Capitulo I – Por ela, para ela.

― Nós vamos nos atrasar! – Jacob gritou do andar de baixo já impaciente.

― Estou arrumando minha filha! – gritei de volta.

Minha vida... Pode se dizer ser um inferno. Com 17 anos fui obrigada a me casar. Não por amor nem por paixão, mas por que fiquei grávida do meu namorado. Naquela época, há oito anos, tinha o namorado perfeito. Carinhoso, romântico, tudo que eu poderia querer. Mas a gravidez não foi nem um pouco desejada. Eu até fiquei feliz por estar carregando um fruto do nosso amor, porém ele nem olhou na minha cara por duas semanas até eu contar para minha família e sermos abrigados a nos casar. Nosso casamento foi perfeito, para os que olhavam de fora. Grande cerimônia, muitos convidados e ninguém sabia da gravidez, pensavam que era o nosso amor que nos unia. Grande engano.

Quando eu estava com quatro meses, descobri que meu bebê seria uma menina e seu nome Carolliny. Com mais ou menos cinco meses reparei que Jacob começou a ficar diferente. Ficou agressivo, briguento e frequente de bar. Vira e mexe, chegava bêbado em casa e brigávamos. Por uma briga que tivemos, quando estava de sete meses e meio de gravidez, Carolliny nasceu prematura e por isso tem asma.

Minha princesinha é linda. Cabelos na cor mogno, olhos castanhos chocolate como os meus, pele branquinha e muito dengosa. Parecida por demais comigo, cheia de minhas manias e graças a Deus, quase nenhum traço seu é semelhante de Jacob.

Acabei nem terminando o meu curso de literatura, pois ficava cuidando de Liny e da casa. Meu marido fez curso de cabelereiro e abriu um salão em frente de casa. Além do salão, depois de um tempo começou a vender bebidas também.

Ganhou bastante dinheiro, dinheiro que só ía para seu bolso e nem ligava para Liny ou para mim. Só gastava o necessário para quando íamos em jantares com seus clientes mais chiques – por assim dizer. Nossas noites foram esfriando e nem nos tocávamos, a não ser quando ele tinha vontade.

Chegou um ano em que ele simplesmente me proibiu de sair de casa, só podia ir ao mercado mais próximo ou a padaria. Nem trabalhar pude. Apenas vivi e ainda vivo do dinheiro dele.

Aos finais de semana são os únicos dias que posso ver minha família:minha mãe, Renné, meu pai, Charlie, meu irmão, Emmett e sua filha, Sophie. Meus pais são os melhores do mundo, muito carinhos e humildes. Emmett, meu irmão sempre brincalhão, com seus vinte e três anos, parecendo ter cinco. Sua filha é um amor de pessoa, sempre carinhosa e é dois anos mais nova que Liny. Há um ano, Emmett se separou de sua esposa Mirella e ficou com a guarda da menina.

A família de Jacob se resume em sua mãe que mora na Argentina e sua irmã que vive com o marido no Brasil. Não cheguei a conhecer minha sogra, Eleonor, e nem minha cunhada Angélica, Jacob diz que nunca se deram bem e quando teve a primeira oportunidade veio para a América do Norte morar com o avô - já falecido.

― Anda logo mulher! É só jogar umas roupas na bolsa.

Nem respondi me concentrando em ajudar Liny se trocar.

― Vem meu amor. Vamos lá pra casa da vovó.

Peguei uma muda de roupa para levar, já que ela sempre sujava a que está vestida, peguei sua mão e descemos as escadas.

― Até que enfim. – resmungou.

Entramos no carro, fomos em direção à casa de minha mãe.

Ao chegarmos foi aquela alegria, minha mãe ama quando venho aos domingos almoçar o tradicional macarrão, passar o dia conversando e de noite pedir pizza ou cachorro-quente. Jacob nunca participa, às vezes almoça e vai para o bar, outras me deixa no portão da casa e vai pro bar ficar o dia inteiro bebendo e jogando truco ou sinuca.

― Mãe... – abracei-a ― Que saudade !

― Eu também querida.

Entramos na casa e logo pude sentir o cheirinho aconchegante de um verdadeiro lar.

― E onde está minha neta?

― Deve estar com o pai – falei no sentido de estar com o meu pai.

Deixei as bolsas na sala de estar e fui à procura do meu irmão.

― Fala Emm – cumprimentei ao ver ele no quarto mexendo em seu inseparável computador.

