Oi gente noite de sábado cap inédito para vcs *-*

Espero que gostem

Bora ler


Capítulo 1

Lady Adela, abadia de Godstow, franziu a testa ao observar a extensão da mesa onde todas as freiras estavam sentadas para a comida do meio-dia. A irmã Clarice, a irmã Eustice... e lady Isabella estavam faltando.

Não era estranho que a irmã Clarice se atrasasse.

A mulher estava atrasada para todas suas tarefas. Muito provavelmente ela se esqueceu de ir procurar o incenso para a missa que teria lugar após o almoço, e tinha ido buscá-lo, irmã Clarice sempre esquecia o incenso.

Mas a irmã Eustice e lady Isabella sempre eram pontuais, previsíveis como uma regra. Mas elas tampouco estiveram na refeição da manhã. Tampouco estiveram nas orações da madrugada e da manhã. Em Godstow, precisava de uma emergência para que uma freira não assistisse às orações, e esta não seria uma exceção. A irmã Eustice e lady Isabella tinham estado nos estábulos durante a noite e boa parte da manhã, ocupando-se de uma égua que estava por parir seu potro.

Mas certamente elas não estavam ainda ocupadas com isso! Ela se irritou, então olhou em direção à irmã Beatrice, que tropeçava com as palavras da passagem que estava lendo.

Adela arqueou uma sobrancelha interrogativamente. A irmã Margaret fez um movimento com suas mãos, imitando a ação de ordenhar uma úbere.

Adela piscou, logo se deu conta que ela sustentava a jarra com leite enquanto pensava nas mulheres desaparecidas. Passando a jarra à irmã Margaret, a abadessa fez um gesto para que as outras continuassem com sua comida, então levantou-se e se moveu para a porta. Ela mal tinha entrado no corredor quando viu a irmã Clarice que se apressava pelo corredor com um ligeiro rubor culposo em seu rosto.

Como não podia falar durante a refeição, Lady Adela uma vez mais arqueou uma sobrancelha, exigindo uma explicação da mulher atrasada.

Suspirando, Clarice levantou sua mão e inseriu um dedo em sua fossa nasal, em um gesto para avisar que esqueceu o incenso para a missa - tal como Adela suspeitava.

Sacudindo a cabeça, a abadessa fez um gesto para que Clarice fosse à comida; em seguida partiu para os estábulos.

O lugar estava em silêncio salvo pelo sussurro suave de feno quando vários animais se moveram e olhavam curiosamente para ela quando entrou. Levantando a bainha de sua saia para evitar arrastá-la e sujá-la em algo desagradável, ela avançou até alcançar o último compartimento. Lá, a irmã Eustice e lady Isabella estavam ajoelhadas diante de uma égua ofegante. A abadessa ficou parada por um momento, observando afetuosamente as costas curvadas enquanto as mulheres trabalhavam com o animal; então sua boca se curvou com desânimo quando Eustice se moveu e ela pôde ver exatamente como lady Isabella estava trabalhando.

- Em nome de Deus, que estão fazendo?

Isabella ficou rígida ante essa exclamação de horror vinda detrás, sua cabeça girando brevemente para ver a abadessa boquiaberta observando-a com desânimo. Então Isabella girou rapidamente para acalmar à égua quando o animal relinchou, Eustice conduziu à horrorizada Adela a uns passos de distância, murmurando uma série de explicações à medida que elas se moviam.

- A égua está tendo problemas. Esteve em trabalho de parto por horas antes que nos déssemos conta que o potro está virado. Lady Isabella está tentando ajudá-la.

- Ela tem suas mãos... dentro da égua! - Adela comentou com horror.

- Ela está tentando girar o potro - Eustice explicou rapidamente.

- Mas...

- Não é hora da refeição do meio-dia? - Isabella sussurrou com exasperação, tirando a mão que segurava as patas do potro e bateu levemente a anca da égua. O animal estava ficando nervoso pelo tom da voz da abadessa.

- Isto é uma emergência. Deus perdoará que tenhamos quebrado o silêncio durante a comida.

- É uma emergência - Adela prontamente respondeu.

- Sim, esperaremos que nossa égua consiga agora - Isabella murmurou, movendo-se rapidamente quando o cavalo começou a chutar em uma tentativa desesperada para ficar de pé.

A irmã Eustice moveu imediatamente, indo segurar a cabeça da égua. Murmurando palavras tranqüilizadoras ao animal assustado.

