O SENHOR DOS DRAGOES
By Dama 9.
Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas Aishi, Amélia e as demais valkirias são criações únicas e exclusivas minhas para essa saga.
Boa Leitura!
♥
Capitulo 2: Daliun.
.I.
Alongou as costas sentindo-as doerem ainda mais depois de tanto malabarismo para correr e fugir daqueles gigantes. Só pedia aos céus que não tivesse que passar por aquilo de novo ou não agüentaria; o cavaleiro pensou saindo do banheiro apenas com uma toalha enrolada na cintura.
Aquele lugar era realmente frio, mas para sua surpresa o palácio possuía um sistema de aquecimento interno, que os quartos e alguns outros cômodos mantinham-se quentes em qualquer hora do dia.
Pelo menos não morreria de frio, como dissera a Aaron que iria acontecer; ele pensou um pouco mais conformado com essa constatação.
Ouviu alguns toques na porta e mandou entrar pensando ser o aquariano, virou-se indo até a cama, pegar as roupas que havia deixado.
-Com licença, senhor; a senhora falou, mas estancou assim que abriu a porta e o viu de costas para si.
Apoiou-se no batente da porta, sentindo o coração falhar uma batida ao ver os cabelos castanhos levemente umedecidos caírem sobre os ombros do cavaleiro e em suas costas o belo tigre em tons alaranjados que bem conhecia.
Não era possível que fosse a mesma pessoa, mas e se fosse? Ele teria no mínimo mais de duzentos anos. O que seria impossível para um mortal, mas e se...; ela ponderou vendo-o virar-se para si.
-Desculpe, pensei que fosse o Aaron; Dohko apressou-se em dizer enquanto pegava rapidamente as roupas, constrangido. –Só um minuto; ele falou entrando rapidamente para se vestir.
Fechou os olhos por alguns segundos sentindo-se atordoada, era ele, vendo-o de perto agora conseguia sentir perfeitamente seu cosmo e saber que era ele, mas porque o tempo parecia não ter passado para ela? –Alana se perguntou, vendo a porta abrir-se.
-Me desculpe mesmo; Dohko falou com um sorriso nervoso. –Mas deseja alguma coisa?
-O jantar já vai ser servido, a princesa pediu que o avisasse; ela falou máquinalmente.
-...; O cavaleiro assentiu. –Obrigado por me avisar;
-Com licença; ela falou numa breve mesura antes de se afastar.
-Espere; Dohko pediu, antes que ela se afastasse.
Alana virou-se para ele contendo um breve tremor diante do olhar indecifrável dele.
-Acaso já nos conhecemos? –ele perguntou curioso.
-Creio que não; ela respondeu com a voz tremula.
-Era só isso então; Dohko respondeu.
Alana deixou rapidamente o quarto, nem ao menos olhando para trás, não queria correr o risco de se delatar, principalmente agora que descobrira que era realmente ele.
Não sabia como encará-lo mais, será que ele se lembrava de si? Ou havia lhe esquecido no momento que deixara Rozan e voltara para Asgard sem ao menos lhe dar uma explicação? –ela se indagou.
Mas agora a verdade é que temia um novo encontro com o cavaleiro, principalmente com o conselho se aproximando.
.II.
Um a um cavaleiros e amazonas foram tomando seus devidos lugares na mesa. Deixou seus olhos correrem pela sala sentindo a tensão em cada fibra, mesmo tentando manter abafado aquele caso, muitos já suspeitavam o que estava acontecendo.
Uma guerra estava prestes a estourar em Asgard e dessa vez, prevalecia a certeza de que isso nada tinha a ver com os deuses gregos, não diretamente, mas a presença de Anteros ali dizia muitas coisas.
-Falta alguém? –Aioros perguntou tomando seu lugar ao lado de Saori.
Não fazia muito tempo que o casal retornara da viagem ao Brasil, alias, os pelo menos dois meses que passaram lá, mostrava evidentemente o bem que fizera ao casal. Até mesmo o clima entre eles parecia diferente, mas infelizmente ambos foram obrigados a deixar de lado essa calmaria e voltar ao mundo real, que não podiam deixar de viver.
-O Mú ainda não chegou; Aldebaran avisou.
-Fiquei sabendo que ele andou passando mal; Milo comentou. –O que aconteceu? –ele perguntou voltando-se para Ilyria.
-Foi só uma insolação e queda de resistência; ela respondeu tentando manter-se calma.
-Eu falo para ele pegar mais leve, mas ele e a Celina às vezes esquecem que o corpo tem limites; Saga falou com ar cansado, como se fossem varias as vezes que repetira exatamente aquilo para os dois arianos.
-Creio que depois disso, ele vai pegar mais leve; Aishi comentou, dando aquele assunto por encerrado quando chegou com Kamus e alguém que surpreendeu os demais.
-Ares; todos falaram surpresos ao ver o Deus da Guerra ali e Anteros encolher-se a ponto de quase ir parar em baixo da mesa.
-Espero que não se importem de eu participar dessa reunião, Aishi me contou mais ou menos sobre o que se trata; ele respondeu.
-Não tem problema; Shion respondeu indicando-lhe uma das cadeiras ainda vagas.
-Desculpem o atraso; o ariano falou entrando rapidamente na sala.
-Bem, vamos começar logo então; Saga falou acomodando-se melhor na cadeira.
-Como vocês já devem ter ouvido falar, Dohko saiu em missão há pouco tempo para Asgard, com Aaron; Shion começou. –E chegou a nosso conhecimento que Asgard esta passando por alguns problemas políticos internos, que podem acarretar coisas piores, mesmo após a mudança de governo;
-E o que exatamente isso tem a ver com a gente? –Milo perguntou.
