TÍTULO: Por uma noite apenas.
AUTOR: Deany RS
CLASSIFICAÇÃO: M
GÊNERO: AU / Romance / Drama
DIREITOS AUTORAIS: Infelizmente Supernatural, Jensen ou Jared não me pertencem. Euzinha aqui só gosto de usar a imaginação para brincar com diversas possibilidades que o mundo oferece. Mas confesso que, se Jensen me pertencesse, eu seria muuuuito mais feliz.
Por uma noite apenas
CAPÍTULO DOIS
Quase um mês havia se passado. Jared se atolava em trabalho de faculdade, estágio e voluntariado. Procurava se manter ocupado para não pensar em Jensen, mas ao mesmo tempo sempre que estava em casa, no computador, ficava ouvindo a rádio Gênesis. Especialmente o horário de Jensen, entre 13 e 18 horas. Incoerência? Sim, mas Jared não conseguia evitar.
Chris tinha ido para a casa de sua família em Oklahoma para o feriado de Ação de Graças, deixando Jared sozinho no apartamento. Chegou uma determinada hora da tarde que ele não aguentava mais o silêncio do lugar e resolveu dar uma volta na praia. O dia estava lindo, muitas crianças brincavam na areia, construindo castelos e catando conchinhas. Jared sentou-se em um dos bancos próximos ao calçadão e ficou observando.
Naquela mesma praia, algumas semanas antes, ele havia conhecido Jensen. O pensamento despertou saudade. E ele nem se deu conta que lágrimas escorriam silenciosas pelo seu rosto. Como alguém que ele havia visto uma única vez conseguia mexer tanto com seus sentimentos, fazê-lo sofrer tanto? Era um misto de saudade e tristeza por ter sido apenas uma vez quando na verdade ele almejava uma vida compartilhada com aquele loiro perfeito.
Quando virou seu olhar para a esquerda viu a figura de um homem sentado na areia, braços apoiados nos joelhos dobrados próximos ao peito. Parecia Jensen. "Mas a essa hora ele está na rádio. Estou vendo coisas, preciso parar com essa obsessão", pensou. Lutou mas não conseguiu tirar os olhos do vulto à distância que observava o mar. Algo fez com que o homem virasse seu rosto para a direita e Jared pôde então ter certeza: era mesmo Jensen. Engoliu o nó que se formou na garganta, criou coragem e foi até lá. Lentamente, para dar tempo de mudar de ideia.
Jensen voltou a encarar o mar de forma pensativa. Tanto que nem percebeu a aproximação de Jared que se abaixou ao seu lado.
- Hei, tudo bem com você?
Sobressaltado, Jensen virou em direção à voz. Seus olhos ficavam mais verdes e transparentes sob a luz do sol, emoldurados por pele clara pontilhada de sardas, deixando ainda mais perfeito o rosto a sua frente. O que fez o coração de Jared disparar por um momento.
- Tudo... sim... hei Jared.
- Sua vez de estar assustado, huh? – Jared sorriu, na tentativa de deixar o clima um pouco menos tenso. E também por constatar que seu nome não havia sido esquecido depois de tanto tempo. Jensen sorriu.
- Distraído, sonhando com férias.
Um silêncio constrangedor se instalou entre os dois por alguns instantes. Jared queria perguntar por que Jensen saíra aquele dia sem se despedir, mas achou que seria intromissão demais. Queria sugerir que fossem amigos, mas achou que pareceria muito carente. No fim acabou optando por falar da rádio.
- Tenho ouvido a sua rádio. Muito boa por sinal. Eu não conhecia... desculpe.
- Imagine. Está gostando?
- Claro. Muito boa. Só clássicos e música de qualidade, hoje em dia é tão raro... – Jensen voltou a fitar o mar com olhar distraído e ligeiramente melancólico. Jared se sentiu um estorvo e resolveu desistir da aproximação. – Bem, vou te deixar sossegado. Só queria mesmo dar um "oi". – Dizendo isso, começou a levantar-se, preparando-se para ir embora.
