Então, aqui está o capítulo 2.
Espero que gostem :D


So I sneak out to the garden to see you
(Então eu fugi para o jardim para te ver)
We keep quiet cause we're dead if they knew
(Nós ficamos quietos pois estaríamos mortos se eles soubessem)

Rose acabava de sair da aula de Poções acompanhada de Albus. Fazia menos de três meses que voltara a Hogwarts, mas sua vida já dera uma volta de 360°.

Tudo começou nas férias, quando descobriu gostar de Scorpius Malfoy, o que a fez cogitar a ideia de ir visitar o St. Mungus e ver se estava tudo bem com sua cabeça. Depois, descobriu que seus sentimentos eram recíprocos, o que a fez ficar pulando de felicidade com a prima Lily por quase dez minutos. E então, para a surpresa de todos os alunos de Hogwarts, quase um mês depois das aulas começarem, os dois começaram a namorar. E dessa vez Rose pensou que deveria ir ao St. Mungus fazer terapia intensiva, pois definitivamente algo estava errado com ela.

Apesar do ataque de ciúmes de Albus e as ameaças de morte de Hugo, Scorpius ainda se manteve firme na ideia de namorá-la. Afinal, eles se gostavam e era isso que importava no momento.

Rose acabara de chegar ao Salão Principal para almoçar e avistara Scorpius a encarando da mesa da Sonserina. Sorriu e acenou ao namorado, que sorriu de volta. Sentou-se perto dos primos e começou a conversar sobre banalidades, mas de algum jeito a conversa foi parar nela e Scorpius.

- Quando vai contar ao papai sobre o Scorpius? - perguntou Hugo com a cara fechada. Apesar de ser mais novo, se sentia no dever de proteger a irmã de qualquer cara que desse em cima dela.

- Quando vai contar ao papai sobre a Lily? - rebateu arqueando a sobrancelha. Hugo fechou ainda mais a cara e voltou sua atenção à comida no prato.

Já fazia um tempo que ela, Albus e Scorpius sabiam que sua prima Lily estava namorando Hugo. No começo, fora meio difícil aceitar, mas acabou acostumando com a ideia. Albus não concordou tão facilmente. Ameaçou bater a cabeça de Hugo na parede e jogá-lo no Lago Negro caso fizesse algo de ruim com a sua irmã. Obviamente ele não faria isso de verdade, mas pelo menos conseguira assustar Hugo um pouquinho.

- Ok, façamos um trato, então - Hugo levantou a cabeça e começou a falar de repente. - Contamos à mamãe e papai que estamos namorando, mas não contamos com quem.

- Você sabe que a mamãe vai ficar louca para fazer um jantar e convidá-los. E que papai vai ameaçar o meu namorado antes mesmo de saber quem é ele.

- Sim, me deixe terminar. Mamãe vai querer fazer essa coisa toda de jantar, e a gente aceita - Rose o olhou com a testa franzida. - Assim não tem como voltarmos atrás, Rose. A gente precisa contar, são os nossos pais.

Rose pareceu pensar por um tempo, e então finalmente apertou a mão do irmão, concordando.

- Mas a gente pede pra fazer depois do Natal, para termos um último feriado em paz. O que acha? Assim nós dois contamos.

Hugo assentiu e então voltaram suas atenções para o prato de comida, tentando não pensar a bagunça que a casa deles viraria.

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Já era a terceira roupa que Rose vestia. Ela não conseguia se decidir que roupa usar para esse maldito jantar. Estava imensamente feliz por finalmente poder contar aos pais quem era seu namorado, mas sentia que aquilo não daria certo.

Ouviu batidas na porta do quarto e respondeu um "já vai". Terminou de colocar o vestido e foi abrir, dando de cara com seu irmão. Se Rose estava nervosa, Hugo estava três vezes mais.

- Ah, meu Deus, Rose. Você não sabe... - disse enquanto se jogava na cama da irmã.

- Se você contar, eu vou saber.

- Tio Harry e tia Ginny... E o James e o Albus... A mamãe simplesmente enlouqueceu com essa ideia de jantar e chamou eles para vir pra cá!

- E o que tem demais?

- O que tem demais? Eu tinha me preparado para contar apenas aos meus pais. Pais da namorada, também conhecidos como meus tios, não estavam inclusos. Pelo menos não hoje.

- Sinto lhe dizer, Hugo, mas esse negócio de aceitar o jantar da mamãe foi sua ideia.

- Eu sei, mas é que...

