Sexta-feira chegou e, com ela, o primeiro capítulo de nossa saga! Hohohoh... Isso será tão divertido... Vocês têm razão, Isaac e Mina são, REALMENTE, um casal complicado... Muitas águas irão rolar até o final de "Walking Down the Aisle"!
Conheça nosso herói...
Isaac Cyan é o herdeiro do ducado de Winchester e está à procura de uma noiva. De preferência, uma que não lhe dê trabalho, dócil e suficientemente esperta para cuidar da própria vida enquanto ele cuida da sua.
Conheça nossa heroína...
O sonho dela desde criança é ser detetive da Scotland Yard. Para isso, Mina MacFusty irá fazer tudo o que estiver ao seu alcance. Mesmo que isso signifique açular um cavalo pra cima de um dos mais disputados partidos da estação...
Capítulo I
"Muito me admira que um homem que viu como os outros homens se transformam em bobos, quando se comportam sob a influência do amor, e que ridicularizou as loucuras dos outros possa fazer-se objeto de seu próprio desprezo, tornando-se apaixonado."
Muito Barulho por Nada - Shakespeare
Mesmo longe do salão, os ecos do baile ainda pareciam persegui-lo. O rapaz suspirou, cansado. Aquelas reuniões estavam começando a se tornar enfadonhas; sempre as mesmas pessoas, sempre as mesmas conversas vazias, e, acima de tudo, sempre sua mãe e sua irmã importunando-o para procurar uma noiva.
Aliás, parecia ser uma idéia fixa a de todos que o conheciam de que ele deveria arranjar uma noiva. Ao final das contas, Isaac Cyan seria o Duque de Winchester futuramente. Tinha de providenciar um herdeiro para o título e as terras que vinham com ele.
Um saco de moedas de ouro. Era assim que ele era provavelmente visto pelas moças casadoiras e, mais ainda, por suas mães loucas para se livrarem da carga que representavam. Ou talvez uma taça, com direito a faixa e coroa de louros para o primeiro lugar.
Aquela não era uma perspectiva muito agradável...
Isaac se debruçou ligeiramente sobre o balcão da varanda onde fora se refugiar. Se fosse para escolher uma noiva, ele gostaria que ela soubesse conversar sobre algo mais que tecidos e estampas. Um pouco de inteligência não faria mal. Ela podia gostar de ler; assim, o deixaria em paz por longos espaços de tempo.
Teria de ser bonita também. Alguém que pudesse lhe despertar um mínimo de desejo. Afinal, iriam passar o resto da vida juntos, e pelo menos um herdeiro teriam que produzir. Nada mais justo que unir o útil ao agradável.
Que não fosse muito dependente também. Dócil o suficiente para lhe dar paz, mas não carente a ponto de testar sua paciência com a eterna exigência por atenção.
Infelizmente, até agora, lhe parecera impossível encontrar alguma garota entre as aristocratas inglesas que correspondesse às suas especificações. Se eram bonitas, geralmente era tolas e esnobes. Se inteligentes, eram também controladoras. Aquela tinha uma reputação duvidosa; a outra era insegura demais, essa não lhe despertava qualquer reação...
Ele estava feito na vida se dependesse desse círculo para encontrar uma noiva.
Foi nesse instante que ele ouviu o som de risos femininos cruzar o espaço, pouco antes de duas sombras se projetarem junto à varanda. Imediatamente, ele se escondeu nas sombras. Não queria ser encontrado, especialmente por, ao que parecia, duas jovens e, provavelmente, entediantes nobres.
A primeira delas aproximou-se do balcão, içando-se para cima, sentando-se de modo a ficar de frente para a amiga. Os cabelos encaracolados estavam presos às suas costas, um cacho teimoso sobre o rosto delicado.
- Você viu a cara dela? Eu dava tudo ter tirado uma foto da cara que ela fez quando você começou a falar sobre a maquiagem dela e os efeitos nocivos da tal Oleato de...
