Respostas as reviews:
ELISA LUCIAV2016: Gracias por comentar, aunque tu respuesta no es la solución. Sigue probado. Los regalos que ofrecemos son sobre el fandom RK ya que el fic es de ese fandom. (Kaorumar)
Co-Star: Muitíssimo obrigada por sempre dar acertadas opiniões sobre as circunstâncias. Me encanta ver como observa todos os detalhes e opina tão construtivamente. Espero que ganhe o próximo desafio. (Kaorumar)
02. HOUSTON, TEMOS UM PROBLEMA
Tremores.
Todo seu corpo tremia como papel.
Estava certo de estar sonhando. Estava fora… Talvez tivesse morrido finalmente. Até que enfim…
Poderia descansar.
Poderia abandonar a luta.
Certeza que estava morto, mas… Por que mesmo morto podia sentir dor nos músculos? Por que seu corpo ardia, preso de todas as feridas sofridas durante tanto tempo?
O cheiro de jasmim se mesclava com seu próprio cheiro de sangue. Por que incluso desse jeito, continuava cheirando a sangue?
Estava no inferno… Essa era a única resposta a todas suas perguntas. Por fim estava morto e estava onde merecia; em um mundo onde teria que ver cada segundo de sua existência a pessoa pela qual havia perdido sua sanidade, por quem tinha voltado a matar… Por quem tinha voltado a ser Battousai.
Deu um passo para trás, com o corpo dormente por conta da tensão. Sentia seu próprio batimento cardíaco em seus ouvidos junto com um apito agudo. De repente, tudo escureceu.
Kaoru fechou os olhos com força quando viu cair o homem na sua frente, pesadamente contra o chão. Todo seu corpo havia ficado desmantelado, como se realmente acabasse de morrer diante de seus olhos. Assustada, se obrigou a se mover. Se aproximou ao estranho e o tocou com a ponta do pé. Não obteve resposta.
Se dissesse a alguém que um ladrão invadiu sua casa, vestido como alguém de eras passadas, todo ensanguentado e que havia desmaiado a sua frente, não acreditariam... Por que só estava demasiado… Certo? De repente ficou lívida. E se morreu? Ela nunca tinha visto um morto antes… E menos em sua casa! Isso não podia estar passando…
Se agachou junto ao sujeito a o virou, o deixando de barriga para cima. Com as mãos tremendo, tentou encontrar o pulso do homem. — Obrigada… obrigada Buda, obrigada. - Não estava morto, tinha pulso. Correu escadas acima a procura de sua maleta de primeiros socorros e desceu correndo. Talvez fosse um ladrão, poderia ser um assassino julgando pelo sangue em sua espada, ou quiçá fosse um louco que acabava de escapar de um hospício, porém não podia deixa-lo ali naquele estado.
Tomou um pouco de álcool e umas gazes e começou a limpar seu rosto. Embaixo de toda a imundice, apareceu uma pele branca e perfeita, sem impurezas, com exceção de duas grandes cicatrizes que cobriam toda sua bochecha esquerda e que se cruzavam formando uma cruz. Suas feições eram finas e delicadas, quase como os de uma mulher, só que a tensão de sua mandíbula e a expressão de seu rosto inclusive desmaiado, junto as grossas sobrancelhas o tornava extremamente varonil.
Não pode evitar apartar a gaze e deslizar seu dedo índice pela marca que sulcava seu rosto, e que, estava certa, devia doer muito, já que parecia não estar bem cicatrizada de todo. Era áspera ao tato e queimava.
Observou atentamente o resto do corpo do homem. Estava sujo e descuidado. Pensou em chamar uma ambulância, a final o que menos lhe interessava era que esse tipo despertasse e quisesse matá-la… No entanto algo em seu interior lhe dizia que no não devia, e fazia muito tempo que havia aprendido que de nada servia ir contra seus instintos. Suspirou cansadamente e pensou. Não podia deixa-lo no chão.
Levantou-se e o puxou até o sofá. Agradecia enormemente os treinamentos com seu pai, graças a isso tinha uma força considerável para uma mulher e apesar dele não ser muito alto nem robusto, era sem dúvidas pesado.
Fez uma careta. Não podia colocá-lo no sofá com toda essa imundícia… Não pensava manchar seu estofado nem sequer por um cara meio morto. Correu até a cozinha, preparou uma bacia com água, algumas toalhas e voltou à sala, onde arreganhou as mangas e se colocou de joelhos junto ao homem.