- Hei, espere. Que tal se a gente tomasse uma cerveja juntos qualquer dia desses?
Totalmente pego de surpresa, Jared não conseguiu esconder um sorriso que nasceu em seus lábios. Trocaram telefones e ficaram de ligar para combinar outra hora. Jared manteve o mesmo sorriso pelo restante do dia.
~*~
"Deus, o que eu fiz?" Nem cinco minutos haviam se passado e Jensen já estava arrependido de ter dado a ideia de um novo encontro, mesmo que fosse apenas para uma cerveja. Mas o jeito encabulado de Jared o havia pego de surpresa e ele achou que a sugestão iria apenas diluir o mal-estar. Não esperava pelo sorriso espontâneo e deslumbrado que partiu do rapaz. Isso era um mau sinal. Jared estava encantado demais, envolvido demais, entregue demais. Talvez até apaixonado, se é que isso fosse possível, pois se viram apenas uma vez. Jensen já ouvira falar nisso de "amor à primeira vista", mas julgava ser lenda. Só que pelo que vira em Jared, seu jeito tímido e inseguro, era bem capaz dele ser do tipo.
A saída seria simplesmente não ligar, pronto. Mas aí o rapaz ficaria ainda mais machucado, se sentindo enganado, rejeitado. Respirou profundamente e deixou para decidir isso mais tarde. Estava ali, naquela praia, para desestressar, recarregar a bateria, não para ficar se preocupando. Dois minutos depois Jared estava povoando seus pensamentos mais uma vez. "Isso sim, é um mau sinal."
~*~
As aulas voltaram depois do feriadão de Ação de Graças. Foram quatro dias de solidão, sem o Chris por perto. E Jared sentia falta do jeito espaçoso do amigo.
- Hei, Jay, está com uma cara boa. Aconteceu alguma coisa?
Jared havia decidido não contar a Chris sobre o encontro com Jensen na praia, tampouco sobre a troca de telefones e a chance de uma cerveja dia desses. Sabia que o amigo iria recriminá-lo por estar cheio de esperanças e expectativas. Mas Jared não conseguia evitar, Jensen havia mexido com ele, estava sentindo algo intenso que não sabia explicar e que se confundia com o êxtase e o medo de sofrer.
- Nah, só descansei mesmo.
O telefone de Jared toca e ele não consegue esconder a ansiedade em atendê-lo. Chris fica desconfiado, observando o mais novo visivelmente decepcionado ao descobrir que era Annabelle no outro lado da linha. Terminada a conversa, Chris não resistiu e provocou o amigo.
- Esperando uma ligação especial, Jay?
- Quê? Não! Claro que não!
- Não precisa ficar assim, descontrolado. Só que a sua decepção ao ver que era a Annabelle foi tão óbvia que não sei como ela não se ofendeu lá do outro lado. – O silêncio que se seguiu deixou Chris ainda mais desconfiado. – Você está me escondendo alguma coisa!
- Nem vem. Me deixe em paz, Chris.
- Jared! Eu me preocupo com você e esse seu jeito todo romântico e ingênuo. Sempre suspirando por alguém. Quem é agora? Desembuche. Eu vou descobrir mais cedo ou mais tarde.
- Então que seja mais tarde. – Dizendo isso, Jared foi para seu quarto.
~*~
Duas semanas se passaram e nada de Jensen ligar. "Será que eu devo ligar? Ou espero mais um pouco? Puxa, por que as coisas são assim, tão complicadas..." A angústia tomava conta de Jared que andava cabisbaixo, como de costume. Como nos tempos em que suspirava pelos cantos por Chad, como dizia Chris. Só que desta vez era diferente. Ele não comentava nada com o amigo, que estava cada dia mais desconfiado.
- Cara, o que está acontecendo? Não confia mais em mim? O que eu fiz?