-Desde muito tempo, o santuário e Asgard firmaram uma aliança, iniciada entre nós e o antigo clã dos dragões, que formaram os primeiros tratados políticos na Terra do Norte; o Grande Mestre explicou. –Mas já tem alguns anos que essa aliança foi quebrada e Asgard ficou a mercê de um regente inescrupuloso;
-Durval; Saori respondeu, antes que alguém perguntasse. –Ele reuniu alguns cavaleiros que partilhavam de suas opiniões e firmaram um novo governo de repressão e crueldade, mas a exatos seis anos isso acabou, quando eu e os cavaleiros de bronze estivemos pela primeira vez em Asgard, na primeira grande batalha dos deuses; ela explicou.
-Assim, Durval literalmente foi tirado do poder e Hilda, a verdadeira representante da família real asgardiana assumiu o governo. Mesmo sendo ainda muito jovem, muitas coisas mudaram em seu mandato, mas existem aqueles tidos como 'nobres', que eram do partido de Durval que não concordam com a nova política, onde existe divisão igualitária entre as terras, mesmo com a população de rende mais baixa, que vive no povoado próximo ao castelo;
-Isso quer dizer que eles, por não quererem dividir um pouco de terras e se sentirem ameaçados, estão abrindo 'guerra' contra a nova regente? –Kanon perguntou.
-Isso mesmo; Shion respondeu. –Como os nobres de Durval ainda são em maior quantidade, eles acham que podem destituir a princesa dos direitos legais que conferem a ela, tomar decisões por Asgard;
-Mas tem que ter alguém que vá contra isso; Aldebaran falou.
-E tem; Yuuri respondeu antes do Grande Mestre. –As valkirias;
-Quem? –Milo perguntou demonstrando um leve ar de interesse.
-As valkirias, são o equivalente as amazonas. São comandadas por Freya, deusa do Amor e da Guerra para os nórdicos. Ao todo são nove, mas é difícil saber quantas podem ser convocadas por Freya se for necessário; a amazona de Sextante respondeu.
-Alem de serem amazonas, o que essas valkirias podem fazer, Yuuri? –Mú perguntou.
-Alem disso, todas as garotas convocadas e enviadas para treinarem em diferentes lugares do mundo, como nós, elas representam famílias importantes de Asgard. No caso, todas juntas, que sejam nove, ainda sim, têm mais poder do que o conselho dos nobres de Durval; ela explicou.
-Então, se essas valkirias aparecerem, eles não tem chance; Guilherme comentou.
-Não é bem assim; Shion falou dando um baixo suspiro. –Infelizmente quando Durval entrou no poder, ele mandou que... Bem, ele mandou matar as meninas que tinham por volta de um a três anos de vida, de cada família importante de Asgard;
-O que? –o murmúrio indignado veio de todos da mesa.
-É possível que uma boa parte dessas garotas, nem tenha chegado a iniciar o treinamento e estar viva para retornar agora; ele completou.
-Então, o mínimo que podemos fazer é dar uma força para Asgard e impedir essa guerra política. Porque se fosse só entre eles e a princesa, vá lá, mas não, isso vai influenciar as pessoas inocentes na historia; Aiolia falou.
-Isso não é tudo; Shion continuou. –Tem algum tempo que sentimos uma energia diferente vindo de Asgard. Isso não tem nada a ver com os deuses gregos; ele completou vendo alguns olhares recaírem sobre Ares. –Mas o que tudo indica é que uma nova batalha dos deuses vai começar na Terra Média;
-Não vai me dizer que tudo isso é culpa de um anel inocente, não é? –Milo perguntou com um sorriso matreiro nos lábios.
-Milo! –Saga falou em tom perigoso, fazendo-o engolir em seco.
-Hei! Só estava perguntando; ele reclamou indignado.
-Viu, eu falo pra não deixar ele assistir Senhor dos Anéis demais, mas ninguém me ouve; Afrodite provocou.
-O que quer dizer com isso, sardinha? –o Escorpião perguntou enfezado.
-Oras seu!
–Afrodite, Milo, parem com isso; Shina mandou, fazendo os dois se encolherem nas cadeiras.
Mesmo Afrodite e Isadora estando juntos, o pisciano não deixava de medir forças com o Escorpião para ver quem mais chamava a atenção da garota, independente dos motivos. Aquele ciúme estúpido estava lhe cansando; ela pensou respirando fundo, pra não mandar ninguém para o Tártaro.
-Continuando; Shion falou. –Existe algo em Asgard que esta colocando a segurança de todos em risco. Desde que Dohko e Aaron chegaram, eles tem nos reportado o que esta acontecendo e pelo que já conseguiram descobrir, Eldar, a terra dos elfos da luz recebeu um primeiro ataque;
-Como? –Yuuri perguntou com certa surpresa. –A barreira que envolve Alfhein é impenetrável;
-Foi a fronteira; Shion esclareceu. –Os unicórnios que ficam na fronteira foram atacados, pelo que Dohko disse, alguns não sobreviveram e até os mais filhotes acabaram morrendo também;
-Que cruel; ela murmurou.
-E não foi só isso; ele continuou. –Existem alguns rumores também de que Hell e Fenris foram atacados e não sobreviveram;
-Como? –Ares perguntou, manifestando-se pela primeira vez.
-Sim, algo bastante poderoso atacou os dois, Fenris não tinha como reagir por estar lacrado na caverna aos pés de Muspell, mas até mesmo Hell, não foi capaz de sobreviver a um ataque, do que quer que seja que invadiu seu reino; Shion explicou.
-E quanto a Freya, já a encontraram? –Ares perguntou voltando um olhar assassino para o filho.
-Não, ninguém tem nem ao menos uma pista de seu paradeiro; ele explicou.
-Então, é melhor que alguns de nós vão para Asgard, pelo menos para dar algum suporte; Aldebaran sugeriu.
