My sex Angel by Naobi Chan em português.

Os personagens pertencem a Stephenie Meyer e a fic a Naobi Chan que gentilmente me permitiu a tradução.

Capítulo 1

Estava sentada em uma cadeira no meio da cozinha da casa de meu pai em Forks, tudo ao meu redor estava em silêncio. Eu tinha meus joelhos dobrados e fortemente pressionados contra meu peito, meu rosto enterrado entre eles e chorando silenciosamente. Apenas há sete meses, minha vida era perfeita e agora...

Agora estava sozinha... Realmente sozinha.

Eu poderia ainda me lembrar bem do dia em que Renée chegou em casa chorando após um exame médico de rotina daqueles que faziam no trabalho. Ainda morava em Phoenix, o sol já tinha se posto e estava preparando o jantar quando ela chegou de seu trabalho como educador de creche. Ao atravessar a porta caiu no sofá e começou a chorar inconsolavelmente enquanto seu corpo se contorcia com os soluços. Levou mais de 40 minutos para conseguir tranquilizá-la e ela me dizer o que estava acontecendo, ela só chorava e olhava para um ponto fixo ignorando tudo ao seu redor.

Câncer...

A palavra perfurou minha mente e me fez esquecer o mundo que nos rodeava. Renée tinha câncer e eu... Eu não podia acreditar. Mas não era apenas um câncer qualquer, não... Câncer de cólon, e o pior de tudo, ele já estava bastante avançado quando detectados.

Eu podia me lembrar bem o tormento no qual minha vida que se tornou após sua confissão entre lágrimas. Depois disso vieram as incansáveis visitas ao médico, e outro e outro... Tratamento após o outro e tão ineficaz quanto o anterior.

Minha vida se tornou um inferno, eu tinha apenas quinze anos, eu me tornei o chefe de família como Charlie, meu pai, que havia se divorciado quando eu era apenas um bebê, vivia a sete horas de voo de onde estávamos. Parei de ir à escola regularmente, minhas notas caíram e minhas olheiras aumentaram.

Minha mãe passava noites sem dormir por causa da dor que a impedia de dormir, e eu a acompanhava para que não se sentisse sozinha, ela insistia que eu deveria levar uma vida normal, mas eu não conseguia desviar os olhos e fingir que não percebia que a cada dia parecia mais magra que na semana passada, ou tinha vomitado mais vezes do que nunca naquela noite.

O pior foram as internação hospitalares, cada vez que minha mãe tinha uma crise passava seis dias internada e eu a acompanhava porque a ansiedade de não saber como ela estava passando era além de mim. E, finalmente, o dinheiro tinha acabado, Renée teve que parar de trabalhar por isso perdeu seu seguro de saúde, e tivemos que abrir mão do meu fundo para a faculdade para seguir em frente.

Por sorte tínhamos Kate, nossa vizinha e uma das melhores amigas de minha mãe, que sempre dava uma mão quando podia. Ela cozinhou e cuidou de Renée quando eu era obrigada a frequentar a escola devido a um teste ou uma prova de atitude. Foi como o nosso anjo da guarda, mas nunca poderia fazer muito desde que estava além de suas possibilidades, ela era uma mãe solteira de dois gêmeos adoráveis e tinha que trabalhar e criar suas duas filhas.

Não demorou muito até que o serviço social, alertado pelo assistente social da escola, assumiu o caso e fui enviada para morar com Charlie. Para mim foi uma tortura ter que sair de Phoenix e viajar para Forks com um pai que mal conhecia, ele me via apenas 15 dias por ano em minhas férias e meu aniversário. Além de... Ter que deixar minha mãe praticamente sem vida hospital partiu minha alma em duas. Demorou apenas dois dias para que ela morresse depois que eu parti, e com a má sorte como a minha não pude sequer comparecer ao seu funeral.

O início com Charlie, como se chamava meu pai, foi difícil. Tentei culpa- lo por tudo de ruim que me aconteceu na vida. Ficava trancada em meu quarto por horas, conversando e comendo apenas o suficiente para me manter forte. Ele só aceitava, sabia que era algo que eu tinha de superar por mim mesma, por isso me dava espaço para pensar sobre as coisas, eu mesma iria perceber que estava errada.