- Credo, Chris, claro que confio em você. Por que isso agora?
- Você está todo deprimido, quieto, se arrastando por aí desde uns dias depois de Ação de Graças e não me conta nada. O que você está escondendo? É outra paixão platônica, né? Quem é agora, se não o Chad? – Obtendo apenas silêncio em resposta, Chris só pôde supor... - Jensen! É o Jensen! Claro! Pra você estar se esforçando tanto para manter segredo só pode ser alguém que eu não deveria saber. Então você esconde de mim para não ouvir um "eu te avisei", mas não adiantou, cara, eu descobri, está na sua cara. É o Jensen. Você não me ouviu e agora fica aí, sofrendo em vão.
Jared olhou para o amigo e não conseguiu evitar que lágrimas nascessem em seus olhos. Como ele poderia ser tão transparente? E como ele poderia ser tão idiota, achando que Jensen iria mesmo ligar?
- Hei, não fica com essa cara de filhote abandonado. Eu não quis ser rude.
- Não, Chris, você tem razão. Eu fui um idiota. Encontrei com ele na praia na véspera de Ação de Graças e ele sugeriu de nos encontrarmos um dia desses para uma cerveja, trocamos telefones e eu acreditei. Mas ele estava apenas sendo educado e eu deveria ter percebido. Sou um imbecil.
Chris não aguentou ver o rapaz assim, tão decepcionado, quebrado. Apesar de todos os alertas Jared havia se deixado envolver por Jensen, estava apaixonado. Abraçando o mais novo, Chris tentou aplacar a sua dor.
- Calma, não fica assim, se recriminando. A gente não manda no coração, né? A gente tenta, mas não consegue... Você não está sozinho. Vou te ajudar a superar mais essa, afinal, para que servem os amigos?
Chris era assim mesmo. Esforçava-se para ser todo durão, mas no fundo era sensível e prestativo. Especialmente no que se referia a Jared, a quem tratava como um irmão mais novo que deveria ser protegido. E no momento era exatamente isso de que Jared precisava: proteção e carinho.
- Vamos sair para beber, encher a cara e afogar as suas mágoas.
~*~
Jared não conseguiu sair da cama para ir à faculdade. O estômago embrulhado e a cabeça latejante eram um castigo por ter bebido demais. A intenção era esquecer Jensen, mas além de não ter funcionado neste sentido, havia acrescentado duas novas preocupações em sua lista.
Por incrível que pareça Chris, que havia bebido muuuuito mais, estava inteiro.
- Hei, aqui Jay, come um pouco desse macarrão instantâneo com Coca-Cola. É ótimo para ressaca.
- Mmffh...
- Não resmungue, é para o seu bem. Ande, sente nessa cama e come um pouco.
Só de sentir o cheiro da comida Jared tinha vontade de vomitar. Mas ouviu o conselho do mais velho desta vez. Se tivesse ouvido antes, não estaria curtindo essa fossa. E, por incrível que pareça, se sentiu mesmo melhor depois de comer.
- Viu? Truques de quem já tomou muitos porres a mais que você!
- Então é por isso que você nunca tem ressaca?
- Sim, mas sofri muito antes de descobrir isso. Como você está?
- Melhor.
- Estou falando em relação ao Jensen, não em relação à ressaca.
Jared deixou escapar um suspiro e baixou os olhos. Não sabia o que responder.
- Tudo bem, Jay. Uma hora isso passa. Você é um cara bacana, vai encontrar alguém que te ame e te mereça. – Jared não conseguiu esconder o olhar de surpresa ao ouvir esse tipo de discurso saindo da boca de Chris. – Hei. Não sou de todo insensível, ok? Não precisa me olhar assim. Já amei, fui amado, rejeitado, traído. Mas ainda tenho fé no amor, apesar de tudo. Só não fico levantando bandeira feito você, ué.
Jared riu. Chris era mesmo uma figura. E Jared estava se sentindo melhor graças ao amigo.
