Capítulo II – A Separação
"O que foi isso?!", gritou Ly Wu entrando na sala do patrão assim que ouviu o estrondoso barulho que veio de dentro.
Li estava parado olhando pela janela o céu escurecido de Hong-Kong.
"Meu Deus, o que aconteceu aqui?", insistiu Ly Wu olhando tudo espalhado pelo chão do escritório..
"Por favor, senhora Wu chame alguém para arrumar isso", pediu Li educadamente.
O rapaz caminhou em direção à porta, mas se conteve no caminho olhando para o chão. Olhou para o porta-retrato quebrado com sua foto de casamento. Abaixou-se e o pegou com carinho. Tirou a foto de dentro dele e a observou com os olhos marejados, aos poucos sua fisionomia se acalmou, mostrando um leve sorriso.
"Ela estava linda no nosso casamento", disse para si mesmo se esquecendo que Ly Wu estava na sala juntando as coisas no chão.
"A senhora Li é uma mulher muito bonita e boa."
O rapaz desviou os olhos para a sua secretária. "Sim, não existe mulher igual a Sakura".
"Ela saiu chorando da sua sala".
"Eu sei", respondeu enquanto guardava a foto no bolso interno do terno. "Tenho reunião às duas da tarde com os representantes americanos. Por favor, assim que cuidar deste problema ligue para a senhorita Ykegame e peça para que ela me traga com urgência o novo acordo. Não vou assinar aquele que me mandaram, se eles pensam que os chineses são tolos estão muito enganados."
"Sim, senhor Li".
O rapaz saiu pela porta afora com a cabeça fervendo. Como Meilyn pôde fazer tamanho estrago na sua vida? Nunca a perdoaria, se por esta besteira, a prima fizesse com que perdesse a esposa. Ele amava Sakura, amava-a como nenhuma outra mulher, só ela era a dona de seus sonhos e planos para o futuro. Era verdade que teve outras, muitas até, mas eram apenas diversões, tudo não passava de aventuras, nem amorosas seria a classificação correta.
*~*~*
Li chegou cedo aquele dia, depois da reunião com os americanos, correu para casa para conversar com Sakura e tentar salvar o casamento. Ele encontrou Meilyn na sala conversando com uma das criadas e teve vontade de arrastar a prima pelos cabelos até a porta e a chutar para a rua.
"Chegou cedo hoje, Syaoran?"
"O que está fazendo ainda aqui, Meilyn? Deveria ter vergonha na cara e ir embora", rebateu o rapaz.
"Sabe muito bem que não tenho para onde ir".
"Aqui é que você não irá ficar".
"Não pode fazer isso comigo, Syaoran. Depois de tudo que eu te contei ontem, depois de tudo que eu fiz por nós hoje".
"Aqui você não vai ficar, Meilyn. Arrume suas coisas e saia da minha casa".
"Você não entende que eu te amo", disse a moça chorando.
"Se eu perder Sakura por causa das tuas mentiras Meilyn, eu juro que eu vou te odiar para o resto da minha vida".
Meilyn viu Li se afastar dela subindo em direção ao seu quarto. "Não pode fazer isso comigo. Syaoran".
Li não respondeu, subiu as escadas pulando de dois em dois degraus e cruzou o corredor rápido com medo da prima ir atrás dele. Abriu a porta do quarto e entrou.
"O que significa isso?" Perguntou olhando para as malas no chão.
"Eu estou indo embora".
Li perdeu a fala, apenas fitava os olhos vermelhos e inchados de Sakura.
"Como assim vai embora?"
"Estou voltando para o Japão".
"Não pode fazer isso. Eu sou seu marido, não pode simplesmente arrumar as coisas e dizer que vai embora da sua casa".
"Esta não é a minha casa, é a mansão Li".
"Enlouqueceu, Sakura?"
"Não, estou voltando para a minha casa".
O rapaz caminhava nervoso pelo quarto, Sakura observava-o, ela via que ele sofria e no fundo estava gostando de ver o desespero dele, ela queria atingi-lo assim como ele havia a atingido.
"Para que isso tudo, Sakura? Vamos conversar e resolver tudo".
"Não há nada a ser conversado, não há nada a ser resolvido aqui. Eu preciso pensar em mim, na minha vida".