A preocupação quase a superou, mas Adela conseguiu conter-se enquanto Isabella se deixava cair outra vez de joelhos perto das ancas da égua. A diferença da irmã Eustice, que estava vestida com o hábito branco, a moça estava vestida com as enormes calças e o casaco do rapaz do estábulo. Era costume que a garota usasse essa roupa quando trabalhava nos estábulos. Isabella se sentia muito mais cômoda que com um vestido, e Adela, apesar do que lhe ditava seu sentido comum, fazia pouco para dissuadi-la de usar essa roupa escandalosa. Sempre tinha gostado da moça, e não havia nenhuma autoridade nesse lugar para desaprovar esse costume. Mas já tinha explicado que deveria descartar as roupas de rapaz para sempre, - junto com muitas outras coisas - uma vez que ela tomasse o véu e se tornasse freira.

Esses pensamentos abandonaram a Adela, e teve um estremecimento quando Isabella uma vez mais colocou suas mãos na égua, chegando a tomar o potro para tentar ajudá-lo a chegar a este mundo.

- Graças a Deus que seu pai, o rei, não está aqui para ver isto - Adela murmurou, recordando de manter sua voz tranqüila. Não desejava assustar ao cavalo novamente.

- Ver o quê?

As três mulheres ficaram rígidas diante dessa voz profunda. Os olhos de Eustice se arregalaram de horror quando ela olhou além da abadessa, em direção à entrada dos estábulos. Sua expressão foi suficiente para dizer a Adela que tinha reconhecido corretamente a voz. O lorde, parecia, não estava particularmente cortês esse dia. O rei tinha chegado para ver no que sua filha se converteu sob sua tutela.

Endireitando seus ombros, Adela girou com resignação em direção a Charlie, notando os homens que estavam com ele enquanto forçava um sorriso de boas vindas.

- Rei Charlie. Bem vindo.

O monarca sacudiu a cabeça saudando a abadessa, mas sua atenção estava centrada em sua filha. Ela o olhou por cima de seu ombro, um sorriso radiante substituindo a ansiedade de seu rosto.

- Papai!

Charlie começou a sorrir, mas se deteve quando viu a imagem dela.

- Que diabos está fazendo nos estábulos, moça? E vestida como um m-menino. - Ele olhou ferozmente Adela. - Não te pago o suficiente para que contrate um rapaz para os estábulos? Falta-me o respeito colocando minha filha para trabalhar com os animais?

- Oh, papai. – Isabella riu, despreocupada por seu mau humor aparente. - Sabe que é minha escolha. Todos devemos trabalhar em algo e eu prefiro os estábulos a esfregar os pisos do convento. - A última parte de sua declaração foi distraída por um murmúrio. Ela voltou para o que estava fazendo. A curiosidade de Charlie foi despertada.

- O que está fazendo?

Isabella levantou a vista, havia ansiedade em seu rosto.

- Esta égua esteve em trabalho de parto por mais de um dia. Está perdendo suas forças. Temo que vá morrer se não a ajudarmos, mas não posso girar o potro.

Suas sobrancelhas se arquearam, Charlie observou para onde sua mão tinha desaparecido. O horror invadiu seu rosto.

- Por que... o que...

Suspirando, Isabella com calma explicou.

- O potro está virado. Estou tentando girá-lo, mas não posso achar sua cabeça.

As sobrancelhas de Charlie se arquearam com isso.

- Não vais machucar a égua colocando o braço dentro dela desse modo?

- Não sei - ela disse pragmaticamente, colocando o braço mais dentro no animal. - Mas ambos, a égua e o potro certamente vão morrer se não fazermos algo.

- Embora... - Franzindo o cenho, Charlie disse - Deixa isso para... né... - ele olhou em direção à freira que agora retrocedia para Isabella e o cavalo.

- A irmã Eustice - Lady Adela completou.

- Sim. A irmã Eustice. Deixa que a irmã se ocupe disso, filha. Não tenho muito tempo para estar aqui e...

- Oh, não poderia fazer isso, Papai. Arruinaria as mangas do hábito da irmã Eustice. Isto não levará muito tempo, estou segura que...

- Eu dou a mínima para as mangas de sua irmã - Charlie replicou, avançando para arrastar sua filha se fosse necessário, mas o olhar de rogo de sua filha o fez deter-se. Ela era muito parecida com sua mãe. Charlie achava impossível recusar à mãe algo.