- Oleato de decila. – a outra respondeu com segurança, jogando os cabelos muito lisos e de um tom de castanho forte para trás – É apenas um solúvel... Meu pai usa muito nas pesquisas dele. – ela deu um sorriso matreiro – Eu andei fazendo algumas experiências com ele na busca da minha fórmula perfeita para tintas invisíveis e o que ele fez com o papel é particularmente alarmante.
- E nas altas concentrações que Parkinson usa na maquiagem dela... – a outra continuou, escondendo um riso.
- Ela provavelmente ficará velha antes do tempo. – o sorriso era agora um tanto maquiavélico – Mas não creio que a Parkinson tenha compreendido muito bem o que eu quis dizer, Lore.
A nomeada Lore assentiu.
- Ela vai achar que você estava tentando apenas insultá-la.
- E não era exatamente o que eu estava tentando fazer?
Escondido nas sombras, nosso jovem duque reprimiu um sorriso. Aparentemente, ainda havia alguma salvação para a nobreza bretã. Aquela conversa era uma das coisas mais divertidas que tivera a oportunidade de ouvir nos últimos tempos.
- Você pode ser bem cruel quando quer, Mina. – Lore afirmou, sorrindo – Não que eu tire sua razão. Ela absolutamente estava merecendo. Como ela ousa dizer que você...
- Que eu sou uma esquisita além de qualquer esperança e que virarei uma solteirona excêntrica antes dos trinta? – Mina completou, rindo – Ora, Lore, esse é justamente meu objetivo de vida.
Isaac estreitou os olhos. Aquela era nova. Uma donzela que não queria se casar? Muito bem, eles já tinham passado da época em que a pecha de "solteira" era vista quase como uma doença social, mas, pelo menos entre a aristocracia, ainda havia muitos casamentos arranjados por conveniência; fosse para manter fortunas ou procriar herdeiros para manter as tradições.
Nesse instante, uma terceira sombra surgiu junto às portas envidraçadas que levavam à varanda e ele observou a recém-chegada jovem ser saudada com particular entusiasmo pelas duas jovens.
- E devo acrescentar, Samantha... – Mina observou com um sorriso quase malicioso, após beijar a amiga – Lusmore também tem sentido sua falta.
- Seu primo é incorrigível, Mina. – Samantha respondeu, rindo – Da próxima vez que eu for visitá-la, vou me lembrar de perguntar se ele já viajou para a França.
- Sim, assim você pode esperar até que ele volte para ir. – Lore completou.
- Talvez... Mas, escutem, vocês não deveriam estar na festa? As coisas estão tão chatas a ponto de vocês terem vindo se refugiar aqui sem sequer esperar que eu tivesse chegado?
- Você sabe, Sam, você é a luz das nossas vidas, o motivo de nossos risos e nosso ideal de perfeição. – Mina retrucou – Quando eu crescer, quero ser exatamente como você.
- Sinto muito, Mimi. – Sam sorriu – Mas não acho que você vá crescer muito mais que isso.
- Ouch! – Lore colocou uma mão sobre o peito – Essa doeu até em mim.
Mina apenas fez uma mesura com a cabeça.
- Eu não vou retrucar. Apenas desejo que você se case com Lusmore e assim se torne minha irmã. Será a mais doce vingança que eu jamais poderia ter.
- Quem escuta você falar vai pensar que Lusmore é alguma espécie de Barba-azul... – Samantha voltou-se para a outra amiga – Falando em casamentos, eu não vi o Herman na festa.
Lore assentiu.
- Meu marido está na América, cuidando dos detalhes de nossa mudança. – ela respondeu, com uma cômica expressão de seriedade.
Mina e Sam se entreolharam.
- Você sabe, eu nunca tive muita certeza se devia ou não sentir pena do Herman... – Mina observou – Especialmente quando você começa sentenças com "meu marido"... Eu imagino que você tenha experimentado a maior das alegrias de sua vida no dia em que assinou pela primeira vez como Lorelai Mercury.
Nas sombras, Isaac pensou, afinal, que já tinha ouvido o suficiente. A não ser que estivesse muito enganado, acabara de descobrir a real identidade de uma delas o que facilitaria as coisas se quisesse ser apresentado às outras.