"Como assim?" Perguntou encarando-a nos olhos.
"A vida inteira eu apenas amei você, você foi meu primeiro namorado, o primeiro rapaz que eu beijei, o homem com que me casei e me entreguei, eu só vivi para você..."
"O que está querendo dizer com isso?"
"Que eu fiz isso tudo porque pensei que você agia assim também, mas agora..."
"Está querendo me dizer que está arrependida de..."
"Nunca", interrompeu ela, "Nunca me arrependeria de ter me casado com você, mas eu também quero viver".
Li caminhou até o janelão e olhou para fora, ele batia de leve a mão fechada no parapeito de mármore. "Está querendo me dizer que quer viver novas experiência?"
Ela virou o rosto evitando olhar para ele. "Pode ser".
Li sentiu uma fisgada no peito. "Se for embora por esta porta saiba que não vou atrás de você e não vou aceitá-la de volta".
"Tem medo do que Syaoran? Que eu me deite com outro homem ou que coloque o bom nome da família Li em algum escândalo?" Perguntou encarando-o friamente.
"Está fazendo isso para me atingir, não é?"
"Não, estou fazendo isso por mim", respondeu pegando as malas do chão. "Estou levando apenas o que eu trouxe quando nos casamos mais nada".
"Está sendo teimosa e inconseqüente Sakura. Não pode jogar um casamento fora só por que a Meilyn inventou um monte de asneiras".
Sakura parou antes de atravessar a porta e virou-se para ele com lágrimas nos olhos.
"Preciso de um tempo para mim. Não posso viver mais com você e imaginar as mulheres que você teve".
Li atravessou o quarto e parou a frente dela. "Dê-me mais uma chance, Sakura".
"Eu não posso, não agora".
"Os anciões não vão aceitar a sua ida para o Japão. Será considerado abandono do lar".
Ela virou o rosto não o encarando. "Eu quero que os anciões da sua família se danem".
"Sakura!", falou assustado com a declaração da sua esposa.
"Eles nunca foram a favor da nossa união. Será uma alegria para eles que o novo herdeiro do reino Li esteja livre e desimpedido".
"Está dando a chance para eles falarem..."
"Que eu não sou digna de ser sua esposa?", interrompeu, "Isso eles já deixaram claro há muito tempo".
"Pense melhor, se sair por esta porta será a nossa separação".
Ela olhou pela última vez para ele e virou-se caminhando pelo corredor. "Que seja assim".
Li viu a figura da sua adorada esposa se afastando dele, se afastando da sua vida. "Eu te amo, Sakura".
Sakura parou e se virou para trás procurando os olhos castanhos que sempre a fascinaram. "Eu também". Disse e voltou a caminhar decidida. Ela cruzou a sala sendo observada por Meilyn que fora pega de surpresa pela atitude da moça. Sakura sempre parecera tão frágil e incapaz de tomar qualquer atitude drástica. Yelan apareceu na porta da cozinha e olhou assustada para a esposa do filho com as malas na mão.
"Obrigada por tudo senhora Li", agradeceu educadamente.
Yelan deu uns passos na direção dela, "Está indo embora, Sakura?"
Sakura acenou que sim com a cabeça. "Estou voltando para o Japão".
"Mas minha filha... não pode abandonar tudo assim, porque não conversa com seu marido direito, tenho certeza que chegarão a uma solução".
"Não há o que conversar..."
"Sakura, por favor, os membros da família..."
"Deixe-a Mãe", falou Li do alto da escada, "Se é isso que ela quer, não posso impedir".
Yelan olhou para o filho, "Sabe muito bem que pode impedi-la, é a sua esposa, tem o direito de mantê-la ao seu lado".
Li olhou para Sakura que o observava assustada, talvez só agora a menina tivesse se dado conta que se casara sob o severo regime da família chinesa, talvez fosse verdade que Li pudesse obrigá-la a permanecer na casa.
"Ela já tomou a sua decisão".
"Mas Meu filho você sabe que está no seu direito..."
"Mãe, não insista", interrompeu-a novamente e depois fitou Sakura, "Se sair desta casa será para sempre, Sakura".
