N/A: Please, perdoem-me pela sinopse mais que horrenda. Eu sou horrível, simplesmente horrível em resumos. u.u'

Ele sempre estava nos meus sonhos. Todas as noites, quando eu fechava os olhos eu via o rosto dele. Por mais que tentasse esquecê-lo, meus pensamentos teimavam em voltar pra ele. Para o homem que eu nunca mais veria.

Três meses depois da minha ida ao hospital, quando eu finalmente consegui andar de novo, voltei ao hospital de Columbus. Quando eu cheguei lá e ouvi o que a recepcionista me falou, me senti inexplicavelmente vazia, como se alguém tivesse tirado os meus sentimentos de mim.

O Dr. Cullen deixou o hospital. O Dr. Cullen deixou o hospital. Deixou o hospital.

Aquela frase ecoava na minha mente, machucando cada célula do meu ser. Eu nunca mais veria Carlisle Cullen. E o mais estranho não era ele ter simplesmente desaparecido da cidade sem deixar nenhum vestígio de sua estadia ali, e sim, o quanto me machucava saber que eu nunca mais veria um homem que eu só tinha visto uma vez na vida.

Emily, minha melhor amiga, fez questão de dizer isso em alto e bom som quando, um ano depois, eu contei a ela como eu me sentia:

- Esme, você não pode viver em função de uma lembrança! Você só o viu uma vez, pelo amor de Deus!

Eu não podia argumentar. Eu estava sendo ridícula, suspirando por alguém que eu nunca mais veria.

- E mesmo que você o visse de novo, que diferença isso faria? Ele não viu você como a mulher da vida dele, ou não teria ido embora. Mesmo que ele tivesse ficado o resto da vida aqui, não mudaria nada. Supere essa paixonite infantil, Esme.

Depois disso, eu nunca mais falei uma palavra sobre ele. Nem pra Emily, nem pra ninguém. Mas Carlisle Cullen nunca deixou os meus sonhos.

Mas a vida continuava. No final de três anos, todas as minhas amigas tinham se casado. Algumas continuavam por perto, outras tinham ido para o outro lado do país. Todas estavam felizes. Menos eu. Apesar dos contínuos esforços de meus pais, eu nem sequer tinha um pretendente. Alguns rapazes tinham tentado me conquistar, em vão.

Enquanto eu recusava um após o outro, minha mãe ficava cada vez mais rabugenta. Queria saber os motivos pelos quais eu estava recusando tantos "bons partidos". Eu inventava desculpas cada vez mais absurdas, qualquer coisa que fizesse ela me deixar em paz. Nenhum deles se dera ao trabalho de pedir minha mão ao meu pai, então não tive que recusar nenhum oficialmente.

Meu pai também não estava contente comigo. Ele acreditava que como sua filha, eu tinha a obrigação de não envergonhá-lo e uma filha que se mantinha solteira por opção era uma vergonha. Não passava pela cabeça dele que eu não tinha absolutamente nada contra o casamento, apenas contra os pretendentes.

Eram bons rapazes, mas pareciam apaixonados demais. Eu não queria um noivo que me amasse quando eu não o amava. Não queria fazer ninguém sofrer. Por isso estava decidida a me mudar para o Oeste, onde eu poderia ter uma profissão, uma ocupação que eu gostasse. Eu seria uma ótima professora.

Mas eu não contava com a reação de papai. Inconformado com a idéia de sua única filha se tornar uma professora numa terra sem lei, ele fez o inimaginável. Se eu não queria arranjar um marido por mim mesma, ele arranjaria. E foi assim que eu conheci Charles Evenson.

Uma coisa eu posso dizer a favor do meu pai. Ele sinceramente acreditava estar fazendo a coisa certa. Porém, Charles Evenson nunca deveria ter sido considerado como "a coisa certa". Nem no pior dos pesadelos.

Eu tentei me livrar de Evenson, mas sinto dizer que minha força de vontade não foi suficiente contra a insistência dos meus pais e a determinação da Emily em me ver casada.

- Por favor, Esme, aceite o pobre homem! Charles é gentil, gosta dos seus pais e não é de forma alguma desagradável de se olhar.

Eu sabia de tudo aquilo. Mas eu não conseguia me ver casada com Charles Evenson. Simplesmente eu não podia.

- É por causa dele, não é? Por tudo que é mais sagrado, Esme Anne Platt! Esqueça o Dr. Cullen!

Com uma frase, Emily acertara em cheio meu ponto fraco.

Esqueça o Dr. Cullen.

Falar é muito fácil. Eu usava toda a minha força de vontade pra tirar a imagem dele da minha mente, até mesmo dos meus sonhos. Eu já não pensava tanto nele, pelo menos não conscientemente. Mas era difícil não pensar nele quando a Emily gritava o nome dele na minha frente.

Naquele momento eu odiei a Emily. Porque ela não podia simplesmente me deixar em paz?! E daí que eu estava esperando por alguém que nunca ia voltar? O problema era meu, não dela.

Então eu me dei conta de como eu era patética, recusando um bom homem por causa de um sonho adolescente, por causa de uma ilusão romântica. A Emily estava certa. Provavelmente eu nunca mais veria Carlisle Cullen na vida. Era tempo de continuar vivendo.

Pouco depois, eu aceitei o pedido de Charles Evenson. E conheci o verdadeiro significado da expressão "inferno em vida"

Meu noivado durou quase dois anos. Eu adiei o casamento até onde eu pude. Duas semanas depois de aceitar o pedido de Evenson, eu estava profundamente arrependida. Não queria que ele sofresse, sabendo que sua esposa não o amava.

