Bella Swan

Pela terceira vez naquela tarde, Jessica chamava minha atenção no trabalho. Eu, Bella Swan, já não era a pessoa mais atenta no mundo, mas aquele dia estava impossível. E tudo por causa daquela noite anterior...

Era tão bobo, tão fútil, tão sórdido... Eu queria experimentar algo diferente na minha vida, algo impensado, carnal, alguma loucura que ninguém imaginaria que eu seria capaz de fazer... mas ao mesmo tempo não queria que as pessoas me julgassem por isso. Eu queria um sexo casual com um estranho, mas não queria correr o risco de ser reconhecida na rua, não queria que ninguém ficasse sabendo, não queria que falassem de mim ou sequer que começassem a pensar que eu era uma pessoa diferente... porque eu não era. No dia a dia, eu era uma pessoa até que tímida, racional, respeitosa e respeitada... Por que diabos uma pessoa séria e contida não pode se perder no sexo sem ser julgada?

Tudo bem, eu não era tão séria, nem tão tímida, nem tão contida, mas era um pouco disso tudo sim... e aquele anúncio que encontrei pela internet era perfeito...

No começo, fiquei receosa, com medo... Meu primeiro e único namorado, Jacob, era caloroso... fofo e atencioso durante o dia, mas na cama ele levava as coisas mais rápido do que eu gostaria, como se não apreciasse todo o caminho, só o final. E, na verdade, tudo indicava para que eu fosse me deparar com um homem desse tipo naquela noite, alguém que só estaria lá para se satisfazer no sexo, sem se preocupar.

E então, da maneira mais inesperada possível, aparece alguém que não só me tratou com carinho, mas conseguiu tornar as preliminares tão magnificamente longas que eu, que sempre quis que Jacob fosse mais devagar, já estava quase implorando pelo ato final, tamanha a provocação. Aquele tiro no escuro - tum dum dá - tinha sido literalmente a melhor noite da minha vida... e eu queria mais.

A questão era... aquele cara era atípico. Se eu fosse arriscar outro Blind Date muuuito dificilmente conseguiria uma noite igual...

E foram esses pensamentos de luxúria e indecisão que me dispersaram do trabalho naquela tarde.

Assim que cheguei em casa, entrei no computador e fiz login naquele site. Eles haviam dito que eu poderia responder uma "pesquisa de satisfação". Novamente fui surpreendida... Ao final da pesquisa anônima, havia a opção "gostaria de marcar de novo com essa pessoa?". Claro, respondi.

Assim que submeti minhas respostas, um anúncio apareceu: "Selecione algumas datas possíveis em ordem de preferência, para um segundo encontro com a pessoa anterior". Meu coração deu um pulo, meus lábios lentamente abriram um sorriso de orelha a orelha. Será que eu realmente conseguiria um encontro com aquele mesmo cara?


Eu estava nervosa. Não que da outra vez não estivesse, mas era diferente... Antes era medo, agora era... o que? Ansiedade? Um pouco de vergonha, talvez? O ambiente era o mesmo, na escuridão total, mas eu já tinha encontrado aquele homem uma vez, o que, de certa forma, deixava a situação menos impessoal...

Desta vez, resolvi ousar um pouco mais, fazendo uma pequena surpresa para ele... Eu tirei o sutiã e entrei no quarto escuro apenas de calcinha. Deitei no meio da cama, da mesma maneira que antes... e aguardei dolorosos minutos.

Um barulho de porta abrindo e uma fresta de luz... uma luz extremamente fraca, vinda da pré-sala ligeiramente menos escura, incapaz de definir bem uma silhueta, mas suficiente para ocasionalmente sugerir o movimento de um vulto. Logo a porta se fechou e nada mais pude ver, nem ao menos sugestões de movimentos de vultos.

Contei mentalmente os passos, que somente de vez em quando faziam barulho. Tremi quando dedos encostaram no peito de meu pé, quase como da outra vez. Ele acariciou meu pé gentilmente, quase como se não houvesse nenhuma malícia no ar.