Um pouco envergonhada por causa do que estava a ponto de fazer, começou a deslizar o Gi para os lados, deixando a vista um torso magro apesar de altamente definido. Molhou uma das toalhas em água quente e começou a limpá-lo.
Kenshin abriu os olhos lentamente. Estava estendido sobre algo macio e cômodo. Tocou os braços, vendados… Franziu o cenho e olhou para baixo. Estava coberto com alguma espécie de cobertor e sentia o corpo quente e relaxado. Olhou para as mãos, limpas, sem restos de sangue. Pouco a pouco, foi se endireitando até ficar sentado e seu cenho ficou mais marcado. Recordava vagamente ter chegado nesse lugar… Havia aparecido ali e depois… Arregalou os olhos ao se lembrar e levantou bruscamente, fazendo com que a manta deslizasse por seu corpo até cair no chão.
— Kaoru!
Kaoru, que ficou entretida olhando a estranha espada que ele usava, deu um pulo ao ouvir o grito e correu até ele. Ficaram durante um tempo, se fitando atordoados por razões distintas.
Kenshin a olhava abismado porque estava ai… Kaoru, viva, de frente pra ele, depois de incontáveis batalhas. Não podia dizer quanto tempo havia passado porque de onde vinha não havia dia e somente tinha a vaga sensação do decorrer das horas enquanto ele lutava quase sem descanso.
Kaoru, em contrapartida, não podia deixar de admirar o corpo nu dele. Enquanto o limpava pode notar que era musculoso e forte. Todo seu peito, seus braços, costas e pernas estavam cheios de antigas e novas cicatrizes, mas nenhuma era tão brutal como o do rosto. Suas mãos eram grandes apesar de no todo ser magro e… Não só suas mãos eram grandes. Fixou sua vista quase de forma instintiva em seu membro e se enrubesceu totalmente. Isso era desproporcional!
— Que faz com minha espada?
A morena conseguiu ficar ainda mais vermelha, se é que era possível e balançou a cabeça. — Precisava te limpar e…
Kenshin a interrompeu, esboçando um sorriso nervoso, quase divertido com a situação.
— Não… Kaoru. Refiro-me a minha katana. O que faz com minha katana?
Kaoru finalmente entendeu de que se referia a espada de verdade e não a seu membro, que por sinal parecia estar bastante alegre em vê-la e teve vontade de ser enfiar em um buraco.
— Eu… Só a olhava. Por que tem uma espada? E por que tem a lâmina ao contrário?
A situação era absurda. Tinha um estranho em sua casa, nu, vindo de sabe-se lá onde, e tudo o que lhe ocorria perguntar era sobre a katana.
— Você já sabe por que tenho essa espada, Kaoru.
E novamente voltava a dirigir-se a ela como se fossem conhecidos de toda a vida… O viu dar um passo em sua direção e por reflexo, lhe apontou a espada.
— Parado desconhecido. Um passo mais e não hesitarei em usar contra você sua própria espada.
Kenshin ergueu uma sobrancelha. Desconhecido? Usar contra ele sua própria espada?
— Kaoru… Sou eu.
Que cara mais incômodo. Era ele… Sim, pero ela não fazia idéia de quem era ele. Apertou com mais força a empunhadura com as mãos e começou a tremer como papel quando ele se aproximou uns passos mais. Perto demais…
Kenshin negou com a cabeça, encurtando o espaço que os separavam e lhe arrancou a katana das mãos com um rápido movimento. Em seguida, a jogou sobre o sofá e ficou cara a cara com ela.
— Se fosse usar a espada contra mim não teria me curado. Você perdeu a cabeça, Kaoru. E agora... Fala, o que fazemos aqui?
O ruivo tinha vontade de abraçá-la. Seu cheiro o estava enlouquecendo, sua proximidade ia muito além do que podia suportar. Vê-la bem e viva em sua frente… Havia sofrido tanto ao perdê-la… Porém ela parecia não se lembrar dele e esse lugar em que estavam…
— É minha casa. - ou esse homem era burro, ou realmente estava louco. Kaoru não entendia nada do que estava se passando. - Agora é sério, deixa de brincar - Se apartou um passo dele - Quem é você?
Kenshin franziu o cenho. Pelo visto era verdade que não lembrava, julgando pela sinceridade e o tom que usava.
— Sou Kenshin. Kenshin Himura… Não se lembra de mim, certo?
