Disclaimer: Todos os personagens e ambientes aqui tratados pertencem a tia J. K. Rowling. (não tinha colocado nada no primeiro :x)

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2° - Roda da Fortuna

Entrando em disparada pela sala comunal, o moreno tinha o cenho franzido, os olhos miúdos e os lábios crispados tamanha era sua raiva. Em meio a todas as pessoas que lotavam a casa num fim de tarde de sábado, seguiu uma linha reta em direção ao sofá, onde sabia que ela estaria, rodeada de pessoas. Estava explodindo de tanta raiva e indignação, como ela poderia ter feito aquilo?! Estava decidido que se houvesse alguém ao redor dela, ele praticamente mataria com o olhar. Quando chegou ao sofá, lá estava ela, mas para sua surpresa, ela estava sozinha, com um semblante triste e o olhar perdido. Chegou mais perto, e ainda fervilhando de raiva esbravejou:

- Como você pôde fazer aquilo?!

Ela o olhou surpresa, e no fundo de seus olhos ele viu grande culpa e arrependimento.

- Me desculpa Ced... eu, eu, eu não queria.

- Não queria, mas fez! Você deixou aquela menina arrasada! – disse ainda firme. Não se deixaria amolecer.

- Você sabe como eu fico quando estou com ciúmes. – seu tom de voz era fraco.

- Uma ova Melanie! Você só pensa em você!

A ruiva levantou-se de um salto e com o dedo em riste, apontou-o para o garoto alterado a sua frente.

- Não vem com essa não! Não vem me dizer que eu sou egoísta!

- Você é! Ela é sua amiga, sua melhor amiga! Como você pôde humilhá-la daquela maneira?

- Eu não humilhei ninguém Cedric! Se alguém foi humilhada ali, esse alguém fui eu! Pelo meu namorado estar de conversinhas animadas com outra garota, pelo meu namorado me dar as costas e me deixar falando com o vento!

- Você tá louca!

- Louca?! Você faz uma coisa dessas comigo e ainda me chama de louca?!

- Não foi isso que eu quis dizer... – falou ele arrependido.

- Não quis, mas foi o que disse! Em alto e bom tom ainda!

Devido a alteração dos dois, eles gritavam a plenos pulmões no centro da tumultuada sala comunal da Lufa-lufa, e todos já tinham sua atenção voltada para o casal.

- Pra todos escutarem! Se existir alguém egoísta aqui, esse alguém é você Cedric! – bradou Mel tão vermelha que sua pele confundia-se com seus cabelos. – Estão gostando do espetáculo?! – gritou, virando-se para todos os que olhavam.

Os alunos arregalaram seus olhos de susto e medo da ruiva que parecia estar a ponto de proferir um feitiço assassinando metade dos componentes daquele local. Os que ainda prendiam o ar começaram a soltá-lo o mais silenciosamente possível, e rapidamente a sala estava vazia, com apenas os dois encarando um ao outro. Mel o olhava furiosa, e ele arrependido.

- Mel... por favor...

- Estou cansada de sempre ser acusada por você. De ser a malvada, a grossa... se eu reajo assim ao te ver com outra pessoa Cedric, é porque eu não quero perdê-lo.

- Você nunca vai me perder. – ele disse, se aproximando da garota.

- Vou sim. E como a Sophia disse, vai ser por minha causa, por causa do meu ciúme. Eu não consigo controlá-lo, eu perco a minha razão.

- Mel... me diga, quantas vezes nós já brigamos por algo assim?

- Inúmeras vezes. – falou ela pensativa, não entendendo o tom compreensivo dele.

- Quantas vezes o nosso namoro já acabou?

- Algumas.

Ele sorriu de lado, dando-lhe um ar totalmente sexy, fazendo a ruiva derreter-se por dentro.

- Então meu amor. – ele finalmente aproximou-se mais, findando a diferença entre os dois e a abraçando forte contra si. – Eu te amo demais, e consigo entender o teu ciúmes. Você extrapola as vezes, me tira do sério, mas eu não consigo passar um dia sem você, minha nervosinha. – ele sorriu e beijou-lhe a testa. – Você só tem que aprender a controlá-lo um pouco, amor. – falou compreensivamente.

- Eu tento Ced, juro que sim. – ela já estava mais calma e pressionava o corpo dele contra o seu. – Mas eu morro de medo de...

Ele colocou o dedo indicador nos lábios dela, como se para que ela não falasse nenhuma besteira. Beijou-a com carinho, e começou a arranhar de leve suas costas no intervalo entre a blusa e a saia.

Depois de algum tempo, quando a noite já havia caído, a sala comunal já cheia novamente, os dois sentados num canto isolado do local, trocavam carinhos e conversavam sobre besteiras, fazendo ambos rirem, o moreno lhe falou, em tom sério:

- Você deveria procurar a Ella... ela estava muito abalada com tudo o que aconteceu.

- Amanhã nós conversaremos. – disse ela, olhando para os dedos que mexiam na costura da barra da saia.

Cedric a pegou pelo queixo, fazendo-a encarar aqueles olhos cinzentos, a beijou na bochecha e confortou-a em seu peito. Começou a mexer em seus cabelos flamejantes, enquanto ela brincava com os botões da camisa dele.

- Não é só por ela ser sua amiga Mel, mas você também me deixa numa situação desconfortável. Você sabe... eu e a Sophia, - e ela encarou-o, juntando as sobrancelhas. - já não nos falamos direito. A Ella parece ser uma pessoa legal, nós só conversamos sobre coisas engraçadas...

- Você sabe do por que que eu fico triste quando vejo você com outras garotas. Eu sei que era a Ella, mas eu simplesmente não pensei, apenas reagi. Eu irei conversar com ela sim... – falou ajeitando-se melhor no peito dele. – Mas com a Sophia já é diferente.

Cedric riu, e voltou aos carinhos na namorada.

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Segunda não foi um dia muito proveitoso, devo dizer.

Pirraça, com a ajuda de certos alunos (que eu poderia facilmente dizer quais são), tornou o castelo uma zona nesse dia. Bombas de bosta, chumbinhos fedorentos, pó de arroto, minhocas de apito, umas geléias nojentas e fedorentas de várias cores, e vômito de alunos, devido ao cheiro insuportável, e mais artigos da Zonko's. quem inventou aquele tipo de coisas não tinha realmente nada melhor para fazer.

Pirraça ria do Filch, enquanto ele, amaldiçoava toda a família do Pirraça, e bolava um jeito de pegar Lino Jordan, Fred e George Weasley. Mesmo sem prova alguma, todos naquele castelo sabiam quem eram os eternos comparsas daquele poltergeist irritante.

Bom... no fim, todos os monitores da escola, o que me incluía e ao Cedric também, fomos obrigados a vigiar os corredores onde a bagunça tinha sido feita, para o caso de algum dos 'marginais', como dizia o Filch, voltarem para pegar algo.

Não é justo. Simplesmente, não é justo, eu gastar todo o meu tempo entre as aulas e depois delas, por causa de bagunças de desocupados como aqueles.

Apesar de reinvidicar pela decisão do Filch, não tivemos solução senão cumpri-las. Estava preparada para passar o resto do meu dia num corredor fedorento ao lado daquele pamonha do Keith, que só o que sabia fazer era jogar cantadas baratas em mim.

- E aí Heaney... pronta pra passar essa noite sozinha comigo gatinha? – disse o porco nojento assim que saímos da sala.

Impressionante a qualidade de monitores de Hogwarts. Como aquele brutamonte com cérebro de ervilha conseguiu o cargo de monitor? 'Isso é um mistério.', era o que me falava o Oli, quando eu reclamava mais uma vez da companhia nefasta daquele garoto assim que chegava exausta de mais uma ronda. Ah, o Oliver, quanta falta me faz aquele garoto. Depois do novo 'fogo' que o nosso namoro ganhou, os últimos dias têm parecido uma eternidade longe dele.

Bem... para a minha alegria, a professora McGonagall anunciou no jantar que as duplas para a vigilância dos corredores seriam redistribuídas, e que o meu companheiro naquela noite seria o monitor da Lufa-Lufa, Cedric Diggory. Não consegui conter um sorriso, e junto com ele, veio toda a atenção do Salão Principal para mim. Segundo o que se fala pelo castelo: 'Quando Sophia Heaney sorri, algo não está bom.', eu digo, para mim está tudo muito bom. Lógico, não pelo fato do Cedric ser meu companheiro de ronda, e sim por não ter que agüentar o Keith azucrinando a minha paciência a cada cinco segundos.