- Rose! Hugo! - gritou a voz de Hermione no andar de baixo. - Seus tios e seus primos já estão aqui.

- Já estamos indo, mamãe! - respondeu Rose, já que Hugo parecia ter passado do estado nervoso para desesperado. - Nós esperamos o Scorpius chegar para contarmos tudo de uma vez, certo?

Hugo apenas assentiu, esperou Rose colocar a sapatilha e então desceram. Ao chegarem na sala, foram recepcionados por um abraço quebra-ossos de Ginny.

- Ah, mas esses meus sobrinhos estão tão bonitos hoje - disse Ginny rindo. - Nossa, Hugo, a menina deve ser muito importante pra você ter se arrumado desse jeito.

O garoto apenas sorriu nervoso, e foi cumprimentar o resto da família, assim como Rose. Obviamente o garoto ficara completamente encabulado ao cumprimentar Lily, que parecia calma demais.

- E então, Rose, alguma pista de quem é o misterioso namorado?

- Se eu der alguma pista vocês descobrem, James. Mas ele não vai demorar pra chegar - disse Rose conferindo o relógio de pulso. - Na verdade, ele já deve estar chegando.

Não muito tempo depois, alguém tocou a campainha e Rose saiu praticamente correndo para a porta de entrada. Hugo achava que ficaria ainda mais desesperado, mas parecia que o alívio de finalmente poder contar que namorava Lily era maior.

- Calma, Rose! Pode ser a namorada do Hugo, também - disse Harry rindo.

- Ah, não. Minha namorada já está aqui - respondeu com uma coragem que não soube de onde veio.

Todos os que não sabiam que era Lily começaram a olhar para os lados, à procura de alguma garota que podia ter aparecido sem eles perceberem.

- Hugo, as únicas garotas aqui são Lily e Rose - disse James com a testa franzida.

- Eu sei.

Seus pais, seus tios e James pareciam entender menos ainda o que estava acontecendo ali. Hugo olhou para Lily, que lhe sorriu e foi ao seu encontro, entrelaçando seus dedos. Todos fizeram uma expressão assustada diante de tal ato. Harry abriu a boca para dizer alguma coisa, mas fechou logo em seguida.

- Eu acho bom a Lily ter te dado a mão como amiga, Hugo Weasley - James foi o primeiro a demonstrar alguma reação. Uma péssima reação, diga-se de passagem.

- Não, James, não estou dando a mão para o Hugo como amiga. Eu sou a namorada dele - disse sorrindo de orelha a orelha.

Ron abriu a boca para falar alguma coisa, mas Rose chegou correndo na sala. Olhou para Lily e Hugo e sorriu.

- Ótimo, o Hugo já contou da Lily para vocês. Agora, se pudessem prestar atenção em mim, meu namorado chegou - e então foi para a porta buscar alguém.

Rose voltou logo depois de mãos dadas com um rapaz alto, loiro e de olhos cinzentos.

- Família... Conheçam meu namorado: Scorpius Malfoy.

Ginny, que estava sentada no braço de uma poltrona, quase caiu no chão. Hermione piscava repetidamente, como se tentasse assimilar o que via. Ron se levantou bravo e fuzilou Scorpius com os olhos.

- Ah, mas nem pensar!

- Ron... - Hermione lhe cutucou com o cotovelo.

- Hermione, ele é filho do Malfoy! - a morena o olhou sem entender o alvoroço. - Do Malfoy!

- Pai, por favor! O Scorpius é uma pessoa legal - Ron abriu a boca para protestar, mas Rose foi mais rápida. - Ele é o melhor amigo do Albus, pai. Você acha que se ele não fosse gente boa eles seriam amigos? Você acha que se ele não fosse gente boa a tia Ginny e o tio Harry deixariam ele entrar na casa deles?

Ron tentou achar algum argumento, mas parecia impossível. Hermione foi a primeira se aproximar e abraçar Scorpius, que retribuiu sem graça.

- Prazer, Scorpius. Hermione Weasley - ela disse sorrindo.

- Mãe, o Scorpius já conhece você.

- Eu sei, Rose. Mas ele me conhece como tia do melhor amigo. Agora estou me apresentando como sogra. Espero que esteja com fome, porque o jantar já está quase pronto - e então se retirou para a cozinha.

- Então, pequeno escorpião, qual suas intenções com minha filha? - perguntou Ron se sentando no sofá, cruzando os braços e o olhando ameaçadoramente. - Saiba que se magoá-la, a família Weasley é grande, o que significa que não teremos trabalho em dar um jeito em você.

