Olá a todos! Bom, este capitulo era para ser mais extenso mas decidi cortar uma parte dele e colocar no cap2. porquê? Bom, estou a terminar o meu curso e esta semana é a semana de exames. como não tenho tido tempo para escrever mais decidi colocar este pedaço. Prometo em breve colocar os seguintes e bastante maiores que esta pequena amostra! Em geral estou satisfeita com este capitulo e da maneira como o reescrevi.
Já agora, alguem aqui tem tumblr? Em principio irei começar a postar as minhas fics num tumblr somente para elas e quem quizesse ler em primeira mão lá, seria bem-vindo.
Beijos, e reviews, pleeeease ;)
Flashback
O homem de bigode aproximou-se, com passos silenciosos, da pequena menina de olhos azuis e com dois tótós no seu cabelo louro. Ela choramingava baixinho, esfregando os olhos com as mãos, fungando o nariz em um lenço com a letra S bordada à mão e vários coelhinhos e rosa a decorarem as bordas.
- Vinha a passar e perguntei-me quem seria idiota ao ponto de estar a chorar num baloiço. – o homem ajoelhou-se, levantando com os dois dedos no queixo, a cabeça da menina. Os olhos azuis brilhantes pelas lágrimas fitaram os olhos com o mesmo tom de cor. - Foi quando vi que essa pessoa era a minha menina.
- Pa- Papá.- A menina soluçou, seus olhos vermelhos e a face molhada com as lágrimas. Os olhos nublaram-se com tristeza e tentou esconder o rosto.
- O que aconteceu, minha pequena?- o homem de bigode perguntou com doçura.
- N-No colégio. O colégio e-eles chamam-me cabeça de abóbora. E-E dizem que sou uma baleia e-enorme. – choramingou mais alto a menina, continuando a olhar para o chão e arrastando a ponta dos pés. – Eles dizem que sou feia e que ninguém gosta de mim.
- Estás a chorar por isso?- a menina acenou com a cabeça.-Tu és a coisa mais linda e fofa do meu mundo. A minha lua lembras-te? Tal como a tua mana é a minha estrelinha. E eu gosto de ti. A tua irmã gosta de ti. Olha para a tua irmã. Ela não ouve o que os outros dizem.
- P-Porque eles s-são assim papá?- a menina voltou a fungar o nariz. – A Mina é magra, bonita, linda. No colégio todos querem ser amigos dela.
- Não te deixes afectar. Há pessoas crueis neste mundo. Tens que ser forte para enfrentá-las. - O homem pegou no rosto da menina e fê-la olhar nos olhos dele. - Neste mundo, sempre haverá alguém que te vai magoar, mas também haverá pessoas que se magoarão por estares magoada. E tu não me queres ver triste, pois não?
A menina abanou a cabeça.
- Então limpa as lágrimas, levanta a cabeça e vamos brincar.
A menina limpou as lágrimas com as suas mãos gorduchas e abriu um sorriso.
- Papá... És tu a contar e eu a esconder-me tá?- deu um beijinho ao pai e abraçou-o forte. Depois, começou a correr soltando gargalhadas e com os olhos brilhando.
O homem de bigodes ficou a obervar enquanto a sua pequena lua se afastava correndo e sorrindo. Ele sabia que talvez ela um dia sofresse ainda mais. Ele somente não sabia como impedir esse sofrimento de chegar.
Fim do Flashback
Serena passeava pelo o seu luxuoso apartamento. Em menos de 24h estaria de volta a Los Angels, enfrentando o seu ex-marido. Estaria ela a fazer o que era certo? Demorou um ano para seguir em frente com a vida. Pediu ajuda ao pai para financiar o seu último ano que faltava para completar seu curso de moda e abriu a sua própria empresa e ainda trabalhava como modelo e desenhista. Ela nunca se deu mal com o seu pai, simplesmente sempre gostou de ser independente (o que com o Darien não podia ser) e ter o seu próprio dinheiro, por isso, mal teve o dinheiro que precisava entregou ao pai a quantia emprestada por ele. O seu pai, bem que pediu para ela ir viver com ele, mas ela recusou. Tinha que começar de novo, para mais tarde enfrentar o seu passado, tinha que viver uma vida que tinha se recusado a viver após ter-se casado aos 17 anos. O amor que sentia por Darien a fez tomar tal atitude. Amava-o? Desde o primeiro segundo que o viu. Mas por culpa dele ela também rapidamente deixou de acreditar no amor.
O som do telemóvel interrompeu as lembranças dela.
- Olá, querida. Como estás? – A voz do Seya soou do outro lado.
- Sinceramente? Nervosa. O meu estômago está a dar pulos.