Aliás, eu recebi um olhar não muito agradável na hora da anunciação da professora Minerva. O que me deixou incomodada, e não muito satisfeita. Mas voltando ao que eu falava... do jantar, fomos direto para o local e ao chegarmos ao tal corredor, ele parecia estar, calmo. Tudo muito ameno (demais pro meu gosto.). Por muito tempo nós ficamos calados, lançando olhares furtivos um ao outro e aquele clima meio tenso continuava no ar. Depois, passamos a nos olhar receosos, e eu já sentia as minhas bochechas queimarem, ou seja, eu estava corando. Bem... eu não cheguei a te contar o que aconteceu, afinal faz anos, mas enfim, eu e o Cedric tivemos 'alguma coisa'. Não! Não pense besteira! Não foi quando ele e a Mel já estavam namorando... eu nunca faria isso. Bem, não com a minha amiga... enfim. Vou te contar a história.

Nós nos conhecemos quando eu estava no meu primeiro ano aqui em Hogwarts e ele no seu segundo ano. Desde o começo eu mantive essa minha postura, sabe? Durona, como dizem. Mas ele foi um dos poucos, que em todos esses anos de escola, não se sentiu intimidado. No começo, sempre nos batíamos no corredor, ou nos encontrávamos nos fins de semana pelo jardim, e conversávamos. Ficamos muito amigos, e a partir daí as coisas foram evoluindo rapidamente, e nem eu sei bem como. Quando percebi, nós já trocávamos ardentes beijos pelos corredores do castelo. Não vou dizer que me orgulho disso, afinal, eu tinha 11 anos, mas também não sinto a mínima vergonha. Foi com ele o meu primeiro beijo, e bem, vamos dizer que as minhas primeiras 'experiências'. Não. Não é isso que você está pensando. Isso daí, eu apenas fiz com o Oliver, e só após alguns meses de namoro. Mas certas preliminares, bem, você pode imaginar, foi com ele. Bons momentos. O Cedric, apesar da cara de santo, surpreende. É por isso que eu entendo o comportamento da Mel.

Por falar na Mel, acho que você já percebeu de quem eu ganhei aquele olhar não muito agradável no Salão Principal não? Pois é, você já sabe o quanto ela é ciumenta, e quando envolve ex-namoradas do namorado dela, ela pira. Ainda mais se foi uma coisa indefinida e de um fim não muito certo. Bom... o importante é que, apesar de muito importante na minha vida, nós percebemos que éramos diferentes demais, e o que havia entre nós foi murchando. Não podemos chamar aquilo de namoro, até porque, não durou muito tempo, então, sempre vale a pena frisar isso.

Depois da fase do constrangimento, afinal nós não ficávamos sozinhos há muito tempo, começamos a trocar tímidas palavras e ao passar da noite já ríamos lembrando de histórias antigas. Não posso negar que por várias vezes senti ímpeto de beijá-lo, afinal, o nosso término nunca foi um término de verdade. Mas não, não seria justo com o Oliver, não seria justo com a Mel.

A noite estava muito fria. Em nenhum inverno de Hogwarts o frio havia sido tão rigoroso e intenso, mas todos já sabiam a razão, os Dementadores. Aquelas criaturas asquerosas que chegaram ao colégio junto com todos, pareciam querer muito mais do que vigiar os portões da escola contra Sirius Black. Sério... quando passei por um deles na minha entrada no castelo, senti um vazio tão grande, uma tristeza tão ruim. Enfim...

Quando faltavam apenas alguns minutos para que aquela tediosa tarefa acabar, ouvi uma movimentação ali perto. Cedric que já estava caindo de sono sobressaltou-se em resposta ao meu cutucão. Mesmo estando meio sonolenta também, eu segui, pois não perderia a oportunidade de pegar aqueles gêmeos desgraçados no flagra. Eu acelerei meu passo, com o Cedric, ainda despertando, no meu encalço, e ouvia passos apressados e o barulho das armaduras caindo no chão. Alguém parecia estar realmente transtornado. Nós demos de cara com o quadro da Mulher Gorda. Não havia ninguém ali, e com certeza ninguém havia entrado na Grifinória recentemente, senão aquele filhote de baleia em fase de crescimento estaria berrando ao invés de roncar.

Aquilo tudo tinha sido muito estranho. A pessoa que causara aquele tumulto todo deveria estar atordoadíssima. Nenhum baderneiro faria aquilo, nem mesmo Fred e George Weasley. Em poucos minutos, o restante dos monitores já haviam se juntado a nós, inclusive o Keith e sua companheira daquele dia, a monitora da Grifinória, um tanto quanto rebelde, um pouco ofegante e com os lábios manchados de batom. Nojento!

Os professores também já haviam se juntado a nós. Todos estavam vestidos em roupas de dormir, cobertos por seus roupões. O professor Flitwick, o anãozinho (como eu gosto de chamá-lo, mas com todo o respeito!) usava um gorrinho na cabeça, com sua ponta pendida para o lado com um pompom azul ao final. A professora McGonagall, elegante até quando dorme (!), com um lindo roupão de veludo verde e com aqueles óculos quadrados, que com a expressão dura, lhe dão um ar seriíssimo. A professora Sprout, com seu ar avoado, e até com o seu pijama sujo de terra. Filch já estava posicionado totalmente corcunda, com aquela gata asquerosa do lado. Ele parecia estar a espera de um grane prêmio, ruminando alguma coisa em sua boca, expondo um horripilante sorriso de dentes podres. O diretor, Dumbledore, chegou logo em seguida, com seu ar calmo e tranqüilizador e observando todo o corredor bagunçado e todos os pressentes, falou:

- Monitores, vocês podem ir para seus dormitórios.

Todos nós assentimos, e quando estávamos saindo do corredor, o professor Snape apareceu com aquele seu rosto lavado em óleo viscoso, seus cabelos ainda mais (se possível) oleosos que o rosto, com suas vestes pretas, como se não tivesse ido dormir.

O pretensioso do Percy Weasley, o monitor-chefe, ficou parado encarando os professores, assim como sua namoradinha, Penélope Clearwater. Acho que a pretensão dos Weasleys é algo que está no sangue. Tudo bem, o garoto conseguiu o cargo de monitor-chefe, e pelo que eu ouvi falar, muito merecido. Mas ainda sim um babaca que se acha superior aos outros alunos, e monitores, achando que iria participar da reunião dos professores. E aquela namoradinha dele? Argh, já tive alguns choques com ela durante esses cinco anos de Hogwarts, mas não vale a pena mencionar.

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Durante o resto da semana as coisas correram bem, inclusive eu consegui encontrar todos os dias com o meu namorado assim que a monitoria me dava uma folga. Ainda estava um pouco atarefada, assim como ele, que andava ocupadíssimo com os estudos para os N.I.E.M's (que recebia a minha companhia sempre que possível), com o planejamento das táticas para os jogos de quadribol e com os treinos, que agora aconteciam três vezes na semana. Sabe, andei sentindo muita falta dele, isso até me surpreendeu, não sou do tipo de pessoa que 'sente falta'. É ruim pensar assim, mas acho que eu me apaixonei de novo pelo Oliver. Ruim porque, se eu me apaixonei de novo, isso quer dizer que eu não estava mais apaixonada, o que é uma péssima coisa, e daí eu percebo que o que as meninas falavam era meio que, verdade. Assumir que o nosso namoro esfriou é uma coisa difícil pra mim, porque eu tenho certeza que grande parte da 'frieza' vem de mim. Mas é um pouquinho difícil mudar isso não acha? Até porque, como eu já disse várias vezes, eu gosto da minha frieza.

Enfim... na sexta, quando eu e o Oli estávamos finalmente descansando, e sozinhos na sala dos monitores (essa é uma das melhores vantagens de ser uma monitora em Hogwarts. A sala privada.). Eu estava exausta por mais um dia difícil, e o Oliver também tinha tido um dia ocupado e cansativo devido as aulas e treino, mas eu simplesmente não queria deixar de vê-lo naquele dia. Nós conversávamos, trocávamos carinhos, e quando o silêncio se apoderava da sala, ele simplesmente não conseguia ficar calado e voltava a falar de quadribol, e eu rebatia com o quê? É, é claro, estudos.

- O primeiro jogo da temporada, Grifinória contra Sonserina. Você tem noção da gravidade disso Soph? Nós temos que ganhar!