Por que devia ser diferente com sua filha?

Suspirando, ele tirou a capa e a deu a Eustice, em seguida, tirou o casaco e o deu também.

- Quem te ensinou isto? - ele perguntou grunhindo, curvando-se para ajoelhar-se a seu lado na palha.

- Ninguém - ela admitiu, lançando-lhe um sorriso que ganhou seu coração. Isso imediatamente fez que ele deixasse de lado sua impaciência e sua raiva. - Me ocorreu quando vi o problema. De outro modo ela morrerá.

Sacudindo a cabeça, ele se moveu para perto dela como pôde para colocar suas mãos dentro da égua para ajudar.

- Não pode achar a cabeça?

Isabella assentiu.

- Tenho as patas traseiras, mas não posso...

- Aqui! A tenho. Está entupida com algo. - ele fez uma pausa. - Aqui vamos.

Isabella sentiu que as pernas deslizavam de suas mãos e se afastavam. Tirou suas mãos da égua quando seu pai girou o animal dentro do ventre da mãe até que sua cabeça esteve no ângulo correto.

- A égua está muito fraca. Terá que... - enquanto essas palavras saíam de sua boca, ela arrastou a cabeça e as patas dianteiras do potro. Segundos mais tarde o potro estava sobre a palha.

- OH - Isabella ofegou, observando à criatura de patas magras que tentava parar-se na palha. - Não é adorável?

- Sim - Charlie concordou grunhindo; então ele clareou sua garganta, agarrou seu braço, e a ajudou a ficar de pé. - Vem. Há pouco tempo. Além disso, não é apropriado para uma moça de sua posição estar participando destas coisas.

- Oh, papai. - Rindo, Isabella se lançou em seus braços como fazia desde menina. Charlie rapidamente fechou seus braços ao redor dela e desistiu da reprimenda.

- Então ela é a filha do rei.

Edward moveu-se desconfortavelmente, seu olhar deixou à moça que o rei abraçava e foi para seu amigo.

- Ela é adorável.

- Bastante - Edward aceitou. - A menos que a memória me falte, ela parece ser uma cópia exata da bela Marie.

- Sua memória não falha. Ela é a imagem exata de sua mãe - Shrewsbury concordou. - À exceção do cabelo. Isso ela herdou de seu pai. Esperemos que ela não tenha herdado seu mau humor.

- Ela foi criada e educada corretamente, bispo. Com disciplina e bondade, e a desobediência não é uma característica dela - a abadessa anunciou firmemente, olhando severamente para Shrewsbury por sugerir que a moça poderia ter sido malcriada.

Então, parecendo recuperar-se, ela forçou um sorriso e em um tom muito mais piedoso murmurou.

- É muito gratificante saber que sua Majestade tenha recebido minha mensagem. Quando nos inteiramos que ele estava na Normandia, tememos que ele não pudesse receber as notícias a tempo de voltar para completar a cerimônia.

Edward trocou um olhar com Robert, em seguida, perguntou cuidadosamente.

- Que cerimônia?

- Que cerimônia? - Adela repetiu com assombro. - Lady Isabella Marie vai tomar o véu amanhã.

Houve silêncio por um momento após o anúncio, em seguida, Robert murmurou:

- O rei vai ficar um pouco surpreso com isso.

- O que! - o rugido do Charlie atraiu sua atenção.

- Acredito que ele acaba de inteirar-se - Edward murmurou, virando para olhar o rei Charlie. O rosto do rei mostrava uma carranca furiosa e estava tão avermelhado que parecia quase púrpura. Até seu cabelo parecia ter-se avermelhado, pois luzia mais vermelho do que cinza. ele caminhou furiosamente para eles, com as mãos e os dentes apertados.

Sua filha o seguia, com uma expressão surpresa e confusão no rosto.

- Pensei que sabia, papai. Eu pensei que você soubesse, papai. Pensei que você havia recebido minha mensagem e você veio para testemunhar... - Suas palavras cessaram abruptamente quando seu pai fez uma pausa e girou para ela com fúria.

- Isso não deve acontecer! Ouviu-me? - Repito-o, não vai ser uma freira. - Mas... Sua mãe, que Deus guarde sua alma insistiu nisso antes de morrer, e não pude fazer nada respeito a isso nesse momento. Mas posso e vou fazer algo agora. Sou seu pai, e não permitirei que arruíne sua vida se tornando freira.

