Capítulo 2 – Uma Nova Família.
Continuou treinando ao longo dos dias. Nem sempre conseguia, mas quando dava certo controlava o grau de profundidade dos pensamentos e assim permanecia presente enquanto informações eram adquiridas.
Resolvera que não tentaria com outra pessoa, que não ele, de novo enquanto não aprendesse a parecer impassível e conseguir manter uma conversação enquanto seus segredos fossem revelados.
Assim que estivesse perfeito e que com apenas um olhar fizesse o que bem entendesse, passaria para a lição número dois: oclumência.
Nunca mais deixaria que Dumbledore visse o que desejasse na sua cabeça. Dessa forma, seus caminhos estariam ainda mais livres do que no ano anterior.
Ao pensar no ano anterior, automaticamente virava-se para o calendário onde vários dias tinham sido riscados com uma pena, mostrando contagem regressiva. Faltava ainda três semanas para sua ida a Hogwarts.
Os dias arrastavam-se parecendo que nunca passariam e agora que já estava melhorando consideravelmente em legilimência, voltou sua atenção para seu outro objetivo. O bezoar.
Ele já estava com partes derretidas e com uma forma gosmenta, mas ainda não era o certo. Tom calculou que faltavam apenas 12 horas e que dessa vez daria certo.
Na manhã seguinte, acordou bem disposto e animado para averiguar como andava seus planos. Olhou para dentro do caldeirão e notou que já estava chegando no ponto.
Resolveu permanecer vigilante para não errar de novo, então apanhou um livro, sentou-se em sua cama velha e com calombos e encostou na cabeceira, próximo a mesa em que o caldeirão repousava borbulhante.
Ouviu um estourinho de bolha e percebeu que havia parado de ferver. Mais do que depressa, apanhou um frasco e uma concha e colocou o conteúdo calmamente no vidro. Quando estava na última gota, alguém bateu em sua porta. Com o susto, a gota caiu em seu dedo queimando-o e Tom quase deixou cair o frasco inteiro no chão.
Maldizendo seja lá quem fosse, gritou irritado:
- Quem é? – a pessoa pareceu ficar hesitante com a voz raivosa.
- A senhorita Candle, deseja ver você. – era a voz de uma garotinha. Logo em seguida, passos correndo para bem longe do porão.
Tom esperou uns minutos e ficou olhando para o frasco. A cor que antes estava preta, ficou prata e ele sorriu. Quase. Se agora ficasse dourado e menos líquido na temperatura ambiente é porque estava pronto.
Colocou o frasco enrolado com todo o cuidado em uma blusa sua e escondeu no fundo do armário. Depois seguiu para fora do quarto para saber o que a nova diretora e governanta, senhorita Candle, queria.
As crianças corriam animadas por todos os lados e usavam roupas diferentes do que estavam acostumadas. Por um momento, Tom não entendeu o porquê daquela mudança, mas então olhou para o quadro de avisos no saguão. Nunca prestava muita atenção no que colocavam ali, mas agora dizia "visita para adoção" e o dia. O dia era hoje.
Tom revirou os olhos. Tudo ficava uma loucura quando esse dia chegava. Casais alegres e patéticos vinham com fingidos sorrisos no rosto e olhavam para as crianças. A maioria delas tornava para a cama a noite, tristemente, porque o que os casais queriam eram sempre bebês.
Quanto mais tempo se passasse naquele lugar, menor era a probabilidade de ser adotado.
Ele não se importava com isso. Não tinha a menor expectativa de ter uma família. Sua mãe havia morrido e ele não fazia ideia de onde seu pai estava. Já tinha tido sua família, para que outra?
"Para que servem os pais, afinal?" Tom pensou subindo as escadas para o escritório da senhorita Candle. "Para dar comida, roupa, estudo? Já tenho tudo isso sem eles. Para dar amor?" soltou um riso de escárnio. "Eu não preciso de amor. Eu já tenho a mim mesmo para amar e isso já é mais do que suficiente."
Interrompeu sua linha de pensamento quando bateu a porta e ouviu mandarem-no entrar. A sala era a mesma que senhora Cole usava e onde Melissa estava naquela noite. Mas dessa vez, era uma mulher de meia idade, charmosa, mas séria, que ocupava a cadeira.