- Você deveria perceber a gravidade do prazo dos seus trabalhos! Deveria estar preocupado com Feitiços... está atolado.

- Já estão quase prontos. - ele me disse distraído, como se estivesse pensando em outra coisa.

E não é que estava?! Tsc.

- Sei... você não anda fazendo nada além de táticas de jogo.

- Se bem que o Malfoy ainda diz estar machucado...

Ele não havia escutado o que eu disse... mas quem liga? Eu, claro!

- Oliver! Você deveria estar se preocupando com seus testes no fim do ano! E não com o Malfoy.

- Se bem que o Harry já me disse que tudo aquilo não passa de um fingimento bobo. Aquele Malfoy!

- OLIVER! – eu gritei, já não gostando de nada daquilo.

- Oi! – respondeu ele surpreso, como se estivesse despertando de algum tipo de transe.

- Será que dá pra você deixar o quadribol um pouco de lado? – eu falei, já com todo o meu rosto vermelho em fúria.

- Me desculpa meu amor. – ele me falou dengoso, me trazendo de volta pros seus braços. – É que eu estou muito preocupado com esse jogo. Se a Sonserina não jogar por causa do Malfoy, nós poderemos ter o jogo cancelado.

- Não seria nada mal.

- Nada mal?! Sophia! É o meu último ano nesta escola. Se o quadribol for cancelado novamente esse ano eu nunca poderei ganhar aquela taça!

- Pelo menos seu rendimento nos testes melhoraria. Você se saiu muito bem no ano passado.

- Ah! Faça-me o favor! Você sabe que o quadribol é a minha vida. Nunca me importei com resultados de testes.

- É... ao que parece só o quadribol é a sua vida mesmo! – eu me desvencilhei dos braços dele novamente e levantei-me.

- Sophia... qual é? – ele disse num tom cansado.

- Qual é? Eu estou cansada de você só falar de quadribol Oliver! Cansada!

- E como você acha que eu me sinto de só ouvir você falar em livros, testes e notas?

Era como se um balde de água fria tivesse sido jogado em mim àquela hora. Eu gelei, me senti mal, era como se tivesse perdido o chão.

- Não precisa escutar mais se não quiser. – eu disse num tom frio, mas por dentro aquelas palavras haviam me corroído.

- O que é que você está querendo dizer? – falou ele confuso, levantando-se e me olhando nos olhos.

- O que você entendeu. Não vou obrigá-lo a ouvir sobre essas coisas 'chatas' se não quiser. Mas com isso, vai ser meio difícil me ter ao seu lado.

- Não fale uma coisa dessas!

- Por que não falaria? Eu sou isso Oliver! Eu sou todas essas coisas chatas. Assim como você é o quadribol.

- Pois é! Mas eu te aceito assim... já você...

- Eu também te aceito assim! – eu disse com um tom óbvio, e recebi um olhar de esguelha. – Senão não estaríamos aqui até hoje.

Ele ainda me olhava daquela maneira incômoda, e eu só desejava que ele parasse. Estávamos brigando, e eu sentia falta do carinho.

- Você não aceita... você simplesmente 'engole'. Mas aceitar, você nunca aceitou.

Verdade.

Eu abaixei minha cabeça e fiquei mirando o chão. Estranhamente, lágrimas começaram a transbordar meus olhos, e embaçar toda a minha visão. Eu não poderia estar chorando! Não... mas estava quase lá.

- Oliver... – minha voz saiu tremida, mas logo depois voltou ao normal. – eu apenas não gosto de perceber que o espaço que o quadribol tem na sua vida, é maior do que o meu.

Eu levantei minha cabeça e então ele viu a lágrimas surgindo nos meus olhos. Até que ele ficou surpreso. São poucas as pessoas que me viram chorar durante toda a minha vida, e ao falar poucas, eu digo que posso contá-las em uma só mão. As meninas só me viram chorar uma única vez, quando tirei uma nota não muito agradável em Trato de Criaturas Mágicas. Maldito Kettleburn! Mas enfim... o Oliver nunca havia me visto chorar... ele estava totalmente branco, quando conseguiu falar algo:

- Isso... isso não é verdade Soph. - ele se aproximou de mim, e colocou uma mecha do meu cabelo atrás da orelha.

- É lógico que é! Você, principalmente nesse ano, parece que só pensa em quadribol. Todo o tempo em que estamos juntos, é você falando sobre essa coisa.

- E você sobre estudos.

- E sobre o que mais eu vou falar? Dos meus sapatos?! – eu espereniei, e finalmente uma lágrima correu pelo meu rosto. Foi uma sensação tão boa.

Ele ficou me encarando por vários minutos, e eu parecia querer e não querer aquele olhar sobre mim. As lágrimas continuaram correndo, e ele permanecia na mesma posição, com os olhos fixos em mim. O meu olhar corria do rosto dele, para o chão, e para onde a minha vista tinha alcance, até que por fim meus olhos se encontraram com os dele e eu simplesmente não consegui mais desviá-los.

Ele me beijou com ternura. Me acalmando, me fazendo sentir toda aquele paixão que tinha por ele. A ternura foi se tornando quente, eu já havia enlaçado meus braços ao redor do seu pescoço, e nós nos encaminhávamos para o sofá, durante um beijo profundo. Ele deitou-me com delicadeza e ficamos por um breve tempo correndo os olhos dos lábios para os olhos um do outro. Minhas lágrimas já estavam secas no meu rosto, e ainda sim ele acarinhava o caminho feito por elas, passando os dedos de leve pela minha pele, até chegar aos meus lábios e acarinhá-los delicadamente, como se estivesse desenhando-os.

- Eu te amo demais. - ele sussurrou por fim no ouvido.

Eu senti tudo tremer, e um calor se espalhar magicamente pelo meu corpo. Eu o abracei forte, praticamente colando meu corpo ao dele, posicionando perfeitamente uma de suas pernas entre as minhas.

- Eu também. – disse de olhos fechados, muito baixo, e encostando meus lábios aos dele levemente.

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O fim de semana também correu normalmente sem grandes emoções. Passeios no lago negro, estudos na biblioteca, almoços e jantares no Salão Principal, e toda a atenção da escola para Harry Potter. Eu sinceramente não entendo porque todos os holofotes dessa escola estão à volta desse garoto. Sério! A nova é que ele possui o Sinistro, o pior agouro de todos! Concordo com a professora Minerva quando diz que aquelas aulas de adivinhação são apenas passatempos, na minha opinião são coisas piores que passatempos, são pura enrrolação, coisa de gente sem ter o que fazer! Aquela professora Trelawney, é uma doida, doida de pedra. E pensar que a minha melhor amiga adora aquelas aulas... as vezes chego a me perguntar se a Mel herdou os genes loiros da mãe. Ano passado lembro que deixei essa matéria. A melhor coisa que eu fiz durante todo o meu período escolar no quesito 'abandonar matérias'. Enfim...

Durante a semana ouvi comentários não muito efusivos da Ella com relação as aulas de Trato de Criaturas Mágicas. Segundo ela, Hagrid, o guarda-caças de Hogwarts, ainda andava bastante desolado com o episódio da primeira semana de aulas, quando o Malfoy ofendeu um Hipogrifo e foi ferido durante a aula. Um estúpido, burro, imbecil. Me pergunto ainda como aquilo foi admitido na Sonserina. Mas bem, a questão é, que além de Trato ser a matéria preferida da Ella, há o carinho extremamente especial que ela criou pelo brutamontes, que tomou o lugar do professor Kettleburn nessa matéria no começo do ano. tudo bem que ele seja jeitoso com animais, mas torná-lo professor? Onde o Dumbledore está com a cabeça? Não falo para ofender, mas que ele é um brutamontes desajeitado, isso ele é. Mas ainda sim, tem um bom coração.

O professor Snape continuou com a grande carga de trabalhos para nós, e cada vez mais, aparecia com poções complicadas. Segundo ele, só aceitava alunos em sua turma de N.O.M's com nada mais do que um 'Ótimo', nada mais justo. Mas a razão da dureza conosco, apesar da Grifinória, era que ele ainda andava desgostoso com as histórias do bicho-papão, mas eu ainda acho que há algo mais. Por vezes durante os almoços e jantares, percebi seus olhares furtivos para o professor Lupin. É como se fosse repúdio, raiva, algo guardado por muito tempo, e nada bom.

Flitwick já começou a nos preparar para os feitiços com níveis em N.O.M's para os testes no fim do ano, o que eu ando bastante agradecida. Quanto mais tempo pra praticar, melhor o desempenho.