Isabella pareceu brevemente sobressaltada diante dessas palavras; então vendo a dureza da expressão da abadessa pelo insulto implícito das palavras de seu pai, ela permitiu-se dar rédea solta a suas emoções.

- Não estarei arruinando minha vida! É perfeitamente aceitável converter-se na noiva de Deus! Eu...

- Deus te abençoará com filhos? - Charlie perguntou, interrompendo suas palavras.

Ela pareceu brevemente surpreendida por isso, logo se recuperou para replicar.

- Possivelmente. Ele abençoou à Virgem Maria com o Jesus.

- Jesus? - por um momento pareceu que o rei ia explodir, ou morreria de um colapso. Seu rosto estava púrpura de ira.

Foi o bispo quem interveio, chamando a atenção do rei com palavras gentis.

- Sua Majestade, é uma grande honra convertê-la noiva de Deus, se Isabella Marie verdadeiramente tiver uma vocação, não está certo forçá-la a...

- Silencio! - Charlie se dirigiu ao homem. - Não quero ouvir seu discurso religioso. Graças a você, quase não chegamos a tempo aqui. Se eu não tivesse ouvido falar da ruptura do compromisso de Edward e economizado um dia de viagem escolhendo-o a ele como noivo em vez de Rosshuen, teríamos chegado aqui muito tarde! - Girando para a abadessa, ele rugiu - por que não fui informado destes planos?

A abadessa piscou surpreendida.

- Nós... eu pensei que sabia, meu Lorde. Foi o desejo da mãe de Isabella, que ela seguisse seus passos e se tornasse freira. Ela disse isso em seu leito de morte. Como você não arrumou um compromisso, acreditei que aceitava essa decisão.

- Eu não aceito - respondeu ele, em seguida, acrescentou: - E eu fiz um acordo.

O que eu quis dizer foi porque não fui informado da cerimônia iminente?

- Bem... não sei, sua Majestade. Eu mandei avisar a um tempo atrás. A informação deveria ter chegado com bastante tempo de antecipação para que pudesse assistir. Esperávamos que pudesse assistir à cerimônia.

O rei se dirigiu a Shrewsbury novamente, com os olhos acusadores, mas o bispo ruborizou e murmurou:

- Estivemos viajando muito, meu Lorde. Le Mans, em seguida Chinon... Possivelmente a mensagem chegou depois que partimos. Ocupar-me-ei de checar isso no momento em que voltarmos.

Charlie o olhou brevemente, então se dirigiu a sua filha.

- Não tomará o véu. Casar-se-á. É minha única filha que não se rebelou contra mim. Quero ter netos de você.

- John nunca se rebelou contra você.

- Ele se uniu a meus inimigos.

- Isso é só um rumor - ela discutiu com desdém.

- E se for verdade?

A boca de Isabella se apertou ante essa possibilidade. Na verdade, nenhum homem em toda história tinha sofrido tantas traições, como seu pai. Todos os seus filhos legítimos, seus meio-irmãos se voltaram contra ele, sob a influência de sua mãe, a Rainha Renne.

- Você ainda tem William e Geoffrey - ela sussurrou, mencionando os outros dois filhos bastardos de Henry.

Sua expressão se fez solene ante isso, e ele estendeu os braços para apertar os ombros da filha.

- Mas eles não nasceram de minha bela Marie. O amor da minha vida. Eu sou um homem velho e egoísta, filha. Quero ver o fruto desse amor crescer e florescer e derramar sua semente nesta terra, não a quero afogado e morto aqui neste convento. Quero vê-la casada.

Isabella suspirou, seus ombros se afundaram em derrota.

- Então o farei. Quem é meu prometido?

Edward ficou rígido quando o rei de repente virou para ele.

- Cullen. - O rei fez um gesto para que ele avançasse, e Edward inconscientemente endireitou seus ombros. - Minha filha, Isabella Marie. Filha, seu marido, Edward de Cullen.

- Como vai, milorde? - ela murmurou educadamente, estendendo sua mão. Então, fazendo uma careta de desculpas quando notou que sua mão não estava limpa, mas sim manchada com substâncias de seu trabalho recente dentro da égua.

Isabella retraiu sua mão e fez uma reverência rápida.

- Lamento minha roupa, mas não estávamos esperando visitas hoje.

Antes que Edward pudesse murmurar uma resposta cortês, o rei anunciou.

- Deveria se trocar.

Sua cabeça girou.

