Os ares franceses, sem dúvida, fizeram bem a Grissom, ele acordara com um grande apetite e uma enorme necessidade de falar: contou a Sara muitas coisas da história francesa. Sara, como sempre, gostava de suas histórias, e ficava deslumbrada com sua memória.
Quando afinal, desembarcaram em Paris, por motivos diversos, estavam eufóricos. Sara se colocou de lado, coisa que não era fácil pra ela, e deixou Grissom, cuidar de tudo.
Assim que entraram no táxi, ele pediu:
"Hotel Residence Duchamps, s'il vouz plait!" (por favor!)
Sara olhou para ele espantada. Após conhecê-lo há tantos anos, ele não deixava de surpreendê-la. Era um homem que sabia ser charmoso, quando queria.
"Não sabia que você falava francês..."
"Não sou fluente, mas digamos que sei o suficiente, pra não morrer de fome!" sentenciou ele, se encostando mais no banco.
A caminho, Sara avistou a imponente Torre Eiffel, e pela primeira vez, achou que estava na França! A pequena Sara havia dado um passo bem grande. Ela deixou escapar um "uau', que fez grissom olhar para ela.
Pararam na porta do hotel, e enquanto a pouca bagagem era retirada, do táxi, Sara pensava em como o hotel era pequeno. Acanhado mesmo, se ela fosse comparar, com os gigantescos hotéis/cassinos, de Las Vegas. Quando entrou junto com Grissom, assombrou-se com o luxo da recepção: esculturas de bronze logo à entrada e aos fundos o balcão todo de mogno, impressionava e contrastava, com a simplicidade de fora.
Se Grissom se impressionara, obviamente não demonstrou.
Aproximou-se do balcão e, com perguntou se alguém ali falava sua língua. Uma moça morena, de estatura mediana e dentes saltados, foi até ele, e disse, num inglês um pouco arrastado:
"Eu falo, mounsier!" (senhor)
Grissom identificou-se, perguntou dos serviços do hotel, e terminou dizendo que devia ter reserva de quarto em seu nome.
A moça consultou um livro bordô e confirmou sua reserva. Olhou para Sara, um passo atrás dele e perguntou se era um quarto de casal ou dois individuais. Sara sentiu-se corar, não sabia se pela pergunta da moça ou se pela veemência de grissom, querendo quartos separados. A moça pegou as duas chaves e entregou-lhe. Ficariam no segundo e terceiro andar, um exatamente sobre o outro.
Estavam se dirigindo ao elevador, quando a moça chamou Grissom, e lhe entregou um bilhete que tinham deixado para ele. O papel tinha o timbre da Interpol e a assinatura de um tal de Paul Févres. Ele não podia deixar de olhar para dentição estranha da moça e pensar porque ela não havia usado um aparelho. Sara percebeu que ele olhava, insistentemente para os dentes da recepcionista, e tratou de distraí-lo perguntando a respeito do bilhete misterioso.
"Oh, isso! Um tal de Sr... " estendeu, mais uma vez o bilhete, olhou bem o nome, e então disse: "Sr.Févres, da Interpol, virá nos ver, às quinze horas".
"Que bom que o sujeito da Interpol só virá à tarde assim terei tempo de dormir um pouco!"
"Você não dormiu no avião? Eu dormi como um bebê!"
"É, eu percebi" falou Sara, com ironia. – "Puxa, Grissom, eu estava bem perto de você, não percebeu?!", pensou amargurada.
Felizmente, a porta do elevador se abriu, para que Grissom e o carregador que subiu junto, saíssem, parando, antes mesmo de começar, uma discussão inútil entre eles.
Sara ficou realmente encantada com o quarto do terceiro andar. Era bonito e confortável, sem ser luxuoso. bem ao seu gosto! E, ainda tinha, conforme lhe dissera o carregador, a Torre Eiffel de fundo, na janela. Era só chegar à janela, para perceber que estava na França, afinal!
Quando o carregador lhe mostrou o banheiro, ela não pode deixar de sorrir - há quanto tempo não tomava um banho relaxante, em uma banheira, como a que ela via ali?
A fim de bem aproveitar seus dias, viu que teria de deixar de lado a praticidade americana de lado e viver, mais vagarosamente, como os europeus: saboreando a vida e não engolindo-a, como os americanos faziam.
Resolvida a experimentar, resolveu tomar um banho relaxante, com uns sais que encontrou sobre a pia.
Enquanto isso, Grissom explorava seu quarto (enquanto o de Sara era bege - pelo menos era o que parecia na foto - o seu era todo azul). Não desfez a mala, somente colocou seus poucos pertences pessoais no banheiro. Achou que seria uma boa idéia tomar uma chuveirada para tirar o ranço da viagem, e ficar solerte, quando chegasse o homem da Interpol. Viu atrás da porta dois roupões de toalha, masculino e feminino. Tirou o masculino do gancho e acariciou o outro, pensando que Sara podia estar dentro dele! Sacudiu a cabeça, como se assim se livrasse de um pensamento indesejável e, foi tomar sua ducha.