-Dohko e Aaron vão precisar mesmo; Shion continuou. –Há dois dias atrás eles foram até a terra do fogo, foram atacados por uma infinidade de gigantes, mas até então esse é o menor dos problemas;
-Mas...? –Mú falou gesticulando, a espera de um complemento.
-Os gigantes atacaram em sincronia e coordenados, normalmente eles são desengonçados e não obedecem ordens, enfim, acabam se matando sozinhos, mas eles sabiam a quem atacar e por muito pouco, Aaron e Dohko não acabavam saindo seriamente feridos ou sabe-se lá o que mais; o ariano explicou.
-Então é melhor irmos para lá logo, assim se acontecer algo, pelo menos podemos fazer alguma coisa; Aldebaran falou.
-Bem... Como essa questão é referente a Asgard, não posso pedir que vocês vão, mas àqueles que quiserem tomar parte disso, estejam aberto para decidir; o Grande Mestre falou.
Embora fosse um problema que no fim, iria afetar a todos, não podia pedir isso a eles. Que deixassem suas casas para se meter no meio de uma guerra entre deuses de novo.
-Eu vou; Milo falou chamando a atenção dos demais. –Alem do mais, não tem nada pra fazer de diferente aqui, eu iria ficar entediado se ficasse em casa; ele completou com ar debochado.
-Eu-...;
-Eu vou; Kanon cortou o irmão, antes mesmo que Saga pudesse se manifestar direito.
Sabia o quanto Litus ficaria preocupada e também que a cunhada por vezes se chateava por não ser como as outras amazonas e estar com Saga o tempo todo. Então era melhor que ele ficasse; Kanon decidiu.
-Contem comigo; Aldebaran falou.
-Nós também vamos, mas temos algumas coisas pra resolver primeiro; Kamus falou referindo-se a ele e a noiva. –Então, encontramos vocês alguns dias depois;
-Então está decidido; Shion falou. –Vamos esperar um pouco, assim que Dohko entrar em contato novamente, nós decidimos o dia de partida; ele completou.
-...; Todos assentiram.
-Bom, já que está tudo decidido, eu acho que já vou indo; Anteros falou levantando-se, mas assustou-se ao ver o pai surgir a seu lado.
-Ainda não, tenho algumas coisas para falar com você; Ares falou num tom tão frio que assustou a todos.
-Mas...;
-Nada de mais, vamos logo; ele falou pegando o filho pela orelha como uma criança e arrastando-o dali.
-Ele me da medo; Milo murmurou.
-...; Saga assentiu, mas desviou o olhar para o irmão que despedia-se dos demais e deixava a sala. –Já volto; ele murmurou saindo rapidamente atrás do geminiano.
-o-o-o-o-o-o-
Pessoas de todos os lugares estavam desembarcando ali, no hangar particular que reservara, o jatinho pousou com incrível suavidade. O gelo cobria a grande capital, deixando-a com um belo e cristalino tapete branco.
Ainda tinha algum tempo antes de partir novamente, mas a viagem seria bem menos confortável do que a primeira; ele pensou envolvendo o cachecol acinzentado no pescoço, que fazia grande contraste com o sobretudo preto e os longos cabelos prateados.
-Senhor, o carro já esta a sua espera; uma começaria de bordo falou parando a seu lado. –As malas já foram levadas para lá;
-Está certo, obrigado; Cadmo agradeceu com um sorriso gentil.
Levantou-se, alinhando impecavelmente o sobretudo antes de deixar o avião. Durante toda a viagem se perguntara como exatamente fora parar em Moscou, mas depois de pensar em tudo que acontecera desde que fora do Japão a Paris, decidiu que estava na hora de voltar a ser o velho Cadmo.
Aquele que quando caia de cabeça em uma aventura, não pensava muito em prós e contras, apenas vivia. Alem do mais, estava sentindo um pouco de falta daquela adrenalina; ele pensou entrando na limusine que lhe esperava já nos pés da escada.
E ele mal sabia o que as deusas do destino reservavam para essa 'simples' viagem...
.III.
-Kanon!
-O que foi? –o geminiano perguntou voltando-se para o irmão.
Sentou-se melhor na beira do alpendre do terraço e esperou-o se aproximar o suficiente para não ter de falar alto. Suspirou calmamente, até daquele vento gelado da costa rochosa do santuário sentia falta.
-Porque fez-...;
-Você deveria saber; Kanon o cortou calmamente, como se já esperasse por essa indagação.
-Como? – Saga perguntou, confuso.
-A namorada é sua, você deveria ter percebido; Kanon falou sem alterar a expressão.
Deu um meio sorriso, a razão batera duas vezes na sua cabeça e mesmo assim demorou todo aquele tempo para admitir aonde estava errando. Jéssica tinha razão ao dizer que apesar de tudo, novamente estava querendo viver como o irmão.
Aquela pose de empresário ocupado e racional combinava mais com Saga e não consigo. E como ela mesma havia dito, estava na hora de viver de verdade, não pelos outros e sim, por si mesmo.
Depois das conversas que tivera com a jovem em Dublin, muitas coisas ficaram claras, principalmente àquelas que o fizera voltar e ver tudo aquilo que antes passavam despercebidos a seus olhos.
-Do que esta falando? –Saga perguntou ainda mais confuso.
-Litus não gostaria que você se metesse nessa guerra; Kanon falou.
-Ela sabe que sou um cavaleiro e...; Ele parou vendo o aceno negativo para ele.
-Para ela não importa se você é o Cavaleiro de Gêmeos, ou qualquer outro. Você é o namorado dela e ela não vai deixar de se preocupar com você, principalmente porque você vai para um lugar esquecido pelos deuses sem que ela possa estar com você; Kanon falou.
-Mas é perigoso; ele tentou justificar.
