Mais um inconseqüente ameaçado a Soul Society em plena floração das Cerejeiras, nada poderia tê-lo deixado mais irritado. A única ocasião em que ele não se incomodava em socializar com os Esquadrões e era interrompido dessa maneira.

'Total falta de respeito, esse deve sofrer e será por minha espada. Intolerável!'

Então ele partiu em busca de seu adversário com pensamentos nada amistosos a sabe-se lá quem, mas que evidentemente não tinha amor à própria vida.

Momentos antes

Ele estava no pátio do Primeiro Esquadrão acompanhado de sua irmã. Capitães e Tenentes trajavam roupas festivas condizentes com a comemoração. Mesmo estando disposto a estar em um lugar tão barulhento não significava que estaria no olho do furacão. E sua constante áurea de arrogância intimidante sempre ajudava a manter todos a uma distância respeitosa ou mesmo temerosa. Um lugar mais reservado, provavelmente onde a maior parte dos Capitães costuma ficar sempre é mais silencioso.

Antes de chegar lá sua atenção foi desviada para o grupo de humanos que se aproximava, não que eles lhe importassem em nada salvo uma única exceção: Inoue Orihime. Desde a primeira vez que Rukia pediu permissão para que ela ficasse em sua casa, ela claramente mostrou-se extremamente educada, ganhando gradativamente o seu respeito. Não que ele perdesse seu precioso tempo pensando nela, apenas não repudiava sua companhia. Após tantos anos Rukia já não pedia permissão, apenas informava que a amiga estava vindo para mais uma temporada. Mesmo que o irritante Kurosaki Ichigo por vezes também viesse, ele nunca ficava na mansão, Rukia sabia muito bem os limites da tolerância de seu irmão.

-Capitão Kuchiki, como vai? É muito bom vê-lo. – Disse ela com uma reverência, sempre educada. A única a cumprimenta-lo.

-Vou bem obrigado, ficará na mansão? – Perguntou normalmente.

-Apenas se ficar muito tarde para voltar, o festival está lindo! – Respondeu com os olhos brilhando enquanto observava o lugar

-Sinta-se à vontade, aproveite o festival. – 'A única digna entre eles, definitivamente.'

Enquanto o grupo se afastava, levando Rukia com eles, ele observou discretamente o quanto ela estava bela, ele a viu crescer a partir de uma adolescente insegura a uma jovem mulher determinada, e extrair esse tipo de atenção dele, mesmo que involuntariamente, era um feito raro, alguém que tenha conseguido chamar a sua atenção a esse ponto não devia ser tratado levianamente. 'Nada demais.'Afinal ela sempre estava em sua casa e ela havia conquistado um certo nível de tolerância de sua parte. Ela era alguém a quem ele respeitava. Nada, além disso, e admitir que ela estava bonita não seria o fim do mundo, para a maioria. No fundo da sua mente ele até poderia admitir de se importava com ela, mas tão somente por que era amiga de sua irmã. Esse era o ponto.

O festival estava correndo tranquilamente, muita música, bebidas, comidas de todos os tipos e gostos e de excelente qualidade, alguns dançavam alegremente, a maioria em grupos, como sempre. Risos eram ouvidos por toda parte. Há algum tempo o Gotei estava em paz, o que tornava ainda mais merecida aquela comemoração. Festas a esse nível eram raras, comumente apenas dentro dos esquadrões, mas envolvendo todos os Esquadrões de Guarda fazia muito tempo.

Foi quando eles sentiram a uma enorme quantidade de reiatsu densa, maligna, atravessar as barreiras da fortaleza, o silêncio foi imediato. De longe puderam ver uma garganta que se abria próximo a um dos portões do Sereity, perto do Segundo Distrito e uma quantidade monstruosa de Menos Grande começou a sair por ela. Demorou um momento até que alguém falasse alguma coisa, ninguém conseguia acreditar que um ataque desses pudesse ser feito diretamente a Fortaleza. Não foram poucos que consideraram um ato suicida.

-Estamos sob ataque, todos os Capitães reúnam seus esquadrões. Atenção: Capitão Soi Fong, descubra o que está acontecendo, quero informações; Capitão Unohana divida sua equipe, uma parte fica em Sereity a outra acompanha a ofensiva; Capitães Shinji, Kuchiki, Hitsugaya, Kensei e Kenpachi preparem o ataque, os demais estejam prontos para proteger a fortaleza. Capitão Komamura guarde a Primeira Divisão.

