Capítulo 2 – O Veneno Da Destruição (x)

Kouga caminhou solitário pela floresta até chegar à clareira onde haviam ficado Hakkaku e Ginta.

– Kouga! – A princípio, Ginta acenou alegremente, mas parou ao notar a ira no rosto de seu líder. – O que aconteceu?

Kouga passou por eles e sentou-se emburrado sobre uma pedra.

– Nada que interesse a vocês dois!

– É melhor não ficar enchendo ele de perguntas... – Sussurrou Hakkaku para Ginta.

– É, ele está de péssimo humor...

Ginta concordou com o companheiro, mas ambos se assustaram com a pergunta de Kouga.

– O que os dois estão cochichando aí?

– Nada! Nadinha, Kouga! – Os dois responderam ao mesmo tempo.

Kouga voltou seu olhar para o céu. Primeiramente, viu o rosto sorridente de Kagome. Lembrou-se de seu doce cheiro. Fechou os olhos e divagou um pouco. Veio-lhe a mente também o rosto do ser que tanto desprezava, agora mais do que nunca. Encheu-se de ira novamente e socou uma pedra diante de si, fazendo-a em pedaços.

– Aquele hanyou miserável!

– V-v-você está falando de Inu-Yasha, Kouga? – Perguntou Ginta, um tanto receoso.

– E por acaso você conhece algum outro hanyou desprezível, Ginta? – Levantou seu punho.

– Hei, calma, Kouga! O que foi que aconteceu?

Hakkaku segurou o punho de Kouga, que logo se desarmou. Eram seus companheiros diante de si, não seus inimigos. Eles não tinham culpa de nada. Kouga abaixou a cabeça e reclamou, mais para si mesmo do que para os dois que estavam ao seu lado.

– Eu perdi a Kagome...

– Como...

Ginta não chegou a terminar a pergunta, pois foi interrompido pela mão de Hakkaku em seu ombro. Hakkaku acenou com a cabeça de forma negativa e Ginta compreendeu. Aquela não era hora de ficarem fazendo perguntas. A ferida ainda estava aberta.

Kouga virou-se de costas para seus companheiros e sentou-se sobre a relva. Ele ficou olhando para a grama. Em breve aquele solo estaria coberto de neve. "Você tirou a neve do meu coração, Kagome... Como pôde se entregar àquele maldito!". Alguma coisa incomodava seus olhos e logo estavam embaçados. Apertou a vista e as folhas de grama receberam suas lágrimas. Ele queria parar, mas não conseguia contê-las. Desciam compulsoriamente por seu rosto, fora de seu controle, assim como estava seu coração. Batia aceleradamente dentro de seu peito.

– Eu é que deveria ser o pai do seu filho! – Gritou para o ar, esquecendo-se de seus companheiros atrás de si.

– Filho?

Ginta sussurrou sua pergunta para Hakkaku, já que não queria perturbar Kouga. Hakkaku apenas suspirou e deu de ombros. Kouga continuava divagando e falando consigo mesmo.

– Eu faria qualquer coisa para ter você comigo, Kagome...

Uma voz sombria e rouca ecoou, saindo de detrás das árvores.

– Qualquer coisa?

Kouga levantou-se e olhou ao redor. Não dava para saber de onde vinha aquela voz.

– Quem está aí?

– Faria realmente qualquer coisa para ter aquela mulher? Posso ajudá-lo a tê-la só para você...

Os dois companheiros de Kouga se levantaram assustados e correram até seu líder.

– Hei, Kouga... Vamos sair daqui. – Disse Ginta.

– É, essa coisa me dá arrepios...

– Seus dois medrosos... – Interrompeu Kouga. – Por acaso vocês acham que eu vou correr de uma voz qualquer? – Para as árvores a sua frente. – Por que não se mostra?

– Sou uma criatura muito frágil, meu caro príncipe lobo... Não posso mostrar-me a não ser que tenha certeza de que estarei seguro.

Kouga cruzou os braços, meio desconfiado.

– Como sabe quem eu sou?

– E quem não conhece o grande o lobo guerreiro Kouga?

– Isso está me cheirando a tapeação... O que você disse é verdade? – Apesar de desconfiar da criatura escondida na vegetação, não queria desperdiçar a chance de ter Kagome.

– Sim, é... Posso ajudá-lo a possuir aquela moça e ela sempre será sua...

– Kouga, você não pode confiar nessa coisa! – Exclamou Hakkaku.

– Tem algo estranho...

– Ah, calem a boca vocês dois! – Aproximou-se de onde achava vir aquela voz. – O que quer em troca?

– Quase nada... Mas garanto que os dois estarão juntos... Temos um acordo?

Kouga pensou duas vezes antes de concordar, mas era tentação demais. Poder tomar Kagome de Inu-Yasha e ficar com ela para sempre. Era uma chance que não poderia deixar passar. Notou uma sombra disforme passando atrás de uma árvore.

– Está bem, temos um acordo. Mas se você não conseguir cumprir sua parte não receberá nada!

– Eu sempre cumpro minha parte, mas eu cobro adiantado... – Um fino facho de luz saiu daquela sombra e passou rente pela face de Kouga, causando-lhe um pequeno corte. Kouga colocou a mão sobre o rosto e notou que sangrava.

– Que traição é essa? – Olhou para frente. – Quem é você?

– Seu corpo forte com fragmentos da Jóia de Quatro Almas me ajudará muito...

– O quê?

Kouga não acreditou nas palavras que ouviu e notou uma forma sair de detrás da árvore. Era uma criatura gelatinosa, de cor avermelhada. Não possuía braços, pernas ou cabeça. Movia-se em direção a Kouga, deixando um rastro úmido, como o de uma lesma. Subitamente saltou sobre o lobo e começou a entrar em seu corpo pelo ferimento do rosto. Hakkaku e Ginta correram e tentaram ajudar Kouga a livrar-se daquela coisa, mas foram arremessados contra as árvores, caindo descordados.

– Seu miserável! – Tentava soltar-se inutilmente, pois a criatura esvaia-se por entre suas mãos. – Você mentiu!

– Eu não menti. Eu disse que a entregaria a você, só não disse como... Meu pai renascerá de novo!

– Pai! – Sentiu um frio no estômago. – "Será possível?". Você é mais um dos clones de Naraku?

– Antes da batalha final contra Inu-Yasha, meu pai quis se certificar de que poderia sobreviver caso seu plano desse errado. Retirou parte de seu próprio sangue e deu-lhe vida para procurar um corpo que pudesse abrigá-lo novamente.

– Não... não pode ser... – Kouga caiu sobre os joelhos. Sentia-se sufocado e fraco.

– Naraku está morto, mas eu, Hakaidoku, continuarei seu desejo!

– Não!

Era tarde demais. Hakaidoku havia entrado completamente em seu corpo, assumindo o controle.


(x) Veneno da destruição – Significado literal do nome do vilão que surge neste capítulo, Hakaidoku