Moçadaaa! Blza?

Lá vai mais um capítulo da fic! Ia postar esse fds, mas não deu tempo!

Espero postar os capítulos mais rápido essa semana!

Boa leitura!


Capítulo 2 – I Had A Dream

Eu me acostumei com a ideia, rapidamente, de que era esse o meu destino e que eu teria que suportar o que quer que ele me trouxesse. Não foi a aceitação que me trouxe problemas, foi o fato de que eu não poderia fazer nada em relação a isso. Eu estava de mãos atadas, então eu fiz minha escolha sentada na minha cama depois do jantar. Ninguém nunca ia descobrir sobre a situação em que eu estava metida, nem Finn nem ninguém do Glee, especialmente Rachel. Ela era a estrela nesse meu fodido, não-escrito e secreto conto de fadas... Mas eu não podia deixar que ela soubesse disso. A tortura sádica em que eu me meti tinha sido bem merecida. Eu continuei a agir como de costume, sem esquecer nem por uma vez de que eu tinha uma paixão por alguém que eu costumava e meio que ainda fingia odiar. Eu tinha Sam, meu namorado naquela época, e Rachel estava com Finn. Mesmo que eu quisesse agir, era um beco sem saída. Eu me recusava a arruinar outra vida porque eu era egoísta. Além disso, como eu poderia envergonhar minha família pela segunda vez em menos de um ano? Tínhamos sido amantes por uma noite, em todos os sentidos do termo.

Não era como se o beijo tivesse significado alguma coisa para ela. E não deveria ter significado para mim também. Essa era a parte constrangedora: eu não tinha sido capaz de tirar ele da minha cabeça. Eu era Quinn Fabray e eu não deveria estar sonhando acordada com o momento em que eu, bêbada, dei uns amassos em Rachel Berry.

Eu tinha que admitir, eu estava um pouco confusa depois que uma semana havia se passado desde o nosso "encontro" na casa do Puck e ela ainda não tinha dedicado uma música a mim no Glee Club. Era só eu sendo otimista, pensando que eu era alguém para quem ela cantaria. Isso tinha sido estúpido. Eu me sentei todos os dias naquela sala para ver Rachel entregar seu pequeno coração para Finn Hudson e deixando todo mundo saber o quão irremediavelmente dedicada a ele ela era.

De verdade. Ela cantou Hopelessly Devoted To You.

E me enfureceu perceber o quanto eu me importava.

"Ok, pessoal... Como vocês sabem, não teremos aula na segunda." Mr. Schue anunciou.

"Mr. Schue, posso?"

"Claro, Rachel." Gesticulou. "Vá em frente."

Mr. Schuester sentou em seu lugar e deu lugar a Rachel. Ela levantou e fez seu caminho até o centro, ajeitando seu cabelo no caminho.

"Como vocês sabem, Martin Luther King Jr. foi um homem extraordinário e um inspirador ativista dos direitos civis. Todos nós podíamos seguir as lições deixadas por ele. De fato, eu talvez não estivesse aqui hoje se não fosse pela sua perseverança e bravura. Assumindo que vocês todos leram a minha página do Facebook, vocês estão cientes de que minha família é metade afro-americana. Eu gostaria de dar apoio aos meus iguais na celebração da liberdade, a qual meus ascendentes costumavam rezar para que tivessem."

"Você só pode estar brincando. Você não sabe nada..."

"Dito isso." Rachel continuou implacavelmente. "Eu proponho que todos nós fôssemos ao desfile de segunda-feira para demonstrar nosso apoio por tudo que ele lutou para conquistar. Eu tomei a liberdade de escolher algumas músicas inspiradoras que nós poderíamos cantar caso nos sintamos inclinados a isso, mas eu acredito que somente estarmos presentes irá mostrar o quão unidos nós podemos ser."

Todo mundo olhou sem expressão para ela e eu tive que por minha mão na boca para esconder meu riso.