~*~
Mais uma semana se passou e o Natal estava cada vez mais próximo. Jensen odiava o período entre o Dia de Ação de Graças e as vésperas do Réveillon. Todo o clima de festa familiar deixava-o deprimido. Há dez anos havia perdido os pais em um acidente de avião e praticamente não falava com os irmãos desde então. Não entendia o porquê, afinal, acreditava que tragédias deveriam unir famílias, não separá-las de vez.
Sentia-se sozinho nesta época do ano. Justo ele que dedicava a vida a divertir as pessoas, com festas e música, ficava melancólico e introspectivo. Mas reunia todas as forças para não deixar transparecer. Depois de cumprir seu horário na rádio gostava de ir à praia olhar o pôr-do-sol e refletir. Encontrava paz nesses momentos, cada vez mais necessários e frequentes. Tudo estava diferente há algumas semanas, literalmente de cabeça para baixo, não conseguia deixar de pensar em Jared, não entendia o que este garoto tinha que havia mexido tanto com ele, bagunçado seu mundo, abalado sua segurança.
Baixou a cabeça e chorou em silêncio.
~*~
- Já sabe o que vai fazer durante as festas de final de ano?
- Humpf. O de sempre, ir para a casa dos meus pais fingir que sou o gay mais feliz do mundo para não ter que enfrentar aqueles olhares do tipo "você seria tão mais feliz se fosse hetero, a vida seria mais simples, mais fácil, menos sofrida". Blerg.
Chris não pôde deixar de rir. Era mesmo assim que a família Padalecki encarava o fato do filho do meio ser homossexual. Não com preconceito, mas com preocupação. Porque todos sabem que a sociedade em geral ainda discrimina os gays e eles não queriam ver seu filho sofrer por isso. Por eles Jared ficaria embaixo das suas asas protegido do mundo.
- Jay, não fala assim, eles te amam. Você deveria agradecer a Deus por isso, a maioria é discriminada dentro das próprias famílias.
- Eu sei, mas essa superproteção às vezes incomoda. Existem muitas outras coisas que podem me fazer sofrer, mas eles se focam só nisso. Como se eu não pudesse ser rejeitado ou machucado por uma mulher, por exemplo. Ou sofrer preconceito por ser alto demais. Ou por ser texano, ou publicitário, ou qualquer coisa. Que a sociedade não precisa de muito para inventar novas maneiras de ofender alguém.
- Eu te entendo, Jay, mas se conforme por eles estarem pecando pelo excesso de amor e não pela falta.
- Ok. E você?
- Desta vez sou eu quem vai ficar por aqui. O Natal vai ser um saco, sozinho, mas o Réveillon promete. Vai ter festa na praia... – Chris se deu conta e tentou interromper a frase em tempo, mas Jared percebeu.
- Promoção do Jensen, né? Deu para perceber pelo jeito que as reticências ficaram pingando no fim da sua frase.
- Desculpe cara, não foi minha intenção. Mas valeu a poesia. Acho que até vou anotar essa.
- Não tem problema. Acho que estou superando isso. Afinal, foi só uma noite mesmo.
Ficaram em silêncio por um momento. Até Chris resolver falar.
- Cara, a gente precisa parar com essa mania de silêncios constrangedores.
~*~
Véspera de Natal, a casa dos Padalecki lotada de gente, crianças correndo por todo o canto, os cães agitados em busca de atenção, o cheiro de comida pairando no ar. Nada de extraordinário. Jared se sentia feliz. Não tinha mais pensado em Jensen e aproveitava o tempo para matar saudade da família. Às vezes era difícil ficar longe dos pais, que havia deixado em San Antonio quando resolveu estudar na Califórnia. Mas ao mesmo tempo em que precisava de espaço, de independência, era reconfortante saber que havia um lugar para onde voltar se a vida desse errado.