- Sabes que, não tens que fazer isto. Ainda podes desistir. – Serena não deixou de notar a ansiedade na voz dele.
- Já te disse, que para seguirmos em frente e esquecer o passado temos que enfrentar os nossos fantasmas que ainda nos perseguem.
- Não percebo. Afinal, o que queres? Ver a queda dele?
- Não! Jamais. Quero mostrar que até uma mulher gorda e mal-vestida pode mudar e vingar no mundo.
- Mas...
- Seya, temos mesmo que falar disto? Já foi tantas vezes discutido. - Serena suspirou.- Ligas-te só para dizer isto?
- Não. - Seya respondeu resignado. - Já abri uma conta na Austrália no teu nome. Amanhã será depositado algum do teu dinheiro.
- E onde vou morar?
- Reservei com cobertura dois andares em Melbourne, com um estúdio para tu trabalhares e tens também uma pequena estufa no enorme terraço. Está localizado numa zona com privacidade. É silencioso e calmo.
- A decoração?
- Mina tratou de tudo. Simples e moderno tal como tu gostas.
- A minha irmã sempre soube o que eu gosto. Ela não contou a ninguém, certo? Eu confio nela, mas para guardar segredos ela é terrivel. Acho que o mundo estaria perdido se dependessemos dela.
- Ela não falou. Está toda a gente ansiosa para ver como é a nova sócia.
- E o carro? Não compras-te um muito caro e que dê nas vistas pois não?
- Um Mini-Countryman. Quando chegares ao apartamento vais os papeis em cima da escrivaninha á espera para assinares a compra.
- Quem me vai buscar ao aeroporto?
- Andrew Adams.
- Perfeito. - Serena sorriu levemente.
Serena acertou os últimos pormenores e desligou o telemóvel. De todas as pessoas que sabiam da sua volta à Austrália, Seya foi o único a ser contra. Serena já se tinha apercebido que pela parte dele a amizade já tinha desaparecido e nasceu algo mais. Por várias vezes, pensou em lhe dar uma chance de conquistá-la, mas desde o fim do casamento ela nunca mais olhou para nenhum homem. A sua autoestima tinha sido atingida e caiu em queda livre.
A maior prova da vida dela estava em contagem decrescente. Ter que enfrentar o passado seria a situação mais delicada da vida dela. Ainda podia ouvir o choro dela própria durante estes meses. Podia sentir o sufocar das lágrimas e sons do choro que morria na garganta sempre que ela lembrava as palavras cruas do marido.
Serena dirigiu-se à enorme estante que preenchia a maior parte da parede da sua sala. Varreu com o olhar as fotografias da sua infância até que os seus olhos repousaram numa pequena caixinha prateada. Pegou no delicado objecto e com seu delicado dedo traço a forma de lua que estava na tampa da caixinha. Pegou na caixinha e sentou-se no sofá mais próximo e fechou os olhos. Ainda se lembrava da história daquele objecto e as memórias que ele guardava.
Abriu os olhos e respirou profundamente como se aquele acto pudesse chamar a coragem que parecia querer fugir. Serena não sabia porque ainda guardava aquilo. Será que as memórias dela já não seriam sufecientes para atormentá-la? Ela tentou. Ela tentou deitar o objecto fora, mas não tinha sido capaz. No final, sempre ia buscá-lo ao caixote do lixo.
Serena tocou na manivela da caixinha e deu à corda. A tampa abriu-se e de lá saiu um jovem casal a dançar numa ponte por cima de riacho e com a lua a banhar os dois. A suave melodia costumava ser o som favorito dela, mas agora era uma adaga que espetava profundamente na sua alma.
Passado o que parecia ser uma eternidade, Serena desviou os olhos do jovem casal e abriu a parte inferior da caixinha. Lá, dobrada, estava uma foto tirada alguns anos antes. Uma jovem loura e gordinha sorria com um brilho nos olhos enquanto um jovem alto e moreno encontrava-se sério a mirar a objectiva. Quando tentou guardar a foto, um pequeno telintar fez-la olhar para o chão.
Um aro de ouro branco com pequenas safiras e diamantes brilhavam e chamavam pelos olhos dela. Por momentos, parecia que não ia conseguir desviar o olhar.
Tocou suavemente no aro e ficou a olhar enquanto memórias voltavam à sua cabeça. Não!
Serena colocou o anel de volta ao lugar e fechou com violência a caixinha, atirando-a ao chão.
Um dia ia devolvê-la a quem a ofereceu. Esse dia cada vez mais próximo. Voltando-se para a janela, olhou para o rio Tamisa. Amanhã já não estaria ali e nem sabia quando voltaria e muito menos como estaria a sua alma depois de tudo, mas uma coisa era certa... Não iria fugir mais.