Kaoru negou lentamente com a cabeça, pois tinha certeza que se tivesse se encontrado com cara assim, alguma vez em sua vida, não teria podido esquecê-lo.
— Creio que se confundiu de Kaoru. Não sou a que procura.
Kenshin estava completamente certo do quão ela estava equivocada. Era sua Kaoru, a viva imagem, o mesmo cheiro, o mesmo nome… Mesmo não se comportando como ela, ele sabia que era ela. Não podia ser outra. As casualidades não existiam. Ainda assim, ela estava sendo sincera e mais esse lugar em que estavam...
— Onde estamos? Sim… - a cortou ao ver que ia fugir de novo - Em sua casa, mas onde?
Santo Buda ajuda que esse cara tinha perdido completamente a cabeça… E ela tinha que se encontrar com todos os loucos sempre.
— Em Tóquio.
Mais confuso que antes, Kenshin olhou ao redor. Tinha que ter batido com muita força a cabeça. Isso era Tóquio? Caminhou pelo lugar, observando cada detalhe a fim de ver se algo ali se tornava minimamente familiar. Congelou na hora ao ver a data no calendário. Janeiro de 2017… 2017! Isso tinha que ser uma piada…
— Como pode ser possível?
Kaoru viu como o homem caia diante dela e se sentava no chão, abatido, escondendo o rosto entre os fios de seu, ainda sujo, cabelo. Sentiu lástima. Ele parecia estar realmente perdido. Sentou-se a seu lado quase por reflexo e quando ele a olhou, a deixou perplexa. Nunca havia visto tanto sentimento em um só olhar. O âmbar era ainda mais intenso que antes.
— A ultima vez que vi a data… Era 23 de Junho de 1880…
Não havia engano nisso. Ambos sabiam que o outro dizia a verdade e então Kaoru se tocou. Foi buscar a Caixa de Pandora com a que ficou brincando com Misao e se dispôs a lhe contar toda a história.
Quando terminou seu relato, Kenshin parecia mais calmo, seus olhos haviam deixado de emitir esse fulgor estranho e observava atento a caixa ao mesmo tempo em que deslizava os dedos sobre ela.
— Se passaram cento e trinta e sete anos…
E por fim havia conseguido escapar desse lugar. Acreditou que jamais conseguiria… E havia sido Kaoru quem o tinha liberado. A olhou. Ainda que seu corpo, seu olhar, seu cheiro… tudo era igual, algo lhe dizia que não era a mesma pessoa. Esta Kaoru não tinha a carga das responsabilidades da época nem com as mortes a causa da guerra. Era mais infantil, mais… Inocente, sem contar que não fazia idéia de como manejar uma espada.
Em contrapartida Kaoru não podia acreditar em que seus olhos viam, mas não havia outra explicação possível. Seu jogo maluco com Misao havia resultado ser verdade e tinha frente a ela a prova viva… Que faria com ele? Não podia expulsa-lo porque isso seria como o mandar diretamente para a morte. Ele não conhecia esse mundo e ela não era tão cruel. Com um suspiro pesado, decidiu que teria que se responsabilizar por ele. Ela o havia trazido e teria que cuidar dele. Se levantou.
— Bom, como parece que vou ter que ficar com você - Kenshin franziu o cenho diante disso, confuso - Será melhor que tome uma ducha para acabar de se limpar enquanto eu procuro alguma roupa que te sirva.
Kenshin não sabia se devia obedecer, porém se algo tinha claro era que queria se manter perto de Kaoru. Queria averiguar tudo sobre ela. Por que estava nessa época? Por que era exatamente igual e ao mesmo tempo distinta? Toda sua vida havia sido um assassino, ela tinha sido a única que havia lhe trazido luz. Vê-la de novo era um presente que apesar de não merecer, não ia recusar.
A seguiu até o banheiro, onde havia todo tipo de artigos estranhos e a escutou atentamente enquanto ela explicava como funcionava tudo.
— Se girar o registro para a direita é água fria, se gira para esquerda água quente. Aqui tem o sabonete e o shampoo e quando terminar… - viu como Kaoru se movia segura pelo espaço - Pode se secar com essas toalhas. Tem o cabelo muito longo… Hum… - A observou retirar uma caixa de um armário. - Isto se chama secador. - franziu o cenho, secador? - É para secar o cabelo. O conecta aqui - mostrou como tinha que encaixar a estranha corda do objeto em uns buracos na parede onde parecia caber perfeitamente. - E em seguida aperta este botão. - deu um pulo para trás, em guarda quando o aparelho começou a fazer barulho. Ao ver que ela não se assustava e ria se aproximou devagar, colocando a mão diante e notando como o objeto soltava ar quente. Bastante agradável… - O pente esta aqui - e depois de toda essa quantidade de informação em poucos segundos, Kaoru se foi, o deixando só perante o perigo.