"Seria uma boa experiência para criarmos laços?" Ela tentou.

"Eu acho que é uma boa ideia, Rachel."

Rachel sorriu para Mr. Schue, ele realmente mudou sua atitude em relação ao clube depois das férias de inverno. Ele parou de descontar sua raiva pela Ms. Pillsbury e Carl em nós e começou a ser o professor de quem nós nos lembrávamos.

A última coisa que eu queria fazer numa segunda-feira sem aula era ficar em pé no frio usando uma roupa de inverno e assistindo um bando de pessoas passarem por mim numa rua lotada. A banda da nossa escola era considerada uma das atrações principais e eles eram atrozes. Eu me peguei xingando o relógio do carro assim que eu parei num sinal vermelho a alguns quarteirões de onde Rachel tinha dito a todo mundo para encontrá-la. Eu estava atrasada e eu realmente não queria ter que lidar com a reprimenda que a pequena me daria sobre ser irresponsável com o horário.

Eu demorei um bom tempo até achar uma vaga e mais tempo ainda para andar pela rua lotada até onde Rachel tinha reservado uma mesa para promover o Glee Club.

"Desculpe, estou atrasada. Onde está todo mundo?" Eu perguntei. Eu podia sentir que meu nariz estava a poucos instantes de cair.

Eu não estava nem cinco minutos na rua e já estava esse frio.

Eu deveria ter trazido outro par de luvas.

Em vez de apontar para algum lugar onde o resto do clube poderia estar, ela somente deu de ombros de forma triste e botou suas mãos nos bolsos de seu casaco, totalmente abatida.

"Ninguém apareceu?"

Ela acenou, confirmando.

Eu suspirei. Às vezes as atitudes dos membros do Glee faziam eu me sentir desgostosa por fazer parte de algo assim.

"Finn?"

Com certeza ele não seria tão frio a ponto de ignorar completamente o desejo de Rachel de que o clube se unisse, ele era supostamente para ser o nosso destemido líder. Ele era supostamente para estar se esforçando em ser o namorado perfeito que Rachel precisava que ele fosse.

Ela não respondeu e de alguma maneira eu tive minha resposta.

"Você pode ir se você quiser." Ela me disse. "Eu aprecio seu esforço, mas eu acho que eu vou somente achar meus pais e ir pra casa."

Parecia que a vida tinha ferrado com ela tantas vezes que ela já considerava aquilo normal. As pessoas a decepcionavam constantemente e eu me recusei a fazer isso novamente.

O pensamento de me enrolar no sofá da minha sala com um bom filme era bastante tentador para mim. Lima estava congelando nessa época do ano e eu era louca só por considerar ficar na rua voluntariamente enquanto eu poderia me esquentar em casa em questão de minutos.

"Não, eu vou ficar."

"Quinn, você não tem que fazer isso."

"Eu disse que vou ficar."

Ela fechou a boca, o que quer que ela fosse dizer era provavelmente alguma coisa que poderia lhe acarretar uma resposta não tão educada de mim, então ela decidiu não continuar a me convencer de que estava tudo bem caso eu fosse embora.

Depois de alguns minutos ao lado de Rachel, eu mal percebia o quão frio estava. Isso poderia provavelmente ser atribuído ao fato de que eu já estava entorpecida e congelada.

Os pais de Rachel nos encontraram no final do desfile, ambos parecendo que fariam bom proveito de uma boa xícara de chocolate quente.

"Ninguém apareceu, querida?"

A expressão em seu rosto – quem eu iria mais tarde vir a conhecer como Michael – era a mesma que Rachel tinha quando eu perguntei a ela onde todo mundo estava. Isso quebrou meu coração.

Rachel estava prestes a abrir a boca para responder.

"Eles foram embora." Eu disse, sem ter certeza da onde minha necessidade instintiva tinha vindo para não deixar seus pais saberem da verdade. "Estava muito frio para alguns deles." Eu sorri. "Mas todos nós nos divertimos."

