Luthier – A Melody to Dream.

(Uma Melodia para Sonhar)

By Dama 9


Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas Juliana é uma criação minha, como um presente especial para uma grande Ficwriter, a Kaliope, autora da fic Galácticas na Grécia.

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Capitulo 2: Avassaladoras

Cada passo que repito

Não é igual ao de antes

O que ficou para trás

É o que me leva adiante

.::A História Dentro da Historia – Parte II::.

Pedra por pedra daquele castelo estremecia e aos poucos ia ao chão, como se também fossem capazes de sentir o cosmo de seu senhor apagando-se completamente.

As águas limbozas do Érebo borbulhavam de maneira medonha e aterrorizante, algumas ondas formavam-se, indo chocar-se contra as pedras e a beira do Estige, para a surpresa de qualquer um que visse, poderia jurar que aquela água aos poucos tomava forma, podendo assim caminhar pela terra sem vida daquele reino.

Um grito ensurdecedor ecoou pelas paredes escarpadas vindo daquele ser inominável. Como o primeiro, mais e mais como ele ganhavam a margem, arrastando-se como espectros sem vida, deixando uma marca de acido por onde seus pés tocassem.

No meio de todo aquele limbo, um par de labaredas vermelhas acenderam-se e os passos tornaram-se mais apressados, como se fossem guiados por alguém que lhes chamava.

.I.

Deu um baixo suspiro, jogando-se na cama do hotel, vendo o dia chegar ao fim. E que dia? –ele pensou com um meio sorriso formando-se em seus lábios. Estava intrigado com uma coisa, quem era aquela garota?

Definitivamente havia algo nela, que fazia com que simplesmente não admitisse que ela fosse uma mortal comum; o cavaleiro pensou.

Espreguiçou-se brevemente, antes de levantar-se, não estava disposto a noite trancado ali, ainda mais estando em Paris, em missão, mas ainda sim; ele pensou, logo deixando o quarto.

-o-o-o-o-o-

-ALEGRIAAAAAAAAAAAAAAAA! –a voz do palhaço ecoou por toda a tenda, deixando ainda mais destacado o sotaque italiano.

A agitação foi ainda maior entre os espectadores que tinham seus olhos vidrados em cada detalhe daquele mundo mágico, escondido em baixo daquela tenda.

Se havia algo ainda mais emocionante do que os concertos que tanto adorava, era aquele circo, alias, não era um circo qualquer. Era aquele... O Cirque du Soile, como os nativos do país chamavam, fazendo questão de fazer um bico enorme ao pronunciar seu nome; ela pensou abafando o riso diante do pensamento.

Por mais que estivesse na França a um bom tempo, algo que não se acostumava era com aquele biquinho que as pessoas faziam para falar. Suspirou brevemente, se bem que, alguns franceses sabiam compensar isso perfeitamente com todo aquele ar envolvente de sedução, quando queriam conquistar alguém.

-Ah! Vive lá France; ela sussurrou em meio a um suspiro.

Os trapezistas entraram em cena, a musica aumentou, sendo entoada por duas jovens, uma vestida com roupas pretas e outra, com brancas. Ambas representavam cada uma, o dia e a noite. Como opostos.

As acrobacias eram precisas e ainda mais incríveis do que pudera ver quando assistira 'Alegria' ainda em DVD, mas estar ali, sentindo toda aquela adrenalina e emoção, era algo indescritível.

Uma breve pausa foi feita para a troca do cenário e também, para que os próximos artistas se preparassem. Levantou-se do acento que estava e procurou o corredor mais próximo, não havia mais intervalos na peça, então, era melhor aproveitar e ir ao banheiro agora, ainda tinha mais uma hora e meia pela frente.

Passou pelas pessoas cuidadosamente, segurando o sobretudo que tinha com um dos braços. Ali dentro era muito quente, ou a agitação generalizava lhe dava essa sensação, mas era melhor não abusar, lá fora o tempo poderia estar bem diferente.

-Com licença; ela murmurou ao passar por uma pessoa, desviou de outro, quase tendo de fazer malabarismo para não cair, porém devido à falta de treino da arte do equilíbrio, Juliana quase foi ao chão ao tropeçar no pé de alguém.