Ela não podia parar de rir ao escutar como Kenshin brigava com o registro do chuveiro e com tudo o que o cercava, apesar de que, sendo sincera, sentia dó. Devia ser muito duro aparecer do nada em uma época na qual não conhecia nada. Se fosse ao contrário, ela estaria aterrorizada, mas ele só se mostrava saudavelmente irritado.
Aproveitou que estaria só por uns minutos, para tomar o telefone e ligar para Misao, que contestou com voz sonolenta.
— Kaoru? Que houve? São quatro da manhã…
Kaoru ficou surpreendida com a hora. Não havia prestado atenção de que era tão tarde, no entanto sinceramente… Não estava nem ai. Misao a havia colocado naquele rolo e era ela quem teria que ajuda-la a sair dele.
— Houston, temos um problema… O feitiço funcionou, Misao.
Misao, que estava tombada em sua cama, coberta até a cabeça, se desfez com rapidez das mantas e se sentou, esquecendo a hora e a irritação que sentia.
— Como disse?
— Que funcionou. Tenho aqui um cara que pelo que parece provém de 1880. Tem que vê-lo… Estava todo sujo, cheio de sangue. Vestia como os antigos samurais. E está cheio de cicatrizes!
Misao não podia dar crédito a nada que ouvia. Sua amiga estava tirando uma com ela.
— E pretende que acredite? Podia ter esperado até amanhã para zoar a minha cara, sabia? Tenho que levantar cedo, trabalho.
Kaoru respirou fundo ou matava sua amiga.
— Não é nenhuma piada. Estou dizendo o que esta passando aqui, em minha casa. Tem uma espada japonesa, muito estranha e diz se chamar Himura Kenshin.
Misao franziu o cenho. Sua amiga parecia estar sendo sincera e… Onde já tinha ouvido o nome de Himura Kenshin? Sacudiu a cabeça. Se tudo isso era certo, teriam liberado todos os males do mundo, não a um samurai em sua casa…
— Deixa de tirar uma com a minha cara, Kaoru e… - calou de imediato ao escutar uma voz masculina do outro lado da linha do telefone.
— Kaoru, me dizia algo?
Kaoru esteve a ponto de derrubar o aparelho das mãos quando viu a Kenshin recém-banhado, a sua frente. Sua pele era muito mais reluzente que antes, seus olhos mais suaves, e o cabelo… Ai caramba! Era ruivo…
— Misao… - tragou saliva antes de seguir falando - Tenho que desligar. - E o fez, deixando a uma Misao cheia de curiosidade.
Kaoru se levantou e se aproximou de Kenshin, encarando-o de cima a baixo. Que espetáculo! Para seu próprio bem, tinha que cobri-lo com algo, imediatamente! Tomou a muda de roupa que seu pai costumava usar quando ia vê-la e empurrou contra o peito dele.
— Se vista.
Kenshin franziu o cenho ao ver as estranhas peças de roupa que lhe entregava, muito parecidas com as que ela usava, e a observou de novo.
— Quem é Misao?
Ele não havia visto ninguém ao redor… O nome de Misao lhe soava familiar. Havia escutado alguém dizer no lugar de onde vinha.
— Uma amiga. Falava com ela por telefone.
Kenshin franziu ainda mais a testa. Havia visto algum telefone em sua vida… Porém não se parecia em nada ao que ela tinha em mãos. Dando de ombros, começou a se vestir e Kaoru teve que fazer um grande esforço para não perder a paciência enquanto o ensinava a vestir a roupa.
Kaoru mostrou a Kenshin onde podia dormir e em seguida se foi para seu quarto. Tinha que dormir… Se é que seria capaz disso.
Kenshin se sentou devagar na cama de estilo ocidental, da habitação de hóspedes e por primeira vez em toda essa noite, pensou nos acontecimentos vividos. Não sabia por que estava ali exatamente nem como essas garotas puderam o liberar, só que não podia parar de pensar na semelhança entre sua Kaoru e essa Kaoru.