Não era uma completa mentira. Eu realmente tinha me divertido enquanto tirava sarro de alguns looks enquanto Rachel tentava disfarçar seus risos toda vez que ela tentava me repreender.

O outro pai de Rachel, Brian, sorriu calorosamente. Parte de mim sabia que ele havia entendido o que eu estava fazendo e ele pareceu agradecido.

"Oh, não!" Michael gesticulou com as mãos algo muito similar a Aw Sucks. "Eu queria conhecê-los!"

Eu podia sentir os olhos de Rachel em mim, curiosamente estudando a mim e as minhas atitudes.

"Bom Quinn, você gostaria de ir para nossa casa para o almoço e uma cidra quente de maçã?"

Não me ocorreu naquele momento que ele já sabia meu nome.

"Ah não, ela não quer..."

"Eu adoraria." Eu sorri.

Ambos sorriram abertamente, satisfeitos por eu ter aceitado a oferta. Michael acertou os óculos no nariz congelado, bateu as mãos e começou a planejar descontroladamente sobre o que eles poderiam fazer para o almoço. Brian riu das palhaçadas de seu marido e a interação entre eles me fez sorrir ainda mais.

"Nós vemos vocês em casa." Brian riu enquanto puxava o marido para longe.

Rachel e eu andamos em silêncio até o meu carro. Demorou um tempo, mas eu finalmente o encontrei entre outras dezenas de carros. Felizmente alguma novata das Cheerios havia arrumado a bagunça que ele estava. Eu estaria estranhamente constrangida por alguma razão se Rachel visse o quão bagunceira eu poderia ser.

Foi no terceiro sinal vermelho em que paramos que Rachel finalmente falou. Tinha sido só uma questão de tempo.

"Por que você fez isso? Mentiu para os meus pais?"

Eu sabia que ela estava chateada. Eu não sabia dizer se era porque eu havia mentido para os seus pais ou se era sobre o que eu havia mentido.

Como eu poderia explicar a ela o porquê de ter feito isso? Eu menti porque eu não queria que seus pais ficassem desapontados com ela.

Eu não respondi.

Ela olhou para fora e começou a mastigar seu lábio inferior.

"Sabe, eu não sou ingênua. Eu sabia que ninguém ia aparecer."

Eu fiquei em silêncio enquanto dirigia.

"Mas você era a última pessoa que eu esperava que fosse aparecer."

"Por quê?"

Dessa vez foi ela que permaneceu em silêncio.

As únicas palavras que trocamos foram sobre qual era o caminho para a sua casa. Eu já sabia como chegar lá, mas eu deixei que ela me desse as coordenadas. Nós paramos em frente à sua casa e ela soltou o cinto enquanto eu desligava o carro.

"Sabe, você não tem que sentir pena de mim. Você pode ir pra casa, não precisa ficar para o almoço."

Eu tirei as chaves da ignição e abri a porta do motorista.

"Eu estou com fome." Eu disse a ela enquanto me protegia do vento. "E eu não sinto pena de você."

Eu a segui para dentro da casa e retirei as quatro camadas de roupas que eu tive que pôr para me proteger do clima antes de sentar no sofá. Rachel foi para a cozinha.

"Eu ia fazer com que todos viessem para cá para uma reunião para mostrar minha gratidão pelo apoio, então meus pais prepararam alguns petiscos." Ela colocou algumas bandejas na ilha que separava a cozinha da sala. "Nada muito elaborado. Tem algumas torradas, frutas e queijo com biscoitos." Ela encolheu os ombros enquanto voltava para o freezer. "Fique à vontade."

Eu me levantei do sofá e fiz o meu caminho para a ilha. Eu não tinha certeza se ela estava tentando minimizar o quanto de trabalho ela dedicou em preparar aquilo ou se isso não era elaborado o bastante para ela, mas parecia melhor do que qualquer coisa que a minha mãe já tivesse preparado para os jantares que ela organizava lá em casa. Eu me voltei para a comida. Eu não estava mentindo quando eu disse que estava morrendo de fome.