Já no apartamento de Jensen, tudo às escuras. Ele havia ido deitar cedo, na esperança de dormir e esquecer que era Natal, que todos estavam reunidos com famílias e amigos enquanto ele estava sozinho. Depois de rolar sob os lençóis por algum tempo levantou-se e foi até a cozinha buscar uma garrafa de vinho. "Isso há de me ajudar a dormir", pensou. Não era adepto a soníferos. Na verdade, fugia de remédios feito o diabo foge da cruz.
Já estava na terceira taça e nada de o sono chegar. "Devia ter aceitado o convite do Jeffrey de passar o Natal com a família dele... mas não gosto de me sentir intruso..." Lamentou mais uma vez. Bebeu a quarta taça de vinho. E em vez de sono o que veio foi mais tristeza, mais melancolia. Pegou o celular. Pensou em ligar para alguém. Passou por vários nomes na agenda, mas não se animou a completar nenhuma chamada. Até parar no nome de Jared. "Não, melhor não. Posso dar a impressão errada."
Ficou lutando contra sua própria vontade por quase uma hora. "Só desejar Feliz Natal não vai fazer mal." Ligou. O telefone tocou três vezes e Jensen estava quase desistindo, afinal, quem fica grudado no celular no meio de uma festa familiar? Então uma voz pontuada de incerteza atendeu.
- Alô?
- Hei Jared – pigarreou, nervoso. – Como vai?
Ainda não acreditando no que estava ouvindo, Jared lutou para não deixar transparecer sua ansiedade.
- Bem, bem, e você Jensen?
- Estou ótimo. – Na verdade torcia para que Jared não percebesse sua tristeza nem sua língua enrolada pelo vinho. – Só ligando para desejar um Feliz Natal.
- Obrigado, o mesmo para você.
- Você vai à festa de Réveillon na praia?
- Eu não sei, estou na casa dos meus pais em San Antonio.
"Claro, quem mais fica sozinho nessa época do ano além de mim?", pensou Jensen. – Se mudar de ideia... bem, eu gostaria muito... você seria bem-vindo. – "Caramba, de onde vem toda essa gagueira?"
Jared mal acreditou no que havia acabado de ouvir. Jensen o estava convidando para a festa de final de ano. E desta vez não parecia ser somente por educação, já que ele ligou de livre e espontânea vontade.
- Ok, vou pensar a respeito. Talvez então a gente possa tomar aquela cerveja que ficamos de combinar antes de Ação de Graças, huh?
- Seria ótimo! – Jensen não conseguia evitar sorrir pela possibilidade de rever Jared. Ele nem se reconhecia mais. Nem poderia mais negar que estava ficando apaixonado por esse quase desconhecido rapaz do Texas.
Depois de mais algumas palavras, Jensen desligou e finalmente conseguiu dormir. Alguns quilômetros distante Jared era só sorrisos. Estava decidido: voltaria para a Califórnia para o Réveillon.
~*~
O queixo de Chris quase caiu ao ver Jared de volta antes do Ano Novo.
- Aconteceu alguma coisa?
- Calma, Chris, está tudo bem. Só decidi voltar antes, fazer companhia para você.
- Rá-rá. Muito engraçado. Agora conta a verdade. Resolveu voltar para poder ir à festa na praia e ver o Jensen, huh? Eu não devia ter dito nada...
- Hei, não se recrimine. Voltei por causa da festa, sim, mas porque o Jensen ligou no Natal me convidando.
Então sim, o queixo de Christian Kane caiu de vez. O olhar azul espantado dizia tudo. Chris não conseguia acreditar. Jensen Ackles, famoso por jamais ter ficado duas vezes com o mesmo homem havia convidado seu amigo para uma festa. De verdade. Diferente do caso das cervejas que nunca vieram.
- Chris, menos espanto, por favor. Até parece que eu não mereço...
- Não é que não mereça Jay, mas é que nunca aconteceu antes do Jensen convidar alguém para um segundo encontro... Cara, tenho medo que você se machuque, não crie muita expectativa por conta dessa inovação por parte dele, ok?