― E aí maninha – trocamos os toques de mão como sempre.

― Cadê a Sôh? – perguntei de minha sobrinha sentando na cama.

― Foi com a mãe pra praia. E a pirralha? – Emm tem a mania de chamar minha filha de pirralha.

― Tá com a mãe e o pai.

Ficamos conversando como sempre. Emm e eu somos muito apegados. Quando conheci Jacob ele foi o primeiro a se impor, mas infelizmente não dei ouvidos a ele.

Logo meus pais entraram e Liny foi para o quarto da Sôh, como de costume, para brincar.

― Oi filha – meu pai me cumprimentou.

― Pai! – abracei ele.

― Como vai tudo?

Meus pais sabem superficialmente como meu relacionamento com Jacob é. Não acho que eles deveriam se preocupar comigo, uma vez que eu decidi seguir esse caminho. Apenas conto tudo para meu irmão, o qual jurou nunca comentar nada com meus pais.

― Tudo bem, pai.

Pouco depois nossa mãe veio nos chamar para almoçar.

Depois do almoço, Liny dormiu. Fiquei a tarde toda conversando com meu irmão e com minha mãe.

De noite, como sempre, Jacob foi me buscar para irmos para casa. Preparei uma marmita, já que nem a "pau" vou fazer janta para ele.

E o tempo passou...

... Dois anos mais exato.

Meu relacionamento com Jacob não melhorou em nada. Todas as vezes que tento um mínimo diálogo ele se esquiva.

Já são 22:00hrs e Jacob ainda não chegou, normalmente quando ele tem que entregar bebida ele volta cedo, mas dessa vez ele está demorando.

Liny já está dormindo, já que tem prova amanhã. Subi para meu quarto, tomei banho e me troquei para deitar.

Assusto-me quando uma porta é aberta repentinamente e nela entra um Jacob cambaleante.

― Bella, querida! – entrou gritando,"querida" saindo irônico.

― Fala baixo idiota! Sua filha esta dormindo

― N-não fale a-assim comig-o – soluçou andando em minha direção e com o dedo apontado para mim.

Ao chegar próximo já senti o forte teor de bebida e em seguida me pegando de surpresa me agarrou bruscamente já com a boca na minha.

Eu tentei lutar contra, mas foi impossível. Suas mãos eram fortes e me apertavam cada vez mais que tentava me esquivar. Então eu parei de lutar. Deixando-o tomar posse total de meu corpo até que tudo estivesse acabado. E quem sabe assim tudo passaria mais rápido.

(...)

Quando tudo se acabou levantei-me sentindo dores pelo corpo todo. Lágrimas escorriam pelo meu rosto. Entrei no banheiro e deixei que o choro compulsivo tomasse posse de tudo em mim. Poderia ser a forma mais rápida e fácil de acabar com a dor.

Lágrimas de pura dor tanto fisicamente, psicologicamente.

Principalmente a dor em minha alma.

Hoje mais do que nunca desejei acabar com minha vida. Mas se eu me matasse como ficaria minha filha? O que seria dela com um pai que abusa da própria esposa? Um pai que chega bêbado em casa? Um pai que não lhe dá atenção? Carinho? Amor? O que seria dela? A partir de hoje vivo por ela, para ela... Carolliny.

Eu quase posso ver

O sonho que estou sonhando, mas

Há uma voz dentro de minha cabeça dizendo

Você nunca vai alcança-lo

~ "~

Cada passo que eu estou dando

Cada movimento que eu faço, parece

Perdido, está sem direção

Minha fé esta abalada

Mas eu, eu tenho que continuar tentando

Tenho que manter minha cabeça erguida

Sempre haverá uma outra montanha

Eu sempre vou querer move-la

Sempre será uma batalha difícil

As vezes eu terei que perder

Não é sobre o quão rápido eu chego lá

Não é sobre quem esta esperando

Do outro lado

É a escalada

~ "~

As lutas que estou enfrentando

As oportunidades que eu estou tendo

As vezes podem me derrubar, mas

Não, eu não estou caindo

Eu posso não saber disso

Mas estes são os momentos que

Eu mais vou lembrar, yeah

Só tenho que continuar

E eu, eu tenho que ser forte

Continuar empurrando

(...)

Continue em movimento, continue escalando

Mantenha a fé, baby

Mantenha a fé

Mantenha a sua fé.

The Climb – tradução