-Sim – Responderam todos.

Em minutos cada Capitão tomou um rumo diferente seguidos por seus respectivos esquadrões, comunicação a mil através das borboletas do inferno. Não demorou muito para perceberem que não eram apenas Menos que atravessavam a garganta, adjuchas e gillians também estavam no meio. Quando os ataques começaram parecia fácil, mas então as explosões vieram. Era tudo muito planejado, devidamente arquitetado, havia mais naquele ataque que apenas um ato suicida e era clara a intenção de causar o máximo de destruição possível. Números simplesmente não venceriam as habilidades daqueles shinigamis, então tinham planejado ataques surpresa. E essas explosões estavam pegando todos de surpresa, eram muito destrutivas e violentas. Muitos caíram.

Foi aí que Byakuya viu. Quando ele parou a certa distância do centro da batalha sua intenção era entender a origem das explosões e as peculiaridades na aparência daqueles hollows, mas quando ele viu uma sombra rastejar de dentro da garganta ele soube que aquele era o responsável por tudo aquilo. Ele não precisou nem pensar, disparou como um raio atrás daquele ser desprezível. Outro Capitão encontraria uma solução para impedir aquele estrago.

-Então tudo isso foi uma trama sua? – Após alguns minutos de perseguição ele conseguiu deter o mentor daquele ataque.

-Você não é minha prioridade shinigami. – Seus planos não envolviam ser atacado por aquele Capitão. Seria uma perde de tempo precioso, coisa que ele não tinha.

-Passei a ser, você só seguirá adiante se conseguir passar por mim.

-Então que seja. – Ele tinha que ser rápido, toda a sua estratégia dependia de tempo, se quisesse sair vivo dali.

Após cruzarem espadas ficou mais do que claro que Byakuya não perderia para aquele sujeito, a quem ele nem havia se dado ao trabalho de perguntar o nome, seu inimigo já apresentava sinais de cansaço enquanto ele apenas tinha arranhões nas mãos graças a espada daquele sujeito que era singular. Ele queria compreender como um homem claramente de poder espiritual limitado estava orquestrando aquele ataque. Mas algo que ele não esperava e nunca tinha visto aconteceu.

-Isso não era pra você, mas ainda bem que tenho outra reserva. – O sujeito riu.

Ele tirou de dentro de um dos bolsos internos de seu traje uma esfera transparente que a primeira vista parecia inofensiva, cabia na palma da mão de tão pequena. Ele apertou a esfera por alguns minutos e depois a prendeu no cabo da espada, uma linha muito fina fazia a ligação, então ele apontou a espada precisamente entre ele e Byakuya.

-Teia de Medusa. – Ele sussurrou. A esfera foi circulando a espada até a ponta em espiral de onde foi ao chão. Com o impacto o fio se partiu.

Fios começaram a surgir a partir daquele que foi partido, seus movimentos eram articulados, como o movimento das serpentes, eles foram se fechando até atingir o topo, junto com uma luz esverdeada paralisante que saiu dos cacos da esfera quando ela atingiu o chão e quebrou. Em segundos os fios recriaram uma versão da esfera de tamanho maior, sendo que exatamente igual aprisionado tanto Byakuya quanto seu adversário, que parecia insanamente satisfeito com o resultado obtido.

-Quem é você? – Curiosidade venceu sua superioridade.

-Então você se dignou a querer saber quem sou? – Seu sorriso era debochado.

-Acabou de merecer minha atenção. – Essa técnica o estava intrigando, ela era traiçoeira. Ele podia jurar que os pequenos fios que viu nos hollows antes de seguir Makoto também tinham sua assinatura. 'Um cientista.'

-Meu nome é Makoto Kobi, lhe soa familiar? – Ódio brilhou em seu olhar.

Esse nome não lhe era estranho, ele se lembrava de já tê-lo ouvido e não estava associado a algo bom e também não fazia muito tempo. Então ele lembrou.

'Makoto Kibuni, Terceiro Assento do Terceiro Esquadrão no breve período que foi comandado por Shusuke Amagai, um homem ardiloso que queria vingança e veio trazendo com ele esse tal Makoto Kibuni que igualmente não tinha respeito pela vida.'