Os pais de Rachel chegaram um pouco depois que nós tínhamos trazido as bandejas de comida para a sala. Seu sofá era confortável e enorme, era um daqueles que a minha mãe nunca pensaria em botar no lugar do seu sofá antigo.

"Então, o que você quer fazer?"

Não deveria ser tão estranho quanto nós estávamos fazendo ser. A última vez que realmente tínhamos conversado uma com a outra fora depois de termos dado uns amassos por aproximadamente dez minutos.

Rachel devorava a salada enquanto eu fiquei com o queijo e os biscoitos. Ocasionalmente nós duas tentávamos alcançar a tigela de frutas ao mesmo tempo e tirávamos nossas mãos como se tivéssemos tocado fogo. Quando nos tornamos essas crianças do ensino fundamental com piolhos, eu não saberia dizer.

"Eu não sei."

"Por que vocês não assistem a um filme?" Um dos pais opinou da cozinha. "O almoço está pronto." Ele anunciou assim que entrou na sala, nos entregando pratos separados.

Rachel olhou para mim para ver se era uma atividade aceitável para se fazer e eu dei de ombros. Qualquer coisa para quebrar a inconfortável tensão que nós havíamos criado. Ela me deixou escolher o filme e eu tive o cuidado de escolher um que eu sabia que ela gostaria.

Eu me ajeitei no sofá e comecei a comer o que os pais dela haviam preparado para nós.

Rachel me olhava de relance de tempos em tempos.

"O que?" Eu finalmente cedi e perguntei.

"Como está a comida?"

Eu terminei de engolir o último pedaço e esfreguei minhas mãos nos meus jeans. "Muito boa."

Ela riu e assentiu, continuando a comer sua própria comida. Assim que ela terminou, ela depositou o prato na mesa de café e procurou atrás dela o cobertor que estava atrás do sofá. Eu imediatamente fiquei com inveja do quão quente ela devia estar.

"Eu posso ter um também?" Eu perguntei. A temperatura do meu corpo ainda estava baixa em razão da manhã fria que havíamos passado na rua.

Ela me deu o que estava espalhado sobre ela e fez um movimento que indicava que ela ia se levantar do sofá.

"Onde você está indo?" Eu perguntei.

Ela apontou para as escadas. "Eu só vou pegar outro cobertor no meu quarto."

Eu ri. "Nós podemos dividir esse, não é como se eu fosse te morder."

Eu fiz uma careta assim que meus olhos foram de relance até seu pescoço, a marca da mordida já tinha ido embora – como se estivesse realmente estado lá – mas eu sabia que eu tinha enterrado meus dentes nele no Ano Novo. Ela pareceu entender minha expressão e limpou sua garganta. Eu realmente era a maior idiota do mundo algumas vezes.

"Tá tudo bem, esse aí não é nem de perto grande o suficiente para nós duas." Ela gesticulou.

Eu assenti e voltei meus olhos para a televisão, me recusando a mostrar minha chateação repentina sobre dividirmos o cobertor. Eu não tinha razões para do nada começar a ser indiferente, mas às vezes minha teimosia ia muito longe. Ela me estudou por alguns longos segundos enquanto eu fingia prestar atenção no filme antes de ir em direção as escadas e desaparecer.

Rachel voltou menos de um minuto depois. Apesar de estar plenamente consciente dela se aproximando de mim, eu mantive meus olhos na tv para que eu não tivesse que olhar para ela.

Eu senti o cobertor cair em cima de mim e eu me virei para finalmente olhá-la.

"Berry, está tudo bem."

"Você está obviamente chateada."

"Por que eu estaria chateada?"

Eu não tinha ideia do porque eu estava de fato chateada e estava esperando que ela me dissesse porque eu teria motivo para estar.