-Saga, ela te ama; Kanon falou como se fosse a coisa mais obvia do mundo, o que de fato era. –Deveria entender que riscos existem e que ela quer corre-los;
-Mas...;
-Algum momento você já parou para pensar, o quanto ela deve ficar frustrada ao saber que você vai ter de lutar e que não poderá estar a seu lado? –ele indagou.
Parou por um momento analisando as possibilidades, até compreender o ponto que ele estava abordando.
-Nunca pensei que-...; Saga murmurou com ar pensativo.
-Isso porque a namorada é sua; Kanon provocou, com um sorriso jocoso nos lábios. -Deixe de ser tão responsável e viva a vida de verdade. No trabalho qualquer um pode te substituir; ele falou indicando a si mesmo. –Mas não espere que isso também seja feito no coração dela; o cavalerio completou vendo o outro assentir.
–Você voltou diferente; ele comentou. –O que aconteceu? –o geminiano perguntou curioso.
-Digamos que Alexia bateu com o tridente dela na minha cabeça, para ver se eu tomava juízo; Kanon brincou, tirando um meio sorriso do irmão. –Mas falando serio, não consegui ficar longe daqui;
-Daqui, ou de alguém daqui? –Saga perguntou de maneira enigmática.
-Os dois; ele respondeu num sussurro.
-Mas tem algo mais, não tem? –o irmão quis saber.
Só uma surra com o tridente não era suficiente para fazer o irmão mudar de idéia tão rápido e voltar, Kanon sabia ser teimoso quando queria; Saga concluiu.
-Encontrei a Jéssica em Dublin; Kanon respondeu.
-O QUE? –Saga berrou surpreso.
-Xiiiii, não precisa fazer alarde; ele reclamou aborrecido.
-Como assim encontrou com ela em Dublin? –o geminiano quis saber.
-Ela estava fazendo uma exposição lá e por coincidência a Alexia estava patrocinando o evento; Kanon respondeu calmamente.
-E? –Saga perguntou na expectativa.
-E o que? –o irmão falou vendo-o bufar irritado. –Bem, nós conversamos bastante e colocamos alguns pingos nos 'is'; ele falou fazendo o sinal de aspas.
-Uhnnnnnnnnnnnnnn!
-Não faça essa cara; Kanon reclamou ao ver o sorriso nada inocente dele.
-Que cara? –Saga perguntou com ar inocente.
-Essa! –ele falou indignado apontando para o irmão.
-Qual?
-Grrrrrrrr; Kanon resmungou serrando os punhos.
-Ta, parei; ele falou, desistindo de provoca-lo. –Mas fala sério, eu devia ter imaginado que só uma surra da Alexia não ira ajudar muito;
-Do que esta falando? –o geminiano perguntou.
-Que só ela mesma, para fazer você cair na real; ele respondeu.
-Uhn!
-Você sabe, mesmo naquela época você não conseguia deixar de ser 'você mesmo' quando estava com ela e posso apostar que você deve ter levado uma bela surra dela por ficar se lamentando de algumas coisas; Saga completou. –Mas... Não me refiro a apanhar, falo das surras no ego que ela é acostumada a dar, que destroça qualquer brio e orgulho; ele ressaltou.
-Como voc-...; Kanon parou vendo-o sorrir ainda mais.
-Eu não sei, mas supus isso, porque sei que é assim que ela agiria com você. Jéssica nunca teve muita paciência pra mediocridade e ouvir você se lamentando de coisas perdidas que nem ao menos lutou para conseguir, certamente deve tê-la irritado; Saga completou.
-Você parece conhecê-la tão bem; Kanon comentou aborrecido.
-Não tanto quanto você; Saga rebateu com ar sério. –Mas fico feliz que esteja de volta, todos sentimos sua falta; ele falou.
-...; Assentiu silenciosamente. Também havia sentido falta de todos ali.
-o-o-o-o-o-o-
Já estavam há algum tempo ali, esperando para serem servidos. O laptop num canto da mesa parecia chamar bastante atenção dos visitantes daquele local, mas era necessário que o aparelho continuasse ligado, já que era o único a mantê-los em contato com a rede de satélites monitorados pela fundação Graad e o santuário.
Dentro do palácio não iriam poder falar com ninguém sem correrem o risco de serem ouvidos, mas ali, novamente na taverna do Vidar conseguiram um canto discreto onde pudessem ficar sem chamar demais a atenção ou serem ouvidos.
Logo um garoto a mando de Vidar apareceu, deixando sobre a mesa dois pratos de sopa e retirando-se em seguida.
-Isso parece bom; Aaron murmurou, esfregando as mãos em cima do prato, aproveitando o calor que subia o com o vapor para aquecê-las.
-Aaron, queria te perguntar uma coisa; Dohko começou, tomando um gole de vinho tinto seco, fez uma careta com o gosto.
-É para colocar na sopa, não para beber; o aquariano explicou. –Mas o que é?
-Você reparou bem naquela menina de cabelos violeta, no palácio?
-A tal de Leda? –ele perguntou vendo o libriano assentir. –O que tem ela?
-Você não acha ela parecida com Alanis? –Dohko perguntou, vendo-o quase cuspir o vinho que acabara de tomar, alias, que pretendia colocar na sopa, mas que levou aos lábios sem notar.
-Como? –Aaron perguntou tentando conter o tremor nas mãos que quase o fez derrubar o copo
–Se bem que, eu nunca vi Alanis sem mascara para saber, mas ela me causou essa impressão de familiaridade;
-Não reparei; ele respondeu num tom mais seco do que desejava.
-Esta tudo bem? –Dohko perguntou preocupado, vendo que o aquariano parecia bem tenso agora.
-Esta, sem problemas; ele respondeu forçando um sorriso.
Mas a verdade é que agora, a única coisa que queria era enterrar o passado sobre aquelas densas camadas de gelo. Já errara uma vez, não queria que isso voltasse a acontecer. Não agora; o aquariano pensou tomando de uma vez só o vinho que restara no copo.