Eu contei a ele que não o amava, sequer estava apaixonada por ele. Charles sorriu e disse que não se importava, que ele me ensinaria a amá-lo. Na época ele me pareceu tão sincero e adorável que eu resolvi lhe dar uma chance. Marcamos a data do casamento.

Minha cerimônia de casamento foi linda. Meus pais jamais economizariam no casamento da única filha, não depois de todo o trabalho que tiveram para conseguir realizá-lo. Eu tive uma festa e um vestido magníficos, feitos especialmente para que os convidados os invejassem. Foi a minha despedida pessoal da alegria. O último dia em que eu fui capaz de sorrir por um longo tempo.

Descobri o verdadeiro homem com que eu tinha me casado na lua-de-mel. Antes que eu pudesse me acostumar à vida de casada, a máscara gentil de Charles Evenson caiu, revelando o crápula odioso que ele era. Para Charles nada estava bom. Nunca. Eu era uma péssima esposa, não fazia nada direito, a casa nunca estava limpa o suficiente, mesmo que estivesse tudo brilhando. Nada que eu cozinhasse era digno do paladar refinado de meu marido e principalmente, eu nunca, jamais, o satisfazia na cama.

Não que ele se importasse com a minha suposta ineficácia na cama. Era apenas mais uma das milhares de queixas diárias que Charles me apresentava. E mesmo se ele se importasse, eu não podia fazer nada. A nossa noite de núpcias aconteceu tão rápido que eu não tive tempo de sentir nada além de uma pontada de dor. E nas poucas vezes que se seguiram, eu não senti nada. Absolutamente nada.

Depois eu percebi que sentir nada era uma benção. Uma noite, depois de sair com os amigos, Charles chegou em casa bêbado e assim que me viu acordada, esperando por ele, se descontrolou e me bateu. Eu, a garota em que ninguém sequer sonhava em machucar, estava apanhando do desgraçado que tinha a obrigação de me proteger! Desgraçado, filho de uma vadia, isso é o que ele era.

Uma semana depois, quando eu pude sair na rua sem morrer de vergonha, eu fui à casa dos meus pais. Eu não tinha dúvidas de que eles não permitiriam que eu fosse tratada daquela forma vil. Como eu estava enganada!

Meus pais me receberam maravilhosamente bem, ao menos até saberem do motivo da minha visita. Ao ouvirem o que eu pretendia fazer, eles se transformaram em outras pessoas, desconhecidas para mim. Eu queria anular o casamento, ou pelo menos ficar o mais longe possível de Charles Evenson. O que meus pais fizeram? Deram o mais estapafúrdio conselho que eu jamais ouvira:

Você é uma mulher casada agora, Esme. Não pode correr pra nós a cada vez que tiver uma dificuldade. Cresça e seja uma mulher de verdade, ou pelo menos tente ser uma boa esposa. Supere as dificuldades pelo bem do seu casamento.

Boa esposa?! Eles queriam que eu me tornasse um saco de pancadas, isso sim! Eu demonstrei meu desagrado, mas no fim das contas, eu entendi que não teria o menos apoio deles contra o meu marido. Meus pais não apoiariam nada que os envergonhasse publicamente. Nem mesmo se fosse minha única chance de sobrevivência.

Charles ficava cada vez mais descontrolado. Eu não podia mais ir à casa dos meus pais, nem ver nenhuma das minhas amigas, nem mesmo fazer compras sozinha. Meus dias se resumiam a fazer todas as vontades do meu marido, mesmo as mais absurdas e rezar pra que isso fosse o suficiente. Mas pra Charles nada era bom o bastante. E eu sofria as conseqüências.

Não sei quanto tempo eu teria agüentado viver daquela maneira, sobrevivendo a Charles, se a Grande Guerra não tivesse explodido no mundo. Para centenas de esposas, ver seus maridos indo pra guerra era uma dor incalculável, mas pra mim foi um prazer indescritível.

Com a ida de Charles para o campo de batalha, minha vida se tornou menos miserável. Posso até dizer que eu estava bem perto da felicidade. O alívio que eu sentia em não ter que controlar cada ato meu, com medo da reação de Charles era o mais próximo que eu conhecia da felicidade.

Nos dois anos que Charles passou na guerra, eu fui feliz. A cada lista de mortos ou desaparecidos que o Exército divulgava, eu rezava para o nome de Charles aparecer, seguido da palavra que traduzia meus sentimentos para com ele: Morto.

Mas o desgraçado devia ter um anjo, ou melhor, um demônio protetor, porque o nome dele nunca apareceu em nenhuma dessas listas. E então, no inverno de 1919, Charles Evenson voltou para casa. E todo o pavor que eu sentia voltou a congelar meu coração.

Se antes da guerra, ele já era violento e descontrolado, depois de presenciar todas aquelas mortes, ele se tornou ainda pior. Parou de ser exigir uma casa impecável, mas exigia de mim um sacrifício ainda maior: minha presença na cama com uma freqüência cada vez maior.

Antes, estar na cama com Charles não fazia com que eu sentisse nada. Agora, eu sentia duas coisas: vergonha e nojo. Vergonha de mim, por ter que me sujeitar ao papel de uma meretriz, dormir com um homem que eu sequer gostava e nojo do homem grosseiro e vil com quem eu me casara.

Eu amaldiçoava a hora em que eu me deixei persuadir a casar com Charles pelo menos uma vez por dia. Já que eu não pude ter quem eu queria, deveria ter morrido solteira. Ao menos assim, eu não sofreria tanto. Nem teria vivido no inferno.


N/A²: Pobre Esme! Ninguém merecia um marido desses. Maaaaas em breve, ela será recompensada....

Thanks to everyone. Reviews garantem continuação da fic, é sempre bom lembrar. XD