Apenas fechou os olhos esperando a queda, mas sentiu um par de braços envolverem sua cintura, detendo a queda a menos de três palmos do chão, sentiu a parada brusca e abriu os olhos cautelosamente.

Uma essência forte de Hugo Boss chegou a suas narinas de maneira devastadora. Céus, há quanto tempo não sentia aquele cheiro, alias, desde que chegara a França, porque os perfumes franceses tinham a leve tendência de serem fortes, que nem incenso indiano conseguia competir, mas aquele cheiro, numa mistura de madeira e algo mais que agora não queria nem saber o que era, era um verdadeiro atentado terrorista a qualquer auto controle; ela pensou sentindo a face enrubescer, ao senti-lo puxar-lhe para cima, colocando-a em pé novamente.

-Pardon, monsieur; ela desculpou-se com o olhar baixo, extremamente envergonhada.

-Como esse mundo é pequeno; Aiácos falou mal contendo o sorriso carregado de segundas, terceiras e quartas intenções ao ver quem 'coincidentemente' caira em seus braços.

Juliana ergueu a cabeça, deparando-se com o mesmo rapaz que vira mais cedo na Torre, franziu o cenho, detestava aquele tipo de sorriso petulante, como se ele fosse o dono da situação, ou pior, houvesse provocado aquilo.

-Bem, com licença; ela falou dando-lhe as costas para se afastar, mas parou bruscamente ao sentir a mão dele fechar-se com suavidade sobre seu pulso, fazendo-a voltar alguns passos para trás.

-Pardon mademoselle, mal me apresentei, que falta de educação a minha; ele falou com pesar, num sussurro atrevido em seu ouvido, fazendo-a estremecer e o sorriso nos lábios dele aumentar ainda mais. –Pode me chamar de Aiácos; o espectro falou, fazendo-a prender a respiração, ao sentir os lábios deles roçarem brevemente da orelha a lateral do rosto.

Extremamente vermelha, querendo abrir um buraco na terra e se jogar lá dentro, Juliana mal notou como conseguiu desvencilhar-se rapidamente dos braços do cavaleiro e desaparecer no meio da multidão, voltando ao lugar que estava sentada inicialmente, nem ao menos ligando para o fato de não ter conseguido chegar ao banheiro como realmente queria.

.II.

Chegou em casa exausta, não porque o dia fora difícil ou qualquer outra coisa, mas sim porque depois daquele 'maldito' intervalo, sua atenção se dissipara em questão depois e a 'Alegria' fora-se voando. Certamente precisaria assistir a peça novamente.

Tudo por causa daquele petulantezinho que se sentia o dono do mundo; ela pensou jogando-se no sofá da sala, fitando o teto. Mas que o idiota era bonito, ah se era; um baixo suspiro escapou de seus lábios. E aquele cheiro.

-Juliana. Juliana. Isso é coisa pra se pensar agora? –ela se recriminou, balançando a cabeça levemente para os lados, tencionando afastar os recentes pensamentos.

Já ouvira varias teorias sobre as formas de conquistas, olhares intensos, palavras que saiam daquele clichê de conquista barato, entre outras coisas, mas se fosse levar em consideração seus gostos. Nada como um homem com um cheiro gostoso para ganhar alguns pontinhos, mesmo com um sorriso cafajeste como o do tal 'Aiácos'.

-Que nome é esse? –Juliana se perguntou rindo. Tudo bem, ele tinha um nome bastante exótico, mas compensava por outros lados. –E que lados; ela completou o pensamento em voz alta.

Virou-se de lado, vendo um estojo que deixara sobre a mesa de centro, teria que ir cedo entregá-lo, a pessoa que encomendara aquele instrumento havia pedido que o fizesse o mais rápido possível, por se tratar de um presente.

Aos poucos o sono foi tomando conta de si, que mal notou adormecer ali mesmo, embalada pelos braços de Hypnos, porém, tendo outro alguém a povoar-lhe os sonhos e a mente.

-o-o-o-o-

Correu rapidamente por uma das ruas, entrando em um beco, sabia que a tinha visto ali, precisava ser rápido; ele pensou, fechando o sobretudo para que pudesse correr melhor e desviar de algum obstáculo pelo caminho.

