Capítulo II
"A Irmã Feia"
(Porque todas temos uma parte Cinderela...)
Penso que o termo "irmã feia" não está muito de acordo com a realidade. Não sou propriamente uma princesa, mas também não sou um monstro. Sou normal, acho eu. Os meus olhos são de um verde sem brilho, o meu cabelo cor de cenoura. Nada muito especial, nada muito comum. Apenas normal.
Mas a minha irmã… não há maneira de a descrever. Ela tem cabelo muito comprido de um louro sujo, e uma pela tão bonita e macia. Ela tem os olhos mais azuis que algum dia vi, qualquer pessoa pode-se perder naquela oceano; ela é incrivelmente magra- mas não daquela magro anoréctico, de um magro elegante- e é tão bonita que é impossível ela passar despercebida na rua. Ela é ela. Ela é a Petunia.
E Petunia equivale a perfeição. Pensem bem: ela é bela, magra, trabalhadora e usa, aparentemente, roupas baratas. Ainda para mais, ela é a simpatia em pessoa.
Ou assim pensam. A minha irmã uma vez disse-me que varrer queimava 500 calorias por hora, e podem ter a certeza que as tais roupas baratas dela custam mais que o meu armário inteiro. E acerca de ser a simpatia em pessoa… sim, sim. Por exemplo, rapazes. Todos os rapazes do nosso bairro beijam o chão que ela pisa. E ela? Ela não podia se importar menos com isso. Eles não são suficientes para ela. Ela quer mais do que simples rapazes. Ela não quer simplesmente alguém bonito. Ela quer alguém rico, poderoso. Ela é insaciável. Para ela, apenas o melhor, e nada menos.
Mas ninguém nunca viu esse lado dela.
E porquê? Porque eu existo. Quando comparada com ela, eu só apenas a irmã complicada, acima do peso, preguiçosa e viciada em compras. Para mais, ser simpática e falar com pessoas que acabei de conhecer nunca foi propriamente o meu forte.
E ainda há que acrescentar, desta vez com mais secretismo, que eu sou uma bruxa. E não me estou a referir a ser má. Sou mesmo uma bruxa, feiticeira, mágica.
Quando tinha onze anos, recebi uma letra que me informava que eu tinha sido aceite numa escola de magia. Podem imaginar quão feliz fiquei. Ser uma bruxa! Todas as crianças sonham com isso… e para mim tornou-se realidade!!
E quanto à minha irmã… pela primeira vez na vida dela, eu tinha algo que ela não tinha nem nunca poderia ter. Eu, finalmente, era alguém longe das sombras dela. Nem sei como me pude enganar tanto ao pensar que aquela era de solidão estava finalmente acabada.
Eu lembro-me de quando era mais nova, como não me importava com o que era dito sobre mim. Pensava que não era importante. As pessoas que realmente me amassem iriam estar sempre lá por mim. Especialmente a minha irmã. Eu era tão parva que não vi que a Petunia só estaria lá por mim desde que eu continuasse a ter uma má reputação. Desde que ela fosse a pobre e querida Petunia e eu fosse a arrogante Evans, ela estaria bem.
Ir para uma escola privada fez-me repensar essa parte da minha vida.
A minha irmã não gostou muito da ideia de eu ir para uma escola privada e ela ficar. Tanto odiava a ideia que fez questão de contar ao nosso bairro inteiro de como eu ia ter uma educação melhor que a dela, como eu iria estudar no privado e ela no público. Incrivelmente, isso não me afectou tanto como eu pensava. Só o facto de me afastar daquilo tudo durante dez meses valia a pena! Dez fantásticos meses…
Beauxbatons era uma escola somente para raparigas. Não vou dizer que esse facto me incomodou, muito pelo contrário. Eu adorei. Eu não era propriamente um presente de Deus aos comuns mortais. Era um pouco acima do elegante (tinha curvas), era tímida e, como a maioria das pessoas pensavam, arrogante. Uma das outras qualidades da escola era ser bem longe, mas mesmo longe, de tudo o que eu conhecia. Eu teria finalmente uma oportunidade de ser eu mesma.
E tudo estava bem até ao final do meu quinto ano.
Assim eu fiz dezasseis anos e me mudei de França para Inglaterra, de Beauxbatons to Hogwarts, tudo mudou.
Assim que eu conheci o meu novo vizinho e me apaixonei por ele, e a minha irmã decidiu que queria casar com um rico e poderoso bruxo e o escolheu, tudo mudou completamente.
Porque eu sabia, não sei como, mas sabia, que ele nunca me escolheria. Não importava o facto de eu ser mágica como ele e ela não.
No final, tudo isso era banal. Tudo era resumido a uma simples verdade: a Cinderela fica sempre com o príncipe, e a irmã feia acaba sozinha.
Eu sabia que James Potter nunca seria meu.
Mas, para entenderem o que a minha vida é agora, tenho que vos contar a minha vida desde que os meus pais decidiram que nos íamos mudar.
Nota da autora: segundo capítulo, e em muito pouco tempo!!
Digam lá que não sou simpática??
:D
Hannah