"Eu não sei. Por que você não me diz?"

"Tanto faz." Eu resmunguei. Eu não removi o cobertor e pensei que isso tinha feito com que ficasse mais estranho ainda as coisas entre nós.

Eu não podia explicar ou entender a urgência dentro de mim de querer estar perto dela. Eu não tinha o direito de querer me mover para mais perto, segurar a sua mão, flertar com ela, beijar a sua bochecha ou fazer qualquer coisa remotamente íntima com ela. Isso não queria dizer que eu não queria. Isso estava me enlouquecendo ao ponto de não mais me lembrar qual era o nome do filme que estávamos assistindo. Eu estava sendo boba e infantil, dando a ela uma silenciosa atitude de indiferença quando ela se negou a compartilhar o cobertor comigo ou avançando para pegar um pedaço de fruta para que quando eu voltasse ao lugar eu pudesse me sentar alguns centímetros mais perto dela. Eu pus a palma da minha mão para cima e em cima do cobertor para oferecer a ela a chance de segurá-la. Eu bocejei exageradamente algumas vezes esperando que ela pudesse se aproximar de mim e se aconchegar no meu corpo. Tinha sido completamente patético.

Ao final do primeiro filme os anjos para os quais eu estive rezando finalmente me escutaram. Depois dela ter levantado para botar um novo DVD ela sentou significativamente mais perto de mim antes de agarrar no meu joelho.

"Sabe antes, quando eu disse que eu não esperava que você aparecesse? Bom, eu estou feliz que você tenha sido a única." Ela sorriu genuinamente. "Eu não consigo me imaginar assistindo um filme com Santana." Ela riu e eu sorri de volta. "Isso é divertido, certo? Descansar e assistir filme o dia todo?"

Eu não sabia em que universo ela estava vivendo que a tinha feito pensar que isso era divertido. Só sentar perto dela tinha me deixado mais estressada do que se eu estivesse fazendo os SAT's. Eu estava hiperconsciente de tudo e isso estava me deixando louca.

Eu retirei meu braço de debaixo do cobertor e botei minha mão por cima da dela.

"Eu estou me divertindo." Eu disse a ela, recebendo um radiante sorriso em troca.

Era a minha chance e eu temi que pudesse ser minha única pelo resto da minha vida.

Eu mantive minha mão por cima da sua. Eu não sei se ela fez algum esforço para remover sua mão, mas ela aceitou que eu não estava planejando movê-la tão cedo. A cada dois minutos ela mexia seus dedos, fazendo com que os meus se mexessem também. Era como se nós estivéssemos nos comunicando silenciosamente por algum código estranho onde se seus dedos se contorcessem significava que ela estava perguntando se estava tudo bem e se os meus contorcessem de volta significava que tudo estava muito mais do que bem.

Eu reuni coragem o suficiente para hesitantemente correr meu polegar em círculos pelas costas da sua mão e depois de dez minutos ela virou a mão. Eu engoli antes de dar o último passo e entrelaçar nossas mãos. Deus, eu me senti como se eu tivesse acabado de ganhar uma medalha olímpica.

Ao final do segundo filme eu não pude aguentar mais.

"Nós vamos alguma vez falar sobre o que aconteceu?"

"Do que você está falando?" Suas sobrancelhas se juntaram em confusão e isso teria sido adorável se eu não estivesse tão desesperada para que ela entendesse do que eu estava falando.

"Ano Novo?" Eu expliquei.

"Eu estava sob a impressão de que você não iria querer falar sobre isso."

"O que te deu essa impressão?"

"Bem... Quando você não disse nada no primeiro dia de aula eu imaginei que ou você não lembrava ou você só queria esquecer sobre isso."

Eu queria ter esquecido sobre isso só pelo fato de ter se tornado cansativo o quanto eu realmente pensava sobre isso.

