Eu não te peço muita coisa...

De Tenie F. Shiro

Preview: ... Só uma chance. Songfic. "Me liga", Os paralamas do sucesso.

...

Disclaimer: Harry Potter pertence a J.K. Rowling. A música "Me liga" pertence à Hebert Vianna (que a compôs). Escrevo somente por diversão.

...

Capítulo II

...

"O nosso jogo não tem regras nem juiz

Você não sabe quantos planos eu já fiz"

...

Era aula de História da Magia. Pettigrew dormia a sono solto, enquanto Lupin anotava freneticamente. Potter observava Evans, sentada do outro lado da sala, atenta a algo que a amiga a seu lado cochichava. Ela abriu um sorrisinho misterioso e um tanto malicioso, virando um pouco o rosto para a outra garota. As duas sufocaram uma gargalhada. Ele não percebeu, mas estava sorrindo também.

Era quase Natal, logo todos estariam indo para casa. Era uma época de esperança, como muitos diziam, e James, em especial, estava cheio delas, mesmo tentando negar aquilo.

Uma voz em sua cabeça sempre lhe dizia "Por que não? A Evans é um estouro! Além do que, eu acho que não tem menina mais legal que ela por aqui". O caso era que Lily nunca aceitaria sair com ele. Nunca!

E, apesar dos pesares, sonhava mil planos! Todos envolviam ele e Lily. Ah, se Sirius pudesse ler sua mente! Faria piada para o resto da vida!

Entretanto, ele sabia que os amigos já estavam notando as diferenças em sua relação com a garota. Até pouco tempo, eles batiam boca o tempo inteiro e mal se suportavam, mas, como Aluado dizia sempre: "Quem desdenha, quer comprar".

Sirius cutucou-o, impaciente:

-Oi? – respondeu, sem encará-lo.

-Você está com essa cara de idiota por que, afinal? - Black olhou na mesma direção do amigo, que desviou o rosto tarde demais. – Está olhando pra Evans?

-Estou. E... Vou chamar a Lily pra sair. – disparou, sussurrando.

-O QUÊ? – berrou Almofadinhas, fazendo todos os olhares se voltarem para eles.

-Algum problema, rapaz? – perguntou o professor Binns, quase distraidamente.

-Nada, senhor, é que eu mal pude acreditar no que o senhor acabou de dizer... – balbuciou ele, com um sorrisinho cara-de-pau.

O fantasma não deu importância e continuou sua explicação chatíssima. Rabicho já babava em cima do pergaminho. Lupin virou-se para os outros dois:

-Pra que todo esse escândalo? Binns está morto, não surdo.

-Oh, jura? – ironizou o rapaz – Conte a ele, Pontas! Conte o que me disse! Acorde também o Rabicho, ele precisa ficar a par dessa situação lastimável!

-Por que você está tão indignado assim? – reclamou o mocinho de cabelos revoltos.

-Oi, oi – falou um sonolento Peter, inclinando-se para olhar o jovem Black.

-Escutem bem! Pontas não tá nada bem! – falou, dramaticamente – Aposto que foi uma poção do amor maléfica que aquela ruiva nojenta colocou na sua comida!

-Está falando de qual ruiva? Evans?

-É. – James e Sirius estavam em sincronia, ambos mal-humorados.

-O que tem a Evans? – questionou Pettigrew, abobado.

-Eu sabia – disse Remus, com ar de superioridade – Pontas tem uma quedinha pela Evans.

-O QUÊ? – Pettigrew e Black trataram de parar a aula novamente, fazendo todos voltarem os olhares mais uma vez para o fundo da sala.

-Algum problema? – repetiu Binns.

Almofadinhas lançou um olhar feio para o melhor amigo, que deu de ombros, desafiando-o.

-Vocês estão proibidos de tocar nesse assunto até o final dessa aula, ouviram? – ameaçou Aluado, voltando para suas anotações.

-Sim, senhora, mamãe. Ninguém vai falar nada até o fim da aula – escarneceu Sirius – Mas, depois, a gente vai conversar direitinho, ouviu, James?

...

Findada a aula, os Marotos seguiam para mais uma aula. Quando passavam, todos abriam caminho, olhando curiosos para o raro desentendimento que Sirius fazia questão de escancarar:

-Que porcaria de história é essa, Pontas? Tanta menina por aí correndo atrás de você pra você resolver se apaixonar justo pela... Ah! Eu não acredito! Justo por quem você tinha que ficar caidinho?

-Eu vou chamar a Lily pra sair. – falou, atrevido, como sempre. Aquele era o James que Sirius conhecia, mas este não tinha certeza se queria vê-lo contra ele. – E você não pode me censurar por isso!

-Você não pode! Não, não e não! Isso é ridículo! Ela era amiga do Ranhoso, implica com a gente desde que entrou pra Hogwarts e, não bastasse, não perde tempo quando precisa nos dedurar!

-Ela não é esse monstro todo, não! E aposto que vocês iam se dar muito bem se a conhecessem!

-Ah, não! Ficou bobo também? – Black virou o rosto por um minuto, possesso – Quer saber de uma coisa? Ela nunca vai aceitar sair com você!

-Falou o Dono da Verdade! Por que não, Sirius? – rebateu, igualmente irado. Por trás do semblante carrancudo, bem no fundo dos olhos por trás das lentes dos óculos, o brilho esperançoso e quase infantil de quem ama e planeja mil coisas!

-Você está se iludindo se pensa que ela vai aceitar! Ela te detesta, Pontas. Ela vai frustrar seus planos e quebrar seu coraçãozinho. – disse Black, dramaticamente, afastando-se do grupo a passos largos.

-Vai fazer birra, é? Pois pode fazer o que quiser, eu não mudo de ideia! – falou James para quem quisesse ouvir.

Apesar de tudo, brigar com seu melhor amigo por um motivo tão idiota o machucara terrivelmente. Poxa vida, por que Sirius não conseguia compreender e aceitar? Eles já haviam aprontado tantas e tão piores e, mesmo quando se metiam nas mais terríveis encrencas, nunca haviam se desentendido daquela forma!

Justo agora que ele estava tão feliz...