As aulas do professor Lupin continuaram interessantíssimas. Ele parecia ter um grande gosto em achar criaturas para nos mostrar, e tornar os assuntos um pouco chatos em coisas fascinantes. Apesar de sempre me dar bem em Defesa Contra as Artes das Trevas, acho que esse ano não vou ter muito esforço para conseguir notas boas.

McGonagall, como desde o primeiro dia, iniciava as aulas com a importância de tal assunto nos testes, e após a execução do que aprendemos nas aulas, alguns recebiam uma atenção especial. Mesmo sendo a diretora da Grifinória, a professora Minerva não nos distinguia por casa, sempre foi muito correta quanto a isso. Me parabenizou pelo sucesso na execução da transfiguração, como já havia feito muitas outras vezes, e eu a agradecia com simpatia. Às vezes ela me deixava tão confortável, ao ponto de que se houvesse qualquer dúvida, eu poderia procurá-la durante o intervalo entre as aulas.

Nesse dia não pude encontrar-me com o Oliver depois das aulas, pois ele me dissera que haveria uma reunião com o time de quadribol. Não gostei muito, admito, mas estava fazendo um esforço para deixá-lo bem. Não pude encontrar com o meu namorado, mas com os Weasleys eu encontro? Parece ironia.

Eles estavam caminhando para a quadra, enquanto eu estava para terminar a minha ronda, e ao me encontrarem um deles não resistiu a algumas piadinhas, enquanto o outro parecia estranhamente calado e me observava com o olhar sério. Mandei-os para algum canto desagradável do mundo, sem nenhuma piedade, e os dois saíram, com apenas um rindo e bastante serelepe. Fiquei intrigada, mas ando fazendo o máximo de esforço para não pensar nisso.

No dia seguinte foram pregados em todas as salas comunais o aviso do primeiro fim de semana em Hogsmead, que aconteceria em 31 de outubro, dias das bruxas. Apesar do estardalhaço na Sonserina e em toda a escola, onde todos só falavam desse passeio, que sempre me aborrece, eu permaneci estranhamente animada, contando em poder combinar algo com o Oliver e com as meninas. Com as meninas porque no café da manhã, assim que todos já haviam lido o anúncio, encontrei-me com a Ella a porta do Salão Principal e ela parecia bastante desanimada.

- Que aconteceu Ella? – eu perguntei, estranhando seu semblante.

- Hogsmead.

- Você sempre adorou Hogsmead!

- Sim sempre... – falou do seu jeito doce. – mas acontece que ultimamente eu não ando muito animada. E também, vocês vão com seus namorados, não quero atrapalhar.

- Que história é essa agora? Você sempre se animou pra Hogsmead, sempre contou os dias para o primeiro passeio. E também, nunca teve esse problema com os meninos.

A Mel chegou bem nesse instante, com um ar descansado e alegre, acompanhada do namorado.

- Dia. – disse ele simpaticamente.

- Dia. – falamos eu e a Ella. Eu distraída e ela sem ânimo algum.

Ele percebeu que estávamos em uma 'conversa de amigas', despediu-se da Mel e de nós e entrou para tomar seu café, dizendo que estava a espera da ruiva.

- O que houve? – perguntou a Mel depois da saída do namorado.

- A Ella está sem vontade de ir a Hogsmead. – expliquei, e a Mel arregalou os olhos.

- Impossível!

- Pois é...

- Nossa... pra que tanto espanto. Eu só não quero ir. O que tem demais?

- Tem que você ama Hogsmead. Anda, desembucha, o que aconteceu?

- Ela disse que não quer se ir, porque nós vamos estar acompanhadas do Cedric e do Oliver.

Mel corou levemente. Ainda se sentia um pouco envergonhada com a Ella pela pequena briga que tiveram, devido ao ataque de ciúmes da Mel há alguns dias atrás.

- Ah, por favor, Ella... Hogsmead é tão divertido com você.

- Não... acho melhor não... – disse ela, se sentindo pouco a vontade.

- Não seja assim, vaamos.

- Nós podemos fazer o seguinte... – eu disse, depois de pensar um pouco. – Eu de qualquer maneira vou ter de fazer a minha ronda para vigiar os alunos do terceiro ano, depois, poderíamos nos encontrar, almoçar e passar a tarde juntas.

- Boa idéia.

- Mas e o Wood?

- Já disse para chamá-lo de Oliver, Ella.

- Desculpe. – ela corou rapidamente, e voltou a perguntar. – Mas e ele? Quando você vai encontrá-lo. Não quero que deixe de passear com seu namorado por minha causa.

- Ele sempre fica comigo enquanto vigio os alunos. Não há problema algum. – eu sorri, e em seguida ela sorriu também.

- Então está combinado não é? – perguntou a Mel animada. – Eu passo a manhã com o Ced, e a tarde nós vamos à Casa dos Gritos, a Dedosdemel, e a Zonko's.

- Me recuso a entrar naquela pocilga! – eu disse levantando o dedo e diminuindo os olhos.

- Hahahaha... está bem, está bem. – falou a ruiva levantando os braços em gesto inocente.

A Ella riu, já com um ar aliviado e feliz.

É tão bom ver que tudo anda dando certo. Tudo anda tão bem. As vezes sinto um frio na barriga por pensar assim, e mesmo não querendo ser pessimista, vem aquele pensamento de que quando tudo está tão bem, algo de ruim está para acontecer. Mas não quero pensar assim, não quero.

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Antes do almoço, com um livro de Transfiguração embaixo do braço, segui para a sala da professora McGonagall, onde os pirralhinhos do terceiro ano saíam amontoados. 'Entrega dos formulários', pensei, e esperei até que todos saíssem da sala. Entrei silenciosamente e para o meu engano a sala não estava completamente fazia. Sentei-me na última fila de mesas e esperei até que a conversa entre a professora e Harry Potter estivesse terminada. Ele saiu da sala com grande desânimo, e olhou de esguelha para mim, cruzando o portal da sala. Me aproximei da mesa da professora que mexia nas dezenas de formulários e parecia tentar organizá-los. Eu que ainda permanecia calda, percebi que ela não havia se alertado com a minha presença, e sem querer assustá-la, tossi.

Ela que estava absorta na leitura de todos aqueles papéis, olhou-me por cima dos óculos quadrados, com seu semblante sério.

- Desculpe professora, é uma boa hora para me tirar uma dúvida?

- Na verdade, não Heaney, mas se for algo rápido talvez haja alguma coisa que possa fazer.

Eu me senti pouco a vontade com aquela resposta, mas mantive um olhar firme e a questionei sobre as dúvidas que tinha sobre algumas transfigurações que ela solicitara para uma redação. Ela me esclareceu os pontos, em menos de dez minutos tudo já estava solucionado.

- Obrigada, e desculpe-me pelo incômodo, professora.

- Não foi nada. – ela disse com altivez e voltou a atenção para seus papéis espalhados na mesa.

Segui para o almoço e encontrei-me com Oliver à porta do Salão. Recebemos alguns olhares maliciosos e invejosos, que logo foram solucionados pela resposta do meu olhar. Ele riu e me falou:

- Sabe que as vezes adoro esse seu efeito nas pessoas? – e me beijou com um sorriso nos lábios. Eu sorri de volta.

- Eu também.

Ficamos durante mais algum tempo ali conversando, eu encostada em seu peito, enquanto mais e mais alunos entravam no salão para almoçarem, e eu dizia para ele dos planos de Hogsmead e ele concordava comigo.

- É, coitadinha. Acho que ela deve se sentir meio sozinha nesse sentido.

Eu mexia concentrada em uma mecha do meu cabelo, enquanto ouvia ao que ele dizia.

- É... mas eu não queria que fosse assim sabe? Digo, a Ella é tão linda, e tão doce, não entendo como não tem um namorado.

- Ela é muito fechada. – eu olhei para ele com significância. Ele riu e voltou a falar. – Se eu não tivesse sido tão insistente, você também estaria solteira até hoje. – e riu com mais intensidade.

Eu me virei com uma falsa indignação, de um leve tapa em seu ombro e ri.

- Não vem com essa não tá? – mordi a língua e enquanto ria, meus olhos iam encolhendo.

As pessoas que passavam, olhavam surpreendidas para nós dois. Primeiro por me verem sorrindo, o que vinha se tornando uma constante ultimamente, e outras como se dissessem 'Como ele pode estar namorando com ela?!'.

