Pedira, porque sentia medo de ficar sozinho e aquela dor voltar. – Por favor.

O mais velho sentiu um pouco de receio, mas não podia deixar seu irmão sozinho naquele estado, ele estava sofrendo pela morte de Jessica. Sem contar que aquele olhar de Sam o deixava completamente a mercê de suas vontades.

- Está bem. – Ele afrouxou a gravata e retirou o paletó, deixando as duas peças perto da porta juntamente com os sapatos sociais que acabara de tirar pelos calcanhares, caminhando de meias até a cama de Sam e deitando-se ao lado dele, franzindo as sobrancelhas quando o moreno se enroscara em seu corpo, apoiando a cabeça em seu peito.

Dean até pensou em protestar, mas Sam o envolvera de uma forma tão acolhedora que seria uma pena acordá-lo já que ele ressonava tranquilamente. O mais velho suspirou baixinho, não deixando de percorrer o corpo do irmão com o olhar, notando como crescera bem nos últimos anos, começando a ganhar músculos... E como estava bonito.

Mas não mais do que ele, claro, Dean pensou com um sorriso de canto, lembrando-se do dia do enterro de seus pais por um momento, mais precisamente depois que chegaram em casa junto com Alex.

- Flashback On -

A chuva estava ficando cada vez mais forte, fazendo aquele barulho alto contra o asfalto da rua e as janelas fechadas da casa. O enterro de John e Mary acabara há poucas horas, Sam e Dean já estavam em casa com Alex.

O mais velho estava sofrendo, os olhos ardiam devido ao choro e seu peito doía pela falta que seus pais faziam. Dean sentia tanto ao mesmo tempo que era difícil se controlar, pensava em como cuidaria da loja do pai e ainda por cima em como criaria Sam, que tinha apenas dezesseis anos.

Dean tinha raiva de Deus por ter feito isso com ele, tirado seus pais de uma forma tão brusca e o largado praticamente sozinho no mundo. E cada vez que pensava nisso, o loiro entrava numa luta contra o travesseiro, ora tentando se matar com o objeto fofo, ora batendo a cabeça com força no mesmo.

Ele suspirou baixinho, virando de barriga para cima na cama, passando a mão pelo rosto demoradamente antes de decidir se levantar e ir até a cozinha beber a primeira coisa que encontrasse na geladeira. Sam provavelmente estava dormindo, assim como Alex, pensou Dean com seus botões, contudo, à medida que descia as escadas ele notava a luz acesa e as vozes baixas dos dois rapazes.

- Não fique assim Sam... – Alex pedira com a mão sobre o ombro do mais alto. – Você precisa seguir em frente, sei que é difícil...

- Alex, eu queria ter ido com eles... – Sam murmurou com a voz embargada, lembrando-se do momento da batida. Estava no banco de trás do carro e saíra apenas com um braço quebrado e hematomas. – P-por quê Deus n-não me levou t-também?

Alex sentia o peito doer só de ouvir aquelas palavras, curvando os lábios. – Você tem o Dean, pense como ele estaria se você também estivesse morto. Seu irmão ama você e precisam um do outro mais do que nunca.

- E-eu... N-n-não sei s-se vou aguentar, Alex... – Sam encostou-se à pia, sentindo as lágrimas rolarem grossas por seu rosto e no momento que suas pernas bambearam levemente, Alex o segurou com firmeza, impedindo que ele caísse.

O loirinho agarrou Sam e o abraçou com força, notando o corpo um pouco maior que o seu tremer com os soluços altos. As mãos do moreno seguravam sua camisa até os nós dos dedos ficarem pálidos, as lágrimas quentes caíam sobre seu ombro, mas ele não se importara.

- Eles estão em um lugar melhor, Sam... – Alex afagava os cabelos lisos de Sam, sentindo o cheiro de seu shampoo. O que ele mais queria era arrancar a dor dos olhos esverdeados daquele que amava, porque não havia nada mais doloroso que observar a pessoa que se ama afundando diante daquela dor. – E onde quer que eles estejam, querem que você e seu irmão sigam suas vidas.

Sam afastou-se um pouco de Alex, esfregando um dos olhos com a palma da mão. O loiro era um bom amigo, sempre esteve lá nos momentos mais complicados de sua vida, e sabia de seu pequeno segredo.

- Obrigado, Alex. – Talvez fosse o momento de dor e carência, Sam não sabia explicar direito, mas quando se deu conta acariciava levemente o rosto do loiro com os dedos da mão que não estava engessada. – Você... Sempre esteve ao meu lado. – Ele fungara, esboçando um sorriso entristecido e cansado.