Suspirei quando ele começou a subir pela minha canela, joelho, então coxas... Eu sorri apenas com o pensamento do que estaria por vir.

Somente uma vez, ele percorreu a parte interna de minha coxa, o suficiente para me fazer morder o lábio em espectativa de mais carícias naquela local, mas só. Claro, ele não aceleraria as coisas... justamente da maneira que me enlouquecera da vez anterior.

Sua mão retornou para o lado externo de minha coxa, ocasionalmente chegando à lateral de minha bunda, onde ele dedicou mais tempo, com movimentos circulares que, embora ainda leves, transmitiam mais calor humano do que antes. A mão então escorregou em direção ao colchão, apertando toda a minha bunda por cima da calcinha. Pela primeira vez naquela noite, um pouco de ar saiu de meu nariz de maneira sutilmente audível. Surpresa e aprovação.

Ele deve ter ouvido aquilo, pois a mão que apalpou minha bunda um pouco mais forte, meio que tentando erguer a metade direita de meu corpo. Dando mais acesso às carícias dele, virei de lado.

A mão me segurou pela parte inferior de minha cintura e, após ouvir alguns indícios de movimento, passei a sentir calor humano atrás de mim. Segurei a respiração quando senti toda a extensão das minhas costas ser grudada ao peitoral definido dele. Mordi de leve o lábio quando a perna quente dele encaixou completamente atrás da minha, ambas um pouco flexionadas. Gemi baixo quando o membro dele, já com um pouco de ereção, foi pressionado à parte inferior de minha bunda.

Ele percorreu minha barriga com a mão, que então foi subindo. Da outra vez, ele havia hesitado no contorno do sutiã... Desta vez, pelo jeito, apesar de nossos corpos estarem completamente encaixados, ele ainda não parecia ter notado que não havia sutiã... e a lateral de seu dedo colidiu suavemente com a base de meu seio. Com a respiração mais uma vez presa por um segundo, sorri ao ouvi-lo sugar o ar com a boca. Novamente, surpresa e aprovação.

Com os corpos ainda colados, pude sentir sua ereção mais proeminente. Ele se mexeu um pouco, de modo que seu pênis roçou por toda a extensão de minha bunda, protegido apenas pelos finos tecidos que nos separavam. Eu gemi, instintivamente me pressionando momentaneamente contra ele. Com um esboço de sorriso, ouvi também um gemido masculino em resposta.

Mais brevemente do que eu gostaria, ele percorreu meus dois seios, um de cada vez, esbarrando em meus mamilos, já duros, mas não mais que isso. Virei a cabeça para o lado quando a mão subiu pelo meu pescoço e passou a explorar os contornos de meu rosto. Logo, senti seus lábios nos meus, quentes, com movimentos gentis, mas mais firmes do que quando me beijara pela primeira vez, naquela outra noite. Ele claramente se controlava, tentando levar o beijo num ritmo inicialmente mais lento, incompatível com o nível de excitação que eu podia sentir ora na parte inferior de minhas costas, ora quase encaixando na minha bunda. Provocação ou romantismo? Não pude dizer.

A sensação de tê-lo com o corpo todo pressionado às minhas costas era incrível... Eu me sentia protegida e desejada. Mesmo assim, fiz menção de virar, pois queria beijá-lo mais intensamente, queria deitar por cima dele, retribuir a provocação que ele sempre parecia controlar.

E, no entanto, ele me impediu, segurando-me próximo à base de meu seio. Ele me beijou mais fervorosamente, meio que reafirmando suas intenções de continuarmos naquela posição. Não protestei, mas movimentei a bunda sugestivamente, pressionando-a contra o membro dele apenas para provocá-lo também. Ele gemeu em minha boca, seus dentes raspando de leve em minha língua, por um segundo.

A mão quente dele finalmente massageava meu seio com vontade, ora apalpando-o como um todo, ora contornando e apertando meu mamilo. Comecei a fazer movimentos lentos, mas contínuos com a minha bunda, causando fricção com o membro extremamente duro dele. Senti o peito dele mais quente em minhas costas, pulsante, e sua respiração irregular, às vezes mais profunda, às vezes mais curta.