-Você tem parentesco com Makoto Kibuni? – Ele queria informações.

-Então você se lembra dele – Ele riu – Mesmo depois de tanto tempo. Eu vim terminar o que ele começou, vocês não merecem governar esse mundo e seu Comandante será o primeiro a cair.

Kobi sempre admirou Kibuni, seu irmão mais velho e mesmo preocupado com o fato dele nunca ter apreço pelas habilidades de shinigamis mais fracos que ele, beirando o desprezo e a insolência, ele conseguia entender seu irmão. Foi em um fim e tarde que recebeu a notícia que ele havia sido derrotado em combate pelo Tenente Kira por ter si revelado um traidor. Ele não se importou com o fato de que seu irmão queria matar a todos e a qualquer um, isso não significava nada para ele. Seu irmão teria seus objetivos alcançados, custe o que custar.

'Eu jurei meu irmão, primeiro o Comandante por ter sido um cego omisso e ter permitido que isso acontecesse, depois o monstro que tirou sua vida, ele não tinha esse direito e depois o Terceiro Esquadrão que deveria te proteger e não fez nada. Eles vão pagar, todos eles. Eu só preciso mover algumas peças. E no fim todos caíram.'

-Você acha que pode me deter dentro dessa esfera? – Aquilo era ridículo, acaso ele não entendia o relacionamento de Mestre e Espada?

-Você conhece a lenda da Medusa Byakuya Kuchiki? Ela é do mundo humano. Não importa o que faça até que eu morra seu corpo está totalmente paralisado, você só está conseguindo falar por que eu estou permitindo, eu controlo esse espaço, eu controlo você.

De fato ele não era um lutador hábil e muito menos alguém com capacidade para ser um shinigami, mas sua inteligência era surpreendente Byakuya tinha de admitir. Ele provavelmente passou muito tempo desenvolvendo essa arma e mais tempo ainda a aperfeiçoando da melhor maneira possível, não seria errado acreditar que desde a morte de seu irmão. Conhecia suas limitações e também suas fraquezas e como qualquer lutador torcia para que seu adversário não descobrisse o ponto fraco.

'Senbonzakura você precisa dispersar.'

'Irei feri-lo.'

'A alternativa é bem pior.'

'Esta certo, mas não gosto disso, farei o possível para não machucá-lo além do inevitável.'

'Entendo, obrigado.'

-Shire Senbonzakura Kageyoshi, Gokei. – Ele não duvidou das palavras de Makoto, ele não conseguia mover um único músculo de seu corpo e se sua voz era a única arma que tinha ele iria ativar a sua técnica mais destrutiva, mesmo se ele fosse atingido era certo que seu adversário morreria no processo.

A forma como ele tinha sido paralisado não ajudou, o ângulo da espada em sua mão não era o correto para a liberação de seu Bankai, mas tinha que ser feito. Sua mão foi cortada por sua própria espada ao escorregar para o chão. A outra também não escapou ilesa, por estar perto demais quando as lâminas se espalharam embora o estrago foi consideravelmente menor, graças ao cuidado de Senbonzakura.

-O que você fez? – Makoto gritou, furioso.

O que Byakuya não tinha percebido era que ninguém conseguia vê-los dentro da esfera, da mesma forma que a esfera era transparente enquanto estava nas mãos de Makoto continuou transparente quando os envolveu, era como a face de um espelho refletindo a imagem a sua volta, e outra coisa que ele não tinha conhecimento era que Makoto estava movendo a esfera com eles dentro, tentando chegar o mais perto possível da Primeira Divisão. Se ele tivesse feito isso antes teria passado despercebido por Byakuya mas sua arrogância era tamanha que não deu importância a esse fato, achando que sua distração seria mais que suficiente sem contar o fato de que criar essas esferas não era uma tarefa fácil e muito menos barata.

Sua arma tinha uma falha crucial e Makoto sabia bem e esse era o motivo que ele tentou evitar um combate com Byakuya: Uma vez determinado o tamanho da esfera ele não podia ser alterado e conhecendo as técnicas de todos os Capitães as de Byakuya eram sem dúvidas uma das mais arriscadas para ele enfrentar. Quando Byakuya ativou seu Gokei não deu outra, a pressão foi tão grande que a esfera quebrou e mesmo com o corpo ainda paralisado Byakuya estava pronto para liberar sua técnica destrutiva. No mesmo instante as lâminas de Senbonzakura cercaram Makoto.