Que não demorou muito para acontecer. Dois meses depois de chegar a Forks percebi que a culpa não era de Charlie, mas eu precisava de alguém para culpar, por que tinha uma raiva reprimida tão ruim por tudo que eu estava passando e desafogava chutando uma bola com todas as minhas forças contra a porta de garagem. A primeira vez que fiz isso, Charlie saiu de casa assustado e permaneceu paralisado por cerca de dois minutos assistindo como eu descarregava tudo na bola. Uma semana depois, e após cerca de dez bolas caírem na floresta e se perderem no mato, Charlie instalou um saco de Box na garagem. Durante horas ele ficava me ensinando como bater sem machucar-me e depois me deixou sozinha para que pudesse tirar toda a raiva de dentro de mim. Eu fiquei presa ali mais de três horas, acabei com as juntas ensanguentadas, os músculos dos meus braços estavam dormentes e chorando amontoada em um chorando. Charlie me tomou em seus braços e me levou para o banheiro, onde curou minhas feridas, completamente em silencio. Eu chorei em seu ombro e, finalmente, adormeci em seus braços.

Aquele dia foi o início de uma nova vida para mim, decidi que se continuasse a lamentar o que tinha acontecido nunca poderia seguir adiante, por isso, quando na manhã seguinte eu acordei tentando desenhar um sorriso nos lábios, querendo fazer novos amigos e procurar um buraquinho onde eu me sentisse bem na fria e úmida Forks.

Foi assim que comecei há passar mais tempo com Charlotte e Jane, minhas colegas do ensino médio em Forks, elas eram minhas melhores amigas, pelo menos eu tinha alguém para dividir meu tempo e tentar me divertir. Nós ocasionalmente íamos a algumas lojas em Port Angeles, jantar fora ou ver um filme apenas. Começava a me sentir melhor comigo mesma e voltei a sorrir novamente, quando o destino resolveu me dar outra facada nas costas.

Ele passado apenas cinco dias... Cada vez que eu penso meus cabelos ficam em pé... Há apenas cinco dias atrás eu começava a tirar a cabeça do buraco enorme no qual havia caído, esperando por uma mão amiga para me ajudar a sair, mas o que eu encontrei foi como se uma tonelada de terra caísse sobre mim me impedindo de respirar. Por mais que eu lutasse para ver uma fresta de luz, tudo o que eu achava era o escuro... Para onde quer que olhasse, por mais que eu tentasse abrir os olhos ao máximo, somente a escuridão...

Era uma sexta-feira, tinha acabado de voltar da escola e estava preparando o jantar. Eu tinha a TV na MTV em um clipe de vídeo, enquanto Muse tocava no volume máximo em casa. Frango com batatas assadas... Charlie chuparia seus dedos, ele adorava.

Enquanto espera pelo alarme do forno, brincava com a pulseira que Charlie tinha me dado no meu aniversário há apenas dois meses. Era uma corrente de prata simples a partir da qual pendia um pingente em formato de coração com o nome de minha mãe gravado. O dia que ele me deu o presente me joguei em seus braços chorando, foi o primeiro abraço que dei em Charlie por vontade própria, até que a partir daquele dia tinha sido fácil sentir vontade de abraça-lo quando ele estava por perto.

Enrolava a pulseira no meu dedo subindo e descendo fazendo o pingente deslizar fazendo um tilintar no processo. Era chato e monótono, mas não tinha nada melhor para fazer.

Quando o alarme do forno soou, tirei o frango com batatas com cuidado do para não me queimar, mas não tive tanta sorte, xingando entre dentes, coloquei meu dedo queimado em água corrente fria, o telefone tocou e eu tive que parar o que estava fazendo para atendê-lo.

- Alô? Minha voz soou alegre, muito mais do que soava há seis meses quando vim para esta cidadezinha no meio do nada.

- Algum parente de Charlie Swan? , Perguntou uma mulher do outro lado.

- Eu sou sua filha... Mas ele não está em casa agora, eu disse, franzindo a testa.

- Eu sei, mas você precisa se apresentar o quanto antes no hospital municipal de Forks, houve um acidente.

A voz da mulher continuou a falar, mas eu não estava escutando. O telefone escorregou da minha mão e bateu no chão. Sem pensar no que eu estava fazendo eu saí para a rua, estava escuro e tinha esquecido de pegar um casaco, mas eu não sentia o frio, só tinha medo... Um medo que percorria o osso e me fazia tremer embora estivesse coberta de suor.

E eu corri...

Quando as portas do hospital apareceram diante dos meus olhos apurei o passo e entrei sem olhar ao meu redor, a enfermeira que dava informações me disse para esperar, até que o médico apareceu, Dr. Gerandy e colocando uma mão nas minhas costas me levou ao seu escritório.