Fechou os olhos, acomodando sua espada em seu ombro e relembrou a primeira vez que havia visto Kaoru em sua vida.
"1879, ano onze da Era Meiji.
Já vagava há dez anos.
Fazia pouco que havia chegado a Tóquio e logo uma garota cheia de coragem, com uma espada de madeira nas mãos, o ameaçava com destruí-lo por difamar a reputação de sua escola, a escola Kamiya Kasshin. Claro que… Não havia sido ele que havia difamado sua reputação… Mas sim, o falso Battousai.
Depois disso, lhe havia oferecido alojamento, sem se importar quem fosse ele. Sem conhecê-lo…"
E na presente situação havia sido tão semelhante… Kaoru o havia ameaçado com sua própria espada e em seguida lhe havia permitido tomar um banho e lhe arrumado roupa limpa e um lugar onde descansar.
Era como se estivera recebendo um castigo… Como se alguém quisesse que passasse de novo a mesma coisa. Ou talvez fosse uma segunda oportunidade para poder corrigir seus erros do passado. Quiçá… Quiçá nessa ocasião podia mudar as coisas.
Levantou-se bruscamente da cama e caminhou até o quarto de Kaoru. Ao abrir a porta, a viu adormecida. Seu relaxado rosto estava comodamente apoiado no travesseiro e seu cabelo negro esparramado pelos brancos lençóis. Sem poder se segurar, se aproximou e suavemente se acomodou na cama, atrás dela. A abraçou e a colou a seu corpo, aspirando seu aroma. Por Deus… Quanta saudade sentiu...
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Haviam passado uns quinze minutos desde que estava sentada naquela praça, observando as flores sem realmente vê-las. Concentrada pensando em tudo o que havia passado aquela madrugada. Acordar com aquele homem a abraçando enquanto dormia feliz, a havia deixado desconcertada.
Não podia negar, era um homem de se admirar; era extremamente lindo, magro, porém atlético, possuía um par de olhos de tirar o ar e as demais partes de sua anatomia... Dispensavam comentários. Enrubesceu ao recordá-lo nu. Seus braços eram quentes e a preenchia com uma segurança que nunca antes havia sentido com ninguém. Suspirou. Não fazia idéia do que deveria fazer desse momento em diante. Quando despertou e o viu dormindo, não demorou em desaparecer por medo de vê-lo. Tão pouco teve vontade de se separar dele, e isso, foi o que mais a surpreendeu.
Saiu a comprar pão para o café-da-manhã, ligou para Misao e marcou de encontra-la, deixou tudo pronto para quando seu convidado acordasse. Não quis chamar ele, pois parecia como se ele não tivesse dormido em muito tempo. Olhou uma vez mais o relógio de pulso e quando levantou a cabeça, encontrou sua, sempre sorridente, amiga chegando com dois copos de papel de cappuccino da Starbucks em mãos.
A recém-chegada a abraçou antes de lhe entregar o seu e ocupar o lugar a seu lado no banco de praça.
— Então, Misao… Me explica, por quê aqui e não no seu trabalho?
A moça quase engasgou com a pergunta e logo de pensar rápido, respondeu com um sorriso forçado.
— Aqui é mais tranquilo e silencioso, podemos falar mais a vontade. Lá tem muito movimento.
Kaoru não acreditou nem por um segundo, porém pensou que não era o momento adequado para discutir isso. Voltou a olhar sua amiga e mudou o tema.
— Descobriu algo?
— Agora sim acredita que existe magia? - Sorriu Misao, altiva.
— Não tenho alternativa, por mais ilógico que me pareça. - suspirou.
— Mais ilógico ainda vai parecer agora. Sim, descobri e o cara é alguém muito importante do passado. É Battousai! - Encarou a amiga em espera de alguma reação.
Kaoru arregalou os olhos e a boca com a surpresa, coisa que Misao interpretou devido a sua notícia, logo perdeu seu amplo sorriso quando escutou a de olhos índigo contestar.
— Quem é Battousai? - Piscou, mirando Misao.
— Não se lembra da lenda de Battousai? É o maior samurai de toda era Tokugawa... - Kaoru começou a recordar a história que escutou uma vez seu professor narrar em uma aula sobre lendas. - Então… Esse... - Misao não soube como interpretar a cara de sua amiga. - Dizem que depois da guerra do Toba-Fushimi, desapareceu. Outros dizem que o próprio governo o matou e outros, para se sentirem poderosos guerreiros, dizem que eles mesmos haviam acabado com sua vida. No entanto, ninguém pode assegurar nada.