Sakura pela primeira vez tinha ficado indecisa. Quando chegou à mansão Li tinha certeza de que arrumaria as suas coisas e iria embora sem nem ao menos pestanejar, mas agora, olhando para Li, o homem que ela sempre amou e sabia que sempre amaria, sua vontade era largar as malas e ir ao encontro dele se jogando nos seus braços e sentindo seus lábios nos dela.
"Vai ficar aí parada até quando Sakura?" Perguntou Meilyn em tom de deboche.
Sakura olhou para a moça a encarando. "Adeus", foi o que disse antes de se virar e ir embora para sempre da mansão Li.
*~*~*
O senhor Fujitaka estava preparando um bolo animadamente na cozinha, Kero voava de um lado para o outro dando cambalhotas no ar tamanha era sua felicidade ao pensar que dali a pouco tempo estaria degustando de mais uma maravilha feita pelo professor universitário. Os dois ouvem a campainha tocar da casa.
"Quem será?"
"Talvez seja Touya que veio pegar alguma coisa".
"A esta hora? Melhor eu ficar aqui na cozinha".
"Sim é o melhor".
O velho senhor tirou o avental e cruzou a casa para atender a porta, quando a abriu teve a maior surpresa na vida.
"Sa... Sakura?"
A moça não disse nada, largou as malas no chão e abraçou o pai desabando em lágrimas. O senhor a abraçou tentando consolá-la. "Venha, vamos entrar". Ele a levou para dentro de casa e a fez se sentar no sofá, Sakura soluçava sem parar, tamanho era o seu desespero. Kero veio da cozinha estranhando o silêncio e se espantou com o estado de sua mestra. "O que aconteceu?" Foi o que conseguiu dizer, Fujitaka balançou a cabeça negativamente para o amiguinho indicando que aquela não era a melhor hora para Sakura contar o que realmente aconteceu para estar no Japão, na casa do seu pai de mala e cuia e chorando sem parar depois de pouco mais de um ano de casamento.
Sakura só foi se acalmar depois que bebeu um chá quentinho que seu pai fez. Aos poucos os soluços já não eram tão seguidos e a respiração começou a ficar mais calma e ordenada, os olhos já não tinham lágrimas para chorar. Cansada do desabafo, ela começava a dar sinais de que já estava se recuperando.
"Papai..." foi o que disse sem encarar o senhor.
"Sim, minha filha", respondeu o pai a fitando com carinho.
"Eu... eu...eu fui embora da mansão Li".
"Isso a gente já viu, Sakura", retrucou Kero impaciente. "O que aquele moleque fez para você? Ele te machucou? Eu vou dar uma surra nele!"
Sakura se encolheu e começou a chorar baixinho, um choro de dor e sofrimento. O velho senhor nunca pensou que veria sua alegre filha chorando daquela maneira. Ele sentou ao lado dela e encostou a cabeça da menina contra o peito, mexendo carinhosamente nos cabelos castanho claros que lembravam em muitos os seus antes de se tornarem brancos. Kero viu a besteira que fez e se conteve em ficar em silêncio até que Sakura estivesse pronta para falar o que aconteceu.
Sakura contou ao pai tudo que aconteceu na China, não falou sobre o seu sentimento de solidão na mansão e tentou amenizar ao máximo as coisas. Ela resolveu não contar nada a Kero, pois o amiguinho era muito estourado e poderia fazer uma besteira, além disso ele poderia falar para Touya e Sakura não queria por nada que o irmão soubesse de tudo. Fujitaka era um homem sábio saberia o que contar para o filho turrão sobre o final do casamento da filha.
*~*~*
O tempo começou a correr normalmente. Como Li havia alertado, ele não a procurou mais. Já havia se passado mais de dois meses que a moça não recebia notícias do marido ou de qualquer membro da família. Às vezes ela não agüentava e ia para a Internet procurar nos sites dos jornais chineses alguma coisa sobre a família Li, ela leu a manchete sobre a sua separação e seu coração doeu ao ler uma frase onde o jornalista falava sobre a possível união agora do clã Li com o também tradicional clã Wong, ela sabia muito bem o que significava aquela frase, significava que os anciões do clã do seu marido já estavam procurando uma nova esposa para ele.
Tomoyo assim que soube da separação da amiga voltou correndo para o Japão, deixando seu noivo na Europa. Eriol também ficou muito preocupado com a amiga, mas não poderia deixar a faculdade de uma hora para outra. Assim que pudesse voltaria para o Japão.