Sara, após um banho relaxante, sentiu-se lânguida e sonolenta. Tirou o roupão feminino do gancho e, afagou o outro, como se Grissom estivesse dentro dele. "Ah, se você agisse menos friamente e me notasse...! Não estamos mais em Vegas... Não têm mais olhares vigilantes do escritório, nem pressões de nenhum tipo. Olhe pela janela: veja a Torre Eiffel, estamos em Paris, meu amor!".
Pensando que o cansaço já a estivesse fazendo delirar, foi até a cama que lhe pareceu muito convidativa e deitou, só com o roupão, em cima do edredom. Dormiu profundamente.
Grissom subiu ao seu quarto, ao meio-dia, para ver se saíam para comer alguma coisa, mas se deparou com a placa "Do Not Disturb" na porta. Lembrou-se de que a jovem mencionara que queria dormir, e por isso, deu meia-volta alcançando o elevador.
Comera apenas uma salada, num bistrô, perto do hotel. Tudo lhe parecera sem gosto estando sozinho. Não era assim que planejava passar seus dias em Paris.
No caminho de volta ao hotel, passara em uma banca de frutas e comprara algumas para Sara que com certeza, acordaria com fome.
Às quinze horas, pontualmente, o telefone do quarto de Grissom tocou, estava repousando. Atendeu ao telefone, reconhecendo de pronto a fala da recepcionista, com seu inglês arrastado:
"Monsieur Grissom, está repousando? Atrapalho?"
"Não, em absoluto. De que se trata?"
"Monsieur Févres, da Interpol, deseja falar-lhe. Ele e seu outro companheiro estão no saguão".
"Peça-lhes para virem até meu quarto me encontrar. E por favor, acordar Mademoiselle Sidle (senhorita Sidle), do 35 e peça-lhe para vir até aqui."
"Oui, Monsieur Grissom".
A recepcionista pediu que o homem fosse até o apartamento de Grissom e, em seguida, telefonou para a jovem. Sara acordou com um pulo - o barulho do telefone estava bastante alto:
"Sim! "
"Monsieur Grissom, a espera em seu quarto".
"Poderia me adiantar o motivo?" Perguntou ela.
"O moço da Interpol e ele, lhe aguardam no quarto dele."
"Ah sim, Merci!" (obrigado)
Acordar com aquele susto, não fora nada agradável, então, para não parecer de mau humor, ela molhou o rosto com água quente, e se vestiu calmamente. Colocou uma calça jeans e uma blusa e desceu.
"Mas é claro que seria por causa da Interpol!" – pensou ela no elevador.
Chegou no segundo andar, mas precisou parar por alguns instantes em frente à porta, sem bater. Ela precisava se focar no trabalho e não demonstrar que esperava uma reação calorosa de Grissom, assim que ele abrisse a porta. Deu duas batidas e esperou.
"Nós já estávamos discutindo sobre o caso" Falou Grissom.
"Realmente era melhor eu me preparar psicologicamente para isso" – pensou Sara, abrindo um sorriso.
"Sara Sidle, Muito prazer, " disse ela estendendo a mão as visitantes.
"Olá, Espero que já esteja apreciando as coisas por aqui" falou Sr. Févres.
Antes que ela pudesse responder, ao comentário agradável, ele continuou:
"Estava comentando com seu colega...'"
"Chefe!" Corrigiu Grissom.
"Ah sim, estávamos comentando com seu chefe, que o motivo de ter pedido que viessem: a vítima é um americano, de 35 anos."
"Entendo. Onde o encontraram, e o que mais vocês descobriram até agora?" Perguntou Sara mostrando profissionalismo.
Os dois agentes da Interpol, e o próprio Grissom, se entreolharam.
"Bom, o corpo foi encontrado no Mont Saint Michel" respondeu o parceiro de Févres. ''Mas teve que ser removido antes que pudesse ser feita toda a análise do local''.
"Mas por que?" Perguntou Grissom.
"Por causa da maré" respondeu Sara. (Grissom ficou chocado)
"Exatamente'' confirmou Févres. "Gostaríamos de poder fornecer maiores detalhes, e conversar de forma mais agradável, em nosso escritório. Vocês poderiam nos acompanhar até lá ?"
"Claro!'' respondeu Grissom, pegando a sua maleta. Sara já estava com as suas coisas.
"Espero que não se importem se fomos em um carro só" comentou Laffon. Os dois americanos acenaram que não seria um problema.
" Como você sabia sobre a maré?" perguntou Grissom, enquanto estavam a caminho do escritório.
"Mont Saint Michel é um lugar famoso não só por sua história e arquitetura, mas também pelo fato de que em determinada hora do dia, a maré sobe e o lugar fica isolado do continente" falou Sara. (Grissom a olhava, atento). "Eu li sobre isso em um livro. Mas se você pesquisar na Internet, vai achar coisas interessantes também".
"Parece saber bastante sobre a França" comentou Laffon. "Já esteve aqui antes?"
"Na verdade não. Eu só li sobre e vi alguns programas na teve".
"Entendo".
O carro parou em frente a um prédio de três andares. Os dois franceses desceram primeiro, e Grissom e Sara vieram logo atrás. Grissom nem se deu ao trabalho de abrir a porta do carro para a moça. Quem o fez foi Laffon. Sara agradeceu e eles entraram no prédio.
TBC