Foi quando Byakuya viu a espada dele atravessando o Gokei, indo direto para ele, que não podia se mexer. Quando a esfera ruiu ele sabia que todos estavam olhando para eles, ele detectou as reiatsus de todos os que estavam ali, esperando que ele fizesse algum movimento, mas não tinha como, com sua visão periférica ele pegou cada expressão. Foi quando ele sentiu o escudo protetor de Orihime e mesmo que ele nunca admitisse, ficou aliviado. Então ele liberou o Gokei sem reservas, com a espada vindo em sua direção.

À medida que ele era destruído por Senbonzakura o efeito paralisante era desfeito, gradativamente, ele podia sentir. Mas não teve nenhum temor com relação à espada que vinha em sua direção, ele sabia que o escudo que o protegia era extremamente eficiente, perdera a conta de quantas vezes o viu em ação. Não foi surpresa quando a espada bateu no escudo sem causar danos, surpresa foi quando ela mudou de alvo graças a um daqueles fios presos a ela. Através do Gokei ele pegou um flash de um sorriso de Makoto antes de ser totalmente destruído, e foi com horror que ele viu a direção que a espada estava tomando. Rukia seria atingida mortalmente. Ele tinha feito o dever de casa, conhecia todos em Sereitey. Uma tentativa de vingança no último instante. Tudo isso não passou de segundos.

Ele tentou forçar seu corpo a reagir, mas não conseguiu, teve que assistir Orihime receber o golpe no lugar de sua irmã. Para ele ver uma das poucas pessoas que ele considerava digna e pura de coração ter uma espada atravessa em seu corpo era contra a ordem natural do universo e contra a sua natureza. Quando o inimigo finalmente morreu, ele conseguiu se mexer, tão rápido quanto pode, segurando Orihime antes que seu corpo atingisse o chão, tudo parecia se mover em câmera lenta. Com Orihime em seus braços sua paciência foi para o espaço. Seu corpo ainda estava o pouco duro, por assim dizer, mas o olhar que ela lançou para ele antes de salvar Rukia fez com que ele se mexesse como se não houvesse mais resquícios daquele 'truque' tão baixo.

'Incompetentes, como não puderam evitar que ela fosse atingida, ninguém enxergou que o escudo dela estava em mim e porque que estão todos aqui apenas assistindo, não tem nada melhor para fazer do que ocupar espaço inutilmente? Mas... o que aconteceu com ela?'

Enquanto esteve dentro da esfera ele não viu nada do que aconteceu. Depois de contida sua fúria inicial ele percebeu que não era apenas o ferimento causado pela espada que estava colocando ela a um passo da morte, seu corpo, até onde os olhos podiam ver, tinham muitas escoriações e não eram superficiais como aparentavam sem contar sua reiatsu que estava perigosamente baixa.

-O que vocês estão esperando, vão buscar ajuda é muito arriscado move-la assim! AGORA! – Disparou Byakuya totalmente furioso.

Ele ouvia as vozes mas não queria se concentrar em nenhuma delas, tentou prender a atenção dela nele, para tentar amenizar sua dor quando a espada foi retirada, a paralisia a que foi submetido claramente havia afetado sua reiatsu,'Técnica para covardes', a energia que ainda tinha ele usou para tentar parar todo aquele sangue 'Ela não merece morrer', mas não tinha certeza se o que fazia era suficiente, eficiente.

-Obrigada Capitão Kuchiki.

'Mas o que? Orihime resista vamos! Por que estou tão incomodado? Ela... ela não deve morrer.'

Ele queria um motivo para justificar aquela sensação estranha dentro dele, ele olhou por um momento seu sangue misturado ao dela, parecia um elo, ele ouvia tudo ao seu redor, mas era como se mais uma vez estivesse paralisado. Esgotamento caiu sobre ele, então ele fez a única coisa que ainda podia por ela: puxou-a em seus braços para que ela se sentisse segura e tivesse um motivo para viver, e na cabeça dele, era para que ela entendesse que ele precisava agradecer adequadamente e para isso ela tinha que viver.

Ele nunca havia se sentido tão confuso.