— Ah bom… E como sabe que é ele? - Kaoru se mostrou mais atenta que antes.
— Por seu nome. Alguns dizem que seu verdadeiro nome era Himura Kenshin. A data também coincide, então… Só pode ser ele. - Concluiu.
Kaoru meditou na informação e encontrou sentido, logo se levantou e Misao a imitou.
— Tenho que voltar. Ele está completamente perdido, não tem idéia de onde veio parar.
A de olhos verdes a segurou pelo braço, obrigando-a se voltar para vê-la.
— Kaoru, já parou pra pensar que se ele saiu da caixa de Pandora... É um dos males do mundo? - Viu sua amiga, expectante.
A de olhos cor índigo a observou com confusão, para em seguida começar a rir.
— Ai, Misao, de onde tira essas coisas?
— Sério Kaoru? Depois de tudo isso, ainda duvida de mim?
Kaoru teve que lhe dar a razão dessa vez e mais confundida que antes, se viu obrigada a se calar. Sua amiga estava certa, já não podia duvidar de nada. No entanto, um mal do mundo? Não. Kenshin parecia alguém tão doce e gentil... Não podia vê-lo como um mal. Voltou a enfocar sua mirada em sua amiga quem a observava com atenção.
— Não creio que haja algo de mal nele. - Contestou decidida.
— Isso, minha cara amiga, vamos descobrir. Anda! - Puxou Kaoru pelo braço ao mesmo tempo em que caminhava.
— Aonde vamos? - Perguntou incrédula a de olhos índigo.
— A sua casa, conhecer o famoso espadachim. - Misao sorriu divertida, como se tudo fosse uma aventura.
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Kenshin despertou com a luz do sol esquentando seu rosto e sorriu de prazer. Fazia cento e trinta e sete anos que não sentia a luz do sol em sua pele. Era como um sonho realizado.
Abriu os olhos e observou ao redor, franzindo o cenho. Pouco a pouco, as imagens da noite anterior invadiram sua mente. Essa casa… Tóquio… A liberdade, e claro, Kaoru.
— Uma segunda oportunidade… - Repetiu para ele mesmo.
Virou o rosto para o lado, esperando encontrá-la, mas só encontrou o formato de seu corpo que havia ocupado a aconchegante cama e o cheiro de jasmim impregnado nos lençóis. Assustado, se levantou como um possesso e desceu as escadas da casa até dar de cara com uma porta que se abria.
Misao e Kaoru entraram na casa, ainda fazendo especulações sobre a procedência de Kenshin quando o vira ali parado na frente delas. Kaoru lhe sorriu, e ia lhe dar bom dia, quando de pronto, uma Misao completamente desconhecida, se lançou como uma descontrolada sobre o ruivo.
— Você! Pensar que pode aparecer assim, do nada e destruir a vida de todos? Quem pensa que você é?! Miserável…
Kaoru correu até a outra, a separando do homem que a olhava não tão surpreso diante dessa reação.
— Misao… - a repreendeu - Que inferno, o que deu em você?
Misao continuava tão raivosa e cheia de ira que nem sequer podia articular duas palavras seguidas. Kaoru procurou o olhar de Kenshin para ver como estava e o que viu a deixou lívida. Havia dor em seus dourados olhos. Muita dor.
— Kenshin…?
Kenshin negou com a cabeça, escondendo os olhos sob a franja. Temia que isso ocorresse… Por alguma razão que não compreendia, em Kaoru não surtia nenhum efeito, só que nessa moça, que parecia ser a amiga da morena, sim.
— É a maldição.
Kaoru fixou o olhar nele, aturdida. Maldição? Que maldição…?
CONTINUA
E aqui outro capítulo finalizado que esperamos que tenham gostado e se animem a seguir lendo esta louca historia.
Sem mais nada a dizer… O desafio do capítulo:
Por quê acham que o Kenshin acabou dentro da Caixa de Pandora?
E os presentes que nos propomos a dar, se acertam o desafio, escolham:
1- Colaborar em alguma fic;
2- Oneshot com os casais ou temas que deseje;
3- Desenho personalizado dos personagens que queira;
4- Fundo de tela para PC com o personagem escolhido;
5- Fundo de tela para celular com o personagem escolhido;
6- Capa para sua fic.
Vamos que nós presenteamos! Quem acerta.
30/01/2017