"Eu ia..." Eu repliquei timidamente. "Mas você pareceu estar em bons termos com o Finn e eu não sabia... Eu só..."

Eu não sabia da onde tinha vindo minha confiança no Ano Novo, porque aquilo tinha sido a coisa mais distante de quem eu era quando se tratava de relacionamentos. Finn era fácil de controlar e Sam era muito fácil de manter, mas Rachel, Rachel era diferente. Ela me fazia repensar minhas atitudes na maior parte do tempo, ela sempre tinha me feito pensar se quem eu era seria bom o suficiente para ela.

"Então você se lembra?"

Eu assenti.

"Você está envergonhada?"

Eu levantei o olhar. "Eu não acho que seja isso." Eu respondi honestamente.

Ela pareceu entender onde eu realmente queria chegar.

"Bom, nós estamos de mãos dadas."

Eu olhei para nossas mãos. Seu polegar era o único desenhando círculos no momento.

"Nós estamos."

"E você não está surtando."

Eu ri levemente. Eu deveria estar surtando. "Nem você."

"Não." Ela respondeu no mesmo tom leve. "Não estou."

O filme foi momentaneamente esquecido enquanto seus olhos continuavam a encarar os meus. Tinha algo tão íntimo sobre aquele momento que deveria ter sido sufocante, eu deveria ter botado milhas de distância entre nós no segundo em que eu senti mais do que amizade por ela. Eu não deveria ter sentido nem mesmo qualquer sentimento de amizade por ela em primeiro lugar, mas o navio já tinha zarpado há muito. Eu deveria nunca ter ido para a casa de Puck no Ano Novo, eu deveria nunca ter bebido tanto e eu definitivamente deveria nunca ter a levado até aquele quarto com a intenção de beijá-la. Mas eu tinha e eu teria que lidar com as consequências de estar atraída por alguém que eu nunca poderia ter. Tudo isso fazia parte da tortura sádica sobre a qual eu estava falando.

Ela devolveu meu tímido sorriso e eu me encontrei não mais considerando que ela era algo que eu nunca poderia ter.

"Você beija incrivelmente bem, Quinn. Você de alguma forma conseguiu dominar a situação enquanto permanecia passiva. Foi verdadeiramente uma experiência que eu não me importaria de ter novamente. Foi muito difícil ter que voltar para o Finn depois de algo como aquilo."

Eu não pensei que eu pudesse corar tanto.

"Você foi ummm..." Eu olhei para baixo para esconder meu sorriso. "Você foi muito boa, também." Ela estava sorrindo abertamente, achando engraçado eu estar me atrapalhando. "Tipo, muito mesmo."

"Fico feliz em ouvir isso."

Encaramos uma a outra por alguns segundos, o sorriso no meu rosto fazendo eu me sentir boba, mas Rachel tinha o mesmo sorriso bobo em seu rosto também.

"Como está o filme, meninas?" Um dos pais perguntou, entrando na cozinha.

Os dois estavam assistindo seu próprio filme no porão.

Nós puxamos nossas mãos para longe ao mesmo tempo e nos sentamos um pouco mais retas. De alguma forma nós tínhamos subconscientemente ficado de frente uma para a outra durante o filme e até então não tínhamos percebido. Felizmente, ele ainda não tinha olhado para a sala ainda.

"Muito bom!" Rachel respondeu por nós.

Eu trouxe minha mão para debaixo do cobertor e esfreguei minha palma nos meus joelhos, esperando fazer com que o formigamento fosse embora.

"Que bom." O outro apareceu atrás do seu marido, o filme deles tinha presumidamente acabado.

Eu senti a mão de Rachel deslizar pelos meus joelhos a procura da minha própria mão. Ela juntou sua mão com a minha mais uma vez e nós secretamente demos as mãos, enquanto seus pais estavam no cômodo ao lado. Foi uma adrenalina que eu não me importaria em repetir por muitas vezes.