Em resposta, a mão dele foi escorregando pela minha barriga... mais para baixo... até chegar em meu ventre. Ele percorreu toda a região entre minhas pernas e tenho certeza que, mesmo através da calcinha, ele pôde perceber o quão molhada eu estava. Isso deve tê-lo excitado ainda mais, pois, sem mais delongas, ele adentrou minha calcinha, explorando-me novamente, porém agora em contato direto com a minha pele.

Ele cessou o beijo e passou lamber a parte de trás de minha orelha, fazendo-se tremer de prazer. Enquanto isso, sua mão foi logo de encontro à minha umidade, contornando meus lábios internos. Então, a ponta de um de seus dedos entrou em mim, fazendo-me gemer mais uma vez. Vagarosamente, ele retirou o dedo, fazendo-me soltar sons de protesto. Perto de minha orelha, juro ter ouvido o mais breve dos risos.

Para meu deleite, senti um contato em meu clítoris. O dedo dele, agora molhado, começou a massagear-me inicialmente de leve, mas não demorou para que seus movimentos ganhassem mais pressão. Minha respiração foi aos poucos ficando cada vez mais irregular, enquanto os dedos dele subiam, desciam, contornavam meu clítoris... então apertavam-no seguidas vezes, vibravam em círculos...

Meus gemidos estavam frequentes, meu coração descompassado. Inconscientemente, eu movia meu ventre entre sua mão e seu membro ereto, ocasionalmente arrancando sons de aprovação dele. Então as contrações começaram a aparecer, o calor... Em pouco tempo comecei a ver estrelas, jogando minha cabeça para trás.

Ele aproveitou a maior exposição de meu pescoço e comecou a beijá-lo, enquanto eu ainda implorava por ar.

Não muito tempo depois, senti um dedo penetrar-me... vagarosamente... até entrar por completo... então saindo, só para entrar novamente. Indo... e voltando. Gemi mais alto quando um segundo dedo me penetrou, curvando-se ao chegar ao fundo.

Durante todo o meu namoro eu tive dificuldades em chegar ao verdadeiro orgasmo... e aquele homem estava disposto a me mandar lá mais vezes do que eu achava que seria possível em tão pouco tempo.

Os dedos dele me bombeavam de maneira fervorosa, arrancando gemidos cada vez mais altos...Quando eu estava quase no ápice, senti um terceiro dedo me adentrando... aquilo me levou à loucura. Em pouco tempo, cheguei ao meu segundo orgasmo da noite, implorando por ar logo em seguida.

Enquanto eu me recuperava daquelas sensações maravilhosas e lembrava a mim mesma que devia respirar, senti ele se afastar de mim. Minha frustração demorou apenas alguns segundos, pois logo entendi suas intenções... ouvi um barulho de camisinha sendo aberta.

Ele voltou a me encoxar na cama. Ele estava sem cueca... muito grande... muito duro. Eu gemi com aquele calor humano me envolvendo. Quando me dei conta, minha calcinha já escorregava pelas pernas, rapidamente sendo chutada para o lado.

Ele usou a mão para contornar minha bunda e, de uma maneira extremamente proficiente, ele levantou minha perna, fazendo-me a flexionar um pouco. Atrás de mim, senti o roçar da cabeça de seu membro e, sem muitas delongas, senti-o adentrar minha vagina.

Ah, aquela sensação... O ângulo de contato trouxe-me um prazer diferenciado, inesperado para aquela noite... Nas primeiras movimentações dele, nós dois gememos de leve... então ele deu um impulso mais intenso... e mais. Enquanto ele devorava meu pescoço, sua mão acariciava meus seios, fazendo-me pensar por que diabos eu nunca tinha apreciado aquela posição antes.

Quando as investidas se tornaram mais intensas, senti seus dedos encontrarem meu clítoris, massageando-o com calor e pressão. Nem preciso dizer que rapidamente cheguei ao orgasmo... mas não ele. Aquele homem, magnífico como era na cama, conseguiu se conter, reduzindo o ritmo das investidas de algo mais urgente para uma movimentação sensualmente gostosa e provocativa.

