II
Perseguição
Aqui inicio minha primeira aventura. O rapaz forte e determinado que era eu e o garoto bem-humorado e inteligente que era Tobirama tornaram-se em dois anos de procura uma dupla de cabeças-duras frustrados. Mas havia um motivo! Nunca encontramos um rastro dos outros Senjus! Isto seria de estressar qualquer um.
Entretanto, conseguimos uma pista de um viajante que dizia algo sobre "uma gente esquisita" como nós dois. Eu agradeci e prosseguimos viagem bosque adentro , direção apontada pelo homem. Nós atravessamos todo o bosque e chegamos a uma área totalmente deserta. Decidimos continuar. Enquanto caminhávamos naquele deserto, o sol nos castigava. Depois de um longo tempo, eu implorei a Tobirama por um pouco de água.
—Idiota! Você também pode usar o Elemento Água!–recebi em resposta.
—Eu sei disso! Mas eu quero que você rastreie um pouco de água...
—Nesse deserto? O sol cozinhou seus miolos, Hashirama?!
—Olha como você fala comigo, Tobirama!
Para você ver a situação em que nos encontrávamos, nós raramente brigamos.
—Procure água embaixo dessas pedras vermelhas, ou nesse chão rachado... –disse Tobi-kun, caminhando em torno de mim, fingindo vistoriar as coisas em volta.
—Chega!
—... Talvez aqui, você encontre chakra pra fazer um pouco de água, pois eu não tenho!
—Bas...
Eu apenas me lembro que depois de começar a falar "Basta!", recebi de repente um banho de água incomparável. Foi bastante forte, pois entrou água pelo meu nariz e me afoguei, enquanto tentava beber e me refrescar com aquela água. Tobi-kun fazia o mesmo. Eu me dei conta que não tinha água ali somente quando ela acabou, então alguém... Sim, eu fui negligente. A necessidade faz você esquecer-se de bastantes coisas, inclusive da guarda.
O viajante que nos deu informação horas antes se apoiava em uma pedra e em suas bagagens para não cair no chão de tanto rir de mim e do meu irmão. Passei meus cabelos bagunçados para trás, enquanto Tobi-kun e seus cabelos brancos se arrumavam.
—Minha nossa... Haha, nunca vi ninguém tão necessitado assim!—ria o viajante.
—E por que você nos seguiu?—perguntei, tentando ignorar as risadas.
—Ora, dois garotos com caras de acabados não iam agüentar nesse deserto...
—E você sente compaixão por estranhos seguindo-os por várias horas sem dizer nada?—desafiei.
Eu o peguei dessa vez. O viajante pensou em algo a dizer, mas Tobirama o interrompeu.
—Espere um pouco... O que é isso aí na sua nuca?
Parecia ser segredo, pois seu sorriso murchou na hora e ele levou a mão rapidamente para ocultar sua nuca.
—Hashi-onisan, ele tem o símbolo dos Senjus tatuado na nuca!—disse Tobi-kun.
—Como?! Mas... ei, espere aí!
Sabe-se lá o motivo, o viajante escorregou-se da pedra, deixou suas bagagens e começou a correr.
—Volte aqui!—gritei.
Tobirama resmungou algo e executou um selo. Três jatos de água barrenta se formaram da poça no chão e voaram velozmente em direção ao homem. Ele percebeu e desesperadamente se pôs a correr ainda mais rápido. Os jatos de água de Tobirama tomaram forma de flechas ameaçadoras demais e pareciam que cortariam a cabeça do viajante em três fatias. Os jatos foram, contudo, barrados por um paredão de pedra que subiu do chão. Óbvio que era obra do homem. Os jatos se espatifaram e molharam toda a barreira.
Chegara a minha vez de agir. Aproveitei a terra daquela barreira molhada e executei um selo. Um tronco de madeira viva saiu da própria parede de pedra e se estendeu para frente como uma grande cobra marrom, brotando folhas. Eu juntei as mãos e os pés e me concentrei. Era difícil, pois eu não sabia onde estava o viajante, já que ele sempre corria de modo que a barreira de pedra que ele criou tapasse minha visão.
Aquele jogo de pega-pega me cansou. Resolvi ir para um plano definitivo para pegar aquele homem desgraçado (com o perdão da palavra, Kawa-san!). Olhei para Tobirama, que observava o viajante como um gato observa um rato. Fiz sinal para ele, indiquei aquilo que estava lá trás e mexi minha mão. Por sorte ele entendeu.