Além de quê, Herman Mercury fora seu colega na Real Academia durante o curso regular e eles tinham chegado a trabalhar juntos por algum tempo, desenvolvendo certa estima entre ambos. Cumprimentar a esposa dele era certamente uma obrigação da boa-educação.
Sorrateiramente, o rapaz esgueirou-se ao longo da sacada, conseguindo alcançar as cortinas que balançavam ligeiramente com a brisa noturna antes que qualquer uma delas o percebesse. Pouco depois, estava de volta ao baile.
Seus olhos voltaram-se para Pansy Parkinson, a vítima da pequena brincadeira de Mina pouco antes, filha mais velha de um baronete de Lancashire. Não era uma de suas pessoas favoritas, especialmente depois que a mãe dela os apresentara esperançosamente, forçando-o a uma valsa com a garota.
Bem, agora o que tinha de fazer era vagar pelo perímetro da pista de dança, torcendo para que sua mãe não o percebesse e o colocasse em alguma situação desagradável. Para seu azar, entretanto, ele acabou por se deparar com uma figura bem mais inconveniente: Lady Mildred Du Lac.
Aquele era seu dia de sorte...
- Lorde Cyan. – a mulher chamou num tom autoritário, de quem não admitia recusas.
- Boa noite, Lady Mildred. – ele a cumprimentou, parando junto a ela.
Lady Mildred era uma viúva autoritária e de língua afiada, acostumada a que fizessem tudo o que ela desejasse, devido a sua posição e idade. Ele não conhecia ninguém que não a temesse ou respeitasse.
Até aí, nenhum problema. A grande questão é que Lady Mildred era também uma das maiores casamenteiras a circularem na sociedade britânica. E, se ela encarnasse com alguém, o pobre subiria ao altar nem que fosse para livrar-se da influência da maldita mulher.
E, da maneira que ela o observava, parece que já tinha escolhido uma nova vítima.
- Com quantos anos você já está, Lorde Cyan? – ela perguntou, os olhos estreitos.
- Quase vinte. – ele respondeu imediatamente.
- Vinte anos se passam muito depressa. – ela observou, séria – Eu o vi de fraldas, obviamente. E, naquela época, eu já era uma velha.
Isaac não respondeu. Não era muito seguro questionar senhoras acerca de seus devaneios sobre a idade que tinham. Lady Mildred pousou uma mão sobre o braço dele.
- Já está em idade de procurar uma noiva, meu jovem.
Ele reprimiu um suspiro.
- Eu acredito que esteja certa, Lady Mildred.
- Eu sempre estou certa. – ela afirmou num tom que não denotava dúvidas – Temos que procurar uma pequena para você.
Ele voltou os olhos claros para a mulher, que parecia esperar que ele a desafiasse. Novamente, ele não respondeu. Ela deu um meio sorriso, antes de voltar a atenção para o salão de baile.
- Uma pena que eu só consiga enxergar tolas e fúteis do ponto em que estou. E não queremos isso para você, não é, meu caro rapaz? – ela voltou o olhar mais adiante – Mas talvez ainda haja alguma esperança afinal.
Seguindo o olhar dela, Isaac deparou-se com as três jovens que observara na varanda. Outras duas moças tinham se juntado a elas e ele não demorou a reconhecer a sobrinha de Lady Mildred; Selune Priout.
Certamente, entretanto, não era com Selune que ela queria fazer o par, já que a jovem já estava comprometida. Lorelai também estava casada e, ao que entreouvira mais cedo, Samantha também não estava muito longe de subir ao altar.
Sobravam a jovem desconhecida, de cabelos negros curtos e semblante sonhador e Mina.
Mais cedo, ele não teria olhado duas vezes para o pequeno grupo. Afinal, nada pode vir de bom de uma pequena reunião de mulheres. Observando agora, entretanto, havias algumas conjecturas que ele não pudera fazer enquanto observava apenas o vulto delas na sacada.
Das cinco, Samantha era a que chamava mais atenção com seus olhos cinzentos e os lábios cheios, além do corpo bem feito. Lorelai e a desconhecida vinham em seguida. Selune era um caso à parte, com seus brilhantes olhos azuis e os cabelos dourados. Mina, por seu turno, era a menor das cinco e, embora fosse bonita, não parecia fazer muita questão de cuidar de sua vaidade pessoal.