- Não precisa me agradecer... – Alex sorriu fracamente, afagando a mão que estava em seu rosto. – Sabe que eu gosto muito de você... – O loiro confessara baixinho, porque daria tudo o que tinha naquele momento para ver Sammy sorrir e aquelas covinhas adoráveis marcarem suas bochechas.

Sam encostara a testa contra a de Alex, notando como estavam perigosamente perto um do outro a ponto de sentir as batidas do coração do loiro contra seu peito. E sem saber realmente o porquê, o moreno encostara os lábios nos do mais baixo, num gesto delicado e deveras infantil de quem pedia por carinho.

Alex nem pensara muito ao entreabrir os lábios, deixando que a língua esguia e rósea passeasse por sua boca devagar no início, vez ou outra encontrando uma similar quieta que logo fora encontrando seu ritmo.

O moreno segurou a nuca de Alex com certa força, mas o toque suave dos dedos do loiro em seu braço o aquietou, deixando a mão encaixada na parte de trás do pescoço alvo, acariciando os curtos fios loiros.

- O que está acontecendo aqui? – Vociferou um Dean realmente irritado sem acreditar no que seus olhos viam.

- D-Dean... E-e-eu... – Sam soltara Alex como se este tivesse lhe dado um choque, engolindo a seco por um momento. Dean descobrira que ele era gay, e não fora da melhor maneira possível.

- A culpa foi minha. – Alex se interpôs, já que era mais velho que Sam, nada mais justo do que poupá-lo da bronca especialmente num momento tão delicado. – Eu me aproveitei da fragilidade dele.

- Cala a boca, Alex! – Dean gritara irritado. – É melhor você ir pro quarto. Agora. – Apontou para o loiro e em seguida para a escada.

Alex crispou os lábios, concordando com a cabeça já que tecnicamente, Dean era a autoridade naquela casa e ele estava abusando das regras.

- D-Dean... – Sammy apertou a borda da pia com certa força. – Eu ia te contar... Mas depois de tudo o que aconteceu, achei melhor n-não pelo menos por enquanto e – A voz de Sam fora cortada apenas por um olhar do loiro.

- Desde quando você e o Alex estão namorando escondido? – Dean o prensara contra a pia, olhando furioso em seus olhos, embora seu tom insinuasse algo... Diferente de raiva.

- Não estamos... Namorando. – Sam franzira as sobrancelhas levemente, estranhando aquela pergunta. Dean estava irritado, isso era verdade, mas parecia mais preocupado com Alex do que com ele. – Desde quando você se preocupa com o Alex?

- Eu não ligo pra ele! – Dean respondeu ríspido, tentando disfarçar a pequena mancada que dera. – Estou preocupado com você, Sam. Você é gay, porra!

- Isso é problema pra você, Dean? – Sam perguntou, embora tivesse medo que Dean ficasse ainda mais puto e o chutasse para fora de casa.

Dean se segurou para não surrar o irmão ali mesmo, porque aquela não era a hora para brigarem por causa da orientação sexual de Sam, contudo vê-lo beijando Alex daquela forma tão calma fez seu sangue borbulhar.

- Não. – O loiro fechou os olhos, respirando profundamente. – Sam... Você sabe o que faz da sua vida, está bem? Mas de agora em diante eu sou responsável por você. – Passou a mão pelos cabelos. – E não quero mais ver vocês dois se agarrando pelos cantos, entendido?

- Não vai... Acontecer de novo. – Sam estava com a leve impressão de que sabia qual era a resposta para essa charada que o rosto de Dean lhe mostrava, mas decidira não dizer mais nada, além disso. Porque o que sentia por Alex era apenas uma amizade profunda, não havia nada de... Romântico entre eles.

Alex ouvira as últimas palavras com uma pontada no coração devido ao tom de voz sério de Sam. Seu medo era que ele não havia dito isso apenas para tranquilizar Dean, mas que não queria realmente nada com ele.

O loiro voltara correndo para o quarto, fechando a porta devagar ao ouvir Sam saindo da cozinha.

- Flashback Off –

Continua...


N.A.: Oi meus amores, eu sei que demorei e peço milhões de desculpas! Mas está aí o segundo capítulo desta que a minha primeira fanfiction sem ser oneshot no estilo Wincest. Mas o que eu realmente quero falar aqui é sobre o trabalho que minha beta Piper Winchester está fazendo, ela é ótima e quero agradecer muito a essa linda! Bjos Piper!

Reviews? Eu ficaria extremamente feliz XD