Eu estava naquele momento fora do meu corpo, era como se eu tivesse deixado o mundo e estivesse assistindo tudo de longe, era uma espectadora da minha própria vida... Da minha miséria.

- Desculpe dizer isso... Mas seu pai morreu, um caminhão carregado de toras saiu em uma curva... -Eu parei de ouvir... Nada importava... Final somente a palavra morreu sei repetia várias vezes na minha cabeça. Apenas o som da voz do meu pai enquanto ele estava saindo de manhã e se despedia ressoava nas minhas lembranças de novo e de novo.

Sozinha...

E eu corri de novo... Corri na direção oposta até chegar a minha casa, ou o que eu achava que era minha casa. Eu me tranquei lá, sem me importar com nada. Me joguei na cama, e chorei... Eu chorei tanto quanto havia chorado por Renée, eu chorei tanto que eu pensei que meus olhos se secariam em algum momento, mas isso não aconteceu. Lágrimas derramavam dos meus olhos e não podia pará- las.

As horas passavam, a noite deu lugar ao dia e aquele dia a outra noite... E eu estava como um zumbi... Olhando para o espaço... Sem pensar... Sem sentir... Apenas chorava e chorava...

Quando a fome ficou insuportável desci as escadas tropeçando para chegar à cozinha. Meu peito se partiu em dois ao ver o frango sobre a mesa e os dois talheres prontos para o jantar... Eu sentei na minha cadeira habitual e servi minha porção e a de Charlie... Comi as duas, enquanto saboreava com a amargura das minhas lágrimas...

Sozinha...

O tempo continuava a passar. E eu não tinha consciência de nada. Há apenas dois minutos tinha olhado para o calendário e vi que seria o dia do seu aniversário... 43... 43 anos que um caminhão arrastou sem pensar que minha vida seria destruída em seguida. Eu cai em uma cadeira, abracei meus joelhos e voltei a chorar.

Cinco dias... Haviam se passado cinco dias longos e tortuosos... Mas o mais estranho de tudo e que nunca tinha parado para pensar era em seu funeral... O que teria acontecido com Charlie? Eu estava com medo... Estaria ainda no hospital? Eu tinha saído correndo sem parar para pensar, eu não sabia o que fazer em tal caso, tinha apenas 16 anos... Embora já tivesse perdido Renée foi Kate que cuidou de tudo, desde que eu já estava em Forks por causa dos serviços sociais...

Serviços Sociais...

Agora que pensava... Por que não tinham aparecido ainda? Era menor e como tal não poderia cuidar de mim... Na teoria. Por que não tinham vindo para me levar para um orfanato ou onde quer que jovens órfãos vivessem? Eu não tinha família, além de Charlie... Meus avós morreram há muito tempo e não tinha tios...

Eu estava sozinha...

Eu tremia só de pensar nisso... O que seria de mim? Eu realmente não me importava, eu não tinha nada... Nada. Renée tinha ido embora, Charlie também... E eu, embora meu coração batesse e meus pulmões se enchessem de ar, estava morta também. Eu não tinha nada pelo que lutar, ninguém para culpar...

O timbre da porta principal me fez saltar assustada, meu coração saltou na boca e um suspiro deixou meus lábios. Eu caminhei até a porta tentando respirar fundo, com certeza que era o serviço social como tinha pensado antes, ou talvez Charlotte ou Jane que queriam ver como estava. Virei a maçaneta da porta e fiquei olhando para meu visitante.

Ele era um jovem, com cerca de 25 anos, vestido com um terno elegante, feito sob medida e sapatos pretos que gritavam "caro" em cada reflexo de luz sobre eles. Seu cabelo loiro era longo, mas estava penteado e colocado para trás. Seus olhos estavam cobertos por óculos escuros e atrás dele, estacionado do outro lado da estrada, havia um Mercedes preto com vidros escuros e com um motorista apoiado na porta da frente.

Franzi o cenho para o meu novo visitante... Ou serviços sociais tinham aumentado os salários de seus empregados ou ele estava na porta errada.

- Isabella Swan? Ele perguntou em voz baixa.

- Quem pergunta? Perguntei cruzando os braços.

-" Meu nome é Jasper e eu sou um advogado "... Disse tirando os óculos e expondo seus olhos castanhos. Você é Isabella Swan?

Advogado? Tinham vindo porque não havia providenciado o enterro de Charlie? Eu tremia de medo...