Sakura se sentia em casa novamente, retomou os estudos reabrindo sua matrícula na faculdade de Educação Física na Universidade de Tomoeda. Tinha que seguir sua vida, mesmo que ela nunca mais fosse como antes, precisava ocupar a mente evitando assim que pensasse em Li. À noite ela sempre chorava de saudades do marido, sentia falta de estar nos braços dele, sentir o seu cheiro, os seus lábios. Ela olhou para a aliança ainda na mão. Aquilo não era apenas um anel caro, era o símbolo de sua união com o dono do seu coração. Nunca tivera coragem de tirá-la, era como se já fizesse parte de seu corpo.
"Saca logo, Li!!!" gritou uma das jogadoras do time de vôlei.
Sakura levou um susto com o aviso da amiga, estava tão distraída pensando em Syaoran e observando a aliança na mão que se esqueceu que era sua vez de sacar a bola para recomeçar o jogo. Ela quicou duas vezes a bola no chão para voltar a se concentrar e sacou. A bola atravessou a rede quase raspando nela e bateu com tudo no chão da quadra do adversário. Ponto!
Sakura já fazia parte da maioria dos times femininos da faculdade, mas se destacava mais no vôlei tornando inclusive uma das jogadoras oficiais da Universidade de Tomoeda. Era uma ótima aluna e também muito assediada pelos colegas de classe. Vários rapazes já tinham convidado-a para sair para as festas da faculdade, mas ela sempre recusou polidamente e deixava claro que era casada. Ela não sabia até quando, mas enquanto não assinasse nenhum papel que definitivamente a separasse de Syaoran, ela ainda era a senhora Li.
*~*~*
Sakura não se sentia bem ultimamente, tinha enjôos freqüentes e sempre quando fazia alguma atividade mais pesada na faculdade, sentia fraqueza. Touya estava cada vez mais preocupado com a irmã. Sakura não era mais a garota feliz de antes e o rapaz achava que a culpa de tudo era de Syaoran. Uma vez os dois discutiram feio sobre isso, se não fosse Fujitaka a interferir, talvez a discussão tivesse chegado ao seu extremo. Sakura sabia que Syaoran agira mal com ela antes do casamento, depois dele, ela nunca teve a real comprovação de que ele havia a traído, apenas o testemunho de Meilyn que poderia muito bem estar mentindo. O que realmente afastara Sakura, fora justamente isso, não conseguia mais confiar no marido e a enorme mágoa que sentia dele, além é claro do ciúme, bem ou mal os dois já estavam namorando.
Tomoyo foi quem convenceu a amiga a procurar um médico para saber o que realmente estava acontecendo com ela para ter estes sintomas. Na verdade a esperta Tomoyo já tinha idéia do que era, mas achou melhor a amiga consultar um médico.
"Senhora Li?" Perguntou o médico olhando para a ficha da sua paciente.
"Sim. Bem, na verdade é Kinomoto, eu devo me separar daqui a algum tempo", respondeu Sakura.
O médico olhou para a bela moça na sua frente e sorriu sem graça. "Aconselho a senhora a repensar sobre sua separação."
Sakura franziu a testa, olhando com desconfiança para o senhor "Por que isso?"
"A senhora está grávida. Está com mais ou menos 9 semanas de gestação".
"Mas como?" Perguntou assustada, "Não pode ser, eu e Syaoran sempre nos prevenimos..."
"A senhora tomava pílula?", perguntou o médico.
"Não, mas Syaoran... droga!", ela olhou para o médico que a encarava, "Nós esquecemos uma vez, mas foi só uma..."
O médico riu. Sakura teve vontade de dar um soco na cara dele, onde já se viu, rir numa situação igual a esta. Grávida do ex-marido!
"Senhora, só é preciso que aconteça uma vez para tenha a possibilidade de ficar grávida".
"Não tem como mudar isso, Sakura. O melhor que tem a fazer é contar para o Syaoran", ponderou Tomoyo que estava ao lado da amiga.
"Eu não sei... não sei o que fazer agora".
"Siga o conselho de sua amiga, senhora. Bem ou mal o seu ex-marido é agora o pai do seu filho", completou o doutor.