.IV.
Sentia o corpo entorpecido por um cansaço que antes na sentia, remexeu-se na cama, enrolando-se nas pesadas cobertas de peles para se aquecer. Mesmo que não quisesse, decidiu não lutar contra o sono e sim, deixar-se levar para o reino dos sonhos com tranqüilidade.
Foi assim, que aos poucos viu-se retornar a um ambiente tão familiar em suas lembranças, a casa com lareira acessa, o tapete fofo sobre o chão, a cadeira de balanço e o piano num canto da sala.
Andou com curiosidade pelo local, parando próximo a um aparador no corredor, foi com surpresa que ao olhar para o espelho sobre o mesmo, viu-se ainda menina, a mesma garotinha de vivazes olhos acinzentados e cabelos negros, vestida com um pesado vestido azulado e botas que iam até os joelhos, para lhe manter aquecida.
Era como se sua mente estivesse presa num universo paralelo ao da garotinha que caminhava com displicência pela sala. Viu-se subindo na cadeira do piano e debruçando-se sobre o mesmo, observou os porta-retratos sobre o mesmo.
Sorriu vendo a si mesma em momentos de sua vida, momentos felizes que não iriam voltar, mas que estavam gravados no fundo de sua alma. As fotos representavam seus pais, juntos e felizes, em seu casamento, ou quando ainda não nascera, mas já mostrava-se no ventre da mãe.
Porém um quadro em especial chamou sua atenção, era de um garotinho, ele estava sozinho na foto, mas aquele olhar também ficara em suas lembranças, era um olhar intenso como jamais vira antes.
-Amélia; ouviu Alexandra lhe chamar e quase caiu de cima do piano com isso.
Alexandra correu segura-la a tempo, viu a garotinha se encolher, como se pega em flagrante e sorriu, sabia que esse gênio indomável era herança de Fazolt, quando conheceu o marido havia achado que era fase, toda aquela teimosia e determinação, mas quando conheceu Alberich descobriu que era de família e evidentemente Amélia e o pequeno Alberich também haviam herdado isso.
-O que esta vendo? –a mãe perguntou acomodando melhor a pequena em seu colo.
-Quem é ele? –Amélia disparou a perguntar apontando para o quadro.
-Ah, então já o encontrou; Alexandra falou sorrindo. –Ele é o filho da minha melhor amiga, Eraen; ela explicou.
-Então porque ele nunca veio brincar comigo? –Amélia quis saber, cruzando os bracinhos em frente ao corpo, em sinal de desafio.
-Porque ele não vive mais em Asgard, pequena; Alexandra falou sem esconder o pesar que isso trazia.
-Porque?
-Infelizmente você ainda não pode entender, mas um dia você vai saber; ela falou afagando-lhe os cabelos.
-Mas...;
-Ele tinha um destino a cumprir e não ira conseguir em Asgard, por isso partiu;
-Ele vai voltar? –Amélia quis saber, com os orbes brilhando de curiosidade.
-Quem sabe um dia; Alexandra respondeu, tentando apegar-se num ultimo fio de esperança com relação a isso ser verdade.
-Ai vou poder brincar com ele? –Amélia perguntou animada.
-Creio que não pequena;
-Porque? –ela perguntou fazendo beicinho, prestes a chorar.
-Porque ele já tinha cinco anos quando partiu e quando voltar, não vai ser mais tão pequeno, nem você; Alexandra respondeu paciente.
-Ah! Assim eu não quero; a pequena resmungou, enfezada.
-Não se preocupe criança, você vai gostar de conhecê-lo;
-Como pode saber? –ela perguntou curiosa.
-Porque ele é como você, tem um espírito indomável, uma força capaz de mudar o destino não somente o próprio, mas como de todos a sua volta. Embora ainda muito jovem, um destino glorioso o espera, mas esse caminho não será fácil, por isso ele deixou Asgard, para se preparar para isso. Ser forte para enfrentar esse destino que o aguarda; Alexandra completou.
-E quem ele é mamãe? –Amélia perguntou ansiosa por saber mais sobre aquele garotinho.
-Ele será conhecido como "O Senhor dos Dragões"; ela completou dando por encerrada aquela conversa.
Tudo a sua frente escureceu, sentindo o corpo tornar-se pesado e cair no meio do nada. Agitou-se dando um pulo da cama, despertando completamente.
Deixou os olhos correrem para todos os lados e viu-se em sua casa, alias, na casa que vivera um bom tempo com a madrinha. O único elo com o passado; ela pensou suspirando pesadamente e deixando-se cair na cama novamente.
-"Sonho estranho"; Amélia pensou.
Fazia algum tempo que não sonhava com a mãe, desde que fora para o santuário isso não acontecia com freqüência. Embora tenha vivido em Eldar um bom tempo, com o príncipe dos elfos lhe ajudando a controlar as transformações, no santuário isso era diferente.
Não conseguia manter-se completamente consciente de seus atos quando se transformava, pelo que Sindar lhe explicara, já que ele fora o mestre encarregado do treinamento de Ceres e a ajudara a aprender sobre os poderes que dispunha, isso era devido à temperatura elevada, como seu corpo não estava acostumado, iria tentar repelir qualquer coisa, incluindo sua consciência deixando apenas os instintos prevalecerem.
Toda essa preocupação a cada dia fez com que quase não sonhasse, mas esse sonho com a mãe fora diferente, era mais uma lembrança. Forçou a mente a recordar a imagem do porta-retratos, mas não conseguiu. Só via uma imagem distorcida que não lhe tirava duvida alguma.
Quem era esse "Senhor dos Dragões" que Alexandra falara? Porque ele era tão importante? –ela se perguntou.
Já ouvira um pedaço da historia contado por Leda, sobre o lendário Emmus o Dragão Negro, o primeiro líder do clã dos dragões Asgardianos, mas isso poderia ser só mito, agora a forma com que se lembrava da mãe falar, era como se Alexandra previsse algo.