Ouviu um grito ensurdecedor que o fez parar, tapando os ouvidos. Droga! Aiácos praguejou, ao ver que usando desse artifício ela fugira novamente, justamente agora que conseguira encontra-la.

-Maldição! Ainda te pego; ele vociferou vendo-se novamente sozinho em um dos becos parisienses.

Serrou os punhos de maneira nervosa, enquanto tomava o caminho oposto. Mais uma noite perdida, bem... Nem tanto se levasse em consideração quem o destino colocara novamente em seu caminho aquela noite.

Quem sabe uma visita a Notre Dama amanhã não seria por igual proveitosa.

.III.

Respirou fundo, erguendo os orbes castanhos para o céu, um doce sorriso formou-se em seus lábios, mais um ótimo dia se iniciava; ela pensou, ponto-se rapidamente a caminhar pelas ruas parisienses, em direção ao seu novo destino.

-Bonjuour; ela ouviu alguém falar saindo de um dos cafés por onde passava.

-Bonjuour; a jovem respondeu acenando ao ver uma senhora de certa idade sorrindo para si, enquanto ajudada por um rapaz mais novo, levavam mesas e cadeiras para fora do estabelecimento.

Mais alguns passos e aos poucos conseguia avistar o local da nova entrega, conseguia ouvir os sinos tacarem daquela distancia, o que fez com que andasse ainda mais rápido.

Os cabelos avermelhados esvoaçavam levemente com o vento, tão distraída que estava em seu caminho, que mal notou alguém parar o caminhar para observá-la passar.

-Finalmente; ela falou sorrindo ao parar em frente à longa escadaria.

A sua frente os profetas pareciam julgar a todos cuja consciência, estivesse de alguma forma, manchada de maldade. Os olhares eram intensos e inquisidores, como se buscassem por respostas no mais fundo da alma daqueles que os observavam.

Notre Dame, sim... Criar uma obra tão perfeita daquelas para um arquiteto, era o mesmo que para si, conseguir tocar as quatro estações de Vivaldi sem fraquejar em momento algum.

Um desafio de mestre, certamente...

Subiu os degraus lentamente, mas mesmo assim ainda ouvia o som do salto fino dos sapatos batendo na pedra entalhada. Nunca pensou que um dia veria tão de perto um lugar daqueles que não fosse ao colar o rosto na tela da TV assistindo 'O Corcunda de Notre Dame' da Disney.

O cheiro de incenso era bastante forte ali, ouvia alguns monges residentes entoando hinos em meio a suas orações matinais. Parou um momento tomando fôlego, diante da corrida que mal se dera conta de fazer.

Os bancos de cedro estavam perfeitamente enfileirados, a luz entrava perfeitamente pelos vitrais retratando as mais variadas passagens bíblicas. Poderiam dizer que aquele era até um ambiente um tanto quanto escuro e opressor, mas não, só de imaginar a vista de Paris que se tinha lá de cima,

Subiu uma escada em espiral ao lado da porta de entrada, suspirou extasiada, era como se pudesse ver novamente as cenas de Notre Dame exibidas no desenho que tanto apreciava. Alias, em questão de musica, a Disney era o top de linha do mundo todo.

Cada melodia era muito bem trabalhada para atingir diretamente as emoções de todos aqueles que assistissem, para envolvê-los naquele meio de emoções, para fazê-los rir e chorar com cada personagem, criados singularmente. Cada um com sua personalidade, únicos e completos para a historia.

-Salvo entre os peitoris de pedra e o carrilhão; Juliana sussurrou lembrando-se da música que retratava a historia de Vitor Hugo. –Aqui dentro a alegria some...;

Era estranho pensar em Notre Dame como um lugar tão opressor, mas se fosse analisar do ponto de vista de alguém que viveu uma vida inteira ali, trancado tendo apenas as 'Maries' que tocavam apenas quando o necessário e gárgulas congelados no tempo, pois nunca desmanchariam aquelas expressões frias e carrancudas, para dar lugar a um sorriso, como companhia. Seria enlouquecedor.