- Sim. Sussurrei, olhando para baixo- se é pelo Charlie eu não... Eu não preparei o funeral, porque eu não sei como agir em tal caso, a minha mãe morreu recentemente também, mas eu não sei para quem ligar ou quem... Gaguejei envergonhada.

- Calma- sussurrou sorrindo e colocando uma mão no meu ombro. Posso entrar e conversarmos mais tranquilamente? É importante o que tenho a dizer.

- Ok, eu sussurrei estranhamente confiante dando lhe passagem.

O menino entrou na casa de Charlie olhando para todos os lugares, foi para a sala e sentou no sofá individual que havia ao lado da lareira, havia algo em seu rosto e seus olhos que não era capaz de reconhecer, era uma emoção muito forte, mas também algo que queria esconder. Ou assim parecia. Sentei no sofá de três lugares e esperei que começasse a falar.

- Você dizia... Eu disse sentando na sua frente.

- A primeira coisa é que não deve se preocupar com funeral de Charlie, eu já providenciei tudo-ele disse olhando nos meus olhos.

- Você... Você é o advogado da família ou algo assim? Perguntei confusa.

- Mais ou menos... Ele sorriu ironicamente- entendo que depois do que aconteceu tenha ficado em estado de choque e não sabia como agir, afinal de contas você é apenas uma garota.

- Eu tenho dezesseis anos, resmunguei enquanto o olhava com os olhos semicerrados.

- De acordo... Ele sorriu e então suspirou inclinado seu corpo ligeiramente para frente, mexendo com as mãos, eu tenho que lhe dizer algo importante, não quero que você se assuste e entre em choque de novo, é algo difícil de aceitar, mas eu acho que você é inteligência para processá-lo... Isabella está me entendendo?

- Só Bella... E sim, eu sussurrei.

- Ok... Ele bufou- meu nome é Jasper Swan e Charlie Swan, seu pai, também era meu pai.

Pisquei de surpresa e olhei para ele em silêncio por alguns segundos.

- O quê? Perguntei com um fio de voz.

- Eu entendo que seja difícil de acreditar, eu também não sabia de sua existência, há até quatro dias, disse ele. A última vez que vi Charlie tinha cinco anos e só tenho alguma lembrança, minha mãe quase nunca falava e quando o fazia, nunca mencionou que ele tinha se casado e tinha outra filha.

Olhei para ele sem ser capaz de acreditar em tudo o que estava dizendo... Era uma loucura. Charlie teve um filho antes de seu casamento com Renée? Será que ela sabia? Como é que nunca me disseram nada?

- Você está brincando? Perguntei começando a ficar irritada.

- Não estou... Ele enfiou a mão no bolso e tirou alguns papéis e estendeu para mim, aqui está o atestado de óbito de Charlie e minha certidão de nascimento em que ele me reconheceu como seu filho.

Eu olhei os papéis com cuidado, verificando se tudo que ele disse era verdade. Mas meus olhos ficaram presos em um específico e que ele ainda não tinha falado.

- O que é isso? Minha voz tremeu.

- "É um documento para que eu assuma seus cuidados, eu sou seu único parente vivo e tenho meios financeiros para cuidar de você", disse ele, só falta a minha assinatura e enviar para os serviços sociais.

- Como? Eu perguntei atordoada.

- Eles me chamavam há quatro dias para explicar o que havia acontecido, continuou a falar, para mim não foi surpresa que Charlie não tivesse família e que eu tivesse que cuidar da papelada por causa da morte. Mas então me ligaram do serviço social e me contaram sobre você, eu não podia acreditar...

- A... Aonde você quer chegar com isso? Eu perguntei, engolindo seco.

- Você é menor Bella, você não tem nenhum parente que possa cuidar de você, assim o serviço social me contactou - disse com aquele tom de voz.

- Por quê? Eu perguntei atordoada.

- Queriam saber se eu iria cuidar de você... Se eu não for cuidar de você, irão te mandar para uma instalação juvenil.

Fiquei em silêncio processando suas palavras... Uma instalação juvenil? Não era lá onde os meninos problemáticos ficavam?

- Eu entendo que você tenha que pensar sobre isso, começou a explicar, em uma voz calma- não nos conhecemos e deixar tudo para trás para vir comigo, não tem que ser fácil. Mas eu te ofereço uma vida normal, tranquila... No centro de menores não sei o que você pode encontrar. Moveria minha influência para enviar-lhe ao melhor e para que não te faltasse nada. Se você quiser ir para lá eu não posso te forçar a acompanhar-me para Chicago, mas eu gostaria que você viesse, não ficaria confortável sabendo que você estaria lá trancada.