Eu sinceramente não estava dando a mínima para todo aquele castelo nos últimos dias. Eu me sentia feliz, tudo corria bem. Para mim não importava a minha reputação de malvada, os dementadores nas portas de Hogwarts, Sirius Black a solta, notas, estudos... epa, pra isso eu estava ligando. Mas enfim... o que importava é que eu estava feliz.

Oliver já tinha enlaçado seus braços novamente pela cintura, e parecíamos nem perceber o tempo passar, enquanto estavam todos se empanturrando ali ao lado e eu não sentia a mínima fome. Ele pareceu lembrar-se de algo e imediatamente me falou:

- Se eu não me engano, tinha um garoto da Grifinória afim da sua amiga.

- Da Mel? – eu perguntei confusa.

- Nãão... da McSwall.

- Sério?! – eu virei meu rosto para mirá-lo. – Quem?

- Finnigan.

- Eeeca. – disse imediatamente em repulsa. – Já não bastava ser da Grifinória, e ainda pirralho?!

- Ei! Qual o problema com a Grifinória? – perguntou indignado. – Não vem com essa!

Eu caí na risada. Mas ainda sim eu permaneci com um pouco de nojo. Imagina a minha amiga namorando com aquele pirralho. Seria um tanto quanto, engraçado.

Passamos tanto tempo à porta do salão que nem percebemos que havíamos perdido o almoço. Todos já saíam em direção ao corredor das salas de aula, quando as meninas e Cedric se juntaram a nós e nos encaminhamos para as salas também. Despedi-me do Oliver, sentindo um olhar pesado sobre mim, e assim que virei para adentrar a sala vi que quem me olhava era um dos gêmeos. Fiquei bastante intrigada durante toda a aula, não conseguindo prestar a atenção em nada do que o professor falou.

Na saída, comentei sobre isso com as meninas e a Mel soltou um gemido malicioso, me deixando envergonhada e estranha.

- Ah... por Merlin. – eu falei para que ela parasse.

- Ué, vai ver ele tá afim de você Sophs.

- Merlin me proteja! – eu bufei, mas por dentro maquinando se aquilo seria possível.

- Não é impossível. – disse a Ela que ainda não tinha dito uma palavra, e parecendo saber o que eu estava pensando.

- Está bom desse assunto. – eu disse em um tom que finalizava a discussão.

As duas se calaram, e me veio na cabeça o que o Oliver tinha me contado mais cedo.

- Ah Ella... soube de alguém que parece estar afim de você.

A Mel caiu numa gostosa risada, me fazendo rir do jeito que ela ria. A Ella por sua vez, continuava calada e bastante corada.

- Quem, quem é? – perguntou a Mel com dificuldade entre risos.

- Finnigan. – eu respondi ainda risonha.

O rosto de Ella tomou um tom púrpura tão forte, que eu nunca imaginei vê-lo no rosto de alguém. Estava imensamente envergonhada e eu e Mel com aquelas risadas, não parecíamos ajudar e, nada. Mel recuperou-se aos poucos, enquanto eu já tinha me contido e a Ella continuava calada.

- Então... vai ficar com ele? – perguntou a Mel interessada depois de muito tempo de silêncio.

- Não sei. – disse a Ella displicente.

Deixe-me só constar. A Ella sempre gostou de garotinhos mais novos. Ela nunca namorou, mas já ficou com alguns garotos aqui em Hogwarts, e a maioria deles, foram mais novos. Lembro-me de quando ela ficou com um garoto da Corvinal quando estávamos nos terceiro ano, e ele no segundo. Não fizemos um estardalhaço, mas lembro muito bem que foi fonte de risada para a Mel por uma semana. É, ela consegue ser cruel às vezes.

- Bem, se quiser ficar... – eu comecei. – falo com o Oliver para deixar a entender.

Ella revoltou-se. Retorceu o rosto como se não tivesse gostado nem um pouco do que eu havia acabado de falar, enrolou os cabelos nas mãos e finalmente falou:

- Parem de fazer isso. Seu eu quiser ficar com ele, eu simplesmente fico! Não fiquem me empurrando qualquer um, ou fiquem pedindo pros seus namorados o fazerem.

- Calma Ella... eu não falei com essa intenção. – eu disse tentando acalmá-la.

- Argh! Quer saber? Boa noite pra vocês!

Ela saiu em disparada, deixando eu e a Mel, uma olhando para a cara da outra, extremamente confusas, sem saber o que tinha acabado de acontecer ali.

-

As duas semanas seguintes passaram com uma rapidez incrível, e só pela manhã me dei conta de que hoje era dia 31, dia das bruxas e o primeiro passeio do ano para Hogsmead. A Mel e a Ella já se encontravam a porta da Sonserina para que fossemos descer para tomar o café da manhã e partirmos para a vila.

Com disposição, pegamos a carruagens na saída do colégio e tomamos o caminho. Chegando, me despedi de todos, e me organizei com o restante dos monitores para as instruções. Oliver juntou-se a mim quando todos os outros já tinham dispersado para seus sítios, e me fez companhia durante toda a manhã. É uma pena essa obrigação da vigília, pois sem ela eu poderia aproveitar muito mais o povoado, indo à Dervixe e Bangues comprar algumas coisas, visitar a Dedosdemel e provar alguns doces, ir ao Três Vassouras e tomar um pouco de Hidromel e conversar um pouco, ou até mesmo tomar um agradável chá e Madame Puddifoot. Mas não tenho do que reclamar, pelo menos tenho uma companhia que faz com que essa obrigação não se torne tão monótona e esteja sempre do meu lado. Quando penso assim, eu vejo o quão sortuda eu sou.

O dia passou lentamente e enquanto eu e o Oli conversávamos, eu permaneci atenta a todos os alunos que passeavam pela minha área de vigília. Ninguém parecia estar disposto a fazer nada de errado, até porque com as notícias que corriam dizendo que Sirius Black havia sido visto perto dali, todos pareciam querer se abrigar em alguma loja segura e ficar ali a maior parte do tempo, distraindo-se. Alguns jogavam snap explosivo sentados no poço fechado, e outros sentavam-se nas calçadas para conversar e saborear seus sorvetes ou doces comprados na Dedosdemel.

A hora do almoço finalmente chegou e eu tive que me despedir do Oli. Ele me falou que passaria no Três Vassouras e em seguida voltaria para Hogwarts, pois tinha algumas táticas de quadribol para planejar e terminar um trabalho de Transfiguração. Me deixou a frente de um pequeno restaurante da vila, onde eu havia combinado com as meninas e seguiu para o bar. Não demorou muito e Cedric e Mel chegaram. Cedric decidiu nos fazer companhia até a chegada da Ella, e assim que ela chegou, ele também se foi. Entramos no modesto restaurante e não demorou muito, e começamos a conversar sobre o passado, rimos de certas coisas, lembramos de outras não muito agradáveis, e assim correu o almoço. Quando já nos preparávamos para ir, um dos gêmeos Weasley chegou (nunca consegui identificar qual é qual) acompanhado do Thomas, aluno do terceiro ano. Este, chegou bem perto do ouvido da Ella e cochichou alguma coisa para que nós não ouvíssemos, e ele estranhamente a fez rir e deixa-la extremamente corada.

- Meninas, vou precisar sair por um minutinho. Me aguardem aqui que eu já volto.

E assim a Ella saiu com um sorriso satisfeito no rosto, até que eu percebi que o Weasley também fofocava em voz baixa com a Mel, arrancando sorrisos e exclamações dela. Eu que já me sentia indignada com toda aquela situação, pigarreei, chamando a atenção dos dois para mim.

- Que foi Soph?

- É, o que foi Heaney?

- Nada que lhe interesse Weasley. – disse rispidamente.

Ele pareceu não se afetar nem um pouco e com aquele ar palhaço e de quem não dá a mínima para nada, voltou-se para a conversa com a Mel.

Entediada com tudo aquilo, eu joguei alguns galeões na mesa, e com o barulho das moedas, Mel e o Weasley pareceram ser retirados de um transe e perceberem assim a minha saída. Ele me olhava com aquela familiar expressão de mamão podre e a Mel, confusa.

- Pra onde você está indo?

- Ficar lá fora. Te espero lá.

- Mas está muito frio Sophs!

- Não importa. – eu disse, lançando-a um sorriso, e saindo pela porta do restaurante fazendo o pequeno sininho acima dela tocar.