Tobi-kun nunca foi lá dos mais delicados. Sempre gostei disso: poupava bastantes esforços da minha parte! Após compreender o que eu planejava, ele voltou a poça de lama e formou uma de suas obras.
—Suiton! Mizu no Muchi!
Mesmo tendo terra no meio, o Chicote de Água não teve problemas. Desmanchei o Mokuton no Jutsu e o viajante parou de correr. Ele se virou para nos encarar (metros e metros de distância), ofegante e assustado. Tobirama brandiu aquele chicote, o balançou e agarrou o viajante fujão em um piscar de olhos. O coitado deve ter levado um susto e tanto ao se ver amarrado por água.
—Hashi-onisan, deite-se no chão! Rápido! –Tobirama disse baixinho. Obedeci.
Tobirama tomou impulso e começou a girar, segurando o chicote de água bem firme. Tobirama e o viajante começaram a virar cada vez mais rápidos e, até onde eu pude ver, o viajante não estava mais no chão. Tobirama, com muita força, fazia-o voar enquanto mirava o alvo tão distante. Feito isso, ele soltou a corrente.
Depois disso, foi uma correria. Disparei de volta, levantei-me rapidamente e parti de volta ao bosque onde encontramos com o viajante pela primeira vez. Tinha que correr muito para acompanhar o homem que voava amarrado acima da minha cabeça. No caminho, amaldiçoei o deserto, aquele sol escaldante, a falta de água e uma porção de coisas. Em certo ponto, pedi impulso para a madeira (já que havia revigorado um pouco de chakra), o que me livrou de andar vários e vários metros.
Agradeci aos céus por Tobi-kun ter tido força o suficiente para jogar aquele viajante o mais distante possível. Não nos ia adiantar em nada tê-lo morto no chão de pedra. Portanto, se ele continuasse naquela altura e naquela velocidade, nós chegaríamos ao bosque, eu por baixo e ele por cima, segundo meus cálculos. Mas eu estava errado. Fatalmente errado.
O bosque estava próximo e eu intencionava elevar algumas arvores para que segurasse o viajante em sua queda até que eu me aproximasse. Isto, contudo, não aconteceu! Ainda no ar, o homem conseguiu se livrar do chicote de água que o prendia e, inexplicavelmente caiu no chão, feito uma pedra. Ao cair, ainda rolou alguns metros, derrubou umas dez ou onze arvores e levantou uma nuvem de poeira imensa, como uma explosão faria.
"Ora essa, isso... isso é um absurdo! Como alguém que voa vários metros cai assim, tão de repente, de uma hora pra outra?! Ele deveria ter feito um arco decrescente!", pensei na hora. Com esse pensamento na cabeça, corri até lá, não me sentindo culpado pela morte do homem.
Esperei um pouco até que a poeira abaixasse, para então pular o buraco e as árvores caídas que se espalharam por ali. E o viajante... estava... Não, eu não acreditei no momento. El sobrevivera à queda.
Ele sangrava um pouco e tinha cortes na cabeça e nos braços. Suas roupas estavam rasgadas. Sua pele tinha pedaços de pedra grudados em certos pontos. Finalmente reparei em seu rosto com mais firmeza. Não era tão moreno quanto eu, nem tão "albino" quanto Tobirama. Cabelos curtos e negros, com algumas pontas brancas. Parecia ter cinqüenta anos. Tinha os olhos parcialmente abertos, me encarando. Sua boca sangrava, e ainda sim sorria levemente.
Tobi-kun chegou ofegante, pulando as árvores. Carregava nossas pequenas malas. Ele olhou em volta, curioso e perguntou admirado:
—Nossa... O que você fez a ele?
—Ora essa, eu não fiz nada! Ele que fez! –respondi, olhando para o homem deitado.
—Conta outra! Esse aí faria isso tudo?
—Você não viu o que aconteceu?
—Não, eu parei pra descansar...
—Aff... Vamos tirá-lo daqui, Tobirama! O que é?! Pode vir, ele não morreu.
—Brincadeira, né?
—Mas é claro que não! Que desconfiança...
Saltei um tronco caído e me aproximei do homem. Parecia que a condição de vivo não era mais pra ele. Pensei na melhor forma de tirá-lo, enquanto Tobirama me chamava.
—O que você quer, Tobirama?!
—Olhe!
Desviei meu olhar de Tobirama para onde ele apontava. Havia um grupo de quinze pessoas, vestidas de marrom e verde, parados, nos observando. À frente, uma mulher de ar severo e autoritário, segurava uma lança, maior que ela própria. Após me fuzilar com os olhos, ela gritou em alto e bom som:
—Não ouse tocá-lo!
Congelei.