Suspirou cansada, queria tanto ter tido tempo de falar com a mãe e saber tudo que ela pensava. Mas não podia mudar o passado, apenas garantir que o futuro seria melhor.
Se esse tal senhor dos dragões tivesse de voltar, que pelo menos fosse para fazer algo de bom; ela concluiu, acomodando-se melhor na cama, tentando conciliar o sono novamente, porem isso foi impossível, já que sua mente tentava ainda lembrar-se da imagem que era apenas um borrão em sua mente.
.V.
Anotou todos os números que ela precisaria numa folha, não queria correr o risco de não ser encontrado caso ela precisasse de alguma coisa.
-Bem, aqui está; Mu falou entregando a Celina a lista que fizera até com o número do corpo de bombeiros de Atenas caso ela precisasse de alguma coisa.
-Pode ir tranqüilo mestre; ela falou calmamente.
-Eu sei, mas precaução nunca é demais; ele falou com um calmo sorriso.
Sobre o sofá da sala estava a mala que levaria consigo naqueles três dias de viajem.
-Vai ficar bem? –Mú perguntou.
-Vou, como o senhor sugeriu, vou ficar no ultimo templo com mamãe e papai até voltar, se isso lhe tranqüiliza; ela respondeu.
-Ótimo, então já vou; Mú falou indo até a mala.
-Boa viajem; Celina falou sorrindo alegremente.
-Obrigado e até; ele respondeu antes de desaparecer.
Suspirou pesadamente antes de sentar-se no sofá e fechar os olhos por alguns segundos.
-Zeus, daí-me paciência e coragem para sobreviver a esses três dias; ela pediu num sussurro antes de levantar-se e ir até seu quarto pegar as roupas que levaria ate o ultimo templo onde iria passar os próximos três dias com os pais.
Isso não era o que mais lhe aterrorizava e sim, não saber o que o pai estava pretendendo com aquele tempo livre que ele chama de 'fazer coisas que pais e filhos fazem'; ela pensou dando um novo suspiro cansado.
-o-o-o-o-o-
Sorriu consigo mesma ao ver seu trabalho terminado, aquele quarto estava impecavelmente perfeito, alias, para planos perfeitos, eram necessários recursos perfeitos; ela pensou terminando de acertar o véu marfim sobre o dossel da cama.
O quarto era uma das suítes do palácio, com lareira e aparador, uma pequena sala de banho que manteria perfeitamente duas pessoas de maneira confortável lá dentro, enquanto os moveis ainda eram rústicos.
Uma penteadeira, um guarda roupa com desenhos de folhas entalhadas no cedro. As cortinas eram azuis escuras e impediam que qualquer luz mesmo que pequena entrasse ali dentro.
Sobre os criados-mudos ao lado da cama, algumas velas aromáticas de cores claras, porém que davam um ar mais harmônico para aquele lugar.
Seu sorriso tornou-se ainda mais largo ao pensar no que iria acontecer quando seus planos começassem a se encaminhar. Ele já estava chegando, ai... Era só deixar que as Deusas do Destino, sempre tão sádicas, tecessem a seu favor; Leda pensou antes de deixar o quarto tomando o devido cuidado de trancar a porta em seguida.
-o-o-o-o-o-
Quando chegou ao palácio, já era tarde e todos já haviam se retirado para seus quartos. Suspirou cansado, provavelmente Amélia não havia esperado, queria contar a ela as coisas que descobrira em suas investigações, mas teria de esperar até amanhecer; Siegfried pensou desanimado, enquanto seguia até a cozinha.
Se bem conhecia Alana, ela não lhe deixaria morrer de fome à noite; ele concluiu sorrindo, fazia anos que a senhora estava no castelo e de certa forma sabia que nenhum deles ali sobreviveria sem ela.
Alana sabia da rotina de todos e não duvidava que ela tivesse algum poder místico de ler pensamentos, porque às vezes ela agia como se estivesse a um passo a frente de tudo.
Ouviu um barulho estranho e seguiu-o a passos silenciosos, mas estancou antes de chegar à soleira da porta, ouvindo vozes.
-Tem certeza que esta bem? -ouviu a voz da senhora perguntar.
-Estou, não se preocupe;
Aproximou-se cauteloso ao ver que quem estava ali era Hilda.
-Se quiser posso fazer um lanche mais consistente para você, esse suco parece que não vai servir de nada, ainda mais que você ficou o dia todo sem comer; Alana falou a repreendendo com um olhar.
-É o suficiente Alana, muito obrigada. Só vou terminar de tomar e vou dormir, não se preocupe; ela respondeu sorrindo.
-Se prefere assim; a senhora deu de ombros. –Boa noite e não vá se deitar muito tarde;
-Pode deixar; Hilda respondeu vendo-a se afastar.
Voltou a bebericar o suco de laranja que a senhora fizera para si antes de ir, não estava com apetite, muito menos com animo para nada. Desde que Siegfried sumira pela manhã, um nó de preocupação formara-se em sua garganta, impedindo-a até mesmo de pensar em comer alguma coisa.
Recostou-se na cadeira, suspirando cansada, ele ainda não voltara. Pelo visto teria de seguir o conselho de Alana e ir dormir; ela concluiu dando um suspiro desanimado.
Tateou a superfície da bancada da cozinha, buscando no escuro o pote de biscoitos que Alana sempre deixava por ali, para quando desse uma escapada de seu quarto para um lanchinho a noite, encontrasse algo para enganar o estomago, mas antes que tocasse, sentiu uma mão sobre a sua.
Sobressaltou-se e quando ia gritar outra tapou-lhe a boca, debateu-se freneticamente, sentindo-se presa a um abraço forte.