Do lado de fora do restaurante estava realmente frio. Um frio tão cortante, que eu soltei aquela famosa exclamação de frio e tive de colocar mais um casaco (sendo que eu já estava vestida com dois, mais uma blusa de lã). Digamos que apesar da paisagem estar linda, as folhas caídas do outono cobrindo tudo, as calçadas coloridas pelas folhas, os telhados com frutos e folhas, tudo colorido com um marrom alaranjado, eu não tive uma boa visão. Encostado a um poste, com um jeito distraído e preocupado, estava o outro Weasley. E daí eu não sei o que houve comigo, porque eu me aproximei (!). E ao dizer a 'primeira palavra' da conversa, eu fiquei totalmente impressionada comigo.

- Weasley.

- Heaney? – perguntou ele confuso, como se eu o tivesse tirado de suas divagações.

- Até ontem, eu era.

Piadinhas com um Weasley?! Que diabos estava acontecendo?!

Ele riu. E com aquilo, eu sorri também. Abaixei a minha cabeça, até mirar o chão colorido pelas folhas, e me dar conta de que eu estava rindo junto com aquele Weasley. Aquele Weasley que me humilhou há alguns anos atrás, que me expôs para toda a escola, mas naquele momento eu não me dei conta disso... e nós apenas continuamos a conversar.

- Então... o que aconteceu? O estoque de bombas de bosta da Zonko's acabou?

- Antes fosse isso.

Ele deu um meio sorriso, e então começou a me encarar. E olhar bem nos meus olhos, e eu estranhamente, adorava aquela invasão. Ao me dar conta disso, balancei minha cabeça, para espantar esses pensamentos, e vi ele se aproximar.

- Então o que aconteceu? – eu perguntei, com a voz fraca ao ver ele se aproximando perigosamente de mim.

- Apenas... coisas. – falou rouco, o que o deixava extremamente sexy.

E o que diabos eu tenho pra ficar falando que o ridículo, idiota, acéfalo do Weasley é sexy?? Por Merlin! Eu devo estar com algum tipo de doença. Meu raciocínio fica tão lento quando ele chega perto de mim. Acho que estou com meningite! É, é, deve ser isso.

- Ahmm... que tipo de, coisas?

Nesse momento ele já se encontrava a minha frente. Eu estava com minha cabeça levantada, pois nossos olhares ainda pareciam grudados, e como ele é mais alto do que eu... ah, você me entendeu. Eu engoli em seco, e senti um leve tremor pelo corpo quando ele resolveu colocar atrás da minha orelha minha teimosa franja. A conexão entre nossos olhos se quebrou e eu enfim pude mirar outra coisa além daquelas íris esverdeadas. Fiquei feliz em ver as minhas botas, elas são tão lindas. Ao ir levantando aos poucos minha cabeça, ouvi-o rir pelo nariz, e pelo canto dos olhos consegui observar um sorriso de lado.

- Sophia?

Graças a Merlin!

- Ella! – eu gritei, ainda paralisada.

- Está tudo bem? – perguntou ela confusa.

Lógico que ela estava confusa! Quem não ficaria confuso ao me ver tão próxima do Weasley? Qualquer um! Ela se aproximou mais de nós dois, e eu pude ver sua pequena sombra bem perto da minha.

- Está sim.

Ele engoliu em seco, e acenou positivamente com a cabeça, sorrindo para a Ella.

- Como vai George?

- Bem, Ella. Espero que tudo esteja em ordem contigo também.

- Está sim. – ela sorriu simpaticamente. - Então, vamos? – perguntou duvidosa para mim.

- Vamos. Vamos. – eu disse, já um pouco atordoada com tudo aquilo. – E você, Weasley... – eu rosnei num sussurro para que Ella não ouvisse. – Nunca mais faça algo assim.

Saí, e ao ficarmos sentadas ao lado da porta do restaurante num banquinho, observamos ele sair, com um semblante mais satisfeito do que exibia instantes antes. Ella ficou me olhando estranha por muito tempo, até que eu não agüentei mais aquele olhar sobre mim e falei:

- Eu por acaso estou suja e não sei?

- O que? – falou não entendendo minha pergunta. E depois de repensá-la, ela se tocou. – Ah não...

- Então por que está me olhando assim desde que me viu com o Weasley?

- Porque... porque... ahm, porque foi muito estranho vê-los, juntos. – e enfatizou a última palavra.

- Nós não estávamos juntos. – falei nervosamente.

- Se não estavam juntos, eu não sei o que era aquilo. Ele estava quase em cima de você.

- Ele estava arrumando o meu cabelo.

Tá... isso não ajudou muito. Foi a mesma coisa de dizer pra Ella: 'É, nós estávamos juntos. Estou tendo um caso com ele, mas shhh porque ninguém pode saber tá?!'

- Ele está gostando de você Sophs.

- Não seja boba Ella.

- Está! Que outra explicação teria?

- Explicação pra que? – disse a ruiva, junto ao barulho do sininho da porta do restaurante.

- Oi Fred. – disse a Ella simpaticamente.

- Oi Ella... como vai?

- Muito bem Weasley... agora se nos dá licença. – eu falei, já puxando as duas de lá.

- Mas... – tentou falar, mas as duas não prestavam atenção, pois brigavam comigo, e eu não estava dando atenção mesmo.

- Tchau Fred! – gritou a Mel. – A gente se vê pelo castelo!

Nós nos afastamos bastante do restaurante, entrando em algumas ruas, até que elas pararam de reclamar comigo, e eu as soltei.

- Ai, ai! Você tá doida?!

Eu bufei, e continuei andando.

- O que que deu nela? – a Mel perguntou pra Ella enquanto andavam atrás de mim.

- Sei lá! Eu chego lá na porta do restaurante e do nada ela tá junta com o...

- Capeta! – eu disse, virando-me nervosa para as duas.

Ella levou a mão a boca, arregalando os olhos e soltando uma exclamação com a respiração. A Mel nos olhava ainda confusa, e eu exalava fúria por todos os orifícios do meu rosto.

- Por Merlin! Vocês querem me contar o que está acontecendo?

- Aquele Weasley estúpido me encurralou lá fora!

- Você não parecia estar encurralada. – disse a Ella em tom displicente.

- Mas estava!

- Peraí... peraí... – falou a Mel entre risos. – Você, junto com o Weasley?!

- Acontece né? – disse a Ella dando de ombros.

- Acontece uma ova!

- Milagres existem! – gritou aquela ruiva maluca do nada.

- Quer calar a boca?! – eu berrei, chamando a atenção das poucas pessoas que passavam.

- Qual o problema de você estar junta do Weasley Sophs?

- O problema? O problema? – esganicei.

- É ué. – disseram as duas como se tudo aquilo fosse normalíssimo.

- Eu vou lhes dizer qual é o problema. – eu disse, pensando em todos os problemas que haviam e eu encontrei muito poucos. Mas eu saberia me safar. – Primeiro: Aquele tomate azedo me humilhou, e a vocês também (!), na frente de toda a escola no nosso primeiro dia naquela porcaria de castelo...

- Isso foi só uma brincadeira Sophia... não foi nada demais. Esquece isso po.

- SEGUNDO:... – eu berrei para que não fosse interrompida de novo. – Eu ODEIO aquele garoto. Ele e a cópia mal feita.

As duas riram entre si. Eu as fuzilei novamente com meu olhar e ao pigarrearem, tentaram olhar para mim seriamente.

- Terceiro: Ele estava dando em cima de mim. Sabendo que eu tenho namorado, e o pior o meu namorado é amigo dele! Prova de que ele não tem caráter algum.

- Sophia... – falou a Ella muito mansa, como se pedisse permissão para falar. – Se você não quisesse, era só dar um fora. Se afastar, como você faz com todos os outros.

Isso era verdade. Mas como eu iria explicar para aquelas duas desprovidas de razão, que eu não consegui me separar dele. Elas com toda certeza pensariam a maior besteira já pensada na Terra, e não era eu que queria escutar. O que eu fiz? Bom... eu já estava cansada de ficar vendo por minutos a Mel balançando a cabeça positivamente, olhando para mim fixamente, assim com a Ella, à espera de uma resposta. Eu berrei, e saí em disparada.