Além de quê, ela usava óculos. Ele nunca vira uma jovem dama usar óculos. Elas preferiam o auxílio do braço do pai ou do irmão, ou mesmo do noivo. Mas nunca usariam óculos.
Ele desviou-se desses pensamentos ao perceber que Lady Mildred começara a caminhar na direção delas. Aparentemente, ele não teria de se apresentar sozinho. Teria de se policiar agora. Em sua cabeça, as três jovens eram Mina, Sam e Lore, mas ele não poderia se dirigir a elas em títulos tão intimistas.
- Boa noite, minhas caras. – a mulher cumprimentou, parando ao pé da sobrinha – Uma noite terrivelmente enfadonha, não?
- Está sendo cruel com seus pares, Lady Mildred. – foi Samantha quem respondeu, sorrindo – Embora concordemos em gênero, número e grau.
A senhora sorriu de volta.
- Eu não tenho dúvidas disso, minha cara lady Blair. Mas acho eu um desperdício de tempo, especialmente com vocês. Na sua idade, eu estaria aproveitando o tempo ao menos para dançar.
Isaac sorriu, já sabendo o fim daquela conversa.
- Falando em dançar, eu gostaria de fazer algumas apresentações. – a mulher continuou – Esse é Lorde Isaac Cyan, o futuro Duque de Winchester. Creio que já conheça minha sobrinha, Lady Selune. E essas são Lady Samantha Blair, neta de Peter Blair, do Escritório para assuntos de Guerra; Lady Raven Sinclair, Lady Lorelai Mercury e Lady Mina MacFusty, recém-chegada das Highlands escocesas.
À medida que eram apresentadas, cada uma delas correspondia com uma mesura. Ele não pode deixar de perceber também uma troca silenciosa de olhares entre Mina, Lorelai e Samantha.
- Encantado. – Isaac uma pequena reverência com a cabeça – Lady Lorelai, creio que talvez conheça algum parente seu. Está de alguma forma relacionada com Herman Mercury?
A moça sorriu.
- Herman é meu marido, milorde.
Com o canto dos olhos, ele percebeu sombras de riso nos lábios de Sam e Mina.
- É um prazer então redobrado, visto que fui colega de seu marido na Academia. Ele está aqui?
- Infelizmente, meu marido encontra-se na América. Mas aceite meus cumprimentos no lugar dele. – e com isso, ela fez mais uma cortesia.
Era bastante claro pelos olhos dela que Herman e Lorelai não tinha se casado apenas por conveniência. Seu colega era um sortudo, sem dúvida alguma.
- Bem, agora que estamos todos apresentados, Sir Isaac poderia certamente suprir a falta de cavalheiros e chamar uma de nossas adoráveis senhoritas para dançar. – Lady Mildred voltou a se fazer presente – Mina, porque você não...
Isaac imediatamente voltou-se para a – agora ele sabia – escocesa. Mina, entretanto, deu um ligeiro passo para trás, olhando para os lados como se avaliando suas chances de fugir.
- É, Mina, por que você não vai dançar? – Sam sorriu, colocando uma mão sobre o ombro da amiga, impedindo assim qualquer chance de fuga.
- Essa é uma decisão que cabe à Vossa Graça. – ela respondeu, voltando o olhar para ele, antes de dar um sorriso ligeiramente traquinas. - Vossa Graça há de me perdoar, mas sou uma desgraça a valsar. Se Vossa Graça eu fosse, nem de graça aceitaria esse perigoso encargo.
Ele sorriu, divertido, com o jogo de palavras dela.
- O que poderia haver de tão perigoso numa valsa, Lady Mina? Eu tirarei meus pés do caminho se esse for o caso.
Ela entreabriu os lábios pequenos, surpresa pela resposta, antes de ser praticamente empurrada pela mulher mais velha em sua direção.
- Sem mais desculpas, Mina MacFusty.