-Sou eu; Siegfried sussurrou, tentando conte-la antes que se machucasse.
Sentiu os músculos antes tensos relaxarem e os braços estreitarem-se carinhosamente entre si.
-Você me assustou; Hilda falou indignada,
-Você não teria se assustado se não estivesse aqui no escuro; ele rebateu com um "Qzinho" de sarcasmo.
-Estava fazendo um lanche; ela resmungou tentando afasta-lo, porém tal intento não surtiu efeito.
-Sei, vou fingir que acredito; Siegfried a provocou, enquanto apoiava o queixo sobre a curva de seu pescoço.
-Como? –a jovem indagou com os orbes prateados serrados de maneira perigosa, sem notar o largo sorriso que formou-se em seus lábios.
-Vou fingir que acredito que você não esta com curiosidade para saber onde estive, ou o que estive fazendo; ele falou com um sorriso matreiro.
-Não, não estou; ela tentou responder em tom frio, mas tal intento não deu certo ao ouvir o riso suave dele em seu ouvido e a face recém barbeada roçando agradavelmente na sua.
-Como disse, vou fingir que acredito; ele brincou.
-Siegfried, caso não tenha percebido, gostaria de me levantar; Hilda falou aborrecida com o rumo da conversa.
Estava sim, o esperando chegar, mas não por curiosidade de saber o que ele estava fazendo, não completamente, mas estava preocupada. Com uma guerra batendo nos portões de Asgard, ele sumia do nada, ficara preocupada, agora ele começa a brincar com algo serio; ela se indignou.
-Porque a pressa? –o cavaleiro indagou não parecendo nem um pouco empenhado em se afastar o que pareceu irrita-la.
-Siegfried, por favor; ela falou serrando os punhos e ao virar-se para o lado, encontrou o olhar intenso dele cravado sobre si.
-Sabe, não agüentava mais ficar um minuto longe de você; ele sussurrou com os lábios a milímetros de distancia do dela.
Ameaçou falar algo, mas desistiu, vendo que não conseguira expor nada do que estava pensando em palavras.
-Decidi seguir o conselho de Amélia; Siegfried continuou.
-Qual? –Hilda perguntou confusa.
-Não se obtém nada sem arriscar-se, não acha? –ele indagou, ignorando a confusão que via mesclar-se nas íris azuladas, mesmo sobre as sombras que os cobriam.
-...; Ela concordou com um aceno, sem entender aonde ele queria chegar.
-Ótimo, pelo menos ambos estamos de acordo nisso; o cavaleiro falou com um sorriso que a fez prender a respiração instintivamente.
Sentiu os dedos finos e levemente frios tocarem a face rosada, que agora tinha a completa certeza de estarem tão corados quanto os cabelos de Coralina. A respiração entrecortada chocou-se contra si, enquanto os poucos ambos serravam os orbes, deixando-se levar por aquele momento que ninguém poderia lhes tirar.
Uma explosão de sentimentos foi desencadeada, com apenas um tiro no escuro. Os lábios encontraram-se afoitos por se conhecerem e saciarem aquela necessidade de estarem juntos.
Uma essência inebriante invadiu seus sentidos obliterando seus pensamentos, enlaçou-o pelo pescoço, pressentindo que a qualquer momento cairia daquela cadeira, em resposta, sentiu o braço do cavaleiro estreitar-se em sua cintura, aproximando-os ainda mais.
Era como se houvessem mergulhado em um vórtice que os puxava para cantos inexplorados do universo, onde tudo resumia-se apenas aquele momento.
Afastaram-se parcialmente, as respirações entrecortadas, os lábios próximos o suficiente para um novo beijo acontecer, como exatamente o foi.
-Fui até Daliun; ele falou depois de alguns segundos em silencio, enquanto a acomodava entre seus braços, sentindo-a descansar a cabeça em seu ombro.
-Porque? –Hilda perguntou confusa.
Daliun era terra dos Magos do Equilíbrio, em Asgard seus nomes não eram mencionados com freqüência devido aos resquícios do regime de Durval, mas os Magos não eram cavaleiros, nem imortais, mas tinham um poder que se equiparava a ambos, por isso foram banidos por Durval.
Pelo que sabia, existiam muitos magos que ainda habitavam a Terra Média sem se mostrarem completamente, mantendo identidades que os poupessem de terem de migrar por outras paragens, Gales, Inglaterra, Dinamarca e até nas Américas eles viviam, mas Daliun era o lar de todos.
Todos os magos reuniam-se algumas vezes em Daliun, embora não mostrassem de maneira tão evidente as influencias que tem no equilíbrio do universo, era preciso ser cego para ignorar isso.
E também, para Siegfried buscar pelos Magos em Daliun havia alguma coisa errada; ela concluiu ficando tensa.
-Fui falar com Alazar; ele falou referindo-se ao mestre dos magos, que nos últimos séculos, vinha sendo o regente de Daliun e do conselho.
-Então? –ela perguntou ansiosa.
-Após o conselho, um embaixador de Daliun vira até Asgard; Siegfried continuou.
-Porque? –Hilda indagou.
-Fui até Alazar para saber se ele teria alguma informação para nos fornecer sobre o que esta nos ameaçando. A noticia de uma possível guerra em Asgard já chegou a Daliun e não duvido que tenha chegado a outros lugares também. Seja quem quer que esteja nos ameaçando, já sabe que vamos estar esperando-o a qualquer momento, mas pelas antigas alianças, Alazar mandara um embaixador a Asgard;
-Não entendo;
-Ele quer garantir que se ira acontecer uma guerra mesmo, que seja pelos motivos certos, assim sua consciência não ficara pesada ao nos 'oferecer' apoio; o cavaleiro falou em certo desagrado.
-Isso quer dizer exatamente, que? –ela esperou-o continuar.