-Toda minha vida eu imaginei descer...; a jovem continuou ao deparar-se com o topo da torre principal, a vista mesmo ainda cedo era perfeita dali; ela pensou, mal dando-se conta da empolgação que tinha ao estar ali. –Ir até lá... passear lá...;

Logo a grande Marie tocaria e era exatamente isso que estava esperando, o momento para fazer a entrega de mais uma obra sua; ela pensou.

-LÁ FORA, como alguém comum... Me de um dia ao sol, basta apenas um, para ser lembrado...; ela falou, subindo em um alpendre ao lado de uma das colunas de concreto perto de si, para apreciar melhor a paisagem do Senna abaixo si.

Respirou fundo, sentindo um vento suave chocar-se contra seu rosto, esvoaçando levemente os cabelos, fazendo com que um perfume conhecido chegasse até si.

Antes que pudesse virar-se para trás, sentiu um par de braços envolver-lhe a cintura e puxa-la rapidamente para trás. Tentou agarrar-se a qualquer coisa que lhe desse apoio.

-AHHHHHHHHHHHHH;

-Não grite; alguém falou, ao colocá-la no chão, porém sem soltar-lhe.

Virou-se com os orbes fulminando o individuo, enquanto sentia o coração literalmente querendo sair pela boca.

-Está louca por acaso? –Aiácos perguntou irritado, mal chegara até o topo da torre, vira a garota em cima do alpendre, a poucos segundos de pular, ou cair, ele mal pensou qual possibilidade era a mais cabível, antes de puxá-la contudo para longe daquele lugar.

-E você, é idiota por acaso? –Juliana rebateu tentando soltar-se dos braços dele, mas sentiu-os apenas se estreitarem.

Aiácos bufou, fitando os orbes da jovem com um brilho desafiador sobre si. Aquela garota não tinha a mínima noção do perigo, ou com quem estava falando.

-Pelo visto é; a jovem continuou, assoprando a franja que caia sobre os olhos, com ar impaciente. –Agora se puder voltar de Marte e me soltar, eu agradeço; ela completou sarcástica.

Aiácos deu um sorriso de canto nada agradável ao ver da jovem...

-Você é uma garota muito bonita para ter uma língua tão ferina; ele falou virando-a de frente para si, fazendo-a prender a respiração e tentar afastar-se de qualquer jeito, mas como no circo, não teve tanto sucesso ao se esquivar dele.

-Guarde suas opiniões apenas para você; Juliana rebateu num tom seco, porém com a face levemente enrubescida, tentando convencer-se mentalmente de que aquilo era só pelo fato do vento ter aumentado ali em cima e a temperatura ter caído, e não aumentando como realmente acontecera para ela estar corada daquele jeito.

Uhn! Interessante, detestava conquistas fáceis e não iria desistir daquela por nada; ele pensou fitando-a intensamente.

-Gosto desse olhar; Aiácos falou num sussurro, tocando-lhe a face, no momento que ela pretendia desviar o olhar, fê-la encarar-lhe.

-Juliana; alguém chamou, fazendo-a empurrar Aiácos a todo custo, conseguindo por fim livrar-se dos braços dele, quase derrubando o estojo pendurado em seu ombro, no processo.

-Frei Louis; Juliana falou toda atrapalhada ao ver o frei parado na escada fitando os dois com bastante curiosidade.

-Atrapalho algo? –o senhor já de idade perguntou vendo Aiácos olhá-lo como se fosse mandá-lo para o Tártaro.

-Não, estava lhe esperando; ela apressou-se em dizer, mantendo-se o mais longe possível de Aiácos.

-Entendo, e o senhor? –o Frei perguntou voltando-se para Aiácos. –Não sabia que tinha um namorado Juliana; o senhor falou casualmente, já conhecia a luthier desde que ela chegara ao país e lhe procurara, lhe contando ser neta de um grande amigo e que estava na cidade para aperfeiçoar suas técnicas e começar a trabalhar.

-E não tenho; Juliana respondeu sem entender a indireta.

-Então o senhor é quem? –Loius perguntou para Aiácos que tinha um olhar nada discreto sobre a jovem, que a deixava mais nervosa.

-Um amigo; Aiácos apressou-se em responder. –Dela...; ele completou apontando para a jovem.