Tomoyo se levantou e puxou Sakura pelo braço para se levantar também, provavelmente o médico tinha outras pacientes para atender e a jovem estava ainda em estado de choque com a notícia. As duas saíram do hospital e foram para a casa da jovem mãe. Lá encontraram Fujitaka, Yukito, Touya e Kero esperando por elas. Touya nem ao menos conseguiu esperar que as duas tirassem os sapatos e colocassem os chinelos.
"E aí? O que você tem Sakura? É grave? É o quê?"
"Calma Touya".
"Cala a boca Yuki. Anda Sakura, fala!"
Sakura caminhou até eles, ela não sabia como começar, na verdade ela não sabia como contar para a sua família que estava grávida de Syaoran. Tomoyo parou ao lado da amiga e segurou sua mão tentando lhe dar apoio.
"Diga a eles Sakura, não tem como fugir".
"Fugir do quê? O que você tem, Sakura?", gritou Kero impaciente.
Fujitaka caminhou até a filha e parou a sua frente olhando bem nos olhos de esmeraldas iguais aos de Nadeshico. "O que foi meu bem? Somos sua família, estaremos sempre ao seu lado".
Sakura sentiu lágrimas nos olhos, olhou em volta e viu todos que tanto amava, mas ela queria que mais uma pessoa estivesse entre eles, a pessoa que compartilharia com ela aquela notícia. "Eu estou grávida. Estou esperando um filho do Syaoran".
"O quêêêê??!!", exclamaram Touya e Kero juntos.
"É isso. Eu estou grávida!", repetiu Sakura.
"Mas como?!", perguntou Touya.
"Oras Touya, sua irmã é uma mulher casada".
"Mas ela está separada, pai. Não era para ela estar grávida!"
"Isso mesmo, ela não pode estar grávida do moleque".
"E de quem mais eu poderia estar esperando um filho, Kero?"
"Gente, vamos parar com isso. A Sakura precisa descansar e ficar ouvindo vocês gritando não vai ajudar muito".
"Mas Tomoyo...'".
"Nada disso, Kero" interrompeu e passou o braço pelo ombro da amiga, "Vamos Sakura você precisa descansar para depois ligar para o Li".
"Nada disso, você não vai falar nada para ele!"
"Touya, raciocine!"
"Não Yuki! Quem tem que raciocinar é ela, se o moleque descobrir que ela está grávida virá correndo para cá".
"Será melhor assim. Quem sabe a sua irmã não se entende com o marido dela, filho".
Sakura ouvia tudo em silêncio, realmente talvez com esta criança, ela pudesse se reconciliar com o marido. Ela sentia tanta falta dele que começava a se arrepender da atitude que tomara saindo da mansão. Abandono de lar era considerado inadmissível na tradição da família, Sakura sabia disso e Li a avisou, mas a moça se sentira tão ferida, que só teve vontade de voltar para o aconchego da casa do pai.
"Ou tentar tirar o filho dela", sentenciou Touya.
"Não! Isso não, Syaoran nunca faria isso comigo!", desesperou-se Sakura.
Touya encarou a irmã sério, mais sério do que de costume. "Mas e a família dele, Sakura? Odeio admitir isso, mas eles não são pouca coisa".
Sakura deu uns passos para trás. Touya tinha razão, a família Li era poderosa o suficiente para conseguirem lhe tirar o filho. Quem era ela perto de séculos de tradição e poder? Ela não teria dinheiro nem para pagar um advogado decente.
"Não se preocupe com isso, Sakura. Eu posso te ajudar", disse Tomoyo tentando reconfortar a amiga.
Ela fitou o rosto sereno de Tomoyo e tentou sorrir em agradecimento, mas os pensamentos negros invadiam a mente da moça. Fujitaka foi contra esconder de Li, apesar de tudo ele gostava do jovem e não conseguia acreditar que ele seria capaz de tirar a criança de Sakura, na verdade ele acreditava que aquela seria a solução que Deus mandara para que os dois se acertassem.