Sem sair de mim completamente, ele movimentou minha perna, de modo que fiquei com as costas inteiras no colchão. Assim que ele terminou de se posicionar entre minhas pernas, ele me beijou. Por breves segundos, os beijos foram firmes e calorosos, mas lentos. Rapidamente, no entanto, sua língua começou a trabalhar fervorosamente, fazendo-me perder em seus lábios, enquanto seus movimentos pélvicos voltavam a ganhar velocidade. As estocadas ficaram mais rápidas... mais intensas... e ainda mais.

Em certo momento, ele passou a beijar meus seios e uma de suas mãos agarrou minha cintura... e, nesse momento, a velocidade da penetração já estava tão intensa que eu já estava quase no auge novamente... Eu ouvia a respiração dele ficar mais descompassada e meu próprio coração já estava a mil.

Então, senti um calor dentro de mim, barrado pela camisinha... isso foi o que faltava para me fazer chegar ao limite novamente... Meu quarto orgasmo naquela noite maravilhosa e, desta vez, praticamente em sincronia com ele.

Ele saiu de mim e, após os primeiros segundos de recuperação, ele me envolveu em um abraço. Vários minutos se passaram em que apenas ficamos repirando pesado, colados um ao outro, abraçados como se aquela noite tivesse tão envolvente para ele quanto foi para mim... o que eu duvidava. Por algum motivo, no entanto, peguei-me questionando se Jacob havia me dado momentos tão íntimos e carinhosos pós-sexo como aquele...

E, no entanto, ele era apenas um estranho... tinha chegado a hora de a fantasia acabar, de eu voltar para o mundo real. Relutantemente, levantei-me e fui saindo da cama... quando uma mão segurou meu pulso.

"Fica... ao menos mais um pouco," a voz dele, grave, rasgada e extremamente sensual apareceu.

Engoli em seco. Não deveríamos conversar, era parte do acordo, parte da proposta daquele estabelecimento... Meu coração pulou uma batida quando decidi voltar a ficar abraçada com aquele homem, aquele estranho com o qual eu tinha medo de me sentir mais envolvida do que deveria.

Mais um punhado de minutos se passaram em que ficamos apenas abraçados, aquecidos um pelo outro. A respiração quente dele alcançava meu pescoço, enquanto pequenas carícias passavam pelos meus braços e ocasionalmente pelo tronco. Com beijos muito leves, ele foi trilhando até meu ouvido, onde sussurou...

"Eu gostaria de te encontrar outras vezes."

Engoli em seco mais uma vez, tentando controlar meus batimentos. Nervosismo ou ansiedade? Não sei.

"Pode ser um outro encontro às escuras, se não quiser se expor... Talvez aquele restaurante que se come no escuro? La Push, conhece? "

Respirei fundo, incerta se deveria responder ou não... Ele realmente estava querendo se encontrar comigo em outro ambiente?

"Farei uma reserva para sexta à noite... 20h, que tal? Quando chegar, pergunte por... hmm... Robert."

Pela hesitação dele, perguntei-me se aquele era o nome verdadeiro dele... ou se ele apenas estava em dúvida se deveria expô-lo para mim.

"Não precisamos nos ver... Eu chego antes, te espero no escuro, você entra, janta comigo e vai embora antes... nem nos veremos. Eu só... eu queria conversar um pouco."

Mordi o lábio. Aquilo tudo estava perfeito demais para ser verdade... e eu tinha ido para aquele lugar justamente para me divertir sem comprometimento, sem ter possibilidades de me machucar...

"Apenas me dê uma resposta... Por favor..."

Ah, foda-se... Virei em sua direção e, acariciando seu rosto, beijei-o da maneira mais suave e delicada que consegui. "Combinado," sussurei.

Ele me deu um último beijo mais longo.

Antes que aquele mundo de fantasias me consumisse e eu nunca mais saisse para a realidade, comecei a me afastar... Ah, aquele homem...