- Me trocar?

- Sim. Não desejará se casar com essa roupa.

- O casamento vai acontecer agora? - Desânimo era a única palavra para descrever sua reação, e Edward realmente podia entendê-la. Tudo isso também era um pouco decepcionante para ele.

- Assim que você se mudar, devo voltar para Chinon.

- Mas...

- Ocupe-se para que se vista corretamente - o rei ordenou à irmã Eustice, então tomou o braço da abadessa Adela e a urgiu a sair do estábulo.

- Quero falar uma palavra com a abadessa.

Isabella ficou boquiaberta olhando-os, então olhou para Eustice com um sobressalto quando a irmã tocou seu braço e fez que a seguisse.

- Vou me casar?

- Sim. - Eustice olhou com preocupação à moça enquanto ambas saíam dos estábulos. Isabella estava muito pálida.

- Eu pensei que ia ser uma freira como você.

- Tudo ficará bem - Eustice murmurou tranqüilizando-a, dirigindo-se às portas do convento e tomando o corredor da esquerda. O Rei Charlie e a abadessa Adela já estavam fora da vista.

- Sim, Isabella aceitou.

- Tudo ficará bem. - Então seus ombros se afundaram, e ela sussurrou. - Mas eu ia ser freira.

- Parece que não estava verdadeiramente destinada a tomar o véu.

- OH, mas ia fazer, - Isabella assegurou. - Minha mãe desejava isso. Ela disse à abadessa. E meu pai nunca arrumou um compromisso. Eu nasci para ser uma freira.

- Não parece - Eustice a corrigiu brandamente.

- Mas se Deus quer que eu tome o véu? E se ele se zangar porque não me torno uma freira?

- É muito provável que Deus tenha seus próprios planos para você, Isabella. De outro modo ele teria detido seu pai para que chegasse depois da cerimônia. Assim intervém Deus, não? - Franzindo o cenho, Isabella sacudiu a cabeça para considerar essa idéia. A irmã Eustice continuou - Parece-me que deve ter sido Deus quem trouxe seu pai aqui a tempo para impedir a cerimônia.

- Sim - Isabella murmurou hesitante. - Mas por que Deus quer que eu me case quando eu poderia me tornar freira?

- Possivelmente ele tenha algo mais importante para que faça sendo uma esposa.

- Possivelmente - ela murmurou, mas era óbvio por seu tom que estava tendo dificuldade em avaliar essa possibilidade.

Suspirando para si mesma, Eustice a apressou a entrar em uma cela pequena que havia sido o quarto de Isabella desde sua infância.

Conduzindo à moça para dentro, Eustice a fez sentar-se na cama pequena e dura, em seguida virou para procurar na arca o vestido que Isabella ia usar na cerimônia do dia seguinte. Voltando-se com as mãos vazias, Eustice franziu o cenho.

- Onde está seu vestido branco?

Isabella levantou a vista distraidamente.

- Vestido branco? OH!, a irmã Margaret se ofereceu para pendurá-lo para tirar-lhe as rugas.

- Ah! - Sacudindo a cabeça, Eustice foi para a porta. - Me espere aqui. Voltarei imediatamente.

Isabella observou a porta fechar-se atrás de sua amiga e mentora, então afundou-se de volta na cama com um suspiro. Era difícil assimilar o que estava acontecendo.

Só essa manhã, sua vida havia sido previsível e rotineira, um caminho confortável e seguro.

Agora os eventos estavam fora de seu controle, mudando o curso de sua vida, e ela não estava segura que ia em uma direção que desejasse. Mas parecia que tinha pouca escolha. As decisões de seu pai eram determinantes.

Então teria que se casar, com um homem que ela nunca tinha conhecido antes, um homem que ela mal tinha visto brevemente uns minutos atrás quando seu pai o apresentou. Deveria ter olhado mais cuidadosamente por mais tempo, mas de repente havia sentido tímida. Era uma nova sensação para ela. Não teve muitas ocasiões para estar na presença de homens durante sua vida. Os únicos homens que tinha conhecido eram seu pai; seu criado e companheiro constante, o bispo Shrewsbury, e o padre Abemott, o sacerdote que oficiava a missa dos domingos na abadia. A reverenda madre dava missa no resto da semana.

Também tinha conhecido o moço do estábulo uns anos atrás. Mas ele não tinha durado muito tempo em seu posto. Uma semana, talvez; então ele a tinha encurralado no estábulo e pressionado os lábios contra os seus.