-Hei...;

-Não é mesmo, Ju? –o espectro perguntou fitando-a de tal forma que ela simplesmente viu qualquer resposta sumir de sua mente ao fitar-lhe os olhos que eram capazes de convencer até ela de que aquilo era verdade.

-...; ela assentiu maquinalmente, sem conseguir emitir mais som algum.

O frei pigarreou chamando a atenção da jovem, que agora sim queria saltar do topo de Notre Dame por não saber o que fazer.

-Então, trouxe o que lhe pedi? –Louis perguntou calmamente.

-Trouxe; Juliana respondeu sorrindo, ignorando completamente Aiácos, enquanto seguia com o frei para uma salinha a poucos passos de onde estavam, sem nada dizer o espectro os seguiu, de certa forma para matar a curiosidade e permanecer mais tempo ao lado da jovem.

Aproximou-se de uma mesa, colocando o estojo sobre ela, acima de suas cabeças as 'Maries' esperavam para serem tocadas. Os dois homens observaram atentamente a jovem retirar do estojo um belo violino.

Um instrumento refinado e extremamente delicado, a madeira brilhava e refletia a face da jovem, quando a mesma aproximou-o de si, antes de entregar ao frei.

-Aqui; Juliana falou.

Louis assentiu, pegando-o com cuidado, temente que pudesse arranhar a peça a qualquer movimento brusco.

-Perfeito; ele falou fitando-o com atenção.

-Já está afinado, se quiser; ela falou, dando a ele o arco.

Não demorou para que o senhor colocasse o violino sobre o ombro, começando timidamente a extrair algumas notas do mesmo, mas parou, voltando-se para a jovem com um sorriso envergonhado.

-Perdoe-me, mas pode tocar para nós? –o frei perguntou, voltando-se para Aiácos que assentiu diante do pedido.

A jovem engoliu em seco, tentando não voltar-se para o espectro, pegou o violino e apoiou-o sobre o ombro, respirou fundo, serrando os orbes lentamente à medida que a fina linha do arco deslizava pelas cordas delicadamente.

Uma revoada de pombas alçou vôo do topo de Notre Dame no momento que as notas tornaram-se mais graves e fortes, como se acompanhando espetáculo tão surreal, as Maries começaram a ressoar, primeiro tímidas, para em seguida, tornarem-se graves e vibrantes, seguindo o mesmo compasso da melodia extraída do violino.

Apoiou-se em um dos pilares perto de onde estava sentindo-se atordoado, era como se tudo o mais a sua volta estivesse saindo de foco e somente a imagem da jovem permanecesse diante de seus olhos.

Respirou fundo, tentando se concentrar. É, aquela era a única explicação, ela deveria ser algum tipo de sirene; ele pensou, tentando justificar o motivo para as reações que seu corpo e mente estavam tendo.

-Você está bem? –Frei Louis perguntou aproximando-se do rapaz, o que acabou por chamar a atenção da jovem que parou de tocar.

-...; ele assentiu, vendo os olhos voltarem ao foco.

-Juliana, como sempre, seu trabalho está perfeito; o senhor falou voltando-se para a jovem, que fitava a cena curiosa. –E creio que frei James também ira gostar;

-Obrigada, senhor; Juliana falou com um sorriso doce. –É melhor eu ir agora; ela completou, guardando o violino no estojo e fechando-o em seguida.

-Obrigado; Louis agradeceu.

-Não por isso; a jovem respondeu sorrindo e se afastando, ignorando completamente a presença de Aiácos ali.

Despediu-se e logo começou a descer as escadas rapidamente, quem sabe ainda teria a sorte de chegar em casa e colocar o ateliê em ordem antes do almoço; ela pensou, mas mal chegou aos ultimos degraus sentiu alguém lhe segurar pelo braço.

-Aonde vai? –Aiácos perguntou num sussurro atrevido em seu ouvido, descendo um degrau, parando atrás dela.

-Isso não é da sua conta; Juliana respondeu entre dentes, tentando não falar alto demais e atrapalhar os monges que estavam no salão principal.