- Se eu sofrer, azar. Ao menos vou ter me divertido antes. Melhor do que ficar sozinho sempre, sonhando acordado em vão como no caso do Chad, certo?
- Jay... – O tom de advertência de Chris não deixava dúvida. Ele estava receoso sobre o que poderia acontecer a seu amigo. E tinha dificuldade em acreditar que talvez Jensen estivesse mudando. Que talvez depois de tanto tempo sozinho ele tivesse resolvido dar uma chance para um relacionamento fixo. Somente o tempo diria se Chris estava certo em temer pelo amigo ou não.
~*~
Jared prendeu a respiração por um momento, inconscientemente. Jensen estava ainda mais bonito todo de branco, pés descalços na areia, sob a luz das tochas espalhadas pela praia.
- Respire guri. Vai ser ainda mais improvável ter namoro entre vocês dois se você morrer sufocado.
- Puxa, Chris, não deboche.
Rindo, o mais velho guiou os dois até próximo à grande mesa instalada na areia, com frutas tropicais e champanhe à vontade para os participantes.
- Chris, se essas festas são ao ar livre, sem cobrança de ingresso, como são financiadas?
- Os patrocinadores, ué. Esses banners em todo lugar, logotipos em cada copo, guardanapo, e por aí vai. E o bar, claro.
- Hum.
- Sem contar que a rádio e as festas em casas noturnas durante o ano dão dinheiro o bastante para Jensen se dar ao luxo de fazer festas quase de graça simplesmente para se divertir, por puro prazer. Mesmo assim, o público é seleto. Não é feita nenhuma divulgação. É só no boca-a-boca.
- Ele parece mesmo ser um cara simples, não muito ligado a luxo.
- Você que foi ao apartamento dele que pode dizer.
Jensen andava entre as pessoas, cumprimentando-as com seu sorriso perfeito. Quando avistou Jared e Chris foi até eles.
- Hei, você veio!
- Claro, ouvi dizer que as suas festas de Réveillon são fantásticas. Este é meu amigo Christian.
- Hei, Christian, sou Jensen – disse, estendendo a mão.
- Muito prazer, Jensen. Eu confesso, fui o fofoqueiro que disse que suas festas são fantásticas. Esse cara aqui sai muito pouco de casa.
Enquanto Jensen e Chris riam, Jared foi tomado por uma onda de timidez.
- Fiquem à vontade. Vou recepcionar mais algumas pessoas e, assim que tiver um tempinho, volto para conversar com vocês, ok?
Jared ficou observando Jensen se afastar com um sorriso nos lábios. Nem o suspiro discreto passou despercebido de Chris. Mas Jay estava tão feliz que o amigo não quis estragar essa alegria chamando sua atenção. O jeito era deixar rolar e ver o que iria acontecer. Estaria ao lado de Jared se fosse preciso reunir os pedaços.
Jensen, por sua vez, tremia de excitação. Havia pensado a respeito desde o Natal e estava disposto a tentar ter um relacionamento normal. "Quem disse que todo namoro precisa ter sofrimento? Quem sabe eu possa ser amado, pra variar? Jared parece ser sincero, sensível, doce, incapaz de magoar alguém..." Estava decidido a arriscar e, na virada do ano, deixaria isso claro para o rapaz. Agora era só esperar.
Quando faltavam cinco minutos para a contagem regressiva, Chris já havia atraído uma loira de cabelos cacheados para junto de si. Para evitar ficar "segurando vela", Jared ficou meio de lado, esperando. Até que Jensen se aproximou com uma garrafa de champanhe e quatro taças nas mãos.
- Hei, Chris! Chegue mais perto! Falta pouco para a contagem agora. – Jensen chamou o amigo de Jared e estendeu duas taças para ele, outra para Jay, que sorriu em retorno. – Adoro Réveillon. Renova as energias.