"Quinn? Você gostaria de ficar para o jantar?"

Eu olhei de relance para Rachel para dar uma resposta adequada. Ela estava mordendo seu lábio inferior e parecia esperançosa.

"Claro, seria ótimo."

Rachel apertou minha mão por baixo do cobertor enquanto seus pais olhavam felizes para mim.

...

Embora eu fosse tremendamente grata pelos outros membros do Glee não terem aparecido naquele dia, eles ainda assim receberam um sermão meu no dia seguinte antes de Rachel chegar à sala do coral. Eles estavam todos sentados com rostos culpados enquanto eu repreendia a decisão deles de terem sido egoístas no dia anterior.

Rachel sabia que alguma coisa havia acontecido porque no minuto em que ela entrou na sala, Finn começou a despejar desculpas e promessas de compensar o ocorrido. Ela olhou de relance para mim e eu evitei seus olhos.

Nós não falamos mais sobre o que tinha acontecido no Ano Novo e nós parecíamos não ter tomado conhecimento de termos ficado de mãos dadas pelo resto do filme aquela noite ou qualquer outra noite depois dessa. Mas eu gostei da companhia de Rachel e me aproximei cada vez mais dela toda vez que fazíamos algo juntas. Tudo começava de uma forma diferente a cada vez. No começo ela me abordava depois do Glee e me dizia que seus pais haviam gostado da minha companhia e que ela iria estender um convite para o jantar. Claro que eu aceitava. Seus pais cozinhavam incrivelmente bem. Nós nos sentávamos à mesa de jantar e tirávamos nossos deveres de casa do caminho enquanto seus pais preparavam o jantar. Ela sempre batia com o lápis sobre a mesa repetidamente e em vez disso ser irritante pelo barulho, me ajudava a me concentrar mais ainda. Depois do jantar nós íamos para o sofá e dependendo da noite nós assistíamos tv com seus pais ou um filme.

Isso não acontecia todos os dias, mas eu ainda assim esperava a cada manhã que ela me chamasse para ir para sua casa.

Às vezes ela deixava um bilhete no meu armário.

Stuffed Shells essa noite?

Outras vezes ela mentia flagrantemente.

"Eu não posso essa noite, Finn. É a noite que eu passo com meus pais."

"A última sexta foi a noite que você passou com seus pais." Ele reclamou.

"Bom, me desculpe. Meus pais levam a sério esses momentos." Ela argumentou de volta.

"Que tal sábado então? Nós podíamos ver um filme."

Os olhos de Rachel se conectaram com os meus enquanto ela se apoiava contra o piano. Eu ficava cada vez mais nervosa sempre que nossos olhares se cruzavam em público, como se as pessoas pudessem ver a óbvia queda que eu tinha por ela, como se eles pudessem ver a verdade por trás das mentiras que contávamos.

Eu senti alguém me cutucar nos ombros e voltei minha atenção para Sam assim que ele sentou na cadeira acima da minha.

"Você me ouviu? Meus pais não vão estar em casa esse final de semana." Ele sorriu.

"Eu tenho que ir para Cleveland com a minha mãe." Eu menti.

"Você foi para Cleveland final de semana passado com a sua mãe."

Rachel ainda estava me observando com um olhar divertido enquanto Finn tentava por nela algum sentimento de culpa. Eu a encarei de volta abertamente enquanto Sam me olhava em expectativa.

"Nós gostamos de Cleveland."

Eu não tinha nem certeza de que eu seria convidada para casa da Rachel novamente aquela noite, mas eu sabia que a sua família não tinha uma noite reservada para passarem juntos. Assim como eu e minha mãe odiávamos Cleveland mutuamente. Eu realmente não sabia se isso era um código que implicava que eu estava incluída nos seus planos aquela tarde, mas eu não queria arriscar não estar disponível.

Eu tinha que manter meu final de semana vago apenas para o caso daquilo realmente significar que eu estava incluída em seus planos.