Tomando um susto com o meu ataque repentino, elas duas deram um pulinho, e encolheram os ombros, e ao perceberem que eu estava saindo, decidiram se calar e voltar ao meu lado para tentarmos aproveitar o resto do passeio. Durante o restante da tarde passeamos pela rua principal do povoado, visitamos a loja de doces e além de sairmos empanzinadas ainda tínhamos sacolas com estoques de doces até a próxima visita ao local. Isso tudo sem mencionar nenhuma sílaba sobre o ocorrido de mais cedo. Fiquei satisfeita com isso, e voltei a me distrair com elas falando sobre outras coisas. Mesmo cansadas, depois de tanto caminhar e carregar algumas sacolas, ainda passamos em algumas lojas de roupas e saímos com mais sacolas. Além de sempre acontecerem coisas inusitadas, as visitas a Hogsmead são sempre sinônimos de despesa!

Quando já estava para escurecer, pegamos uma carruagem e seguimos de volta para o castelo. Ao cruzarmos os portões de Hogwarts, sentimos aquele frio incômodo vindo do Dementadores. O inverno rigoroso estava vindo com muita força, mostrado pelo tempo que não parecia estar nada bom, afinal, já trovoava e chovia ao tempo que chegamos ao castelo, e pelo jeito, só tendia a piorar.

-

Chegamos exaustas ao castelo. A única coisa que eu queria era tomar um gostoso banho e deitar-me na cama. Até entrar pelo saguão e lembrar-me que ainda havia a festa de dia das bruxas. Bufei com todo o gosto. Mesmo que eu quisesse dormir e descansar, não poderia, eu e as meninas sempre esperávamos pela festa de dia das bruxas, até mais do que a de natal.

Despedimo-nos assim que chegava a hora de seguirmos caminhos diferentes para nossas salas comunais. Com Mel foi logo a entrada, o porão da Lufa-lufa era o mais perto. Cheguei à Sonserina, passei pelo salão comunal onde aqueles filhotes de macacos que se acham rebeldes faziam uma zona, mas como não estava afim de entrar pro circo àquela noite já que minha paciência, e disposição estavam esgotadas, subi para o dormitório e a primeira coisa que fiz foi jogar aquelas milhares de sacolas em cima da minha cama. Em seguida fechei as cortinas desta e me joguei com toda a vontade no meu colchão macio. Fiquei por incontáveis minutos pensando em tudo o que havia acontecido durante o dia e não conseguindo compreender as minhas reações. Era como se não fosse eu mesma. Pensei, até que senti minha cabeça doer, o que não ocorre com freqüência, e levantei-me com muita preguiça. Segui para os chuveiros e tomei um demorado banho sem conseguir remover todas aquelas imagens e principalmente aquele brilho estranho nas íris esverdeadas que assombravam meu pensamento. Troquei de roupa lentamente, e quando finalmente olhei para meu relógio de pulso percebi quanto tempo se passara desde que havia chegado do povoado.

Desci apressadamente as escadas do dormitório, e não foi muito difícil passar pela sala comunal, já que já estava bastante vazia, a não ser pelos casais que se apalpavam pelos cantos. Ainda parei para corrigir aquilo, e com alguns golpes de varinha afastei a todos.

- E que isso não volte a se repetir. – disse, com uma expressão dura. – Agora vão! Descendo para a festa.

Só saí do salão comunal quando este se encontrava vazio, ou seja, mais um atraso.

Apressada, quase tropeçando nos meus próprios pés, cheguei ao saguão do castelo e vi ao longe o Oliver encostado à porta de entrada do Salão Principal. Eu realmente não sei o que me deu, mas eu corri ao seu encontro e pegando-o de surpresa eu o abracei forte, tentando sentir todo o calor e perfume que o corpo dele exalava. Beijei-o com fervor, e ele pareceu ter gostado de toda aquela atitude, pois aprofundava o beijo e agora suas mãos já passeavam pelo meu corpo.

O saguão de entrada estava totalmente vazio, dava para se ouvir os gritos, as risadas e as conversas paralelas de dentro do Salão Principal onde todos comiam e aproveitavam a festa felizes da vida, enquanto eu e Oliver estávamos num ultra amasso logo à porta. Já estava prensada a parede, e Oliver ainda pressionava seu corpo contra mim, enquanto distribuía beijos e deixava marcas em meu pescoço. Eu estava extremamente suada e ofegante, sem o menor senso de nexo àquele ponto.

Ele já louco de desejo, respirava pesadamente no meu pescoço, me fazendo rolar os olhos com aquele hálito quente na minha pele. Minhas unhas já estavam cravadas na roupa dele, e mesmo sabendo onde estava eu queria mais de tudo aquilo. Puxava-o mais para mim, e ele já posicionava uma de suas pernas entre as minhas. Senti que não resistiria por muito tempo, e se continuássemos ali, era li que aconteceria.

- Oli... – eu falei depois de um beijo particularmente quente. - Que tal sairmos daqui?

- Por que? – ele perguntou descolando os lábios do meu pescoço e paralisando as mãos que se localizavam no meu... ahm... traseiro.

- Ahm... porque nós estamos nos agarrando no meio do saguão.

- E daí?

- Daí que se pegarem a gente...

- Ah Sophia, não corta o clima.

Apesar de ter ficado realmente sentida com esse comentário, eu decidi relevar.

- E aqui eu não posso fazer o que eu quero com você... – sussurrei no ouvido dele.

Imediatamente seu semblante se tornou de uma pessoa contrariada, pro de uma criança que acabou de saber pelo pai que iria passar o dia no parque. Eu não resisti e dei uma leve risada, que segundo o Oliver é 'meiga'. Agora você me fala... o que diabos eu tenho de meiga?

Eu já ia saindo, e o Oliver saído atrás de mim, me agarrando de costas pela cintura e me levantando, me fazendo rir, quando todos começaram a sair do salão. Sério! Acho que alguém me rogou uma praga.

Soltei um muxoxo, e nada satisfeita beijei mais uma vez o Oliver que também não parecia nada feliz. Segui com os alunos da Sonserina para a sala comunal, e não vi sinal das meninas.

Me joguei com toda a insatisfação que tinha dentro de mim no sofá da sala comunal, enquanto ouvia gritinhos esganiçados e fofoquinhas daquelas pirralhas irritantes. Eu dei um grito, mas creio que ele tenha sido tão apavorante, porque depois dele eu só percebi os olhares espantados e a sala esvaziar-se num segundo.

'Adoro isso.', pensei, com um sorriso enviesado nos lábios. De repente, o cansaço do passeio bateu, e eu fui amolecendo no sofá, quando Keith surgiu desesperado pela entrada.

- Heaney! Vamos logo, estão nos chamando!

- Keith, desiste! Acho que eu já te disse para não ficar inventando essas coisas pra tentar ficar comigo.

Eu sentenciei, pois várias vezes aquele rato inventou situações e mais situações para tentar me agarrar. Pervertido!

- É sério Heaney! Parece que é grave!

Desconfiei, mas ele parecia realmente assustado. Decidi dar um voto de confiança ao Keith, mesmo sem merecer. Ele foi à frente, e parecia tenso até demais, e eu como não tinha a mínima noção da gravidade do assunto fui com calma e tomei meu tempo, andando lentamente pelos corredores.

Chegamos ao Saguão de Entrada e com um sorriso no canto dos lábios eu olhei para o lugar em que eu e Oliver nos encontrávamos mais cedo. Eu não percebi a seriedade estampada nos rostos dos professores e continuei encarando aquele canto vazio com várias suposições do que poderia ter acontecido em seguida. Ótimo! Agora eu me tornei uma pervertida.

Bem... como eu ainda vagava nos meus imundos pensamentos, ao longe eu ouvi um pigarro, que me pareceu ser bastante forte, pois foi seguido de uma tosse. Sei que acordei, todos olhavam confusos para mim, com aquele sorriso no rosto e só então, percebi o clima tenso.

- Me desculpem. – me apressei em dizer, e só então todos retiraram os olhares de mim e se tornaram ao diretor Dumbledore.

- Não foi nada, pequena Heaney. – disse ele, com aquela enorme barba balançando devido ao movimento do maxilar, me olhando com aquelas íris azuladas cheias de ternura.

Pequena Heaney. Você tem noção do que é ser chamada pelo diretor da sua escola desde o seu primeiro dia de aula dessa maneira? As meninas dizem que é apenas o jeito dele, mas eu não o vejo chamando ninguém pelo castelo de pequena (o) fulana (o).

Engoli em seco, acenando positivamente para os professores, com a minha melhor expressão séria, e só então percebi que todos os outros monitores se encontravam ali. Mas o que será que estava acontecendo de tão sério?!