*~*~*
Sakura não contou nada, inúmeras vezes ela chegou a pegar o telefone e discar o número da mansão Li, mas nunca tinha coragem de pedir para chamar Syaoran. Já havia se passado um mês desde que descobrira que estava grávida. A barriga já começava a crescer e Tomoyo chegava cada dia com uma roupa nova para ela. A amiga estava aproveitando a confusão toda como desculpa para tirar umas férias da carreira de cantora lírica, os seus produtores estavam loucos atrás dela e por fim aceitaram esta parada na turnê pela Europa e aproveitaram para começar os preparativos e escolher o repertório para o segundo CD, assim Tomoyo poderia ficar no Japão até o nascimento do seu afilhado. Isto mesmo, ela já se considerava a madrinha da criança, nem ao mesmo deixou que a amiga a convidasse para isso.
Apesar dos protestos de Touya, Sakura não trancou a faculdade, claro que teve que trancar algumas matérias que precisassem de esforço físico, mas as teóricas, não. Assim poderia estudar mais para elas, já tinha parado uma vez e não queria fazer isso de novo.
Um dia ela estava preparando o jantar quando de repente ela sentiu a presença mágica de Syaoran. "Não pode ser, eu acho que estou delirando", pensou a menina achando que já estava ficando maluca de saudades do marido.
"O que foi, Sakura? Esqueceu-se de algum ingrediente?", perguntou Kero que estava pousado no seu ombro.
"Não é nada não".
A campainha da casa tocou fazendo Sakura quase derramar toda a sopa com o susto. Seu coração começou a bater descontroladamente.
"Não pode ser", falava para si mesma. "Kero vai lá para cima e não desce".
"Mas o que foi Sakura, você está nervosa".
"Faça o que eu estou mandando".
Kero voou até a porta da cozinha e deu uma última olhada para sua mestra, ele a viu tirar o avental e afrouxar o vestido tentando esconder a barriga que começava a ficar discretamente saliente, mas pode perceber também que pela primeira vez Sakura se olhou pelo reflexo do vidro da janela e ajeitou o cabelo que estava um pouco despenteado. Ela se virou para ele. "Ainda não subiu!"
"É o moleque que está tocando a campainha, não é?"
"Sentiu a presença dele também?"
"Não foi preciso, você só ficava nervosa para se arrumar quando era para sair com ele. Eu estou lá em cima, mas se ouvir alguma coisa, eu desço voando e juro que acabo com a raça daquele moleque".
Sakura sorriu e acompanhou Kero voando até o primeiro andar da casa. A campainha tocou novamente e Sakura teve que se controlar para não sair correndo para abri-la. Respirou fundo umas duas vezes e verificou se o vestido estava largo o suficiente para esconder a barriga. Abriu a porta com o coração na mão e lá estava ele, lindo, vestido com um alinhadíssimo terno e de óculos escuros. Sakura teve que se controlar para não se jogar nos braços dele e o beijar. "Syaoran..." foi a única coisa que conseguiu dizer.
Ele sorriu para ela timidamente e tirou os óculos, olhando seriamente para a moça. Ela sentiu todos os pêlos do seu corpo se arrepiarem com o mesmo olhar penetrante que ele lançava sobre ela desde que se encontraram pela primeira vez na escola primária de Tomoeda.
"Com vai Sakura?"
"Bem..."
"Posso entrar? Não gostaria de tratar sobre o nosso divórcio na rua".
Sakura sentiu uma flechada no peito. "Sim, o divórcio... entre por favor", disse dando passagem para ele. Li tirou os sapatos e colocou uma das pantufas de visita. Sakura acompanhou-o fazer cada movimento apreciando cada gesto do seu marido... futuro ex-marido, pensou amargamente.
"Você veio para..."
"Formalizar a nossa separação", falou ele rispidamente.
"Claro... bem e o que eu faço?", perguntou ela inocente.
Li sorriu com aquela pergunta, realmente Sakura não tinha maldade alguma e era isso que ele mais apreciava nela, mulheres na sua condição já teriam lhe enchido o seu saco com acordos para tirar até o último iene da sua conta enquanto Sakura nem ao menos sabia o que fazer.
"Desculpa, é que você sabe que eu nunca fui boa nisso".
"Sugiro então que você converse com o seu irmão, ele com certeza poderá ajudá-la", disse estendendo um cartão, "Aqui está o nome da minha advogada, ela cuidará de tudo para mim".