Scorpius ficou ainda mais pálido e começou a gaguejar, tentando achar o que dizer.

- Ronald Weasley! Pare de ameaçar o namorado da Rose e venha me ajudar! - gritou Hermione da cozinha. Ron se levantou e foi, mas não sem antes apontar para o casal, como se dissesse que estava de olho neles.

- Foi melhor do que imaginamos - disse Rose sorrindo. - Não é, Hugo?

Hugo e Lily ainda estavam de mãos dadas no mesmo lugar. Hugo corou e deu um pequeno sorriso.

- Com certeza! - se manifestou Albus rindo. - Poxa, eu tinha apostado com a Lily que o tio Ron desmaiava.

- Vocês sabiam?

- Claro, pai. Meus melhores amigos começam a namorar e eu não vou saber? - Albus revirou os olhos.

- Sabia da Lily também? - perguntou Ginny. Albus balançou a cabeça em concordância.

- Você sabia? - James se virou apontando o dedo pro irmão. - Como você sabia de uma coisa dessas e não fez nada? Não contou pra gente?

- E queria que eu fizesse o quê? Estamos na mesma Casa, gênio, não tem como impedí-los de se ver, se falar ou qualquer outra coisa. Além do mais, isso é assunto da Lily, não seria eu quem contaria.

- James, sossega. Nem eu e seu pai estamos surtando - disse Ginny colocando a mão no ombro do filho mais velho.

- Mas mãe...

Ginny lhe lançou um olhar que dizia claramente o que aconteceria se James continuasse dando aquele escândalo. Harry continuava a encarar a filha e o sobrinho. Aquilo era a coisa mais estranha do mundo para ele, mas engoliu todo o ciúmes por alguém estar namorando sua pequena Lily, pois ela parecia feliz. Além do mais, sabia que Ginny o mataria se ele desse um acesso de raiva.

O resto da noite passou normalmente - ou quão normal pode ser quando você conta que sua namorada é sua prima, ou que seu namorado é o filho de um ex-Comensal da Morte inimigo do seu pai. Ron continuava lançando alguns olhares para Rose e Scorpius, que sorriam felizes um ao lado do outro. Hermione ficou radiante quando Scorpius elogiou sua comida, tal como Rose previra. James se controlava imensamente para não dar chilique, ainda mais na hora de ir embora, quando Lily deu um rápido beijo em Hugo.

- Ok, Lily, nós aceitamos o namoro de vocês, mas vá com calma, sim? - disse Harry a afastando de Hugo antes que a garota resolvesse beijá-lo outra vez. - Só porque aceitamos, não significa que nos acostumamos.

Na hora de ir embora, Scorpius foi abrir a porta para receber os pais e pedir para que esperassem para conhecer a namorada. Ambos assentiram e ficaram esperando no pequeno hall. Scorpius saiu e voltou poucos segundos depois de mãos dadas com Rose. Draco os olhou como se esperasse que ele dissesse que era brincadeira, mas o sorriso no rosto do filho dizia que isso não aconteceria.

- Mãe, pai... Minha namorada: Rose Weasley.

Estava tudo dando certo. Draco só havia elevado um pouco a voz uma vez, mas abaixou a pedido da esposa. Claro que não aceitava muito bem o fato de seu filho estar namorando com a filha da Granger com o Weasley, mas Scorpius parecia imensamente feliz com isso, então utilizou uma força sobrehumana para se controlar e não fazer escândalo. Astoria estava até achando Rose simpática. Mas Ron continuava a achar aquilo tudo um absurdo.

- Pelo amor de Deus, Weasley - disse Draco perdendo a paciência. - Se eu, minha esposa e a Granger aceitamos, por que você continua dando chilique? - Ron olhou feio para Draco, que só rolou os olhos. - Ah, faça-me o favor! Olhe bem para os nossos filhos, Weasley. Sua filha já pareceu estar feliz desse jeito antes? Porque o meu filho não, e eu estou feliz por ele estar assim. Tente não arruinar isso, sim?

Ron abriu a boca para falar alguma coisa, mas Hermione deu um pequeno beliscão em seu braço, o calando.

Scorpius se despediu de Rose com um abraço e um beijo na bochecha, pois não queria receber mais olhares ameaçadores de Ron. Foi ao encontro dos pais, se posicionando no meio deles. Com um último aceno de cabeça, os três Malfoys desaparataram para a própria casa, deixando Rose olhando sonhadoramente para o nada.