- Bom dia, senhor Riddle. – Tom não respondeu. Em vez disso, dirigiu sua atenção a um casal sentado em frente à mesa da nova diretora. – Parece que já percebeu a presença de nossos convidados. Esses são os Shaw. – Tom continuou a encará-los. – Senhor e senhora Shaw, esse é Tom Riddle.
- Ele é lindo, querido! – a senhora Shaw segurou a mão do esposo e conteve um acesso de alegria.
- Riddle, queira se sentar, por favor. – Tom se dirigiu a uma terceira cadeira e voltou a olhar para aquele trio estranho. – Esse adorável casal quer adotar uma criança. Estavam dando uma volta pelo nosso prédio quando viu uma foto sua e se interessaram sobre sua vida.
- É mesmo? – perguntou sem disfarçar o tédio.
- Tom é um garoto misterioso, bastante calado e tímido. Tem dificuldade de confiar nas pessoas, mas é incrivelmente inteligente e bem apessoado. – a senhorita Candle sorriu simpática.
- Quantos anos você tem, Tom? – a senhora Shaw perguntou com sua voz delicada.
- Doze.
- Parece ter mais! – o senhor Shaw respondeu também sorrindo. – Por que ele nunca foi adotado?
- Bem... – a senhorita Candle pareceu envergonhada. Provavelmente já sabia de todo o histórico da criança, mas não podia revelar tais coisas para eles. Ou podia? Deveria preveni-los que Tom não era assim tão agradável e quase matou outras pessoas? - ...sabem como é. Normalmente os pais não querem crianças já crescidas. Sem falar que ele não se destaca muito. Está sempre sozinho e em seu quarto. – Tom percebeu que ela evitou comentar que no momento ele residia em um porão.
- Tom, querido, nós vamos adorar dar uma família para você. Uma casa e muito amor. – Tom sorriu debochado de lado, mas seus futuros "pais" interpretaram isso como um sinal de consentimento.
- Eu não quero ser adotado. – falou. Os três ficaram em silêncio.
- Não quer se adotado? Mas...toda criança aqui quer ser adotada. – o senhor Shaw falou.
- Não eu.
- Acho que o pegamos desprevenido, sabe? – a senhorita Candle interrompeu. – Deve estar assustado com tudo isso, mas logo irá se acostumar com a ideia.
- Ah claro! – a senhora Shaw concordou. – Ele deve ter seus amiguinhos e suas rotinas. Não queremos bruscamente interromper isso. Podemos voltar daqui a algum tempo. Visitaremos ele toda semana, ou todo mês e quando ele estiver pronto, vai conosco.
Tom olhou curioso para ver a reação da senhorita Candle. Como ela explicaria o fato dele passar todo o ano letivo em um mundo mágico?
- É que...bem...Tom tem...hum...habilidades especiais descobertas a pouco tempo. Ele não passa o semestre aqui. Vai para uma outra escola.
- Habilidades especiais? – Tom percebeu que a situação passou de tediosa para interessante. Olhava de um para outro.
- Ele tem uma...anh...doença. – ela pareceu ficar mais aliviada por ter dito isso. Havia encontrado sua desculpa. Tom, por sua vez, sentiu voltar sua raiva. Doença? Então era assim que eles chamavam seu incrível dom? De doença?
Ele poderia acabar com aqueles trouxas em um piscar de olhos mesmo ainda não sendo o melhor bruxo! Como se atreviam a chamá-lo de doente? Se ele estava doente, era por culpa daquele orfanato podre. Ele estava doente e eles eram os seus vermes.
- Que tipo de...? – o senhor Shaw perguntou delicadamente.
- Anh...Tom? Poderia esperar lá fora? – Tom a encarou irritado por alguns segundos e sentiu que ela engolia em seco. Desde que chegara ali, a diretora o evitara a todo custo, pois como sucessora de Eleanor Cole, teve que ficar a par de suas "habilidades especiais".
Achou melhor fazer o que ela havia dito e se retirou. Assim que fechou a porta, colou o ouvido na madeira e se pôs a escutar.