Olhei para ele em silêncio ainda... Processando suas palavras. Ir para Chicago? Minha mente estava uma bagunça completa neste momento... Meu pai acabou de morrer, a única pessoa que tinha na vida e do nada apareceu um irmão que não tinha ideia de sua existência e me propôs ir com ele... Chicago... Longe de Forks... Não é que adorasse essa cidade, mas foi a coisa mais próxima de uma casa que havia tido nos últimos meses, era o meu refúgio, fiz amigos...

Por certo... Por Charlotte e Jane não tinha vindo me ver? Era óbvio que precisava de companhia, estava passando por um dos momentos mais difíceis da minha vida e minhas supostas amigas não tinham ido me visitar, nem mesmo tinham me ligado para perguntar como estava.

- Pense o tempo que precisar- interrompeu meus pensamentos- eu entendo que lhe custa tomar a decisão. No que diz respeito à herança de Charlie, dispensei todos os direitos a ela para você ser a única herdeira, eu não preciso de nada. Mas você não poderá acessá-los até dois anos a partir de agora, quando você atingirá a idade adulta.

- E. . Eu não me importo, eu sussurrei com uma carranca.

- Bella... Disse meu nome em um sussurro, enquanto ele se colocava de cócoras ao meu lado segundos depois- eu não vou ficar tranquilo, e nem bem comigo mesmo se eu deixá-la ir para o centro. Eu tenho um sentimento de família profundamente arraigado e você é minha família de sangue. Eu quero cuidar de você e fazer as coisas mais fáceis.

- Por quê? Eu perguntei: Você tem sua vida, eu vou ser um incômodo em qualquer plano que você tenha.

-Por nada... - sorriu e colocou uma mecha do meu cabelo atrás da minha orelha, minha mãe morreu há alguns anos, meus avós muito antes e eu só tenho alguns tios e um primo distante. Eu sempre quis ter alguém mais ... Uma família grande e de verdade, minha mãe casou-se depois que eu nasci e eu sempre pedia um irmão de Natal. E olha como são as coisas... Em 20 dias será Natal.

- Você está usando de chantagem emocional comigo? Eu perguntei num sussurro.

Ele riu secamente e sentou ao meu lado no sofá de três lugares.

- Eu proponho uma coisa- disse sorrindo- agora... Irá recolher suas coisas, só o que for importante, eu posso comprar qualquer coisa que você precise quando chegarmos a Chicago. Vamos conversar com a assistente social que leva o seu caso e dizer que você virá comigo por um tempo... um mês por exemplo, test drive e então ... Você poderá decidir se quer ficar comigo ou ir para o centro.

- Parece razoável- Sussurrei.

- É o mais razoável, disse ainda sorrindo. Vou te esperar, vá buscar as suas coisas, que nos estão esperando.

Fiquei um pouco nervosa, mas mesmo assim eu me levantei e fui ao meu quarto para pegar algumas roupas e alguns livros, eu enchi um par de malas e desci lentamente. Jasper permaneceu na sala, estava olhando para as fotos que eu tinha sobre a lareira, o seu rosto mostrava uma expressão terna e sorriu quando me ouviu chegar.

- Você tem tudo? Ele perguntou olhando nos meus olhos.

- Acho que sim... Eu murmurei, franzindo a testa.

- Não se preocupe se você esqueceu alguma coisa poderemos ir às compras quando chegarmos a Chicago.

Ele abriu a porta da frente e esperou por mim para sair. Então pediu para que trancasse a porta, levou minhas duas malas para seu carro, onde o motorista as colocou no porta-malas. Eu comecei a andar em direção ao carro, mas parei a meio caminho e virei para ver a casa... Outro capítulo da minha vida que deixava para trás... Quantas vezes mais terei que me mudar?

- Não se preocupe você pode voltar quando quiser ... É a sua casa- Jasper sussurrou em meu ouvido.

Olhei em seus olhos tentando encontrar a armadilha em tudo isso, mas seu olhar era tão limpo e honesto que era impossível não acreditar em qualquer coisa que ele falasse.

- Vamos? Ele perguntou com uma porta do carro aberta para mim.

Com um suspiro resignado, entrei no carro e me deixei levar pelo que supostamente era o meu irmão.