Muito surpreendida para reagir, no princípio Isabella só ficou quieta.

No momento em que recuperou da surpresa, a curiosidade e uma espécie de estremecimento de prazer lhe impediu de protestar. Para sua vergonha, ela não o deteve até que ele começou a cobrir seus seios com as mãos.

Isabella tinha considerado pará-lo, sabendo que tudo o que sentia tão maravilhoso que devia ser um pecado, tudo o que era divertimento parecia ser um pecado, de acordo com as irmãs. Mas Isabella nunca saberia se o teria detido, pois Eustice os encontrou acidentalmente. Num minuto ela estava envolta no abraço caloroso do moço, e ao seguinte ele estava sendo arrastado pelas orelhas para fora do estábulo. Eustice então falou que Isabella nunca devia deixar que um homem a beijasse e a tocasse novamente. Isso era mau. Os lábios eram para falar, e os seios para ordenhar.

A abadessa tinha despachado o moço do estábulo no mesmo dia.

- Ela não parecia contente com a notícia de seu casamento - Robert murmurou.

Movendo-se no banco onde as freiras tinham acomodado os homens para comer enquanto eles esperavam, Edward tirou seu olhar da comida que não podia digerir, apesar de parecer deliciosa, e observou seu amigo.

- Não - ele concordou com desânimo.

- Bem, possivelmente só seja a surpresa. - Edward grunhiu.

- Ela é muito bonita.

Edward grunhiu novamente. Ele parecia estar longe de sentir-se alegre por isso, e Robert suspirou.

- Certamente não teme que ela possa ser infiel? Esta moça foi criada em um convento, homem. Ela não pode ter aprendido a mentir e a enganar do modo que faz uma mulher criada na corte.

Edwrad se manteve calado por um momento, logo murmurou:

- Lembra-se da minha prima, Clothilde?

- Clothilde? - ele pensou, então riu. - Oh, sim. A moça cuja mãe não permitia comer doces para que não perdesse todos os dentes antes de se casar.

Edward fez uma careta.

- Nem um só doce passou por seus lábios antes do dia de seu casamento, mas ela comeu uma grande bandeja de doces em seu banquete de casamento.

- Sim. - Robert riu novamente enquanto recordava do fato. - Ela comeu uma bandeja de doces.

- E ainda segue gostando dos doces. Talvez muito e porque foi privada de doce por muito tempo. Em dois anos de casamento, ela ganhou seis vezes seu peso original. E perdeu três dentes.

Robert estremeceu.

- Não me diga que teme que sua esposa engorde e perca seus dentes?

Edwrad fez uma careta, em seguida suspirou.

- O que falta em um convento?

- Bem, eu entendo que elas podem ser um pouco rígidas, mas eu tenho certeza que ocasionalmente comem alguns doces ou...

- Se esqueça dos malditos doces! - Edward explodiu. - Homens. São homens o que faltam nos conventos.

- Sim, bem, mas justamente essa é a razão de sua existência e... OH! - Robert sacudiu a cabeça. - acho que entendo. Teme que por ter sido privada da companhia de homens todos estes anos, sua esposa se afeiçoe a sua companhia.

Edward murmurou entre dentes. Não podia entender. Seu amigo sempre havia sido tão obtuso?

- Edward, amigo. Não permita que o comportamento de Irina confunda sua visão das coisas. Ela foi criada por seu tio, Lorde Stratham, o mais notório mulherengo da Terra.

- Sim, mas...

- E ela não pode conter suas paixões. Entendo que não possa estar tranquilo, mas não pode ser algo tão mau como Irina. Se tem medo que ela se interesse por outros homens, simplesmente você só tem que mantê-la longe da corte. A mantenha no campo, onde os únicos homens que ela possa conhecer sejam camponeses e criados. Certamente ela foi educada para não se misturar com eles. - Ele bateu nas costas do amigo.

- OH, sim. O rei muito provavelmente ficará muito feliz em não ver sua filha nunca mais - Edward murmurou. Robert franziu o cenho.

- OH, é obvio. Ele provavelmente desejará vê-la na corte ocasionalmente.

- Muito provavelmente – Edward concordou secamente.

- Ele parece sentir muito carinho por ela. - O cenho franzido de Robert se aprofundou quando pensou nisso. - Isso poderia ser um problema, certo? Jesus! Você Terá um rei como sogro - ele se deu conta do completo significado disso. Se não a fizer feliz, ele poderia mandar te esquartejar. Que situação tão difícil!