Numa breve explicação, dada pelo Cedric, Sirius Black invadiu o castelo durante a festa de dia das bruxas e correu direto à entrada da Grifinória. Com a recusa daquela intragável Mulher Gorda (que eu odeio, por sinal), ele se revoltou destruindo a pintura.

Eu senti um breve arrepio quando soube da 'novidade'. Minha nossa, por mais que sejam irritantes e substituíveis, eu senti algo próximo à preocupação pelos grifinórios. E eu nem tinha raciocinado direito, quando aquilo veio a minha cabeça.

- O Oliver? Ele está bem, não está?

- Está. – disse o Cedric em tom normal, balançando a cabeça e fazendo um biquinho. (ah, esse biquinho já me fez pensar em tantas coisas.) – Achamos que foi bem no começo da festa que ele atacou.

- Ainda bem! – eu disse junto com um suspiro. – Eu preciso vê-lo!

- Ele está no Salão Principal. Todos estão sendo trazidos para cá essa noite.

- Vistoria pelo castelo. – falei, como se isto fosse comum.

- Exatamente.

Ele balançou a cabeça em afirmação e mexeu nos cabelos nervosamente, tentando levá-los para trás, mas em vão, devido aos fios pequenos que escapavam. Mas uma coisa que me fazia lembrar dos velhos tempos. Por Merlin, acho que até essa noite eu não tinha me dado conta do quanto esse garoto havia mexido comigo no passado. Por minutos eu fiquei mirando-o, até que senti um cutucão, e ao virar-me Keith surgiu à minha frente.

- Vamos buscar os alunos?

- Claro. – respondi prontamente.

- Já está informada da situação Heaney? – me perguntou o professor Snape com aquele olhar negro, como se me dissecasse.

Pois é. Pensou que não havia um sonserino o qual Snape não gostasse? Apresento-me. Desde o começo, aquele maluco não me deixa em paz, acho que ele tem algum problema, só pode ser.

- Sim professor. O Diggory já me informou de tudo.

- Muito bem. Agora vá.

Eu acenei positivamente com a cabeça e quando já estava saindo, novamente meus olhos se cruzaram com os olhos azuis hipnotizadores do diretor. Digo, algo estranho acontece com aquele homem quando se trata de mim. Não pode ser só paranóia! Ou será que pode?

-

Não demorou muito para reunir todos os sonserinos na sala comunal, já que a maioria estava lá mesmo comentando o que acabara de acontecer (e é assim que eu percebo como os boatos correm rápido!), e alguns poucos distraídos com outras coisas. Todos reclamavam muito e faziam estardalhaço após o meu anúncio sobre a noite no Salão Principal, pois nenhum dele queria 'dormir em baixo do mesmo teto que um grifinório', ou 'não iriam dormir no chão, pois era muito desconfortável', mas após um breve olhar, todos ficaram silenciosos, e seguimos para o Salão.

Quando todos já pareciam amontoados, alguns sentados em cima das mesas conversando entre si, eu pude finalmente ver o Oliver.

- Ainda bem que está tudo bem com você. – eu disse quando chegamos perto um do outro.

Ele tinha as mãos apertadas contra o meu rosto, como se procurasse alguma ferida no meu rosto, com o olhar preocupado e assustado.

- Eu estou ótimo. Fiquei preocupado contigo.

- Eu estou bem. Mas não há com o que se preocupar comigo.

- Não há o que se preocupar? Ele pode ainda estar solto pelo castelo. Só de pensar que aquele louco poderia te encontrar no caminho...

- Imagina se ele consegue entrar. Por Merlin!

Eu não queria pensar no pior. Mas parece que ele queria que eu pensasse nele, porque simplesmente não saía da minha cabeça. Eu abracei o Oliver forte, pressionando-o contra meu corpo, como se não quisesse soltá-lo nunca mais. E na verdade, eu não queria.

Meu rosto estava escondido na curva de seu pescoço, me escondendo completamente e me fazendo sorver o ar junto com aquele perfume inebriante que ele exalava. A situação ainda estava tensa, e eu ouvi o professor Dumbledore anunciar:

- Os professores e eu precisamos fazer uma busca meticulosa no castelo. – ele parecia sério, e aquele olhar que antes era cheio de ternura, estava fechado com nuvens de preocupação.

A professora McGonagall e o professor Flitwick fechavam as portas de entrada do salão.

- Receio, que para a sua própria segurança, vocês terão que passar a noite aqui. Quero que os monitores montem guarda nas saídas para o saguão e vou encarregar o monitor e monitora-chefes de cuidarem disso. Eles devem me informar imediatamente qualquer perturbação que haja. – acrescentou e se dirigiu a um pomposo Weasley e cochichou qualquer coisa em seu ouvido.

Eu já havia afrouxado o abraço, mas ainda mantinha meus braços ao redor do pescoço do Oliver, e olhava em volta, pronta para tomar meu posto. Antes de sair, ele mirou fixamente o local que nós ocupávamos e eu tinha certeza que ele observava a mim e ao meu namorado. Me senti incomodada por breves minutos, e assim que tirou os olhos de nós, senti um calafrio. Oliver chegou a perguntar o que havia acontecido, pois não tinha percebido nada.

- Aconteceu alguma coisa? – ele percebeu, pois eu olhava para o ponto em que o diretor estava há poucos minutos com um olhar assassino.

- Nada. – eu disse, fria. – Tenho que ir para o meu posto Oli.

- Espera...

Ele me pegou pelo pulso, já que eu estava saindo, e me puxando de volta, surpreendeu-me com um longo beijo. Ofegante, ele sorveu o ar aos poucos e me disse com um sorriso:

- Vou ficar com você.

- Não precisa Oli.

- Eu que quero.

- Mas eu tenho que ficar atenta. – eu falei, como quem não estava nem um pouco afim de falar aquilo.

- Prometo que vou me comportar.

Fez uma carinha de criança sapeca, com um meio sorriso nos lábios e olhando para o chão. Eu não resisti a uma risada, e mordi minha língua, encolhendo os olhos, fazendo com que ele me pegasse pela cintura, e me levasse em seus braços até perto da entrada do salão.

As luzes se apagaram e de uma em uma hora professores diferentes vinham checar os alunos e conversar conosco para saber se tudo estava bem, se nenhum aluno estava fazendo bagunça, ou algo do gênero. Quando foi a vez do Snape, ele me olhou muito feio (e teve o mesmo tipo de resposta) ao ver o Oliver ao meu lado e resmungou algo do tipo 'não tem responsabilidade'. Acho que a grande decepção desse ano do Snape foi me ver eleita monitora.

Oliver me roubava beijos ao passar da noite e apesar de resistir as palhaçadas daquele malandro, eu sempre ria. Quando já estava cansada o bastante, me rendi aos carinhos dele, e nos sentamos, ele encostado na parede, e eu em seu peito, posicionada entre suas duas pernas. Uma posição um tanto quanto confortável, inclusive se você está recebendo carinhos tão bons quanto os que eu recebia. Ai ai.

-

N/A: Bem... nem eu entendi muito o porquê do título, até porque eu ainda não tinha um título pra esse capítulo, mas acho que 'Roda da Fortuna' ficou legal, porque mostrou os altos e baixos das relações das personagens.

Agradecer também pelas reviews x) Brigada pessoas queridas e amadas... agora, vamos as respostas.

Nanny D.: A Mel é realmente a mais 'legal', mas vaaai... a Sophia é tãããão delicada, simpática, divertida, etc... idhiashd faltam até adjetivos pra garota! Brigada pela review gatona!

Wilson: Wilson... já disse pra não me deixar envergonhada! Sadiashdiuashd Brigada pelos elogios.. e o capítulo tá ae meu bem. Espero que goste. Beijão.

Nanetys: Pelo menos Eu prometo não te chamar de Fefê. Isdhssiahdias Tipo, eu não tava afim de fazer uma fic baseada no Harry não, decidi focar mais em outros personagens que eu adoro, e fazer uma história paralela. Brigada pelos elogios e espero que tenha gostado desse novo capítulo (: Beijos.

Então é isso aí né? Brigada mais uma vez as pessoas que tão lendo, e deixem reviews pra me dar uma forcinha (: Beijos e até o próximo capítulo!

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Pequeno momento de propaganda...

Leiam também a minha outra fic, com mais três autoras 'The Sisterhood's Diary'. Shippers: D/G, R/H, Harry/Personagem Original, Cedric/Personagem Original.

Se puderem dêem uma passadinha e deixem uma review. Beijo.