- Tom é um menino muito especial. Às vezes causa problemas, mas temos certeza de que não é sua culpa. Ele tem algum tipo de retardo mental, mas o médico disse que não é o pior estágio. Tanto que ele é incrivelmente inteligente.
- Entendo. Parece que a cada coisa que conta desse menino, mas eu sinto que ele será perfeito como meu filho! – a esposa dizia com a voz sentida. – O que contou sobre a pobre mãe dele...coitadinho! E o pai?
- Nunca se soube quem foi. Só o que sabemos é que tem o mesmo nome de Tom. E mais nada.
- Sei. Bem, vamos fazer o seguinte. – o senhor Shaw falou. – Ao fim do ano letivo dele, iremos vir buscá-lo. Assim ele poderá se acostumar com essa nova vida e as papeladas ficam prontas.
- Não vão levá-lo agora? – era óbvia a decepção na voz da diretora. Quanto mais rápido se livrassem dele, mais aliviados todos ficariam, pois então seria problema de outras pessoas.
- Não. Creio que seja melhor assim.
- Além do mais, para quem já esperou tanto como nós, o que é mais um ano, certo? – a senhora Shaw finalizou.
Tom voltou irritado para seu quarto.
Tudo estava dando errado. Ia ser adotado! Ele não queria uma família. Muito menos uma família trouxa! Queria ficar em Hogwarts, para sempre!
E retardo mental? Quem aquela mulher pensava que era?
Bateu a porta do porão com toda a força que tinha e jogou-se na cama. Ficou alguns minutos pensando no que deveria fazer para sair dessa situação.
Fugir do orfanato era uma opção. Matar esses trouxas idiotas que queriam ser seus pais era uma outra opção. Mais agradável, até. Mas não sabia matar pessoas...ainda.
Lembrou-se do bezoar e abriu o armário. Tirou o frasquinho enrolado na blusa e olhou seu conteúdo. Sorriu.
Pelo menos uma coisa havia dado certo: conseguira transformar a pedra em plasma.
Segundo capítulo do meu Tom queridinho. To um pouco travada na quarta fic, porque as coisas estão um tanto agitadas nas últimas semanas. Nem paro quieta em da BarbieProngs. Ela deve achar que desisti de betar a fic dela, mas é que nunca tive férias tão agitadas.
Eu sempre pensei que o Tom, vivendo em um orfanato, já deve ter passado por uma quase adoção...mas como nunca foi citado nada nos livros da JK, então criei essa versão. Ele será adotado, mas não ficará muito feliz e tomará certas providências...
Reviews:
Ahsoka's Padawan - Eu sempre imaginei que Voldemort fosse um gênio, afinal ele conseguiu ser o segundo bruxo mais poderoso (depois de Dumbledore. Apesar de que, como ele conseguiu matá-lo, será que ele não seria o mais poderoso? Tudo bem que ele o matou de forma injusta e não direta). Sem falar que tinham cenas no livro que o Harry diz que o Snape e Dumbledore sempre pareciam saber o que se passava na mente deles, né? E depois descobre-se que ambos são legilimentes. Então acredito que não precise usar a varinha. Pelo menos não sempre. Só para situações mais complicadas ou sei lá.
Lyanna - Obrigada! Fico feliz que tenha amado e pode deixar que vou continuar sim! Também amo o Tom.
LadyProngs24 - Sim! Há continuações! Eu avisei que iam ter sete fics e TALVEZ 8. Uma para cada ano do nosso amado vilão, mas caramba! Até eu to me assustando com as coisas que ele ta fazendo...mais p/ frente vou ter que colocar um aviso de que eu não concordo com as coisas que o Tom pensa. Ele é só um personagem e sua opinião não é a minha, porque, em cada fic, ele ta pior... .
Você não é uma pessoa ruim. Se for, então sou também, porque adoro os malvados rs. Concordo que dá p/ entendê-lo melhor, saber o que o levou a fazer tudo aquilo. Porque como o conhecemos já cruel, parece que foi algo do nada, né?
Sim! O Tom era o geniozinho do colégio rs um CDF do lado sombrio da força rs.
Beijos, pessoal. Agradeço por lerem e peço que continuem ^^ E espero que tenham paciência para mais 5 fics pela frente rsrsrs