Mina voltou a cabeça, como se fosse responder. Aparentemente, ou ela não conhecia a fama de Lady Mildred – visto que de acordo com a própria mulher, ela não chegara a muito tempo da Escócia -, ou não tinha muito senso de perigo.
Restava a ele impedi-la de cometer um grave erro. Assim, ele tomou a mão enluvada da moça entre as suas, já dirigindo-a para a pista de dança. Ela não relutou mais depois disso, permitindo que ele colocasse a mão dela sobre seu ombro, antes de passar a própria mão para as costas dela. E, depois disso, não demorou muito para que ele percebesse que Mina sabia dançar. Com perfeição.
- Ora, Lady Mina, eu pensei que teria que tomar cuidado com meus calos, mas até agora não vejo porque você não queria dançar.
Ela voltou o olhar para ele; olhos grandes e castanhos, brilhantes de determinação e desafio.
- Eu não disse que não sabia dançar. Apenas que era uma desgraça dançar comigo.
- E por que seria isso?
- Porque eu tenho o péssimo costume de querer conduzir a dança. – ela respondeu, sincera – Se você prestar atenção, perceberá que sou eu que estou conduzindo.
Ele piscou os olhos, surpreso. Dançar, para ele, sempre fora um gesto automático e, até ali, ele não percebera que, realmente, era Mina que estivera dando os passos. Ele parou por alguns instantes, segurando-a de forma um pouco mais firme, antes de recomeçar.
Agora que estava se concentrando no que fazia, ele sentiu quando ela tentou reassumir a liderança. Sorrindo, ele voltou o olhar para ela.
- Está fazendo de propósito, Lady Mina?
Ela meneou a cabeça.
- Se eu fizesse questão de conduzir, eu o teria feito do começo ao fim, bastava não ter avisado. Não é algo que eu faça conscientemente.
Isaac assentiu. Mais alguns instantes de silêncio se passaram, antes dele retomar a conversa.
- Lady Mildred disse que está aqui há pouco tempo. O que veio fazer em Londres?
Um brilho diferente perpassou pelos olhos dela e foi sorrindo que Mina respondeu.
- Vim prestar exames para entrar na Academia. Eu finalmente convenci vovô a permitir que eu fizesse o curso de psicologia.
Dessa vez, ele a encarou surpreso.
- Não é muito nova para isso, Lady Mina? Além disso, as provas são muito difíceis.
- Tenho dezoito anos. – ela respondeu, séria – Fui educada em casa, mas tive os melhores tutores que meu avô pôde contratar. Não se engane pelo fato de eu ser mulher, milorde. Eu sei mais que somar dois e dois.
Isaac sorriu.
- Não tenho dúvidas disso, milady. – ele a observou em silêncio por mais algum tempo – Como é a Escócia?
- Eu não poderia falar por toda a Escócia, meu senhor. – ela respondeu – Eu sou das Hébridas, embora more a maior parte do ano em Edimburgo. É um lugar frio e úmido na maior parte do tempo; mais frio e mais úmido que suas terras. Há campos vastos e altos montes, lagos e praias e a magia dos antigos que permeia tudo.
Ele a observou com curiosidade.
- Magia?
Mina sorriu.
- Minha família descende dos velhos druidas que os romanos praticamente dizimaram quando vieram para cá. – ela respondeu – Cresci ouvindo as lendas e mitos de meu povo, milorde, e me sinto particularmente orgulhosa dessas origens.
- Você está de história, então? – ele também sorriu – Eu gostaria de ter o prazer de conversar mais com a senhora, milady. Eu estudo história da Real Academia.
- Isso não será possível, milorde, infelizmente. – ela respondeu – Fiz minhas provas semana passada e voltarei para casa, o mais tardar, depois de amanhã. Mas, se algum dia for a Edimburgo, eu ficaria honrada em recebê-lo.
O rapaz anuiu em silêncio, enquanto a orquestra do baile tocava os últimos acordes da valsa. Ao término da dança, Mina soltou-se dele, curvando-se elegantemente em despedida.
- Foi um prazer, Vossa Graça.
- Igualmente, Lady Mina. – ele respondeu simplesmente.
Ela sorriu, aprumando-se e, com um último aceno de cabeça, deixou-o.