- Miss Anderson, por aqui, por favor. - umas das suas guarda costas apontou para as escadas rolantes. Os restantes seguranças rodearam-na de forma a não deixar à vista quem protegiam.
Serena não se sentia bem. Sentia-se cansada. A correria das últimas horas e a noite sem durmir começavam a dar sinais no corpo dela. As memórias que tanto vinha lutando para deixar para trás teimavam em persegui-la e lembrá-la que não ser amada parecia ser o seu destino.
- O senhor Adams já se encontra á espera. - Lita, sua secretária, assistente e grande amiga, comunicou enquanto a seguia com um caderno de apontamentos na mão.
- Pede para me arranjarem um copo de café. - Serena pediu bocejando. – O meu dia não corre bem se não tomar o meu café e neste momento a minha dor de cabeça está a fazer o meu dia correr mal.
- Sim. Mais alguma coisa?
- Sim. Liga para a agência de limpezas e encontra uma empregada que vá lá a casa limpar só uma vez por semana, pois sabes que gosto de ser eu a limpar e a colocar tudo ao meu gosto. E logo á noite, lembra-me de ligar ao Seya.
- Ok. Tudo apontado, Rena. - Lita falou piscando o olho. - O senhor Shields quer saber quando será o vosso "especial" (re) encontro.
- Marca para daqui a três dias. Além de ser sábado, também quero colocar tudo em ordem para a minha estadia aqui. - Serena respondeu, com o coração aos pulos. – Também vou aproveitar para voltar a analisar os papeis referentes à empresa.
- Ele estava a pensar reservar uma mesa no melhor restaurante da cidade.
- Recusa. Diz que darei uma festa de boas-vindas a mim própria. Aliás, liga para o melhor hotel da cidade e aluga o salão de festas.
- Que tipo de festa será?
- Quero uma festa de gala. As mulheres de vestido do tamanho que desejarem e os homens de smoking. Nada para além destas roupas devem entrar. Ah, e acrescenta o detalhe de que os convidados terão de usar máscara. Afinal, o que é de uma festa sem um pouco de mistério?
- Queres convidar alguém em especial?
- Não. Somente os trabalhadores da empresa e a Mina.
- Nenhum amigo? – Lita levantou os olhos do seu caderno de apontamentos e observou com curiosidade a forma como os olhos de Serena escureciam.
- Não. Ninguém. – Serena desviou o olhar para que as sombras da tristeza não serem visiveís para quem olhasse. Não iria chorar! Qual o mal de nunca ter tido amigos? Além de Mina e Andrew, não tinha mais ninguém. E qual era o mal? Nenhum! Afinal, porque é preciso ter amigos? Serena conseguiu superar as barreiras e não precisou de ninguém.
- Ok. Quem devo contratar para a festa? – Lita desviou o assunto e voltou a concentrar-se no caderno.
- Os decoradores. Eu vou estar presente para supervisionar tudo. Pede aos melhores cozinheiros do hotel para me fazerem uma lista do cardápio e eu verei o que deve ficar. Creio que os servintes serão os do hotel.
- Sim. E quanto aos convites?
- Escolhe tu. Confio no teu bom gosto. Além do mais quero-te a supervisionar a comida. De seguida, virás para a minha beira no baile. Amanhã iremos ver vestidos. – Serena parou e voltou-se para a amiga sorrindo. - Sei o quanto adoras a cozinha e como adoras festas.
- Obrigada- Lita, abraçou-a. - Rena, o Andrew está mesmo ali á frente e pela sua postura parece ter um pouco de pressa e parece estar nervoso.
Serena acenou e respirou fundo, voltando-se para frente e começando a andar de novo. Quando estavam perto ela mandou os seguranças afastarem-se e olhou para o seu amigo de infância. Sorriu por dentro quando o viu a abrir a boca num grande O. Parou a alguns centimêtros dele e ofereceu-lhe um sorriso malandro que costumava usar para ele.
- Antigamente, tu abrias os braços e eu corria para ti. Parece que por aqui muitas coisas mudaram. - Serena mostrou a lingua ao seu petrificado amigo.
Andrew abanou a cabeça como se fosse para acordar e abriu um grande sorriso.
- Rena, que surpresa. Não te sei explicar o quanto surpreendido estou por ver-te aqui e na ocasião que é. – Andrew abraçou-a e levantou-a no ar, rodopiando como se ela ainda fosse a pequena menina com quem ele brincava e protegia.
- Andrew, senti tantas saudades. Nem acredito que já se passaram dois anos e que nesses dois anos não falamos nem te vi mais. – Serena saiu do abraço e olhou para ele. – Pareces mais bonito desde a última vez que te vi. Consigo ver que a Mina fez boas coisas em ti. Já não pareces aquele menino magro e esquesito com os óculos de garrafa.