-Que estamos com sérios problemas, em outra ocasião, Alazar apenas responderia minhas perguntas e nada mais, mandar um embaixador aqui, é simplesmente para vigiar, não a nós, mas qualquer coisa que de a ele uma pista de quem vai atacar. O conselho dos magos esta tão perdido quanto nós, Alazar sabe que se houver uma guerra em Asgard todos em volta serão afetados, Daliun, Eldar, Sindar entre os outros reinos.
-E o que nos resta agora? –Hilda perguntou sentindo-se inquieta pela primeira vez desde que tudo começara a acontecer.
Saber que Freya havia desaparecido não fora um choque tão grande, mesmo porque a deusa ia e vinha pelos reinos sem ser notada, mas as mudanças na energia do ambiente começaram a lhe alarmar e o que já suspeitava e vinha falando com Coralina nos últimos dias só afirmou que estava certa, embora nada tenha feito para alertar os demais.
Mas agora essa nova energia, a morte dos unicórnios, Hell e Fenris mortos, Freya precisava ser encontrada, não sabia como proceder nessa situação. Siegfried fora até o conselho dos magos e eles estavam tão perdidos quanto Asgard. O que isso quer dizer? –ela se indagou.
-Não se preocupe; ouviu-o sussurrar enquanto afagava-lhe as melenas azuladas. –Vai ficar tudo bem;
-Eu quero muito confiar nisso Siegfried, muito; ela sussurrou, fechando os olhos por alguns segundos, deixando-se embalar pelo abraço caloroso e os batimentos ritmados do coração do cavaleiro.
.VI.
Alongou os braços para cima, sentindo as costas estalarem um pouco, já estava há horas ali tentando acertar aquelas faces para que ficassem perfeitas, mas estava começando a se cansar, a noite caia fria sobre a capital inglesa, tão fria como os dias naquela temporada.
Fechou os olhos por alguns segundos, debruçando-se na bancada de trabalho, sentindo o pescoço dolorido pelo esforço que fizera em manter-se na mesma posição durante horas, enquanto trabalhava.
Imersa em seu cansaço físico, mal notou a aparição de alguém atrás de si, sentia os olhos pesados e mesmo ainda querendo continuar a trabalhar caiu no sono.
Braços fortes e gentis envolveram-lhe o corpo delicado, os cabelos negros penderam sobre as costas e instintivamente o corpo pequeno aconchegou-se entre os braços dele.
Caminhou pela casa a passos calmos, reconhecendo cada canto por onde passava, subiu as escadas de cedro indo para o segundo andar. Era uma casa aparentemente simples, mas não duvidava que ela seria um bom patrimônio da cidade devido aos duzentos anos de existência que tinha.
O cedro rangeu a seus pés, chamando-lhe a atenção, os passos tornaram-se ainda mais calmos e leves, como se estivesse flutuando e o peso da jovem entre seus braços não fosse maior do que o de uma pena.
Lançou-lhe um olhar de soslaio enquanto a porta do quarto ao final do corredor abria-se sem ao menos ter se aproximado ainda. Ela parecia bastante cansada, provavelmente aquela teimosa andara trabalhando demais nos últimos dias.
Suspirou pesadamente, desde que a rotina de treinamentos constantes recomeçara, não tinham tanto tempo de ficarem juntos como antes, mas isso em breve estava para mudar.
Colocou-a delicadamente sobre a cama afastando a colcha branca para acomoda-la de maneira mais confortável. Laura murmurou algo, agarrando-se ao travesseiro e suspirando.
É, pelo visto ela precisava mesmo descansar; ele concluiu sentando-se na beira da cama e afagando-lhe as melenas negras. Aos poucos a tensão que via carregar os ombros da jovem foi desaparecendo e os cabelos antes negros aos poucos foram adquirindo um tom azul, como aquele a banhar num dia ensolarado as praias caribenhas. Tão límpido e tranqüilo...
Viu os cílios começarem a se mover, mas não se levantou. Antes os orbes que eram violeta abriram-se num tom rosado, embaçado pelo cansaço.
-Mú!
-...; O ariano assentiu silenciosamente enquanto puxava a colcha sobre a jovem, ela poderia estar acostumada com as noites frias da Inglaterra, mas evitar uma gripe nunca poderia ser considerado cuidado demasiado. –Você esta cansada, durma... Amanhã conversamos; ele sussurrou.
Laura assentiu, serrando os orbes no momento que o viu se abaixar e depositar um beijo carinhoso no alto de sua testa. Aos poucos o sono veio chegando e adormeceu.
Levantou-se da cama tomando o devido cuidado para não acorda-la e se afastou, com isso as cortinas do aposento fecharam-se ao comando de seus pensamentos e sem barulho algum, a porta encostou-se, enquanto a passos calmos tornava a descer as escadas de cedro.
Continua...
Domo pessoal
Desculpem a demora, mas como disse antes, algumas coisas que aconteceriam em Siempre e Luthier, iriam influenciar O Senhor dos Dragões, por isso demorei tanto a lançar o segundo capitulo.
Bem, muitas coisas iriam acontecer agora com a segunda parte da trilogia sobre a Terra Média e o santuário. Como vocês sabem, essa fic é apenas uma entre tantas que compõem e ainda irão integrar a 'Saga de uma nova vida".
Apenas para esclarecer algumas coisas, a Jéssica que Kanon se refere no inicio do capitulo é um personagem criado para a fic Blood Lust, que conta uma passagem sobre o passado dos Gêmeos e alguns segredos sobre a antiga geração de cavaleiros. Num cenário gótico e eletrizante, com direito a lordes sedutores e vampiros sanguinários. Não é UA, mas pra mim seria muito gratificante ter a opinião de vocês sobre essa também.
No mais, agradeço a todos o grande apoio e os reviews maravilhosos.
Um forte abraço e nos vemos na próxima...
Ja ne...
Dama 9