Sakura pegou o cartão e leu o nome conhecido da Senhorita Ykegame, ela fez uma careta ao lembrar da moça que descaradamente dava mole para Li, o rapaz percebeu isso. "Ela veio com você, é?"
"Ela é a minha advogada".
"Eu já sei disso, posso ser burra, mas não sou surda".
Li sorriu novamente para ela achando graça. "Se veio rir de mim era melhor ter mandado a doutora Ykegame me procurar".
"Desculpe", tentou se controlar, "Você nunca foi com a cara dela mesmo".
"É verdade, mas pelo menos com ela eu poderia dar um soco no nariz caso ela me irritasse, estaria em pé de igualdade".
"Você não muda, não é?" Falou admirando a esposa.
Sakura franziu a testa e estreitou os olhos nele. "Mudar como?"
"Tirando que está... hã... como posso dizer?", hesitou Li.
"Tirando o quê, Syaoran?"
"Que está um pouquinho mais gordinha, você não mudou nada. Eu te disse que aquela mania de dormir até tarde acabaria te engordando".
Sakura começou a suar frio, então ele percebeu, na verdade só se ele fosse cego não perceberia que ela estava com uma barriguinha, ainda mais que para disfarçar a menina estava vestida com um vestido longo bem larguinho. Ela coçou a cabeça sem graça. "Sabe como é? Aqui em casa o papai faz doce toda hora", mentiu descaradamente.
"Tudo bem, não precisa se justificar".
"Não, mas eu quero, é que..."
"Calma, Sakura, eu só disse que estava um pouquinho, só um pouquinho, mais gordinha", disse Li estranhando aquele nervosismo dela.
Sakura percebeu que poderia se denunciar e resolveu deixar o assunto por encerrado. "Bem, se veio só para me entregar este papelzinho com o nome da doutora Ykegame que eu já conhecia, já me entregou".
"Bem, aí está o endereço dela no Japão", Justificou-se.
Ela olhou novamente o cartão e leu o endereço mentalmente. "É em Tókio! É sacanagem fazer eu me despencar até Tókio".
"Eu venho te buscar e te levo até lá quando precisar assinar ou discutir algo", ofereceu Li, "Isso se não tiver ninguém que possa levá-la".
Sakura o sentiu olhando para ela, como sempre fazia para analisar clinicamente as suas reações. "Tudo bem, mas eu acho que não vai ter nada de muito complicado. É só assinar um papel, não é?", perguntou.
"Na verdade vai ser sim um pouco mais complicado, por isso é bom pedir para seu irmão ir junto com você. Você nunca foi muito esperta para negócios e eu não quero que depois digam que eu agi de má fé com você".
"Eu não quero nada do que é seu, a gente nem casou com aquele negócio de associação de bens".
"É comunhão de bens.' Ele corrigiu sorrindo de leve. "Eu sei disso. Mas eu passei um bom número de ações da nossa firma para o seu nome".
"Como?", espantou-se Sakura.
"Sabe como é minha família, tive medo que se um dia eu faltasse a você, eles te tirariam o que é seu de direito como minha esposa e te deixasse desamparada, passando as ações para o seu nome não tem como fazerem isso".
Sakura ficou um tempo olhando para o marido pensando em como ele era cuidadoso com ela, pensava em tudo para protegê-la até mesmo da sua própria família. "Eu devolvo tudo, passo tudo para o seu nome novamente", sentenciou.
Li sorriu para ela, era incrível como Sakura não tinha ambição. "É muito dinheiro para você abrir mão por orgulho".
"Pode ser muito dinheiro, mas é o seu dinheiro, não meu. Eu não o quero".
"Pense melhor. Converse com o seu irmão e seu pai. Mas preciso resolver isso até o final do mês".
"Por que a pressa?", ela não agüentou a curiosidade.
Li caminhou até a varanda onde calçou os seus sapatos. "Os anciões querem um herdeiro para a família, e para eu conseguir um, preciso estar casado", respondeu.
Sakura ficou sem fala, levou a mão até a altura do ventre como que por instinto, pensando que realmente Touya tinha razão, a família Li tiraria seu filho sem dó nem piedade. Li reparou neste gesto com uma certa curiosidade. "Está tudo bem com você, Sakura?"
"Hã?"