- Mina não descansou até que eu fizesse mais desporto e aqui estão os resultados. – Andrew olhou de canto para a multidão que a rodeava. – Rena, do que se trata isto tudo? Não consigo entender.
- Drew, o que te parece? Vieste buscar a nova sócia e aqui estou eu. Estes são os meus guarda-costas. Não tens ideia de como os paparazzi podem ser cansativos.
- Mina sabia disto tudo?
- Sim.
- Porque não fui avisado?
- Desculpa, Drew. Eu pedi à Mina para não te contar. Por favor, não fiques chateado com ela. Na verdade, eu fiz com que ela me prometesse com o seu dedo mindinho que não abriria a boca.
- Tudo bem. – Andrew voltou a olhar à sua volta com hesitação. – E agora o quê?
- Agora? Agora vamos a uma pizzaria ou algo assim, pois estou cheia de fome e sabes que sem comida não consigo pensar direito.
- Onde estiveste este tempo todo? – Andrew começou a caminhar ao lado de Serena, dirigindo-a para o seu carro. – Eu perguntava por ti, mas a Mina somente dizia que estavas bem.
- Fui viver para Londres e ainda passei alguns meses em Nova Iorque. Refiz a minha vida da melhor forma.
- E nessa tua vida reformada não havia lugar para velhos amigos? – Andrew fitou-a com uma pequena luz de mágoa. – Eu estava preocupado.
- Desculpa. Eu não queria falar com ninguém que me ligasse a ele. Foi tudo muito difícil.
A conversa foi fluindo naturalmente enquanto Andrew conduzia para o La Piazza. Quando o silêncio reinou no carro, ficou somente a boa sensação de ser bem-vinda. Enconstou a testa à janela do carro e viu como o trânsito ficava cada vez mais pesado. Tivera saudades daquilo. Saudades de ir até aos jardins do parque municipal de Melbourne, de ir até ao rio com Mina e de comer a sua pizza favorita no La Piazza com Andrew.
- Chegamos. – Andrew saiu e deu a volta ao carro, abrindo a porta de Serena. – Bem-vinda de volta ao La Piazza!
- Nunca encontrei uma pizzaria tão boa como aqui. – Serena suspirou como se tivesse triste. – Nem encontrei uma companhia tão boa como a que costumava ter quando vinha cá comer.
- Ora dear madame, vamos mudar isso sim? Pois estamos a ponto de comer uma bela pizza com cogumelos e frango.
- E um pouco de bacon e pimento.
- E para entrada um bom paozinho de alho com bacon e queijo derretido por cima.
- Sim. – Serena olhou ao redor vendo o movimento das pessoas e o local. – Isto por aqui não mudou muito.
- Poucas coisas mudaram. – Andrew confirmou e fixou o olhar no rosto dela e Serena não sabia se ele se referia ao lugar ou à vida. – A única diferente és mesmo tu. Rena, o que se passa? Porquê tu seres sócia da empresa?
- Drew, sinceramente, hoje não me apetece falar disso. Não te preocupes que não fazer mal à empresa ou ao teu amigo.
- Rena, não é com ele que estou preocupado mas sim contigo. Já sofreste tanto e eu não entendo o porquê de estares a fazer isto.
- Um dia quem sabe tu entenderás. Drew, posso te fazer duas perguntas?
- Claro.
- Respondes-me com sinceridade? Não precisas de ter medo de me magoar.
- Rena, estou começar a ficar nervoso.
- Ele ainda está com ela?
- Como eu não imaginei que ias perguntar isso? – Andrew suspirou e ficou calado. Aquele silêncio deu a resposta que ela imaginava ser.
- Quem é ela? – Serena notou o flash de apreensão que passou rapidamento nos olhos de Andrew antes de ele desviar a cara. – Quem é, Drew?
- Ami. – Andrew olhou directamente nos olhos dela. Serena nunca o vira tão sério e desgostoso. – Ele deixou-te para ficar com a Ami e ainda está com ela.
- Ami. – Serena olhou para o sumo de laranja que he tinham trazido e tentou absorver a revelação. – Não sei se estou mais chocada ou magoada, mas não realidade não devia de estar. Ami nunca foi minha amiga de verdade. Sei que ela estava comigo porque o facto de ser minha amiga e estar ligada à minha familia dava-lhe status mas não imaginei que pelo caminho ela roubasse o meu marido.
- Lamento.
- Não lamentes. – Serena olhou para ele e deu um pequeno sorriso. – Afinal, eu também não lamento.