- Você tem razão, é a melhor festa do ano. – Jared não sabia muito bem o que dizer, acabou se sentindo ridículo com esse tipo de comentário ingênuo, mas queria manter Jensen por perto, conversando com ele a qualquer custo. Em retorno recebeu um daqueles sorrisos perfeitos de Jensen. Os olhos ainda mais verdes que o normal, as sardas enfeitando a pele clara...
O grupo começou a se aproximar ao redor da mesa, taças nas mãos, garrafas de champanhe a postos. O sistema de som começou a contagem... 5... 4... 3... 2... 1... Feliz Ano Novo! Todos gritando e se abraçando, erguendo as taças e desejando coisas boas para os próximos meses. Jensen brindou com Jared puxando-o para perto e dando-lhe um beijo suave e ao mesmo tempo intenso na boca. Jared não esperava por isso, mas correspondeu com carinho.
- Feliz Ano Novo, Jay.
- Para você também, Jen.
- Jay, estive pensando que talvez a gente...
Jared interrompeu a frase com outro beijo.
- ... mas tenha paciência comigo, ok? Sou novo nisso de namoro.
Os dois riram e se beijaram mais uma vez. Jared estava feliz, especialmente depois de ouvir a palavra "namoro" saindo dos lábios mais perfeitos que já havia visto. E Jensen estava disposto a enfrentar o medo de relacionamentos por aquele rapaz alto com olhos tímidos de cachorrinho abandonado.
~*~
Jensen e Jared ficaram na festa até amanhecer. Era tradição de Jensen, desde que saíra do Texas para viver na Califórnia, assistir o primeiro nascer de sol do ano na praia. Jared foi obrigado a admitir: era a visão mais linda que seus olhos já haviam registrado. Não apenas o amanhecer, mas o amanhecer com Jensen, que demonstrava em seus olhos verdes cristalinos a felicidade de estar vivo e testemunhando mais esse milagre da natureza. Sem contar que a luminosidade do sol nascente destacava ainda mais as sardas do mais velho.
Nenhum dos dois sentia sono ou mesmo cansaço apesar da noite inteira de festa e champanhe. Havia um misto de êxtase e paixão circulando por seus corpos. De repente Jensen se deu conta que estava sendo observado e virou o olhar para Jared. Sorriu ligeiramente encabulado ao confirmar que Jared o encarava.
- A ideia é ver o sol nascer, não ficar olhando para mim!
- É lindo assistir o sol nascer, Jen, mas melhor ainda é ver você sob o sol.
Jensen abaixou a cabeça, ainda mais sem jeito depois do comentário, mas sem deixar de sorrir. Nem parecia o mesmo homem desinibido e seguro de sempre, capaz de organizar festas badaladas e dirigir uma rádio de sucesso desde a adolescência. Não estava acostumado a receber o carinho que Jared havia dado durante toda a noite, tampouco a elogios vindos de alguém que não queria apenas levá-lo para a cama. Eram elogios sinceros e desinteressados. E mais uma vez, por um momento, Jensen ficou assustado com a entrega do mais novo. Mas estava disposto a tentar ter um relacionamento normal, haveria de valer à pena...
- Quer passar o primeiro dia do ano comigo, Jay?
- E todos os outros também, Jen. Sonho com isso desde a festa de Halloween. – Ao dizer isso, Jared beijou Jensen com carinho para provar que queria mais que apenas sexo. Queria dar e receber amor.
~*~
Espero que tenham gostado de mais este capítulo. Não faltam muitos, pois a fic é curtinha, menos de 50 páginas, uma das normas do concurso, afinal. Deixem a sua review, please. Gostaria muito de saber a opinião de meus leitorinhos a respeito da minha primeira fic padackles. Aproveito para agradecer a todos que deixaram seus comentários, fiquei muito feliz, pois não imaginava ter essa repercussão, nem que fossem gostar tanto... A todos, mesmo àqueles que não comentaram, um "muito obrigada" por lerem. Beijos, Deany RS