- Robert.

- Sim?

- Para de tentar me fazer sentir melhor.

A preocupação de Isabella cessou abruptamente com a abertura da porta. Suspirando, ela se sentou enquanto a irmã Eustice entrava com o vestido cuidadosamente pendurado em seu braço.

- As rugas desapareceram - a freira informou e começou a fechar a porta da cela, mas fez uma pausa quando a voz da abadessa soou no corredor. Quando Adela chegou à porta, tanto Eustice e Isabella estavam esperando curiosas. Adela correu para Isabella.

- Oh, minha querida menina - ela murmurou ternamente, sentou-se na cama ao lado da moça. E a abraçou. - Tudo vai ficar bem. Você verá. Deus tem um caminho especial para que siga e deve confiar nele.

- Sim, foi isso que a irmã Eustice me disse - Isabella sussurrou com lágrimas nos olhos. Estranhamente, as lágrimas não a tinham ameaçado até a abadessa oferecer-lhe conforto. Sempre havia sido desse modo. Enquanto ambas, Eustice e a abadessa tinham ocupado o lugar de sua mãe, era à abadessa a quem Isabella recorria para colocar-lhe um curativo em um joelho arranhado e para aliviar sua dor. E nunca falhava: Isabella podia manter-se tranqüila e sorridente com a ferida no joelho até que a abadessa aparecia; diante da primeira imagem do rosto de Adela, ela sempre se rompia e chorava.

- Oh, vamos, minha menina. Não chore. Deve ter fé em Deus. Ele escolheu este caminho para você. Certamente existe uma razão.

- Não estou chorando com medo do que virá... - ela se corrigiu - basicamente, não. Estou chorando pelo que se acaba.

Confusa, a abadessa sacudiu a cabeça ligeiramente.

- O que está acabando?

- Eu terei que deixar todas vocês, a única família que conheci, além de meu pai - ela adicionou.

Eustice e Adela compartilharam um olhar abatido, seus próprios olhos enchendo-se de lágrimas com essa realidade. Elas estavam muito alvoroçadas para considerar essa verdade.

- Bem... - a irmã Eustice olhou desesperadamente a seu redor, olhando a qualquer lugar menos para a jovem que havia sido sua assistente nos estábulos desde que era uma menina, a pequena Isabella que havia agarrado em suas saias no momento em que ela foi capaz de permanecer de pé e aprendido a andar. A freira tinha ensinado tudo o que sabia a ela, o rosto de Eustice se carregou de dor pela separação.

- Sim - Adela murmurou com tristeza, seu próprio olhar choroso fixo no chão. Ela havia se encarregado de Isabella desde o seu nascimento. Os cachos de cabelos castanho-claro avermelhados e o sorriso doce do bebê haviam derretido seu coração como nunca nada tinha feito. Contradizendo os costumes, ela tinha fiscalizado as lições da menina pessoalmente. Ela tinha passado hora após hora expandindo a mente da criança, estimulando-a com paciência, e restringindo a volatilidade que sempre pareceu acompanhar os ruivos. A recompensa do seu esforço foi grande, Isabella Marie era tudo que ela teria desejado em uma filha. Com um gesto de dor, a abadessa ficou de pé.

- Todo pássaro tem que deixar o ninho um dia - ela disse com praticidade. Moveu-se para a porta, só para fazer uma pausa e olhar para trás em dúvida. - Nunca pensei que algum dia você nos deixaria, Isabella. Não estava preparada.

- Adela suspirou. - Acreditei que você nunca necessitaria desse conhecimento, omiti ensinar-lhe coisas sobre o casamento e o leito conjugal.

- O leito conjugal? - Isabella franziu o cenho com preocupação enquanto notava um súbito rubor de pudor nas faces da mulher.

A abadessa a olhou fixamente, perdida por um momento, então girou abruptamente afastando-se.

- A irmã Eustice vai te explica - ela disse abruptamente. Ela começava a escapar do quarto, então fez uma pausa para acrescentar - Mas faça rapidamente, irmã. O rei está muito impaciente para terminar com tudo isto.

A porta se fechou, deixando Eustice olhando-a em estado de estupefação.


Deixem sua opinião ela é super importante *-* nos vemos no próximo sábado ou em minha outra fic que postarei em seguida...

Bjs