-Ah Ju, é assim que você fala com um amigo? –o espectro continuou com ar manhoso, afastando as melenas avermelhadas e apoiando o queixo em seu ombro.

-O que quer afinal? –ela falou irritada com a insistência do cavaleiro.

-Acredite, você não iria gostar se eu respondesse sua pergunta; ele falou atrevido.

-Oras seu; a jovem resmungou puxando o braço com tudo, mas não pensou num pequeno detalhe, tal movimento brusco fez com que fosse obrigada a dar um passo a frente, mas esqueceu-se de que ainda havia mais alguns degraus a serem descidos.

Num movimento instintivo, segurou-se na primeira coisa que sua mão conseguiu encontrar como apoio, mas isso acabou por arrastar o cavaleiro consigo para o chão.

Alguns candelabros que estavam no meio do caminho acabaram caindo quando os dois literalmente rolaram da escada.

Abraçou-a fortemente, invertendo as posições e impedindo que ela batesse as costas nos degraus.

Varias pessoas aproximaram-se do casal, alguns curiosos com a cena, outros com olhares nada amigáveis devido ao barulho que fizeram.

-Vocês estão bem; um jovem padre perguntou aproximando-se preocupado.

-Ai; Aiácos gemeu, porém tal dor era ínfima se comparado à sensação agradável que tinha ao ter a jovem de melenas avermelhadas entre seus braços.

-Desculpe; Juliana murmurou erguendo parcialmente a cabeça e deparando-se com o olhar intenso do cavaleiro sobre si.

Fitaram-se longamente, esquecendo-se completamente de que eram observados.

Tocou-lhe a face com suavidade, afastando da testa alguns fios que caiam sobre os olhos, vendo-a enrubescer levemente. Definitivamente, aquela jovem tinha muitas facetas que mal esperava para conhecer.

Ela parecia ser alguém frágil, por vezes tímida, mas quando provocada, que os deuses ajudassem, porque céus e terra tremeriam; ele pensou, lembrando-se dos outros encontros que tivera com a jovem 'sirene'.

-Tudo bem; ele sussurrou, deixando a ponta dos dedos tocar-lhe o queixo suavemente, fazendo-a instintivamente aproximar-se mais, fazendo com que seus lábios quase se roçassem.

-Cof! Cof! Cof! –uma tosse seca chamou-lhes a atenção.

Mais vermelha do que seus cabelos, Juliana rapidamente levantou-se, estendendo a mão ao cavaleiro, para que o mesmo pudesse levantar.

-Desculpe; ela falou para o padre que lhes chamou a atenção, enquanto literalmente arrastava o espectro para longe de Notre Dame.

Aiácos mal pode levantar-se direito, já viu-se sendo arrastado pelas ruas de Paris pela jovem, o que não era de todo o ruim; ele pensou, vendo-a parar apenas em frente a uma loja, fechada; ele pode observar.

Juliana soltou rapidamente a mão do cavaleiro ao ver que o arrastara até ali, alias, desde que levantara de cima dele em Notre Dame, não olhara mais para trás; ela pensou sentindo a face incendiar-se.

-Ahn! Bem...; ela balbuciou, voltando-se para ele hesitante, sem saber o que fazer.

-O que acha de tomar um café comigo? –Aiácos perguntou, antes mesmo que ela pudesse pensar em algo.

-O que? –Juliana perguntou surpresa, definitivamente não esperava esse tipo de reação.

-É, tem um café ali perto; ele falou casualmente apontando para um café logo na esquina.

Virou-se seguindo com o olhar o local que ele apontava e viu realmente um café ali, mas a simples expectativa de estar com ele, estava lhe deixando mais nervosa do que queria.

-Então? –Aiácos perguntou chamando-lhe a atenção, enquanto deixava os dedos passarem elegantemente entre as melenas azuladas, quase violeta.

Aquilo definitivamente era golpe baixo; ela pensou seguindo-lhe os movimentos com o olhar. Poderia ter um sorriso cretino, mas aquele cheiro, somado a carinha de criança e aquele estilo. Ninguém merece; Juliana pensou, suspirando resignada, não iria conseguir se livrar dele tão cedo, se bem que... Ela ponderou, não sabia mais se queria realmente se livrar dele.

Continua...