Com um gesto com a cabeça ele apontou para a mão da moça sobre sua barriga.
"Gases", ela respondeu vermelha, "Sabe com é?"
Li riu com gosto antes de se virar e abrir a porta para sair. Sakura andou até a porta entreaberta e a segurou com uma das mãos. Li virou-se para ela ficando pela primeira vez bem perto da esposa. "Desculpe-me Sakura".
"Hã?"
"Por não ter sido um bom marido", disse beijando a testa da moça. Depois colocou os óculos que estavam no bolso e sorriu pela última vez antes de virar-se para entrar no carro e ir embora. Sakura acompanhou o carro até virar a esquina e sumir definitivamente de sua vista.
Someday
Algum dia
By Nickelback
How the hell did we wind up like this
Como diabos nós terminamos desse jeito
Why weren't we abe
Porque nós não fomos capazes
To see the signs that we missed
De ver os sinas
And try to turn the tables
E tentar superar
I wish you´d unclench your fists
Eu gostaria que você não apertasse seus punhos
And unpack your suitcase
E desfizesse suas malas
Lately there´s been to much of this
Ultimamente vem acontecendo muito isso
Don´t think its too late
Não pense que é tarde
Nothing´s wrong
Nada está errado
Just as long as
Só até que
You know that someday I will
Você saiba que algum dia eu vou
Someday, somehow
Algum dia, de alguma maneira
Gonna make it allright but not right now
Vou fazer com que tudo fique bem, mas não agora
(You´re the only one who knows that)
(você é a única que sabe disso)
Someday, somehow
Algum dia, de alguma forma
Gonna make it allright but not right now
Vou fazer com que tudo fique bem, mas não agora
I know you´re wondering when
Eu sei que você está pensando quando
Well I hoped that since we´re here anyway
Eu esperava que desde que nós estamos aqui mesmo
We could end up saying
Nós podiamos terminar dizendo
Things we´re always needed to say
Coisas que nós sempre precisamos dizer
So we could end up stringing
Então nós poderiamos terminar unidos
Now the story´s played out like this
Agora a estória é contada assim
Just like a paperback novel
Exatamente como uma novela
Lets rewrite na ending that fits
Vamos re-escrevê-la com um final apropriado
Instead of a Hollywood horror
Em vez de um horror de Hollywood
Nothing´s wrong
Nada está errado
Just as long as
Só até que
You know that someday I will
Você saiba que algum dia eu vou
Someday, somehow
Algum dia, de alguma maneira
Gonna make it allright but not right now
Vou fazer com que tudo fique bem, mas não agora
I know you´re wondering when
Eu sei que você está pensando quando
(You´re the only one who knows that)
(você é a única que sabe disso)
Someday, somehow
Algum dia, de alguma forma
Gonna make it allright but not right now
Vou fazer com que tudo fique bem, mas não agora
I know you´re wondering when
Eu sei que você está pensando quando
[Solo]
How the hell did we wind up like this
Como diabos nós terminamos desse jeito
Why weren't we abe
Porque nós não fomos capazes
To see the signs that we missed
De ver os sinas
And try to turn the tables
E tentar superar
Now the story´s played out like this
Agora a estória é contada assim
Just like a paperback novel
Exatamente como uma novela
Lets rewrite with ending that fits
Vamos re-escrevê-la com um final apropriado
Instead of a Hollywood horror
Em vez de um horror de Hollywood
Nothing´s wrong
Nada está errado
Just as long as
Só até que
You know that someday I will
Você saiba que algum dia eu vou
Someday, somehow
Algum dia, de alguma maneira
Gonna make it allright but not right now
Vou fazer com que tudo fique bem, mas não agora
I know you´re wondering when
Eu sei que você está pensando quando
(You´re the only one who knows that)
(você é a única que sabe disso)
Someday, somehow
Algum dia, de alguma forma
Gonna make it allright but not right now
Vou fazer com que tudo fique bem, mas não agora
I know you´re wondering when
Eu sei que você está pensando quando
(You´re the only one who knows that)
(você é a única que sabe disso)
I know you´re wondering when
Eu sei que você está pensando quando
(You´re the only one who knows that)
(você é a única que sabe disso)
I know you´re wondering when
Eu sei que você está pensando quando
Continua.
